Sonhei novamente com um homem. Nós dançávamos igualmente ao anterior, mas desta vez, pipocas voavam espalhadas pelo chão. Será que esta cena se concretizará como da outra vez?
Hoje, quando fui pegar um pão para comer, ele caiu no chão e rolou até um certo canto. Quando fui pegá-lo para jogar no lixo, eis que acidentalmente piso JUSTAMENTE no pano que tinha colocado lá um tempo atrás, escorrego e levo um ultra, mega, blaster, plus tombo em cima do maldito PÃO.
Agora, além de me levantar, ficar com o traseiro dolorido, colocar o pano de volta no lugar e jogar o maldito pão no lixo, tenho que tirar as migalhas do maldito pão da minha calça!
Hoje vou à casa do Miroku, enquanto ele e Sango ainda só estão noivos. Eu, ele, Sango e InuYasha vamos ver filmes na casa de Miroku, pois já nos formamos e agora com o casamento deles, seria difícil nos reunir novamente.
Na formatura, o Jack foi! Toda vez que ele chegava perto de mim o InuYasha corria pelo lado contrário, mas não teve jeito. Jack o viu e começou a correr atrás dele berrando que ele era o maior bofe. InuYasha disse que deu graças a Deus que ele já tinha recebido o diploma, porque daí ele pulou a primeira janela que achou pela frente e foi para a casa, ainda correndo pelas ruas. Ah, por isso ele tinha sumido cedo!
Por mais coincidência que seja – Muita mesmo - a casa de Miroku é do lado da de Sango. Por isso que ele sempre chegava primeiro em dias de Piquenique, não importa quão cedo eu chegue! – Uma vez, eu fui quatro horas mais cedo na casa da Sango para ela me ajudar com algumas questões do dever de casa, e o Miroku já estava lá!
Cheguei e apertei a campainha. Momento de tensão.
- Kagome! – Miroku me cumprimentou, sorrindo como sempre – Só faltava você! E como foi a última a chegar, vou te dar a honra de escolher o primeiro filme que veremos! –
- Miroku! Mas não seria melhor se fosse aquele que chegou primeiro? – Disse Sango mais ao fundo.
- Não, porque foi você a primeira a chegar, e a sua casa é ao lado na minha, ou seja, sem chances para os outros. –
- Humpf! – Sango fez uma cara fingida de enfezada.
- Não reclame! Eu sou justo! – Disse Miroku em tom de riso.
- Vamos começar logo o "mini cinema"! – Disse InuYasha, sentado em um dos cantos do grande sofá de Miroku.
- Ok! Deixe-me ver qual que eu quero ver... – E começo a xeretar os filmes de Miroku.
Ação? Muito violento.
Romance? Muito meloso.
Aventura? Não estou com senso de aventura hoje.
Humor? Nós quatro já somos uma verdadeira palhaçada conversando, não precisa de mais.
Cenas quentes? Credo! Claro que não. Corei um pouco.
Suspense? Já fiz meu suspense enquanto esperava o Miroku abrir a porta.
Terror? Perfeito!
Coloquei um filme que achei interessante no DVD de Miroku, e me sentei ao lado do InuYasha.
- Ai! Que cabeça a minha, vou fazer pipocas! Esperem-me! – Hum... Isto está me parecendo familiar...
- Vê se não demora! – Gritou InuYasha.
- Está bem! – Miroku gritou de volta.
- Pare de enrolar me respondendo e vá logo! – Isso foi engraçado! Ouvi Miroku resmungar alguma coisa e já ouvi o barulho da pipoca estourando.
Logo ele trouxe as pipocas quentinhas, uma garrafa de refrigerante e quatro copos. Colocamos o filme para rodar e enchíamos a boca de pipoca quando alguém morria. O filme não era lá de dar medo, era mais nojento. Claro que Miroku não agüentou e passou sua mão amaldiçoada no traseiro de Sango, que gritou de susto e como sempre, deu um tapa na cara dele. Miroku fiou quieto depois disso. O filme terminou com a protagonista dançando com o vilão do filme disfarçado do cara que ela gostava. Daí, ele se revelava, ela morria e fim do filme. Mas uma coisa que o vilão falou, quando a puxou para dançar, era que a dança era uma arte. Claro que ironicamente, mas para mim fez muito sentido.
- A dança é uma arte... – Murmurei inconscientemente.
- Você quer dançar? – Perguntou InuYasha, com um sorriso brincalhão.
Apenas sorri. Sorrisos, ás vezes só bastava isso para um entender o outro. Existem vários tipos de sorrisos, alegres, felizes, tristes, aliviados, de escárnio, irônicos, brincalhões, galantes, sedutores...
De todos os tipos, nós sempre nos entendemos. Para alguns são os olhos, outros mais depravados o traseiro – Sim, eu já vi isso e acho nojento! – e ainda há aqueles que dizem falar pelos cotovelos. Mas para nós, eram os sorrisos.
E foi sorrindo brincalhões que fomos para um canto da casa de Miroku e começamos a dançar. Sango e Miroku caíram na risada pela cena e começaram a atirar as pipocas que sobraram em nós, o que atrapalhava nossa dança e a fazia ficar estranha.
Foi então que me lembrei daquele sonho que tinha tido hoje cedo. Ele também se concretizou! Parece que quando estou com InuYasha tudo é possível...
Talvez minha vida tenha sido simples até conhecê-lo. E só agora, é que ela virou um verdadeiro conto de fadas!
A Dança É Uma Arte, eu concordo plenamente com o vilão do filme. Olho nos orbes dourados de InuYasha. Quem diria que aquele galante garoto com uma máscara negra e parceiro de dança seria mais que isso um dia.
Hoje à noite, vou sonhar com o dia do baile. Vou relembrar cada momento feliz, até mesmo os pisos que levei no pé! – Meus pés não concordam comigo, mas pelo menos no sonho não vai ser real - Relembrar os orbes dourados de meu parceiro por de trás daquela máscara negra que encantaram os meus azuis por de trás da minha que era igualmente negra, relembrar a dança calma e romântica e, acima de tudo, me lembrar de quando minha vida virou um conto de fadas!
Depois da tarde maravilhosa, a noite chega e voltei para casa com um sorriso bobo no rosto. Meus pais tentaram, como sempre, me questionar:
- Kagome! Como foi a sua tarde na casa de Miroku? – Os sorrisos maliciosos novamente em seus lábios.
- O meu dia foi maravilhoso! – Respondi automaticamente, sem deixa nunca de sorrir.
Subo as escadas, entro no meu quarto e deito na minha cama quentinha, fofa e gostosa. Quem sabe, antes de jantar, eu tire um cochilo com todas essas lembranças que me rondam? Soltei um risinho abafado pelo travesseiro e disse antes de adormecer:
- O Garoto Da Máscara Negra... –
