Capítulo 4: Luxúria Vespertina
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Era uma e meia e não havia indicação que Draco se lembrava do encontro, imagina aparecer para ele.
Encontro não, ela se corrigiu. Não é um encontro. Você é a serva dele e ele basicamente te chamou aqui. Certamente não é um encontro. E ela certamente não ia se lembrar mais do jeito que os olhos dele pareciam assustados ontem, muito menos se preocupar sobre quanto o pai dele parecia ter poder sobre a mente de Draco. Não, ela não, certamente não.
Passando uma mão pelo cabelo nervosamente, Gina se perguntou, já que ela estava sozinha ali, quem ela estava tentando convencer.
O lago estava lindo, mesmo com o sol insistindo em se esconder atrás de uma nuvem. Havia uma brisa fria e suave que parecia anunciar a primavera na Inglaterra. E mesmo sendo sábado, Gina vestia seus robes para combater o tempo, e para ser honesta, ter uma camada de proteção contra Draco.
O garoto certamente tinha conseguido entrar na sua pele. Se ao menos ele estivesse assim também. Talvez ela tenha o entendido errado. Em vez de esperá-lo para almoçar, talvez ela deveria era trazer comida do almoço para a janta. Não, era óbvio que ele tinha esquecido. É claro, ela estava atrasada, só tendo chegado lá quinze para uma. Se ele queria encontrá-la exatamente ao meio-dia, era possível que ele estivesse lá na hora, e então ela estaria completamente atrasada, e ele assumiu que ela era uma idiota que não tinha noção de tempo e foi embora.
Tudo culpa do Rony.
Ela dormiu naquele dia pela primeira vez em semanas, tendo estado exausta de deixar de dormir por dias pra não ter mais aqueles sonhos perturbadores. Aquilo, somado com as provas e fazer a lição de herbologia de Draco antes das suas (pra não mencionar o BORDADO) e Gina estava pronta para entrar em colapso quase todos os dias. Mas hoje, depois de dormir 10 horas direto, ela havia acordado bem e ansiosa pelo dia que viria.
Depois de uma pequena parada nas cozinhas para encher uma cesta com comida, Gina correu de volta para o quarto para pegar as tarefas de herbologia. Ter a atenção completa de Draco parecia perfeito para uma aula -- supostamente, então ninguém os veria, e se vissem, eles podiam fingir estar tendo um encontrinho romântico. O que nós não estamos fazendo, ela respondeu pra si mesma. É lógico que não, insistiu rudemente, porque eu estou sozinha aqui e eu não faço nada pra mim, digo, romanticamente.
Mas continuando. Uma vez de volta a torre, Rony apareceu, querendo saber exatamente onde ela achava que ia com aquela sesta de picnic para dois. Depois de tentar enganá-lo com uma história podre sobre ela e a nova amiga, Ezra ("acabei de ver Ezra," ele disse friamente, "e ela vai ter um grande problema em almoçar já que ela está com a boca ocupada com a língua de Simas Finnigan."), mas Rony não caiu. Finalmente ela admitiu que ia para uma aula com Draco, o que só aumentou a idéia de Rony de não deixá-la sair. Ela só conseguiu depois de muita chantagem emocional -- "Se eu não ter ajuda em poções, não conseguirei notas boas nos N.O.M.s e vai partir o coração de mamãe. Você quer ser responsável por isso?"
Foi quase um milagre ela conseguir manter a coisa longe de Rony por tanto tempo. Toda a escola estava fofocando sobre Draco e Gina, mas todos os alunos que conheciam melhor Rony, do sétimo ano, estavam mais interessados em estudar para os N.I.E.M.s do que espalhar fofoca sobre a claramente insana irmãzinha de Rony que senta com um sonserino. Além do que, Gina pensou que todos estavam um pouco com medo de Rony assassinar brutalmente o mensageiro nesse caso.
Os sextanistas pareciam não temer e fofocavam como donas de casa, Gina tinha que admitir. Pelo menos eles não começaram antes do pequeno escândalo de Rony no jantar de ontem. Ela tinha recebido uns 12 recados durante as aulas, desde "você tá LOUCA?" para "como Draco realmente é?" e até "é verdade que ele mantém pássaros, que são lufa-lufas do primeiro ano transfigurados, em uma gaiola ao lado da cama?"
Esse último tinha vindo de uma garotinha aterrorizada do primeiro ano da Lufa-Lufa. A favorita de Gina veio de uma garota do quarto ano da Corvinal. "Então, Malfoy é tão bom quanto Pansy Parkinson disse pra escola toda que ele era?" Particularmente, fez Gina corar escarlate e a garota corvinal só sorriu diante dela. Gina queria seguí-la e gritar que não era o que parecia, mas negar tudo tão veemente só ia fazer com que parecesse mais verdadeiro.
Além do que, foi um dia depois do sonho que ela teve, e o que restou dele ainda a forçava a protestar consigo mesma. Talvez não fosse exatamente o que parecia, mas Gina estava começando a temer que era bem perto.
"Boo," uma voz sussurrou perto de seu ouvido.
Gina pulou e viu Draco muito perto. "Idiota," ela murmurou, estapeando o braço dele.
"Pára, você sabe como esses apelidinhos me fazem corar," ele murmurou.
"Estúpido," ela disse docemente.
"Criança," ele riu, e quase soou afetivo.
"Isso é tudo que você tem a dizer?" Ela perguntou, colocando as mãos na cintura.
"Boba?" Ele ofereceu com um levantar de sobrancelhas.
"Você está atrasado," ela o informou. "Eu estou esperando há mais de hora." Meia mentira, mas ele certamente não precisava saber.
"Não é minha culpa, é?" Ele disse. "Nós não marcamos direito e ainda é uma hora razoável para almoçar."
"Sim, tirando o fato que o resto da escola já almoçou. Ao meio-dia, igual todo mundo."
"O que você quer que eu faça sobre isso?" Ele perguntou indiferente.
"Bom, você poderia ao menos pedir desculpas, não?" Ela pontuou exasperada.
"Que diferença faria?" Ele disse, parecendo lógico. "Eu dizer 'desculpa' não vai voltar o relógio pra você não ter que me esperar por uma hora -- o que seria triste, certo? -- e certamente não vai te tirar desse mau humor."
"Você não vai saber até tentar, não é?" Ela disse, e então franziu as sobrancelhas. "E hei! Não é triste! Mostra um certo nível de comprometimento. Nós tínhamos planos."
"Nós ainda temos," ele disse. "O que você trouxe para comer?"
Gina apertou os olhos, estudando-o. Ela sabia muito bem que ele queria encontrá-la ao meio-dia porque ele almoçava sempre ao meio-dia. Estava pré-programado. Ontem ele parecia quase... Vulnerável. E agora ele estava discutindo com ela ao invés de simplesmente mandá-la se calar. Tinha algo obviamente errado e estava pesando muito nele.
Ele parecia tão cansado, ela percebeu. Os robes dele estavam amassados, como se alguém tivesse dormido com eles (ou não dormido, como o caso parecia), e havia círculos escuros embaixo de seus olhos; eles eram quase obscenamente escuros contra a pele pálida dele. O cabelo não estava perfeitamente penteado para trás como normalmente, o que a lembrava de seu sonho, do Draco que fazia sua cabeça dar voltas e seus dedos se curvarem e todas essas coisas bobas que ela sempre imaginou se sentiria por alguém que estivesse ao alcance.
Draco não estava ao alcance, ela se lembrou. E ela não queria alcançá-lo também! Ah, subconsciente estúpido tentando destruir minha sanidade.
"Que foi?" Draco perguntou nervosamente, olhando em seus robes, certo de que havia algo nele.
Oops. Aparentemente a observação durou tempo demais.
"Frango frio," Gina disse, se ajoelhando no lençol que ela havia trazia para retirar a comida da sesta, "biscoitos, marmelada, bolacha, salmão e queijo Brie. E um pouco de cidra com gás para beber."
Ele ergueu uma sobrancelha suspeita, mas não perguntou por que ela estava o encarando. Eles comeram num silêncio confortável, somente quebrado para pequenos diálogos sobre o tempo ou a comida. Draco tem dois tipos, Gina começou a descobrir: irritantemente alto ou mortalmente quieto.
Quando ele era alto, era quando ele estava falando de alguém, com sua postura arrogante e coisas assim. Draco alto era o Draco que a maioria da escola via e que fazia Rony virar um lunático, mesmo que Rony seja bem alto também. Mas eles eram diferentes. Rony era alto de um jeito jovial e festeiro; Draco era alto de um jeito olhem-pra-mim-porque-sou-importante.
Não era o Draco que Gina estava começando a gostar. Draco quieto era pequeno e tinha tanto passando por seus olhos. Gina imaginou se Draco alto não era -- pelo menos em parte -- uma mentira. Uma roupa antiga que ele colocava, pois não importava o quanto velha ela estava, ainda era familiar e confortável quando ele precisava se sentir seguro e melhor do que procurar uma nova e mais atrativa.
Na roupa velha, Draco era ultrapassado, conservador e cheio de si. Era o Draco de apenas duas dimensões. Depois do tempo que eles passaram juntos Gina tinha certeza que aquilo não era mais verdade. Através dos anos, Draco cresceu, e mesmo que não tenha passado por uma metamorfose, ele certamente desenvolveu uma terceira dimensão.
Depois de 10 minutos de respostas monossílabas, e grunhidos vindo de Draco, Gina decidiu tomar o assunto em suas próprias mãos.
"Então, o que há de errado com você afinal?" Ela perguntou, depois se arrependeu do tom. Aquilo parecia ter sido um pouco mais duro do que ela pretendia.
Se seu tom chateou Draco, ele não demonstrou.
"Nada," ele disse, limpando seus dedos com um guardanapo.
"Nada não machuca tanto," Gina insistiu. Ele a olhou e ela pode sentir o aviso silencioso: não me pressione.
"É só meu pai," ele disse. E deixa quieto ficou implícito.
"O que tem seu pai?" Ela pressionou. Weasleys não tinham bom senso. Grande coragem, mas nenhum bom senso.
Suspirando, Draco abaixou seu guardanapo.
"Existe algo que eu possa fazer pra você esquecer isso?" Ele perguntou.
"Você poderia mandar eu parar." Ela disse, mordendo o lábio inferior.
"Ótimo," ele disse. "Ordeno que você pare."
Gina acenou afirmativamente, mordendo o lábio de novo. Ela começou a arrancar a grama atrás de si, e seu olhar encontrou o de Draco. Ele estava a observando tão cuidadosamente, a medindo. Ele me quer em alguma maneira? O que ele via quando olhava pra ela? Muito cabelo vermelho, mais sardas do que pele, roupas usadas (vintage, na verdade; ela não tinha irmã então as roupas eram de sua mãe, ou de Percy, quando estava realmente azarada), uma Weasley completa. Malfoys odiavam Weasleys. Ela não conseguia nem lembrar do porque no momento.
"O que tem seu pai?" Gina soltou. Ela realmente tentou segurar, mas parecia explodir.
"Você sabe o que a palavra 'ordem' significa?" Draco perguntou, parecendo genuinamente curioso.
"Draco," ela disse suavemente, dizendo o nome dele pela primeira vez desde que ele pediu, "Eu só... eu só quero ajudar. Se eu puder." Ela deu um meio sorriso. "Qualquer escrava que vale seu sal faria o mesmo."
Ele quase sorriu. Então pareceu lembrar sobre o que eles estavam falando e ficou sério e triste novamente.
"Ele está falando sobre meu futuro de novo," Draco disse com uma cara azeda. "Falando sobre as grandes coisas que eu vou fazer; coisas que eu particularmente não quero fazer."
"Coisas ruins?"
"Muitas coisas," Draco disse vagamente.
"Você parece minha amiga Ezra," Gina declarou.
Draco conseguiu parecer carrancudo e virar os olhos ao mesmo tempo. "Não vá me comparando com um de seus amigos, criança."
"Ela não me conta sobre o futuro horrível dela também," Gina continuou, "mesmo que eu pense que ela se sentiria melhor se ela simplesmente tirasse isso do peito."
"Sim, e Ezra acha seus patéticos atos de psicóloga tão embaraçosos quanto eu?"
"Ezra não acha." Gina respondeu.
"Ah, eu tenho certeza que acha," Draco disse com um sorriso malvado, "ela só está protegendo seus sentimentos."
"Sorte que você não tem que se preocupar com isso," disse Gina sarcasticamente.
"Faço o que posso," Draco declarou modestamente.
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"Mulher, se você não me deixar ter um minuto de paz dessas coisas inúteis pelo menos, eu vou jogar esses livros junto com você dentro do lago."
"Não sei como você espera aprender se você não estuda", Gina insistiu, irritando-se com as reclamações. "Você não quer ler nem a lição."
"Não tem sentido." Ele insistiu, jogando o livro de lado.
"Não é," Gina disse firmemente. "Você que é tão grande em fazer poções e em ver o brilhantismo em Professor Snape e a 'arte' dele", ela disse zombando, "devia apreciar herbologia bem mais do que aprecia."
"Quem disse?" Falou Draco.
"Eles andam de mãos dadas, não é?" Gina pontuou. "Os ingredientes que estão nas fórmulas de Snape são os que Professora Sprout está tentando nos ensinar."
"Eu não preciso saber como eles funcionam desde que saiba que eles funcionam." Draco disse.
"Você realmente acredita nisso, é?" Gina perguntou.
"Claro," ele respondeu mudando de posição.
"Nada importa pra você então, de onde vem, do que é feito, como conseguiu?" Ela pressionou. "Desde que funcione?" Ela estava à beira de lágrimas agora, mas ela se amaldiçoaria se demonstrasse isso.
"O que há de errado nisso?" Ele perguntou testando.
"Nada," ela respondeu nervosa. "Absolutamente nada."
Ela estava fervendo por dentro. Isso era exatamente o por que de Rony ficar tão preocupada com ela passando tanto tempo com Malfoy, exatamente por que Draco e Harry se odiavam tanto. Suas crenças eram tão opostas que era um milagre que eles não se repeliam como imãs. Estaria ela tão cega pela atração (e ela estava disposta a admitir que havia atração) por ele que ela havia feito dele alguém diferente do garoto mau que eles conheciam há anos?
"Obviamente não é 'nada' quando você explode por causa disso," ele falou com razão.
"Ótimo," ela disse, se levantando. Ela jogou a maçã meio comida na cabeça dele e quase acertou. "Você quer saber o que há de errado? É você. É o jeito que você vê as coisas, o jeito que você acha que sabe tudo. Você olha pra mim e tudo que você vê é um ratinho Weasley, muito pobre para poder comprar roupas novas, algo para... Deus, você nem tem pena de mim, tem? Você desdenha a mim e a qualquer outro que não atende aos seus critérios. Você é um fanático, mau--"
"Terminou?" Ela perguntou friamente, também se levantando.
"Não mesmo!" Ela gritou. "Você é tão inteligente. Tudo é tão fácil pra você, você tem tudo, você nunca vai ter que se preocupar sobre sua segurança ou se você vai ser capaz de ajudar sua família para não perder seu lar! Você é tão inteligente," ela repetiu com um soluço, "e é tão ignorante. Como alguém pode ser tão inteligente e tão ignorante?"
"Eu não sou inteligente," ele disse. "Não do jeito que você acha."
"Certo," ela disse sarcasticamente, "e você tem notas melhores que todo mundo menos Hermione porque você é muito burro."
"Eu tenho notas melhores que todo mundo menos Hermione porque eu tenho memória auditiva." Ele admitiu com raiva.
Aquilo a parou por um momento. "Então... por que você sai tão mal em herbologia?"
"Não é... Eu não lembro de coisas que eu vejo ou leio," ele disse, uma postura hostil enquanto eles se olhavam. "Mas quando eu ouço algo eu lembro perfeitamente."
"Você não presta atenção pro que Professora Sprout diz," Gina falou, seu tom mostrando entendimento, "e ela nunca nos dá a lição inteira em voz alta -- ela sempre nos faz ver por nós mesmos."
"Espere o sétimo ano," Draco resmungou. "Ela acha que você andou escutando os últimos seis anos e pára de falar completamente."
"Por que raios você não me falou antes?!" Ela falou, furiosa de novo.
Draco parecia abatido. "Por que você está brava agora?"
"Nós estamos fazendo tudo errado," ela disse, como se fosse óbvio. "Eu fiz você ler... meu Deus, entendo porque você ficou tão mal-humorado."
"Eu sou mal-humorado." Ele disse.
"Sente-se." Ela instruiu, sentando e pegando o livro que ele abandonou.
Draco sentou de volta com ela, a observando. Gina fingiu não notar e se parabenizou silenciosamente por deixá-lo assim. Estava ficando bem claro o poder que Draco teria sobre ela se ela realmente começasse a gostar dele, mais do que já gostava. Devido à proximidade nas próximas três semanas ela sabia que não podia fazer nada para impedir esse sentimento; mas ela poderia ao menos controlar esse poder entre eles.
Mas não havia esperanças, de qualquer forma. Ela não acreditava de verdade que algo sério aconteceria entre eles, pelo menos não pela parte de Draco. O que ela disse pra ele tinha sido rude, mas não era mentira. Enquanto ele se divertia as custas dela, mesmo assim ele ainda a via como um nada. Menos que um nada. Uma Weasley. Ela estava tão abaixo dele, que de sua perspectiva ela não seria maior que uma formiga. O que significava que ela tinha que ser extremamente cuidadosa com esses sentimentos.
"Professora Sprout gosta de ver se você fez a leitura," Gina disse, "então nós vamos começar com Mil Ervas Mágicas e Fungos e daí pra frente."
"Quando quiser," Draco disse hesitante.
"Abyssinian shrivelfig," Gina interrompeu, "é um ingrediente que requer tirar a casca..."
E ela continuou lendo a enciclopédia inteira de ervas mágicas em voz alta até o sol mudar de posição no céu. Quando ela chegou no Visgo do Diabo (planta que tem medo de fogo e gosta de lugares escuros e úmidos) ela chegou ao clímax e sentiu que poderia ler a noite inteira se necessário. Quando ela chegou nos Puffapods (vagens gordas e cor-de-rosa com sementes que viram flores se caírem no chão), sua mandíbula começou a doer, sua garganta arranhava, a voz era seca e a visão estava ficando meio embaçada.
Colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, Gina colocou o livro de lado e bebeu um pouco de cidra, franzindo ao sentir o gosto. Ela pegou a varinha e resmungou um feitiço para transformar cidra em água e bebeu o copo avidamente. Quando ela foi pegar o livro de novo, ela ficou surpresa ao sentir a mão de Draco sobre a sua. Seu olhar passou pra ele.
"Chega de herbologia." Ele disse levemente.
"Mas ainda temos 300 ervas e fungos," ela protestou fracamente.
"Acho que eu aprendi o suficiente por uma noite," ele disse.
"Como vou saber se você conseguiu reter algo que eu disse?" Ela perguntou suspeita.
"Teste-me," ele ofereceu com um sorriso.
"Visgo do Diabo," ela disse.
"Planta que gosta de lugares úmidos e frios; provavelmente gostaria das masmorras da sonserina se não fosse todas as tochas."
"Puffapods," ela disse rápido.
"Vagens gordas cor-de-rosa," ele respondeu tão rápido quanto ela, "não as jogue no chão ou você terá um bando de flores feias."
"Que memória," ela declarou impressionada.
"Tenho outra tarefa pra você."
"Qual?" Ela perguntou.
"Feche seus olhos," ele ordenou gentilmente.
"Por que?" Ela perguntou.
Ele virou os olhos. "Só o faça, criança."
Respirando fundo, ela fechou os olhos e tentou não tencionar cada músculo de seu corpo. Ela sentiu a respiração dele contra seu queixo e quase pulou. Quando ele pressionou a boca em sua mandíbula ela realmente pulou.
"O que você está fazendo?" Ela sussurrou abrindo os olhos.
"Você leu em voz alta por horas," ele disse.
Olhando ao redor Gina percebeu que estava anoitecendo, o sol já havia desaparecido atrás das colinas que isolavam Hogwarts; fazendo com que fosse um lugar que existia bem longe do resto do mundo. A mão de Draco ainda estava sobre a dela e ele ainda estava perto o suficiente para ela sentir cada respiração dele.
"Sua mandíbula deve estar doendo," Draco continuou.
"Dói mesmo," ela concordou, mal notando o que estava dizendo.
"Eu tenho um velho remédio caseiro para pequenas dores," ele disse. "Algo que minha mãe fazia pra mim."
"É?" Ela falou quase grasnando.
Um meio sorriso apareceu na boca dele. Ele deu outro beijo em sua mandíbula, dessa vez perto da orelha. Os olhos dela se fecharam contra-vontade quando ele passou os dedos no cabelo dela para tirá-los do caminho.
"Um beijo pra melhorar," ele murmurou um segundo antes de seus lábios encontrarem os dela.
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Não tenho escrito por um tempo, ando tentando arrumar meus pensamentos antes de passá-los para o papel. Mas como não tive sorte, só vou jogar isso aqui.
Ele me beijou. Draco Malfoy me beijou. E não foi... Foi...
Merda.
Tá, eu estou pegando a idéia agora. Ele me beijou. Foi tão leve no começo, como se mal estivesse acontecendo. Eu poderia até fingir que não estava. E de repente começou a acontecer e da maneira mais intensa possível. A mão dele fazendo carinho na minha enquanto a outra estava atrás de minha cabeça, me trazendo pra mais perto.
Eu nunca fui beijada antes. Quero dizer, beijocas no rosto de Harry no natal e no meu aniversário não contam. Não depois disso, nem mesmo quando eu estava bobamente apaixonada por ele.
Parecia ter durado horas. Quando os lábios dele tocaram os meus estava anoitecendo e quando eles se separaram pela ultima vez todas as estrelas já estavam no céu. Nós faltamos o jantar. Eu expliquei para Professora McGonagall que nós estávamos estudando e perdemos noção do tempo; ela parecia tão orgulhosa que eu queria me matar.
Quando eu consegui processar que, sim, Draco Malfoy estava me beijando, minhas costas estavam contra o lençol que eu levei para nosso picnic e ele estava praticamente deitado em cima de mim. As mãos dele eram gentis, como eu nunca imaginei que fossem e sua boca era tão persuasiva, me perguntando questões silenciosas e não pedindo respostas. Minha mente estava totalmente confusa e eu me senti flutuando e afundando ao mesmo tempo.
As mãos dele eventualmente foram a lugar que me assustou e eu fiquei tensa e então ele ficou tenso também e nos separamos. E então eu fiz algo incrivelmente estúpido:
Eu entrei em pânico.
Qualquer coisa que ele me dissesse depois, qualquer fora casual e dolorido que ele me ofereceria, eu não suportaria. Eu sabia que se eu ouvisse ele me dispensar como se fosse nada, se ele risse de mim eu simplesmente acabaria ali mesmo. Então eu parei antes.
"Eu não vou transar com você," eu soltei. "Eu sei que concordamos em possíveis tarefas de natureza sexual, e está tudo bem, realmente, mas eu simplesmente não consigo... fazer aquilo com alguém que não amo."
Enquanto eu assistia a face dele, eu tinha aquele gosto de cromossomo Y no fundo da boca, aquele que você nunca tem certeza de onde veio. Minha língua parecia anormalmente grande, como se cada palavra que eu falava fosse um desafio. E então eu olhei em seus olhos e eu acho que os vi ficando frios.
"Sabe, as regras e tudo mais -- Não acho que vai funcionar pra mim," ele disse em uma voz calma e fria. "Quero dizer, você é minha escrava, não é? Isso implica em um certo nível de controle da minha parte."
"Mas nós tínhamos um acordo," eu protestei.
"Eram os seus termos, Weasley," ele disse antes que eu pudesse abrir a boca, "não meus." Ele olhou para mim, tão diferente de como me olhava mais cedo. Eu queria chorar por aquela diferença. "Você, por outro lado, é tão minha pra fazer o que eu quiser enquanto durar o acordo." O tom dele era cruel e a intenção estava escrita na sua face, tão clara quanto o dia. Algo ficou muito frio e assustado dentro de mim naquela hora.
"Por favor," eu implorei. Eu estava tão envergonhada pelo jeito que eu implorei. Na hora, eu não sentia nada além de terror e ele não me escutaria. "Você pode me pedir qualquer coisa, eu faço qualquer coisa que você quiser, mas não peça aquilo."
Mesmo enquanto escrevo isso, minhas bochechas estão em fogo. Eu fiquei completamente confusa daquele jeito com alguns poucos beijos que provavelmente não significaram nada pra ele. Pule para a conclusão ridícula mais rápido que uma lebre: esse devia ser o lema da família Weasley.
"Ótimo," ele disse. "Se significa tanto pra você -- não é como se eu me importasse. Você só ficaria deitada lá como um peixe morto de qualquer forma."
E então ele foi embora. Só foi embora. Eu devo ter ficado lá por uns 20 minutos, me abraçando como uma menininha antes de acordar, arrumar a bagunça do picnic e voltar para o castelo. A conversa com McGonagall foi, graças a deus, curta e quando cheguei na torre todos já estavam na cama. Exceto Rony, que havia adormecido em uma cadeira, sem duvidas esperando por mim. Eu passei correndo por ele e deitei completamente vestida, tirando apenas o robe.
Eu me senti paralisada e fria e não tinha a menor idéia do que tinha acontecido lá com Draco.
Ainda não tenho. Mas o que quer que seja, eu simplesmente vou ter que deixar pra lá. Também vou esquecer todos esses pensamentos aconchegantes e confusos sobre Malfoy. Aquela peste Malfoy. Quando eu parei de pensar isso dele? Não importa quando, minha culpa. E daí que ele é meio atraente. E daí que eu esteja meio atraída. Eu preciso começar a ver Draco do jeito que Rony vê.
Ainda me sinto perturbada por razões que eu não tenho certeza se que quero examinar.
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