Capítulo 5:


Serena saiu do quarto sem fazer caso aos que estavam presentes no quarto. Correu para a sala de espera e sentou-se num dos bancos. O sangue gelou-lhe nas veias e começou a tremer. Tinha-se enganado! Não, não era Seya. Não era Seya.

Sentia necessidade de fugir, embora não soubesse exatamente do quê. Precisava de pensar mas não conseguia fazê-lo naquele momento.

Oh, meu Deus… Seya estava morto! E aquele homem era um era aquele homem? Se não era Seya, a única hipótese que tinha era de ser o agente com o qual Andrew estava tão preocupado.

Enquanto ele não recuperasse a memória, não conseguiria reconhecer os seus inimigos, isso significava que ele correria perigo se descobrissem que estava vivo.

Não era correto fingir que aquele homem era alguém que não era. Mas não podia pô-lo numa situação de perigo. Simplesmente não podia. Após todo aquele tempo ela tinha aprendido a amar aquele homem. Amava-o demasiado e não queria se separar dele. Por muito difícil que fosse, tinha de mentir para o proteger.

- Serena!

Era a voz dele. Serena levantou-se e observou-o a caminhar lentamente na sua direcção.

O coração de Seya deixou de bater assim que os seus olhos fixaram ela. Ela tinha saído do quarto poucos momentos depois de lhe terem tirado as ligaduras dos olhos que nem tivera oportunidade de conversarem.

Serena! O rosto adequava-se àquele nome, à sua voz e à sua fragrância. A descrição que Serena fizera de si própria fora precisa, mas, mesmo assim, estava longe da realidade. Meu Deus, aquela mulher não podia ser real. Agora sabia que jamais se faltaria de olhar aquela mulher.

Caminhou até ela e procurou as suas mãos. – Eu desejava tanto poder ver-te, mas nem me desde oportunidade de conversarmos – comentou em voz baixa – O que se passou querida? – sorriu carinhosamente e acariciou-lhe os braços.

- Desculpa, é que… foi tudo muito repentino. – conseguiu dizer ela trémula. – Eu não queria ter saído daquele jeito, eu…

- Está tudo bem. – interrompeu-a colocando o dedo nos seus lábios, beijando-a logo em seguida. E daquela vez, foi um beijo duro, exigente, que a obrigou a ceder, embora naquele instante nem ela tinha forças para o fazer.

Seya apenas levantou a cabeça e afrouxou a pressão do seu corpo contra o de Serena assim que ouviram passos pelo corredor vindo na sua direcção.

- Sentes-te melhor? – perguntou Andrew para Serena assim que os alcançou

- Não sei. – respirou fundo, recompondo-se do beijo. – Diz-me o que vai acontecer agora e, certamente, poderei dizer-te como me sinto.

Seya rodeou-lhe a cintura com o braço – Não te preocupes querida. Não vão mandar-me para lado nenhum sem ti, pois não, Andrew? – formulou a pergunta amavelmente, mas as suas palavras escondiam uma determinação de aço.

Andrew olhou para ele com ironia – Jamais me teria ocorrido fazer algo parecido. Mas voltemos para o seu quarto. Ainda precisas de ser observado. E além disso, precisamos de conversar sobre os próximos passos a tomar daqui para a frente. – Disse olhando diretamente para Serena, dando a entender que a conversa seria apenas entre os dois homens.

Serena assentiu aliviada e ao mesmo tempo desesperada por ter uma oportunidade de ficar a sós para colocar os seus pensamentos em ordem. Naquele momento o seu coração e a sua cabeça estavam numa enorme batalha.


Uma vez no quarto, Andrew aproximou-se da janela e abriu as cortinas.

– Em primeiro lugar, tens de deixar que o cirurgião acabe de te examinar a vista. Fizes-te grandes progressos mas não é hora de descuidarmos todo o trabalho realizado até este momento – disse-lhe e olhou para Seya mostrando que o que acabara de falar não tinha discussão. – Em segundo lugar... e a verdadeira razão para querer falar contigo é que nós gostaríamos de te manter a salvo, mas ao mesmo tempo, aceder a ti facilmente. Ficar aqui no hospital eternamente não é viável e acredito que tu também não o queiras – Andrew reparou que o olhar de Seya estava concentrado nas palavras que acabara de dizer – Se estiveres de acordo, pensámos em levar-te para uma cabana segura em outra região. É um lugar tranquilo, solitário, onde ninguém poderá pressionar-te e onde poderás continuar o teu tratamento.

Seya permaneceu em silêncio durante alguns momentos. Todo aquele cuidado em mantê-lo seguro só davam mais razão ao que ele já suspeitava: ele devia estar de serviço quando ocorrera a explosão. - São muito amáveis ao terem tanto trabalho só para que possa contar-vos o que sei quando recuperar a memória – respondeu Seya, observando Andrew com um brilho duro no olhar. - Tinhas-me dito que não estava em perigo. – murmurou Seya, mal-humorado.

- Pelo que sabemos até agora, não estás numa situação de perigo, é só por precaução...

- Não brinques comigo! – interrompeu-o Seya. – Eu já sei que sou um agente. Não fariam tudo isto apenas porque o governo tem bom coração.

Andrew soltou uma gargalhada, pensando que algumas coisas nunca mudariam. Inclusive sem ter recuperado a memória, aquele agente era suficientemente ardiloso para ter encaixado as peças do quebra-cabeças. Mas o que devia fazer? Andrew olhou para o homem que tinha sido seu amigo por mais de uma década, perguntando-se o que poderia contar. Enquanto não derrotassem o principal suspeito, aquela farsa teria de continuar porque era a melhor proteção. E para que a farsa fosse completa, teriam de incluir Serena. O Homem não corria nenhum risco com os seus agentes, nem com os seus amigos e Seya (ou mais correctamente falando, Darien), era ambas as coisas.

- Tens razão – disse Andrew por fim. – És um agente. Um agente altamente preparado e acreditamos que a informação que conseguiste na tua última missão seja vital. – Fez uma pequena pausa e continuou. – O tipo que tentou matar-te desapareceu. Ele não sabe que alguém sobreviveu à explosão. E enquanto não o encontrarmos, querermos ter a certeza de que estás a salvo.

A fúria ascendeu os olhos de Seya. – E metes-te a Serena nisto? Ela não sabe que sou um agente, pois não?

- Não. Trouxemo-la para que te identificasse. E quando respondesse à voz de Serena de forma tão positiva, os médicos decidiram que poderia ajudar tê-la por perto. Essa foi a razão de ela ter ficado durante todo este tempo. – Era a verdade, pelo menos, grande parte. Andrew esperava que Seya não fizesse muitas mais perguntas. Dissera tudo o que podia sem autorização do superior.

Seya permaneceu quieto enquanto analisava a informação que tinha recebido. Serena não sabia. Ela pensava que, simplesmente, ele estava no lugar errado, no momento errado. Serena dissera-lhe que, quando eram casados, ele andava constantemente em busca de aventura. De modo que, certamente, ele mesmo teria decidido mantê-la na ignorância e deixá-la pensar que era um homem que não suportava compromissos, para evitar que se preocupasse ao saber até que ponto o seu verdadeiro trabalho era perigoso ou as hipóteses que havia de não regressar vivo de alguma das suas viagens.

Se tivesse sentido que a sua presença estava a pôr Serena em perigo, ter-se-ia afastado de imediato. Mas agora achava que o mais seguro era tê-la com ele. Queria protegê-la. – Serena virá comigo. – continuou Seya – Se ela não for, eu não irei. Mas quero que garantam a sua segurança – Andrew assentiu, de qualquer modo, manter Serena por perto já fazia parte do plano.

- A cabana é bastante isolada, num prado. Não existem estradas que cheguem até lá, só se consegue aceder de jipe. O plano é sairem daqui do hospital já amanhã com o concentimento do médico. Durante o vosso percurso terão de fazer uma pequena pausa, de uma noite, num hotel onde já preparamos a vossa estadia. Terão seguranças no local, não conseguirão vê-los, mas garanto que estarão atentos a todos os movimentos suspeitos que ocorrerem. Depois devem partir para a cabana na manhã seguinte. Estejam preparados para as baixas temperaturas, nesta altura do ano é comum cair muita neve.

- Que outras medidas de segurança têm implementadas? – questionou Seya.

Andrew sorriu e respondeu-lhe a todas as perguntas sobre a segurança implementada tanto no hotel onde permaneceriam uma noite como na cabana.

- Como te viste envolvido nisto? - perguntou Seya - Tu és um agente do FBI e tenho a certeza de que esta operação não tem nada a ver com o teu departamento.

- Tens razão. É preciso puxar muitos cordelinhos, mas são muitas poucas as pessoas que têm o poder de o fazer. – comentou Andrew. - Para alguém que tem amnésia, lembras-te de muita coisa.

- Perdi quase toda a informação pessoal, mas continuo a saber muitas coisas relacionadas com o meu trabalho. Mas e então… sou um agente da CIA?

- Não. Não exatamente.

- O que raios significa isso? Ou sou ou não sou, não creio que haja muitas mais alternativas.

- És membro da CIA. Não posso dizer-te mais nada, salvo que tudo o que fazes é completamente legal. Quando recuperares a memória, compreenderá porque não posso dar-te mais informação.

- Está bem. – Seya encolheu os ombros, mostrando a sua conformidade. – Mas quero ser eu a contar a Serena sobre a nossa "viagem".

- Combinado.


Serena permanecia sentada na cama do apartamento que estivera a utilizar durantes os últimos meses. O coração pulsava-lhe com força a sentia calafrius. Tinha saido do hospital para arrumar as malas, assim que Seya lhe contara que teriam de "viagar" na manhã seguinte. No dia anterior tinha dúvidas sobre para onde iriam quando o médico assinase a alta de Seya. E agora, para onde estava a ir? Para uma cabana no meio do nada. As implicações e as complicações da sua situação aterrorizavam-na.

Quando a tinham trasido para ali e lhe pediram que identificasse o homem que estava na cama, não tinha sido capaz de afirmar convictamente que se tratava de Seya Kou. Foi porque Andrew dissera-lhe que o ferido tinha os olhos castanhos e ela se baseara nesse dado para identificar o ferido, porque Seya tinha olhos castanhos.

Serena levou as mãos às têmporas e fehou os olhos com força. Andrew devia saber que a cor dos olhos do seu próprio agente eram azuis e também saberia que Seya tinha os olhos castanhos. Naquele momento apercebia-se da delicadeza com que Andrew a tinha manipulado. Mas porque o teria feito? A única resposta que encontrava, era que o verdadeiro Seya estava morto e aquele agente tinha assumido a sua identidade... por uma questão de segurança?

Mas teria o suposto Seya amnésia real? Sim, a amnésia podia ser uma desculpa conveniente. Mas ela tinha de acreditar que era real se não quisesse ficar louca. E Andrew parecera-lhe sinceramente aborrecido quando ficara a saber pela primeira vez da amnésia.

Se dissesse a Andrew que sabia que Seya não era o verdadeiro Seya, quem quer que fosse aquele homem, correria perigo. Ela era a prova irrefutável de que o homem que tinha sobrevivido à explosão era Seya kou.

Tinha de continuar com a entira, porque o amava. Apaixonara-se por ele. Não podia renunciar a ele, mas também não o podia considerá-lo seu. Estava presa naquela teia. E se ele fosse casado?

Não, não podia. Andrew não seria capaz de tal jogo. Andrew tinha sido o seu único amigo naqueles últimos meses. Perdoava Andrew por completo pois ela estava a fazer o mesmo por Seya. Mas podia existir uma outra mulher.

Por fim, levantou-se e atirou as suas últimas roupas para dentro da mala. Levou menos de uma hora a preparar-se para partir, para sempre talves.

Andrew o Seya estavam pacientemente à espera dela no quarto do hospital. Serena apenas conseguiu cumprimentá-los com um sorriso. Na manhã seguinte já se encontravam em viagem para a primeira paragem.


Satisfeito com o desenrolar dos acontecimentos, Andrew atendeu o telefone do hotel e nem teve de perguntar quem era. Só uma pessoa sabia onde estavam.

- Sim?

- O inimigo voltou a aparecer – respondeo o Homem. – Em Berlim. Não o apanhamos mas sabemos que sabe que existiu um sobrevivente na explosão. Tenta certificar-te que ninguém vos o rasto. Não quero que saibam onde estão. Como estão as coisas?

- Está melhorando a olhos vistos. Nunca pensei, mas acho que se apaixonou por ela.

- Ena... – respondeu, surpreendido e soltou uma gagalhada. – Enfim, acontece a toda a gente. Com o tempo recuperará a memória masserá necessário alguma coisa que a desencadeie. Até então tem de ficar escondido. Por enquanto terá de continuar a ser Seya kou.


Serena estava cansada. Jantaram os três no quarto de hotel de Andrew e retirou-se para o seu quarto. Tomou um longo duche e deixou a água aliviar a tensão e os músculos. Ao entrar no quarto encontrou Seya deitado na sua cama.

- Pensavaque tinha trancado a porta. – Serena comentou arqueando os sombrolhos com expressão confusa.

- E fizeste-o. Mas eu arrumbei-a.

- Recordas-te a técnica?

- Seya olhou para ela e sentou-se na cama. – não, não recordei. Simplesmente sabia como se fazia.

Serena ficou com os nervos em franja quando Seya se levantou e percorreu a distância que os separava. Seya acariciou-lhe o rosto e deslizou amão pela sua cintura e apertou-a contra ele. Todos os seus músculos estavam tensos e um desejo ardente crescia no seu interior. Meu Deus, como desejava aquela mulher...

- Serena.. – susurrou com aspereza e inclinou-se para ela.

A pressão torrida e ansiosa da sua boca fê-la enloquecer. Serena subiu as mãos ao longo do corpo de Seya. Sentia a pressão do peito de Seya sobre os seus seios e a pertuberância do seu sexo maculino contra a sua feminilidade. Seya abriu o robe de Serena e fechou a mão sobre o seu seio, enquanto lhe acariciava o mamilo com o polegar.

Serena gemeu suavemente. – não podemos! – gritou.

– Serena, querida, não pares agora... – replicou Seya.

- Não podemos – susurrou e uma lágrima deslizou pela sua face.

- Porquê? – Seya limpou-lhe a lágrima com o polegar.

- Nem sequer sabes se existe outra pessoa na tua vida.

- Não posso garantir-te o contrário – respondeu. – Mas não deixarei que te afastes de mim por causa de uma mulher desconhecida que nem se sabe se existe.

- Até então, até termos a certeza de que é o que queres... simplesmete, não posso.

- Bolas serena! Sei perfeitamente o que quero.- Estava furioso. Seya respirou fundo e mexeu-se contra o corpo suave dela, permitindo-lhe sentir a dureza da sua excitação. – Vou fazer amor contigo. Se não for agora será mais tarde. – Deu meia volta e fechou a porta atras dele.


Andrew conduzia um dos carros, seguido de Seya e Serena. Seya passara a manhã se familiarizando com as armas que Andrew lhe fornecera, antes de se colocarem á estrada. A sensassão de ter uma arma nas mãos não era comparável a ter o corpo de serena entre os dedos. Passara a viagem até a cabana tentando se concentrar na nova aventura que os esperavam. O tempo tinha arrefecido e vez ou outra caiam flocos de neve.

Após uma longa viagem, Serena viu a cabana e suspirou aliviada. Estacionaram os carros e entraram rapidamente na cabana. Andrew mostrou o interior da cabana a ambos. Explicando tudo o que necessitavam de saber.

- Aqui estás a salvo. – Acrescentou Andrew. – O Homem utiliza-o de vez em quando. Não teria trazido Serena paraaqui se não fosse seguro. Ela é uma civil, portanto, cuida dela.

Seya expetimentou uma espécie de nova consciência quando Andrew mencionou o Homem. Não uma sensação de perigo, mas de emoção. Estava impaciente paraque Andrew se fosse embora, para poder ficar finalmente sozinho, completamente sozinho, com Serena.

Apertou a mão de Andrew e olharam-se nos olhos com camaradagem de dois homens que tinham corrido muitos perigos juntos. Andrew reuniu as suas coisas e despediu-se de serena. Ela abraçou-o sentindo já a falta daquele que fora seu amigo nos últimos tempos. Andrew fechou a porta atrás de si, e minutos depois, Seya e Serena encontravam-se sozinhos na cabana.


Este capitulo não foi revisado, portanto se encontrarem algum erro é só avisar!

Espero que gostem, vê-mo-nos no próximo capitulo!

Continua…