Epílogo

Kingsley eventualmente superou a morte de Severus e, um ano depois, acabou engatando um romance com o Dr. Diego. Ainda assim, todo mês, Kingsley visitava o lugar onde fora feito o funeral, como uma prova de respeito. Às vezes Diego o acompanhava, e até conversavam sobre Severus, e tudo o que Kingsley um dia sentira por ele.

Depois de meses de insistência do psicohealer, Kingsley aceitou seu pedido de casamento, e aquele se transformou em um dos noivados mais comentados do ano. No começo, ninguém achava que daria certo, nem mesmo Kingsley. As personalidades eram muito diferentes, e os dois pareciam ter sido feitos para discutir. E isso fazia qualquer pessoa que estivesse presente cair na risada, pois King era muito sério e racional, enquanto Diego parecia ver graça em tudo e todos.

Com o passar do tempo, as pessoas entenderam que o caso entre eles era sério. E King descobriu-se apaixonado por Diego e pela criatividade do psicohealer, principalmente na cama.

Agora, pouco menos de quatro anos depois da morte de Severus, nas vésperas do casamento, repassavam os últimos detalhes para o grande dia com uma das responsáveis pelo bufê.

- Diego odeia camarão. – Kingsley disse, olhando a lista da moça.

- Mas há outras opções de prato principal. – ela respondeu, um tanto sem jeito.

- A noiva não pode ficar com as outras opções! – King reclamou. - A noiva é a mais impor...

- Noiva? – Diego interrompeu. – E quem seria a noiva aqui?

- Você, é claro. – King respondeu com naturalidade.

- Eu? – Diego falou, erguendo uma sobrancelha.

- Claro. Você tem o cabelo comprido, perfeito para tiaras e véus, e ainda é mais baixo que eu. – King falou como se fosse a coisa mais lógica do mundo, e Diego desatou a rir.

- Isso é preconceito. Você é grande, mas não é dois. – falou, ainda rindo, quase que ignorando completamente a moça sentada ao lado deles.

- Não se esqueça que é a noiva quem decide como vai ser a noite de núpcias. – a moça comentou baixinho.

- Muito bem! A noiva aqui não gosta de camarão... – Diego disse, já completamente convencido.

Eles eram, sim, perfeitos um para o outro.

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Harry e Remus, no fundo, tiveram esperanças de que Severus trouxesse Sirius de volta, mas com o passar do tempo superaram suas tristezas. Depois de herdarem tudo o que pertencera a Severus, resolveram abrir uma rede de lojas de artigos, receitas e produtos para poções. Para isso, usaram o conhecimento de Remus, o dinheiro de Harry e muitas das anotações e livros deixados por Severus.

As lojas faziam tanto sucesso que eles passaram a usar parte do dinheiro para patrocinar inventores com grandes idéias, principalmente aqueles que estudavam a cura para a licantropia, e agora estavam planejando inaugurar filiais em países estrangeiros.

Com todo o dinheiro que ganhavam, Harry queria comprar uma casa para morarem, para que não precisassem continuar na velha sede da Ordem. Mas Remus acabou convencendo-o a apenas reformarem o lugar. E agora, além de limpa, organizada e muito bem iluminada, a casa não era mais escondida por um segredo. Fotos e lembranças de Sirius, até algumas de Severus, continuavam pela casa, como lembranças de amigos que apenas moravam longe.

Quando King e Diego noivaram, Harry e Remus apostaram entre si – Harry achava que não duraria um mês, enquanto Remus acreditava que eles iriam até o fim.

Um dia antes do casamento, Remus e Harry saíram para que a aposta fosse devidamente paga.

- Eu não acredito que você vai fazer isso comigo. – Harry reclamou, observando o balconista da loja embrulhar um pacote.

- Aposta é aposta. – Remus respondeu, sorridente. – Se não queria pagar, não apostasse.

- Você faz idéia do que pode acontecer comigo quando notarem isso?

- Faço. – Remus respondeu com simplicidade, pegando o pacote oferecido pelo balconista. – Espero que saia no jornal. Assim, você aprende a não apostar. Principalmente quando envolver um relacionamento amoroso.

- Sei. – Harry falou, emburrado. – Mas ninguém poderia prever que duraria tanto tempo. Quero dizer... King gostava de Severus! E Diego não tem nada a ver com o Seboso.

- Você não devia desrespeitar os mortos, Harry. – Remus repreendeu. – Nem mesmo o Severus. E, além disso, você já notou o nariz de Diego?

- Não. Por quê?

- É uma versão econômica do de Severus.

Harry gargalhou.

- Então, está explicado. – disse, rindo.

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O casamento foi muito bem organizado, e no final das contas, o camarão foi substituído por pizza, fazendo a moça do bufê quase desmaiar de susto com a escolha. Para evitar mais problemas, os noivos escolheram vestes brancas, fazendo com que Diego não parasse de comentar que estavam fazendo propaganda enganosa, pois nenhum dos dois era virgem.

O lugar escolhido para a cerimônia e a festa foi um dos clubes do Ministério, e apesar do luxo do salão, a decoração foi bastante simples e, para o alívio dos noivos, havia pouquíssimas flores e nenhum babado ou laçarote.

A cerimônia havia sido marcada para o final da tarde, mas mal passara duas horas do meio-dia, alguns convidados já estavam chegando. Harry e Remus, como padrinhos, foram os primeiros a aparecer, seguidos das duas madrinhas. Elas eram amigas de Diego, nascidas trouxas, mas cientes da existência do mundo bruxo. Uma era baixinha de cabelos negros e longos, e a outra mais alta com os cabelos muito parecidos com os de Hermione, só que menos emaranhados. E Harry tinha certeza de que as duas também eram um casal.

No total, havia pouco mais de cinqüenta convidados, muitos deles ex-membros da Ordem da Fênix.

A cerimônia em si foi muito bonita e rápida, pois Diego dizia que a festa era o mais importante.

A festa foi muito mais animada do que os noivos esperavam que fosse. E as duas maiores surpresas foram o bolo – que havia sido responsabilidade de Molly Weasley – que além de sete camadas de dar água na boca, tinha duas miniaturas animadas dos noivos, que se beijavam o tempo todo. A segunda surpresa foi o brinde feito pelos padrinhos Harry, já um tanto bêbado, desabotoou a gola das vestes e acabou exibindo uma coleira com os dizeres brilhantes "Do Moony", fazendo todo mundo rir, exceto Molly, que ficou escandalizada com o "comportamento inapropriado dos padrinhos".

E enquanto todos ainda comemoravam, King e Diego escaparam sem que ninguém notasse, ansiosos pela noite de núpcias.

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- Tem certeza que estão prontos para isso? – Dumbledore perguntou a Severus, enquanto Sirius se despedia de James e Lily. – Não haverá volta. E vocês não vão lembrar um do outro.

- Tenho. – Severus respondeu sem hesitar. – Eu quero viver. Isso aqui não é viver. Admito que é tentador poder fazer o que eu quero, sem piores conseqüências, mas há coisas que não dá para se fazer quando estamos mortos.

- Vou sentir sua falta, meu rapaz. – Dumbledore disse.

Severus o abraçou, antes de se afastar e caminhar até onde Sirius estava.

- Pronto? – perguntou, beijando-lhe a boca.

- Sim. – Sirius respondeu. – Severus... Que tipo de coisa pode ter no mundo dos vivos que não podemos ter aqui?

- Já foi numa sex shop trouxa alguma vez? – Severus perguntou, num tom cheio de malícia.

Sirius riu e o beijou com força, antes de puxá-lo para atravessarem o véu de volta. Não havia tempo para despedida. Iriam renascer. Iriam recomeçar.

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A Professora Hermione Granger abriu as portas do Salão Principal e entrou. Os novos alunos seguindo-a numa fila, olhando impressionados para o teto enfeitiçado do lugar. Caminhou com firmeza até parar na frente da mesa dos professores, onde havia um banquinho de madeira com um chapéu de aspecto tão velho e sujo, que alguns dos alunos novatos tiveram certeza que era algum tipo de monstro que teriam de enfrentar.

Enquanto chamava os nomes dos alunos para o sorteio das casas, dois alunos chamaram a atenção da professora. Um deles muito sério e mau-humorado, e o outro animado e até um tanto arrogante. Foram selecionados para a Sonserina e Grifinória, respectivamente.

E ao ver o comportamento dos dois, ela sorriu e murmurou para si mesma:

- Oh, Merlin. Aqui vamos nós de novo.

FIM