Vi-me em frente a aquela bela casa branca.
Suspirei.
Andei até a porta e entrei.
Fui caminhando pelos corredores escuros, com as mãos em minha grande barriga de gestante.
Cheguei até uma porta de madeira esculpida com flores.
Devia ser aquela.
Girei a maçaneta e entrei.
Haviam três camas de madeira brancas, mas uma estava vazia.
No chão, haviam algumas bonecas e um cavalinho de madeira.
Me aproximei da cama mais próxima.
Pelo visto, a pessoa que estava nela estava acordada, pois quando me aproximei, sentou-se na cama, assustada.
- Ártemis?- perguntou a menininha, se levantando.
- Olá, Adara. - disse eu.
- Onde está Órion?- perguntou. - Já faz um tempo… Vocês já se casaram?
Olhei, triste para ela, com lágrimas escorrendo de meus olhos.
Estiquei a mão, acariciando o seu rosto.
- Kalliope está aí? - perguntei.
-Não. Foi-se para Ítaca para se casar a alguns meses. - disse ela. - Mas onde está Órion?
Respirei fundo.
- Nas estrelas. - disse eu, saindo do cômodo.
- Ahhhh! - gritei, de dor.
-Acalme-se Ártemis. - disse-me Hera. - Respire fundo e empurre.
Chraminguei. Eu não tinha como escapar da dor. Hera, deusa do casamento e do parto, segurava a minha mão.
Gemi e gritei novamente, torcendo para que acabasse logo.
- Está vindo! - disse Hera.
Gritei novamente.
- Vamos lá, Ártemis, você consegue!
Fiz o máximo de força que pude.
E então ouvi um choro.
- É uma menina! - disse Hera, botando o bebê em meu colo.
Sorri ao vê-la.
Era linda.
Tinha os cabelos escuros do pai e meus olhos de luar.
- Penélope. - sussurrei.
Olhei para Hera.
- Você não vai contar para ninguém, não é? - disse eu.
Ela sorriu generosamente.
- É claro que não, Ártemis.
Sorri.
Agora Penélope já havia parado de chorar.
Beijei sua testa.
- Eu te amo, minha bela.
Andei pela estrada até chegar a frente de uma bela e enorme casa.
Caminhei até a porta e coloquei o berço de ouro em sua frente.
Olhei para o lindo bebê que alí repousava, e tirei o meu anel de meu dedo, botando em cima do bebê.
- "Onde quer que seja, estarei ao seu lado". - disse.
Bati na porta e desapareci.
Uma garota mais ou menos da minha idade apareceu na porta.
Kalliope.
-Olá? - disse ela.
Ela ficou olhando para os lados a procura de alguém, até que olhou para baixo e a viu.
Um homem de uns vinte e tantos anos apareceu na porta também.
- O que é isso?- perguntou ele.
Kalliope se agachou e pegou o bebê.
- Um bebê nos foi deixado em um berço de ouro. - disse ela.
O homem ficou mudo.
Kalliope pegou o anel, olhou-o e o botou de volta no berço.
Até que viu o nome bordado na roupinha do bebê.
- Penélope. - Sussurrou ela devagar.
- Vamos levá-la para dentro. - disse ao marido.
Ele assentiu, e eu observei quando a levaram para dentro da casa.
Observei quando ela falou pela primeira vez.
Observei também quando ela dançou pela primeira vez.
Observei quando os meninos começaram a declarar-se para ela.
Observei-a enquanto ela crescia feliz, com a sua família.
Observei quando ela se casou com um herói chamado Ulisses.
Observei quando teve um filho chamado Telêmaco.
Observei quando o seu marido foi para a Guerra.
Observei quando ela rejeitou os homens ao seu redor, que pensavam que Ulisses havia morrido na Guerra.
Observei enquanto ela esperava vinte anos pelo amado marido, que um dia retornou, num amor tão puro que duraria pela eternidade.
Um amor como o meu e de Órion.
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