Capítulo 6
Os pacientes eram removidos para a tenda improvisada que armaram depois do ataque ao hospital.
A invocação de Sakura havia salvado todos das explosões, mas alguns precisavam voltar a infusão de soro e internação. Sakura corria para lá e para cá, dando ordens aos outros ninjas médicos que a obedeciam sem hesitar, realocando pacientes para leitos de emergência e curando o quanto fosse possível.
Alguns habitantes também tiveram pequenas escoriações quando outros pontos na Vila foram alvos de ataques, e todos foram atendidos pela discípula de Tsunade.
Enquanto Sarada havia saído em uma caçada por qualquer pista, juntamente com Inojin e Mitsuki, seu pai seguia investigando em outras adjacências com Boruto ao seu lado.
O Sol que antes à pino, começava a dar uma trégua indicando o fim de tarde quando Sarada voltou. Avaliava os danos causados pela Vila e tentava incentivar seu povo a continuar tentando sobreviver e reconstruir tudo.
Muitos estavam assustados. Alguns dos mais jovens nunca haviam presenciado antes um ataque interno.
As crianças nos colos de suas mães com olhos assustados, fazia uma raiva absurda crescer dentro dela. Pensou nas gerações anteriores.
No Nanadaime que havia perdido os pais em um ataque massivo, mas com os mesmo moldes desse. E principalmente em seu pai, e todo o clã Uchiha e em como coisas desse tipo podem afetar a mente de uma criança.
Se aproximou de uma pequena menina que segurava o choro agarrada a uma boneca suja assim como ela, sujas da parte de sua casa que foi ao chão e que seus pais agora tentavam resgatar o que fosse possível.
Sarada se abaixou na frente da pequena menina de bochechas empoeiradas riscadas de lágrimas.
- Olá, pequena.
- Há-Hachidaime-sama... – a menina se assustou com a visão de Sarada em sua frente.
- As coisas estão ruins agora, mas eu prometo que farei tudo para melhorar, está bem. – disse ela colocando a mão em um gesto de ternura na cabeça da outra.
A pequena menina, engoliu o choro e olhou de modo confiante assentindo. Levantou-se e começou a procurar coisas junto com os pais.
Sarada percebia que ela precisava se fazer mais presente naquele momento para as pessoas que confiavam nela.
- Você leva jeito com crianças. – Inojin se aproximou por trás com um leve sorriso enquanto Sarada se levantava.
- Levo jeito com meu povo.
- Isso também.
- Alguma notícia? – perguntou já caminhando rumo ao hospital com Inojin em seu encalço.
- Nada aparentemente fora do comum.
- "Aparentemente"? – ela pontuou.
- Shikadai notou um pequeno padrão em alguns portões com menos guardas. Nós pedimos que todos recontassem cada mínimo detalhe de seu dia, já que não havia nada anormal e entre os que estavam de guarda, alguns disseram que os companheiros saíram para urinar.
- E o que isso tem a ver?
- Os horários batiam com mais ou menos uma hora de diferença. E todos os que saíram por alguns instantes não estavam em seus postos de guarda quando aquele grupo atacou e fugiu.
- Malditos!
- Shikadai acredita que eles usaram algo corriqueiro para correr e implantar os selos explosivos sem que ninguém desconfiasse.
- Faz sentido. Já que a maioria dos pontos não eram tão distantes dos portões e locais de acesso. – ela pensou mais um pouco – você fez bem, Inojin.
Ele assentiu.
- Sempre as ordens. Para qualquer coisa que você precisar, eu sou todo seu. – piscou em um leve flerte.
Sarada sorriu mostrando que entendeu o que ele dizia.
- Ela agora precisa ouvir o que temos a dizer. Pode ir, Yamanaka. – a voz grave de Sasuke reverberou do nada e ele surgiu atrás deles com Boruto como uma sombra.
Inojin raspou a garganta e assentiu, mas não deixou de ver os olhos de Boruto sobre si.
- Até mais, Hokage-sama. Sasuke-sama. – reverenciou os dois – Boruto.
Sasuke observou Inojin se afastar enquanto Boruto permanecia quieto atrás dele.
- Alguma novidade, papai?
- Não. – Sasuke olhou de modo preguiçoso para ela – aquela mulher liberou uma nuvem tóxica em uma forma de se camuflar e manter todos a distância.
- Nem o cão de Kiba e os insetos de Shino-sensei poderiam segui-la sem serem envenenados. – disse Boruto.
- E a assinatura de chakra deles, as poucas que foram detectadas, de repente sumiram. – Sasuke concluiu.
- Tsc.
Foi o único som que Sarada fez.
Se sentia frustrada agora. Tinha esperança que pelo menos alguma pequena pista fosse lhe dada. Mas, suas expectativas não foram atendidas, mais uma vez.
- Boruto, reporte a Shikadai e ao pai dele.
Boruto assentiu enquanto Sarada se retirava sem dizer muita coisa.
- Onde você vai? – Sasuke perguntou.
- Ao hospital. Investigar o que ocorreu lá e se há algo que possamos usar em nosso favor.
- E sua mãe. – Sasuke completou.
- A mamãe está bem. Eu não a deixaria se não estivesse. – ajeitou o óculos e sorriu – e com toda certeza ela deve estar dando tudo de si para curar todos que conseguir.
- Isso é típico dela.
Os dois concluíram com um leve sorriso.
Sabiam que Sakura trabalhava demais em situações assim e não negava ajuda a ninguém. As vezes a exaustão era tanta que provocava desmaios facilmente. Mas, enquanto houvesse alguém precisando, ela se dedicava.
- Ela vai querer ver você.
- Eu estou bem. – afirmou.
Sasuke a olhou por alguns instantes. Aparentemente ela estava falando a verdade, mas sabia que Sakura ia querer uma busca minuciosa.
Caminharam em silêncio a maior parte do tempo. As ruas estavam em sua maioria com pessoas aqui e ali contabilizando danos, conversando sobre o que houve e assustadas. Para todos, Sarada dava um aceno ou direcionava ordens a quem quer que fosse para ajudar seu povo.
Quanto mais próximo do hospital, pior era a situação. As ruas do entorno estavam bastante danificadas, encanamentos expostos, muros e telhados destruídos.
Agora boa parte dos feridos estava acomodada dentro das tendas que foram improvisadas.
- Himawari! – Sarada chamou.
A jovem Uzumaki saía de uma das tendas.
Ela havia se tornado uma das discípulas de sua mãe e agora era uma promissora ninja médica assistida por Uchiha Sakura pessoalmente.
Sarada se lembra de quando Himawari veio pedir a Sarada para que intercedesse por ela junto a mãe. Na época ela confessou admirar muito Sakura e queria ser uma iryounin como ela.
Por um tempo foram bem próximas. Principalmente, quando Himawari estava feliz por Sarada ser sua nova irmã, já que Sarada e Boruto estavam... juntos.
Mas, os tempos eram outros.
E a bela jovem Uzumaki era bastante protetiva com o irmão mais velho magoado, além disso ela tinha um tipo de queda por Inojin. O que tornava Sarada uma das pessoas não favoritas dela. Não havia ódio, ela era muito doce para isso, mas as coisas não eram mais como antes.
- Sim, Sarada-sama. – disse respeitosamente.
- Você sabe onde está minha mãe?
- Sakura-sama está na tenda número 6. Alguns pacientes foram envenenados pelo jutsu tóxico daquela mulher.
Yuzuhira.
Algo naquela mulher a intrigava. Mas, deixaria as conjecturas para mais tarde.
- Onde está Naruto, Himawari? – Sasuke perguntou.
Himawari olhou de Sasuke para Sarada e a própria Uchiha respondeu.
- Ele está na Vila da Areia. O Nanadaime se ofereceu para que se reunisse com a Aliança, se alguma das outras vilas teriam alguma informação.
- Hn.
Sarada sabia que seu pai gostava de se manter a par da situação. Mas, não é como se ela estivesse de acordo com aquilo. Mas, o Nanadaime insistiu quando viu ela atolada em papéis que ficaram sem analise, por que ela se dedicou mais as investigações.
Naruto não aceitou não como resposta e ela não conseguia contraria-lo.
- Eu vou atrás da mamãe.
Quando ela se aproximava da tenda com o número 6 sobre a entrada, Sakura saiu em um rompante de lá.
- Sarada!
Sakura se adiantou e abraçou a filha o mais forte que pôde.
- Você está bem? Se machucou?
- Eu estou bem mamãe. – disse ela enquanto Sakura inspecionava a filha.
- Você encontrou algum deles? Sofreu algum ataque.
- Não, mamãe. – respondeu ela, ainda sendo vistoriada pela mãe que a tocava em toda parte e começando a se sentir constrangida.
- A fumaça tóxica de Yuzuhira é de um veneno muito perigoso e doses pequenas podem fazer danos neurológicos. Você inalou dele, Sarada? – perguntou aflita.
- Não, mamãe. Eu não estava no grupo que saiu atrás dela.
Sakura soltou o ar com a mão no peito não escondendo o alívio.
Mas, logo se virou para Sasuke e ele inclinou a cabeça de leve "dizendo" que estava bem. Sarada acompanhava tudo, se perguntando por que não era desta forma com ela também.
- Você parece cansada. – Sakura se virou para ela mais uma vez.
- Eu estou bem.
- Sarada, estamos em uma situação de risco e eu sei que todos contam com você. Mas, se dê um mínimo de descanso.
- Você não é a pessoa mais indicada para dizer isso, não é mamãe. – disse já menos paciente.
- Eu sou uma ninja médica e há muitos feridos aqui. – colocou as mãos na cintura - Não sou a Hokage que precisa estar preparada para tudo e não com cansaço excessivo por acumular funções e preocupações.
Sarada bufou.
- Eu estou bem, e vejo que você está bem. – perdeu a paciência – então eu já vou indo, por que tenho muito trabalho a fazer.
- Sarada... – Sakura tentou segurar o braço da filha.
Sarada colocou a outra mão no braço de Sakura na tentativa de soltar o dela. Mas, se assustou quando Sakura o recuou.
- Mamãe!
Sakura olhou para o braço e Sarada pôde ver o problema. O corte feito pela kunai dos assassinos, apesar de o sangue seco e aparentemente cicatrizado, o tom de vermelho vivo se mostrou de novo.
Sakura infundia chakra esverdeado mais uma vez.
- Havia algum tipo de anticoagulante na kunai. – disse ela sem olhar para a filha.
- Mamãe... – esticou a mão. Mas, não a tocou e recolheu.
A culpa se abateu em Sarada, ao se lembrar que aquilo aconteceu por que ela avançou muito rápido sem medir a situação.
- Me desculpe. – completou quase como um sussurro.
- Não se culpe. Somos ninjas e estas coisas são inerentes ao nosso trabalho.
- Sakura, você precisa de alguma coisa? Posso buscar Himawari ou Shizune aqui. – disse Sasuke se aproximando da esposa com a mão protetiva em suas costas.
- Obrigada, anata. Eu consigo me curar sim, mas o poder de anticoagulação embebido na kunai era muito forte. Quando me esforço ele volta a sangrar, mas ainda tenho chakra para lidar com isso.
Sarada sempre achava incrível como sua mãe parecia tirar respostas do nada para o pai. Com os anos, ela percebeu que seus pais se entendiam de um jeito que ela jamais saberia explicar.
Ela só percebia agora que Sasuke sabia que Sakura poderia se curar, mas provavelmente estava preocupado se ela estava com chakra suficiente ou que aquele sangramento não era algo natural para a melhor ninja médica da atualidade.
O nível de cumplicidade dos pais era algo que ela sempre admirava.
- Por que você acha que eles fizeram isso? – Sasuke perguntou.
- Provavelmente na tentativa de acertar algum órgão vital ou artéria e o inimigo morrer por hemorragia.
- Eu não tenho certeza se era isso que eles queriam exatamente. – Sasuke ponderou apertando os olhos.
- Eles provavelmente queriam acertar a mim. – Sarada concluiu – e você não precisava ter feito isso, mamãe. Eu aguentaria mesmo com uma kunai desse tipo, eu não sou fraca e...
- Sarada! – Sakura chamou a atenção da filha, mas manteve os olhos baixos e escondidos pelo cabelo – nunca peça a uma mãe para não defender um filho.
Sarada notou a seriedade na frase de sua mãe e o punho fechado.
- Eu não sou mais um bebê, por favor, entenda isso.
Juntou suas coisas e saiu.
Sarada invocou o falcão que herdara de seu pai e voou dali até os campos de treinamento.
Não haveria ninguém lá com tudo que estava acontecendo e ela não demoraria muito de modo que ninguém pensasse que ela estava negligenciando seu povo.
Só precisava dar uns bons socos em algo.
Sua mãe era sua inspiração, a pessoa que ela mais admirava e amava no mundo quando era criança, mas agora depois que ela se tornara adulta, parecia não entender que Sarada tinha que zelar de toda a Vila, com tudo que podia, mesmo que desse seu sangue para isso.
O Nanadaime disse a ela uma vez que para um Hokage todos da Vila eram como sua família. E ela entendia isso.
Mas, aparentemente sua mãe não.
Um soco no chão foi dado.
E em vários outros nos pedaços de pedra que se desprenderam do chão e estilhaçaram no ar antes de caírem.
Algumas árvores e pedras também sofreram o mesmo destino.
Depois de um tempo e da raiva diminuída, Sarada ofegava um pouco olhando para seu punho fechado que tremia e começou a se sentir um pouco culpada agora por perceber que poderia ter descontado um pouco da frustração do ataque em sua mãe.
Mas a raiva que ela tentava não transparecer ao seu povo, sua mãe conseguia expor.
Sorriu ao se lembrar das incontáveis vezes que seu pai falava em como Sakura fazia mesmo a pessoa mais fria e mais fechada expor seus sentimentos.
E ela sabia de quem ele estava falando.
Ao que parecia o poder de Sakura era irritar e fazer o sangue Uchiha deixar suas barreiras caírem
- SHANAROOO!
Bateu com força em uma árvore arremessando ela metros e metros de distância.
Mas, não era isso que ela observava.
Um pequeno sorriso se fez em seus lábios ao usar mais uma vez a mesma expressão que sua mãe usava.
Lembrou-se dos tempos que ela era criança e imitava a mãe as escondidas dando socos no ar e usando "Shanaro" como seu bordão.
Era hora de voltar pra casa.
Saiu devagar pelas ruas. As coisas agora estavam mais estáveis.
Não deixou de checar os acessos e claro, o hospital.
Os pacientes estavam em sua maioria medicados e dormindo.
Agora Shizune tomava conta de tudo. Provavelmente Sakura teria ido para casa e a deixou tomando conta de tudo.
E Sarada se foi também.
Precisava tomar um banho e analisar todas as informações que tinham sido coletadas e ler mais documentos. Mitsuki se ofereceu pra ler no lugar dela.
Estava cansada, é verdade, mas não tinha tempo pra isso agora. E não é que não confiasse nele, mas não queria deixar nenhuma minúscula pista passar.
A temperatura da noite começava a cair quando chegou em casa.
Entrou quieta, para não acordar seus pais.
Mas antes que se apresentasse para eles, viu que os dois estavam absortos em si mesmos no sofá. Sua mãe estava encostada no peito de seu pai, enquanto ele acariciava o cabelo dela.
Quando criança, Sarada explodia por dentro quando conseguia pegar esses momentos dos pais. Já que geralmente eles eram reservados.
Muito por causa de Sasuke.
Mas, por diversas vezes até, ela os flagrava assim, carinhosos um com o outro.
Estava um pouco nostálgica hoje.
Mas, mesmo assim resolveu não interromper.
- Anata, eu só pego no pé dela por que nossa filha está focada demais no trabalho. – Sakura disse em tom de explicação.
- Eu sei. - Sasuke respondeu a esposa - mas ela é persistente assim como você. E não vai parar enquanto não conseguir encontrar esses inimigos.
Sarada agradeceu o pai mentalmente.
- Mas, não estou dizendo que ela tem que deixar para lá. Mas, que ela está se consumindo demais. Obcecada demais. - Sakura se remexeu para olhar para Sasuke - quando esta crise passar, virá outra e depois outra, e quando ela perceber a vida terá passado e muitos momentos ela não terá vivido.
- Você não está falando isso só pelo Boruto. Ou aquele Yamanaka, não é ? - Sasuke não escondia o desgosto na voz e Sakura riu.
- Não, não é só isso. - parou de rir e soltou o ar - a quanto tempo por exemplo, ela não vai a lanchonete com a ChouChou, por exemplo? Ou visita o Kakashi-sensei que a tem como uma neta? Sim, Boruto e Inojin também são negligenciados por ela e os dois estão se machucando, por que ela sabe de quem ela realmente gosta, mas não se permite sentir. Ou mesmo tirar meia hora de folga para ela e apreciar a Vila, e não só procurar por possíveis brechas para ataques inimigos?
Sakura suspirou.
E Sasuke levou uma das mãos colocando fios de cabelo rosado atrás da orelha de Sakura.
- Você também sente a falta dela, não é?
Não houve uma resposta em um primeiro momento. Só os sons do aconchego de um abraço.
- Eu só quero que minha filha encontre um equilíbrio e seja feliz.
Sakura disse em um tom melancólico.
- Ela vai ser, Sakura. Ela só precisa encontrar seu próprio caminho.
Sasuke apertou Sakura com seu único braço.
- E ser feliz, como eu sou com vocês. – completou ela.
Os beijos entre eles foram demorados e depois mais urgentes. E então Sarada decidiu que era hora de sair para treinar mais.
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E aí chuchus, gostaram?
Respostas de reviews
SweetLuh *_* amei escrever essa cena. E na época que escrevi ainda não tinha lançado no anime Sasuke e Sakura lutando juntos. Foi um sonho! Esses 3 lutando juntos S222 Beijokas moça
Danielle Uchiha shsaushhsa ele vai aparecer mais, principalmente depois que ... enfim. Beijos ;***
