NARUTO,NÃO ME PERTENCE, NEM A HITÓRIA! CAPITULO SEIS

— Que horas são, agape mou?

Hinata examinou o relógio na mesa ao lado.

— Quase meio-dia — ela bocejou.

Eles estavam deitados na cama. O sol estava entran do no quarto pelas frestas da persiana, o que significa va que eles tinham precisamente uma hora para Sasuke tomar um banho, se vestir e chegar em casa antes de Sarada voltar. As chegadas e saídas deles eram cronome tradas, e até mesmo as horas intermediárias eram pa dronizadas de alguma forma. Eles fizeram amor. Ela preparou café. Eles conversaram e fizeram amor nova mente.

E então um deles se daria conta da hora e Sasuke suspiraria e encolheria os ombros, e ela fingiria não ligar quando ele caminhasse nu pelo quarto, na direção do chuveiro.

Algumas vezes, Hinata imaginava se a filha dele não achava estranho que o cabelo dele estivesse sempre molhado na hora do almoço, mas ela não perguntou. A última coisa que queria era perder tempo verificando os mecanismos de como ele estava mantendo toda a coisa em segredo.

Ela rolou na cama para encará-lo, com o lençol em volta do corpo.

— Quer café?

Ele se apoiou no cotovelo.

— Não.

— Não?

— Não se isso fizer com que você levante da cama.

— Então você terá que ficar sem; sinto muito, mas não tenho empregados!

Ele virou e ficou olhando para o teto, imaginando o que o estava incomodando. Aquela deveria ser uma si tuação de sonho, e de alguma forma era. Na cama com a mulher mais ardente que conhecera, sem perguntas ou cobranças. O caso sem compromisso ideal e perfei tamente adequado ao estilo de vida de Sasuke.

Ele pensava no modo como a boca de Hinata percor ria seu corpo alguns minutos antes quando um anjo mau sussurrou em seu ouvido e ele começou a imaginar quantas vezes ela já tivera conversas como aquela com outros homens. E quando ele fosse embora, quanto tempo demoraria até que ela o substituísse? Uma onda negra de ciúme tomou conta dele.

— Você sempre traz seus amantes para cá? — ele perguntou.

Hinata ficou imóvel.

— O quê?

Ele sorriu cinicamente.

— Não vou me ofender, Hinata, pode ter certeza. Eu só quero saber se é para cá que você traz seus amantes.

Ela só podia ver o perfil dele, petrificado e inflexível.

— Que tipo de pergunta é essa? — ela conseguiu dizer, perplexa.

Ele se virou a para ela.

— Você não quer responder?

— Não acho que isso seja da sua conta. Eu não faço perguntas sobre suas amantes, faço?

Ele deu de ombros.

— Pergunte. O que você quer saber?

— Esse é o ponto: não quero saber nada!

— Não acredito em você. Mulheres são sempre cu riosas.

Talvez as mulheres com quem estivesse acostumado a dormir fossem, mas talvez elas fossem mais acostu madas a viver aventuras sem compromisso. Mais pre paradas para lidar com o resultado inevitável desses casos. Além disso, as perguntas que gostaria de fazer não eram do tipo "Quem?", "Quando?", "Onde?" ou "Como?", mas que sentimento elas provocavam nele.

— Não eu — ela disse, obstinada.

— Bem, eu estou curioso — ele murmurou.

— É assim que você tem prazer? Discutindo quem veio antes e o quanto você é melhor nisso do que eles?

Ele sorriu.

— Hinata, você me fez um grande elogio!

— Ah, cala a boca!

Ele observou quando ela sentou e sacudiu a cabeça com raiva, com os cabelos lisos caindo tão longos que mesmo sentada, eles ainda se apoiavam no colchão macio da cama. Ele conhecia este gesto tão bem, mas o tinha esquecido até aquele preciso momento, e ficou desconcertado com isso.

— Você parece uma deusa — ele sussurrou. Mas o coração dela endurecera.

— Aposto que você diz isso a todas as garotas! Ele fechou a cara.

— Hinata, você é muito petulante.

Bem, é claro que era, mas qual a alternativa? Deixar um elogio como aquele fazer sua cabeça? Suspiros, beijinhos e gritinhos não iriam apagar a impressão de que tudo que ela de fato queria era transar com ele de novo? Bem, agora seria inútil, pois ela não estava ali para cumprir suas ordens. Era uma mulher inde pendente e agiria como tal.

Jogou o lençol para o lado e levantou da cama.

— Onde você vai?

— Fazer café. Você quer?

Não, ele não queria café, mas reconheceu o brilho de determinação nos olhos dela. Era um espetáculo fasci nante vê-la eriçada de indignação caminhar nua pelo quarto. Ele se ajeitou nos travesseiros e a observou. Ela se movia como em um sonho, com aquelas per nas roliças, aquelas nádegas firmes e seios rosados luxuriosos.

— Não posso pensar em nada melhor — ele disse, sorrindo. Ela olhou para ele e explodiu numa gargalha da. Ele abriu os braços. — Hinata — murmurou —, volte para a cama.

— Não!

— Ah, venha!

Era terrível, mas ela voltou. Subiu de novo na cama e deixou que ele a tomasse em seus braços e sentiu o calor de sua carne e o inevitável rubor de paixão.

Ele beijou seu pescoço.

— Você sabe que não quer café, epikindhinos Hinata — ele sussurrou na orelha dela.

Ela fechou os olhos.

— O que significa epikindhinos!

— Procure em um dicionário.

— Me fala!

— Perigosa — ele disse, suavemente.

— Oh. — Ela certamente gostou daquilo. Ele era perigoso também.

Ele a mordiscou.

— Me fala sobre seus livros, já que você não quer me falar de seus amantes.

— Livros? — Ela não queria falar sobre nada. Que ria que ele fizesse amor com ela novamente, apagando todas as dúvidas e inseguranças de sua mente. — Que livros?

— Que livros? — ele riu. — Os livros que você es creve! Esqueceu deles?

— Ah, esses livros.

— Sim — ele provocou. — Esses.

Ela teve que franzir as sobrancelhas para se concen trar, quase como se ela tivesse esquecido, e talvez ti vesse. A sua outra vida — a vida real — parecia um sonho distante, uma vaga memória. Como se a única vida que tivesse fosse aquela ali, naquele quarto, con densada nas poucas horas em que via Sasuke todos os dias. Realmente o via.

Ela não contava as olhadelas roubadas, quando o ob servava pela janela voltando de algum lugar com Sarada. Ela se abaixava para sair de vista, com medo de ele pensar que ela o estivesse vigiando. Se escondendo nas sombras da cortina, como uma mulher obcecada por um segredo culpado, o que era uma espécie de loucura. Ela não estava fazendo nada de que tivesse vergonha, nem ele, não mesmo.

E se ele tinha uma atitude de algum modo quase super-protetora com relação à filha, quem poderia criti car? Ela não poderia culpá-lo de manter Sarada fora do caso deles. Os pais gregos educavam através do exem plo, e se ele fosse visto tendo um romance casual com uma vizinha, que tipo de mensagem estaria passando para ela? — Especialmente porque ele jamais veria Hinata novamente.

— Escrevo livros sobre várias cidades — ela disse, devagar. — Especialmente para mulheres. A visão de uma mulher sobre um lugar, se você preferir. O tipo de lugar para onde podem ir sem serem atormentadas. Os melhores hotéis para mulheres sozinhas, os lugares para visitar e os que definitivamente não se deve ir visitar, essas coisas. Já fiz Roma, Londres, Nova York e São Francisco. No próximo mês farei Paris.

— E não fez Atenas? — ele perguntou. Ela balançou a cabeça.

— Não, Atenas não tem atrativos suficientes. A maioria das pessoas apenas a usa como passagem para ir para outro lugar, como as ilhas.

— Então por que você não escreve sobre Pondiki?

— Porque não escreverei sobre nenhum lugar que já não esteja preparado para receber turistas — ela disse, veementemente. — Pondiki ficaria arruinada se as pes soas descobrissem como o lugar é bonito e inexplorado.

Ele passou o dedo em volta do mamilo dela e ela se arrepiou.

— Você amou minha ilha, não amou, Hinata?

— Claro. — Ela olhou para ele como se ele fosse uma parte da ilha, porque o amor dele se misturava às memó rias que tinha de lá. — É provavelmente o lugar mais bonito que já visitei na vida. — Ela fechou os olhos e pôde ver quase perfeitamente. — Aquele mar azul, azule toda aquela areia fofa e branca. Praias desertas...

— Nem tão desertas atualmente — ele interrompeu. — Os turistas descobriram a beleza de Pondiki. Há mais pessoas do que você pode lembrar.

Hinata abriu os olhos e fez careta.

— Você não quer dizer que a ilha se tornou turística, quer?

Ele sorriu com uma expressão de ultraje, e franziu a sobrancelha.

— Felizmente, não. Vimos erros sendo cometidos em outros lugares no Egeu e nos determinamos a não segui-los.

— E como vocês conseguiram fazer isso?

— Alguns de nós nos unimos e arrematamos a maior parte da terra disponível..

— Então seu hotel deve estar indo bem. Houve uma pausa.

— Sim.

— E quem o está gerenciando enquanto você está aqui? Bem na alta estação — ela provocou.

Novamente ele hesitou e Hinata pensou como aquilo era surreal.

— Meus cunhados estão encarregados disso — ele disse. — E dois de meus sobrinhos.

— Por Deus, praticamente um pequeno império! Ele lançou um curto olhar.

— Ainda é um negócio dirigido pela família, Hinata, como sempre foi.

— Não fique irritado — ela disse, passando o dedo delicadamente na sobrancelha dele.

Ele sorriu enquanto se espreguiçava e virou de braços.

— Então me faça relaxar.

— Quer que eu faça massagem nas suas costas?

— E no resto.

— Você terá que virar, então, se quiser isso.

Ele virou novamente, olhando para os olhos semi-cerrados dela. Ela era tão generosa com seu corpo. Ela dava de volta todo o prazer que recebia. Ele gemeu quando ela começou a dedilhar na perna dele, e mais para cima.

— Hinata, onde você aprendeu a fazer isso?

— Sem perguntas, Sasuke, lembra?

— Sim — ele gemeu —, lembro.

Eles ficaram em silêncio por um momento, até que ele começou a gemer mansamente enquanto a boca de Hinata fazia sua doce mágica. De repente, ele a atirou sobre a cama e a beijou lá onde ela estava úmida, macia e quente, até ela se contrair incontrolavelmente e gritar bem alto o nome dele. Hinata reparou que olhou de sos laio pela janela aberta, tirando o cabelo de seu rosto corado.

— Fiz muito barulho? Ele sorriu.

— Um pouco.

— Ainda bem que Sarada não está aqui.

— É. Falando nisso... Eu tenho de ir.

— É melhor — ela concordou, calmamente. — Ela voltará logo.

Ele olhou para ela.

— Você acha que sou um pai superprotetor?

— Acho que você é um pai muito grego.

— O que não responde a minha pergunta.

— Como eu poderia dizer o que você é ou deixa de ser, Sasuke? Nunca fui mãe, então não tenho a menor idéia.

— E por que não? — ele perguntou, de repente. — Por que não foi mãe?

Ela ficou parada.

— Você sabe... coisas.

— Que coisas? — Ele colocou os dedos dela na sua boca e os mordeu. — Eu não sei, a não ser que você me fale.

— Isso é relevante?

— Hummm? — A mordida virou um beijo. — Para quê?

— Para nós. Para o que temos. — Oh, Deus, será que isso soara como se ele estivesse querendo criar uma situação que de fato não existia? — Quero dizer, você realmente quer saber?

— Precisar saber eu não preciso — ele refletiu, aten cioso. — Mas eu gostaria de saber. Isso não é natural? Não se pode compartimentar as coisas a ponto de não se ter limites para o sexo mas se criar barreiras para todos os outros assuntos.

Mas não era assim que costumava fazer? Ele nor malmente não se mantinha longe de tudo que pudesse envolver emoções? O fato de ele romper com uma de suas próprias regras era o melhor exemplo para expli car a palavra que ele usara mais cedo: Epikindhinos. — perigosa.

Ela balançou a cabeça. Se sentia vulnerável e expos ta, e não somente porque estava deitada nua ao lado dele. Ela não esperava que ele fizesse perguntas como aquela, e certamente não agora. Como falar da frustra ção de um de seus sonhos nos curtos momentos de inti midade que dispunham?

— Não temos tempo para esta conversa — ela disse, olhando o relógio. — Você tem que ir.

Era irônico que justamente porque ela o estava man dando ir embora, ele quisesse ficar. Como é contraditó ria a natureza humana, ele pensou, perturbado. Sasuke estava mais acostumado a situações em que as mulhe res imploravam para que ele ficasse. A evasão podia ser muito provocante, na verdade, mas ultimamente tudo não passava de um jogo entre os sexos.

Ele foi para o chuveiro e usou o xampu e o sabonete que levara para lá, dizendo a Hinata que poderia parecer suspeito se ele chegasse em casa cheirando a lavanda!

Apesar de parecer louco, era como se ele tivesse dei xado algo dele ali. Uma espécie de marcação de territó rio. Seu sabonete. Bizarro ou somente conveniente? Por que este caso não era como os outros? As regras mais comuns não se aplicavam, e por isso parecia ne cessário quebrá-las. Afinal ela morava na casa ao lado e a filha estava com ele.

E ele a conhecia.

Conhecia?

Teria o passado mais poder do que costumamos ad mitir? Brincando com a memória e com o próprio tem po, até que parecesse fácil ignorar o hoje e se perder numa parte do ontem?

Quanto da Hinata de dezoito anos ainda existia e quanto do Sasuke de dezoito anos? Quanto do caráter deles já estava formado naquela época, e quanto se for mou depois, nas experiências e barreiras que a vida nos obriga a enfrentar? Ele tinha uma explosiva compatibi lidade sexual com Hinata, e isso não havia mudado. Ela sempre fora capaz de fazê-lo rir, e isso também não mudara.

Por outro lado ela também sempre fora capaz de en furecê-lo e deixá-lo louco de ciúme que vociferava como um demônio dentro dele. Ele atribuiu isto à dife rença de educação dos dois, mas talvez fosse algo mui to mais fundamental e primário.

O simples fato de olhar para ela significava querer possuí-la, e este tipo de possessão o restringia e amar rava de uma forma que ele simplesmente rejeitava. Uma forma incompatível com a vida que ele escolhera viver.

— Você se afogou aí? — ela perguntou do quarto.

— Sim! Venha me fazer respiração boca a boca! De pressa!

Ele voltou para o quarto, algumas gotas de água ain da rolando por seu corpo nu, esfregando os cabelos ne gros com uma toalha. A boca de Sasuke se petrificou, quando ele olhou para Hinata.

Ela usava um roupão largo. Seria de um homem? Ela exalava um misto de divertida inocência e sensualida de, e havia feito um café, que envolvia o ar com seu aroma forte e amargo.

A cena era uma paródia da situação doméstica que eles jamais teriam, o tipo de cena que o faria correr porta afora.

Ele colocou a bermuda e Hinata pensou o quanto ele estava bonito, quanta beleza para um homem tão forte e grande.

Ele a olhou para vê-la observá-lo, e algo que leu em seus olhos secou sua boca, até que lembrou.

— É sexta-feira — ele disse.

Ela olhou para a cafeteira fumegante.

— É — ela respondeu, calmamente.

— Eu só poderei te ver segunda-feira.

— Tudo bem. — Ela vinha ensaiando para aquele momento. — Você tem algum plano especial?

Ele franziu a testa. Ela estava reescrevendo o roteiro e ele não gostava disso. Ela deveria ter tido a delicade za de parecer um pouco desapontada.

— Você está fechando a cara de novo — ela provo cou.

Ele ignorou.

Você tem? — ele perguntou — Planos para o fim e de semana?

Bem, o que ele esperava? Que ela ficasse parada em casa olhando pela janela? Esperando obter um olhar furtivo e breve pela cerca do jardim, os olhos deles trocando mensagens silenciosas e frustradas?

— Vou a uma galeria amanhã à tarde e depois vou jantar com alguns amigos.

— Ah. Que galeria é essa?

— Tate Britain. Eles estão com uma enorme exposi ção de Rembrandt. Parece que vai ser muito legal.

— Talvez Sarada queira ir. Ela adora arte. Hinata ergueu a sobrancelha para ele.

— Um encontro acidental, você quer dizer?

— Por que não?

— Porque isso é desonesto, por isso — ela se flagrou dizendo. — É fingir uma coisa que não existe. Um en contro casual que não é nada casual! E talvez ela possa descobrir que somos... — Deus, como era difícil achar palavras socialmente aceitáveis para uma relação sem compromisso. — ...mais amigos do que vizinhos nor malmente são.

Ele deu um fraco sorriso.

— Que maneira maravilhosa de descrever isto!

— Talvez você tenha uma descrição melhor — ela provocou, com doçura.

Ele olhou para ela com uma admiração frustrada. Ele pensava que seria fácil? Com Hinata! Levá-la para cama tinha sido fácil, mas ela estava, de alguma for ma, conduzindo o impossível: sendo mais íntima do que ele pensava suportar, enquanto o agarrava com toda a força.

— Por que não almoçamos segunda-feira? — ele su geriu.

— Onde, aqui?

— Não, aqui não! — ele explodiu. — Em qualquer lugar, menos aqui. Em qualquer lugar num raio de cin qüenta metros longe de uma cama! Deve haver um res taurante por aqui.

— Claro que sim.

— Então está marcado.

— E quanto a Sarada? O que dirá a ela?

— Sarada fez amizade com outra menina grega. Ela pode voltar com a menina depois da escola, ela vai gos tar disso. Almoçaremos segunda-feira, que tal?

Que tal! Bem, considerando que ele simplesmente a convidara para comer fora, seu coração estava tomado por um tipo de excitação que ele não sentia há muito, muito tempo. Ele estaria achando os encontros na sala de estar muito claustrofóbicos?, ela pensou. Já?

— Vou reservar, posso?

Ele começou a abotoar sua blusa e inclinou a cabeça.

— Reserve — concordou.

— E você virá aqui antes?

Ele viu o fogo do apetite sensual vindo dos olhos dela e sorriu. Ele sabia o que ela queria dizer, passar aqui e levá-la para a cama antes.

— Não. Vou te pegar antes de uma hora — ele disse, amigavelmente.