Capítulo Cinco

— Emmet! Querido, querido Emmet, quanto me alegra que tenha vindo me visitar! — Bella se adiantou e agarrou suas mãos, dando boas-vindas como se fosse à proprietária da mansão. Ficou nas pontas dos pés e estampou um convencional beijo no rosto. Emmet, muito bonito, com um elegante traje de montar e gravata negra, era o protótipo do cavalheiro rural. O mordomo, muito discretamente, recolheu o casaco, as luvas e o chapéu de Emmet e desapareceu. Bella arrastou o jovem para uma esquina da entrada e sussurrou ao ouvido-: Estão tomando o chá no salão... Mamãe, Rose e Masen. Recorda que deve atuar como se estivesse apaixonado por mim... Se te ocorre olhar a minha irmã com bons olhos, belisco-te! Vem.

— Espera — murmurou Emmet nervoso, apertando a mão com mais força. — Como está Rosalie?

Bella sorriu.

— Não se preocupe tanto. Ainda tem uma oportunidade, velho amigo.

— Quer-me ainda? Havia dito isso dito?

— Não, não quer admitir — respondeu Bella a contra gosto. — O que tenho claro é que não ama Masen.

— Bella, morro de amor por ela. Nosso plano tem que funcionar.

— Assim será — afirmou ela com determinação. — E agora... À abordagem!

Atravessaram a entrada.

— Acredita que a hora de minha visita é a adequada? Não será muito tarde? — Perguntou Emmet elevando a voz, para que os ocupantes do salão pudessem o ouvir.

Bella piscou os olhos.

— Claro que não, querido. É a hora do chá. — O fez entrar no salão com um amplo sorriso nos lábios. A sala era deliciosa e muito ampla: paredes cor amarela, mobília de madeira de ébano trabalhada e enormes janelas. — Aqui estamos –anunciou alegremente. — Conhecemo-nos todos; não necessitamos apresentações. Perfeito!

-Apertou orgulhosa o braço de Emmet. — Devo te dizer, Em, que o chá do Cullen Park é excelente. Quase tão bom como o que eu estou acostumado a oferecer em Londres.

Emmet sorriu enquanto dava uma olhada no salão.

— O chá de Bella é o melhor que provei. Uma mistura especial que ninguém é capaz de reproduzir.

— Descobri no transcurso de uma de minhas viagens — replicou Bella sentando-se em uma delicada cadeira com patas em forma de garras de animal. Olhou para sua irmã e pôde ver, encantada, mas o intenso olhar que dirigiu a Emmet. O rosto de Rose ficou por um instante impregnada de tristeza e desesperançada melancolia. Pobre Rose — pensou Bella. — Farei todo o possível por sua felicidade. Possivelmente você e Em demonstraram que existe amor verdadeiro.

Emmet, mostrando deliciosas maneiras, dirigiu-se ao sofá onde estavam Renné e Rosalie, e ao precaver-se de quão sufocada estava Rosalie, dirigiu a primeira palavra a sua mãe.

— Lady Swan, é um prazer voltar a ver, tanto a você como a sua encantadora filha. Espero que vocês estejam bem.

— Estupendamente — replicou Renné incômoda. Emmet gostava, apesar de que em seu dia tinha desaprovado que cortejasse sua filha. Além disso era consciente, como todo mundo, de que o amor que Emmet sentia por Rosalie tinha sido sincero e honrado. Entretanto, qualquer família com limitações financeiras devia ser prática. Lorde Cullen era, de longe, um partido muito melhor.

Edward seguia apoiado no suporte de mármore da lareira enquanto ascendia um charuto e contemplava as apresentações. Bella o olhou de soslaio. Era um mal educado. Os cavalheiros não estavam acostumados a fumar na presença das mulheres. Isso só desculpava a algum ancião cavalheiro que fumasse em cachimbo.

Emmet saudou Edward com um movimento da cabeça, cautelosamente.

— Boa tarde, Masen.

Edward respondeu do mesmo modo e levou o charuto à boca. E quando exalou a primeira baforada de fumaça seus olhos se converteram em brilhantes fendas chapeadas.

«Besta mal-humorada», pensou Bella com desdém. A presença de um homem tão distinto, encantador, cavalheiro, apreciado por todos, parecia ameaçadora. Embora Masen se passasse cem anos tentando, jamais conseguiria que a gente sentisse o mesmo por ele. Olhou carrancuda e a seguir dirigiu um sorriso a Emmet.

— Sente-se, Em, e nos conte as últimas novidades de Londres.

— Sem você é do mais aborrecido, como sempre — replicou Emmet, tomando assento na cadeira mais próxima a ela. — Recentemente assisti a um jantar e observei que Annabelle está esplêndida desde que se casou com lorde Deerhurst.

— Me alegro — comentou Bella. — Merece ser feliz depois de dez anos de casamento com esse velho sir Charles.

— Isabella! — exclamou Renné. — Como pode dizer isso de sir Charles, que em paz descanse, uma coisa tão horrorosa..

— E por que não? Quando se casarão, Annabelle não tinha mais de quinze anos, E ele podia ser seu avô! E não nenhum segredo que sir Charles não se comportava bem com ela. Pessoalmente me alegro de que desaparecesse e Annabelle pudesse encontrar um marido com idade adequada.

Renné franziu a testa.

— Isabella, parece que não tem coração. Emmet se inclinou para dar um tapinha na mão Bella, saindo em sua defesa.

— É muito franca, carinho. Mas todos os que conhecem bem sabem que possui o mais compassivo dos corações.

Bella lançou um olhar de agradecimento, e sentiu que sua irmã ficou sem fala. Rosalie não aceitava que seu amado estivesse chamando Bella de «carinho». No mais fundo do peito de Bella tinha começado uma batalha entre sua alegria pelo bem que o estava passando e a tristeza de ver sofrer sua irmã. Queria poder dizer a Rosalie que todo aquilo não era mais que uma farsa.

— Tentarei morder a língua — prometeu Bella rindo a gargalhadas, embora seja só por esta tarde. Sigamos com suas novidades, Em. Servirei um pouco de chá. Leite, sem açúcar, correto?

Enquanto Emmet seguia entretendo-os com seus relatos londrinos, Edward observava Bella. Viu-se obrigado a reconhecer que existia a possibilidade de que ambos estivessem considerando a idéia do casamento. A familiaridade que havia entre eles indicava uma longa amizade. Era também evidente que se agradavam e se sentiam bem juntos.

As vantagens que pudesse conduzir um casamento como aquele eram óbvias. Emmet, como terceiro filho que era, aumentava a fortuna de Bella, muito mais importante que qualquer renda que pudesse chegar a herdar. E Bella era uma mulher atrativa. A cor de sua pele tinha um formoso brilho rosado, ressaltado pelo vestido verde mar que usava para a ocasião, e tanto seu cabelo escuro como seus olhos eram realmente exóticos. Poucos homens poderiam resistir à tentação de deitar-se com ela. Além disso, e de cara o entorno social, Bella poderia considerar-se afortunada de pescar um homem de boa família e com semelhante caráter, especialmente depois de ter estado a beira do abismo durante tanto tempo.

Edward franziu a sobrancelhas ao imaginar os dois juntos. Não havia por onde agarrá-lo. Emmet, apesar de seus trinta anos, era um menino sem um pingo de malícia. Jamais poderia levar dar ordens em casa, e muito menos a uma mulher do aspecto de Bella. Emmet preferiria acatar seus desejos antes que discutir com ela. Bella acabaria desprezando um marido tão inexperiente. O casamento estava condenado ao fracasso desde o começo.

— Milord? — Bella e outros se olhavam. Edward se precaveu de que tinha ido a fundo e tinha perdido o fio da conversa. — Milord — disse Bella, acabo de perguntar se já fizeram o fossa no jardim.

Edward se perguntou se tinha ouvido corretamente.

— Fossa?

Bella o olhou, orgulhosa de si.

— Sim, para o novo lago.

Edward a contemplava mudo de assombro. Mas conseguiu que saísse a voz.

— De que demônios está falando?

Todos, exceto Bella, pareceram surpreendidos. E ela seguia sem que seu sorriso sem alterar o mínimo.

— Ontem pela tarde tive uma conversa encantadora com seu jardineiro, o senhor Chumley. Dava umas idéias para melhorar o jardim.

Edward tirou o charuto da boca e o jogou na lareira.

— Meu jardim não necessita nenhuma melhora. — Tem vinte anos!

Ela sacudiu a cabeça.

— Isso eu sei. Expliquei que tem um aspecto completamente passado de moda. Os jardins modernos estão rodeados por vários lagos. Indiquei ao senhor Chumley o lugar exato onde se devia começar a cavar o novo lago.

Edward ficou vermelho de ira do pescoço até as têmporas. Queria estrangulá-la.

— Chumley não tiraria nenhuma pazada de terra sem me consultar.

Bella se deu de ombros, inocente.

— Parecia entusiasmado com a idéia. Não me surpreenderia que já tivesse começado a cavar. Na verdade, acredito que adora mudanças.

-Ofereceu um sorriso afetuoso e fraternal. — Assim sempre que passar junto ao lago pensará em mim.

Em Masen desencaixaram as facções. Saiu do salão precipitadamente, emitindo um som similar a um rugido.

Renné, Rosalie e Emmet olhavam Bella fixamente.

— Parece-me que não gostou da idéia — particularizou ela, com semblante decepção.

— Isabella — disse Renné quase sem voz, reconheço que fez sem má intenção. Entretanto sou da opinião de que não deveria voltar a tentar fazer melhoras na propriedade de lorde Cullen.

Uma das cozinheiras, embelezada com um avental branco e uma boina franzida, entrou no salão.

— Lady Swan, Cook desejaria falar com você sobre o banquete do casamento assim que sua senhoria tiver um momento. Não tem nem idéia do que fazer.

— Como? — perguntou Renné, perplexa. — Ela e eu tínhamos arrumado tudo, até o último detalhe. Não sei por que motivo anda agora confundida.

Bella se esclareceu delicadamente.

— Mamãe, é possível que Cook queira discutir as mudanças que sugeri para o banquete.

— OH, querida Isabella, o que tem feito? — Renné se levantou e saiu correndo da sala, com os cachos agitando-se.

Bella sorriu para Emmet e Rosalie.

— Bom, por que não passam um momento junto enquanto tento emendar os estragos que causei?

-Saiu do salão fechando a porta a suas costas e fazendo caso omisso dos débeis protesto de Rosalie. Esfregou as mãos e sorriu. «Bem feito», disse, e teve que reprimir as vontades de assobiar de contente enquanto caminhava em direção à galeria. Abriu as venezianas e saiu para o jardim.

Decidida a desfrutar do dia tão claro que fazia e a sentir a brisa agitando o cabelo, dispôs-se a passear entre os plantas e as árvores. Tentou passar despercebida, particularmente para ouvir vozes. Os gritos ameaçadores de Masen retumbavam como um trovão. Não pôde resistir à tentação de escutar. Aproximou-se e se ocultou atrás de uma árvore de disco.

— ... Mas Milord — protestava Chumley. Bella imaginava sua cara gordinha, a luz do sol brilhando. — Milord, ela simplesmente fez uma sugestão e eu jamais teria feito nada sem o consultar.

— Me é indiferente o que sugira, seja interessante ou não. Não faça — ordenou Masen. — Nem retirar um ramo, nem cortar uma erva! Nem mover uma pedra! — Sim, Milord, de acordo.

— Neste jardim não necessitamos nenhum maldito lago mais!

— Não, Milord, tem razão.

— Me informe se tenta meter-se de novo em seus assuntos, Chumley e faça saber ao resto da criadagem que não haverá nenhuma mudança em suas atividades habituais. Sua próxima idéia poderia ser pintar a casa de rosa e lilás.

— Sim, Milord.

Parecia que Masen tinha acabado de dar a conversa por concluída. Bella,ouviu ruído de passos, encolheu-se mais atrás da árvore. Por desgraça, um sexto sentido tinha alertado Masen de sua presença. Bella não se movia, mas apesar disso ele inspecionou a árvore até encontrar ela. Bella se encontrou olhando seu rosto aceso de ira.

— Senhorita Swan! — vociferou Masen.

Bella levantou a mão para proteger os olhos do resplendor do sol.

— Sim, Milord?

— Ouviu ou tenho que repetir a você?

— Seria impossível não o ouvir em um quilômetro. E se por acaso serve de consolo, nem me teria passado pela cabeça pintar a mansão de cor lilás. Embora...

— O que está fazendo aqui? — interrompeu ele. Bella teve que inventar uma desculpa com rapidez. — Bem, Emmet e eu tivemos uma... Pequena briga. Saí para me refrescar.

— Está sua mãe com Emmet e Rosalie?

— Suponho que sim — respondeu com ar inocente, Masen ficou olhando como se fosse capaz de ler os pensamentos.

— O que está tramando? — perguntou com tom assassino. De repente deu meia volta e se afastou pelo atalho que conduzia a casa.

OH, não. Bella ficou gelada pensando que podia encontrar Emmet e Rosalie em uma situação comprometida. Tudo seria inútil. Devia encontrar algum modo de o deter.

— Espere — gritou, correndo atrás dele — Espere! Então seu pé se enredou em algo e caiu de bruços lançando um grito de dor.

Voltou-se renegando para ver com o que tinha tropeçado. Era a raiz de uma árvore que me sobressaía no chão. Tentou levantar-se, mas sentiu tal pontada de dor no tornozelo que voltou a derrubar-se na grama.

— Merda...

Ouviu-se uma exclamação de Masen, assombrado com uma expressão como aquela.

— O que aconteceu? — inquiriu, enquanto se aproximava dela. –Torci o tornozelo! — disse Bella, zangada e surpreendida.

Edward lançou um olhar eloqüente e deu meia volta.

— Maldita seja, é verdade! — gritou ela. — Venha e me ajude. Estou segura de que inclusive você pode fazê-lo; espero que tenha recebido a educação suficiente para ser capaz de fazê-lo.

Edward se aproximou, mas não fez o menor gesto de ajudá-la.

— De que perna se trata?

— Precisa saber?

Edward agachou e levantou a prega do vestido até deixar descoberto os tornozelos.

— Qual é? Esta?

— Não, a... Ai! — Bella gritava de dor. — O que esta fazendo! Ah! Dói muitíssimo! Me tire sua condenada mãos de cima, sádico cruel...

— Bem, acredito que não está fingindo. — Edward a agarrou pelos cotovelos até colocá-la em pé.

— Naturalmente que não! Que demônios fazia essa raiz ali? Isso é tremendamente perigoso!

A resposta de Edward foi um olhar furioso.

— Sugere algum outro tronco em meu jardim? –Sua voz estava carregada de violência reprimida.

Bella sacudiu a cabeça e manteve a boca fechada.

— Bem — murmurou ele, e entraram a caminho para casa.

Bella, indefesa, caminhava a seu lado com muita dificuldade.

— Não pensa me oferecer o braço?

Edward ofereceu o cotovelo e Bella se agarrou a ele, deixando descansar o peso do corpo. Atravessando o jardim Bella fez tudo o que pôde para diminuir o passo de Masen. Queria que Emmet e Rosalie estivessem juntos todo o tempo possível. Bella olhou discretamente a seu acompanhante. O ruivo cabelo de Masen estava enredado, não brilhava o penteado imaculado de costume. O ambiente úmido fazia com que frisasse à altura da nuca. Penduravam um par de mechas sobre a fronte. A verdade era que para tratar-se de um homem, tinha um cabelo precioso. E percebeu também o agradável aroma que desprendia: uma mistura de tabaco, linho engomado e algo atrativo e subterrâneo que não chegava a identificar. Apesar de que doía o tornozelo, quase desfrutava caminhando a seu lado e se sentia tão fraca por isso que provocou uma nova discussão.

— Não pode andar um pouco mais devagar? –perguntou.

— Que correria é esta? Merda! Masen, se minha ferida piorar, não esquecerei.

Edward franziu a testa mas diminuiu o passo.

— Senhorita Swan, tem você uma linguagem do muito suja.

— Assim falam os homens. Não vejo o motivo pelo qual eu não possa fazê-lo também. Além disso, os cavalheiros meus amigos admiram o meu variado vocabulário.

— Incluindo Jacob Black?

Bella alegrou saber que estava à par de sua amizade com Jacob. Era bom que soubesse que contava com um aliado poderoso.

— O senhor Black me ensinou algumas das palavras mais úteis que conheço.

— Não duvido.

— Pensa seguir me arrastando desta maneira?

— Não sou nenhuma mula obstinada da qual deva andar a um ritmo desumano. Poderia andar a uma velocidade mais razoável? E a propósito, Milord, cheira a charuto.

— Se isso a ofender, caminhe sozinha.

Seguiram discutindo até entrar na casa. Quando passaram pela galeria e pela entrada principal de mármore, Bella começou a falar com voz bastante alta para que Rosalie e Emmet soubessem que estavam de volta. E quando Masen abriu a porta do salão e arrastou Bella ao interior, os desventurados amantes se achavam respeitavelmente sentados a uma distância adequada um do outro. Bella se perguntava o que teria passado durante o momento de intimidade que tinham desfrutado. Emmet brilhava o bom humor que era característico, enquanto que Rosalie estava rosada e sufocada.

Edward lhes deu uma olhada e falou com tom seco. — A senhorita Swan me mencionou uma discussão.

Emmet, que se tinha posto em pé ao vê-los entrar, lançou a Bella um olhar de perplexidade.

— Meus impulsos de gênio são legendários — interveio Bella com uma gargalhada. — Mas o ar fresco reflito melhor. Estou perdoada, Em?

— Não há nada que perdoar — respondeu Emmet com grande galanteio, e se inclinou para beijar sua mão.

Bella soltou o braço de Edward para agarrar-se ao de Emmet.

— Em, temo-me que terá que me ajudar a chegar a uma cadeira. Acabo de torcer o tornozelo. — Agitou a mão desdenhosamente, assinalando em direção ao jardim de Masen. — Uma raiz, quase da grossura da perna de um homem!

— Parece-me um pouco exagerada — comentou Edward ironicamente.

— Bem, era grande. — dirigiu-se mancando, com grande dramatismo e ajudada por Emmet, para uma cadeira e se acomodou nela.

— Teremos que preparar um cataplasma –disse Rosalie. — Pobre Bella... Não te mova! — Saiu precipitadamente do salão.

Emmet mostrava grande preocupação.

— Acredita que está ferida gravemente? Só te dói o tornozelo?

— Estou bem. — Bella fez uma careta exagerada de dor. — O que te parece se voltar amanhã para ver como estou?

— Virei cada dia até que esteja melhor –assegurou Emmet.

Bella sorriu para Masen, olhando por cima da cabeça de Emmet e perguntando se aquele rangido que ouvia seria o de seus dentes.

No dia seguinte o tornozelo de Bella se recuperou e unicamente uma pequena dor lembrava que tinha torcido. A temperatura era excepcionalmente cálida e fazia sol. Emmet chegou pela manhã, disposta a levá-la a dar um passeio em sua carruagem, e Bella insistiu para que Rosalie os acompanhasse. Edward declinou um pouco admirado pela proposta de Rosalie para que se unisse a eles, e preferiu ficar a atender os assuntos relacionados com sua propriedade que tinha pendentes. Tanto Bella como Rosalie e Emmet se sentiram aliviados com a negativa de Edward. Se tivesse participado do passeio a situação teria sido bastante tensa.

Partiram os três na carruagem descoberta. Emmet, muito perito, levava as rédeas e olhava de vez em quando por cima do ombro, sorrindo com os comentários de suas duas passageiras. Bella e Rosalie se sentaram juntas, protegendo seus rostos sorridentes do resplendor do sol com chapéus de palha. Foi Emmet quem sugeriu tomar o caminho que parecia menos transitado, e assim chegaram a um lugar muito belo. Emmet deteve o veículo para admirar a ampla e verde pradaria situada diante deles, as violetas, os trevos e os gerânios silvestres.

— É precioso! — exclamou Rosalie, apartando um cacho que cobria os olhos. — Vamos? Eu gostaria de pegar umas violetas para levar para mamãe.

— Humm. — Bella sacudiu a cabeça. — Temo-me que o tornozelo me dói ainda um pouco – mentiu. — Acredito que hoje não posso brincar de correr. Possivelmente Emmet queira te acompanhar.

— OH, eu... — Rosalie ficou olhando o atrativo e sério semblante de Emmet e se ruborizou. — Não acredito que seja o mais apropriado.

— Por favor — suplicou Emmet. — Seria um grande prazer.

— Mas... Só nós dois...

— Venha, todos sabemos que Em é um perfeito cavalheiro — disse Bella. — E não penso tirar os olhos de cima em todo o momento. Farei companhia de longe. Naturalmente, Rose, se não gosta de passear, eu adoraria que ficasse aqui comigo, admirando a paisagem. .

Rosalie, obrigada por ter que decidir-se entre passear sem companhia pela pradaria com o homem que amava ou ficar sentada junto a sua irmã, mordeu o lábio. Venceu-a tentação. Sorriu discretamente para Emmet.

— Bem, um passeio curto.

— Retornaremos assim que quiser — replicou Emmet, saltando agilmente da carruagem.

Bella, orgulhosa e divertida, observou Emmet ajudar Rose a descer. Logo ambos iniciaram lentamente seu passeio pela pradaria. Eram um casal perfeito. Emmet era um jovem honrado, suficientemente forte para protegê-la e bastante infantil para não intimidá-la. E Rose era exatamente a garota doce e inocente que ele necessitava.

Pôs os pés, sem descalçar, sobre o assento de veludo e alargou a mão para agarrar a cesta cheia de fruta e bolachas. Mordiscou um morango e logo jogou longe o caule verde. Desfez-se o laço do chapéu, pegou outro morango e ofereceu seu rosto ao sol.

Na Itália, fazia muito tempo, ela e James tinham estado comendo estendidos em uma pradaria muito similar aquela, uns dias antes que se convertessem em amantes. Naquela época Bella era bastante sofisticada. Foi mais tarde quando se deu conta da estúpida e ingênua que tinha sido.

O ar do campo é estupendo — disse ela, com os cotovelos nus apoiados sobre a manta enquanto mordiscava uma pêra amadurecida, macia como uma manteiga. — Aqui tudo fica melhor!

Cansaste dos prazeres da cidade, meu amor? — Os formosos olhos de James, de um negro líquido e provido de largas pestanas, olhavam-na com sensualidade.

A alta sociedade é muito mais chata aqui que na Inglaterra — refletiu Bella, olhando a erva. — Todo mundo trabalha em excesso por suas e cobiças, todos falam e ninguém escuta.

Eu escuto, caríssima. Escuto tudo o que você diz. Bella voltou a cabeça e sorriu.

Sim? De verdade? E por que, James?

Porque estou apaixonado por você — respondeu ele apaixonadamente.

Ela se pôs a rir.

Você te apaixona por todas.

E há algo de mal nisso? Possivelmente na Inglaterra, mas não na Itália. Posso oferecer um amor especial a cada mulher. Um amor especial para você. — Agarrou um suculento cacho de uvas e o aproximou dos lábios de Bella sem deixar de olhá-la.

Bella abriu a boca; sentia-se adulada e o coração pulsava com força. Agarrou um grão de uva entre os dentes e sorriu. Jamais um homem a tinha cortejado com um cavalheirismo tão ardente. Seu olhar oferecia promessas de ternura e de prazer; e apesar de que sua cabeça resistia a acreditar, seu coração o buscava desesperadamente.

Estava muito tempo sozinha, e desejava conhecer esse mistério que tanto parecia satisfazer a todo mundo.

Bella, minha formosa inglesinha — murmurou James. — Posso te fazer feliz. Imensamente feliz, bela.

Não deveria dizer isso. — Bella desviou os olhos e tentou esconder suas bochechas tão rosadas. — Ninguém pode prometer uma coisa assim.

Porque não? Deixe-me tentar. Preciosa Bella, sempre com esse sorriso triste, poderia te fazer sentir melhor. — inclinou-se lentamente para beijá-la. A carícia de seus lábios foi quente e agradável, e nesse instante Bella decidiu que seria ele quem a faria mulher. Entregaria a ele. Por fim ninguém acreditava que era virgem. Sua inocência não importava a ninguém.

Recordando o passado, Bella não entendia por que tinha considerado que os homens e o amor podiam representar algo tão misterioso e fascinante. Tinha pagado caro seu engano por James e seguiria pagando o preço de seus pecados. Suspirando, olhou a sua irmã, que passeava com Emmet. Não estavam dando as mãos; entretanto se percebia uma atmosfera de intimidade entre eles.

«Esse é um homem que nunca vai trair te, Rose –pensou. — O qual, pode acreditar, é uma autêntica raridade.»

Depois que Emmet partiu, Rosalie estava radiante. Entretanto durante o transcurso das horas seguintes mudou de maneira notável. O brilho tinha desaparecido de seus olhos por completo na hora do jantar, estava pálida e parecia deprimida. Bella se perguntava quais seriam seus pensamentos e emoções naqueles momentos, mas só tiveram oportunidade de falar quando foram para cama.

— Rose — disse, desabotoando o vestido de sua irmã pelas costas.

— O que acontece? Ficou toda a tarde muito séria e apenas provou o jantar.

Rosalie se dirigiu a penteadeira e tirou os passadores que prendiam o cabelo, deixando que seu cabelo dourado caísse livre até a cintura. Ficou observando Bella, com expressão cheia de tristeza.

— Sei o que tenta fazer. Não deve preparar mais encontros entre Emmet e eu. Não conduzem a nada, e não é correto!

— Arrepende dê ter estado com ele? — perguntou Bella. — Colocou-me em uma situação difícil, verdade? Me perdoe...

— Não, foi maravilhoso — exclamou Rosalie, e a seguir a olhou envergonhada. — Não devia haver dito isto. Não sei o que me passa! Estou confusa...

— O motivo é que sempre estiveste obedecendo a papai e mamãe e fazendo o que se esperava de você. Rose, em sua vida não tem feito nada por egoísmo. Está apaixonada por Emmet, sacrifica-te por seus pais. Rosalie se sentou na cama e baixou a cabeça.

— Não tem a menor importância de quem esteja apaixonada.

— A única coisa que importa é sua felicidade! Por que está tão triste? Ocorreu algo?

— Lorde Cullen falou comigo esta tarde — explicou Rosalie com um fio de voz. — Justo depois que retornamos de nosso passeio.

O olhar de Bella se tornou mais frio.

— O que te disse?

— Fez perguntas... E me deu a entender que Emmet não é seu pretendente. Que Emmet está comportando-se de forma desonrosa e tenta me cortejar.

— Como se atreve a dizer uma coisa assim?

— É certo — disse Rosalie muito triste. — Já sabe que é.

— Claro que é... Fui eu quem planejei! — Isso era o que pensava.

— Mas como se atreve a nos insultar com uma acusação semelhante?

— Lorde Cullen acha que se Emmet tentou casar-se com uma garota como eu, jamais pretenderia casar-se com alguém como você.

Bella franziu ainda mais a testa.

— Alguém como eu?

— «Perita», essa foi a palavra que utilizou — disse Rosalie, muito incômoda.

— Perita? — Bella perambulava pelo quarto como um tigre enjaulado.

— Deve pensar que não sou bastante desejável para pescar um marido.

Bem, há homens que me acham muito atrativa, homens que têm algo mais que água gelada nas veias. Vá, olhe quem me critica! Está bem, vou pôr as coisas em seu lugar, e agora...

— Bella, por favor — suplicou Rosalie com voz fraca. — Tudo isto me amadurece. Por que não deixamos as coisas como estão?

— Sim, de acordo. Mas só depois de esclarecer com sua senhoria umas coisas!

— Não! — Rosalie colocou uma mão na frente, como se aquela situação fosse mais do que capaz de suportar. — Não deve fazer lorde Cullen ficar zangado! Tenho medo!

— Ameaçou você? — Felizmente Rosalie não pôde ver o olhar vingativo de Bella, que a teria apavorado.

— N-não, não precisamente. Mas é um homem tão severo, não acredito que tolerasse nenhum tipo de traição. Não é um homem para se aborrecer!

— Rose, se Emmet te pedisse que...?

— Não — exclamou Rosalie, com os olhos alagados de lágrimas. — Não, não sigamos falando sobre isto! Não escutarei, não penso fazê-lo!

— Está bem — disse Bella tranqüilizando-a. — Não falemos mais por esta noite. Não chore. Tudo irá bem, verá.

Edward descia a toda pressa pela escada. Ia vestido com roupa de viagem: jaqueta de lã, colete de popelina e calças de algodão. Devia ir a Londres em resposta a uma mensagem que tinha recebido no dia anterior. Seu irmão Seth ia ser expulso de Westfield. Era a primeira vez que um Cullen se via obrigado a abandonar uma escola tão renomada.

Edward, zangado e preocupado, perguntava-se qual teria sido o incidente que tinha provocado a expulsão. Seth tinha sido sempre um menino muito vital e travesso, mas tinha bom coração. A nota enviada pelo diretor de Westfield não continha nenhuma explicação, só dizia que a presença do menino já não era bem vista na escola.

Edward suspirou pensando que não tinha aconselhado ao menino como era devido. Quando tinha sido necessário fazer entrar em vereda Seth por suas maldades, não o tinha castigado severamente. Seth era muito pequeno quando morreram seus pais, e Edward tinha sido mais um pai que um irmão para ele. Perguntava se tinha trabalhado bem com o menino, se não deveria haver-se casado e introduzir assim na vida de Seth uma mulher maternal e amável.

Os pensamentos de Edward foram interrompidos pela visão de uma delicada figura feminina de camisola que subia depressa as escadas. Bella outra vez, perambulando pela casa quase nua.

Ao ver ela se deteve uns degraus de distância. Deu uma olhada a seu severo semblante, grunhiu e se levou as mãos à cabeça.

— esqueceu do acordo?

— Não, senhorita Swan — respondeu Edward com aspereza. — Quero que me explique de onde vem e o que esteve fazendo.

— Não vai tirar me nada — disse ela entre dentes. Edward a observou. Podia ser que houvesse dito a verdade, que tivesse um tête-à-tête com algum dos criados.

Ao menos seu aspecto não o desmentia: em camisola, descalça, com cara cansada e olheiras, como depois de uma noite de desenfreio. Sem saber por que, sentiu raiva em pensar naquilo. O normal era que enquanto não o incomodassem o importasse o que fizessem com os outros. Mas naquele momento se sentia furioso.

— Sim, voltava a acontecer isto — enunciou friamente. — Penso fazer suas malas pessoalmente. Pode ser que em Londres se admire a imoralidade, mas aqui não a tolero.

Bella sustentava o olhar, o desafiando, e decidiu prosseguir seu caminho, murmurando algumas obscenidades...

— O que está dizendo? — perguntou ele com um grunhido.

Bella lançou um sorriso adocicado por cima do ombro.

— Desejava a você um dia esplêndido, Milord.

Quando entrou em seu quarto pediu que preparassem um banho. As criadas, muito eficientes, encheram a banheira de porcelana que havia na sala de vestir ao lado, acenderam a pequena lareira e dispuseram as toalhas no cabide. Uma vez terminada sua tarefa, Bella as despediu.

Introduziu-se na banheira e começou a tornar-se água pelo seio distraidamente. As paredes em papel exibiam motivos chineses, flores e pássaros. O suporte de porcelana da lareira estava decorada com dragões. Passado de moda. Ela não daria nada por essa parede empapelada há vinte anos. «Se pudesse colocar mão aqui, duvido que não trocaria essas coisas», pensou e se inundou integralmente na água. Tirou logo a cabeça com o cabelo jorrando decidida a refletir sobre o que estava acontecendo.

O sonambulismo começava a ser mais freqüente que de costume. No dia anterior se despertou na biblioteca, e agora no salão, estendida no divã. Como tinha chegado ali? Como tinha descido as escadas sem cair? Podia haver partido o pescoço!

Não podia permitir que isso continuasse. Bella, assustada, perguntava se teria que acabar atando-se na cama todas as noites. Mas e se alguém chegasse a descobrir que o fazia? Sorriu nervosa pensando se Masen não agarraria por surpresa. Provavelmente pensasse que era a mulher mais depravada sobre a face da terra.

Podia tentar beber antes de deitar-se. Estando bem bêbada... Não, aquilo seria uma carreira veloz para a ruína. Em Londres tinha visto muita gente aniquilada pela bebida. E se visitasse um médico para que receitasse algo? Diria que estava louca. Bella passou os dedos pelo cabelo molhado e fechou os olhos.

— Possivelmente estou louca — murmurou, apertando os punhos. Qualquer mulher podia acabar louca se roubassem seu filho.

Depois de lavar o cabelo e o corpo com esmero, saiu da banheira e se secou com uma enorme toalha. Vestiu-se com uma muda de encaixe branco, vestiu umas meias de algodão e um vestido com um estampado de pequenas florzinhas de cor rosa que a fazia parecer quase tão jovem como Rosalie. Enxugou os úmidos cachos se sentou em frente à lareira, disposta a elaborar o plano do dia.

— Acima de tudo — disse estalando os dedos, devo convencer Masen de que Emmet está me fazendo a corte A. mim, não a Rose. Isso o despistará.

— Senhorita? — A voz denotava surpresa. A donzela estava junto à porta do vestidor. — Dizia algo?

— Não, não, não. Falava sozinha.

— Devia recolher as toalhas.

— Leve também a camisola. OH, me diga onde está lorde Cullen. Desejo falar com ele.

— foi-se para Londres, senhorita.

— Para Londres? — Bella entreabriu os olhos. — Por quê? Por quanto tempo?

— Disse a Silvern que estaria de volta esta noite. — Bem, uma viagem rápida. O que pretende fazer em tão pouco tempo?

— Ninguém sabe a que foi.

Bella tinha o pressentimento de que a criada sabia algo mas não queria dizer. Os criados de Masen mantinham a boca fechada e eram fiéis a seu amo. Bella se deu de ombros.


Olá minhas queridas !

Muito obrigada a todas que leram, principalmente à fiel Pri Cullen Malfoy !

To meia cansada, entao desculpe, mas nao vou falar mais hahahahahah. Aliás uma review animaria MUITO os ânimos !

Beijoos e até segunda !