Dois dias se passaram desde que Andy ligou para seu amigo e pediu-lhe informações sobre Jack Raydor e temeu que Sharon descobrisse de alguma forma, céus, ela ficaria tão brava que seria capaz de matá-lo. Ele tentou impedir sua curiosidade, repetindo que não tinha nada a ver com a vida de Sharon Raydor, que os problemas eram entre eles, entretanto seus malditos instintos pediam para que ele investiga isso mais a fundo e que encontraria algo pobre no final das contas.

Com os dois dias se passando, nenhum vítima foi encontrada e Brenda sabia que em breve ele atacaria, ele devia estar estudando-a naquele momento, tentando descobrir um pouco mais sobre ela, fantasiando como irá matá-la mas a ausência de vítimas preocupava Sharon, e se ele estivesse matando e os corpos não estão sendo encontrados, ou ele está caçando muitas vítimas ao mesmo tempo.

No quarto do "casal" Sharon estava deitada no sofá e Andy estava no banho, quando não estavam vasculhando o hotel eles ficavam no quarto e raramente saiam. A concentração no no livro foi tirada quando ela ouviu o celular de Andy tocar.

"Andy" gritou por seu nome, todavia ele não ouviu. "Seu celular"

Quando ela deu-se conta que seria inútil tentar chamá-lo, levantou-se indo até a mesa e pegando o celular, hesitou em atender mas podia ser importante.

"Flynn, sou eu Hanson, conseguir os papéis sobre Jack Raydor que você pediu, acabei de te mandar por e-mail. Reuni o máximo de informações possíveis sobre ele… Flynn… Você ainda está aí… Andy seu babaca.''

Sharon não podia acreditar que Andy foi capaz de fazer aquilo, pedir para alguém, que ela sequer conhecia, reunir informações e investigar Jack. Até que ponto aquele babaca desconfiava? Sharon foi até o banheiro e bateu com extrema força na porta até que Andy a abrisse, o tenente surgiu molhado, assustado e com uma toalha enrolada na cintura. Quando Andy pôs os olhos para fora do banheiro ele viu uma capitã brava, com os olhos verdes cintilando de raiva e como se eles soltassem fogo, se o olhar matasse Andy certamente já estaria morto.

"O que foi, mulher?" Ele perguntou após a ausência de palavras dela, Sharon apenas o encarava, não podendo ainda acreditar na capacidade dele.

Sharon não respondeu com palavras mas seus movimentos foram suficientes para falar tudo que ela estava sentindo, movida pela raiva misturada com adrenalina e medo das descobertas de Andy ela apenas o empurrou e socou seu peito com força repetidas vezes, gritando com raiva.

"Ei, ei" Andy a conteve, segurando seus braços impedindo que ela seguisse o agredindo. "O que deu em você?" Ele não pode soltá-la ou ela o atacaria novamente.

"Como você se atreveu?" Ela gritou puxando as mãos com força "Como você teve capacidade de pedir que alguém investiga meu marido? O que você pretende com isso Andy? O que mais você quer descobrir?''

"Eu… Veja, eu sei que tem algo errado entre você e aquele babaca do seu marido, algo muito ruim aconteceu e eu ainda não sei o que é, mas eu vou descobrir, não importa se você fica brava ou não." Ele admitiu e isso certamente a deixou mais raiva, ele percebeu quando ela cerrou com força os punhos.

"Eu o proíbo de chegar perto de mim." Ela quis gritar, mas não podia.

Ela foi até a porta, bateu com força e saiu pelo corredor, pisando firme, com raiva contida em cada passada. Dentro do quarto Andy colocava o mais rápido possível uma calça, tinha que ir atrás dela. Quando colocou uma roupa correu para fora do quarto a buscando com o olhar. Apertou o botão do térreo no elevador e quando finalmente chegou avistou uma capitã brava saindo para fora do hotel. Ele a seguiu, sussurrando pelo seu nome, tentando atrair sua atenção mas ela parecia negar-se a virar. Até que a mesma decidiu atravessar a rua na tentativa de livrar-se da perseguição, ela não tentou ver os carros ou se o sinal estava aberto, ela só queria fugir dele. Cega pela raiva, Sharon não deu-se conta quando o carro vinha a seu encontro na rua. Andy, por outro lado, foi mais rápido e mais atento que ela, a puxando pelo braço com força de volta para calçada. Ela estava assustada, os olhos arregalados e suas mãos pequenas seguraram com força a camisa dele.

"Você é louca" Ele gritou, mesmo que não quisesse perder a paciência com ela, Sharon arriscou-se ao atravessar a rua, na frente dos carros e estava deixando ele louco. "Você é uma mulher louca, imprudente, difícil de lidar, com tendência a suicídio, maluca, completamente fora da caixa e eu odeio você por isso." Andy ofegou, curvando-se brevemente na tentativa de controlar seus ânimos e sua respiração ofegante, ela parecia com medo de sua reação exasperada. "Você podia ter morrido, sabe o que é isso?''

Ela não podia, não conseguia e talvez não queria responder. Ele viu os lábios dela curvarem-se para baixo, como se ela quisesse chorar, mas ela era dura demais para permitir-se chora na frente dos outros. Mordeu os lábios com força, implorando para que aquela lágrima insistente não caísse.

"Não, não faça isso." Ele implorou, tocando o rosto dela, mesmo com ela recuando quase que imediatamente. "Não chora, por favor, eu sei lidar com serial killers mas eu certamente não consigo ligar com uma mulher chorando." Era a mais pura verdade, Andy Flynn conseguia lidar com os mais perigosos assassinos de LA, mas jamais conseguiu ver uma mulher chorar e pensar em Sharon desabando diante dos seus olhos fazia seu coração apertar.

"Eu não vou chorar, idiota." Foi tudo que ela disse, em um sussurro quase inaudível. "Você não podia ter investigado o Jack, não deveria ter feito isso."

"Eu, por mais que você não acredite, me preocupo por você, mesmo nos odiando temos que cuidar um do outro."

"Eu não preciso que você cuide de mim, eu preciso de você longe da minha vida pessoal."

Ela continuou andando.

"Para onde você vai?" Ele gritou e ela sequer parou, apenas respondeu.

"Preciso de paz." Gritou de volta.

Ela precisava de paz e caminhou pelos lugares mais estranhos, acabando em uma praia próxima ao hotel. Sentou-se na areia e ficou ali por horas, sentindo apenas o cheiro do mar e som das águas, olhando para as pessoas ali presentes. Ela gostava, desde pequena, do som das águas e usava dessa paixão para tranquilizar-se quando necessário. Sempre que tem problemas no trabalho, após um dia exaustivo ela costumava ir a praia antes de ir para o seu apartamento. Um pequeno refúgio não tão particular mas que apenas Gavin sabia que ela costumava se refugiar.

Já passava das seis da tarde quando Sharon finalmente saiu da praia e foi em direção a um bar, que ficava também próximo ao hotel. Havia poucas pessoas e o bar era pequeno, ela nunca se imaginou em um lugar como aquele.

"O que vai ser?'' O barman perguntou com um sorriso no rosto, talvez ele também, assim como os demais clientes, estivesse um pouco bêbado.

"Vinho." Ela respondeu e recebeu do barman um olhar de descrença.

O homem sorriu como se ela tivesse dito algo absurdo.

"Você realmente vem a um bar para beber vinho, senhorita?"

"Então o que você sugere?"

"Você parece uma mulher ousada, por que não uma tequila?" Sugeriu com um sorriso malicioso.

"Por que não?'' Ela não resistiria, apesar de não ter costume de beber tequila.

O homem colocou o liquido dentro de um pequeno copo e quando terminou Sharon hesitou em beber, olhando diretamente para o líquido dentro daquele pequeno recipiente e virando o copo ela bebeu rapidamente toda a tequila, fazendo careta logo em seguida, sentindo o líquido queimar dentro da sua garganta.

"Mais?" Ele perguntou e antes que ela pudesse responder ele colocou mais tequila dentro de seu copo.

Ali dava início a uma noite intensa. Andy estava no hotel, preocupado, cansado, esperando que Sharon chegasse. Já passava das dez e aquela mulher teimosa ainda não havia chegado e ele já começava a temer que algo ruim tivesse acontecido, farto de esperar, entrando em desespero, Andy reuniu suas forças e foi em busca da capitã Raydor. Implorando, enquanto saia do hotel, para não esbarrar em Julho ou qualquer um da equipe, de deve ter percebido que ela não estava no hotel, e certamente o interrogaram o que havia acontecido entre eles para ela ter saído tão irritada.

Ele tentou ligar para ela, mas parecia que ela simplesmente não ouvia, ou não queria atender, ignorava todas as chamadas, mas ele estava parcialmente certo, ela estava tão distraída em uma conversa com um grupo de homens, que a rodeavam com gargalhadas que sequer ouvia e quando ouviu nas primeiras tentativas dele, negou-se a atender, o álcool havia subido de forma significativa a sua cabeça, misturando por incentivo do garçom, tequila e às vezes alguns copos de cerveja.

Andy rodou por todo o bairro, buscando-a desesperadamente, então decidiu ligar para a única pessoa que podia ajudá-lo, Gavin.

"Bom dia, tenente." Gavin o saudou com um voz descontraída do outro lado da linha. "Posso saber o que o tenente da LAPD quer comigo?'

"Gavin eu quero saber se você por um acaso está ou sabe onde está sua amiga inconsequente."

"Amiga inconsequente?" Gavin sabia a quem Andy se referiu, mas Sharon podia ser tudo, menos inconsequente.

"Sim, a capitã Raydor. Ela saiu pela manhã e eu não faço a menor ideia de onde ela possa estar."

"Já tentou ligar no celular dela?"

"Talvez mais de trinta vezes."

"O que aconteceu entre você e ela para a Shar fugir?''

"Tivemos uma discussão, eu fiz uma coisa da qual não me arrependo e ela ficou brava e foi embora. Não explicou para onde iria, ou que horas voltaria."

"O que você fez agora?"

"Eu pedi para um amigo investigar o Jack, eu sei que tem algo errado com eles dois, mas ela se nega a me dizer."

"Tenente, eu sugiro que se mantenha longe deste assunto, é algo que não lhe interessa." A voz de Gavin mudou de divertida para uma seriedade desconhecida.

"Então você sabe o que aconteceu?"

"Eu sei o que aconteceu mas você é a última pessoa na Terra a quem eu falaria, eu gostaria muito, mas a Sharon me proibiu de abrir a boca sobre isso.''

"Gavin, eu sei que tem algo podre nessa história."

"Andy, é melhor você ir atrás da Sharon, daqui a pouco é onze horas."

"E onde diabos ou vou procurar essa louca?"

"Já tentou em alguma loja?"

"Todas estão fechadas."

"Praia? A Sharon costuma ir lá para pensar, e até onde eu sei tem uma bem perto do hotel, ela pode estar lá."

"Certo, continue na linha."

Andy foi a procura da "inconsequente". A buscou por toda a praia enquanto Gavin no seu ouvido o incentivava a continuar procurando. Foram quase quarenta minutos de busca e nada. Talvez ele devesse seguir o que seu instinto implorava para que não fizesse e ir avisar a equipe.

"E agora, onde mais eu procuro?"

"Você vem perguntar pra mim? Eu não faço a minima ideia e se eu sair daqui agora para ir te ajudar só chego depois das três da manhã."

"Que outro lugar ela estaria."

"Eu vou dar uma sugestão, é louca, mas pode estar certa, se vocês brigaram ela está com raiva e com raiva ela precisa se tranquilizar para não enfiar um garfo na sua jugular então seria melhor você começar a buscá-la por um bar."

"Ela certamente não está em um bar vagabundo, Gavin e você sabe quantos bastem nessa cidade?"

"Andy, não seja idiota, se ela está com raiva ela vai em busca o bar mais rápido seu babaca, procure-a pelos bares mais próximos, agora!''

Andy não podia crer que Sharon Raydor, a mulher dos vinhos estaria em um bar qualquer, mas talvez realmente Gavin estivesse com a razão. Havia um bar próximo ao hotel, Lions. Fazia muitos anos desde que Andy entrou em um bar e ele não conteve a sensação de estranheza. Ele buscou com o olhar, pelo pequeno espaço, algum sinal dela e desejou não tê-la encontrado como encontrou. Sharon estava com o decote de sua camisa de seda branca aberto, sentada em cima do balcão, completamente bêbada rindo de qualquer coisa que aqueles idiotas, tão bêbados quanto ela, contavam, piadas infames e ridículas, coisas que a Sharon sobria jamais faria.

"Oh, não, Sharon."

Andy foi até o balcão e tentou abrir espaço entre os homens

"Andy." Ela o saudou com a voz pesada, seu nível de embriaguez era grande o suficiente para que ela começasse a confundir-se com as palavras. "Eu pensei que você não bebia mais." Sem qualquer motivo ela e os homens riram e Andy revirou os olhos em resposta.

"Nós vamos para casa." Foi até ela mas dois homens se puseram no caminho dela.

"Nós chegamos primeiro." O mais alto disse ainda não permitindo que Andy passasse.

"Sharon Raydor, você vem imediatamente comigo ou eu vou ligar para o time para que eles vejam a situação deplorável em que você se encontra."

"Ligue, eu não me importo mais."

"Amanhã você vai se arrepender amargamente de estar dizendo isso."

Quando Andy tentou chegar até ela novamente os homens se puseram mais firmes.

"Certo, idiotas." Ergueu o distintivo que minutos atrás estava em seu bolso. "Polícia e se vocês não quiserem ser colocados dentro de uma jaula é melhor sair da frente porque essa mulher aí sentada é a capitã da polícia de Los Angeles."

Todos os cinco homens viraram os olhares em direção a Sharon.

"Você realmente sabe ser estraga prazeres, tenente."

Ela estendeu os braços para um dos homens que com delicadeza a levantou do balcão colocando-a no chão, Sharon revirou os olhos ao passar por Andy e antes que pudesse chegar até a porta cambaleou quase caindo, a única coisa que a impediu de entrar em atrito com o chão foram as mãos de Andy em sua cintura.

"Uh, que mãos." Ela tocou a mão dele e sorriu.

"Por que essas coisas só acontecem comigo?"

Com as mãos na cintura dela eles caminharam até o hotel onde, por azar do destino, acabaram por encontrar com Julio. Andy tentou passar despercebido mas o olhar atento de Júlio não pode deixar aquela cena peculiar passar despercebida.

"O que diabos aconteceu com ela?" Havia pavor em sua pergunta, Andy o ignorou e continuou andando, mas não seria fácil livrar-se das perguntas de Julio.

"Você não vai contar nada a ninguém, entendeu?" Andy usou seu tom mais grosseiro possível, tentou intimidar Júlio de qualquer maneira enquanto retirava a mão de Sharon de seu rosto, ela acariciava o rosto dele e ria sem qualquer motivo, era o efeito do álcool tornando-a mais louca. "Digamos que a capitã bebeu um pouco de mais além do comum."

"E o que eu digo para a chefe Brenda?" Perguntou e Andy olhou para ele com uma expressão implorando para que ele não fizesse isso.

"Não diga nada e se casualmente ele vier a perguntar diga que a capitã não sentindo-se bem e que eu estou cuidando dela.''

"O quão idiota você acha que a chefe é?"

"Júlio eu imploro, a Sharon não iria gostar de saber que você espalhou para o time todo sobre o estado deplorável em que ela se encontra."

"Subam rápido. Tente coloca-la o mais erguida possível e não a deixa cambalear." Julio tratou de ajudá-los, apertando o botão do elevador e deixou que os dois subissem sozinhos.

Dentro do pequeno espaço Sharon ria sem qualquer motivo e às vezes bagunçava o cabelo de Andy, que estava recostado na parede no elevador, rezando para que chegasse logo. Eles saíram do elevador e o tenente tentou desesperadamente colocá-la de forma reta, alinhando sua coluna delicadamente, a Sharon sóbria costumava caminhar sobre saltos de forma firme e agora seus pés estavam desleixados, confundindo as passadas e quase cambaleando. Andy agradeceu aos céus por terem chegados ao quarto rapidamente e Sharon foi até a cozinha.

"O que deu em você hoje?"

Andy sentou-se no sofá, acalmando-se enquanto esperava que ela voltasse da cozinha. Ele esperava que ela tivesse ido beber água ou talvez buscar algo para comer, mas quando Sharon regressou à sala bebia vinho.

"Me dá isso aqui, Sharon." Puxou a taça cheia e despejou na pia.

"Sabe Andy" Ela fez uma pausa e pôs as pernas em cima das dele"Você é muito chato."

"E você é uma bêbada."

"Bebada? Eu?" Fez-se de ofendida enquanto colocava a mão no peito e encarava Andy "Eu não estou bêbada."

"Você precisa de um banho, está fedendo a bar e a homens."

Ele a puxou pelos braços, a levando ao banheiro, Sharon quase descaiu dentro do boxe e riu da situação. Ele pensou rapidamente que não poderia deixar a mulher bebada dentro de um boxe sozinha, mas foi aí também que ele se deu conta de que ele teria que dar banho nela. Céus, por que essas coisas so aconteciam com ele?