Capitulo V

James desceu os degraus, apressadamente, pulando-os de dois em dois. Já estava absurdamente atrasado, e os marotos o matariam se demorasse muito mais tempo.

Ao sair do castelo, reconheceu Sirius e Peter, estirados na grama, próximos ao Salgueiro Lutador.

- Você demorou. – resmungou Peter.

- Difícil sem o mapa. – desculpou-se James, mirando o pergaminho cuidadosamente colocado entre os dois amigos.

- Difícil foi para a gente, sem a capa. – retrucou Sirius, levantando-se e limpando as vestes. – E a Evans?

- Dormindo, eu suponho. – ele respondeu, ajudando o outro maroto a se levantar.

- Nenhuma chance de ela ter te visto?

- Não.

- Então vamos. – Sirius guardou o mapa. – Isso vai ser tão divertido...

- Qual é, Almofadinhas? – perguntou James – Você está bem estranho, hoje.

- Não é nada, Pontas – ele dissimulou – Você sabe o quanto eu fico animado com as noites de lua cheia; mesmo que seja terrível para o Aluado.

James deu de ombros, e esperou Peter – já transfigurado – parar o Salgueiro Lutador.

- Você não vem? – ele perguntou, antes de seguir o ratinho para dentro da árvore.

- Já estou indo – Sirius respondeu – Falta só uma coisinha... – Acrescentou, com uma agitação incontida na voz que só não foi percebida por James porque ele já havia entrado no salgueiro, e não ouvia mais o que o amigo ia dizendo.

Sirius ainda esperou um pouco, ansioso, até que percebeu uma movimentação na entrada do castelo.

- Ótimo – murmurou para si mesmo, esfregando as mãos. – Isso vai ser demais!

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O Sonserino ia andando pelos corredores cautelosamente, fazendo o mínimo barulho possível, para não acabar sendo pego.

- A partir de hoje eu vou ter aqueles quatro idiotas comendo na minha mão; ah, se vou...

Sair do castelo com uma capa de invisibilidade até que é fácil. Tentar por sua própria conta e risco é que é muito mais complicado, e o rapaz só não trombou com Filch no meio do caminho por pura sorte.

Ainda sem acreditar que fosse realmente verdade o que ele havia ouvido o traidor do sangue dizer, decidiu averiguar, por desencargo de consciência, e não se arrependeu ao divisar uma silhueta tão perto do Salgueiro Lutador quanto ele jamais vira em todo o seu tempo de escola.

- É hoje – Sentenciou a si, com um sorriso maldoso.

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Sirius e James seguiam o ratinho Peter pelo caminho sujo e mal iluminado que daria no interior da Casa dos Gritos, refúgio de Remus nas noites de lua cheia. Desde o Quinto Ano – quando se transformaram em Animagos ilegais – eles vinham o acompanhando, todos os meses. Remus ficou inicialmente chocado, depois comovido, e por fim, furioso com a atitude dos amigos; mas, depois de muitas conversas e bons argumentos, acabou se conformando e aceitando a companhia dos seus três irmãos de coração – já que as transformações eram bem menos dolorosas na presença deles – e, desde então, eles nunca o deixavam sozinho em noites assim.

- Onde será que ele se meteu dessa vez? – murmurava James, à procura do amigo lobisomem.

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Severus Snape entrou rapidamente no Salgueiro Lutador, com medo de ele entrar em movimento a qualquer instante.

- Lugar sinistro... – murmurou para as paredes. Aquilo parecia um labirinto, que ele não tinha certeza onde daria, mas, a cada passo, começava a imaginar.

Foi tudo tão rápido que o Sonserino nem teve tempo de pensar. Num segundo estava andando pelos corredores escuros do que parecia ser uma casa abandonada, e, no outro, era atacado por um lobisomem alucinado.

- Remus, não! – James gritou, e, logo em seguida, um cão negro investiu contra o lobisomem, tirando-o de cima do rapaz.

James tentou chegar até Snape – que jazia inconsciente no chão –, mas foi interceptado pelo licantropo, que o atirou longe bruscamente.

O que se deu a seguir foi uma luta desesperada, em que os marotos – em suas formas animagas – tentavam acalmar Remus, desviar de seus ataques, não machuca-lo, e tirar Snape ileso; tudo ao mesmo tempo.

O cão negro rolava pelo chão, atracado ao lobisomem, enquanto um cervo tentava arrastar o garoto desmaiado para longe da zona de batalha.

Vendo que não conseguiria carrega-lo assim, o maroto voltou a sua forma humana. Sentindo uma dor terrível no ombro direito, James puxou Snape pelas vestes e apoiou-o em si, carregando-o com dificuldade pelo corredor escuro.

Um uivo nítido denunciou a aproximação do lobisomem, e fez James começar a correr, arrastando Snape de forma não confortável. O rato animago passou veloz pelos dois, em direção aos jardins, e a visão da saída aumentou as esperanças de James. Com energia renovada, ele ajeitou o Sonserino sobre seu ombro bom, e carregou-o através do Salgueiro Lutador, que estava completamente imóvel. Deitou-o no chão e sentou-se ao seu lado, respirando pesadamente.

- Pete, volte! – gritou, ao ver o rato sair do seu lado em direção ao Salgueiro – Espere o Sirius!

O outro parou, obediente, e, instantes depois, o cão passou correndo por ele, fugindo de Remus. Peter pôs a grande árvore a se movimentar novamente, e o licantropo ficou preso na Casa dos Gritos, urrando e batendo nas paredes.

- Pensei que iríamos morrer. – murmurou Peter, jogado ao lado de James, minutos depois.

- Eu também. – ele respondeu, observando o terceiro maroto estirado no chão, alguns metros à frente. – Cuide de Sirius; vou levar Snape à Ala Hospitalar.

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Ainda amparando Snape com o braço esquerdo, James encontrou o interruptor com dificuldade e ligou-o, mantendo os olhos fechados até se acostumar à claridade. A Enfermaria estava silenciosa e vazia, exceto pela terceira cama, onde dormia uma Corvinal com a pele em tom azul royal e três chifres na testa.

Madame Pomfrey saiu de um quartinho ao fundo da sala, de braços cruzados, irritada.

- Potter, o que você... Oh, meu Deus!

- Acabei de tira-lo do Salgueiro Lutador – James falou, rápido, deitando Snape numa das camas com a ajuda da enfermeira – Ele vai ficar bem?

- Creio que sim. – Madame Pomfrey respondeu – Deixe-me dar uma olhada em você.

- Eu 'tô legal... Só acho que machuquei o ombro.

- Hmmm... Não é nada de mais, só está deslocado... – ela falou, analisando o ferimento. Posicionou as mãos no ombro do rapaz e pressionou com força, até ele voltar ao local de origem, arrancando gritos escandalosos de James. – Pronto. Procure não mexer muito. – e sorriu.

- Obrigado. – ele resmungou, mal-humorado, alisando o ombro ferido.

- Agora vá diretamente para a cama! – e enfermeira ordenou, empurrando-o porta a fora.

Ao sair da Ala Hospitalar, James encontrou Sirius sentado do lado de fora, esperando-o. Ele tinha vários cortes e arranhões pelo corpo, e a camisa rasgada, mas parecia inteiro.

- Foi você, não foi? – James sibilou, encarando o amigo com seriedade.

Sirius aparentava querer dizer alguma coisa, mas mal chegou a abrir a boca, e o outro acenou, impedindo-o de falar, deu as costas, e caminhou a passos rápidos em direção à torre da Grifinória.

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James entrou pelo buraco do retrato, com Sirius em seus calcanhares.

- Pontas. Hey, Pontas!

O rapaz parou, ainda de costas para o amigo, e ergueu os braços.

- Eu não quero falar com você agora. – e voltou a andar.

Com as insistências do maroto, James parou, e virou-se para ele, furioso.

- Você quer falar sobre isso? Tudo bem, então, vamos falar sobre isso. Que porra foi aquela?

- Ah, James, qual é! – Sirius seguiu-o até a lareira – Foi... Foi só uma brincadeira, 'tá legal?

O outro passou a mão pelos cabelos.

- De MUITO mau gosto, Sirius. Até para os nossos padrões. – chutou uma cadeira com força – Você não pensa, cara?

Sirius, que havia dado um passo para trás com a atitude o outro, deu mais um, e se encostou na parede.

- Você está exagerando, Pontas. Todos nós sobrevivemos, não foi?

- Por pura sorte! Algo realmente ruim poderia ter acontecido, você não percebe? – o maroto ajeitou os óculos, e sentou no sofá – Quase matamos o Snape. Você quase matou o Snape.

Sirius se indignou com a acusação.

- Hey, eu não fiz nada! Só disse algumas coisas, 'tá bem? Se ele ouviu, não posso fazer nada... Ele foi lá porque quis.

James agora andava de um lado para o outro, assanhando os cabelos nervosamente.

- Não é assim que as coisas funcionam, você sabe. – ergueu os braços, e deixou-os caírem ao lado do corpo – Cristo! Você ultrapassou todos os limites e não admite!

- Não sei do que você está reclamando. – o outro disse, aproximando-se – Nós somos os marotos, fazemos brincadeiras e coisas loucas o tempo todo.

- Claro. Exceto a parte de AMEAÇAR A VIDA DE ALGUÉM!

Sirius soltou uma risada, e acrescentou, jocoso:

- Mas não se preocupe... Temos o Super James para salvar os sebosos e excluídos!!

- Deixa de ser criança, Sirius!

Eles discutiam tão alto que estavam a ponto de acordar a casa da Grifinória inteira. Cabelos ruivos desalinhados e olhos verdes sonolentos surgiram no alto da escada.

- Não sei em que pé anda o relacionamento de vocês, e, pra falar bem a verdade, eu não dou a mínima. Mas todo mundo lá em cima quer dormir – apontou com o polegar para trás de si – então voltem aos seus dormitórios antes que eu lhes aplique uma detenção, sim?

A monitora entrou novamente em seu quarto, sem esperar resposta. Os dois marotos ficaram se encarando por um tempo, até que James deu as costas e recomeçou a andar. Não chegou a dar dois passos, e ouviu a voz de Sirius:

- Hey! Por que você não vai correndo contar para a Evans que salvou a vida do Ranhosinho? – ele gritou, sarcástico – Quem sabe até ganhe uns pontos a mais se beijar o pé dele e implorar por perdão...

O maroto, sem pensar duas vezes, deu meia volta, foi andando até onde o outro estava, e pegou-o pelo colarinho.

- Não me faça bater em você, seu idiota! – largou-o no chão, e foi para seu dormitório.

Ao ver-se sozinho, Sirius resmungou vários palavrões, bateu a cabeça na parede duas ou três vezes e foi se deitar no sofá, disposto a evitar o amigo por um certo tempo.

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Na manhã seguinte, tudo o que se comentava era Snape amanhecendo na Ala Hospitalar, e a briga entre os dois garotos mais populares de Hogwarts.

- E eles estavam discutindo? – perguntou Anya, mordendo um muffin.

- Não, já era quase guerra declarada. – Lily respondeu, séria.

- Por que, será?

- Não faço idéia. Só sei que foi meio assustador, na verdade. Em seis anos, nunca tinha visto eles brigarem.

- Bom dia! – Tiffany chegou, animada. – Parece que James e Sirius vão se divorciar mesmo... – ela sentou entre as amigas, rindo gostosamente – Acordei um pouco tarde, e acabei não vendo, mas ouvi dizer que Sirius dormiu no sofá essa noite.

A maioria das garotas em volta riu.

- Será que era comunhão total de bens? – uma garota ponderou, fingidamente pensativa – Sirius foi deserdado, mas James é muito rico...

Mais risadas. Anya revirou os olhos.

- Você é muito cruel, Tiff. Todas vocês são. – a loira deu mais uma mordida no seu muffin – Os dois são amigos desde sempre, e vocês ficam debochando. Isso é de uma imaturidade incrível, para algo tão sério.

- Que seja. – Risah disse, ajeitado os cabelos com descaso – Aparentemente o namoro terminou de verdade. Olhem lá!

Todas as cabeças se voltaram para a direção em que a morena apontava: James havia acabado de entrar, acompanhado de Peter. Ele tinha uma tipóia no braço direito, e no rosto fracamente marcado por arranhões pairava a expressão de quem não pregou os olhos a noite inteira.

O maroto foi andando, os ombros levemente caídos, até a mesa da Grifinória, sob os olhares de todo o salão, e sentou-se ao lado de Lily, na ponta da mesa. Peter sentou à frente dele, e começou a comer silenciosamente.

- Bom dia, garotas. – James cumprimentou, sem olhar para ninguém específico.

- Bom dia. – todas responderam.

Continuaram comendo sem dizer nada, até que Sirius apareceu na porta de entrada. Ele tinha o mesmo aspecto cansado de James, com ferimentos mais visíveis e sem a tipóia. Passou pelo maroto sem nem olha-lo, e foi sentar-se à outra ponta da mesa, entre dois primeiranistas.

Ao observar James brincando com uma torrada, Lily percebeu o quanto ele estava triste por ter brigado com o melhor amigo. Não se desgrudavam nunca, e devia ser difícil para ele deixar de falar com Sirius. Ainda imaginando qual seria o motivo da briga, resolveu puxar assunto.

- Não que eu realmente me importe, mas 'tá tudo bem, Potter?

- Você não se importa, Evans. – ele respondeu, limpando os farelos da mão – Mas está.

- Oooook. – a ruiva murmurou, sem jeito, e voltou a atenção para suas próprias torradas, sem dizer mais nada. (N/A – ema ema ema! Hahahahah)

O clima pesado perdurou por todo o café-da-manhã, até uma secundanista parar ao lado de James, observando-o curiosamente.

- 'Tá tudo bem? – ela perguntou.

- É.

- Você é James Potter, certo? – ele acentiu. – Profº Dumbledore, Profª McGonagall e Profº Slughorn estão esperando você, Sirius Black e Peter Pettigrew na sala do diretor.

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N/A – Olá, gente! \o/ Dessa vez eu demorei né? oO

Desculpem, é que eu realmente não sabia como escrever a lua cheia, e já tava prometendo faz tempo... Depois de uma parceria que não deu certo, eu pedi ajuda pra JhU, mas acabou que ela ficou sem msn e tal, daí não deu pra gente se falar... O tempo foi passando, foi passando, e ontem um babaca qualquer derrubou um poste na minha rua, e eu fiquei sem luz em casa das 4 às 10 ¬¬ daí eu meio que me dispus a escrever o cap, só pra ver como ia ficar. E até gostei do resultado, o que é MUITO raro, visto que eu nunca elogiei um cap postado... Portanto sejam gentis e não digam que ficou horrível ok? Hahahahahha

Amo todos vocês. Beijão.

P.S. – Por que vocês ainda não fizeram a minha comu no orkut bombar? Por favooooor, gente! aiuhAIUhaiAHoahOAHiah