:Cap6:
Chegando . . .
Konan pulava entre as árvores sem se importar com a chuva que caia sobre si. Apesar do crepúsculo ainda estar longe, ela já estava fraca e cansada. Parou subitamente aonde havia uma continuação do riacho.
Observou os pingos de chuva turvarem as águas do riacho. Arrepios percorriam seu corpo que gélido e ensopado. Caiu de joelhos e começou novamente a chorar involuntariamente. Suas lágrimas se misturavam a chuva.
Ela sabia que, provavelmente, aquele era o último dia em que o veria. Sentiu-se sem esperanças; Seu grande amor não fazia mais parte de sua vida.
Mas não podia simplesmente ficar ali. Mesmo com o coração sangrando, seu ventre carregava o resquício de seu amor:
um bebê; tinha que achar um abrigo. Mas não podia evitar seus sentimentos de tristeza e melancolia.
--''--
Na direção oposta, Pain pulava de árvore em árvore.
Voltava para a base da Akatsuki sem se importar com a chuva que caia sobre seu corpo frio, quase cadavérico.
Uma lágrima deslizou por sua face ao lembrar-se da cena que mais doía em sua memória.
FLASH BACK ON
O quarto estava sendo iluminado pela pouca luz que entrava pelas cortinas brancas. Mesmo tendo paredes acinzentadas e impessoais, o quarto estava tranqüilo. Na cama de casal dormiam Konan e Pain, ambos dividindo mesmo lençol branco para cobrir seus corpos nus.
Konan tinha a cabeça deitada sobre o tórax de Pain. Ele estava acordado, ela dormia em seus braços tranquilamente. Violetas, a fragrância adentrava as narinas do Nagato.
-Konan . . . - chamou-a baixo.
Ela se remexeu. Começou a abrir os olhos lentamente.
-Acorde, meu anjo . . . - ele a beijou levemente em sua bochecha. Konan fechou os olhos com o contato dos lábios dele em sua pele.
-Já? -resmungou ela.
-Vamos temos coisas a fazer! -disse ele numa voz um pouco doce, mas fria.
-Afinal vamos fazer o que mesmo? – perguntou a moça, tentando ganhar mais tempo ao lado do amado.
-Vamos treinar e também mandar um recado a Madara.
-Ahn.
Pain começou a se levantar. Porém, ela continuou deitada o observando.
-Pain. – chamou.
-Sim?
-Vamos tirar um dia de folga? - falou divertida a mulher de cabelos azuis.
-Não. - disse ele dando um beijo rápido.
-Ok! - ela se levantou enrolada no lençol. Ele se dirigiu ao banheiro.
Vinte minutos depois ele saiu do banho com a roupa da Akatsuki. Cheirava ao cheiro doce de maçãs. Konan estava sentada na cama, quieta, olhando o chão. Os cabelos soltos.
Estava feliz como nunca esteve em sua vida.
Ele se aproximou e ficou em pé a frente dela. Estendeu a mão direita a ela.
-Vamos. -disse ele friamente.
Ela segurou a mão dele. Levantou-se. Pain aproximou o corpo dela contra o seu com a mão esquerda. Sentiu o cheiro dela.
-Aishiteru . . . - disse ela sorrindo.
Ele a calou num beijo sensual.
Um momento de felicidade que se acaba.
FLASH BACK OFF
As noites de amor. Era a lembrança que mais doía em seu coração.
E agora, sem motivos, ela estava partindo, se despedindo de sua vida. . . De sua alma.
Continuou a correr.
--'''--
Konan estava novamente escondida em uma caverna próxima ao riacho, ao lado de uma fogueira feita por ela. Tremia e chorava. O céu cada vez mais se escurecia lá fora. A chuva não parava e sim aumentava.
-Por quê? - se perguntou ela mais uma vez.
Mas náuseas se apossaram de seu corpo. Não tinha se alimentado e podia pegar uma gripe. Lembrou-se que estava grávida e não podia simplesmente ficar ali parada. O tempo não era algo que lhe sobrava.
Espirou.
Estava com muito frio. A chuva forte havia ensopado suas roupas, que estavam coladas no corpo. Sentiu-se tonta, levou a mão à cabeça. A fogueira a sua frente queimava ardentemente. Desmaiou.
--'''--
Pain logo chegou a casa.
Jogou-se em sua cama, sem as roupas da Akatsuki.
Queria gritar, chorar, implorar para que Konan não tivesse ido embora. Para que ela continuasse ao seu lado pela curta eternidade que cabia aos dois. Os cheiros, os gostos, os gestos, as carícias... O que era tão importante ao ponto fazer com que ela o deixava nesse momento?
Agora não era mais tão útil pensar nos motivos. Já não tinha seus companheiros, agora seria somente ele.
Sentou-se na cama. Esta estava coberta por uma fina camada de pó, quase imperceptível a um homem.
Tudo não parecia mais do jeito que era. A escuridão se apossava cada vez mais na casa e a solidão adentrava cada cômodo com ferocidade. Onde estava a luz?
Se lembrou . . .
FLASH BACK ON
Pain estava dormindo em sua cama. De pijama verde.
Konan lentamente abriu a porta. Mesmo dormindo, ele sentiu o chakra dela entrando. Fingiu dormir. Ela entrou lentamente, se jogou na cama ao lado dele.
-Oi!Bom dia! -disse ela passando o dedo pelo nariz dele.
-Vai ser bom se você me der mais um beijo! -disse ele com a voz sonolenta.
-Não sei. -disse ela fazendo um biquinho.
-Ta bom!
Sentou-se e começou a fazer cócegas na amada. Ela ria docemente; até que ele parou. Ficou de costas para ela; ela se recuperou da brincadeira e envolveu o pescoço dele com seus braços.
-Eu te amo!
Ele se virou e lhe deu um selinho.
Queria que esses momentos fossem eternos, a linda mulher de cabelos azuis o fazia feliz.
FLASH BACK OFF
A lembrança desses momentos o fazia sentir que talvez a amasse, mas agora já era o caso de esquecê-la. Ela havia partido.
Lá fora, um relâmpago iluminou o céu nublado.
O portados do Rinnegan vestiu a capa da Akatsuki, iria ver Madara.
A noite já havia caído. Entrou na cidade que estava vazia e mal iluminada. A chuva estava mais fina. Mas caia lentamente. Correu até o hotel. Ficou a frente da janela de Madara no hotel e bateu até o Uchiha avisar para que ele adentrasse o quarto.
Entrou no quarto com rapidez por causa da chuva. Havia uma pequena cama e outros objetos tão insignificantes quanto a aquela cama. Pain ficou em pé de costas para a janela e Madara a sua frente.
-O que aconteceu? -perguntou Madara.
-Ela fugiu num momento de descuido meu. -disse Pain.
-Sei . . . - respirou. - Então deixe-a. -suspirou.
Pain se virava para ir embora quando ouviu a voz de Madara novamente.
-Pain. -chamou Madara firme.
-Sim? -falou o ruivo friamente.
-Não estou a fim de contestar seus métodos, mas quero que esteja sempre a par dos passos dela.
Pain não se assustou, mas não faria tal coisa. Ela havia ido embora e assim seria.
-Certo. -disse ele frio.
-E também comece a pensar num substituto.
-Com certeza. - respondeu o ruivo, ainda de costas.
Madara não desconfiou dele nem por um segundo.
Pain saiu. Quando voltou à casa, a chuva já tinha parado.
A lua brilhava solitária novamente naquela noite. E assim seria sua vida a partir de agora: solitária.
--'''--
A manhã caiu, a terra estava molhada pela chuva, mas o sol reinava para secar cada lágrima por ela deixada.
Pain não estava mais em sua cama dormindo, mas sim sentado em um bar com Madara.
Tomavam um café da manhã, sem as tradicionais roupas da Akatsuki. Não sorriam e trocavam poucas palavras. O ruivo num silêncio sepulcral, quase como se não estivesse ali; Não queria realmente estar ali. Queria ter ido embora com ela.
Madara pouco estava interessado em saber mais sobre aquele silêncio.
-É como se nada tivesse ocorrido? - perguntou Madara a Pain.
-Como? - perguntou o ruivo distraído.
-Você diz que não se importou que ela tivesse ido, mas não diz nada. - disse o Uchiha seco.
-Sei lá. - disse o ruivo tentando mudar de assunto.
Pain sequer queria olhar para Madara. Se levantou.
-Até mais. -disse ele quase sussurrando.
--'''--
Muito longe dali, Konan estava caída no chão da caverna. A fogueira havia se acabado, só restavam suas cinzas, mas a luz solar tornava a caverna bem iluminada.
Mas a moça que ali se encontrava não estava bem. Estava febril e fraca.
Um grupo de camponeses que sempre passava por aquela região em busca de ervas raras aproximou-se.
-Vamos descansar! -reclamou um loiro preguiçoso que andava com o grupo.
-Não, temos muitas coisas a fazer! -gritou uma mulher ruiva.
-Só um pouquinho filha. -disse a velha senhora que os acompanhava. - Vamos à Caverna da Luz.
-Hai. - disse a moça.
Começaram a caminhar em direção a caverna enquanto restante do grupo de sete homens e três mulheres continuava o trabalho. Entraram na caverna e se depararam com Konan no chão.
-Quem será ela? -perguntou a moça, checando o pulso da ex-akatsuki.
-Não sei. - disse a senhora parada.
-Ela está com febre. Vou chamar os outros. -disse ela voltando para onde acabara de entrar. – Temos que levá-la para a vila com a gente.
A senhora se ajoelhou ao lado de Konan. Pôs delicadamente a mão direita sobre a testa dela, fazendo com que a ex-akatsuki abrisse os olhos.
-Cuidaremos de você, não se preocupe.
- Onegai... Eu estou grávida... Salva o meu bebê. Não me deixa perder o meu filho... - sussurrou a enferma.
A anciã se espantou; O que poderia ter acontecido com aquela desconhecida para ter ido parar ali, naquele estado frágil e ainda por cima grávida? Isso era um mistério.
Mas um mistério que poderia ficar pra depois, o importante no momento era salva-la, a ela e ao seu bebê.
