Assim como o restante do santuário, a Vila das amazonas mudara muito pouco. Nas ruas ainda faltavam paralelepípedos, as casinhas permaneciam simples e aparentemente aconchegantes, a floresta também era a mesma e a luminosidade do lugar continuava idêntica, fraca e pálida.
Os cabelos compridos de Mel balançavam com a brisa noturna, enquanto a morena tentava encontrar uma casa em especial.
-Tinha certeza que era por aqui... – pensou enquanto deparava-se com mais um beco.
A brasileira já procurava por quase uma hora e deveria ser o quinto beco que encontrava. Mas quando já estava quase fora dos limites da Vila ouviu uma voz familiar. A voz que procurava. Um grito estridente vinha da floresta seguido por um baque seco. Alguns pássaros voaram. Logo depois, Mel constatou que o baque fora uma árvore sendo derrubada. Aproximou-se sem hesitar e não tardou a achar o que procurava.
Shina treinava na arena das amazonas, enquanto Marin e June estavam sentadas na arquibancada, observando. Mel não notou de primeira, mas a cobra havia lançado uma menina contra as árvores, e assim, a derrubara.
-Shina!! – Marin gritou, indignada – vai matar-la!
-Ora Marin! – sua resposta veio carregada de desdém – a pupila é minha. Não se intrometa. – Shina voltou-se para o corpinho caído entre as arvores. – levante-se, Clover! Agora!
A menininha havia crescido bastante. Os músculos estavam mais definidos e sua altura mudara bastante. Aparentava, mais ou menos, dez anos e seu olhar mostrava-se extremamente atrevido.
Melody fitava a menina com orgulho. Crescera e certamente seria muito forte, mas não era para admira-la que tinha ido até lá. Novamente, sem hesitar, a morena desceu as escadas. E só fora notada quando já estava quase ao lado de Shina.
-Quem é você?! – pergunta Shina, com a voz aguda e irritante de sempre – como ousa entrar na vila sagrada das amazonas?
-Mas eu sou uma amazona. Estou até vestida como uma. – responde calmamente – Não foram tantos anos assim, Amazona de Cobra... não me reconhece?
Shina analisou-a atentamente, mas Marin foi mais perspicaz.
-Vocês... quando... Meus Zeus! – A ruiva mal conseguia organizar as palavras.
-É bom vê-la também, Marin. – cumprimenta Mel, abafando as risadas pela reação da amiga.
-E... e.. como está Lea? – a amazona de águia parecia não acreditar no que via.
-Está ótima! E com um belo gancho de direita, diga-se de passagem.
-E Nicky? como está? – June parecia tão sem palavras quanto Marin.
-Está inteira. – disse, sorrindo – todos nós estamos muito bem.
-Uma de vocês não vai estar por muito tempo! – gritou Shina – Desapareça daqui!
Mel não esperava outra reação da amazona. Tentou iniciar uma conversa, mas foi interrompida.
-Tia Mel!!! – Clover acabara de pular no pescoço da amazona de perola.
-Clover... você está muito linda, sabia? – Mel fez a menininha corar com suas palavras – está com um olhar decidido também. Diga-me, qual armadura te espera?
-Taça. – Shina respondeu secamente.
-Se esforce, querida. – Mel passava as mãos pelos cabelos da menina, carinhosamente. – vai ter sucesso. Tenho certeza!
-Obrigada... – Clover parecia um pimentão.
Enquanto isso, Marin, observava Shina, com apreensão.
-Vamos indo, Clover... June... – a amazona de águia parecia interpretar o olhar de Shina com perfeição.
Clover relutou, mas acabou sendo levada por June. Antes de se afastar, a águia disparou um olhar reprovador a Shina. Esta parecia furiosa e embora seu rosto não estivesse mais marcado, ela passava a mão compulsivamente sobre a região outrora atingida pelas garras de Mel. Afastaram-se e logo Mel e Shina estavam sozinhas na arena.
-O que você quer, Amazona de Perola? –o titulo foi pronunciado com certo desdém.
-Só conversar. Não precisa vir com quatro pedras na mão, Shina. – Mel parecia calma, mas, na verdade, não sabia bem o que dizer. "Desculpe por deformar seu rosto e culpa-la pela cachorrice de Milo" não era a melhor opção. Não ia colar.
-O que quer? – Shina repetiu a pergunta, impaciente.
-Conversar. – repetiu Mel, enquanto sua cabeça trabalhava a mil.
-Não temos absolutamente nada a discutir!
-Temos sim... quando sai daqui anos a trás deixei um assunto pendente com você. – a voz de Mel se tornara mais firme.
-Já marcou meu rosto, acabou comigo na frente das aspirantes e dos cavaleiros, e Clover já me perdoou por ter jogado-a daquela forma. – essas palavras pareciam ferir Shina mais que qualquer outra coisa – Não acha que está tudo acerto?
-Eu ainda não me redimi com você. – Mel concentrou-se ao máximo para que seguintes palavras saíssem com naturalidade – A culpa não é sua se Milo era um cachorro. Desculpe ter marcada seu rosto.
Shina olhou seriamente para Mel durante alguns segundos e logo depois soltou uma gargalhada carregado de desdém.
-Você está brincando, não está?!
-Não estou não! – Mel parecia indignada com a reação da mulher.
-Tem muito o aprender sobre os costumes das amazonas... – Shina nutria um olhar malicioso.
-Achei que tinham sido banidos.
-Nem todos, Melody. Nem todos...
Fitaram-se por alguns minutos até Shina vira-se, incrivelmente rápido, e pegar Mel numa chave de pescoço.
-Assim que pedimos desculpas, Melody de Perola – falou Shina, enquanto apertava mais a chave.
-Quer uma luta, terá uma luta! – disse, desvencilhando-se da chave.
Socavam e chutavam em grande velocidade. A luta já se estendia por longos minutos até que Mel comete um erro de principiante. A morena escorrega no chão enlameado da arena e acaba caindo. Shina aponta suas garras para a amazona.
-Erro de principiante... ainda bem que Di não está aqui... – murmurou Mel – Pode me golpear. Meu erro foi de iniciante.Vergonhoso.
-Não, não foi. – diz Shina, enquanto mostrava suas costas. Um hematoma grande e roxo estava marcado – cai mais cedo, também. – fala virando os olhos.
Incrivelmente Shina estendeu a mão para que Mel levantasse.
-Estamos quites. – disse a Cobra.
Mel limitou-se a sorri e aceitar a mão de Shina. Levantou-se. Apertaram as mãos e sorriram.
-Mas ainda sim gostaria de me redimir – Melody ainda parecia sem jeito com o escorregam - Gostaria de fazer um convite...
Amanhecia no santuário. O dia estava perfeito para um passeio na cidade, mas nem todas estavam animadas...
-Saco... – resmungou a inglesa.
Bellatrix perambulava pelo corredor de gêmeos. Estava tão sonolenta que nem sabia o que acabara de comer e nem ao menos constatara que os gêmeos não estavam no local.
Lana permanecia no quarto e parecia melancólica ao olhar para o armário de Bellatrix. A grega achava-se bruta e estranha comparada às outras amazonas. Não valorizava muito bem o que tinha e parecia tremer só de ver um vestido.
-Bom dia. Bella...
-Péssimo dia, Lana. – Bella passou distraida, mas notou que o olhar da amiga estava perdido. – o que foi, Ônix?
-Nada não. – disse voltando a mecher no armário – só indecisa na roupa e...
-Você nunca se preocupou com roupas. – os orbes esverdeados de Bellatrix estreitaram-se – já disse que será perigoso se você apai...
-Não estou apaixonada por ele, Bellatrix Saiph! – exclamou a grega.
-Tudo bem, tudo bem... mas...
-Mas o que? – uma voz medonha ecoou pelo quarto.
A figura odiosa de Ares surgiu. O ambiente ficou pesado e as presentes no recinto ajoelharam-se bruscamente.
-Senhor nós estávamos... – Bella não teve tempo de terminar. As mãos de Ares pegaram as duas pelo pescoço. Erguendo-as do chão.
-Me-meu se-senhor... – Lana já sofria de falta de ar. Os orbes azuis encontravam-se cerrados, enquanto uma imensa dor tomava conta de seu corpo
-Serei breve. Não mandei vocês aqui para construírem amizades. Quero aquele báculo e meu trono de volta. Fui claro?! – ele apertava tanto que mal conseguiram responder – Ótimo. Já fiz uma visitinha para Caroline. – ele soltou-as sem a menor delicadeza ao chão – Espero não ter de esperar mais muito tempo, suas imprestáveis.
Sumiu tão rápido quando apareceu. Lana e Bella pareciam ter falta de ar e um grande hematoma roxo formou-se no pescoço das duas.
-Homem nojento... – sussurrou Bella.
-Odeio quando ele me toca... – Lana parecia ter repúdio do próprio corpo. – vamos nos arrumar logo... pedem estranhar nosso atraso...
-Sim. Mas não saio de casa sem um banho de água sanitária. Desgraçado...
Aquário...
-Verde ou lilás... – murmurou Luh, olhando para seu armário e conferindo qual dos vestidos seria mais apropriado.
- Particularmente prefiro o azul... – opinou Kamus, que observava sua amada, deitado na cama. – mas o verde é muito bonito.
-Já acordou?! – disse tirando o levíssimo vestido verde do armário e colocando-o na cama.
-Por que você tem que ir tão arrumada? – Kamus manteve o tom frio e inexpressivo, mas Luh notou a ponta de ciúmes.
-Vou sair, ursinho. – disse enquanto contornava a cama e sentava-se ao lado de Kamus– não precisa ter ciúmes. – terminou depositando um beijo suave nos lábios do aquariano.
-Não tenho ciúmes. Só não quero que outros fiquem olhando você!
-E que nome isso tem? – disse, divertida – não se preocupe, Kamus de Aquário. Só tenho olhos pra você!
Kamus corou violentamente.
-Agora ande. – disse Lune, fazendo um gesto para que o aquariano levantasse – e me ajude a subir o zíper...
Escorpião...
Milo,
Como você dorme demais e eu não tenho um arco e flecha, resolvi deixa-lo dormir. Seu almoço está pronto e dentro do microondas. Não sei que horas retornarei, então não me espere.
Volto com a surpresa hoje, querido.
Com amor,
Melody
- Está bom... – sussurrou Mel, enquanto guardava o batom.
Sim. Mel escrevera o "bilhete" no espelho do banheiro e com batom vermelho.
- Não é possível que não veja...
Virgem...
-Com licença! – exclamou a belga, enquanto adentrava a sala.
O típico visual leve de Lea não mudara. Usava uma calça jeans clara, justa ao corpo, all star vermelho e regata branca. Os cabelos estavam presos num cabo de cavalo alto devido ao calor. Parecia alegre como todos os dias, enquanto o anel presenteado pelo leonino reluzia em seu dedo.
-Bom dia, Lea – Shaka faz um pequeno aceno para a recém chegada.
-Igualmente, cavaleiro de virgem. – disse num tom brincalhão, pois sabia que Shaka era extremamente sério.- Sah já está pronta?!
Shaka fechou a cara e resmungou alguma coisa sobre: "Roupas curtas e justas" e "Buda condena esse tipo de coisa".
-Já sim. Acho que ela está passando alguma coisa nos cílios, ou seja lá aquilo que vocês usam. – disse levando a xícara de chá aos lábios.
-Terminei de passar "aquilo" nos olhos, loiro. – Sah acara de adentrar a sala usando o tipo de roupa que mais gostava. Corpete vinho, saia de pregas preta, cinto saído lateralmente e coturnos mais pesados que o normal com fivelas vinho.
Dirigiu-se para o loiro e beijou-o com carinho.
-Até mais, loiro. – disse acenando e dando uma piscadela. – fica direitinho. Comporte-se!
Deixaram a sala de virgem, mas Shaka ainda fitava a porta.
-O que eu fiz pra merecer isso meu bom Buda... e por que ela usa roupas tão curtas e justas?! – pensou, enquanto um sorriso incomum brotava em seus lábios. Um sorriso cheio de malicia – Mas ela é maravilhosa...- soltou um ruído de desaprovação pelo próprio pensamento - bom... melhor ir meditar...
Áries...
-Acho que assim está ótimo... nem muito formal, mas arrumada. – murmurou olhando-se no espelho.
Nicky também não mudara a forma de se vestir. Usava uma mini saia preta e um scarpin no mesmo tom. A blusa era social e na cor branca. Esta tinha os botões abertos até sua tatto aparecer e as mangas estavam dobradas até os cotovelos. Cabelos presos num belo coque, e seus fieis e modernos óculos escuros no rosto.
-Voltei, loira. – disse Mu, enquanto adentrava o quarto do casal.
-Onde estava, carneirinho? – perguntou sem desviar a atenção de sua imagem.
-Levei a urna de leão para Aiolia e acabei almoçando por lá. – informou a homem de cabelos lavanda – Está lindíssima!
Nicky corou levemente, enquanto apanhava a bolsa preta ao lado do espelho.
-Já vou, Mu. – Nicky aproximou-se e beijou o ariano com sensualidade. Aquele beijo que só ela sabia dar – Tchau, querido! – completou passando o dedo indicador pela face do cavaleiro e deixando o quarto em seguida.
-Porque escolhi a Deusa do Amor?! – Mu permanecia estático. Era fantástica a habilidade de Nicky de desarmar alguém do sexo másculo com um único olhar. – Vai me matar qualquer dia... (N/A: se ele soubesse que o beijo mata... xD)
Entrada das doze casas...
Carol era a única presente. Não parava de massagear o braço esquerdo e parecia irritada, e impaciente.
Trajava uma calça jeans bem básica, com botas de salto alto até os joelhos, por cima da jeans. Regata preta e um par de argolas grandes e prateadas.
Bella vinha descendo com Lana em seus calcanhares. A inglesa trajava uma blusa branca com decote em gota. O forro da saia ia até o meio das coxas, mas esta se prolonga até os joelhos num degrade de verdes. As sapatilhas eram no mesmo tom da blusa, o gloss da amazona era incolor e o bracelete que usava, no braço esquerdo, com uma pedra jade no centro era o toque final.
A grega trajava uma roupa bem simples. Usava uma jeans com lavagem desbotada, regata azul marinho e sapatilhas no mesmo tom. O colar de Ônix que ganhara de Ártemis era seu fiel companheiro, estava sempre em seu pescoço.
Os semblantes eram os mesmos. Pareciam preocupadas e enojadas.
-Ele fez uma visitinha pra você também, não foi? – Lana observava o braço da amiga.
-Ele disse que já tinha fala com ela, Lana. Pergunta mais tonta! – Bella ainda estava em estado de alerta. Estranhamente atenta e mais perspicaz que o normal.
-Mascara quase nos pegou. – disse Carol – Temos que pensar num jeito de roubar aquele báculo logo, ou vão começar a desconfiar de nós.
-Saga e Kannon não estavam em casa. – informou Bella.
-Demos sorte... – completou Lana.
Estavam indignadas com a atitude de Ares, mas logo pararam de comentar pois Nicky se aproximava.
-Estão esperando há muito tempo? – indagou Nicky – Tive uns probleminhas para achar minha chave.
-Acabamos de chegar. – mentiu Carol.
-Não se preocupe. – completou Lana.
-MENINAS! – Lea minha sorridente pelas escadas, enquanto Sah carregava a típica carranca por ter de descer tantos degraus.
-Então... só faltam Mel e Luh. – Sah constatou – atrasadas... – murmurou baixinho.
-Estamos na hora, senhorita Du Ciel! – exclamou Luh, que vinha descendo com um belo vestido verde oliva até os joelhos e acompanhado por uma bela faixa dourada embaixo do busto. Sapatilhas também douradas e cabelos ao natural.
-Foram cinco minutos gente! Sem estresse! – a morena parecia estranhamente calma. Usava um tomara que caia branco e uma saia acima dos joelhos na cor vinho. Sandálias brancas trançadas até os calcanhares e uma bolsa também vinho. Unhas pintadas de dourado e o colar de morango, que não saía mais do pescoço. (N/A: por que será?! xD)
-Já estamos todas aqui, não é? – observou Lea.
-Sim. Vamos indo. – Nicky tomou a frente. Mas Mel não saiu do lugar.
-O que foi, Mel? – perguntou Lea.
-Ainda falta uma pessoa... esperem mais dois minutinhos.
Ninguém entendia muito bem e nem desconfiava quem poderia ser. Esperaram mais cinco minutos até a amazona de cobra chegar. Trajava um vestido tão verde quanto seus cabelos. Curto e simples. As sandálias eram iguais as de treino, mas o tom amarelo era bem claro, quase pastel.
As enviadas de Ares nada demonstravam, mas o restante estava boquiaberto. Ainda mais quando as duas se cumprimentaram.
-Que parte da história eu perdi? – Lea parecia muito confusa.
-Que coisa... – Sah mantinha o humor de sempre. – que tal acabarmos com o momento dramático? podemos ir logo?
-Certo... – Nicky balbuciou – vamos pegar os carros e...
-Carros?! – Luh parecia ainda mais chocada – como assim? Cadê o Tatsume?
-Já somos maiores, Luh. – responde Mel – podemos dirigir. E eu e Nicky temos carro.
Mais uma vez todas surpresas. E o queixo caiu ainda mais quando virar dois conversíveis, um vermelho e outro preto, estacionados, fora dos limites do santuário.
-O que acharam?! – indagou Mel – presente da Titia.
-Garota mimada... – Carol murmurou para Bella. Esta apenas concordou com um gesto.
-Minha irmã mandou recentemente. – disse Nicky – o meu é o preto.
-Uau!! São duas Mercedes! – a empolgação de Lea crescia a cada instante.
Lana, Sah, Carol e Bella foram com Nicky. A grega guiava Verônique pelos arredores da cidade, enquanto Carol parecia estar se dando muito bem com Sah. Bellatrix encontrava-se distraída. A inglesa observava a linda paisagem da diferente cidade chama Atenas.
O carro de Mel era a maior bagunça. O som estava nas alturas com Girls Just Wanna Have Fun. Todas cantavam animadamente, enquanto seguiam o carro de Nicky.
-Direita ou esquerda? – Nicky perguntou a Lana.
-Direita. E após contornar a praça é a segunda à esquerda. - informou Lana, que parecia estar adorando a sensação de vento despenteando seus cabelos azulados.
-Haha! – incrivelmente a gargalhada de Sah não foi desdenhosa – Hoje promete!!!
Espero que tenham gostado!!! Mandem muitas Reviews!!
E se quiserem pedir alguma cena é só falar! Mandaram fichas e tem o direito de exigir algumas coisas /o/\o\
