Olá pessoal! Aproveitando o feriadão? Eu estaria se não estivesse doente, pra azar dos pecados meu coração resolveu ficar preguiçoso e dolorido! Kkkkk Mas mesmo assim, irei postar o cap dessa semana. Quero agradecer a ajuda da fofa Bloodyrose que betou esse capitulo! Como nunca tenho tempo para revisar meus caps e vivo escrevendo errado, ela me apoio e apoiará nessa! Não sei por quanto tempo, mas irei aproveitar essa bondade! Afinal ela também tem uma vida corria! ^^ Espero que curtam!
E como a felicidade pode se transformar na insatisfação, assim o desespero pode sumir no despertar de uma nova primavera. Com cada dia, pode nascer outro entendimento de nosso estado, nossos laços e objetivos. [Sun Tzu].
...
- Meu Deus, essa mulher é doida de pedra! – Mony não aguentou o comportamento estranho da nova morena. Ela estava abrindo a boca para soltar mais uma frase, quando a porta da cela foi aberta.
Ninguém havia percebido que a pequena interna tinha chegado. Estava deplorável e sem vida. Saya quase chorou com a cena que viu. Coisa incomum para uma mulher que já não sabia mais o que era sentimento de piedade. Rukia caminhou devagar e com aparente esforço. As roupas desalinhadas e sujas demonstravam bem o que havia acontecido. Havia sido estuprada novamente. Nem mesmo Riruka conseguiu falar nada. Nunca pensou que pudesse ver a dor humana tão materializada como estava naquele pequeno corpo. Yoruichi ficou observando à pequena se dirigir ao pequeno banheiro imundo, ligou o chuveiro frio e com violência passou a esfregar a pele descoberta das roupas que agora encharcavam. Ninguém falava nada. Só aguardavam a morena parar de se automutilar, arranhando a pele com as unhas, enquanto filetes de sangue escorriam pelo ralo.
- Pare com isso, pequena! Quem merece esses arranhões é o cretino que te fez isso! Para de se martirizar!
Yoruichi segurou as mãos da garota à frente do rosto. Rukia tinha lágrimas que escorriam junto à água. Os olhos violetas estavam sem vida alguma, como se não existisse mais uma alma naquele corpo sofrido, os lábios tremiam angustiados. Saya aproximou-se com cautela das duas, e com uma toalha cobriu o corpo trêmulo da companheira. Pela primeira vez em dois anos, todas àquelas mulheres tiveram um pouco de caridade em seus corações. Cada uma tomou conta da menina. Halibel enxugou os cabelos curtos, Riruka pegou uma de suas roupas, e Mony ajudou Saya a vestir a garota. Yoruichi continuou segurando as delicadas mãos, como se nesse gesto pudesse passar um pouco de conforto àquela desconhecida, mas que invadiu seu coração.
Passaram vários minutos até que Rukia parasse de chorar e soluçar. Yoruichi a abraçou com carinho maternal e a fez deitar na cama. Saya passou a acariciar de leve os cabelos suaves da garota, até que a pequena pegou no sono. Uma profunda sonolência que já não sentia há anos.
- Quem é essa pequena? Nem parece maior de idade! O que ela fez? –Desatou Shihouin a perguntar para as internas. Riruka ainda tentou dizer algo, mas Saya interrompeu.
- Kuchiki Rukia! A garota que matou os pais! Ela tem vinte anos. Diz ser inocente, e quer saber, acho que ela é mesmo!
- Saya-san... Isso é mentira e sabe disso! – Protestou Riruka, mas levou um cascudo no topo da cabeça pela Halibel, já que com o timbre de voz alto estava acordando a jovem que já se remexia na cama.
- Kuchiki? Hum! Então deve ser o destino ou algo assim. Essa prisão não foi à toa de qualquer forma. Vamos esperar que ela descanse e vou contar pra vocês o que irei fazer daqui alguns dias. Se vocês quiserem sair desse inferno, claro! – Sorriu divertida com os rostos pasmos das internas. O silêncio imperou novamente.
- Que bruta dor de cabeça... Nunca mais fico muito tempo sem...
- Sem o quê Ichigo? Ficou a semana inteira fora de casa e aparece desse jeito? Sua mãe está preocupada e você nem se importa com isso?
Ishin estava nervoso, algo realmente estranho de se ver no pai de família, já que vivia aos pulos de alegria e com um sorriso cativante no rosto. Ichigo ficou um pouco envergonhado por ser descoberto. Mais uma vez deixou sua família em desespero. Mas o quê podia fazer? Se ficava algum dia sem usar droga, sentia o corpo destroçado e sem ânimo nenhum para nada. Não conseguia mais viver sem ela.
- Desculpe, pai! Isso não irá acontecer novamente! – Disse ele sem levantar a cabeça.
Ichigo subiu as escadas da sala onde estava direto para seu quarto, o último do imenso corredor. Viu de relance as duas irmãs na porta do quarto delas com rosto apreensivo. Odiava quando era o motivo dessa feição triste nas meninas. Entrou e se trancou, jogando-se na cama. Levou o braço ao rosto e fechou os olhos com raiva. Involuntariamente começou a brincar com o pequeno pingente do pescoço. De alguma forma, aquela pequena lua branca o acalmava. A imagem da pequena garota da prisão lhe veio à mente. Não sabia o porquê, mas algo nela lhe agradava. Suspirou e levantou-se para tomar um banho e acalmar a cabeça. Imagens da noite anterior o deixaram intrigado. Sabia que provavelmente machucou sua amiga, e isso o fazia ficar mais irritado consigo mesmo.
- Droga, Inuoe, porque simplesmente não nega minha entrada em sua casa? Um dia vou acabar te machucando de verdade! – Falou sozinho enquanto sentia a água escorrer pelo corpo cansado. Olhou para o grande espelho do banheiro e viu marcas arroxeadas ao longo do braço direito. Aquilo era seu estigma pessoal. Seu pecado e destruição, e já não sabia mais como fugir de um inferno que ele mesmo procurou. Tudo por causa daquela mulher. Ele não passava de um fraco, como bem dizia seus colegas. Mas não conseguia tirar de sua mente a dor da traição da pessoa que mais amou na vida. Sim, era um fraco, e não podia negar isso. Ouviu o celular tocar desesperado no bolso da calça jogada na entrada do banheiro. Saiu após desligar o chuveiro e atendeu. Aquele toque era de alguém muito importante e responsável em seu inferno.
- Fala Grimm! Achei que só iria me ligar semana que vem... Chegou alguma coisa nova?
Essa coisa ao qual se referia, era o veneno que injetava a cada dia com mais e mais frequência em suas veias. Sua saúde já sentia os efeitos colaterais da heroína que consumia. Não eram raras as vezes que sentia as articulações doerem ou adormecerem.
- Na verdade não! Só vim te dizer que nessa semana uns amigos meus irão precisar do apartamento por um tempo. Então o quarto da direita ficará reservado pra eles. Não quero que os aborreçam ou faça perguntas idiotas! Muito menos se insinue pras garotas! É um negócio que consegui. Será somente por uns dias, até eles se assentarem na cidade! Entendeu? Era isso! Passar bem. – E desligou sem aguardar resposta do ruivo. Ichigo ainda olhou para o celular com o cenho franzido.
- Quem esse idiota pensa que sou? Até parece! Hunf! Quero nem saber, eu também pago aluguel daquele apartamento, e tenho todo o direito de entrar e sair à hora que quiser... Mas não estou falando mesmo! Grimmjow idiota!
E murmurando irritado voltou ao banho relaxante. Aproveitou para encher a banheira e tomar um banho ofuro. Realmente precisava descansar.
Ishin ainda andava de um lado a outro no escritório de sua casa. Queria derrubar a porta do quarto de seu primogênito e quebrar a cara dele. Como podia ser tão irresponsável e fazer sua linda Masaki sofrer? E ainda tinha suas princesinhas, que estavam morrendo de preocupação. Ouviu a porta se abrir e avistar o motivo de suas irritações entrar de cabeça baixa.
- Satisfeito? Quando vai parar com isso? Quando eu e sua mãe formos enterrados? Fala Ichigo?
- Desculpe... Eu sei que errei em não dizer onde estava, mas... Desculpe-me!
Ishin suspirou e sentou-se na poltrona, convidando com um gesto leve o rapaz a se sentar também. Teria que dar mais um de seus sermões, mas tinha algo mais urgente a tratar.
- Lembra-se do caso Kuchiki?
Aguardou-o assentir com a cabeça. Mais uma vez a imagem do rosto alvo lhe veio à mente e se perguntou quando isso virou rotina.
- A garota que matou os pais?
- Errado! A vítima que foi presa injustamente. Isso mesmo Ichigo, Rukia não pode ser a culpada desse crime, e Urahara me garante isso. Está terminando um dossiê com provas baseadas na perícia realizada na época nos corpos, e já tem plena certeza que não foi a garota. Estou organizando os documentos para pedir a exumação dos corpos para que Urahara possa realizar mais alguns exames complementares! Prenderam uma inocente! Pode imaginar isso Ichigo?
- Isso é impossível... – Gaguejou surpreso. Seria esse o motivo que não o deixava esquecer aquele rosto sofrido?
- Vai me ajudar agora?
- Com toda certeza que sim. Quando pretende pedir o habeas corpus? Devemos tirá-la de lá o mais rápido possível! – Exaltou-se se levantando da cadeira.
- Tem a parte burocrática, filho! Isso irá levar uma semana no mínimo. Mas já agendei uma visita daqui a três dias para falarmos com ela e explicar o que será feito! Liguei para Unohana, mas ela está acamada devido uma virose. Ficou muito feliz pela notícia. Sinto que conseguiremos livrar essa pobre alma de um sofrimento não merecido! – Expressou triste soltando um longo suspiro.
- Isso não será suficiente! Temos que punir os responsáveis por esse erro irreparável. Processar o Estado, o juiz, ou seja lá quem for que colocou o dedo nesse caso! Precisamos calcular uma indenização, que no mínimo será milionária. Onde já se viu? Prender uma garota como ela... Nem em um milhão de anos ela se parece com uma assassina! – Ichigo estava revoltado, e Ishin não resistiu brincar com o garoto. Não era ele mesmo quem não acreditava naquela pequena?
- Então meu garoto está apaixonado pela dama injustiçada? Será o cavaleiro que a salvará? Hein, filhão?
- Está louco velho? É claro que não! Só estou dizendo que precisamos agir rápido! Além do mais, por que só daqui a três dias? Deveríamos agir ainda hoje! – Gritou vermelho de vergonha. Fazia anos que Ishin não via o filho corado e ficou muito feliz por isso.
- Infelizmente, Rukia sofreu uma punição por não cumprir as regras da prisão essa semana. Então ela não poderá receber visitas por duas semanas consecutivas. Três dias foi o máximo que consegui. Mesmo com a alegação de que já tenho provas suficientes a favor dela. – Fez uma pausa e sorriu malicioso. – Mas fazia tempo que não via você parecer um morango maduro. Está corado só de pensar que poderá ver sua adorável dama em perigo? – Riu deliciado com a vermelhidão que tomou conta do garoto até o pescoço.
- Seu velho idiota! Deixe-me em paz! E me dê esses processos... Vou ler no meu quarto. Velho pervertido! – Gritou colhendo alguns documentos da mesa do pai e saiu batendo a porta. Ishin sorriu novamente, mas agora com ternura. Tomou o celular e ligou para sua amada esposa.
- Amor? Acho que logo teremos netos!
Rukia abriu os olhos vagarosamente, e o que primeiro viu foi o pequeno e velho relógio da parede. Marcavam quase dez horas da noite. Não pensou que fosse dormir tanto. Aliás, nunca conseguiu mais do que duas ou três horas. Ouviu as risadas de suas companheiras, acompanhadas de uma voz diferente. A voz que escutou quando tentava rasgar a própria pele.
- Parece que a pequena acordou! Sente-se melhor, Rukia? – Yoruichi perguntou como se a conhecesse há anos. Rukia ficou um pouco desconsertada. Principalmente por lembrar-se de que ela a viu naquele estado deplorável. Abaixou a cabeça com vergonha.
- Não fica assim Tsuki! Yoruichi é muito legal e estava preocupada com você! Estávamos lembrando o dia que você chegou! Foi muito engraçado! Certo, meninas? – Saya estava descontraída e feliz. A menina nunca tinha visto suas companheiras de cela tão felizes. Quem era aquela mulher de olhar de gato?
- Ah! Desculpe-me, não me apresentei! Shihouin Yoruichi, prazer!
- Pra-zer... Kuchi... Rukia! – Cortou lembrando que já não pertencia aquele sobrenome.
- Hum! Bem então onde estávamos? Ah, sim! Sente-se aqui conosco Rukia! Estou informando as meninas sobre como sairemos daqui amanhã à noite! – Contou animada a nova interna. O coração de Rukia acelerou as batidas. Ficou inerte pensando que aquilo era fruto de sua imaginação. Sair no dia seguinte? Como fariam isso? Aquela prisão era famosa exatamente pela dificuldade nas fugas. Eram raríssimas. Não queria ter novamente falsas esperanças, mas mais uma vez algo dentro de si pediu para que confiasse nessa mulher misteriosa, assim como o fez no dia em que conheceu aquele advogado de cabelo peculiar.
- Isso eu quero ver! Esse lugar é uma verdadeira fortaleza! Como faremos isso? – Riruka mais uma vez incrédula argumentou com a morena que não perdia o sorriso no rosto.
- Porque tenho dois gênios do meu lado! Um colega deles já está aqui dentro para iniciar o plano, a outra está preparando nossa saída triunfal, e o outro já nos arranjou lugar para ficar! – Contou sem explicar os detalhes. As mulheres não sabiam se a consideravam louca ou somente uma engraçadinha que queria lhes pregar uma peça. Mas a certeza que era passada por aqueles olhos as confundiam e queriam confiar naquilo.
- Por que foi presa Yoruichi-san? – Saya perguntou para surpresa de todas. Ainda não haviam feito essa pergunta, já que somente tentavam avaliar se a fuga era realmente credível.
- Matei o ministro de segurança!
- O que? – Rukia não conseguia imaginar uma mulher tão bonita e inteligente, como verificou no pouco contato com ela, mataria um ministro. Por que faria isso? Como se tivesse lido seus pensamentos, a morena tratou de responder.
- Ele estuprou minha sobrinha. E como era ministro, ninguém teve coragem de prendê-lo! Só fiz justiça! – Respondeu com desdém.
- Incrível!Você é um achado, Yoruichi! Quero participar dessa sua fuga! – Saya sorriu ao contemplar a moreninha que ainda tentava assimilar as informações. Rukia sentiu que pelo menos alguém se importava com as vítimas de violência sexual. Claro que não concordava com o que Shihoiun havia feito, mas teria feito algo similar se pudesse.
- Ainda acho que ela é doida! – Resmungou Riruka e Mony concordou. Halibel e Rukia eram as únicas caladas. Cada uma com suas próprias cogitações. Rukia sequer conseguia se imaginar fora daquele lugar horrível, e uma palavra que a perseguia retumbava em sua mente. Vingar-se de seus algozes.
Urahara olhava mais uma vez aqueles documentos periciais do caso Kuchiki. Estava claro como o dia, que a garota não era culpada. Levantou-se espreguiçando o corpo e olhou a mesa à frente. Sua colega brincava com o mouse no computador, sem realizar nenhuma tarefa especifica. Estavam ansiosos.
- Grimmjow já arrumou o lugar? – Perguntou com um brilho de curiosidade no olhar. Os olhos verdes cintilaram de modo estranho, mas conhecido pela mulher daquela sala.
- Sim. Também já mandei o idiota do Ganjuu na cadeia. Ele está como cozinheiro. Foi fácil, só precisei subornar o responsável pela contratação. – A bela mulher esticou o braço esquerdo, já que o direito estava cortado. Um acidente que teve quando ainda era soldado nas forças militares arrancou-lhe o braço.
- Acha que Yoruichi conseguirá convencer as colegas de cela a irem junto? Se não fizer, teremos sérios problemas, pois podem dar com a língua nos dentes!
Urahara se abanicou com o leque. Vestia-se com terno verde e um chapéu estranho que raramente tirava, a não ser em eventos que exigiam. Um cientista de renome e muita fama, mas de estranhos gostos. Kuukaku sorriu preguiçosa, imaginando como Yoruichi conseguiria sobreviver na cadeia. Jamais imaginou aquela mulher trancada por muito tempo. Afinal era responsável pelo treinamento tático das forças especiais, além de auxiliar no treinamento de combatentes dos EUA.
- Ela consegue qualquer coisa que quiser! Se Soi Fong não fosse tão inocente, nada disso teria acontecido! Aquela garota é a pupila dos olhos de Shihoiun; não me admira que aquele idiota sentiu sua fúria.
- Are, are! Concordo. Sei como ela fica quando está nervosa! Bem... Então vamos começar! Preciso resolver um caso estranho de injustiça. Parece que o velho Yamamoto está ficando caduco. – Brincou o loiro, para delírio da mulher de cabelos pretos. Amavam desafios, e esse era muito interessante.
- Comam tudo direitinho, garotas! – Ganjuu tentava não transparecer o nervosismo que percorria seu corpo. Uma gota de suor escorreu pela testa. O calor era intenso naquele lugar infernal. Yoruichi e suas novas companheiras chegaram em fila indiana para receber a tosca comida no prato de alumínio escovado.
- Onde? – Falou direta a morena de olhar gatuno. O pobre Shiba se assustou um pouco. Era sempre assim. Sua irmã sempre lhe colocava em apuros. Se fosse condenado por isso, pediria pena de morte para ela.
- No pátio de descanso próximo ao muro sul da esquerda, ao lado dos equipamentos de ginástica. Bom apetite! – Terminou em voz alta, já que estava sussurrando há instantes.
- Adoro fogos! – Terminou sorridente, convidando as novas amigas para sentarem-se mais próximas da saída.
Não demorou muito e um estrondo alto se ouviu no lado de fora. As internas se desesperaram e as policiais corriam de um lado para outro tentando controlá-las. O muro norte, contrário ao do pátio de descanso, recebeu uma explosão forte. A confusão era geral, e ninguém conseguia colocar ordem no caos que se formou. Yoruichi olhou calma para as jovens, e todas, sem precisar aviso nenhum, iniciaram uma corrida desenfreada em direção ao único lugar abandonado, a muralha sul. Todos estavam entretidos com as explosões no outro lado, e sequer perceberam as internas fujonas. Rukia tinha o pulso a mil. Sentia o ar fresco da tarde soprar em seu rosto. Mais uma explosão, mas dessa vez muito mais forte, e a gritaria se tornou geral. Chegaram ao muro, e a pequena porta usada pelos vigias foi aberta rapidamente. Um homem de cabelos azul chamou-as com urgência e irritação. Grimmjow não gostava de ir a campo, mas não teve escolha. O furgão de uso das internas estava com as portas abertas. Ninguém questionou nada, somente entraram com pressa. O carro cantou pneus e saiu acelerado daquele verdadeiro inferno, enquanto mais explosões eram ouvidas ao longe e viaturas avançavam desesperadas para controlar a situação. Ninguém parou o furgão, afinal não tinham tempo para detalhes pequenos como esse.
- Você exagerou Kuukaku-san! Será que morreu alguém? – Yoruichi perguntou sorridente enquanto trocava o uniforme da cadeia por roupas que estavam espalhadas no interior do furgão. As garotas faziam o mesmo. Rukia ainda tinha o corpo entesado de pavor, pensando o que aconteceria com se fosse pega. Nem queria imaginar, mas pior do que já vivia, tinha certeza que não seria.
- Sabe que quando faço meus brinquedos é pra fazer muito barulho! E essas são suas companheiras? – Kuukaku olhou pela janelinha do carona os rostos apreensivos das ex-internas. Saya sorriu com escárnio para a morena que devolveu do mesmo modo.
- As cinco eu levo para o esconderijo, e Shihouin-san irá para meu apartamento até conseguir se arranjar! – Grimm falou enquanto tentava manter atenção na pista. Estava nervoso por não poder ver as mulheres se trocarem. Pediu para Kuukaku dirigir, mas ela riu dizendo como seria interessante dirigir só com um braço.
- Não! A Rukia vem comigo! As outras deixarei com você Shiba! Acho que conseguirá passaportes falsos e poderão viver uma vida nova! – Shihoiun respondeu ante o atento olhar de Saya que não gostou da formação daquele grupo. Afinal, porque Rukia tinha que ser separada delas?
- Discordo! Rukia pode vir conosco e encontrar um país melhor para vivermos! Não concorda Rukia? – Saya aguardou irritada a demora da menina. Riruka sentiu um profundo ciúme com a pequena. Como Saya poderia se importar tanto com ela?
- E-u...
- Ela tem uma vingança para realizar! E eu ajudarei a fazer isso! Ou quer deixar seu algoz livre e sem punição? – Sentenciou aquela estranha mulher de olhos amarelados. Shihoiun mostrou um brilho diferente ao pronunciar aquelas palavras e teve a impressão de ter visto o mesmo nos olhos violetas.
- Nunca! Isso nunca! Quero ir com você Shihoiun-sama!
- Então está decidido! Boa sorte, meninas! É aqui que nos separamos!
O furgão parou no meio da estrada que ainda seguiria muitos quilômetros sem nenhum estabelecimento ou casas ao redor, e um sedan preto e de vidros fumês aguardava no meio fio. Yoruichi e Rukia passaram para ele. Os protestos de Saya ainda podiam ser ouvidos, mas logo os carros se afastavam para estradas diferentes.
O apartamento não era tão pequeno quanto Rukia imaginava. Estava nervosa. Afinal fazia dois anos que não saia daquele lugar escuro, e o brilho daquele lugar lhe fazia lembrar-se de sua antiga casa, apesar da proporção infinitamente menor com a mansão dos Kuchiki. Haviam sido deixadas ali por um estranho senhor de chapéu. O olhar esverdeado dele aparentou surpresa ao Yoruichi explicar que estava acompanhada. Ficou pensando porque ele pronunciou o sobrenome Kuchiki com espanto. Não falou mais nada o caminho inteiro. Quando entraram, Yoruichi estava completamente assentada e ambientada. Tomou algumas cervejas que tinha na geladeira, arrancou as roupas e se meteu no banheiro para tomar um longo e reconfortante banho.
- Rukia, pega uma roupa desse armário do quarto à direita! Grimm me falou que tem uma garota mais ou menos do seu tamanho. As roupas irão servir direitinho! – Gritou de dentro daquele banheiro bem trabalhado. Rukia olhou ao redor e sentiu que faltava uma boa faxina por ali. Aventurou-se para o dito quarto e pegou um vestido amarelo claro de tirinhas. O cheiro lembrava pêssego, e se perguntou se era realmente certo tomar algo sem pedir emprestado. Mas lembrou-se que agora era uma fugitiva. Isso era o menor problema que enfrentaria.
Sentiu-se curiosa e andou pelos cômodos. Se estivesse arrumado, aquele apartamento seria muito bonito. A pintura fresca e viva, os móveis modernos e cheios de cores calorosas. No outro quarto continham roupas masculinas, uma dobrada ao lado da outra, como se fossem de pessoas diferentes. Pelo que conseguiu notar, uma era de um garoto, já que o tamanho era pequeno; a outra de alguém muito magro, pois eram bem apertadas, mas o que lhe chamou atenção foi à roupa despojada guardada mais afastada. O cheiro amadeirado lhe lembrou de alguém. Gostou daquela essência e se perguntou se algum dia conseguiria deixar algum homem se aproximar dela novamente.
Estava tão entretida, que não escutou o barulho da porta da entrada se abrir. Um barulho de cadeira sendo arrastada a trouxe de volta, retornou a sala e quando percebeu a presença de outra pessoa deu um grito de susto.
- Rukia? – Ichigo perguntou pasmo com a morena em seu apartamento. Havia acabado de saber que cinco internas fugiram da prisão de Sereitei, mas não informaram os nomes delas. O deixou muito preocupado, pois temia pela garota. Normalmente nessas confusões sempre machucavam as mais fracas.
- Kurosaki? – Yoruichi saiu nua com água escorrendo pelo belo corpo. Rukia não conseguia pronunciar nada. Seu corpo estava inerte. Temia algo que não conseguia compreender. Talvez nunca mais conseguisse ficar perto de um homem sem temer ser violentada novamente.
- YORUICHI? E por-que es-tá nu-a?
O sorriso de Shihoiun aumentou e avançou para dar um abraço no garoto que há anos não via. A pobre Kuchiki não sabia para onde olhar, já que tinha um belo ruivo na sala sendo agarrado por uma morena nua. Pela primeira vez em anos, sentiu seu corpo relaxar. Definitivamente, aqueles dois eram alguém especial para ela. Quem sabe o que o destino lhe reservou dessa vez? Queria acreditar que seria diferente. Queria ser feliz.
Bem é isso pessoal. Espero que tenham gostado! A coisa ficou quente. Ichigo já sabe que Rukia é inocente, mas o que acontece com ela após fugir? E as outras quatro prisioneiras? Yoruichi e Ichigo realmente a ajudarão? E afinal, de onde eles se conhecem? Enfim, essas e outras perguntas verão nos próximos capítulos. Muito obrigada por todo o carinho enviado pelos reviews e PMs! Beijo a todos e bom FDS prolongado! Ah! E não se esqueçam de enviar meus esperados reviews! Até semana que vem!
JJ
