Capítulo 6

Arrepios ao anoitecer

Hermione desceu novamente para enfim se despedir dos convidados. Os jornalistas do Profeta Diário tiravam as últimas fotos de Harry e Rony, mais de Harry claro, o eleito tem que ter mais destaque, mas logo Hermione também foi requisitada para ver os flashs das maquinas em seu rosto incomodando-a enquanto sorria falsamente para os repórteres que teimavam em fazer as mesmas perguntas de sempre.

Finalmente a Sra. Weasley deu um fim naquela tortura e mandou todos os convidados irem embora, pois o relógio já indicava duas da manhã e todos estavam cansados. Quando a porta da frente fechou após sair o último convidado, restaram apenas a família Weasley, Harry, Snape, Dumbledore e Robert.

Snape falava com Dumbledore sobre algo importante devido à concentração dos dois em cada palavra dita. Hermione adiantou-se e tirou os copos de cima de uma poltrona sentando-se com as pernas cruzadas e observando o professor de longe. Seus olhos não perdiam um único detalhe, desde suas mãos mexendo levemente uma na outra como se não conseguisse ficar sem fazer tal movimento até seus lábios que mal se abriam indicando que ele falava baixo e arrastado para que ninguém além de Dumbledore ouvisse.

Hermione ficava diversas vezes impressionada com o quanto sabia do professor apenas por observá-lo, mas não era assim tão difícil saber suas manias, era apenas uma questão de não virar o rosto para o outro lado quando ele estava na sua frente, mas somente ela não o virava, somente ela o observava, somente ela se interessava.

Por um momento ela pensou no que Robert lhe dissera antes de Gina lhe arrastar para o quarto. Será que ele dissera a verdade? Será realmente que o mestre de poções estava realmente interessado nela?

Não, era mentira, só podia.

Não que ela não gostasse da idéia

Gostava e muito. Snape era, alem de muito bonito, inteligente e intelectual assim como Hermione sempre gostou.

Não negava, pelo menos não para ela, que o professor mexia com seus sentimentos. Mas era impossível. Snape sempre a chamara de insuportável sabe tudo e a humilhava na frente dos alunos. Tal pessoa capaz de tal ato não estaria interessada nela.

Estaria?

Robert mencionara o jeito que ele a olhava.

Mas que jeito?

Nunca conseguiu ver esse jeito, para ela o que via era indiferença.

Suspirou relaxando um pouco mais na poltrona e continuou a observá-lo sem nem ao menos piscar, parecia que naquele lugar não tinha mais ninguém além dos dois. Por um momento, os olhos negros pararam presos aos dela. Seus lábios ainda mexiam indicando que não perdera o fio da conversa, porém não era para o professor Dumbledore que ele lançava um olhar enigmático. Ela não daria o braço a torcer, não desviaria o olhar dele e por isso continuou a encará-lo até que as mãos leves tão bem conhecidas pousaram em seu ombro.

- Pensei que já havia ido embora Robert – Disse ainda encarando os olhos negros do professor que por um momento trouxe um ar diferente, exatamente quando Robert chegou.

Era imaginação sua ou o olhar dele mudou?

O que seria?

Ódio?

De quem?

Dela? Ou de Robert?

Estava diferente.

Porém não para ela, deveria ter sido por algo que o diretor disse enquanto ele estava olhando para ela.

Mas mesmo depois de seu olhar voltar ao normal ele continuava olhando para ela e Dumbledore parecia tão perdido em pensamentos que não percebia que seu mestre de poções não prestava muita atenção nele e sim nela. Ele continuava olhando para seus olhos, para dentro dela. Ela sabia que ele estava lendo sua mente.

- Eu nunca iria embora sem me despedir de minha donzela.

Robert ajoelhou-se na frente de Hermione dando-lhe um beijo casto nas costas de sua mão

- As vezes não entendo você Robert, por mais que eu tente – Disse finalmente desviando o olhar de Snape que também fez o mesmo e voltou a prestar atenção nos olhos azuis de Dumbledore.

- O que não consegue entender em minha simples existência?

- Um dia me força a fazer o que não quero e diz que sou apenas uma mente. No outro me venera como se eu fosse uma deusa.

Novamente Robert havia se aproximado sem que ela percebesse. Suas mãos estavam pousadas em seu joelho e seus olhos brilhavam para ela.

- Não me culpe por ter instintos da espécie primitiva que sou. Cometo atos de que me arrependo. Oh Hermione, tão linda. Povoa meus sonhos.

Robert tentou novamente juntar seus lábios aos dela, mas o olhar de Snape para eles fez com que Hermione agisse no momento certo.

- Robert – Disse colocando a mão em seu peio e o afastando – Está na hora de você ir. Precisamos conversar depois. Não é assim, ainda temos que nos resolver.

- Tudo bem – Disse sorrindo daquele jeito que a encantava – Eu entendo. Realmente acho que precisamos conversar. Espero que um dia venha a me perdoar. Eu preciso ir como você mesma disse. O que é uma pena, pois me distanciar de você é doloroso.

Ele sorriu de leve e abaixou-se para beijar a mão dela levantando-se em seguida e se inclinando para beijar-lhes as bochechas vermelhas.

- Tenha uma boa noite meu amor.

- Boa noite Robert.

- Será que um dia conseguirá esquecê-lo? – Perguntou Gina sentando no braço da poltrona assim que Robert saira.

- Será que um dia deixarei de amá-lo?

- Sei lá, de repente, quem sabe? – Disse a amiga – Vamos dormir Mione? Essa festa me deixou muito cansada.

- Vamos, eu também preciso descansar um pouco.

Hermione despediu-se de todos e subiu as escadas devagar, somente quando tirou a roupa e deitou na cama que se deu conta do cansaço que sentia. Mal virou para o lado e logo adormeceu.

O relógio marcava quatro horas quando Hermione vestida com sua bela e finíssima camisola de seda rosa desceu as escadas devagar esfregando os olhos sonolentos. Foi para a cozinha buscar um copo d'água. A casa estava deserta e fria, ela esfregou os braços com as mãos, mas já estava na porta da cozinha então não voltou para pegar uma blusa, iria apenas tomar um copo d'água e voltar para o calor de sua cama. A cozinha estava banhada em escuridão e era iluminada apenas pela fraca luz de sua varinha que agora iluminava a jarra de água que ela pegava na geladeira, mas segurar a varinha, a jarra e um copo era difícil quando não conseguia enxergar muita coisa e sem querer a jarra de vidro escorreu de suas mãos derramando um pouco de água no chão, com agilidade ela segurou a jarra impedindo que ela caísse e se quebrasse.

- Droga – Xingou ao ver a poça de água no chão aos seus pés.

Ela pulou a poça e deixou para limpar depois. Pegou o copo que ainda segurava e o encheu, levou até a boca e bebeu sentindo o liquido gelado doer em sua garganta. Uma gota escapou pelo canto de seus lábios e descia devagar pelo seu queixo.

- Nunca aprendeu que tomar água gelada com o corpo quente faz mal?

Hermione olhou para todos os cantos da cozinha a fim de saber quem era, porém não via ninguém, nada além da escuridão, a varinha que trouxera estava em cima do balcão à um metro de distância de sua mão.

- Quem está ai? – Disse com um tremor na voz

- Está com medo?

- Não – Mentiu – Isso não quer dizer que eu não queira saber quem é você.

- Minha identidade não seria tão importante assim...

Hermione sentiu o hálito quente em seu pescoço, virou-se e deu de cara com ele.

-... quanto minha localização – Ele completou.

- Professor Snape –Assustou-se – O que faz aqui?

- Esta é a sede da Ordem da Fênix e eu sou um membro dessa ordem, tenho direito de permanecer aqui enquanto minha vida corre risco.

- Risco?

- O que acha que os comensais que fugiram vão fazer comigo quando me encontrarem? Festa?

- Não, claro que não. Desculpe.

Ambos ficaram em silêncio por um momento, Hermione olhava de esguela para ele.

Tão perto.

Tão cheiroso.

Olhar negro que arrepiou a pele.

Mãos grandes e pálidas com dedos compridos que encostaram em seu queixo secando a gota saliente que descia pelo seu pescoço.

- O que faz fora da cama, há essa hora e vestindo somente está roupa?

Hermione olhou para sua camisola. O tecido transparente deixava aparecer os seios com os mamilos rígidos pelo frio. Ela cruzou os braços em frente ao corpo cobrindo-os e sentiu o rosto esquentar de vergonha. Suas bochechas coraram e por mais estranho que fosse Snape gostou de vê-la daquela forma, envergonhada, tímida, tão diferente da mulher que estava na festa à poucas horas, tão distante da heroína que pintavam nas manchetes do Profeta Diário, ali ela era apenas a Hermione de sempre, a menina sabe tudo com quem ele tanto se irritava por ser tão inteligente quanto ele em sua idade.

- Eu estava com sede – Respondeu Hermione ainda sem olhar para ele, apenas olhando para baixo em direção ao peito do homem.

- Percebi. Está frio aqui, é melhor voltar para a .. sua.. cama.

- É melhor mesmo – Disse e baixou a voz deixando escapar um desejo que achou que ele não iria escutar - Apesar de que não são os cobertores a melhor maneira de me esquentar no momento.

Snape sorriu de canto, pois por mais baixa que a voz dela estivesse ele ouviu seu sussurro e era o mesmo que ele queria dizer.

Hermione se aprumou ainda com os braços cruzados e fez sinal de que queria passar, mas ele não se moveu forçando-a a passar ao lado dele, praticamente colada à ele.

O frio parecia ter piorado e as entranhas de Hermione doíam. Achava que algum iceberg havia se instalado em sua barriga. Tão distraída que estava não lembrou-se da água derramada e pisou descalça no liquido.

Escorregou

Sentiu-se cair, mas o chão jamais chegou.

- Será que consegue não se matar uma única vez? Ou gosta que te salvem toda hora?

- Depende de quem for meu herói.