Disclamer: Se Saint Seiya me pertencesse, imagina a weadagy (ainda maior e mais assumida) que seria... S2

N/A: Duas notas antes do capítulo:

1. Quid pro quo é uma expressão que se refere, nas línguas latinas, a uma confusão ou engano; e, nas línguas anglo-saxônicas, a uma troca de favores.

2. Snooker é a famosa sinuca, mas, como aqui no Brasil ela tem regras específicas, usei o termo snooker mesmo, que é mais global.

Orphelin, obrigada pelas revisões todas~


Encounter

Capítulo VI

Only now I realize
That you're lost and you will spin out of control
You're riding your spinning emotions
Rebel Soul - Gotthard


Havia um rapaz de cabelos compridos confuso; um rapaz de olhar solene descrente; um rapaz de olhos verdes-ou-azuis discutindo com um rapaz de apelido duvidoso; e um rapaz com uma pintinha charmosa achando tudo um tédio.

Depois da conversa com Shaka, Mu tinha decidido ir à procura de Aiolia por supor, com razão, que ele estaria livre, visto que Ikki aparecera para assumir a posição que lhe cabia na banda. Assim, após Shaka repreendê-lo por sequer ter trocado contato telefônico com Aiolia – o que teria facilitado as coisas, para não falar que era a atitude coerente a se realizar com a pessoa em quem se está interessado –, Mu encontrou quem buscava próximo de um dos palcos livres, bem no meio de uma discussão.

— O que está acontecendo, Afrodite?

— Vejamos... Lembra quando o Aiolia encostou no meu cabelo na praça? Pois bem! Parece que aquilo virou algum tipo de delírio, envolvendo bolinação, na cabeça embriagada do Máscara da Morte... Sim, ele estava passando por lá e viu.

Mu fitou o rapaz de apelido duvidoso. Ele o conhecia como o namorado, ou algo do gênero, de Afrodite e, considerando que Afrodite conhecia Aiolia, não era de se espantar que o mesmo se aplicasse àqueles dois. Porém, não achou claro o motivo da contenda e ficou sem entender o real problema, afinal, o toque tinha sido tão simples e sem maiores propósitos do que...

— Ah, não é de hoje que eles se estranham – contou Afrodite, desviando o olhar para Mu. – Você fica ótimo de couro – elogiou, fazendo com que o rapaz de cabelos compridos fitasse a jaqueta que vestia. Então, olhou para um pouco adiante de Mu. – Shaka? Isso, sim, é curioso.

— Ele veio com o Ikki – explicou Mu sem delongas, dando alguns passos para a frente, na direção da dupla estressada, tentando entender o que eles debatiam sob o som alto que chegava até ali.

Afrodite enfrentou o rapaz de olhar solene com um sorriso enviesado. Shaka fechou a expressão e assegurou:

— Não há nada entre o Ikki e eu.

— O que esclarece muita coisa...

Enquanto Shaka se perguntava o que aquilo queria dizer, Mu continuava pegando informações confusas no ar. Pelo que entendeu, Aiolia tinha dormido na casa de Afrodite alguma vez e...

— Não importa o quanto Afrodite e você insistam que não houve nada. Acredito nele, mas eu duvido que você não queria! – exclamou Máscara da Morte, apontando um dedo acusador para Aiolia.

— Eu mal me recordo daquela noite, seu louco! Mas de uma coisa eu tenho certeza: tudo o que eu queria era parar de vomitar! – Aiolia exclamou de volta, batendo o dorso da mão contra o pulso de Máscara da Morte, para que ele parasse de lhe apontar de maneira tão irritante.

O rapaz de cabelos compridos franziu um pouco o cenho, associando aquelas palavras com o que Aiolia tinha lhe contado no carro, na noite anterior – a respeito de ter passado mal, na praça, por ter cometido o erro primário de beber sem comer. Afrodite tinha cuidado dele?

— Hm? – fez Afrodite, ao ser questionado. – Ah, sim. Fiquei me sentindo uma babá naquela ocasião.

— Você ajudou alguém? – perguntou Shaka, a descrença palpável em suas palavras.

Quid pro quo – disse Afrodite, dando de ombros.

Shaka não insistiu no assunto. Algo de maior relevância o estava aborrecendo.

— Afrodite, você pretende ficar apenas assistindo? Pelo que entendi, você é o foco da discórdia. E aquele ali não é o seu... namorado?

O rapaz com a pintinha charmosa franziu o nariz levemente arrebitado, algo típico de quando demonstrava desgosto.

— Na cabeça doentia dele, só se for... E por qual motivo eu me envolveria? Não há beleza alguma na barbárie, embora – titubeou, voltando a observar Máscara da Morte e Aiolia – os bárbaros em questão sejam belos.

O comentário fez Shaka estreitar os olhos e perguntar com mau humor, em um tom que somente Afrodite pudesse escutar:

— Se você conhecia esse Aiolia... se sabia que ele era um bárbaro, como falou, por que não alertou o Mu?

O som que Afrodite fez poderia ter sido tanto um riso reprimido quanto um resmungo de desprezo.

— Você está se preocupando demais, Shaka. À toa.

— E você não se preocupa nada. O Mu também é seu amigo, mas, como sempre, você prefere ser indiferente a tudo... Não se importa com ninguém que não seja você mesmo.

Dessa vez, não houve dúvidas de que Afrodite riu.

— Não! Vocês, não – interrompeu Mu, olhando-os com certa aflição. Não podia compreender o que diziam, no entanto, era evidente que estavam se desentendendo. Como se não bastassem Aiolia e Máscara da Morte! – Vocês deveriam me ajudar aqui, e não discutir entre si.

— Fique tranquilo, Mu – demandou Afrodite, dando as costas para o alvoroço. – Não vou gastar meu tempo, tampouco minha beleza, com alguém que se acha o detentor da verdade absoluta. – Afastou os cabelos ondulados dos ombros e saiu andando, deixando todos para trás.

— É difícil alguém ficar tranquilo com você agindo dessa forma... – Shaka observou com azedume, sabendo que não seria ouvido.

O rapaz de cabelos compridos suspirou cansado, balançou a cabeça e resolveu se aproximar dos protagonistas do tumulto.

— Ahn, com licença? – E, como não foi ouvido, repetiu: – Com licença?

— Mu?! – Aiolia e Máscara da Morte se surpreenderam.

— Hmm, por essa eu não esperava – assumiu Máscara da Morte, dando alguns passos na direção do rapaz de cabelos compridos. – Achava que você ia, no máximo, até a praça... Não sabia que vinha nesse tipo de lugar.

— Você nunca sabe de nada – afirmou Aiolia, entrando no caminho dele.

Foi nesse instante que o rapaz com a tatuagem de escorpião chegou, furioso, acompanhado por um rapaz altíssimo.

— Mas que droga vocês tanto discutem aqui? Várias pessoas vieram me avisar desse show... Estão achando que sou o que pra ter que ficar interferindo em brigas?

— Relaxa, Milo, você vai conseguir ter tempo pra se divertir com o Camus hoje...

— Fica na sua, Aldebaran... – resmungou Milo, tendo como réplica uns tapinhas consoladores nas costas que o fizeram bufar indignado. – Só arrastei você junto pro caso de precisar de reforços, não zoa...

Aiolia não os ouviu, atento como estava ao rapaz de apelido duvidoso que lançava um olhar cheio de desconfiança para cima de Mu. Apesar de ter olhar sustentado com placidez pelo rapaz de cabelos compridos, Máscara da Morte não teve dúvidas de que havia algo entre aqueles dois.

— Você parecia ter bom senso, Mu – lembrou, apoiando uma das mãos sob o queixo, analisando-o com interesse. – Você se desperdiça desse jeito. – Ao tentar dar um novo passo, Aiolia o empurrou para trás. – Hey, qual é? O Mu não vai se importar se eu chegar perto dele...

— Mas eu vou. Você está um absurdo de bêbado – acusou Aiolia, virando-se para o rapaz de cabelos compridos. – Vamos sair daqui?

— Presta atenção, hein, Mu – alertou Máscara da Morte, cruzando os braços atrás da cabeça. – Esse aí deve estar tentando criar um harém misto igual ao irmão...

Mu sentiu, mais do que viu, a fisionomia de Aiolia mudar. Era nítida a tensão que tomou o corpo dele só por estagnar no lugar, os músculos se retesando à medida que os punhos se fechavam e os olhos se estreitavam, ainda que o rosto dele parecesse impassível. Se, antes, Aiolia estava meramente aborrecido, agora, ele estava ficando irado. A certeza de Mu veio ao ouvir Milo soltar um ah, não! seguido de um palavrão.

Devagar, Aiolia virou a cabeça e passou a encarar Máscara da Morte de viés.

— O que é que você sabe sobre meu irmão?

— Nada. Estranhamente, você é o famoso... E veja que seu irmão está sempre-...

Cuidado.

— Ora...

— Eu não vou repetir – Aiolia acrescentou, a voz em um nível normal, mas, nem por isso, próximo ao que seria utilizado em um diálogo amigável.

Tudo nele indicava que a coisa ia ficar feia, a começar pela raiva expressa no rosto; o corpo tenso parecia prender a si mesmo, ciente do que aconteceria se avançasse; fúria injetada nos olhos.

— Não tenho culpa se o doce Aiolos atrai e trai pessoas o tempo todo...

E essa foi a última frase inteligível que Mu escutou. A seguir, veio uma enxurrada de xingamentos e exclamações confusas quando o punho de Aiolia disparou contra o rosto de Máscara da Morte, não o atingindo porque Milo tinha se antecipado e segurado Aiolia pelas costas.

Máscara da Morte, passado o sobressalto inicial, ficou irado por quase ter sido golpeado e tentou revidar. Contudo, Aldebaran já o tinha imobilizado e puxado para trás. Mesmo sendo impossível escapar daqueles braços fortes, o rapaz de apelido duvidoso seguiu se debatendo, vociferando insultos para aquele que o segurava e para o que queria atingi-lo.

Nessa história, Milo foi quem teve menos sorte. Seu porte físico era similar ao de Aiolia, portanto, quase não conseguiu segurá-lo e acabou levando uma cotovelada nada delicada no estômago – para não falar nos xingos todos. A única coisa boa nisso foi que, ao perceber o que tinha feito, Aiolia voltou a si e parou de se agitar, limitando-se a fixar um olhar ameaçador em Máscara da Morte, o rosto avermelhado e a respiração agitada.

Por fim, o rapaz de apelido duvidoso gargalhou, como se nada tivesse acontecido, e dispensou Aldebaran com um aceno, indicando que já não tentaria nada. Daí, brincou com Aiolia:

— Você é tão pirralho! Sempre cai nessa... Incrível!

— Você sabe que odeio que falem do meu irmão – Aiolia replicou, soltando-se de Milo.

— E você sabe que não tem como ele ser um traidor... O harém sempre sabe com quem ele sai...

Aiolia revirou os olhos e preferiu dar atenção a Milo, que estava respirando fundo com uma das mãos no estômago.

Tsc, foi mal, Milo.

O rapaz com a tatuagem de escorpião ameaçou:

— Qualquer dia desses, eu vou dar uma surra em vocês dois... – E saiu, com a expressão fechada e pisando duro, a respiração voltando ao normal aos poucos.

— Ah, vá! – Máscara da Morte debochou. – Você só fala, Mi-!

— Vamos assistir à banda! – Aldebaran interveio com bom humor. Um de seus braços envolveu o pescoço de Máscara da Morte, com força o suficiente para que ele não conseguisse protestar nada, arrastando-o para longe dali.

A sensação de alívio que tomou conta de Mu, ao ver toda aquela loucura acabar, foi tão intensa que o pegou de súbito. Ele tinha noção de que estava tenso, era evidente que tinha, só não imaginava o quanto. Se bem que o repentino sentimento de paz se dissipou um pouco ao cruzar seu olhar com o de Shaka. Deu para ler direitinho o eu não disse? nos olhos azuis dele. Mu respirou fundo e piscou os cílios compridos, oferecendo ao amigo seu gentil silêncio.

Aiolia estalou as juntas dos dedos e o pescoço. Seu olhar passou por Shaka – que balançou a cabeça em negativa e se afastou – e se prendeu em Mu.

O rapaz de cabelos compridos o olhou de volta, sem saber como agir a partir daquele ponto, pois a expressão de Aiolia era indecifrável. Vendo-o fazer um gesto vago com a mão, sugerindo que saíssem dali, acabou por acompanhá-lo sem chegar a refletir o ocorrido.

E não é que havia verdade na tal fama?


Havia um rapaz de cabelos compridos intrigado, um rapaz de olhos azuis que talvez fossem verdes silencioso e um caminho a ser trilhado por eles entre as árvores.

Mu continuava sem saber o que fazer ou dizer. Aiolia não havia dito uma única palavra, mas dava para ver que ele permanecia fervendo de indignação. Ele apertava os punhos a cada passo, às vezes bagunçando os cabelos, perdido em pensamentos. Mu estava quase pedindo para Aiolia externar o que sentia em palavras, nem que fosse para sair um monte de imprecações.

Será que ele preferiria ficar sozinho por um tempo? Se tocasse no braço dele, ele iria se esquivar? Se proferisse alguma coisa, aquela irritação aumentaria? O fato de não conhecer muito de Aiolia estava pesando em seus ombros e afetando sua serenidade.

Foi quando o rapaz de olhos azuis-ou-verdes parou de andar, inclinando a cabeça para um lado, como se estivesse ouvindo algo sob o som alto que vinha de um dos palcos. Ele deu alguns passos incertos, atento ao redor, em busca de seja lá o que fosse que o interessou.

Mu o seguiu de perto, tentando compreender. Aos poucos, notou o que pareciam ser várias pessoas conversando...

— E aí, Mu? – cumprimentou Kanon, com um aceno breve.

Ele estava sentado na grama, de frente para um banco de madeira rústico, entre as árvores. No banco estava Aiolos, tendo uma garota sentada à sua esquerda e outra à sua direita. Atrás do banco, em pé, estavam Saga e um rapaz de poucas palavras – como Mu logo notou.

Mal o rapaz de cabelos compridos abriu a boca para retribuir a saudação, o rapaz com a bandana vermelha se levantou de onde estava e alcançou Aiolia com agilidade.

— Um minuto – pediu Aiolos, espalmando as mãos nas costas do caçula para empurrá-lo no sentido além das árvores.

Aiolia se deixou levar com má vontade, emburrado como quem não quer fazer alguma coisa, mas que faz mesmo assim porque sabe que precisa.

— Relaxa! Daqui a pouco, volta tudo ao normal – declarou Kanon, como se soubesse que tinha acontecido algo de errado, convidando Mu para que chegasse mais perto.

Reprimindo um suspiro, Mu se aproximou do grupo e foi apresentado aos que não conhecia: a garota de longos cabelos escuros era Pandora; a de longos cabelos claros era Hilda; e o rapaz de poucas palavras era Shura.

Em seguida, Kanon o persuadiu a contar o que Aiolia tinha aprontado daquela vez, e, no final da narrativa, Mu percebeu uma coisa:

— Ahn... Era de vocês que o Máscara da Morte estava falando com aquilo de harém?

Kanon começou a rir com gosto, virando-se para Saga.

— Nós somos o harém do Aiolos, irmão?

— Pelo visto, sim – Saga respondeu desinteressado, sem nem pensar no assunto, e lançou um olhar enviesado para Shura ao vê-lo acender um cigarro ao seu lado.

— Aiolos é uma pessoa bastante gentil – adicionou Hilda, ruborizando de leve com aquela ideia.

Pandora se limitou a sorrir para o rapaz de cabelos compridos de um jeito tão enigmático que ele ficou sem saber o que ela queria dizer. Se é que queria dizer alguma coisa. Poderia ser uma impressão sua causada pela iluminação que provinha somente da lua ali. Aliás... o que será que eles faziam num local ermo como aquele? Preferiu ficar na ignorância.

— O que você acha, Shura? – perguntou Kanon em tom de provocação.

A única resposta que obteve foi um grunhido, pois Shura tinha o cigarro entre os lábios e os olhos esverdeados fixos no rumo que Aiolos havia tomado com o irmão.

— Desconfio que ofender a mãe não irrita o Aiolia como ofender o Aiolos... Por sorte, eles não caíram na porrada – comentou Kanon, apoiando o rosto na coxa de Hilda. – Eu ia perder a chance de fazer uma boa aposta.

Durante o tempo que ela replicava, dizendo que ele era perverso, e que Pandora se inclinava no banco, para perguntar algo a Saga, Mu preferiu olhar para o lado em que os dois irmãos haviam seguido, tal como Shura.

Por um momento, houve apenas as vozes daquele grupo de pessoas conversando – com exceção de Shura e Mu –, quase abafadas pela música que estava sendo tocada no festival; a fumaça cinzenta que se desprendia do cigarro do rapaz de poucas palavras; e o cheiro de nicotina que se dissipava com o vento.

De repente, houve risos e o rapaz com a bandana vermelha reapareceu correndo, o irmão vindo atrás a passos rápidos. Aiolos piscou um olho para Mu e suas mãos o seguraram pelos ombros, colocando-o à frente do próprio corpo como se pretendesse usar o rapaz de cabelos compridos como um escudo.

— Olha que lindo, irmãozinho! – gracejou, como se Mu fosse algum espécime exótico, assim que Aiolia parou diante deles. – E estava esperando por você... Seja um cavalheiro e dê atenção a ele, sim?

Mu sentiu as faces esquentarem ao escutar aquelas palavras, em especial porque Aiolos o empurrou com suavidade para os braços de Aiolia. Céus, pensou, escondendo o rosto no ombro do rapaz de olhos azuis-e-verdes ao ser envolvido pela cintura, adivinhando que estava todo mundo olhando...

Ao menos, Aiolia tinha voltado com sua expressão usual. Perguntando-se o que Aiolos poderia ter dito ou feito para amansar o irmão, o rapaz de cabelos compridos percebeu que seus ombros relaxavam aos poucos.

Não que Aiolia não tivesse sido um dos motivos de sua tensão...


Havia um rapaz de cabelos compridos olhando ao redor com simulada curiosidade, um rapaz de olhos verdes muito azuis analisando-o com atenção e uma construção que parecia perdida no meio da mata.

Era um tipo de quiosque comprido e sem paredes, de modo que seu teto era sustentado por colunas de madeira; seu piso era terra batida coberta de pedrinhas; ladeando-o, de ambos os lados, havia alguns bancos de madeira tão rústicos quanto aquele em que o grupo de Aiolos estava; e tinha mesas e banquinhos de concreto fora dele, próximos das árvores. Tudo estava em uma área de baixa altitude, cercada por colinas não muito altas. Conforme avançavam, apareceram três mesas de snooker enfileiradas.

— Whoa! – admirou-se Aiolia. – Não tem nenhum casal se pegando por aqui...

— É o que se costuma fazer nesse lugar?

— Ehrm... Sim.

— ...

— Não que eu tenha trazido você com essa intenção – Aiolia apressou a se explicar, levantando as mãos como quem pede paz ou compreensão. – É que, por ser mais afastado, a música soa baixa e tal. Dá pra conversar melhor.

O rapaz de cabelos compridos mordeu o lábio inferior, sem fitar Aiolia. Saiu andando pelo salão, examinando-o sem pressa até parar ante a primeira mesa de snooker. Estava se sentindo... estranho. Com receio de falar com Aiolia e sem saber direito o que pensar. Meio constrangido pela briga toda e meio constrangido consigo mesmo por não saber como lidar com o rapaz de olhos verdes quase azuis.

— Escuta... – Aiolia hesitou um pouco, mas se posicionou ao lado de Mu, olhando-o com cuidado e preocupação, sem ousar tocá-lo. – Foi mal pela, huh, cena lá com o Máscara da Morte – desculpou-se, coçando a cabeça com agitação. – Apesar de ele ter me provocado, sabendo como eu ia reagir, a culpa é minha por não conseguir controlar meu gênio explosivo. Eu tenho esse problema desde... – Pestanejou, constatando o óbvio. – Sempre.

Mu não respondeu nada de imediato, seu olhar sobre a superfície verde da mesa. Aiolia demonstrar ser capaz de assumir a culpa e a dificuldade que possuía era um bom sinal, não?

— Tudo bem... Não é como se eu não tivesse alguma noção de que esse tipo de coisa pudesse acontecer. É que, ver ao vivo, foi um tanto... chocante.

— Tinha noção? Espera... – pediu Aiolia, lembrando-se do que conversaram ao se conhecerem. – Era disso que você estava falando quando mencionou que eu sou meio famoso?

— Sim. Diz-se, por aí, que você é bastante agressivo.

— Acho que deu pra notar que é verdade...

— E que é impaciente.

— Sou, sim...

— E que não hesita em partir para a agressão física.

— Se tiver um bom motivo, como hoje, não mesmo...

— Que já quebrou diversos ossos.

— É capaz...

— Inclusive, que se irrita até com seus amigos.

— Mas nunca bati em nenhum deles. OK que eu acertei o Milo, mas foi sem querer... E tem como não se irritar com o Milo?

Mu ponderou. Pelo que observara, aqueles dois irritavam um ao outro com frequência. Em todo caso, parte do que presenciou elucidava o motivo de tantas pessoas parecerem intimidadas ao passarem perto de Aiolia.

Mas... e quanto àquelas que ele não conhecia e que faziam questão de cumprimentá-lo? Bom... a julgar que o estopim para Aiolia atacar Máscara da Morte havia sido difamar Aiolos... Será que...?

— Você costuma se envolver em brigas para defender outras pessoas?

— Direto. Detesto injustiças.

O rapaz de cabelos compridos piscou e, pela primeira vez desde que haviam se separado para que Aiolia fosse tocar bateria, olhou dentro daqueles olhos verdes repletos de azul. Ele estava sendo sincero. O que, aliado ao fato de que estavam se conhecendo, fez Mu respirar aliviado.

Só que alguma coisa continuava a incomodá-lo.

Talvez fosse a percepção de que teria de dar maior crédito aos avisos de Shaka.

Continua...


N/A: Tem que ter umas tretas, né, mores? -q Se não rolar umas confusões, não é uma fic minha (quem leu Change of Heart sabe :x)... :~

Estou pensando em dar uma pausa com as atualizações - já que a correria de final de ano pelo visto está deixando todo mundo sem tempo de ler e comentar - e voltar em 2017. Eu entendo quem demora a comentar por isso (normal, também estou na correria), mas não quem não comenta nunca. Se este não é o problema, deixe uma review pra eu saber que você existe e que, sim, está lendo a fic :3

Obrigada aos queridos que comentaram o capítulo anterior: Orphelin, Chibi Haru-chan, Tharys e Svanhild S2