Capítulo VI

Cavaleiros de Ouro – Uma epopéia no acampamento

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Shun ainda sorria meigo, mas lançando um olhar penetrante o suficiente para fazer Aldebaran recuar.

- Então – Começou Shun – Vocês quem tentaram matar Aiolos duas vezes?

- Tolice, Shun – Riu Afrodite – Nós vimos que você estava por perto e resolvemos pregar essa peça – Agora dava gargalhadas falsas – O.k, foi de mau gosto pelo estado de Aiolos, mas foi brincadeira.

- Você não parecia brincar quando disse sobre recolher as drogas. – Cortou Shun.

Aldebaran suava furiosamente. Estava nervoso, os olhos marejados e vermelhos. Como podia ter deixado a história chegar à este ponto? E agora, se decididamente descoberto, o que iria fazer? Ele quis ajudar Afrodite com uma desculpa, mas sua mente rodava vertiginosamente.

Alguns cavaleiros perceberam a pequenina aglomeração. Não teriam dado bola, mas quando viram Shun, Aldebaran e Afrodite acharam o fato curioso demais.

Shaka rapidamente se aproximou, pois tinha certeza que o assunto era Aiolos.

Foi quando todos foram surpreendidos, no que parecia ser o fim da discussão.

- Vocês não vão nos pegar! – Dizia Afrodite – Corra Aldebaran! – E saiu na velocidade da luz.

Aldebaran simplesmente continuou parado, com suas pernas que pareciam ter sido presas com cimento.

- E você, não vai fugir? – Disse Shun calmamente, dando uma risada levemente sombria.

- N-não... Eu... Eu me rendo... – Concluiu Aldebaran, de joelhos e lacrimejando.

- Rende-se? Então você é culpado? – Continuou Shun com seu sorriso calculado.

- Sim. Saiba, vou contar a história como realmente aconteceu – Disse Aldebaran, novamente de pé, firme – Pode fazer o que quiser, mas não agüento a mentira. Primeiramente, o porquê da história é um tanto confusa e constrangedora. É que... Bom... Eu... Gosto demais do Aiolos. Me entende? Excede. Não dá... E não suporto ver Shura assim tão perto dele.,

Shun não interrompeu o conto de Aldebaran. Compreendia que o mesmo estava apreensivo e dissera que não contaria mais mentira. Era uma questão de poucos minutos para a verdade absoluta. E interrompê-lo seria besteira.

- Bom, então eu bolei um plano... – Continuou Aldebaran.

Shun arregalou suavemente os olhos, um tanto surpreso. Aldebaran nem de longe era burro, pelo contrário – era inteligentíssimo. Mas bolar coisas assim não era bem seu perfil. Ainda sim, não interrompeu o amigo.

- A questão era: Como pregar um susto em Aiolos? Admito que havia uma falha, um abismo enorme no plano. Sim, o susto faria Aiolos pensar que quem o fez fui eu, por causa de Shura? Não, claro que não. Mesmo que pensasse, ele duvidaria. Mas quando eu parei e realmente pensei, era tarde demais.

"Bom, não foi difícil. Forjei uma placa. Não perguntem como. Coloquei uma substância, denovo não perguntem qual, no copo de Aiolos. Não sabia o que ele estava bebendo, mas O.K. Ele adormeceu pesadamente, mas logo a coisa fez efeito. E ele despertou. Eu estive o tempo todo acordado, seria ótimo. Foi quando me deparei com Afrodite, fora da cabana.

"Aiolos demorou em ir até o brinquedo. Então deu tempo dele me dizer que também queria pregar uma peça em Aiolos. Ele gosta de Shura. Então concordamos em machucá-lo, mas de leve, apenas cortinhos. Afrodite teria Shura e eu Aiolos.

"Mas Aiolos quase passou reto pelo brinquedo. Sabíamos de uma coisa sobre Aiolos e brinquedos daquele gênero. Então, como atraí-lo? Pegamos uma peça de minha armadura, sei que fui o único, mas trouxe pro caso de precisar. Então, apontamos contra o luar alto, que fez a peça brilhar. Então Aiolos virou-se para o tal brinquedo, que chamou a atenção dele no mesmo instante.

"Estávamos muito perto. Havíamos preparado todo o chão, tudo. E a placa, antes que perguntem, Aiolos jamais iria vê-la, mas serviria para enganar a vocês, fazendo com que Aiolos passasse por imprudente. Enfim, eu estava do lado da parte com mais ferros, e Afrodite nuns tablados.

"Saiu como o planejado. Tudo despencou. Inclusive eu – o que não estava previsto. Me agarrei num dos ferros, inutilmente. Mas foi o suficiente para eu não cair pois consegui me equilibrar batendo num baque com minha perna direita. Mas o ferro continuou, soltando de minha mão. E como eu cai com a perna direita, o ferro foi caindo, mas projetado para frente, como um espeto. E foi aí que ele se machucou de verdade, afinal a queda só tinha dado uns arranhões.

"Eu olhei para Afrodite. Jamais esperaria que ele fosse correndo para a barraca. Fui obrigado a ir também, caso quisesse que tudo desse certo. Então o grito na outra manhã, de horror, como Shaka viu, foi encenação. Eu sabia daquilo. E acordei ainda mais cedo. Afrodite agiu indiferente.

"Então chegou a hora da encenação. Tudo o que fizemos, falamos, foi praticamente um grande teatro. Então, Afrodite sugeriu: 'Por que não drogar Aiolos de vez? Aí ele tem uma convulsão e morre'. Eu achei uma barbaridade. Disse que jamais o faria, então ele ameaçou me drogar também. Fiquei atordoado e com medo, e assim quase matei Aiolos denovo.

"Agora compreendo que foi um erro. Podia ter matado Aiolos, além de que bastava conversarmos para chegar a lugar algum".

E assim aldebaran concluiu sua história.

- Compreendo tudo. Compreendo você. Não há nada que eu possa fazer, a menos que vocês, companheiros de Aldebaran, desejem que a Comissão de Julgamento Interno faça algo. Enfim, eu só lanço a pergunta: Onde vocês arranjaram essas drogas todas? – Questionou Shun, absolutamente impassível.

- Não sei se posso dizer, mas... Com... – Aldebaran começou a sussurrar – Na barraca de Máscara da Morte

Shun esboçou, novamente, um início de surpresa. Mas, depois de tantas confissões e uma história de reviravoltas que Aldebaran acabara de contar, ele apenas tracejou isso por segundos.

- Meios ilícitos não são permitidos aqui. Regulamentações rígidas, além de uma situação complicada. Vocês têm noção do que foi essa história? – Shun expôs calmamente.

Nesse instante, Máscara da Morte havia chegado e já sabia, inexplicavelmente, que seu nome tinha sido citado. Ele demonstrava-se claramente nervoso, como em quase toda situação.

- Guarde seu veneno, cobra chapeleta! – Disse MdM à Aldebaran – Quem mandou você fuçar nas minhas coisas? E revelar? Mas saiba senhor Shun – continuou meio ironicamente -, que isso não é meu. Bom, confesso que minha família é meio assim, então... Meu irmão me mandoueu esconder essa coisa toda em algum lugar. Aproveitando a viagem, ia esconder na terra ou jogar no rio. Mas tem gente que ouve a conversa alheia e ainda mexe nas coisas.

- Desculpe, me desculpe mesmo! – Redimiu-se Aldebaran. – Foi Afrodite quem encabeçou tudo, tive que cumprir, estava sob ameaças.

- Ok, ok – Replicou Máscara da Morte com impaciência.

- Enfim, eu nada posso fazer. Aldebaran, considero seu testemunho válido e desacredito que Afrodite terá uma defesa, diante de sua fuga e do que você disse.

- Deixa, Shun – uma voz disse – É besteira. Não quero punições, nem pro Afrodite. Agora vamos, não quero ninguém aqui feito batata tonta.

- Aaaai! Esse só pode ser Aiolos! É barata tonta, Olos.

- Ah, desculpe, foi um bacilo. Enfim, tudo se encaixa na história de Aldebaran. Não o culpo – Aiolos disse à Aldebaran – Mas era simplesmente você conversar comigo. É passado. Mas na hora eu tremi que nem vaca verde. E fui pego de chupetão. Desculpe te desapontar, mas eu infelizmente não... Gosto de você. Aliás, gosto como amigo, apenas isso.

- Ok... – Disse Aldebaran extremamente deprimido.

- Mas agora vamos nos inspirar na frase de Mahatma Gandhi, dita em Waterloo: "Paz e Amor, bicho". Então, sem rancor nem nada. Ok?

- Ok – Disse Aldebaran ignorando a pérola de Aiolos.

Era então o último dia de estadia dos cavaleiros. Preparam suas malas e iriam sair após o almoço.

Porém, antes do almoço, todos de malas prontas, o clima estava desanimado

- Sabe, não deu nem pra sentir falta do Santuário – Disse Kanon.

- Ah, mas pra isso eu ia precisar de mais uns 8 meses! – Retrucou Saga.

Mesmo assim, ninguém decidia o que fazer. Então Afrodite pronunciou-se:

- Vou tomar um pouco de sol! – E pegou seu guarda sol, deitando debaixo dele.

Aioria, Shura e Aiolos resolveram andar pelo local. E acabaram indo para o Bar.

- Primeiro vou comer essas coxinhas fritas, estão apetitosas! – Exclamou Aioria, sendo seguido por Shura e depois por Aiolos, mesmo que estivessem perto da hora do almoço..

Não demorou até que a barriga de Aioria doesse.

- Coxinhas não caem bem! Droga, droga! – Dizia Aioria enquanto ele corria para o banheiro. - Interditado?! Ai meu Zeus!

- Tive uma idéia. Pegue aquele guarda-sol do Afrodite e ponha-o na sua frente, vá para uma moita e seja feliz! – Sugeriu Aiolos

- Excelente!

Afrodite que estava dormindo nem percebeu que seu guarda-sol havia sido retirado, recebendo assim os raios de sol diretos.

Enquanto isso, Aiolos e Shura foram ver o jogo de futebol que ocorria num campo perto dali.

- Eu quero apitar! – Disse Mu que saira do jogo para dar lugar para Aiolos jogar.

- Toma! – Disse Saga passando-lhe um apito.

- Como apita? É pra fora né? – Perguntou um Mu ingênuo.

- Não, não, você vai sugar o ar, entende? – Respondeu um Shura irônico.

- Ta bem! – Disse Mu enquanto puxava o ar para dentro. Logo, engoliu o apito.

- Mas por Zeus! Será possível?! Eu estava brincando! – Disse Shura preocupado, chacoalhando o amigo.

- Oras piii seu piii mente-piii-capto! Piii! – Disse Mu irritado e assobiando ao som do apito.

- Rosas Diabólicas Reais! Volte aqui! Morra seu maldito! – Corria Afrodite, irado, atrás de Aioria.

- Mas foi por uma boa causa! Ai! Calma, eu pensei que você tivesse passado protetor! – Corria Aioria. – Eu não imaginei que o sol fosse te fritar! Ai! Para com essas rosas! Aaai!

Como Afrodite, que de para Peixes pulou para Camarão, estava queimado demais pelo sol e todo ardido, não pôde correr muito mais tempo atrás de Aioria.

- Maldito, pegou meu guarda-sol. Ai, ai, ta ardendo tudo!

Shura voltara até o bar, queria algo para comer. Por fim, comprou só um ouzo. Foi até uma pista de areia circular. Aldebaran, que passava por ali, viu algumas pessoas correndo.

- Peraí, pessoas desgovernadas atrás do Shura... Só pode ser um arrastão! SHURA! COOORRE! – Gritou Aldebaran.

- Um o quê?

- Vão te linchar! SOME DAÍ!

- Ahhhhh! – Dizia Shura correndo com seu copo de suco na mão.

Só não sabiam que ali estava acontecendo a Pré-Corrida Eliminatória da Grécia. Aquele acampamento fora escolhido para sediar o mesmo, pois foi o único que de dispôs.

- Mas o que acontece por aqui? – Disse Shun aparecendo do nada, olhando tudo o que acontece. – Shura com suco na mão na primeira posição da Pré-Corrida da Grécia, Afrodite como o "homem camarão", e Mu como o "homem apito". Fora que todas minhas redes de futebol, vôlei e tudo mais estão rasgadas, assim como a janela de meu escritório quebrou por causa de uma bolada.

Enquanto isso, a partida de futebol acabou e alguns cavaleiros resolveram nadar. Camus que estava prestes a pular assustou-se com um bicho, tacando-lhe um Pó de Diamante. Mas o bicho em questão estava dentro da água, congelando tanto o bicho como os cavaleiros que lá estavam.

Milo foi tomar um banho, mas, irritado pelo fato do banheiro estar interditado por problemas técnicos, lança uma Agulha Escarlate, furando um cano – e terminando de destruir o banheiro. Preocupado, tenta tapar o buraco e cessar o vazamento.

Já Aiolos e Shaka estavam assistindo tevê. Mas, de tanto mudarem de canal pela briga pelo controle remoto, acabam causando um curto-circuito, que começa a pegar fogo.

Então Shura ganha a corrida, sem entender nada, Afrodite continua reclamando, Aioria volta pra moita, Mu continua um apito ambulante, Saga, Kanon, Dohko, Máscara da Morte e Aldebaran estão congelados na água, enquanto Camus se desespera, Shaka e Aiolos tentam conter o fogo que colocaram na tevê da área de lazer, Milo tenta parar o vazamento do cano.

- Ai que Zeus me acuda! – Gritou Shun. – Quer saber, me demito. Esse acampamento está fechado!

Os cavaleiros que estavam congelados derreteram. Estressados, cada um resolveu partir antes mesmo do almoço. Shun e Radamanthys quiseram ir junto. Todos pegaram suas malas e partiram. Mas Aiolos ficou consertando a TV.

- Acabei. Pessoal? CADÊ TODO MUNDO!? EU TENHO MEDO DE FICAR SOZINHO! SOCORROOO!! – (Música de encerramento ao fundo, enquanto Aiolos olha pros lados desesperados).

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FIM!

Bom pessoal, eu só quero dar um comentário final;

Muito obrigado à todos que acompanharam à fic e deixaram suas reviews. Como primeira fic, foi realmente bom e motivador.

Agradecimento super-especial pra E-Pontas que me incentivou. Bom, não sei se o final ficou engraçado, mas eu gostei e espero que tenham gostado também.

Agora estou trabalhando numa outra Fic, de Saint Seiya também. "Um aniversário pra chamar de seu"

Aiolos: Eu quero ser o próximo contrabandista da fic das oito!

Eu: Aiolos...

Aiolos: Enfim, eu sei que você pode mudar o nome à qualquer momento. Gente, não confia nele! Mas esse título foi uma idéia genital!

Eu: Olos, se continuar assim vou ter que te abater a tiros! Enfim, até pessoal! (Mesma música de encerramento)