Capítulo 5 – Desconfiança
Abriu os olhos, devagar, certo de que não queria saber qual era sua atual situação.
- Draco! – ouviu a voz da sua mãe um pouco distante. – Por Merlin, o que está fazendo aí? E... O que tem no rosto? Por que está...?
"Ela fala como se fosse minha escolha estar assim!", pensou, já irritado. Com os olhos abertos, fitou sua mãe, descobrindo que ela estava diretamente abaixo dele, expressão de preocupação. Havia algo pingando do rosto dele também e duvidava que quisesse saber o que era exatamente, o estrago no carpete abaixo dele já era nojento o suficiente.
- Draco? – ela insistiu.
Tinha intenção de mandá-la embora, quando percebeu que não podia falar. E que estava fedendo. Preso no teto, cheio de meleca de nariz em seu rosto e fedendo. Também sentia sua pele arder por algum motivo misterioso, mas provavelmente, horroroso.
Ele odiava todos os ruivos do universo.
Confusa com o estado dele, sua mãe tirou a varinha do bolso e apontou, quebrando a azaração e o levitando delicadamente até o chão. Ainda estava coberto pela substância esverdeada, mas podia se mexer.
- O que aconteceu? – perguntou outra vez, enquanto cortava a gosma que cobria sua boca e o impedia de falar. – Você está bem?
Mordeu a resposta brusca que tinha em mente, mas precisava da ajuda dela.
- Fui atacado, o que acha que aconteceu? – retrucou, percebendo que o tom revoltado não sumiu por completo. – Por aqueles gêmeos Weasley.
Abria e fechava a boca, testando o quanto podia abrir e o gosto da substância estranha invadiu suas papilas, lhe dando náuseas. Enquanto isso, ela continuou limpando as roupas dele, o cheiro permeando o corredor todo.
- Mas... Por quê? O que você fez Draco?
Ela não estava brava, mas a decepção e tristeza em sua voz foi pior. Estava furioso e ofendido por ela jogar a culpa nele, sem nem mesmo considerar que talvez ele fosse inocente!
Claro que ele provocou a situação ao atacar Potter, mas aqueles gêmeos estavam atrás dele antes de o idiota aparecer na casa, ávidos para atingi-lo, simplesmente porque ele era um Malfoy e eles eram Weasley.
- Não fiz nada! – defendeu-se, coçando a pele avermelhada que se revelava cada vez mais ao ser limpa da gosma verde. – Estava cuidando da minha vida quando eles decidiram me atacar!
Não pareceu convencida, mas graças a Merlin mudou de tom.
- Tudo bem, acredito em você. É só que nos últimos dias... Você esteve tão distante e diferente. Nunca vi tão amargo assim comigo. Estou com medo que... Tenha mudado. Que me odeie.
Desviou o olhar, parte dele odiando magoá-la. No entanto, odiava ainda mais a situação em que ela os forçou a viver.
- E de quem é a culpa disso?
- Draco... Se me deixar explicar vai entender o meu lado! – suplicou, uma das mãos no rosto dele.
Afastou-se rapidamente, ignorando que ainda pingava por todos os lados e precisava de ajuda para curar o que quer fosse a causa da coceira. Infelizmente sua mãe insistiu, seguindo-o.
- Entendo que esteja furioso comigo, mas me deixe pelo menos ajudar. Que tipo de mãe eu pareceria se deixasse meu filho andar pela casa nesse estado?
- É só isso que importa? Como você vai parecer na frente dos outros?
Ela suspirou.
- Não. Claro que não. Quero ajudá-lo. Você é a pessoa mais importante para mim, querido. Tudo o que faço é para você e seu futuro.
Revirou olhos, mas por dentro estava hesitando. Estava completamente sozinho naquela casa e azarações e insultos eram apenas o começo. Queria, no fundo, acreditar nela e aceitar a sua ajuda, porém, confiança era algo que uma vez perdida, dificilmente era recuperada.
- Faça-me um favor e pare de fazer coisas para mim – respondeu finalmente, sério.
Voltou para o quarto e passou o resto da tarde coçando cada centímetro de pele exposta enquanto a outra mão tampava o nariz para proteger do cheiro grotesco de suas roupas, jogadas em um canto do quarto. Estava vermelho como um tomate, tudo ardendo e incomodando. Seu dia, que tinha começado tão bem, se tornou rapidamente um desastre. Ele realmente odiava aquela casa e todos os seus moradores.
À noite, depois de um longo banho e após muitas coceiras, o vermelho começou a diminuir e cheiro não mais empestava os cabelos. Ignorou a fome e não desceu até a cozinha, preferindo evitar qualquer encontro com sua mãe ou algum dos ruivos infernais. Ouviu uma comoção algumas horas antes e abriu um pouco sua porta, encontrando Granger e a Weasley caçula carregando duas malas pesadas.
- O que você colocou aqui? Tijolos?
- Só alguns livros úteis.
- Só alguns? – a ruiva questionou, incrédula antes de fechar a porta do quarto que agora as duas dividiriam.
"Perfeito, agora Granger também vai me irritar".
Mas nem Weasley, nem Granger, muito menos Potter diminuíram sua animação ao ver, alguns minutos após a meia-noite, o medalhão mudar para uma vibrante cor vermelha. Bellatrix tinha respondido.
Estava tão agitado que não se conteve e logo estava pronto para mais uma visita à St. Mungos. Com os cabelos longos e ruivos, estava de novo atravessando as ruas trouxas escuras em direção ao hospital. Durante o percurso, mil possibilidades passaram por sua mente, a pior delas envolvia uma resposta negativa e a ameaçadora de Bellatrix, jurando cortar sua cabeça e oferecer ao Lord das Trevas. Seu humor variava de incrível animação para terrível nervosismo e quando chegou ao andar, entrando na loja do hospital, ainda não tinha se decidido como exatamente estava se sentindo.
Estava com sorte, pois a atendente não era a mesma do outro dia Quanto menos pessoas lembrassem da presença dele melhor. Pediu a carta e logo que a tinha em mãos estava correndo para sair do hospital e lê-la em um lugar com mais privacidade. Sentou em um muro de uma casa trouxa, checando todos os lados para ter certeza de que estava só. Abriu a carta com cuidado, coração acelerado.
A resposta foi curta e grossa. Mas ao menos era positiva. Infelizmente era ambígua também. Ela podia estar o chamando para cortar sua cabeça.
Querido Theodore,
Amanhã seu trem parte à meia-noite.
Sua tia.
Estação King Cross, à meia noite. Infelizmente isso significava mais um dia solitário e irritante no Largo Grimmauld. Seria uma espera longa e torturante, pelo menos haveria luz no final daquele túnel apertado e empoeirado.
Voltou para "casa" e caiu na cama, torcendo para não perder o descanso com sonhos estranhos. Quase considerou a possibilidade de dormir o dia todo, só acordando algumas horas antes de ir até a estação de trem, mas na manhã seguinte foi acordado por batidas apressadas em sua porta. Ainda meio dormindo, abriu a porta e encontrou Snape.
- Arrume-se, Draco. Reunião em uma hora na cozinha.
Levantou a sobrancelha e limpou os olhos, achando que estava sonhando ainda.
- Como é? Reunião?
Snape o fitou por um segundo e, sem responder, foi embora. Draco suspeitava de que ele adorava deixar pessoas sem resposta e com cara de idiota. O que exatamente ele queria dizer? Draco convocado para uma reunião de que? Não podia ser realmente algo importante como segredos da Ordem, correto? Seria bom demais para ser verdade. Provavelmente era alguma oportunidade para jogar sermão nos adolescentes arruaceiros, afinal algum adulto responsável teria ouvido sobre o que Draco fez com Potter e os gêmeos com ele.
Reclamando sozinho, se trocou e meia hora depois desceu para a cozinha, formulando várias justificativas e defesas sobre seu ataque contra Potter. Nenhuma muito convincente.
Na cozinha encontrou sua mãe, Snape e Potter. Os dois últimos se olhando com desgosto mútuo. Não havia sinal dos ruivos gêmeos. Pelo visto o fato de os gêmeos Weasley terem atacado não era importante o bastante para um sermão. Ou, quem sabe, todos já estavam acostumados com as brincadeiras de mau gosto dos dois e desistiram de repreendê-los.
De qualquer forma, era completamente injusto e Draco estava preparado para insistir nesse ponto. Porém, o silêncio que perpetuou mesmo depois da sua chegada colocou em dúvida sua teoria. O que estavam exatamente esperando?
A resposta veio na forma de Albus Dumbledore. O diretor entrou devagar na cozinha, oferecendo bom dia a todos, num humor estranhamente simpático e pediu desculpas pelo atraso. Draco estava cada vez mais confuso.
- Agradeço a paciência. O tempo estava bem ruim no caminho – ofereceu uma desculpa, enquanto se sentava à mesa grande, ajeitando os óculos de meia-lua. – Muito bem, acredito que estamos todos aqui, certo?
Era uma pergunta retórica.
- Narcissa, se puder nos mostrar o objeto?
Sua mãe assentiu, revelando uma pequena bolsa com fundo infinito e dela retirando uma taça dourada e a colocando em cima da mesa, no centro. Potter se aproximou, curioso. Draco ainda estava perdido. Aquilo não tinha relação com sermões e narizes quebrados.
- Parece tão... Normal – Potter comentou. – Como pode ter certeza que é o que procuramos?
A pergunta era para Dumbledore, mas sua mãe respondeu.
- Conheço todos os itens do cofre da minha irmã, esse é o objeto que ela mais se preocupou em proteger. E a adição mais recente, antes de ela ir para Azkaban.
- A aura que ele emana é diferente... Única – Snape acrescentou, observando a taça com intensidade.
Draco franziu a testa, confuso. Que raios estava acontecendo?
- Alguém pode me explicar o que raios está acontecendo? – ele questionou com os braços cruzados.
- Nada que te interessa Malfoy! Afinal, por que ele está aqui? – reclamou Potter.
Sua mãe de imediato veio à sua defesa.
- Pedi para que ele participasse.
Potter abriu a boca para mais um protesto quando Dumbledore o interrompeu gentilmente com a mão, aquela que ainda estava intacta.
- E eu permiti – terminou a discussão e voltou-se para Draco. – Queremos que você entenda o que está acontecendo, Draco. E o que sua mãe arriscou para mantê-lo seguro.
Estava pronto para questionar os métodos errados de sua mãe quando se lembrou da sua resolução: precisava descobrir mais sobre a Ordem.
- Ótimo, mas o que é essa taça afinal? – assentiu, indicando o objeto.
- Não sabemos ainda – sua mãe explicou, gentilmente, sua face não escondendo o alivio em conversar com ele civilizadamente. – Apenas acreditamos que é algo importante para o Lorde das Trevas, algo como o diário que Lucius guardou por muito tempo. Um objeto perigoso nas mãos dele.
Ela falava a verdade, mas Potter parecia saber mais e mal estava conseguindo esconder isso. De qualquer forma, Draco pareceu o único a notar e sua mãe continuou.
- Antes de virmos para cá, fui até Gringotes e acessei o cofre dela. Desde que foi presa, tenho permissão para cuidar de seus pertences. Direito que não foi revogado, pois ela ainda é uma fugitiva da lei – explicou. – Felizmente não levantei suspeitas e consegui retirar a taça em segurança.
- Ela sabe que você pegou isso? – perguntou Draco, um pouco preocupado com as conseqüências que o roubo teria no humor de sua tia.
- Nada indica que ela saiba, mas não podemos contar com essa possibilidade – Snape respondeu, sem tirar os olhos da taça.
- Por enquanto manteremos a taça em segurança e em segredo. Compreendido? – Dumbledore encerrou, olhando devagar entre Potter e Draco.
Os dois assentiram, apesar de Draco ainda não acreditar que aquele objeto pudesse ser perigoso, muito menos importante. Dumbledore os dispensou, pedindo somente para que Potter ficasse. Sua mãe logo se aproximou dele na primeira oportunidade, talvez supondo que estivesse mais aberto a uma conversa.
- Vejo que sua pele não está mais avermelhada. Ainda bem que o efeito foi passageiro – comentou, inspecionando cada centímetro dele.
- É. Ainda bem – respondeu curto, mas segurando sarcasmo.
- Em breve vamos embora daqui, Draco – disse com tom triste. – Mais um pouco de paciência e poderemos voltar a ser uma família, longe daqui. Seguros.
Desviou o olhar. Não acreditava mais nela, e a forma como embelezava as piores situações não passava de mentiras.
- E quanto ao meu pai? – retrucou seco. – Ele vai fazer parte dessa família, ou vamos deixá-lo apodrecer em Azkaban?
- Ele também. Vamos todos juntos, prometo.
Revirou os olhos, irritado com a insistência.
- Não acredito em você. E, mesmo se fosse verdade, quantos mais cofres você vai precisar roubar? Que outro parente você vai trair?
Sabia que era um golpe baixo e reação dela foi de extrema ofensa, mas não ligou. Sua mãe balançou a cabeça em sinal de desistência e se afastou, entrando na sala da tapeçaria e o deixando sozinho, a principio. Claro que tudo que é bom dura pouco e Snape apareceu. Provavelmente tinha ouvido toda a conversa e, como sempre, esperou o momento oportuno para lhe importunar.
- Sua mãe tem grande confiança em você. Em outras circunstâncias, você jamais participaria dessa reunião – disse apenas, não lhe dando tempo para resposta e desapareceu de vista.
Bufou, mas não podia exatamente negar o fato. Foi uma atitude desesperada para tentar fazer as pazes com ele, porém, também foi um gesto de confiança. Que provaria ser um erro, claro.
Não estava gostando das tentativas dela pois, por mais que odiasse admitir, estava tentado a aceitar as decisões dela. Queria ser alguém que novamente poderia contar com a mãe e confiar cegamente nela. Era uma tolice sem tamanho, mas um pequeno lado dele queria ignorância de volta.
Mas não o suficiente para mudar de idéia. Ainda veria Bellatrix à noite.
Ter Hermione como companheira de quarto era um alivio. Tirando o fato que sua coleção pesada de livros estava ocupando metade do espaço que tinham, estava feliz em ter a amiga dormindo lá. Tinha alguém para conversar e reclamar de Malfoy, Principalmente reclamar de Malfoy.
- Eu nunca vi alguém passar tanto tempo dentro do banheiro, um dia até achei que ele tinha se afogado lá dentro. Infelizmente, não foi o caso.
Hermione tentava, com dificuldade, ficar séria. Provavelmente ainda determinada a "dar uma chance aos Malfoy". Mas, em silêncio, deixou que Gina continuasse seu discurso sobre como Draco Malfoy era o adolescente mais irritante e pretensioso do mundo.
-... Ele ousou me comparar com o Monstro, acredita nisso? Só porque eu cozinhei e ainda por cima comeu minhas torradas!
- Uma comparação com elfos-domésticos não deveria ser um insulto – se manifestou pela primeira vez. – Eles são muito dedicados e leais. Sem falar em talentosos com magia e...
Gina colocou a mão no queixo enquanto ouvia o longo sermão sobre os direitos dos elfos e a atitude absurda dos bruxos que os escravizavam. Porém, quando o discurso entrou em comparações com a História das civilizações e escravidão através das eras, Gina pigarreou e mudou de assunto.
- Afinal, onde o Monstro foi?
- Como Harry herdou a casa de Sirius, Monstro tinha que obedecer a ele. Então Harry achou, e eu concordo, que seria melhor ele se mudar para Hogwarts, ajudando na cozinha. Acredito que a influência positiva de Dobby vai ajudar a... Melhorar a atitude do Monstro.
- Dobby? Influência positiva? – riu, mas parou ao ver que Hermione falava sério, limpou a garganta. – Sim, claro... Tenho certeza que eles vão se dar bem.
Depois de mais meia hora de discursos ideológicos sobre direitos dos elfos-domésticos e como os responsáveis pela amargura do Monstro eram os Black, finalmente escaparam do assunto favorito de Hermione e passaram para algo mais interessante.
- O que você acha que estão falando lá embaixo? Harry continua recusando a contar, quando perguntei só disse que ia a uma reunião.
Era a vez de Hermione não gostar do assunto. Gina sabia que estavam escondendo algo, que Harry com certeza contara para ela e Rony, e queria ver se conseguia pegar Hermione desprevenida o suficiente para deixar o segredo escapar.
- Eu realmente não sei, Gina. Harry e Dumbledore estão insistindo em segredo e, pelo visto, não vai ser tão cedo que vamos ficar sabendo.
- Acho injusto que não possamos participar... Para que serviu a Armada então? Ano passado não foi prova suficiente de que somos capazes?
A amiga mordeu o lábio.
- Eles querem nos proteger o máximo possível.
Colocou os pés em cima da cama, abraçando suas pernas. Suspirou e as duas ficaram em silêncio por um longo tempo, Hermione abrindo um livro grosso e antigo para se distrair.
Passaram a tarde no quarto de Rony, jogando snap explosivo com Harry enquanto Hermione lia. Harry novamente não disse nada sobre a reunião daquela manhã, tirando o fato de que continuava achando Snape e os Malfoy insuportáveis.
A única informação relevante que conseguiu retirar quase à força dele foi a notícia de que ele e Dumbledore fariam outra viagem e só voltariam dentro de um ou dois dias. A razão, claro, ela não ficou sabendo.
Ao cair da noite, Gina só tinha uma coisa na cabeça: pegar Malfoy saindo da casa. O plano era simples: vigiaria o corredor a noite toda. Estava determinada a conseguir provas daquela vez.
Logo depois do jantar, se preparou para uma longa noite totalmente acordada. Preparou café e pediu um livro emprestado para Hermione, o que fosse mais fino da coleção dela e com mais ilustrações, de preferência, em uma língua que conseguisse entender. Entrou na sala da tapeçaria e escolheu a cadeira que estrategicamente lhe dava a visão mais clara da porta da frente.
Satisfeita e ansiosa para pegar Malfoy no flagra, começou sua vigília. Hermione lhe acompanhou nas primeiras horas, comentando sobre Hogwarts e namoros. Ou melhor, os namoros de Gina, já que Hermione se dizia "ocupada demais com estudos" para ficar procurando namorado. Gina sabia, no entanto, que na realidade ela estava esperando Ronald Weasley perceber o óbvio. No fim, a conversa se transformou mais num monólogo de como Gina achava Michael Corner um idiota sem apreciação por uma boa partida de Quadribol. Reclamou também de como Dino nem sequer se preocupou em saber se ela estava viva. Estava um pouco irritada com o silêncio da parte dele.
- Por que você não manda uma carta para ele, então? – sugeriu Hermione como se fosse algo simples.
- Hermione! A obrigação é dele de me mandar uma carta. Não vou sair correndo atrás de quem não está interessado em mim.
"Tirando o Harry", pensou, não sabendo se estava sendo sarcástica, ou genuinamente o considerava uma exceção.
- Se você diz... Ainda acho que é o mais lógico a fazer. A coruja dele pode não ter conseguido te localizar. As proteções da Ordem são bem eficazes.
Bufou, preferindo não aceitar aquela explicação lógica e continuar irritada, indicando que era hora de encerrar o assunto. Afinal de contas, com Harry morando sob o mesmo teto que ela, era difícil pensar duas vezes em Dino.
Por volta das dez horas Hermione resolveu ir dormir e Gina lhe deu uma desculpa qualquer para continuar ali. Disse que não estava cansada e que, para a surpresa e confusão da amiga, queria terminar o livro que estava lendo.
Cansaço começou a ganhar a batalha contra o corpo dela e meia hora depois estava dormindo no sofá, o livro esquecido e caído no chão, seu pescoço numa posição estranha que provavelmente seria a causa de uma dor no dia seguinte.
Um barulho distante a acordou subitamente. De imediato olhou o relógio, descobrindo que já passavam das quatro da manhã. Quase quis gritar em frustração por ter dormido por tanto tempo, mas um novo barulho a distraiu da raiva.
Não havia ninguém perto da porta de entrada nem no corredor. Olhou a cozinha e quando a viu vazia, subiu as escadas devagar, procurando não revelar sua presença. Chegou ao terceiro andar no exato momento em que a porta do banheiro no final do corredor bateu com força.
Malfoy.
Caminhou com cuidado até a porta e colocou seu ouvido na madeira, desejando por uma das orelhas extensíveis dos gêmeos. A única coisa que conseguiu ouvir foi o barulho de água correndo. Nada que provasse mais uma fuga.
Teria sido tudo em vão se não tivesse reparado num pequeno, mas grave, detalhe: a maçaneta da porta estava coberta de sangue.
N/A: Capítulo pequeno eu sei. Mas é meio que um capítulo de ligação... E talz. XD. Sem falar que não resisti terminar nesse ponto ahaha. Thanks pelas reviews como sempre!!
