Always Keep Fighting
Capítulo 6 - Final
Jared estava sentado no sofá, perdido em seus pensamentos, quando sua mãe apareceu na sala, o tirando de seus devaneios.
- Você está há pelo menos dez minutos aí parado, olhando para o celular. Está esperando alguém ligar ou decidindo se vai ligar ou não?
- O quê? - Jared se sobressaltou. - Ah, eu… Eu pensei em ligar pro Jensen, mas acho melhor não.
- Posso saber por quê? - Sharon se sentou ao lado do filho.
- Eu estive lá ontem.
- Eu sei. A Donna me contou.
- Contou? - Jared franziu o cenho. - Quando você falou com ela?
- Hoje pela manhã, nós fomos juntas fazer compras. Por que o espanto?
- Vocês são melhores amigas, agora?
- Ainda não, mas existem boas chances pra que isso aconteça. Nós temos muita coisa em comum, afinal. Mas por que mesmo você acha que não deve ligar pro Jensen?
- Sei lá… eu só não quero parecer invasivo, ou algo assim.
- Jared, desde quando você passou a se importar com esse tipo de coisa? - Sharon estranhou. - Você sempre foi a pessoa mais sem noção de espaço pessoal que já conheci.
- Obrigado, mãe - Jared falou, cruzando os braços e fazendo cara de zangado.
Sharon gargalhou. - Eu não vejo isso como um defeito, filho.
Jared riu também. - Eu sei, mas é que… Eu tenho medo de estar indo rápido demais. De estar criando expectativas mais uma vez, e…
- Você está apaixonado - Não era uma pergunta, e sim uma afirmação.
Jared suspirou, passando as mãos pelo rosto.
- Às vezes eu sinto como se fosse correspondido, mas às vezes…
- Está com medo?
- Estou. E se ele só quiser mesmo a minha amizade? Até esses dias nem mesmo isso ele queria, e… Ele não me deu nenhuma abertura, pra ir adiante.
- Não deu, ou você é que está sendo cauteloso demais?
- Eu só queria ter certeza, sabe? Que ele quer o mesmo que eu - Talvez estivesse mesmo sendo cauteloso em excesso, mas tinha medo de acabar perdendo a confiança de Jensen mais uma vez.
- Se você não conversar com ele, nunca irá saber. E se ele estiver na mesma situação? Sem coragem de ir adiante? Alguém vai ter que dar o primeiro passo, filho… - Sharon aconselhou, esperançosa.
- Está certo, dona Sharon… eu vou ligar.
Jared finalmente criou coragem e ligou. Conversaram por quase duas horas ao telefone e nenhum dos dois viu o tempo passar.
No final da tarde de sexta, depois do trabalho, o moreno decidiu passar na casa de Jensen. Conversar por telefone quase todos os dias já não era suficiente. Queria estar perto dele, vê-lo sorrir e poder olhar em seus olhos enquanto conversavam.
Ao chegar à casa do loiro, foi recebido carinhosamente por Donna, a mãe de Jensen.
- Jared, meu anjo. Que surpresa boa – A mulher o abraçou de um jeito carinhoso.
- Eu estava passando aqui por perto e resolvi parar só pra ver como o Jensen está – Jared mentiu, a casa dos pais de Jensen ficava totalmente fora do seu caminho do trabalho para casa.
- Que ótimo. Ele vai ficar feliz em ver você. E por falar nisso, eu queria te agradecer por tudo o que você tem feito por ele.
- Não tem o que agradecer, eu não fiz nada, só...
- Você está aqui. E eu sei o quanto ele deve ter tentado te afastar. Qualquer outro teria desistido.
- Acho que eu herdei uma pouco da teimosia da minha mãe – Jared brincou. – Ele está no quarto?
- Não, ele ainda está lá atrás, na oficina.
- Ele voltou a trabalhar?
- Sim, é um alívio vê-lo sair daquele quarto, ainda que seja só para trabalhar.
- Ele vai ficar bem – Jared sorriu, tocando o braço de Donna de um jeito carinhoso, ao ver que a mulher estava com os olhos marejados. - Eu vou até lá vê-lo...
- Vá, ele já deve estar terminando o trabalho - Donna se despediu e sorriu ao ver a pressa de Jared para se encontrar com seu filho. De alguma forma, sentia que algo novo estava nascendo ali, e isso a deixava tranquila.
Jared circulou a casa, até chegar à oficina, que ficava nos fundos. Avistou Jensen de longe, debruçado sobre o motor de um carro, cantarolando uma música que não conseguiu identificar. Na posição em que ele estava, Jared podia ter uma boa visão da sua bunda, dentro do jeans um tanto apertado, mas era melhor não se concentrar muito naquilo, senão acabaria ficando em uma situação constrangedora.
- Hey – parou ao lado do carro, sentindo seu coração acelerar, como normalmente acontecia cada vez que se aproximava do loiro. Já estava se acostumando com a sensação.
- Oi – Jensen se assustou ligeiramente, mas abriu um grande sorriso ao ver quem era.
- Desculpe se eu estiver atrapalhando. Eu fui até a sua casa e sua mãe me disse que você estava aqui, então...
- Tudo bem. Eu já estava cansado de ficar dentro daquele quarto, então achei melhor vir trabalhar - Jensen limpou as mãos com uma estopa e se encostou na lataria do carro, para poder olhar para Jared. - Eu tive bastante tempo pra pensar sobre tudo isso, e… Sabe, eu continuo procurando por outro trabalho, mas hoje eu percebi que gosto disso aqui muito mais do que eu imaginava. Até atendi alguns clientes – O loiro falou, sorrindo de um jeito sincero.
- Isso é ótimo – Jared sentiu vontade de abraça-lo, mas se conteve.
Ficaram apenas se olhando por um momento, sem dizer nada.
- Então... é... – Jared sentiu que deveria dizer alguma coisa. Poderia ficar olhando Jensen por horas, mas percebeu que aquilo já estava ficando esquisito. – Abriu uma sorveteria nova aqui no seu bairro e eu queria... Eu pensei que talvez você pudesse ir comigo. Não fica longe, a gente pode aproveitar pra caminhar e conversar um pouco, e... Se você quiser, é claro. – Jared parou ao ver que já estava falando demais novamente.
- Sorvete? – Jensen ergueu as sobrancelhas.
- Eu te convidaria pra tomar uma cerveja, mas sei que você está tomando remédios, então... Foi a única coisa que me veio à cabeça – Jared deu de ombros, um pouco sem graça.
- Há três quadras daqui tem uma lanchonete que faz o melhor hambúrguer que você já comeu. Eu te garanto. E se você ainda quiser o sorvete, o brownie que eles servem de sobremesa é magnífico.
- Eu topo – Jared sorriu, aliviado. Nem gostava tanto assim de sorvetes, mas tinha procurado por algo novo no bairro, só pra ter um motivo para convidar Jensen para acompanhá-lo. Tudo o que achou foi uma sorveteria.
- Certo. Eu só preciso tomar um banho rápido – Jensen falou enquanto abaixava o capô do carro.
Jared ficou no quarto, enquanto Jensen tomava banho, e observou o quanto o loiro era organizado, tinha cada coisa no seu lugar.
- Você toca violão? – Perguntou, pegando o instrumento nas mãos, um tanto decepcionado ao ver que o loiro saiu do banheiro completamente vestido.
- Eu costumava tocar. Meus amigos tem uma banda e eu até cantava, de vez em quando – Jensen confessou, constrangido.
- Mesmo? - Jared sorriu, imaginando o quanto deveria ser incrível poder ver Jensen cantar. - Sabe aqueles velhinhos, pra quem eu dou aula de informática nas minhas horas livres? Eles terão uma festa no clube da terceira idade, daqui há duas semanas. Tem um amigo meu que é aprendiz de DJ e vai se responsabilizar pelas músicas, e agora eu pensei que... Eles iriam adorar se você tocasse algo...
- Eu não sei, Jared. - Jensen respondeu, inseguro. - Faz muito tempo que eu não toco, e eu nem sou tão bom assim.
- Eu tenho certeza que é, mas eu entendo se você não quiser.
- Acho que fica pra uma próxima – Jensen deu de ombros, um pouco sem graça.
- Tudo bem. Mas mesmo sem tocar, se você quiser ir, eu iria adorar ter companhia. Assim eu não me sentiria tão deslocado no meio deles – Jared o olhou, esperançoso.
- Posso te responder mais próximo da data? – Jensen queria muito ir, mas não sabia se estaria disposto, e não queria se comprometer, pra depois deixar Jared na mão.
- Claro. Eu te ligo antes, pra saber se você está disposto ou não. – Apesar da vontade de arrastar Jensen consigo a qualquer custo, Jared podia compreender.
Foram caminhando até a lanchonete, onde comeram hambúrguers, que Jared repetiu porque os achou deliciosos e, ao invés de sorvete, tomaram milk shakes de chocolate.
Conversaram muito sobre filmes, músicas, livros, séries de TV, jogos de videogame, e descobriram ter muitos gostos em comum. Jared não pode deixar de observar o quanto Jensen parecia mais leve, mais feliz.
Ao voltarem para a casa dos pais do loiro, foram até o quarto de Jensen no andar de cima, já que Jared pegaria um jogo de PS4 emprestado.
- Jensen, eu… - Jared deu um passo na direção do loiro, ansioso. Precisava dizer o que sentia, ou seu coração acabaria explodindo.
Jensen prendeu a respiração por um momento, esperando pelo que o outro tinha a dizer. Seu coração batia forte no peito, como em todas as vezes em que Jared estava próximo. Queria muito dizer a ele como se sentia, o quanto ele significava em sua vida… Mais que isso, queria beijá-lo e sentí-lo em seus braços, mas ao mesmo tempo tinha medo de arriscar tudo e acabar perdendo a amizade mais verdadeira que tivera nos últimos anos.
Talvez estivesse sendo um tolo, mas o medo de ser rejeitado estava sempre presente. Não suportaria passar por aquilo mais uma vez.
Quando alguém bateu na porta do quarto, interrompendo o que Jared iniciara, os dois olharam para ela, decepcionados.
Jensen bufou e foi abrí-la, ficando ainda mais frustrado ao ver que era sua tia Samantha.
- Meu querido - A mulher o abraçou apertado. - Fico tão feliz em saber que você está bem.
- Oi tia - Jensen ficou um tanto sem graça ao ser abraçado por ela daquela maneira, na frente de Jared. - Deixa eu te apresentar, esse é o meu amigo J…
- Jared! - Samantha exclamou, antes que Jensen completasse o seu nome. - Eu mal posso acreditar - Puxou o moreno para um abraço apertado também.
- Professora Sam… - Jared também estava surpreso. - A senhora é tia do Jensen?
- Desde quando vocês se conhecem? - A mulher olhou de um para o outro, curiosa.
- É… - Jensen olhou para Jared, e decidiu ser sincero. - Graças à senhora, na verdade - sorriu, e Samantha o olhou, confusa. - Eu liguei para aquele número do CVV que a senhora me indicou, e… Acabamos ficando amigos - Achou melhor não contar os detalhes.
- Uau! Isso é mesmo incrível - Samantha estava realmente surpresa, além de feliz, porque logo percebeu que Jensen estava feliz e, conhecendo Jared do jeito que conhecia, podia deduzir que ele era o responsável por aquilo.
Os três conversaram por algum tempo e, apesar de ter ficado feliz ao rever sua ex professora de faculdade, Jared foi embora frustrado por não ter conseguido cumprir o seu intento.
Combinaram de se encontrar novamente na semana seguinte, e quando o dia chegou, Jensen estava ansioso o dia todo, com aquela sensação de que haviam borboletas em seu estômago, que já estava se tornando comum, toda vez que pensava em Jared.
Ficou um tanto desapontado quando, no início da tarde, recebeu uma mensagem do moreno, dizendo que não poderia ir naquela noite, já que não estava se sentindo muito bem.
Mesmo sabendo que Jared não teria motivos para mentir, a primeira coisa em que Jensen pensou foi que ele estivesse inventando uma desculpa, pois provavelmente já tinha se cansado dos seus problemas e da sua companhia entediante. Jared devia ter coisas melhores para fazer numa sexta-feira à noite.
Olhou seu próprio reflexo no vidro de um carro que consertava e percebeu que estava sendo um idiota. Jared não faria isso. O fato de ter sido traído pelo namorado, tinha minado toda a autoconfiança de Jensen. Nunca fora assim inseguro antes, mas agora era um pouco difícil acreditar que alguém como Jared, realmente pudesse se interessar por ele. Mas ele estava sempre ali, não estava? Talvez fosse a sua vez de retribuir o favor, indo visita-lo.
Ainda que estivesse confiante ao sair de casa, ao estacionar o carro em frente à casa dos pais de Jared, Jensen voltou a ficar ansioso. Suas mãos suavam e a confiança já não se fazia mais presente. O medo voltou a tomar conta de sua mente, e Jensen saiu do carro, respirando fundo e deixando o ar puro entrar em seus pulmões. As lembranças vieram à tona e já não se sentia capaz de dar o próximo passo.
Não conseguia entender por que se sentia daquela maneira. As coisas estavam indo bem, sentia-se mais disposto, sua família finalmente o estava aceitando do jeito que era, tinha a amizade de Jared… Jared. Não poderia desistir. Não desta vez.
Se encostou no carro e respirou fundo mais uma vez, quando Sharon apareceu no jardim da casa e chamou o seu nome.
- Jensen! - A mãe de Jared se aproximou, surpresa. - Você está bem? - Ficou ligeiramente preocupada, ao vê-lo escorado na lateral do carro.
- Eu… estou. - Falou pausadamente, recuperando o controle. - Eu soube que o Jared está doente, e…
- Oh - Sharon se aproximou, abrindo um grande sorriso. - Jared vai ficar feliz com sua visita. Venha - Pegou a mão do loiro e o conduziu para o interior da casa.
Conversaram por um momento, e Sharon explicou a Jensen que Jared estava realmente se sentindo muito mal, e tinha passado os últimos dois dias de cama, devido a uma gripe.
Quando o loiro entrou no quarto, se sentiu péssimo por ter cogitado a hipótese de Jared ter mentido. O moreno estava deitado debaixo das cobertas e, mesmo tentando sorrir assim que viu Jensen entrar, parecia realmente muito abatido.
- Hey - Jared falou com a voz anasalada. - Você não devia ter vindo, vai acabar ficando doente também.
Jensen se aproximou e se sentou na beirada da cama, sem se importar. Seu olhar era sério, preocupado. Num impulso, tocou o rosto de Jared, aliviado ao sentir que não tinha febre.
- Minha mãe já me entupiu de remédios. Não tenho febre desde ontem, pelo menos. - Jared segurou a mão de Jensen em seu rosto, gostando de sentir o seu calor.
- Espero que você melhore logo. Senti sua falta - Jensen falou com sinceridade.
- Também senti a sua. Queria poder sair dessa cama, mas eu ainda estou me sentindo miserável - Jared tentou sorrir, mas só saiu um entortar de lábios.
Conversaram mais um pouco, e logo Jared mal conseguia manter seus olhos abertos, devido à sonolência causada pelos remédios.
- Eu vou deixar você descansar agora. Ligarei amanhã pra saber se está melhor, pode ser?
- Claro - Jared ficou observando Jensen se levantar para ir embora. - E Jensen - Falou antes que o outro alcançasse a porta. - Espero que você não fique doente também, mas eu fiquei muito feliz por você ter vindo.
Jensen sorriu, segurando a vontade de voltar até a cama e beijá-lo. Ainda ficou algum tempo observando, enquanto o outro fechava os olhos e caía num sono profundo. Já não tinha mais nenhuma dúvida do quanto o amava.
Jared melhorou rapidamente. Sua mãe brincou, dizendo que era a força do amor, o que fez o moreno rir. Mas em partes, tinha que concordar, porque toda a sua força de vontade para melhorar logo, vinha da vontade de estar junto de Jensen novamente.
Os dias passaram rapidamente e o sábado chegou. Jared estava ansioso para saber se Jensen o acompanharia à festa dos idosos ou não, e quando o telefone tocou e o loiro confirmou, mal pode conter a sua felicidade.
Jensen também estava ansioso. No final da tarde, tomou um banho, se arrumou e andava de um lado para o outro dentro do quarto. Ainda era cedo demais, mas antes que acabasse enlouquecendo, pegou as chaves do carro e dirigiu até a casa de Jared.
- Desculpe se eu cheguei cedo demais - O loiro sorriu ao ser recebido por Jared, que ainda estava com os cabelos um pouco molhados, devido ao banho recém tomado.
- Você é bem vindo aqui a hora que quiser, Jensen - Jared riu da preocupação do outro, mas voltou a ficar sério ao olhá-lo de cima a baixo. - Uau - Jensen vestia uma calça jeans escura e uma camisa de botões preta, Jared segurou a vontade de suspirar ao ver o quão lindo ele estava.
Jensen corou ligeiramente e Jared o chamou para acompanhá-lo até o seu quarto, pois ainda tinha que terminar de se arrumar.
- Humm… você tem um secador de cabelos - Jensen zoou ao ver o aparelho sobre a escrivaninha que tinha no quarto dele.
- Tecnicamente, ele pertence à minha mãe, mas é que… - Foi a vez de Jared corar e Jensen achou aquilo muito fofo. - É, você me pegou. Não é fácil cuidar desses cabelos - Jared jogou os cabelos para trás, dando risadas.
- Eu gosto dos seus cabelos. São lindos - Jensen falou sem pensar. - Você é lindo.
Jared ficou olhando-o por um momento, quase não acreditando no que ouvia. Se tinha algo a dizer, aquele era o momento perfeito.
- Jensen, naquela noite que a sua tia nos interrompeu, eu… Eu queria te dizer que...
Jensen não podia mais esperar, deu mais um passo em direção ao moreno e o beijou, enfiando os dedos pelos cabelos um tanto longos e o puxando para si.
- Era sobre isso? - Perguntou ao afastar sua boca, apenas o suficiente para poder falar.
- Era exatamente isso - Jared colou seus lábios novamente, num beijo urgente e desesperado.
- Por que a gente demorou tanto? - Jensen falava entre um beijo e outro, pois suas bocas não podiam mais ficar longe uma da outra.
- Porque nós somos dois idiotas? - Jared segurou o rosto de Jensen, olhando bem dentro de seus olhos e encostou sua testa na dele, apenas sorrindo e curtindo aquele momento. - Eu não sei descrever o que estou sentindo, mas é a melhor coisa que já senti em minha vida. Eu quero você, Jensen. Eu preciso de você comigo o tempo todo, eu… Acho que desde o dia em que eu ouvi a sua voz pela primeira vez ao telefone, eu…
- Eu também, Jared. Eu também. Eu estava tão perdido, mas eu sentia que tinha essa ligação com você. Era como… mágica. Como se eu já te conhecesse, como se você sempre fosse parte da minha vida.
- Eu quero ser parte da sua vida pra sempre. E quero que você seja parte da minha também - Jared falou e retomaram o beijo de um jeito suave, sem pressa desta vez, apenas provando o gosto um do outro e sentindo aquele momento.
- Jared? - Jensen de repente parou.
- O quê? - O moreno o olhou, um tanto assustado, pensando que pudesse ter feito algo de errado.
- Eu não queria ter que dizer isso, não agora... – Jensen suspirou. – mas nós vamos nos atrasar.
- Não – Jared se afastou de repente, olhando no relógio e fazendo Jensen rir. – Eu fiquei de ajudar a minha mãe com alguns preparativos, ela já está lá cuidando da decoração e vai querer o meu couro se eu me atrasar.
- Tudo bem. Nós podemos continuar isso depois, não podemos? – Jensen sorriu, observando Jared vestir uma camisa num tom de azul escuro e pentear os cabelos, ainda um pouco úmidos.
- Com certeza – Jared piscou, sorrindo com malícia e se aproximou, beijando Jensen mais uma vez.
O moreno calçou os sapatos, um tanto atrapalhado, e seguiram para o carro de Jensen.
Conversaram no caminho e Jensen parecia bastante animado, apesar de não conhecer ninguém e não saber o que esperar.
- Quase esqueci de te contar... tenho uma entrevista de emprego agendada para esta semana. Parecem ter gostado muito do meu currículo.
- Isso é ótimo – Jared sorriu, realmente feliz com a notícia.
- Eu sinto que ainda não estou cem porcento, mas os remédios tem ajudado bastante, e... Aos poucos, eu quero retomar a minha vida.
- Um passo de cada vez – Jared sorriu e segurou a mão de Jensen por um instante. – Eu vou estar sempre do seu lado.
- Eu sei. Você não desistiu de mim nem mesmo quando eu fui um ogro e tentei te afastar.
- Porque você é o ogro mais sexy que eu já conheci - Jared piscou, e então voltou a falar sério. - Eu nunca passei por isso, mas posso imaginar o que você está passando, Jensen. Eu não desistiria de qualquer jeito, mas que bom que você me deu uma nova chance.
Ao chegarem no clube, Jared apresentou Jensen aos que já estavam presentes. Não foi surpresa para ele perceber o quanto o moreno era amado. Ele estava sempre sorrindo, era atencioso e gentil com todos, assim como tinha sido com Jensen desde que se falaram pela primeira vez. Um anjo, como sua mãe se referia a ele.
No meio da noite, alguns casais de idosos dançavam no meio do salão e Jared e Jensen conversavam com os pais do moreno, quando de repente a música parou. Jared foi verificar com o seu amigo, responsável pelo som e este constatou que havia um problema na fiação, que levaria algum tempo para consertar.
- Você não tem algum aparelho portátil, nada que possa quebrar um galho? – Jared perguntou, esperançoso, ao olhar para a pista e ver que os velhinhos esperavam pela próxima música.
- Nada, cara. Só um violão, se você souber tocar... – O aprendiz de DJ deu de ombros.
Jared se virou para Jensen, mas não disse nada. O loiro já tinha dito que não queria tocar, achou melhor não pressioná-lo. Só queria que ele se sentisse bem e se divertisse.
- Eu posso fazer isso – Jensen falou e Jared abriu um largo sorriso, mal podendo acreditar.
Quando o loiro subiu no palco e se sentou em uma cadeira, ajeitando o violão sobre o colo, totalmente concentrado, Jared só conseguia sentir orgulho. Era mais uma barreira que o loiro estava vencendo.
Já tinha ouvido muitos relatos e lido muito sobre a depressão, sabia que a doença era imprevisível e que Jensen não estava curado, mas só conseguia enxergar nele um guerreiro. Alguém que lutava dia após dia contra os próprios medos e limitações.
Podia sentir o seu nervosismo dali, quando Jensen arranhou as cordas do violão, ensaiando mentalmente o que tocaria. Observou quando ele puxou o microfone para perto e, timidamente, iniciou a canção.
"I can hear her heartbeat from a thousand miles
Eu posso ouvir seu coração batendo há mil milhas
And the heavens open every time she smiles
E os céus se abrem toda vez que ela sorri
And when I come to her that is where I belong
E quando eu vou até ela, é onde eu pertenço
And I'm running through her like a rivers song
E eu estou correndo pra ela como o som de um rio
...
Quando já se sentia mais seguro, ainda cantando e dedilhando as cordas do violão, os olhos de Jensen buscaram os de Jared, e o mundo parecia ter parado naquele instante. Como se não houvesse mais ninguém ali, apenas os dois e a certeza daquilo que sentiam. Jensen sabia que não estava mais sozinho, que tinha encontrado aquilo que buscava… Tinha reencontrado a alegria de viver, assim como a força para continuar sempre lutando...
She give me love, love, love, love, crazy love
Ela me dá amor, amor, amor, amor, louco amor
She give me love, love, love, love, crazy love
Ela me dá amor, amor, amor, amor, louco amor
...
She's got a fine sense of humor when I'm feeling down
Ela tem um bom senso de humor quando me sinto deprimido
And I'm running to her when the sun goes down
E estou correndo pra ela quando o sol se põe
She takes away my troubles, she takes away my grief
Ela leva embora meus problemas, leve embora meu sofrimento
She takes away my heartaches and I go right to sleep
Ela Leva embora meu pesar e eu durmo bem
...
She give me love, love, love, love, crazy love
Ela me dá amor, amor, amor, amor, louco amor
She give me love, love, love, love, crazy love
Ela me dá amor, amor, amor, amor, louco amor
...
Yes I need her in the daytime
Sim, eu preciso dela durante o dia
Yes I need her in the night
Sim, eu preciso dela à noite
Yes I want to throw my arms around her
Sim, eu quero envolver meus braços em torno dela
Kiss and hug her and kiss and hug her tight
Beijá-la e abraçá-la e beijá-la e abraçá-la com força
...
When I'm returning from a long day
Quando eu retornar de um longo dia
She give me some sweet loving and it brightens up my day
Ela me dá seu doce amor e ilumina o meu dia
And it makes me righteous and yes it makes me whole
E me faz ser justo e me completa
And it makes me mellow right down to my soul
E faz inteiramente alegre a minha alma
...
She give me love, love, love, love, crazy love
Ela me dá amor, amor, amor, amor, louco amor
She give me love, love, love, love, crazy love
Ela me dá amor, amor, amor, amor, louco amor
She give me love, love, love, love, crazy love
Ela me dá amor, amor, amor, amor, louco amor"
...
Quando a canção terminou, e o aprendiz de DJ assumiu novamente o controle, Jensen desceu do palco e caminhou até Jared. O moreno tinha o sorriso mais lindo e genuíno que já tinha visto, e o envolveu com seus longos braços. Ficaram ali, abraçados, balançando seus corpos no ritmo de uma música lenta que tocava... Nenhuma palavra era necessária naquele momento, pois estavam exatamente onde pertenciam.
FIM.
Música: Crazy Love (Louco Amor) - Jason Manns & Jensen Ackles (A tradução foi pega na internet, então desculpem os erros).
Nota da autora e considerações finais: Gente, por favor, não liguem para o CVV à procura de um Jared ou do amor de suas vidas, que eles vão acabar me processando… rsrs. Isso só acontece em fanfics (a não ser que você tenha uma puta sorte… kkk).
Sim, acabou. Eu falei que a fanfic seria curtinha, não falei? E olha que eram pra ser apenas 3 capítulos, mas acabei estendendo para 6. Erro de cálculo, sorry.
Sobre o CVV, confesso que não tenho uma opinião formada. Pesquisei relatos de pessoas que utilizaram o serviço e alguns foram positivos, outros neutros, mas não encontrei comentários negativos. Acho que qualquer forma de ajuda é válida, e se a pessoa está lá, doando o seu tempo e disposta a ouvir os outros, ela tem o meu respeito e admiração. Para as pessoas que não tem com quem conversar, acho que pode ser útil sim.
Sobre a depressão, eu li muito a respeito antes de escrever a fanfic, porque quando se trata desta doença, informação é tudo. Ela não é como as outras, que geralmente apresentam os mesmos sintomas em todas as pessoas, cada um reage a ela de uma maneira diferente. O importante é reconhecê-la como uma doença e buscar tratamento.
Obrigada a todos que leram. Um grande abraço e, como diz o nosso lindo e amado Jared Padalecki: "Always Keep Fighting".
Recomendação: Não costumo fazer isso, mas quero aproveitar para divulgar o livro de uma amiga querida, que fez parte deste fandom por muitos anos. Meus leitores mais antigos devem se lembrar da autora Emptyspaces11. Ela já não escreve mais fanfics, mas foi sem dúvida uma das melhores, e agora publicou o seu primeiro livro, o romance "Trilhas de Silêncio".
É um romance gay (não erótico), uma deliciosa leitura, emocionante e com um toque de mistério, além de personagens apaixonantes. Já li e recomendo muito, tanto que o estou lendo pela segunda vez.
Quem tiver curiosidade, pode acessar o site do livro, lá tem um breve resumo e indica onde ele pode ser comprado, por um precinho muito acessível, em forma de e-book.
Segue o link: evelynpostali . wix trilhas - de - silencio (ao digitar, tirem os espaços entre os caracteres).
Obrigada!
Resposta aos reviews do capítulo 5:
Lana: Jared é mesmo persistente. E o melhor de tudo, ele compreende o que o Jensen está passando e os motivos de o loiro estar agindo desta maneira, querendo afastá-lo. Acho que o site comeu um pedaço do seu review... rsrs. Obrigada por comentar. Abraços
Lalky: Obrigada por me deixar saber. Beijos!
Claah Silva: Com jeitinho, Jared está conseguindo se aproximar. Bom, não tem muito o que desenrolar, essa fanfic é bem curtinha mesmo. Espero que goste do final. Obrigada por comentar. Abraços!
Gabriel: Se não houver drama, não é fanfic da Mary... rsrs. Nem demorou pra eles se acertarem, né? Kkkk. Obrigada por comentar. Abraços!
Lalky: Sim, foi curtinho. Na verdade a fanfic inteira é curtinha... rsrs. Obrigada por me deixar saber que gostou. Abraços!
Luluzinha: Sim, ainda bem que Jared é persistente. Com jeitinho, ele vai fazendo o Jensen se abrir, e vai conquistando o seu coração. Que bom que gostou do capítulo. Obrigada! Beijos!
