No dia seguinte enquanto estava tomando café da manhã uma coruja preta pousou no ombro de Olívia trazendo uma carta da família, ela leu com um sorriso, estavam perguntando como foi o primeiro dia em qual casa ela ficou, havia também uma nota do avô dizendo que a coruja era agora dela, e que ela deveria cuidar bem do animal.
— Vou te chamar de Nyx, como a personificação da noite. – Ela disse enquanto alisava a cabeça da coruja – O que acha garota? – A coruja fez um barulho e abriu as asas. – Acho que gostou.
— Já recebeu seu horário? – Mag apareceu ao seu lado.
— Já, professor Dumbledore me entregou a pouco. – A coruja levantou voo e sumiu.
— Vamos dividir algumas aulas, a próxima é uma delas. Quer ir comigo? – Olívia balançou a cabeça bebendo o restante de seu suco de abóbora. – A propósito... Cadê aqueles três que estavam contigo ontem?
— Estão por aí, Andrew estava no treino de Quadribol, Vincent está dormindo e Camille saiu cedo do quarto, não sei onde está.
— Já começaram os treinos? Grifinórios não perdem tempo mesmo. – Mag ia guiando Olívia por todo o caminho até a sala, a conversa se mantinha entre as duas de forma natural, porém Olívia percebeu que todo aluno que cruzava com elas as olhavam com uma feição estranha e ela tinha quase certeza que não tinha nada a ver com a transferência dela.
— Mag, por que está todo mundo olhando estranho para a gente? – Elas chegaram em frente a sala vazia e entraram.
— Isso porque não é todo o dia que um Sonserino e um Grifinório são vistos juntos, ainda mais sem uns feitiços no meio. – Ela comentou enquanto colocava suas coisas em uma carteira no meio da turma e voltava para as primeiras onde Olívia tinha escolhido ficar. – São duas casas rivais. Desde sempre.
— Que besteira... Por quê?
— Você deveria ler "Hogwarts: uma história" para saber mais. É um livro bem interessante. – Sentou na mesa e pós os pés no banco ao lado de onde Olívia estava sentada.
— Você tem certeza que é Sonserina? Pelo que eu escuto, parece mais uma Corvinal. – Desdenhou.
— Pode ter certeza disso. Eu sou uma cobra – Ela sibilou brincando.
— Sai daí, daqui a pouco chega gente e a monitora está desse jeito. – Olívia puxou o braço dela.
— Iii fica tranquila, ninguém vai estranhar. Eu sou uma Sonserina. – Ela riu e completou pomposamente – Devo me comportar mal para preservação de nosso mau nome.
Enquanto elas riam Tom passou pela porta, parou e analisou as duas, parando um bom tempo na figura de Olívia sentada a mesa rindo. Ele caminhou calmamente até a mesa próxima a do professor e sentou sentindo—se estranho, está manhã ele decidiu começar suas pesquisas na biblioteca e nada foi encontrado, nem uma pista, ela estava se sentindo frustrado, mas sabia que deveria ter calma, era só o primeiro dia de aula, ainda tinha bastante tempo para achar algo. O som da risada delas tirou ele de seus pensamentos, a garota estava linda hoje. Essa era uma outra coisa que o incomodava, essa fixação estranha que ele parecia ter com ela desde o dia em que foi abordado na livraria. Quando ele era mais novo as crianças do orfanato eram cruéis com ele, logo após quando ele passou a sentir tanta raiva que seus poderes e feitos começaram a ficar constantes, passaram a sentir medo, com os adultos não foi muito diferente, sentiam pena que evoluiu para um medo, em Hogwarts os sonserinos não o aceitaram no início, afinal de contas o que seria de uma pessoa sem confirmação de status sanguíneo em uma casa onde o mais prezado é isso?! Até que, novamente, ele mostrou suas habilidades e capacidade conquistando respeito e medo. Os únicos que se aproximaram dele foram os professores de Hogwarts e ela, mas a diferença é que aqueles só cumpriam as obrigações deles, mas Tom não sabia qual foram as intenções da garota. Uma coisa que ele aprendeu no orfanato foi que ninguém nunca se aproxima sem uma intensão. A risada dela cortou sua linha de pensamento. Ela era agradável e dava vontade de sorrir também.
Os pensamentos de Olívia estavam sendo redirecionados para ele o tempo todo, ela só era discreta demais para deixar transparecer. A sala já estava cheia e ninguém sentava com ele, nem mesmo os garotos que ela viu na estação. Algumas vezes enquanto olhava discretamente ela pegou o olhar dele nela. De canto de olho, discretamente, mas ele estava ali. Logo chegou Camille e Andrew, eles a avistaram e se aproximaram, a relutância deles com Mag era óbvia, no pouco tempo em que estava em Hogwarts Olívia percebeu que as casas pouco se misturavam, existia um entendimento entre Grifinória, Lufa Lufa e Corvinal, mas parecia também haver um consenso silencioso a respeito da Sonserina. Também, eles não pareciam muito receptivos. O professor chegou e Mag foi rapidamente para sua mesa, apesar das brincadeiras ela dizia que gostava de levar seus estudos bem a sério.
Pouco tempo após o início da aula Vincent aparece, com o cabelo bagunçado e o rosto amarrotado como se tivesse acabado de acordar, isso não era surpresa alguma. Ele parecia o tipo desleixado.
O dia passou tranquilo, Olívia dividiu os horários entre Mag e foi até apresentada a alguns sonserinos amigos dela, com os seus amigos grifinórios, após a última aula do dia ela finalmente conseguiu convencer Vincent de deixa—la na biblioteca ele não insistiu em ficar, tinha alergia à biblioteca ou assim ele dizia. Ela estava andando entre as estantes distraída, procurando o livro que precisava para Feitiços quando encontrou ele. Estava parado frente a uma estante folheando um livro grande e que parecia ser antigo. Olívia se aproximou devagar e silenciosamente.
— Olá de novo. Tom Riddle, não é. – ele levantou a cabeça e olhou de modo inexpressivo. – Tom de Thomas?
— Só Tom. – Ele voltou ao seu livro. Olívia suspirou e colocou a cabeça por cima do braço dele, descaradamente espiando o que estava lendo. – O que você pensa que está fazendo?
Tom estava irritado, será que ela não conhecia as palavras privacidade e espaço pessoal?
— Estou olhando o livro que está lendo. – Ela respondeu simplesmente. – O que você pensa que eu estou fazendo?
— Sendo inconveniente. – Ele fechou o livro e completou baixo, como uma ameaça. – Afaste—se.
— Calma. Abaixe a guarda, eu não mordo. Só quero conversar.
— Eu não tenho interesse em falar com você. – Ele começou a juntar suas coisas e guardou o livro.
— Mentira. Eu vi você me olhando o dia todo, está curioso. – Ela olhou para ele testando o terreno. – Como todos, mas eu vim falar com você.
— Por quê?
— Porque acho você interessante. – Ela olhou para ele sorrindo inocentemente. Tom suspirou e puxou o livro que estava lendo da mochila sentando a mesa. Ela sentou ao lado dele olhando o livro que ele estava lendo enquanto tirava eu material distraidamente. – Está lendo sobre linhagens, por quê?
— Você faz muitas perguntas. – Ele olhou de soslaio para ela. – Não vou responder esta..
— Ok. Compreensível. Meu nome é Olívia Fawley.
— Você já disse isso. – Ele continuou olhando para o livro sem conseguir se concentrar. O que era isso?
— Ah tá. Ok. Você não está me ajudando, quero começar um assunto e seguir, mas você está sendo muito difícil. – Tom levantou seus olhos do livro, desistindo de ler e olhou para ela. Alguma coisa nela era diferente.
— Estou procurando sobre uma coisa específica.
— Bem... Isso é óbvio, mas que coisa específica você está procurando. Especificamente. – Tom olhou como se a estivesse medindo abriu a boca uma vez, depois duas e só disse
— Uma coisa que eu não quero dividir.
Olívia bufou deselegantemente e abaixou os olhos para o livro a sua frente. Eles passaram um tempo em silêncio, cada um concentrado no que estava fazendo. Supostamente.
— Você está encarando. – Tom comentou sem levantar os olhos das páginas que estava lendo.
— Estou. – Desta vez ele levantou os olhos direto para os dela. Que garota frustrante.
— Você não tem um pingo de sutileza? – Seu tom irônico foi o suficiente para fazê—la rir, incrivelmente, ela parecia gostar de ironia.
— Na verdade não. – Ela riu de novo. – Estou brincando, a verdade é que eu não consigo evitar, não estou falando isso por você ser bonito, o que obviamente você deve estar ciente, estou tentando enxergar outra coisa. – a última parte soou distraída, quase como se ela não estivesse falando com ele, mas consigo mesma.
— O que você está tentando ver? – Ele estava curioso, mais do que esteve nos últimos tempos. Ela atiçava isso nele. Curiosidade, estranheza pelos modos abertos e conforto.
— Algo que eu não quero dividir. – ela piscou para ele e voltou para seu livro de feitiços, ignorando completamente o espanto quase visível em seus olhos levemente mais abertos e lábios levemente mais separados que o comum. Outras pessoa não teria percebido. Ela teria. Mas não precisava olhar, ela sentia; não sabia como, mas sentia.
Ela começou a bater a pena contra a mesa quando sentiu dificuldade em uma questão. Inconscientemente ela começou a morder os lábios e a murmurar em uma língua estranha que Tom imaginava ser português, pensou um pouco e puxou o livro dela lendo a questão, Olívia levantou a cabeça surpresa pelo movimento abrupto, aproximou a cadeira da dele e ficou observando enquanto ele pensava.
— Essa questão é mais simples do que parece, ignore essa parte. Não é importante – Ele olhou rapidamente para o rosto dela que estava muito próximo ao seu ombro, sentiu o cheiro que emanava dos cabelos escuro. – Preste a atenção aqui. – apontou para uma frase. – O movimento de varinha descrito pode ser de uma dezena de feitiços, mas a cor emanada se encontrar em só um desses. Sabe qual é?
— Reducto?
— Sim, mas ela não pede só isso. Ela quer saber qual o efeito e contra—feitiço. – ela suspirou e apoiou o rosto em uma mão.
— Não entendo o porquê dessas questões. – Tom olhou de soslaio para ela e abriu um sorriso pequeno de lado. Ela ficava bonita frustrada e ele, pela milésima vez, não entendia por que estava pensando nessas coisas.
— Se você souber identificar um feitiço rapidamente, você tem vantagens em duelos não—verbais. – ele entregou o livro a ela e abaixou a cabeça para o seu, tinha que se concentrar em achar algo sobre a família de seu pai. Ele tinha certeza que pelo menos um dos pais eram bruxos e esse um tinha que ser seu pai, um bruxo não poderia ser fraco como sua mãe foi, mas sua pesquisa não estava dando resultados, não parecia existir nem uma família bruxa chamada Riddle.
— Hum... entendo, obrigada. – Olívia estava pensando que ele não previa em nada com um bastardo esquisito, como Vincent o descreveu, ele pareceu alguém bem normal até, mas quieto.
Em pouco tempo Vincent e Camille surgiram ao lado de Olívia, eles se entreolharam e depois fitaram Riddle sentado a poucos centímetros de Olívia.
— Viemos buscar você para a janta. – Vincent estava com uma expressão esquisita no rosto, olhando a todo momento para Tom. – Achamos que você não saberia voltar para o salão.
— Ahh, não saberia mesmo. Obrigada. – Ela disse juntando suas coisas. – Tom, vem junto? – Ele olhou para ela e para os dois que estavam de pé, balançou a cabeça em negativa e voltou ao livro. – Tem certeza? Não vai jantar? – Vincent começou a gesticular discretamente em negativa, Olívia o ignorou e continuou olhando preocupada para Tom.
— Tenho.
— Hãa... ok então, tchau. – Acenou para ele, mesmo sabendo que não seria visto e se virou para ir embora.
Durante todo o caminho Vincent e Camille ficaram falando sobre ela e Tom, Olívia não estava a fim de falar sobre isso e não deu corda. Naquela janta e pelas próximas três seguintes ele não apareceu.
