- ONDE ESTÁ MEU CARRO?! – Correu para o local, com as mãos na cabeça.

Os outros seguiram seus passos.

- ROBARAM MEU CARRO!! – Gritou desesperado.

- Otimo! Agora vamos ter que ir a pé! – Ricardo concluiu, olhando em volta.

Plínio voltou-se bruscamente para Ricardo

- IR A PÉ, SEU DESGRAÇADO!? – Plínio, com raiva, agarrou no colarinho do primo com toda raiva que estava sentindo – ROBARAM MEU CARRO POR SUA CULPA!!

- M…m-me solta – Ricardo fazia tentando se livrar do primo que o chaqualhava com violência.

- Calma!! – Rodrigo tentava apartar – Aldebaran ajuda, ele está sufocando-o.

- PAREM COM ISSO, AGORA!! – Aldebaran se aproximou, desenvencilhado Ricardo de Plínio, que agora, bufafa, andando de um lado para outro. – Ok!? – Suspirou – E agora?

- E AGORA!? – Plínio voltou a olhar Ricardo, mas Aldebaran se meteu na frente – E agora vamos para uma delegacia…

- Eu estou cansado – Rodrigo se queixou.

- ENTÃO VAI A PÉ PARA CASA. COM SORTE, VOCÊ CHAGA LÁ DE MANHÃ…

- Bem – Linda se manifestou pela primeira vez – É perigoso andar por ai essa hora. A minha casa não é muito longe, você passam lá essa noite e depois com mais calma vão a delegacia…

- NÃO!! Eu vou agora…

- Plínio…

- Não, Aldebaran. Amanhã pode ser tarde de mais. Eu vou para a delegacia, vocês vão com ela…

- Eu vou com você – Ricardo disse – A final, admito que isso tudo foi culpa minha.

- Foi mesmo – Plínio já vinha para cima de Ricardo.

- Ele já admitiu – Rodrigo interveio.

- E isso trás meu carro de volta? – Plínio voltou-se para cima de Rodrigo.

- Para com isso, Plínio – O Cavaleiro de Touro interveio, mais uma vez – Eu vou com você…

- Não, vai com a menina. Você está aqui de ferias, não para ir em delegacia…Ricardo vem comigo.

- Só se você prometer que não encosta a mão em mim!

Plínio suspirou, fazendo com que Aldebaran e Rodrigo dessem uma risada discreta.

- Vamos logo – Plínio ordenou, já começando a atravessar a avenida.

Ricardo o seguiu.

- Você acha que ele vai manter a promessa? – Rodrigo perguntou, vendo os dois se afastarem.

Aldebaran deu de ombro.

- Você acha que seus pais não vão implicar…?

- Eles estão viajando. Só voltam daqui um mês.

- Então vamos logo – Rodrigo falou cambaleando – Amanhã eu tenho que acordar cedo.

- Você é fraquinho mesmo, hem? – Aldebaran brincou enquanto começava a caminhar.

Não foi uma grande caminhada. Como Linda disse, a casa não ficava longe dali.

Logo chegaram na frente de um sobrado, com um grande portão de grades brancas, alto e de lanças em cima de cada barra de ferro, que se estendia por toda a frente da casa. Na frente da fachada bege, havia um espaço…uma garagem para dois carros, encimado por telhas de plástico.

Linda enfiou a chave na fechadura e deu duas voltas. Ouviram um estalido e o portão abriu. Fez o mesmo processo na porta de madeira clara que, ao ser aberta, desvendou uma sala de tamanho médio composto por um sofá de três lugares marron, encostado na parede lateral, de frente para porta, uma poltrona encostadas na parede do lado da porta e uma outra na parede ao oposto da entrada. Ambas da mesma cor do sofá. Uma estante, enorme, de madeira clara, cobria a outra parede lateral, de frente para o sofá. Nesta havia a televisão, livros e algumas louças que pareciam ser caras.

Linda entrou, dando espaço para os dois rapazes segurem seus passos.

- Bem – A moça começou, se dirigindo para o centro da sala – Não é muito grande, mas até que é confortável – Disse com um sorriso meigo.

Ricardo olhava para todos os lados.

- Ó!! – A moça continuou, chamando a atenção dos dois– Ali – Apontou para uma porta do lado do sofá – é a cozinha. E ali – Apontou para uma porta do lado esquerdo da poltrona – Leva ao pequeno corredor onde tem uma escada. Eu já levo vocês lá em cima. E essa porta – Apontou para a porta do lado direito da mesma poltrona – É um banheiro. Bem, vamos lá para cima – Completou se dirigindo para o corredor. Aldebaran e Rodrigo a acompanharam.

O andar de cima era composto por um pequeno corredor, quadrado, com quatro portas. O quarto dos pais de linda ficava logo a direita da escada. A única suit da casa. Na frente da escada estava o quarto de linda e, na porta ao lado um banheiro. À esquerda da escada estava uma porta fechada.

- É o escritório do meu pai. Ele não gosta que eu entre lá, tem medo que eu estrague algum trabalho – Disse revirando os olhos.

- Como vamos fazer? – Rodrigo perguntou com voz de sono, fazendo Aldebaran balançar a cabeça de leve, negativamente. Era mesmo fraquinho.

- Bom, você pode dormir no meu quarto – Ela disse.

- E você? - Rodrigo perguntou desconfiado. Vai que ela era meio doida como a amiga.

- Eu durmo no quarto dos meus pai – Linda disse – Você se importa de dormir no sofá? – Disse olhando para o Moreno que lhe sorriu acenando negativamente. Já dormira em lugares muito piores. O sofá seria o paraíso, ou quase isso. Mesmo quase, de n fosse as duas divisórias de madeira que lhe incomodavam nas costas.

Quando tudo estava pronto e seu primo já devia estar no 18º sono e a moça provavelmente estaria a muito nos braços de Morfeu, resolveu se levantar. Sentou no meio do sofá, apoiando os cotovelos nos joelhos e apoiando a cabeça nas mãos. Passado um pouco, esfregou a mão no rosto freneticamente com o intuito de afastar a canseira e levantou.

Se dirigiu para a porta da cozinha onde acendeu a luz antes de entrar. Olhou a volta cuidadosamente. Na parede lateral esquerda tinha um balcão onde continha a pia, alguns electrodomésticos e um filtro de água. Em cima deste balcão corria um enorme armário de cor clara que combinava com azulejo de cor meio rosada. Encostada na parede direita, um pouco para o fundo, tinha uma mesa quadrada, com mais três cadeiras. Nesta mesma parede, um pouco próxima da porta estava a geladeira e na parede ao fundo, perto de uma janela, estava o fogão.

"Pequeno mas confortável" – pensou lembrando do sorriso da dona da casa.

Se dirigiu até a mesa e sentou na cadeira de modo que conseguisse ver a porta. Susporoi baixando os olhos.

Não conseguia definir o que lhe tirava mais o sono: O raio do sofá ou aquele sorriso lindo.

- Não consegue dormir? – Linda indagou da porta fazendo Aldebaran levantar os olhos de imediato. – Desculpa!

- Pelo o que?

- Por não ter um lugar melhor para você. E por te assustar.

- O lugar é óptimo e você não me assustou.

Linda suspirou pensativa.

- Acho que devo dizer Obrigada também!

- Pelo o que aconteceu na praia?

A moça lhe fitou intensamente por minutos. Aldebaran começou a se recriminar por ter sido tão indiscreto. Não era assim. Não se reconhecia diante dela.

Viu a moça se dirigir para um dos armários dobre a pia e tirara de la dois copos depositando-os na mesa e em seguida abrir a geladeira.

- Você está com fome? – Perguntou olhando para o interior do objecto.

- Não – Ele sussurrou.

Viu-a então pegar em uma jarra que continha um liquida que identificou como suco de laranja.

Linda depositou o suco nos dois copos e sentou de costas para a porta, baixando o olhar.

- Desculpa ter sido indiscreto – Aldebaran disse finalmente.

- Não faz mal – Ela disse sorrindo. – Ele estava com outra…

- Então você sabe…

- Que ele tem outras?! – Ela soltou uma risada conformada – As vezes penso que vou conseguir dizer tudo que esta entalado na minha garganta, mas aí quando ele está na minha frente… - Balançou a cabeça negativamente com pesar.

Aldebaran não conseguia compreender.

- Você não pode continuar assim. Ele não presta para você.

- Não sei. – Ela levantou os olhos encontrando os olhos escuros do moreno. – Talvez, eu que não mereça.

Aldebaran riu. Não o merecia? Ela só podia estar brincando.

- Você merece coisa melhor – Ele concluiu.

- O que?

- Alguém que te mereça! – Ele sussurrou.

- Quem? – Ela disse lhe fitando.

Aldebaran não ousou falar nada, limitando-se a suspirar.

Ela sorriu ainda lhe fitando e pegando em sua mão que estava sobre a mesa.

- Talvez eu até saiba – Ela sussurrou.

Continua...


Só publicando esse capitulo porque já estava pronto.

mas o próximo será mais corrido e menos maçante ok!?

Fiquem bem.