Parte 6: Nosso Maior Prêmio


"PRAIA."

"MAR."

"SOL."

Kiyone, Mihoshi e Kaori tinham todos os motivos pra festejarem. Além da adoção ter dado certo, as duas policiais e sua filha recém-adotada puderam desfrutar de um admirável dia de sol na praia.

"Que dia bonito. Não concorda, querida?"

"Com certeza, mãe, e...hã?"

"Algo de errado, Kaori?"

"Acho que tem um problema. Se as duas são minhas mães, como vou fazer quando precisar falar com uma no lugar da outra?"

Mihoshi não tinha pensado nisso, mas logo achou uma solução: "Eu sei. A Kiyone você chama de mamãe e eu de mami. O que acha?"

"Sabe, Mihoshi. Não falo com frequência, mas é uma bela ideia."

"Então assim vai ser. Mami, posso brincar na água?"

"Pode sim, mas fique no raso onde possamos te ver, e leve sua boia." Kaori pôs a boia e correu pra brincar na água, bem na parte rasa. Kiyone e Mihoshi se deitaram nas toalhas pra pegar um bronze.

"Meu bem. Faz o favor de passar protetor na minhas costas?" Pediu a garota de cabelo verde já deitada de costas, enquanto desamarrava a parte de cima do biquíni.

Mihoshi passou o protetor com vontade e suas esposa parecia se deliciar com o toque de suas mãos.

Depois foi a vez de Kiyone passar o protetor nas costas da loira. Ambas contemplavam como sua filha se divertia pulando e chutando a água.

"Sabe, Mihoshi? Andei pensando em várias coisas, especialmente sobre a sorte que tivemos de um ano pra cá." Mihoshi mostrou um olhar curioso.

"Fala de como descobrimos o nosso amor, quando nos casamos ou de termos ganho aquele grande prêmio da loteria?"

"É tudo isso, mas tem mais uma coisa, e ela está bem ali." Ela apontou para a filha no mar. Mihoshi percebeu. "Diz de termos adotado Kaori? Realmente foi algo feliz pra ela."

"Pra ela e pra nós, porque todas ganhamos uma coisa especial: uma família." Mihoshi entendeu o que sua esposa disse e a abraçou amorosamente. "Ah, Kiyone. Sermos uma família é a coisa mais maravilhosa que podíamos ser. Eu te amo." A policial de cabelo esverdeado estava com os olhos em lágrimas mas com um sorriso doce. "Eu também te amo, meu amor, e a nossa filhinha. Tudo que fizermos, será juntas." As duas estavam pra se beijar quando Kaori surgiu e ambas se separaram, procurando disfarçar.

"Mami, mamãe. Tudo bem? Estava chorando, mamãe?"

"Não, não, não, gracinha. Só...passei protetor demais no rosto e caiu um pouquinho nos olhos, apenas isso. O que quer, bonequinha?"

"Queria saber se querem brincar comigo." "Ah, que grande ideia, e tenho aqui o que precisamos." Mihoshi pegou uma grande sacola e dela despejou seus brinquedos dos Policiais da Polícia do Espaço. Por essa Kiyone não esperava.

"Não acredito que trouxe tudo isso." Disse Kiyone um tanta embaraçada. "Você falou que íamos nos divertir." É, eu falei, mas..." Kaori se mostrava radiante. "Oba. Quero ser o Patrulheiro Vermelho." "Vou ficar com o Bazuca Furadeira. Quer brincar, querida?" Sem saber o que dizer, ela deu de ombros e pegou um dos bonecos. "Ok, fico com o Lorde Canhão." E olhando pra sua esposa e filha, expressou um sorriso perverso, mostrando que entrou na brincadeira. "Ah. Este é seu fim, Patrulheiro Vermelho. Meu exército do mal e eu dominaremos a Terra." "Isso que você pensa, Lorde Canhão. A justiça irá perseverar." "Não conte com essa. Estou aqui pra servir ao meu mestre." Kaori sabia como fazer o papel, e as três brincaram por toda a tarde, tirando um tempo pra outras coisas, como jogar bola, se enterrar na areia e nadar.


Quase de noite, Kiyone dirigia a van para casa com Mihoshi ao seu lado bem sonolenta e Kaori dormindo toda tranquila e sorridente. As duas olhavam para a filha adormecida.

"Foi um dia inesquecível, não acha?" A resposta que Mihoshi aguardava veio num belo sorriso.

"Um dos melhores até agora, e me pergunto o que o futuro nos reserva." "Seja qual for, só por termos uma a outra e nossa filhinha, já será uma maravilha." Mihoshi apoiou sua cabeça levemente no ombro da parceira, que sentiu certa verdade em suas palavras, enquanto guiava noite adentro."


15 anos depois...

O orador-mor da formatura passava o diploma. "A próxima: Kaori Makibi-Kuramistu. Congratulações."

No auditório, ninguém aplaudia com mais entusiasmo do que Kiyone e Mihoshi, felizes pela formatura de sua menina especial. Quando os pais e amigos foram de encontro com os recém-formados, as duas parceiras não souberam conter o que sentiam pela filha.

"Kaori, meu anjinho. Como temos orgulho de você." Mihoshi a segurava com toda força, que mal percebia como ela estava ficando sem ar. Teve que Kiyone lhe chamar a atenção. "Ah-hã. Benzinho..."

"Ah. Desculpe. Desculpe, Kaori. É que estou feliz que tenha se formado. E parece que foi ontem que você entrou em nossa vidas."

"Tudo bem, mami." Mesmo após tantos anos, Kaori ainda a chamava desse jeito e com Kiyone, pra quem agora olhava, não era diferente. "Não posso deixar de te dar razão. Você e a mamãe sempre me amaram e me apoiaram. Nunca desistiram de mim e graças à vocês, tive a melhor família que poderia desejar. Eu amos vocês." A garota recém-formada abraçou as duas mulheres, que choravam de felicidade por tais palavras. Um pouquinho depois, uma menina ruiva se aproximou. Kaori lhe pegou à mão.

"Mães. Conheçam Tomie, minha namorada." Kiyone e Mihoshi cumprimentaram com alegria a ruiva. "Encantada em conhecê-las, senhoras, e contente por aceitar-me na vida dela."

"O que deixar nossa menina feliz, está ótimo pra nós." A mulher de cabelo verde respondeu.

"Isso mesmo. Que tal comemorarem no nosso restaurante? Por nossa conta." Disse a loira bronzeada.


O Kiyoshi era um dos melhores bares-restaurantes da cidade. Com os melhores drinques, uma comida excelente, palco para karaokê e o point preferido de casais de mesmo sexo. Kiyone e Mihoshi o abriram depois de se aposentar da Polícia Galáctica. Mesmo recebendo ótimas ofertas de promoções da central, as duas optaram por uma vida mais pacífica na Terra, aonde residiam seus amigos, que vieram para a festa de Kaori.

"Preciso dizer. Acho que você acertaram com esse restaurante. Meus parabéns."

"Muito obrigada, Tenchi, mas Mihoshi merece o crédito pela ideia." Kiyone segurou ternamente a esposa dando-lhe um beijo na bochecha. Mihoshi ficou ruborizada.

"Quem está surpresa sou eu pela Mihoshi ter tido uma ideia. Acho que o casamento serviu pra estimular-lhe o pouco cérbro que tem." Ryoko dizia quando degustava uma bebida.

Kiyone já ia lhe dar uma coça, mas bastou o olhar sério de Tenchi pra reprendê-la. Ryoko pediu desculpas pelo que disse.

"Devia ter melhores modos, Ryoko. Isso é jeito de uma mulher casada falar?" Argumentou Aeka.

"Presta atenção, princesinha. Não é porque aceitamos as duas sermos do Tenchi que pode me dizer como devo dizer. Só ele pode fazer isso."

"Sempre agindo de modo vulgar. Típico." Provocou Aeka.

Ryoko já tomava posição pra atacá-la e vice-versa, mas de repente, uma descarga elétrica tomou conta das duas derrubando-as. Washu ergueu seu copo em triunfo.

"Vejo que depois de tanto tempo, meu dispositivo ainda é eficaz."

"Washu, você é incrível." Washu A.

"É a mais brilhante que há." Washu B.

Sasami tomou a palavra com animação. "Então brindemos a Kaori, por sua formatura na faculdade de artes, sua namorada Tomie e as suas mães, por promoverem esta festa."

E assim foi por toda a noite. Não teve quem não tirasse uma hora pra cantar. Até Kiyone e Mihoshi tomaram parte, e ainda mandavam bem, sem contar suas velhas amigas Yuuko e Emiko, às vésperas de se casar, convidando-as para serem suas damas de honra.


Bem de noite, as ex-policiais voltaram pra casa. A felicidade que ambas exaltavam era imensa.

"Que lindo dia. Não acha, Kiyone?" A loira apoiava seu queixo no ombro da esposa, acariciando seu rosto com o seu próprio.

"Mais um dos melhores e nunca me canso de dizer isso, minha cabecinha de bolha." Para Mihoshi, ser chamada desse jeito por ela, era como uma declaração de amor.

"Como eu gosto que me chame dessa forma. Quer que eu quebre um ou dois pratos pra recordar os bons tempos?" A mulher de cabelo esverdeado lhe voltou um sorriso franco.

"Eu gostei, e podemos brincar um pouco de Polícia do Espaço depois, mas desta vez quero ser o Patrulheiro Vermelho."

"Combinado, e mais uma coisa...," Mihoshi subiu nas costas da parceira. "eu te amo."

"Também te amo. É tudo que desejo e mais nada." E segurando sua amorosa esposa, foi para a cozinha.

Fim.


Achei tão legal a piada do choque elétrico da Washu que precisava citá-la novamente.

Espero que tenham gostado desta história e aguardem o que mais vou aprontar pra essas duas.