Bem,
finalmente esta fic está chegando ao fim. Quando comecei a
escrevê-la, ficava horas e horas imaginando as cenas e fatos
que aconteceriam. Mas fui acometida por uma outra idéia, para
um novo fic, e acabei ficando dividida. Como acho que dedicação
é fundamental, aguardei pacientemente o fim desta fic para
escrever a próxima.
Botan Kitsune – Que bom que
alguém mais prefere a Kikyou ! Já estava quase me
sentindo solitária... Olha, não tive nenhuma idéia
de crossover – a fic que tenho em mente é de Saint Seiya.
Mas tem uma garota escrevendo um bom crossover de Yu Yu e InuYasha. A
autora é a Hilda de Polaris e o título da fic é
O Brilho da Lua
Anne – Quem disse que eu não vou
contar o passado do Kurama ? Ele está aqui, escrito neste
último capítulo !
Perséfone-san –
Finalmente você leu, né ? Já não era sem
tempo. Mas sempre deixe reviews nos capítulos que ler de
qualquer fic, isso incentiva o autor. Deixar pra comentar só
no final pode desmotivá-lo a continuar quando vir nenhum
comentário. A pessoa acha que não está sendo
lido.
Apertem os cintos, pois costumo acelerar no último
capítulo !
Trunks
encostou a testa na da garota e chorou. Chorou violentamente. Deixara
o amor de sua vida morrer em seus braços sem nem ao menos
poder fazer nada para impedir a tragédia. Mas ao menos tinha
um consolo dado pelo sorriso nos lábios da garota : Kagome
morrera feliz.
Perdeu a noção de quanto tempo
passara assim. Apenas voltou a realidade quando ouviu um grito
feminino de terror. Olhou assustado e viu que era a mãe de
Kagome que chegara junto com o filho mais novo, Souta. A mulher veio
correndo em direção a Trunks, sem saber o que tinha
acontecido. Gritou ao ver o futuro genro e a filha banhados em
sangue.
- O que aconteceu aqui, Trunks ? Por favor, não me
diga que... – a mãe da garota chorava.
- Eu sinto muito,
Sra. Higurashi. Eu não pude fazer nada. – Trunks continuava
chorando.
A mãe de Kagome se ajoelhou e olhou o semblante
da filha morta. Alisava a face da garota enquanto Souta chorava,
triste.
- Veja o rostinho da minha Kagome, Trunks. Ela morreu
feliz, ao menos isso. Não se culpe, com um ferimento destes
você realmente não poderia fazer nada. Eu sabia que
vocês estavam envolvidos em algo perigoso, mas não sabia
que chegaria a este ponto. – ela fez uma pausa – Mas me orgulho
da minha filha. Sei que ela também fez o que pode. –
depositou um beijo na testa da filha e ficou olhando-a.
Duas
pessoas subiram correndo e encontraram a cena. Eriol e Tokiko estavam
com uma cara muito triste e se aproximaram.
- Sentimos o poder
dela se esvair a poucos minutos, Trunks. Não sei o que
dizer...
Trunks olhou para Eriol quando ele terminou de dizer
isso.
- Kagome falou algo a respeito de uma mulher chamada Kikyou
e disse que havia entendido tarde demais. O que você pode dizer
sobre isso ? – Trunks estava frio.
- Quando você estiver
recuperado, Eriol te contará tudo. Agora vamos, vou colocar
você numa maca, perdeu muito sangue e precisa de tratamento
rápido. – Tokiko falou, mas Trunks não se
movera.
Depois de alguns minutos, Trunks foi levado ao hospital
junto com o corpo de Kagome. Tokiko providenciaria uma autópsia
e livraria a todos de uma confusão com a polícia.
Arashi
e Kurama estavam chegando à casa da garota, depois de terem
fugido da praça agora florida.
- Kurama, nunca mais faça
isso ! Esqueceu-se de que não pode ser pego?
- Deixe-me em
paz, garota !
Arashi congelou.
- O que você disse ? –
ela falou secamente.
- Eu disse para me deixar em paz !
Francamente, eu faço o que quero da minha vida e ninguém
não tem nada a ver com isso ! – Kurama estava enfurecido.
-
Eu sou ninguém pra você ? Achei que estávamos
tendo um relacionamento, mas vejo que me enganei.
- Sim, se
enganou. Eu não te amo, garota. Será que nunca percebeu
?
- Desculpe-me se fui tola ao achar que você estava
interessado em mim. Por favor, nunca mais me dirija a palavra !
-
Será um prazer. Mas não te desejo nenhum mal. Tome
cuidado.
Kurama foi embora. Arashi, que até agora se
mantivera impassível, mostrava sinais de tristeza. Sentou-se
num banco em frente a seu prédio e começou a chorar.
Chorava de ódio. Ódio por aquele homem que tanto amara
e que a desprezara como se ela fosse um nada.
"Mas quem mandou
se iludir, Arashi ? Você sempre o achou frio e distante, por
que então achou que ele poderia estar te amando ? Ele só
te usou... Mas pra quê ?"
Continuava chorando Ficou assim
por um tempo indeterminado, até que sentiu uma presença
muito conhecida enfraquecer.
"Kagome ! O que está
acontecendo ?"
Ela foi correndo até a casa de Kagome,
mas, enquanto ainda estava muito longe de chegar, sentiu a presença
da amiga ir embora. Parou bruscamente de correr. Sentiu a tristeza
percorrer todo seu corpo junto com o ódio que estava sentindo
por Kurama. Ouviu Eriol falar em sua mente.
"Arashi... Sinto
muito, eu e Tokiko não chegamos a tempo de salvá-la...
Trunks está ferido e foi encaminhado para o hospital. Vá
até lá estarei te esperando na porta."
A voz de
Eriol soava melancólica. As lágrimas vertiam do rosto
de Arashi com mais intensidade e ela foi correndo até o
hospital. Chegou e encontrou um Eriol arrasado na porta. Ficaram se
encarando por um tempo.
- O que aconteceu ? – Ela finalmente se
manifestou.
- Venha comigo. Tenho umas palavras e explicações
a dar para você e Trunks.
Os dois subiram, mudos. Chegaram
até o quarto e entraram. Trunks estava sentado na cama, com as
pernas estiradas e o tronco enfaixado. Estava muito abatido. Seus
olhos, segundo Arashi percebeu, tinham perdido o brilho
característico. Arashi se sentou num sofá e Eriol
permaneceu em pé.
- Acho que devo algumas explicações
a vocês dois...
- Sim, Eriol. Você deve muitas
explicações. Arashi, onde está Kurama ? – a
voz de Trunks era seca, sem emoção.
- Não me
pergunte mais dele, Trunks. Não quero nem mais ouvir aquele
nome.
- O que aconteceu ? – Eriol perguntou, mas já sabia
a resposta.
- Nós rompemos qualquer tipo de relação.
Aquele idiota ! – Arashi estava enfurecida. Seus olhos marejavam
num misto de ódio e tristeza.
- Aquele estúpido teve
coragem de fazer isso... Mesmo depois de tudo... – Eriol murmurou
para si, mas Arashi ouviu.
- E como fará sem ele aqui ? –
Trunks perguntou.
- Vocês não vão ouvir nada
que ele já não saiba. – Eriol fez uma pausa e
recomeçou – De toda forma, eu ainda vou falar umas coisas
para ele. Bem, vamos começar. Trunks, você poderia nos
contar exatamente o que aconteceu hoje ? Sei que é doloroso,
mas precisamos de esclarecimentos.
- Bem, eu estava esperando
Kagome quando ela surgiu, toda ensangüentada, com aquele
terrível corte, brandindo o arco. Ela atirou em mim, mas
errou. Aí ela ficou estranha. Parecia conversar com alguém,
não sei bem quem era, mas lembro-me de ela ter chamado a tal
"pessoa" de Kikyou... Aí ela caiu e fui socorrê-la.
Tudo que ela me disse, além do fato que me amava, foi : "Diga
ao Eriol que, infelizmente, eu só pude compreender tudo quando
já era tarde demais.". Mas teve outro fato interessante
: em um determinado momento, logo antes de morrer, Kagome ficou
aterrorizada e parecia querer me avisar de alguma coisa, mas não
conseguiu.
- Pelo menos ela entendeu tudo, no fim...
- Tudo o
quê, Clow ? – Arashi estava impaciente.
- Não me
chame assim, Arashi. Não você. A história é
um pouco enrolada. Há mais de 500 anos vivia, no Japão,
uma sacerdotisa chamada Kikyou. Ela protegia um artefato mágico,
o shikon no tama, e acabava por atrair muitos youkais. Clow
ficou interessado no poder do shikon e foi procurá-la.
Era uma mulher admirável. Porém, por causa do shikon,
acabou sofrendo de intrigas. Ela era apaixonada por um hanyo chamado
InuYasha e um youkai maléfico, chamado Narak, armou uma
cilada, fazendo com que Kikyou matasse InuYasha, achando que ele era
o responsável pela morte dela, e depois falecesse.
-
Exatamente o que aconteceu com Kagome e eu, exceto a minha morte !
-
Sim, essa era a intenção de quem os atacou. Kagome era
a reencarnação da sacerdotisa Kikyou e este era o seu
destino. Kikyou tentou alertá-la, tentando evitar que ela
caísse neste trágico destino, mas, como Kagome mesma
disse, ela percebeu tarde demais.
- Que meios Kikyou tentou
utilizar para alertar Kagome ? – Arashi perguntou.
- Sonhos,
visões, o diário do mago Clow e o arco.
- Então
foi ela quem mandou aquele arco ? – Trunks parecia entender tudo o
que se passou rápido demais.
- Sim. Queria protegê-la.
-
Mas Kagome pode se utilizar destes mesmos meios para nos avisar o que
ela queria antes de morrer ? – Arashi perguntou.
- Temo que não.
Uma alma, quando morre, é deslocada imediatamente para o mundo
espiritual, e creio que Botan já o fez. Quando ela lá
chegar, a sua essência, que são os sentimentos e
lembranças, se destacarão de sua alma. A essência
será julgada, recebendo o castigo ou a recompensa eterna. A
alma seguirá por outro lugar, onde esperará mais
algumas centenas de anos para receber um novo corpo e voltar para o
mundo dos homens, ou das trevas. Mas fiquei intrigado com este aviso
que Kagome queria dar...
- Qual será o nosso próximo
passo ? – Trunks perguntou.
- Boa lembrança, meu caro. A
partir de hoje, vocês dois estão oficialmente fora desta
missão. Essa empreitada tomou um rumo muito perigoso para
todos e a morte de Kagome é a maior prova. Não quero
envolvê-los mais nisso. Agora sou eu, Koenma e Kurama nesta
missão.
- Sinto muito, meu amigo, mas simplesmente não
posso cruzar os braços depois de tudo o que aconteceu. O
mínimo que quero agora é me vingar de quem matou a
minha Kagome e tentou me matar. E nem você e nem ninguém
vai me impedir de fazer isso, Eriol. – Trunks se irritara com as
palavras do garoto.
- Já disse que não quero mais os
dois nisso. Agora já chega, preciso ir.
Um Eriol nervoso e
irritado deixou o quarto.
- Trunks, eu concordo com você. E
ainda digo mais : Eriol e Kurama sabem de muito mais coisas. Tenho
certeza até de que eles sabem quem está por trás
disso tudo. Vamos esperar um pouco até você se recuperar
e vamos agir por conta própria. Agora descanse. – ela deu um
beijo na testa do rapaz e saiu.
Trunks passou um bom tempo
observando o dia lindo que fazia lá fora. Era um contraste
imenso com seu interior destruído. Ele começou a
chorar, lembrando-se de Kagome...
O
homem entrou novamente no ambiente e encontrou Chizuru sentada da
mesma maneira de quando ele saíra. Aproximou-se da mulher e
colocou as mãos em seus joelhos. Ela despertou de um pequeno
transe e falou com a voz embargada.
- Ela está morta, não
é verdade ? Aquela garota ?
- Sim, está.
- Foi
você que a matou ? – ela o olhava com seus grandes olhos
azuis intrigados.
- Sim, fui eu. Mas não fiz isso só
por você. Fiz por mim também. Ela mereceu morrer, é
a lei da natureza.
- Você não conhece a natureza para
dizer isto, meu amigo. Mas não pense que vou lhe agradecer.
Não quero me sentir culpada pela morte dela. Se ao menos ela
fosse aquela sacerdotisa...
- Não vamos mais falar de
assuntos desagradáveis. Eu tenho a impressão de que
encontrei o amuleto que você tanto quer.
- Sério ?
-
Sim, é verdade. Tenho carta branca para agir ?
- Se não
for pra fazer alguma crueldade, tem sim.
- Ótimo. E você
ainda não está pronta para responder nenhuma das duas
perguntas que eu te fiz ?
- Talvez... Refaça a primeira
pergunta. Só te responderei a segunda quando estiver com o
amuleto.
- Fantástico. Qual o nome do youkai que você
amava ?
- Youko.
Eriol
entrou em casa e foi até a biblioteca. Kurama o estava
esperando sentado.
- Olá Clow ! Por que você está
tão agitado ? – Kurama o cumprimentou com um sorriso.
-
Eu que devo perguntar o porquê de você estar tão
tranqüilo, mas já sei a resposta. – Eriol sentou de
frente para o rapaz.
- Você está me olhando muito
feio, meu caro. Parece até que fiz algo de errado...
- E
não fez ? Não seja cínico, você é
esperto como uma raposa...
- Bem, eu sou uma raposa... – Kurama
deu uma risada e Eriol ficou mais zangado – Mas você sabe
muito bem que não tenho culpa na morte daquela menina ! Não
era o único interessado na morte dela !
- Neste ponto você
tem razão. Mas como você me disse há dias, você
a odiava e estava cada vez mais difícil de fingir que estava
tudo bem. Logicamente você era a primeira pessoa em que eu
pensaria ter culpa. Mas eu me esqueci das outras duas pessoas
interessadas...
- Duas pessoas ? Eu só conheço uma !
– Kurama pareceu surpreso.
- Isso não vem ao caso,
Kurama. Como você teve coragem de fazer o que fez com a Arashi
?
- Agora entendi o motivo de sua irritação...
-
Não se faça de sonso. – Eriol parece tentar se
recompor, sem muito sucesso.
- Bem, agora que a minha meta com ela
foi atingida, pelo que Koenma nos disse, então creio que não
preciso manter nenhum vínculo com ela, certo ?
- Errado.
Principalmente por você ter feito o que fez era que devia ficar
ao lado dela ! Eu te avisei que se você fizesse algum mal
àquelas garotas, você iria acertar suas contas comigo.
-
Não quero acertar as contas com você, Clow. Para mim, já
basta o julgamento do mundo espiritual. E, afinal, eu não fiz
nenhum mal a elas...
- Pode não ter feito necessariamente o
mal, mas também não fez o bem. Se quisesse ter feito o
que fez com Arashi, deveria ter feito com o seu anjinho.
-
Não ouse mencionar este assunto ou este nome aqui, Clow ! –
Kurama vociferou – O passado deve ficar para trás.
- Mas
você que insistia em desenterrá-lo logo quando Koenma te
enviou! – a voz de Eriol tinha uma nota de sarcasmo.
- Vamos
parar com esta discussão estúpida ?
- Está
bem. – Eriol agora voltara a sua calma habitual – Diga-me : você
suspeita do que seja o aviso que Kagome queria nos dar antes de
morrer ?
- Só poderia ser a revelação do nome
do assassino. E já que ficou tão perturbada, isso
reforça as minhas suspeitas...
- Sobre ele ?
-
Evidentemente. – Kurama se levantou e fez menção de
sair; Eriol o interrompeu.
- Kurama, você está
diferente. Não está escondendo nada de mim, não
é mesmo ?
- Não, meu caro.
- Você já
errou uma vez por ambição, não queira errar a
segunda vez.
- Não. Se eu errar, não será por
ambição.
Kurama sai da sala.
- Eu devia ter
mantido a minha oposição quando ele foi envolvido neste
caso... Embora não fosse adiantar, pois ele está
diretamente ligado a ele... – Eriol fica observando a paisagem da
janela da biblioteca.
Já
fazia uma semana que Kagome havia falecido. Trunks ainda estava em
processo de cicatrização, mas Tokiko já tinha
lhe dado alta. Ele e Arashi haviam combinado de se encontrar numa
praça meio afastada, por volta de três horas. Precisavam
combinar os detalhes de sua busca individual pelo amuleto e por
respostas.
Ele sentara num banco. Usava uma calça preta de
brim e uma camisa branca de botões. Não podia fazer
movimentos bruscos ou corria o risco de reabrir o ferimento. Não
esperou muito quando Arashi apareceu. A garota vestia um lindo
vestido azul marinho até o joelho, bem rodado.
- Você
está muito bonita, Arashi-chan.
- Muito obrigada.
-
Sente-se. Precisamos traçar as nossas metas.
Ela
obedeceu.
- Trunks, você consegue sentir alguma presença
estranha como Kagome o fazia ?
- Não. E sei que você
também não sente. Acho que devíamos ficar
atentos aos movimentos de Eriol e de Kurama.
- É uma boa
idéia. Eu estou com fome...
- E não almoçou
?
- Almocei sim, mas é que estou comendo muito
ultimamente...
- Cuidado, você vai engordar.
- Acho que é
porque estou meio deprimida com os últimos
acontecimentos...
Ela parou de falar de repente. Ambos se
entreolharam. Uma energia muito forte surgira num lugar mais ou menos
próximo dali.
- Arashi, vamos até lá !
-
Vamos sim. Eu conheço essa energia. É do Kurama.
Chizuru
olhava a expressão de seu amigo intrigada. Ele sorria, mas ela
saia que ele estava profundamente angustiado.
- Não me diga
que se arrependeu de ter matado a garota ?
- Não é
isso.
Chizuru avaliou o silêncio do rapaz.
- É
algo relacionado com a outra garota ?
- Sim.
- Deixe-me
adivinhar... Está enciumado e preocupado por causa do estado
em que ela se encontra.
Ele não respondeu. Mas Chizuru
sabia que acertara-lhe a ferida.
- Vou busca o amuleto que você
tanto quer. – O homem disse, por fim.
Chizuru tinha um sorriso
de triunfo no rosto.
- Você tem certeza de que achou o
amuleto, meu caro ?
- Claro que tenho. Não me restam mais
dúvidas.
- Então o que está esperando para
agir ? Ficarei atenta a todos os seus movimentos, quando sentir a
presença do amuleto, eu aparecerei.
- Tudo bem, então.
Mas lembre-se de que ainda precisa me revelar o seu nome.
- Pode
deixar.
O homem saiu. Chizuru estava ansiosa para finalmente
recuperar a sua essência.
Kurama
andava sozinho por uma praça. Há muito mandara às
favas os conselhos de Eriol e resolvera agir por conta própria,
como sempre quis desde o começo. E aproveitaria aquele local
bem afastado da mansão Hirasigawa para fazê-lo.
Notou
que estava sendo seguido. Não porque sentisse uma presença
estranha. Ele sentiu um olhar assassino o seguindo. Sorriu. Continuou
andando até o meio da praça.
- Não gosto de
pessoas que vivem nas sombras. Apareça !
O vento soprava.
Uma pessoa encapuzada desceu do alto de uma das árvores da
praça. De estatura bem mais baixa que a de Kurama e portando
uma espada, ele parou e observou Kurama.
- Finalmente apareceu.
Sabia que você é bem baixo para um homem ? Parece até
uma mulher...
O homem riu.
- Por que não me entrega logo
o que eu vim pegar ? – falou num tom infantil.
- Não
sabia que você era tão impaciente... – Kurama riu com
sarcasmo – Por que não me mostra seu rosto ? Está com
medo ?
- Medo ? O que é isso ? – o homem riu.
Kurama
colocou uma mão atrás do cabelo e puxou uma rosa.
-
Para mim ? Muito obrigado, eu não quero. – o homem deu uma
risada.
- Ah, que peninha. – Kurama estava começando a se
impacientar com a falta de emoção do adversário.
-
Bem, você nem ao menos é um espadachim... Não vou
usar minha técnica com você. Usarei princípios
básicos.
- Está me subestimando ? Rose Whip !
A
rosa que Kurama segurava se transformou num chicote. O homem não
respondeu. Apenas usou a mão para descolar a espada da bainha,
sem retirá-la. Passaram alguns minutos se analisando. Ninguém
queria dar o primeiro passo. Mas o homem resolveu atacar.
Correu
com uma incrível velocidade em direção de
Kurama. Este tinha uma enorme dificuldade em prever os movimentos do
inimigo, pois o homem não demonstrava nenhuma emoção
ou energia. Kurama resolveu saltar. O homem apoiou-se no pé
direito e saltou também. Atacou Kurama com a espada e este
praticamente não conseguiu desviar. Ficou com um belo corte na
perna esquerda. Mas o chicote de Kurama também golpeou o
rapaz, cortando-lhe o braço esquerdo.
- Ainda conseguiu me
atacar ? Interessante... Parece que a minha Kikuichimonji-norimune
(nome da espada) não foi rápida o
suficiente...
Kurama arfava um pouco. Aquele corte tinha machucado
muito a sua perna e iria ter dificuldades de locomoção.
O rapaz não queria parar e veio novamente em sua direção.
-
Fuu-Ka EnbuJin ! – Kurama gritou e uma barreira de pétalas
de rosas apareceu ao seu redor.
O homem estranhou a presença
das pétalas, mas não hesitou. Saltou e sacou sua
espada, atacando Kurama por cima. Porém as pétalas
funcionaram como lâminas, fazendo vários cortes no corpo
dele. Mesmo assim, ainda conseguiu desferir um golpe em Kurama, que
atingiu o ombro direito de raspão. Afastou-se.
- Você
é bom... Gostei destas pétalas, são muito
bonitas. – O rapaz sorriu.
Kurama estava ficando extremamente
irritado com aquele rapaz e resolveu se revelar. O poder de Kurama
foi aumentando progressivamente e a sua aparência também
foi se modificando. Seus cabelos tornaram-se prateados e seus olhos,
dourados. Tinha um par de orelhas acima da cabeça e um rabo de
raposa. Suas vestes foram trocadas por um manto branco.
- Você
é um youkai ? Não sabia...
- Você é
muito jovem, meu caro. Há muitas coisas que desconhece neste
mundo.
Kurama deu um sorriso cínico.
- Makai no Ojigisou
! – Kurama ordenou.
Uma grande planta brotou no chão.
-
Mas o que é isso ? – O rapaz perguntou.
- Mimosa do mundo
das trevas.
- Ah, a planta que se retrai com o toque ? Já
ouvi falar...
Kurama sorriu. O rapaz iniciou o movimento em
direção de Kurama novamente. Mas aconteceu algo fora de
seus planos. A planta começou a atacá-lo furiosamente.
Ele quase não teve tempo de desviar e recebeu um corte na
altura do fígado.
- Esta planta ataca o fogo e tudo aquilo
que se movimenta. – Kurama riu sarcasticamente.
O rapaz parecia
ter dificuldades de desviar da planta e começou a cortá-la
fervorosamente. Continuava se movimentando para frente, num ponto
atrás de Kurama.
"Idiota... Só vai morrer mais
rápido..."
Mas então foi Kurama quem ficou
surpreso. A planta parecia agonizar e ele se virou para trás.
O rapaz havia encontrado a raiz da planta e a cortara. A mimosa
estava morta. Kurama preparou uma espécie de espada criada a
partir de uma planta e começou a lutar com o
rapaz.
Rapidamente Kurama descobriu que não tinha a técnica
suficiente para deter aquele homem. Mas sorria. Resistia bravamente
aos ataques, porém, em um determinado momento, o homem sumiu.
Kurama começou a procurá-lo, em vão. Não
conseguia sentir nenhum tipo de energia. Era como se aquele homem
nunca tivesse existido.
Notou uma movimentação atrás
de si e viu duas pessoas se aproximando. Eram Arashi e Trunks. Como
os dois nunca o viram naquela forma, não o reconheceram.
Embora Arashi tivesse certeza que a energia que emanava do youkai era
a mesma de Kurama.
Com esse pequeno deslize de atenção,
o homem aproveitou para atacar. Veio numa velocidade fulminante,
brandiu a espada e atacou. Um brilho muito forte começou a
emanar do corpo do youkai. O amuleto de Anúbis aparecera
novamente. Mas a intensidade do golpe do rapaz for tão forte
que atravessara o amuleto no meio e atingira ainda em cheio o abdômen
do seu alvo.
Arashi estava estranha. Tinha uma sensação
muito ruim dentro de si e estava preocupada com aquele youkai
estranho que tinha acabado de levar um golpe mortal. Trunks parecia
indiferente. Veio em busca de Kurama e não o achou. Pelo menos
achou o amuleto.
Kurama ficou surpreso com a potência
daquele golpe. Aproveitou a proximidade e analisou o rosto do seu
oponente. Sorriu com satisfação.
- Eu sabia que era
você, meu caro. – sussurrou de modo que apenas o homem
escutou.
Retirou a espada do youkai e o deixou cair no chão.
Afastou-se. Começou a analisar o que tinha acontecido e se
achava um idiota por ter quebrado o maldito amuleto junto. Chizuru
jamais o perdoaria. Então se virou para trás de súbito.
Uma voz feminina, a voz de Chizuru, apareceu gritando um nome.
-
Youko ! – A mulher tinha lágrimas nos seus lindos olhos
azuis.
O youkai olhou surpreso para a mulher. Todo o seu cinismo
desaparecera. Tudo que ele murmurou foi um nome.
- Mai...
O
homem encostou-se numa árvore e ficou observando a cena.
Arashi e Trunks também começaram a observar. Seja lá
qual fosse a identidade deles, o amuleto estava destruído. Mas
ouvir aquela história seria interessante.
A mulher correu
em direção ao youkai e colocou a cabeça dele em
seu colo. Começou a afagar-lhe os cabelos e a chorar
copiosamente.
- É tão lindo ver um anjo chorar... –
o youkai parecia sereno.
- Youko ! Você estava mesmo vivo !
Por que não me disse nada ? Por que não me avisou ?
-
Avisar ? – Mai notou uma nota de irritação na voz
dele – Você não tinha o direito de achar que eu tinha
morrido !
- Como não ? Depois daquela flecha ?
- A
flecha realmente quase me matou, ia purificando aos poucos as minhas
quatro almas. Mas consegui fugir e entrei num corpo de raposa que
havia por ali. Esperava que você me achasse, mas você nem
sequer me procurou !
- Eu achava que você tinha ido para o
mundo espiritual e tudo o que eu fazia era pensar num jeito de
retornar para lá Como você conseguiu um novo corpo ?
-
Quando minha alma ficou forte o bastante, refugiei-me no corpo de um
bebê ainda sendo gerado pela mãe. Esperei por você
todo este tempo. Você não sabe o quão forte foi o
meu desgosto quando soube por Koenma que você estava procurando
este maldito amuleto para recuperar a sua essência ! Então
você desistiu de mim ?
- Jamais ! Eu não te esqueci
nem um só minuto ! Desculpe-me, meu amor, por favor... – Ela
baixou a cabeça e beijou Youko. Quando se separaram, ele
sorriu.
- Eu posso ser um terrível youkai, mas você
sempre terá o meu perdão, meu anjo...
- Você
não sabe o quanto eu sonhei em ouvir estas palavras de sua
boca ! Mas agora você está condenado... Quero partir
contigo, meu amor... Espada celestial !
Arashi estremeceu ao ouvir
aquelas palavras. O homem se aproximou.
- Perdoe-me, Chizuru. Não
sabia que se tratava de Youko.
- Tudo bem. Apenas venha cá.
Ele
obedeceu. Chegou próximo da mulher e parou. Sorriu.
- Mai é
um nome muito bonito...
Ela sorriu.
- Muito obrigada. Pelo
menos você obteve a resposta de sua segunda pergunta. Faça-me
um favor, meu amigo. Atravesse meu corpo com esta sua espada no mesmo
lugar em que cortou Youko.
Ele obedeceu com um grande sorriso no
rosto. A mulher se contorceu com a dor que sentiu, principalmente
quando ele puxou de volta a arma. Mas sorria. O homem se afastou e
retornou à árvore. Arashi estremecia cada vez mais que
assistia à cena.
- Mai-chan... – uma outra voz masculina
surgiu. Todos se viraram para ver quem tinha chegado.
-
Koenma-sama... – Mai deu um sorriso.
- Ah, moleque ! Você
finalmente sossegou depois de todo aquele tempo. Reprovo o que você
fez, mas santa paciência ! Ninguém merece passar pelos
mesmos apuros que Clow e eu passamos por causa desta história.
– Koenma falou observando Youko com uma cara engraçada –
Finalmente estas duas almas vão ter um descanso. Felizmente
você não conseguiu recuperar sua essência. Será
mais feliz assim no mundo espiritual, Mai-chan. Você sabe que
seu único pecado foi amar. E tem um camarada lá de
braços abertos te esperando, garota.
- Que bom que meu
irmão me perdoou ! – ela deu um imenso sorriso.
- Nem me
fale naquele homem... Ou melhor, anjo...
- Youko ! – ela
deu um sorriso, apesar da repreensão.
- Tudo bem, meu amor.
Agora eu só quero saber de você.
Mai e Youko sorriram
e se beijaram. Morreram simultaneamente nesta posição.
-
Botan ! – Koenma gritou.
- Chamou, Sr. Koenma ? – Uma garota
de cabelos muito azuis, trajando um kimono rosa em cima de uma
espécie de "vassoura" apareceu, flutuando.
- Leve estas
duas almas para serem julgados pelo meu pai por seus crimes. Eles já
sofreram demais por mais de 500 anos...
Botan assentiu com a
cabeça. Duas almas entrelaçadas a seguiram flutuando
até desaparecerem no infinito.
Arashi e Trunks correram até
Koenma. O rapaz continuava observando a tudo encostado na árvore.
-
Koenma-sama ! – Arashi gritou.
- Vocês estavam aí...
-
Pode nos explicar o que aconteceu aqui ? – Trunks segurava o
ferimento que começara a latejar com a corrida.
- A
história é um pouco longa. – Ele olhou para o rapaz e
prosseguiu – Há mais de 500 anos, o mundo dos humanos e o
das trevas eram ligados. Assim, muitos youkais trafegavam livremente
pela Terra e causavam muitos distúrbios. Entre eles havia um
grupo de ladrões liderados por um youkai raposa, Youko. Eram
famosos por roubar artefatos de grande valor mágico ou
espiritual.
- Eles já tentaram roubar o amuleto de Anúbis
? – Arashi perguntou.
- Não. Poucos sabiam da existência
de tal artefato. Nem mesmo Clow, um mago tão poderoso, sabia
disso. Os furtos deste bando começaram a perturbar o mundo
espiritual. Deste modo, eu mandei um anjo para se encarregar de
trazer Youko para o mundo espiritual e ser julgado. Era Mai.
- Ela
era um anjo ? – Trunks perguntou.
- Não, falei isso só
pra tapear. Claro que sim, ô estrupício ! – Trunks fez
uma cara feia, mas Koenma não ligou – Mai começou a
perseguir o bando de Youko e estava tendo dificuldades, apesar de ser
muito competente. Em seis meses ela conseguiu encurralá-lo.
Mas não o trouxe até nós.
- Eles se
apaixonaram... – Arashi acrescentou.
- Exatamente. Já
fazia um ano que Mai estava nesta missão e eu tive que
chamá-la. Conversei com ela e ela me contou que os dois haviam
se apaixonado. Mas como ela era um anjo e ele, um youkai, não
poderiam se tocar. Ela era pura e o machucaria com o toque. Então
ela decidiu perder a sua essência.
- Essência como a
das almas ? – Trunks perguntou.
- Não. Um anjo só
tem a alma, não tem a essência em separado. A essência
a que me refiro é a fonte de sua pureza. Sem ela, um anjo não
passa de um simples youkai. A essência de um anjo são as
asas. Para ficar ao lado de Youko, Mai decidiu perder suas asas. Mas,
além de mim, tinha mais alguém contra : Yue.
- Quem
é Yue ? – Arashi perguntou.
- Yue é o irmão
mais velho de Mai. Ele odiava Youko com tudo o que podia.
- Um
anjo pode odiar ? – Arashi interrompeu.
- Se não for
corromper a sua alma, pode. Yue sempre repurificava a sua alma para
não corrompê-la. Ele insistiu muito para Mai não
perder suas asas, mas viu o quão decidida ela estava. Olhou-a
com tristeza e disse que ele mesmo queria fazer aquilo. Disse-lhe
também que não tinha mais irmã, que ela morreria
quando ele o fizesse. E fez. Arrancou as asas de Mai com as próprias
mãos, vendo o sangue jorrar das costas da irmã e
ouvindo seus urros de dor. Quando terminou, saiu sem nem olhar para
trás.
- Que horror... Ela deve ter ficado muito triste... –
Arashi completou.
- Sim. Ela ficou arrasada. Mas saiu em busca de
seu amado. Youko era teimoso feito uma mula e, não ouvindo as
recomendações de Mai, foi roubar mais um artefato
mágico enquanto ela ia ao mundo espiritual perder a sua
essência. Ele foi roubar a shikon no tama.
- Shikon
no tama ? Esta não é a jóia que Kikyou
protegia ? – Trunks pareceu mais interessado na conversa.
-
Correto. Youko subestimou o poder da sacerdotisa e ela o matou com
uma flecha no coração. Quando Mai saiu do mundo
espiritual, resolveu trocar seu nome para não manchar as
lembranças de Yue. Passou a se chamar Chizuru. Então
ela saiu em busca de seu amado e tudo o que encontrou foi um corpo
sem vida. Chorou mais que qualquer pessoa. Queria se vingar da mulher
que matou Youko, mas quando descobriu, ela já havia sido morta
por Narak. Sem saber que a alma e essência de Youko estavam
alojados em uma raposa, ela partiu para o mundo das trevas antes que
o nosso esquadrão criasse uma barreira entre os dois mundos.
Quando a alma de Youko ficou mais forte, buscou refúgio numa
mulher grávida e mudou de nome. Virou Kurama Minamino.
Arashi
ficou em choque ao ouvir as últimas palavras. Decerto que não
queria mais vê-lo, mas também não o queria morto.
Olhou para aquele corpo sem vida jazendo próximo a seus pés
e chorou.
De repente, começou a se lembrar de um fato.
Lembrou-se de como Kurama ficava estranho toda vez que ouvia a música
Iris, do Goo Goo Dolls. Era lógico! A música descrevia
exatamente o que tinha acontecido com ele. Todos os movimentos
estranhos de Kurama pareciam fazer sentido agora para ela. E isso a
fazia chorar ainda mais.
Trunks ouvira o fim da história
com os punhos cerrados. Espasmos de ódio percorreram toda a
extensão do corpo dele. Com um olhar frio e assassino, ele se
dirigiu a Koenma.
- Quem matou Kagome ? Mai ou Kurama ? –
perguntou cheio de ódio.
- Nenhum dos dois. Mai, apesar de
ter virado uma youkai, era ainda muito pura. Youko não
poderia, Eriol o supervisionava.
- Como assim ? Eles eram os
interessados em se vingar de Kikyou ! – vociferou.
- Sim, mas
nenhum dos dois mexeu um dedo para matá-la. Quem o fez foi uma
terceira pessoa, que está bem ali, encostada na árvore.
– Koenma apontou para o rapaz e se afastou. Resolveu ficar
observando.
Arashi estava muito incomodada com aquela presença.
Quando viu que Trunks tinha a intenção de ir até
lá colocou um braço em seu caminho.
- O que foi,
Arashi ? Deixe-me ir ! Quero vingar Kagome !
Arashi não
respondeu. Virou-se para o rapaz encostado na árvore.
- Se
ouvi bem, Mai te chamou de Espada Celestial. Eu só conheço
uma pessoa que atenda por esta alcunha. – Arashi estava com medo da
resposta.
Trunks resolveu segurar seu ódio. Se tentasse
atacar daquele jeito, seria um alvo fácil. Tentou começar
a raciocinar enquanto observava Arashi conversar com aquele homem.
-
Exatamente. – O homem respondeu.
Arashi estremeceu com aquela
voz. Lágrimas começaram a brotar do seu rosto mais
intensamente e ela começou a tremer um pouco.
- Onii-chan ?
– Sua voz estava trêmula.
O homem levantou o capuz e
revelou o seu rosto.
- Há quanto tempo, Arashi-chan.
Arashi
chorou convulsivamente. À sua frente se encontrava um belo
rapaz de cabelos lisos negros e olhos azuis. Sorria. Vestia um gi
azul e carregava uma espada. Sim, era aquele rapaz que não via
há um ano.
- Soujirou ? Koenma estava mentindo, não
é ? – Arashi recusava-se a acreditar.
Trunks estancou ao
ouvir Arashi chamar aquele garoto de "Soujirou". Seus pensamentos
ficaram confusos. Quem estava na sua frente era o irmão de
Arashi ! Ele não poderia ter matado Kagome...
- Fiquei aqui
escutando a versão do mundo espiritual para a história
de Chizuru. Vejo que foram bem fiéis.
- Soujirou, você
não matou Kagome, não é ? – Arashi estava
nervosa e continuava chorando.
Soujirou sorriu.
- Sobrevivência
dos hábeis : o forte sobreviverá e o fraco irá
sofrer. É a lei mais básica da natureza. Se ela era
fraca, por que deveria continuar vivendo ? Se ela tentou destruir
alguém que era mais forte do que ela, então merecia
morrer.
Trunks teve ódio das palavras daquele garoto, mas
com certeza não superou as ondas de ódio que percorriam
todo o corpo de Arashi. Ela tremia de ódio. Parou de chorar.
Apenas mirava o irmão com seus olhos cheio de ira.
- Não
é porque ela te deu um fora há um ano que você
tinha o direito de matá-la, Soujirou !
- Ela não me
deu um fora; ela tentou me destruir. Você não estava lá
não tem como saber o que ela fez. Mereceu morrer. – ele deu
um grande sorriso – Eu ainda a amava, mas ela era fraca... Muito
fraca...
Trunks fez menção de avançar. Arashi
deu uma olhadela cheia de ira que o fez estancar. Ouviram mais alguns
passos e olhara. Era Eriol.
- Koenma ! Vejo que cheguei um pouco
tarde para evitar a tragédia... Percebi que Kurama estava com
o amuleto há pouco, parece que ele seduziu o artefato numa
exibição de poder. – Eriol ainda não percebera
que Trunks, Arashi e Soujirou estavam lá.
- Tarde ? Eu
nunca pensei que veria um inglês se atrasar ! Esses dois já
devem estar sendo julgados por meu pai. Mas a confusão ainda
não acabou... – Koenma apontou para os três que os
olhavam.
Eriol analisou as caras de Trunks e Arashi. Ia perguntar
o motivo daquele ódio todo quando viu a terceira figura.
-
Meu Deus ! – disse de uma vez.
- Se isso é tudo o que tem
a dizer nem precisava ter vindo, Eriol. – Arashi estava
extremamente irritada – Soujirou, você vai acertar as suas
contas comigo. Agora ! – Ela retirou sua espada da mão.
Soujirou
riu.
- E você acha que pode lutar neste estado ?
Faça-me o favor !
- Estado ? Que estado ? Eu não
estou doente nem ferida. – Ela deu uma olhada para Trunks.
-
Soujirou, Mai sabia do estado de Arashi ? – Koenma perguntou.
-
Sim, sabia. E teve certeza hoje do responsável.
- Muito
interessante... Aquela era a minha menina... – Koenma falou mais
para si e Eriol que para os outros.
- Querem parar de falar como
se eu estivesse doente ? Meu irmão, prepare-se !
- Eu não
sou seu irmão há um ano.
- É verdade. Meu
irmão jamais faria uma atrocidade destas ! Trunks, afaste-se.
Vá para onde está Eriol e Koenma. – ele obedeceu
indignado. Mas sabia que aquele assunto tinha se tornado mais de
Arashi que dele próprio.
- Vocês vão permitir
que ela lute assim ? – perguntou a Eriol e Koenma, mas não
obteve resposta – Então tudo bem.
Arashi colocou a perna
direita à frente e girou o corpo para trás. Brandia a
espada com a mão direita e a mantinha próxima à
perna esquerda, recuada.
- Battoujutsu ? – Soujirou começou
a imitá-la – Eu também sei fazer esta
técnica.
Soujirou sorria e Arashi mantinha-se em seu ódio.
Analisavam-se. Ninguém queria dar o primeiro passo com receio
de ser o primeiro a errar. E um erro poderia ser fatal. Depois de
alguns minutos, atacaram-se simultaneamente.
As espadas estalaram
com a colisão, mas mantiveram-se firmes. Soujirou se afastou
após a colisão.
- Você melhorou muito,
Arashi-chan. Seus golpes estão mais fortes que antes. Não
acredito que não foi capaz de matar Kamus... Vou matá-lo
depois. Será que ele achou mesmo que eu ia deixá-lo
vivo ?
- Era você quem dava informações nossas
juntamente com Michiru ! Claro, quem mais poderia ter dito a Kamus
que eu sabia lutar com espadas ?
A lembrança vem à
memória da garota. A voz de Kamus ecoava.
"Uma espada,
hein ? Vejamos se você sabe lutar tão bem quanto me
disseram."
- Sinto muito, minha querida, mas temo ter que
matá-la. – Soujirou começou a bater a ponta do pé
esquerdo no chão – Tentarei ser o mais rápido
possível para que você não sofra.
Soujirou deu
um grande sorriso e desapareceu no ar. Tudo que poderia ser visto
eram as marcas de seus pés tocando o chão. Isso deixava
enormes buracos no solo.
- Shikuchi ! Isso é Shikuchi ! –
Arashi gritava enquanto tentava localizar Soujirou.
A tentativa da
garota estava sendo frustrada. Inúmeros cortes começaram
a aparecer em seu corpo provocados pela espada de Soujirou.
"Preciso
contra-atacar... Agora."
Arashi saltou. Como conseguia ver os
lugares por onde Soujirou passava, sabia que ele não poderia
estar no ar. Tentou adivinhar o próximo movimento dele e
conseguiu. Mas Soujirou foi mais rápido, desviando-se e
saltando. Quando Arashi deu por si, Soujirou estava em sua frente,
lhe golpeando na coxa direita. Ele deu um pulo para trás e ela
caiu no chão.
- Muito bom, Arashi-chan. Mas na verdade esta
técnica não foi a Shikuchi verdadeira. Não
preciso dela para derrotar você. Se fosse a técnica
verdadeira, meus pés não deixariam marcas no
chão.
Arashi levantara-se com um pouco de dificuldade.
-
Pelo menos eu consegui prever onde estava. Posso te derrotar.
-
Será ? – Soujirou sorriu e recomeçou a bater a ponta
do pé esquerdo no chão – Como você se sai
contra Shun Ten Satsu ? – Ele riu e sumiu novamente.
- Shun Ten
Satsu ? Você vai combinar o Battoujutsu com Shikuchi ?
Arashi
procurava Soujirou. Pareceu perceber seus movimentos e ia
contra-atacar, quando teve uma surpresa. Uma árvore atrás
de si foi partida ao meio. Ela olhou e percebeu que tinham sido os
pés de Soujirou. Mas os passos agora estavam à sua
frente e logo após, nas árvores novamente. Ia ser muito
mais difícil prevê-lo. Então uma outra lembrança
veio à mente dela. Foi do dia em que Kurama a observou
treinar. A voz dele ressonou nitidamente.
"Vejo que você
é realmente boa nisso. Fiquei preocupado quando vi a sua luta
com Kamus. Mas quero que você treine melhor sua defesa,
principalmente para ataques vindos de todas as direções.
Faça isso agora de tarde. Preciso ir agora. Ah, amanhã
vamos à festa, certo ?"
"Ele me pediu para treinar
defesas contra ataques multi-direcionais. Ele sabia de Soujirou !"
-
Concentre-se Arashi ! – Trunks deu um grito e recebeu olhares de
censura de Koenma e Eriol.
Ficava cada vez mais difícil
achar Soujirou. Quando quase conseguiu, ele percebeu a tempo e mudou
de posição. Soujirou era rápido demais, ela
sabia. Mas precisava reagir. Sentiu uma grande dor nas costas.
Soujirou a acertara novamente.
- Você é muito
resistente ! Mas no próximo golpe você morrerá
-
Será mesmo, Soujirou ?
Ele deu uma risada. Bateu as pontas
dos pés e sumiu pela terceira vez. Mas Arashi também
era rápida. Apesar da dor que sentia em sua perna, ela
resolveu atacá-lo. Os dois iam se bater de frente, mas a perna
machucada de Arashi fraquejou. Ela acabou abrindo a guarda, dando
toda a chance a Soujirou. Mas ele não a aproveitou. Ela se
recuperou e conseguiu reagir a tempo. Sua espada perfurou o coração
de Soujirou.
- Soujirou ? – Arashi estava confusa – Por que
não me atacou ?
- Não sei... Foi estranho... Mas não
consegui matar as duas pessoas mais importantes na minha vida... Seja
forte, minha irmãzinha...
A vida de Soujirou expirou nos
braços de Arashi. Ela recomeçou a chorar. Retirou a
espada e a guardou. Sentou-se e colocou a cabeça de seu irmão
morto no colo. Chorava muito, mas gritava com Eriol e Koenma.
-
Por favor, vocês dois podem me explicar por que Soujirou disse
duas pessoas ? E por que dizia que não queria lutar
comigo ?
Koenma ia abrir a boca, mas Eriol pediu para falar.
-
Arashi, Koenma contou a mim isso há dois dias. Você está
grávida de Kurama.
Arashi ficou olhando Eriol com um olhar
vago. Parecia não entender o que tinha sido dito.
- Eu
estou grávida de Kurama ?
- Sim. Eu acabei participando
inocentemente desta situação. Kurama sabia que ia
morrer e se aproveitou do amor que você devotava a ele para
deixar um descendente.
- Ele realmente me usou ? Não
gostava nem um pouquinho de mim ? – Arashi chorava – Onii-chan !
O que foi que eu fiz ? Você não precisava ter morrido...
Você ainda se importava comigo !
Arashi chorava afagando os
cabelos de Soujirou. Trunks emudecera por completo.
- Arashi, se
você aceitar, tenho pretensões de torná-la uma
detetive espiritual. Sei que sua vida mudará muito por conta
desta criança, mas você pode morar com a mestra Genkai
num lugar afastado. Criará este bebê e poderá
receber o treinamento adequado quando estiver em condições.
O que acha ? – Koenma terminara de falar.
Trunks resolveu
interferir.
- Sei que a situação é difícil,
mas Arashi pode morar comigo e a minha mãe. Estou disposto a
assumir esta criança como minha !
- Não Trunks. Não
estrague a sua vida por mim. Eu estou assim porque fui conivente com
os desejos de Kurama. Ao que eu quisesse ter um filho, mas já
que é assim, a melhor solução é aceitar o
convite de Koenma.
- Arashi, não vá
- A minha
vida normal não existe desde o dia em que entrei neste grupo a
pedido de Eriol. Não tem mais volta, Trunks. Eu quero que você
encontre uma esposa a altura de Kagome-chan e seja feliz, meu amigo.
E muito obrigada por tentar me ajudar. Mas devo seguir só
agora.
Eriol sorriu.
- Estou perdoado ?
- Sim, Clow, está.
– Eriol fez uma careta ao ouvi-la chamando a ele deste nome -
Vamos, Koenma ?
- Claro. Mas antes você vai ao hospital.
Tokiko vai cuidar de você e acompanhar a sua gravidez.
-
Tudo bem. Mas se Kurama pensava que eu is criar esta criança
para ser como ele, está muito enganado. A minha pequena Hotaru
será a única luz da minha vida, como um vaga-lume...
-
Como você sabe que é uma menina ? – Trunks pergunta.
-
Pressentimento. Adeus, Trunks. Será que poderia dar a Soujirou
um enterro decente ?
- Tudo bem.
Arashi deu um beijo na testa
de Trunks. Koenma a fez levitar e a levou embora para o hospital.
-
Trunks, vá pra casa. Eu cuido dos três mortos.
- Vou
cumprir o que prometi a Arashi. Não deixarei ninguém a
seus cuidados.
- Então providencie o necessário
apenas para Soujirou. Mai e Kurama serão levados para o mundo
das trevas.
Eriol conjurou seu báculo e a carta Flutuar e
partiu. Trunks ligou e providenciou o enterro do irmão de
Arashi.
Depois deste dia, nenhum deles mais se encontrou. Eriol
retornou para Inglaterra. Trunks não conseguia esquecer
Kagome, para desespero de sua mãe, Bulma. Arashi teve uma
gravidez saudável e Hotaru nasceu forte. Era uma menina de
cabelos negros e olhos lilás, de aparência frágil,
mas que escondia um grande poder interno. Juntos mesmo estavam apenas
Youko e Mai, no mundo espiritual. E, no mundo das trevas, no seio de
uma floresta, lugar onde se conheceram, estava a lápide dos
dois.
Mai
e Youko
Chizuru e Kurama
Um anjo e um demônio. O paraíso
e o inferno. Juntos. Enamorados.
Um amor que resistiu ao tempo, à
distância e às diferenças.
Um amor tão
forte e verdadeiro que conseguiu vencer até mesmo a própria
morte.
Comentário
final da autora : Bem, consegui terminar ! ' Sei que devo ter
corrido um pouco, mas é que sou assim mesmo. Eu tentei fazer
deste epitáfio uma coisa legal, mas simplesmente me ocorreu um
bloqueio ! Não ficou como eu esperava, acho-o meio brega e
clichê. Mas o que é o amor senão clichê
?
Gente, vocês não sabem o quanto foi complicado
escrever as cenas da luta da Arashi e do Soujirou sem parecer a luta
do Soujirou com o Kenshin no esconderijo do Shishio ! Eu tinha
gravado esta luta (eu amo o Soujirou-sama ! ') e fiquei observando
os movimentos, mas talvez ainda tenha erros. Esforcei-me ao máximo,
mas acho que não sou muito boa em lutas...
Eu já
tinha pensado numa possível gravidez para Arashi, mas quando a
escrevi me pareceu tão nada a ver... É que precisava de
alguma desculpa para fazê-la se afastar e aproveitei e usei a
gravidez como um motivo para que o Kurama a seduzisse... A Hotaru é
realmente a personagem de Sailor Moon. E notem que Arashi faz um
trocadilho ao falar que Hotaru será o vaga-lume da vida dela :
Hotaru é vaga-lume em japonês.
Acho que já me
alonguei muito. Agora vem um super disclaimer com todos os
personagens da fic. Ninguém precisa ler, é realmente só
uma retratação.
Disclaimer
geral : à exceção de Mai/Chizuru, da
narradora da festa beneficente e do amuleto de Anúbis, os
personagens aqui utilizados não são criações
minhas. comemora porque pelo menos criou alguma coisa Sou apenas mais
uma maluca por mangás que se aproveita dos queridos
personagens já criados pelos grandes mestres.
Os criadores
dos personagens aqui utilizados são :
Rumiko Takahashi –
Kagome, a mãe de Kagome, Souta, o avô de Kagome, Kikyou,
InuYasha, Naraku, Midoriko e a shikon no tama.
Nobuhiro Watsuki –
Soujirou Seta.
Masami Kurumada – Kamus e Shun.
Akira Toriyama
– Trunks, Bulma e a professora de inglês (lembram da
professora de inglês do Gohan, na saga do Majin Boo ?)
Junichi
Sato – Sora Naegino e Leon Oswald.
Naoko Takeuchi – Michiru
Kaiou, Haruka Tenou e Hotaru.
Yu Watase – Amiboshi e o Shijin
Tenchisho.
Masaki Kajishima – Ryoko.
Yoshihiro Togashi –
Koenma, Botan, o Makai (mundo das trevas), o mundo espiritual
(esqueci o nome original agora) e Kurama (utilizando aqui uma
adaptação do nome youkai de Kurama e nome
humano).
CLAMP – Arashi Kishu, Eriol Hirasigawa, Nakuru, Sumomo,
Kotoko, Tokiko, Yue, Clow, Fujitaka Kinomoto, Sakura Kinomoto, Sonomi
Daidouji, os alunos da escola Tomoeda, Kaho Mizuki e as cartas Clow.
