N.A.: Pessoas lindas que fazem meu dia, obrigada! Os comentários de vocês me anima e muito, e fico feliz que vocês gostem desse Sirius mais louco. *-* As coisas começam a complicar e muito agora. Comentem muito, please?
Trice, valeu beta linda.
Boa Leitura!
Capítulo 5
-Ron? – Luna chamou, entrando n'A Toca e vendo que Ron estava sozinho na cozinha. – Bom dia.
-Bom dia. – Ron disse com a boca cheia de bolo.
-Ginny dormiu aqui? – o ruivo negou bebendo mais de meio copo de suco. – Ela também não está na casa dela, e marcou de me encontrar lá.
Ron deu de ombros e convidou Luna para tomar café. A loira ficou preocupada, mas aceitou e sentou-se tomando café com o ruivo. Alguns minutos depois Harry entrou na cozinha d'A Toca extremamente sério, fitando os dois. Ron levantou-se, a expressão do amigo o assustando.
-O que houve, Harry?
-Reúna a família, Ron. Tenho uma notícia para dar. – os olhos de Harry encheram-se de lágrimas nesse momento, Ron ficou desesperado, e aproximou-se, segurando-o pelos ombros.
-O que foi cara? É com o Sirius?
-Não. – balançou a cabeça, fitando dentro dos olhos azuis do amigo. – É com Ginny.
Luna fitou Harry séria, seus olhos azuis olhando com preocupação os olhos verdes baços dele. Levantou-se, vendo que Ron saíra da cozinha para chamar a mãe e o pai. A loira parou a frente de Harry, vendo que ele tentava ao máximo não chorar, o medo começou a crescer dentro de seu peito, espalhando-se rapidamente por todo seu corpo.
-O que houve, Harry? – sua voz quase não conseguia deixar sua garganta.
-Ginny foi morta.
Luna perdeu o chão.
Já estava acordado há algum tempo. Após resolver deitar-se na noite passada, dormira por pouco tempo, ficara tendo os mesmos sonhos, à mesa Ginny Weasley morta, sangrando, sendo abusada por seu corpo. E ele parecia estar tão feliz no sonho por poder enterrar-se no corpo da jovem com tamanha força, que sentia que a machucava de verdade.
Estava estranhando seu próprio corpo, sua própria mente, mas não podia negar, aquilo não lhe parecia nem um pouco novo. Parecia que era algo antigo, que era algo que já corria em suas veias, que ocupava sua mente, como algo normal e rotineiro. Balançou a cabeça e passou as mãos pelos cabelos, tirando-os do rosto.
Sairia, compraria bebidas e cigarros, e por fim, resolveria esse tal problema que Hermione indicara para ele ontem a noite. Dirigiu-se à porta, um sorriso postado em seu rosto, mas assim que segurou a maçaneta, ouviu passos apressados a descerem as escadas.
-Onde vai?
Virou-se, vendo que Hermione se aproximava, os olhos cuidadosos, como se estivesse com raiva e receio. Sorriu ainda mais disso, era extremamente engraçado vê-la assim. Cruzou os braços e estufou o peito.
-Comprar coisas que estão me fazendo falta.
-Posso saber o quê?
-Cigarros, bebidas.... Mulheres. – o rosto da morena ficou levemente avermelhado com sua última palavra, e isso o fez apenas sorrir ainda mais. Definitivamente Hermione sofreria nas mãos dele se ficasse a ter essas reações.
-Ainda não está bem para sair, Sirius. Espere mais alguns dias. – viu que ele encostava-se na porta, ainda sorrindo e de braços cruzados.
-Entenda algo. – começou, vendo-a mexer desconfortável nos cabelos cacheados. – Não me sinto péssimo como achei. Minhas costelas deixaram de doer tanto, minha cabeça parou de latejar. Eu preciso de cigarro e bebida.
-Você ainda não está bem. – disse firme, como se sua autoridade fosse impedi-lo de sair.
-Faça o seguinte, venha comigo. – ofereceu desencostando-se e abrindo a porta, vendo-a lhe olhar sem entender. – Para os dois primeiros, digo. O último acho que seria... Forte demais para você.
O rosto de Hermione esquentou, ela sentia que Sirius só dizia aquelas coisas para lhe deixar sem graça e querer ficar na casa. Mas dessa vez ele não ganharia, ela iria com ele, e o faria vir pra casa, que resolvesse esse tipo de problema em outro momento. Ela não confiava plenamente em Sirius, ainda estava assustada com as reações dele, ainda queria que ele contasse sobre o sonho que tivera na noite passada e que lhe contasse sobre o surto na cozinha quando perguntara sobre o sangue.
Sirius estava com algo na mente, algo diferente, e Hermione tinha que ao menos descobrir se seria algo por ter ficado no Véu, ou se poderia ser algo pior. Mas se o deixasse sozinho, Merlin sabe o que poderia acontecer. Respirou fundo, olhando-o nos olhos cinza que brilhavam divertidos.
-Vou com você. – virou-se para subir as escadas, trocar-se e descer antes que ele tivesse oportunidade de sair sozinho. – E já disse para parar de graça, Sirius.
Saíram juntos de Grimmauld Place quinze minutos depois, Sirius parecia uma criança no Natal conforme andava pelas calçadas, olhando lojas e pessoas. Hermione quase rosnava cada vez que ele fazia uma graça e provocava-a. Já Sirius dava risada do nervoso dela, apenas incentivado pelo ódio como ela o olhava. Uma garota gritou do outro lado da rua, e Sirius a olhou.
A imagem ficou vermelha e ele parou no meio da calçada, Hermione estancando a seu lado. Sirius via que tudo era vermelho, que um corpo estava dependurado, sangrando. Sentia na ponta dos dedos, que não estava mexendo, a pele sedosa e molhada de sangue. Viu o corpo pálido e frio perto do seu, via as marcas de dentes e lâmina. Outro grito da garota do outro lado da rua, cabelos loiros que transformavam-se em vermelhos. Ruiva. Cabelos vermelhos que escorriam sangue.
Hermione observou Sirius a fitar sério a garota que gritava com os amigos do outro lado da rua, enquanto eles riam e a empurravam para cima de um cachorro nervoso preso pela coleira. Voltou seus olhos para Sirius, vendo que ele estava com os olhos cinza, mas estavam escuros, aquela sombra estranha estava lá. Aproximou-se, parando bem a frente dele, olhando-o bem seriamente, mas o moreno não a via ali.
Ficou em silêncio, apenas observando quais reações os gritos da garota causavam em Sirius. A cada grito os olhos dele escureciam mais, estavam quase que completamente negros agora. Desceu os olhos, vendo que ele não sorria, mas que a mandíbula estava apertada, como se ele estivesse nervoso. Desceu seus olhos para o peito dele, vendo a camiseta branca descer e subir rapidamente com a respiração dele, desceu o olhar mesmo sentindo o rosto pegando fogo de vergonha. Tinha que ver, tinha que saber se ele teria aquela reação também.
Desviou os olhos quando viu que ele estava excitado outra vez. Respirou fundo e voltou os olhos para os olhos dele, a garota parecia que já tinha parado de gritar e os olhos de Sirius ainda estavam daquele jeito, ainda estavam escuros. Mordeu o lábio inferior, tinha que fazer algo, tentar alguma coisa, atrair a atenção daqueles olhos estranhos para si, descobrir o máximo que pudesse.
Levantou a mão bem devagar, sem querer chamar a atenção dele antes da hora. Com a ponta dos dedos tocou a barriga de Sirius, sem tirar os olhos dos olhos dele. Viu quando a cabeça do moreno abaixou-se lentamente, os olhos escuros fitando os seus pela primeira vez. Um sorriso rasgou a face de Sirius, um sorriso malicioso, que ele simplesmente estava tão acostumado a dar quando a via brava. Porém, não era Sirius sorrindo, Hermione tinha certeza. Algo estava dividindo Sirius, algo estava usando-o como um boneco.
Os olhos escuros fitaram seu rosto por um momento e desceram para sua mão, onde a ponta de seus dedos ainda tocava a barriga dele. Estremeceu quando ele segurou seu punho e o apertou com força, espalmando de vez sua mão na barriga dele. Hermione respirou com mais força, sem querer desistir, sem querer afastar aquilo que estava usando o corpo de Sirius. Sabia que precisava descobrir o que aquilo era, e porque os gritos da garota, gritos de medo, lhe causavam tais reações.
Sua mão já estava doendo com o aperto dele, mas Sirius apenas fitava sua mão, como se fosse extremamente interessante. Forçou os dedos contra o tecido da camiseta, querendo mexer a mão que estava realmente doendo, Sirius levantou a cabeça com força, os olhos escuros fitando-a, sérios. Tremeu de medo, ele estava sério, estava nervoso, conseguia sentir isso conforme o aperto dele ficava cada vez mais forte contra seu punho, empurrando a mão dela mais para baixo.
Sentiu onde ele queria colocar sua mão, e quando seus dedos rasparam por cima da calça dele na excitação mais que evidente, Hermione puxou a mão, mas Sirius era mais forte. Ele sorriu de lado, inclinando o corpo por sobre o dela, olhando-a com firmeza nos olhos. Sua respiração batendo de encontro com a pele dela, Hermione deu um passo para trás, aquilo estava assustando-a de verdade.
-Onde pensa que vai?
Seus olhos arregalaram-se de medo. Aquela voz não era de Sirius, aquela voz era de algo que não falava há anos, era uma voz cheia de desejo e com ódio fervendo nas veias. Ficou com mais medo, definitivamente tinha algo errado com Sirius. Tinha que fazer algo, tinha que contar à Harry, eles teriam que levá-lo ao médico, fazê-lo se tratar.
-Sirius?
Ele piscou, a mão ainda prendendo a de Hermione, que tocava sua calça, os olhos de medo dela à sua frente. Hermione viu como se um pano fosse retirado da frente das íris de Sirius, elas voltarem a serem cinza claro. O moreno ainda continuou no mesmo lugar, como se soubesse o que estava fazendo, mas sem saber. Ficou fitando-o, ainda com certo medo, não sabia bem como reagir, sua mão ainda estava naquele mesmo lugar, mas no momento era o mais leves de seus temores.
Sirius percebeu como estava próximo da morena, e a olhou nos olhos como se ela tivesse que lhe explicar o que fazia ali. Olhou para baixo e viu que a segurava pelo punho, a mão dela tocando entre suas pernas, e via que estava excitado. No mesmo segundo soltou-se dela e afastou-se dois passos, vendo-a fazer o mesmo, parando entre dois carros estacionados na rua.
Olhou para os lados, tentando localizar-se. Tinha saído naquela manhã para comprar cigarros, bebidas e mulheres, e Hermione tinha vindo junto para lhe acompanhar nos dois primeiros. Mas então, algo aconteceu. Algo que ele não via muito bem o que era, porque parecia que algo faltava em sua memória. Virou as íris cinza para a morena, vendo-a segurando a mão direita com a esquerda, esfregando-a como se estivesse com dor. Respirou fundo e aproximou-se um passo, mas ela afastou-se outro.
-O que houve?
Hermione não sabia o que dizer, não tinha a mínima idéia do que tinha acontecido. Ela poderia dizer que ele tinha surtado, virado outra pessoa e a atacado de certo modo, mas poderia apenas dizer que fora uma brincadeira entre eles que não deu certo, e deixá-lo acreditar naquilo, pois aparentemente ele não lembrava-se de nada que ocorrera nos últimos minutos. Passou a língua pelos lábios, sentindo-os bem secos, e aproximou-se de Sirius, forçando um sorriso.
-Você apagou por alguns segundos. – mentiu, isso o faria ir pra casa, desistir daquele passeio. Era melhor vigiá-lo dentro de Grimmauld Place do que na rua, onde ele poderia fazer o que quisesse com outras pessoas. – Acho que é melhor irmos embora. Vamos esperar mais alguns dias e tentamos sair outra vez. O que acha?
Sirius pareceu pensar por alguns segundos, os olhos da morena estavam diferentes do resto do corpo dela. Ela parecia tensa, mas os olhos estavam amedrontados, e se Sirius aprendera alguma coisa em Azkaban, fora a identificar alguém que estava mentindo apenas olhando-a nos olhos. Olhou para a mão dela, qual estava vermelha e ficando roxa no punho, como se alguém tivesse lhe apertado com muita força.
-O que fez na mão?
-Você me segurou quando apagou. – mentiu outra vez, sentindo um gosto amargo subir até sua garganta. Estava passando mal com essa história, precisava contar isso para alguém, precisava tirar Sirius das ruas antes que ele pudesse voltar a ser aquela pessoa de minutos atrás. – Acho que você pensou que ia cair.
-Me desculpe. – olhou ao redor passando a mão nos cabelos. – Vou apenas comprar cigarros ali e vamos embora.
Hermione assentiu forçando um meio sorriso e o viu entrar em uma mercearia. Tinha que chamar Harry assim que chegasse em casa, tinha que contar para ele o que vira. Tinha algo muito errado com Sirius e eles tinham que descobrir o que era.
Algum tempo depois Sirius saiu da mercearia carregando dois pacotes de cigarro, e seguiram em silêncio de volta para a casa. Hermione pensava em um modo de contar a Harry o que acontecera, omitindo as partes que nem ela mesma queria lembrar, mas deixando-o saber de tudo. Já Sirius fitava a garota a seu lado, ambos no mais profundo silêncio. Às vezes a via levantar a mão direita, esfregando o punho com a esquerda. Viu a pele dela passar de vermelha para roxa em minutos, e quando chegaram na porta de casa, Sirius viu quando ela esticou a mão para girar a maçaneta, que já conseguia distinguir a marca de seus dedos. Tinha algo errado ali.
-Hermione. – ele puxou a mão dela entre as dele, observando como ficara marcada. Mas antes mesmo que pudesse falar algo, a porta abriu-se, e ambos assustaram-se.
-Harry. – Hermione disse com um sorriso aliviado. Mas então ela viu as marcas de lágrimas no rosto dele, tinha algo errado. – O que houve?
-Entrem. – Harry disse e viu os dois entrando, fechando a porta quando passaram.
De cabeça baixa contou para os dois ali no hall mesmo o que havia acontecido. Hermione voltou a engolir aquele gosto amargo, e quase não conseguiu perguntar o que havia acontecido com a ruiva. A resposta fez Hermione correr para o banheiro térreo, devolvendo o que tinha comida na noite anterior. Sirius apenas fitou o sobrinho a sua frente, os ombros caídos e as lágrimas brotando outra vez dos olhos verdes inchados. Tinha algo muito familiar com o que sonhara na morte de Ginny Weasley, inclusive a vítima.
continua...
