CAPÍTULO CINCO

Bella apenas olhou fixamente para Edward.

— Eu choquei você — disse ele.

Choque era uma palavra fraca para o que Bella estava sentindo.

Ela continuou olhando-o, a cabeça girando.

— Há alguma razão pela qual você não possa jantar comigo? — continuou Edward. — Encontrou algum novo namorado depois de Jacob?

— Deus, não!

— Então, qual é o problema? Você não gosta da minha companhia, é isso?

— Não, é claro que não é isso! — exclamou ela antes que pudesse controlar a língua. — Eu... hm... estou surpresa, nada mais.

Confusa era uma palavra melhor. Por que um homem como Edward Cullen iria querer levar uma garota como ela para jantar? Holly não era totalmente estúpida em relação aos homens, mesmo se Leah dissesse isso.

Ocorreu-lhe que talvez a sra. Cullen pudesse estar enganada sobre o filho não olhar para outra mulher desde que tinha perdido a esposa. Já fazia 18 meses, afinal de contas. Dezoito meses era muito tempo para um homem com a idade de Edward... para um homem de qualquer idade, na verdade... ficar sem uma mulher.

Sexo podia ser a resposta para o quebra-cabeça que ele lhe oferecia agora? Bella sabia que era bonita o bastante, com olhos expressivos e o tipo de corpo que parecia atrair os homens. Nunca tivera problemas em encontrar namorados. O problema era mantê-los.

Não que Edward Cullen iria querer namorá-la. A ideia era ridícula! Ele poderia, todavia, estar interessado num caso de uma única noite. Muitos homens esperavam um agradecimento sexual após o jantar, hoje em dia. Não que ele a pressionaria a fazer isso. Bella sabia que Edward não era esse tipo de homem.

Mas ainda era um homem, um homem com necessidades físicas, um homem com olhos sensuais, um corpo magnífico e provavelmente com mais experiência sexual do que qualquer homem com, quem Bella já estivera.

Então, por que não agarrava a chance? Não tinha fantasiado exatamente esse tipo de cenário?

Na verdade, não. Em suas fantasias, Edward Cullen se apaixonava por ela à primeira vista, e a queria para toda a eternidade. Bella sempre dava um final feliz às suas fantasias, não um final como: "Obrigado pelo sexo, mas não quero vê-la de novo".

— O que está preocupando você? — perguntou Edward. — Estamos apenas falando de um jantar.

— Estamos? —- perguntou ela antes que pudesse conter as palavras.

Ele arqueou as sobrancelhas escuras. Então assentiu.

— Sim, estamos.

Bella suspirou. Mas o suspiro era de alívio, ou de desapontamento?

Ela continuou hesitando. Bem, não tinha certeza. Talvez porque temesse sentir o gosto de alguma coisa que sempre almejara secretamente, mas que antes estivera fora de seu alcance, mesmo poucas horas atrás. Como se sentiria quando a noite acabasse e nunca mais visse ou ouvisse falar de Edward novamente?

Ao mesmo tempo, como se sentiria se dissesse não, e depois ficasse imaginando como teria sido jantar com um homem como Edward Cullen? Certamente, ele a levaria para um ótimo restaurante na cidade, algum lugar elegante e caro.

Jacob era do tipo de comprar comida pronta ou ir a lanchonetes. Mesmo assim, Bella pagará pela maioria das refeições. Sabia que não teria de pagar por nada naquela noite. Exceto, talvez, emocionalmente.

Mas a tentação era muito grande.

— Tudo bem — concordou ela, uma carga de adrenalina bombeando em seu sangue e fazendo seu coração disparar com sua rendição.

— Maravilhoso — murmurou ele, e olhou para o relógio de ouro no pulso. — São 5h30 agora. Posso apanhá-la... vamos dizer... às 7h30?

— Às 7h30 está bem — disse ela, fazendo o possível para soar fria e sofisticada, agora que tinha aceitado o convite.

— Como você vai para casa? — perguntou Edward. — Não vi um carro do lado de fora quando abri a porta.

Bella não tinha carro. Tinha uma caminhonete, que pertencia à floricultura.

— É apenas uma curta caminhada.

— Eu a acompanho até sua casa — ofereceu ele.

— Não é necessário. — Ela queria ir correndo para casa. Precisava de cada segundo de tempo que lhe restava para se aprontar. Teria de lavar e secar os cabelos, fazer as unhas, e só Deus sabia o que mais.

— Eu a acompanho até sua casa — repetiu Edward, o olhar tão inflexível quanto o tom de voz.

Deus, ele podia ser dominador quando queria. Bella imaginou se também seria dominador na cama. Não que ela descobriria. Edward dissera que aquela noite seria apenas um jantar, e ele lhe parecia um homem de palavra. Ou não era isso que ela queria? Apesar de nunca ter sido mulher de uma única noite, sempre havia exceções às regras, e, por Edward Cullen, Bella talvez abrisse essa exceção.

A casa dos Cullen era localizada no topo de um morro aproximadamente meio quilômetro da estação ferroviária de Strathfield. A floricultura de Bella ficava num pequeno quarteirão perto da estação, um lugar razoavelmente bom para o comércio. Havia um café, um salão de beleza e sua floricultura, bem na esquina, todas as construções antigas com toldos e um segundo andar.

— Onde sua madrasta mora? — perguntou Edward enquanto eles desciam a ladeira juntos.

—A aproximadamente um quilômetro daqui — replicou ela. — Do outro lado da estação ferroviária.

— E há quanto tempo você mora no apartamento na sobre loja?

— Eu me mudei logo depois que meu pai morreu.

— E por quê? Não aguentou as bruxas malvadas mais tempo?

Ela sorriu. Era assim que Victoria as chamava.

— Em parte este foi o motivo — concordou Bella. — Mas eu também me sentia mais perto do meu pai lá.

— É compreensível — disse Edward de forma empática.

— Ouso dizer que Sue vai vender a casa de papai também, se e quando conseguir vender a floricultura. Ela sempre quis viver em North Shore.

— Então, quanto vale a floricultura? — perguntou ele.

— Não tenho certeza. Eu estava muito zangada para perguntar a Sue que preço ela pediu. Porém, mais de um milhão no mínimo. É uma propriedade totalmente quitada.

— É muito dinheiro para abrir mão sem uma luta, Bella.

— Sim, eu sei disso. Mas não me importo tanto pelo dinheiro quanto pelo negócio em si. Papai adorava a floricultura. E eu a adoro. Amo trabalhar com flores, entende? Faz com que eu me sinta bem. Flores alegram as pessoas.

— Eu ainda acho que você deveria processar sua madrasta. A loja deveria ser sua. Isso não é justo.

—A vida nem sempre é justa, Edward. Certamente você deve saber disso — acrescentou ela, então desejou que não o tivesse feito. Uma olhada para o lado, e Bella viu que os músculos no rosto e pescoço dele haviam ficado tensos.

— Tem razão — murmurou Edward. — A vida nem sempre é justa, mas você não pode permitir que as injustiças a derrotem. Precisa lutar contra isso.

— Eu estou lutando — retrucou ela, magoada que ele pudesse considerá-la fraca. — Do meu próprio jeito.

Edward sorriu-lhe.

— Uma lutadora silenciosa — disse ele. — Sim, posso ver que você é assim, Bella. Peço desculpas. Eu não tinha o direito de criticar. Ou impor minha opinião a você. Qual é o seu sobrenome nome, a propósito?

— Swan.

— Um nome adequado para uma florista.

— Você não é a primeira pessoa a dizer isso.

— Peço desculpas mais uma vez. Toquei num ponto dolorido para você?

— Não realmente. Mas Jacob costumava me provocar sobre isso.

— O covarde Jacob. Deus me ajude a nunca ser como ele.

— Você não é. Não se preocupe.

Eles continuaram andando. Bella acelerou um pouco o passo.

— Não ando por estas ruas há anos — comentou Edward quando eles finalmente chegaram à frente de Uma Flor Por Dia, a grande placa VENDE-SE ainda mais visível do lado de fora. — Eu costumava ir e voltar de trem para a escola, então passava por aqui todos os dias. Até comprei algumas flores para mamãe aqui uma vez, quando eu tinha cerca de 17 anos. A floricultura era de seu pai na época?

— Não tenho certeza — disse Bella, enquanto tirava a chave de onde sempre a mantinha escondida, atrás de um cano de drenagem. — Quanto tempo atrás foi isso?

— Vinte e um anos.

— Acho que sim. Meu pai comprou a loja quando tinha aproximadamente 30 anos. Ouça, é melhor eu entrar se você quiser que eu esteja pronta no horário combinado. Sou mulher, entende...

— Notei isso — brincou ele, e subitamente os olhos acinzentados não eram mais frios.

Viajaram lentamente pelo corpo dela, dizendo-lhe, sem engano, que ele a achava atraente. Muito atraente. Porém, com a mesma rapidez que os olhos se tornaram calorosos, esfriaram, fazendo-a questionar se sua imaginação estivera pregando peças, mais uma vez.

— É melhor você me dar seu telefone, caso eu me atrase por qualquer motivo — continuou Edward. — Não estou vestido para jantar. Tenho de passar em casa e trocar de roupa.

Bella quase entrou em pânico naquele ponto. Não estava vestido para jantar? Ele parecia muito bem. O que ele vestiria? Um terno? Ela não tinha muitos vestidos chiques em seu guarda-roupa.

Nenhum, na verdade, agora que pensava nisso.

— Onde é sua casa? — perguntou Bella, abrindo a porta da loja, enquanto pensava nas opções dentro de seu guarda-roupa. Se pelo menos tivesse um daqueles pequenos vestidos pretos, o tipo clássico que levava uma garota a qualquer lugar. Mas o único vestido preto que possuía era aquele que usava em funerais. Além de ser muito sério, preto não era sua cor favorita.

— East Balmain — replicou ele, seguindo-a para dentro da floricultura. — Comprei um novo apartamento lá algumas semanas atrás.

— Oh, certo — murmurou Bella, mal o ouvindo. Que roupa iria usar?

— Não devo me atrasar — continuou Edward. — Mas me dê o número do seu telefone, de qualquer forma.

— O quê? Ah, sim, o número do meu telefone. — Ela apressou-se para a mesa longa que servia de balcão de recepção e local de trabalho no computador, pegando um cartão de uma pilha que ficava num suporte de plástico no canto.

— Anote o número de seu celular também — pediu ele antes que Bella pudesse lhe entregar o cartão. — Você deve ter um celular — acrescentou quando ela o fitou com expressão intrigada.

— Sim, mas... — Bella estava prestes a perguntar por que ele queria aquele número quando não a veria mais depois daquela noite. Mas então pensou: por que ser tão negativa? Edward poderia estar solitário numa outra noite qualquer e lembrar-se dela. Quem sabia?

— Tudo bem — concordou, pegando uma caneta da mesa e anotando o número de seu celular na parte de trás do cartão.

Edward pegou o cartão.

— Vejo você às 7h30.

— Poderia ser às 8h?

Ele assentiu.

— Oito horas então. — E foi embora.

Bella o observou passar pela vitrine da loja e seguir pelo caminho de volta. Observou-o e tentou acreditar que no espaço de apenas duas horas, Edward Cullen voltaria para apanhá-la.

Edward Cullen. O filho da sra. Cullen. O diretor-executivo de um banco. Um homem não somente com um passado impecável, mas também lindo e com um gosto impecável para se vestir.

— Oh, Deus — exclamou ela, e apressou-se para a escada.