Capítulo 5_ Triângulo

Disclaimer: Não, nada aqui me pertence. É tudo da tia Jô e eu não pretendo ganhar nada com isso, mas aceito se quiserem me dar alguma coisa.

Eu não me arrependo. Em momento nenhum eu me arrependi de alguma coisa que eu fiz na festa de Hallowen. Não me arrependi de beijar o Malfoy e não me arrependi de falar tudo aquilo para o Harry.

Oh meu Deus, eu devo estar ficando louca. Era para eu estar me remoendo de arrependimento por ter falado tudo aquilo para o Harry e por ter beijado o Malfoy. Não, por ter beijado o Malfoy não. Ainda quero os galeões. É, é isso. Eu vou sair da cama, tomar meu café e parar de ficar tentando me arrepender das coisas que eu fiz.

Mas a cama está tão quentinha e confortável. Não quero sair daqui nunca mais, só pra tomar banho e comer. E beber chocolate quente, já que está muito frio. Esfriou completamente de um dia para o outro. Está até nevando hoje. Acho que eu deveria levantar, colocar uma roupa quentinha, tomar chocolate quente e então ir brincar na neve até congelar de frio.

- Gina, levanta logo. – Lauren falou, enquanto colocava as luvas brancas.

- Mas está tão quentinho aqui... – falei, puxando meus cobertores.

- Gina, não está tão frio assim. Dumbledore deve ter aquecido o castelo com alguma magia. Lá fora está congelando. – a Gabi falou, pegando os meus brincos de dentro da minha gaveta.

- Sim, Gabi, eu te empresto. – falei.

- Eu sei. – ela disse, arrumando o cabelo. Eu levantei e coloquei minha roupa, descendo com elas para tomar café. era segunda-feira. Então eu tinha mesmo que descer e ir tomar café, porque eu tinha aula. É, eu ia perder várias horas preciosas do meu dia em aulas chatas.

Chegamos no salão principal e ele estava cheio. Eu me sentei na mesa da Grifinória com as minhas amigas e começamos a tomar o café da manhã. Logo o Harry, a Hermione e o Rony chegaram.

- Bom dia. – eles falaram.

- Bom dia. – nós respondemos juntas. Eu comecei a olhar para o meu café da manhã e ficar brincando com ele. Só que quando eu levantei o olhar a Hermione estava do lado do Rony, e não do lado do Harry. Opa! Tem algo errado aí.

Comecei a olhar pelo salão principal e meus olhos pararam na mesa da Sonserina. Eu "varri" a mesa com os olhos três vezes e ele não estava lá. Por que ele não estava lá? Ele não esteve ontem. E não esteve anteontem. O que diabos está acontecendo para ele não aparecer em lugar nenhum? E por que eu me importo?

- Teve outro ataque ontem a noite. – ouvi o Harry sussurrar para o Rony e a Hermione. Eu comecei prestar atenção na conversa deles enquanto fingia comer.

- Onde? – perguntou Hermione.

- Em um vilarejo perto de Londres. – Harry falou. – Tiveram 5 mortes.

- Todos trouxas? – a Hermione falou. – Ok, não responda.

- Ele está matando mais gente a cada dia. – disse o Harry. – E só porque quer chegar a mim.

- Se ele realmente quisesse chegar até você, ele já estaria aqui. – disse o Rony.

- Não com o Dumbledore por perto. – a Hermione falou.

- Bom, pelo menos estamos todos seguros em Hogwarts. – disse o Rony e eu ergui os meus olhos para ele.

- Por hora. – a Hermione falou e se levantou da mesa. Eu a observei sair do salão principal.

-x-

Eu não prestei atenção em nenhuma das aulas. Fiquei apenas pensando e batendo os dedos na mesa. Até que finalmente deu a hora do almoço e eu saí correndo para o salão principal. Todos devem estar me achando uma esfomeada. Só que eu não consegui chegar a no salão principal primeiro, porque alguém segurou o meu cotovelo e me virou. Eu me senti feliz de repente, só que a felicidade evaporou quando eu vi que era o Harry.

- O que é? – falei.

- Olha, se você não estiver com muita fome nós poderíamos conversar... – ele começou.

- É eu não estou com muita fome, mas eu também não quero conversar com você. – eu falei e comecei a andar em direção ao salão principal. Só que ele me seguiu.

- Gina, por favor. – ele falou.

- Eu não vou ouvir nenhuma palavra do que você falar. – eu falei, começando a andar mais rápido. Ele pareceu desistir, mas então voltou a falar.

- Só uma pergunta. – ele disse.

- Fale logo. – eu falei.

- Você viu o Malfoy esse fim de semana? – ele falou.

- Não. Por que eu iria ver? – falei.

- É só que ninguém o viu esse fim de semana e... – e então ele parou. – Esquece.

Eu poderia até pedir para que ele continuasse falando, só que eu preferia que ele ficasse em silêncio. Quando eu entrei no salão principal já haviam algumas pessoas lá. Ele estava quase cheio. Eu me sentei e coloquei muita comida no meu prato, começando a comer de vagar, enquanto observava a mesa da Sonserina.

Quando não tinha quase ninguém no salão, ele entrou e se sentou na mesa da Sonserina. Então eu notei que ele tinha um corte na bochecha esquerda. Eu me levantei rapidamente da mesa e fiz um barulho que ecoou por todo o salão, fazendo com que todos olhassem para mim. Mas ele não olhou, ele nem ergueu os olhos.

Eu saí do salão principal e cheguei rapidamente nas masmorras e entrei na sala. Me sentei ao lado da Lauren mas eu nem prestava atenção na aula. Eu fiquei apenas batendo os dedos na mesa durante as aulas.

Assim que saí da última aula do dia, comecei a andar em direção contrária a todos os alunos. Eles iam para o salão comunal e eu ia para fora do castelo. Eu olhava para todos os lados, como se eu estivesse fazendo algo errado. Rapidamente cheguei ao jardim, que estava todo coberto de neve. Comecei a andar na neve, segurando minha mochila e indo em direção ao lago. Sentei-me na neve e observei o lago congelado.

Olhei para a minha varinha e então para o lago. Dei um meio-sorriso e conjurei patins. Eu coloquei os patins no pé e fui patinar no gelo. Eu adoro patinar no gelo. É a melhor coisa de se fazer no inverno. Eu comecei a 'dançar no gelo' e fechei os olhos.

Quando eu abri os olhos, eu o vi com um meio-sorriso e as mãos no bolso do casaco. Ele estava parado do lado do lago, me observando. Patinei até ele.

- O que faz fora do castelo? – eu falei, saindo do lago. Ele apenas me puxou e me beijou. Enlacei os meus braços no pescoço dele e fechei os olhos. Depois de um tempo eu ouvi alguém falar alguma coisa atrás dele. E abri os olhos, me separando dele.

- Solta essa aí e vamos logo, Draquinho! Ou ele vai ficar furioso. – a Pansy falou e começou a andar em direção ao castelo. Eu ergui uma sobrancelha.

- Quem vai ficar furioso? – falei.

- O Blaise. – ele disse. Eu sorri e dei um selinho nele.

- Deixa ele ficar furioso e fica aqui comigo... – eu falei, sorrindo.

- Eu ainda gosto da minha vida. – ele falou com um tom frio e me soltou, indo em direção ao castelo.

- Ótimo! – eu falei e me sentei no chão.

Depois de um tempo resolvi ir para o salão comunal e fazer a pilha de tarefas que eu tinha. O salão comunal estava cheio. Havia pessoas nas mesas, nos sofás, nas escadas e até no chão. Algumas fofocavam e outras estavam apenas fazendo o dever de casa. Eu avistei a Lauren e a Gabi e fui me sentar com elas na escada da torre do dormitório feminino. Joguei minha mochila na escada e peguei um pergaminho, começando a fazer a tarefa de DCAT (Defesa Contra as Artes das Trevas).

- Vocês viram? O Collin ficou com cinco garotas desde o baile. – a Gabi sussurrou.

- É, acho que adiantou de algo ele ir com a Luna no baile. – Lauren falou.

- Bem, pelo menos ele perdeu a fama de gay. – eu disse.

- Você perdeu o fim do baile. Ele simplesmente tirou a máscara. – a Gabi falou.

- Nossa, que emoção! Ele tirou a máscara. – eu falei, irônica. E meu tom de voz me lembrou o do Malfoy. O Harry veio andando até nós.

- Ahn, Gina... Nós podemos conversar? – ele falou. Eu olhei para as minhas amigas.

- Vai lá. - as duas falaram, só mexendo a boca.

- Claro. – eu disse e nós fomos para perto do quadro da mulher gorda. A Lauren e a Gabi ficaram olhando de longe.

- Eu queria lhe pedir desculpas por não ter te tratado do jeito que você merecia quando nós estávamos namorando. Eu estava muito envolvido com o Voldemort e tentando proteger todo o mundo, e então eu esquecia de você. – ele falou, e suspirou. – Você não me apoiava muito quando eu falava no Voldemort, então eu comecei a me apoiar na Hermione, usar ela como um porto-seguro, sabe? Eu comecei a confundir amor com amizade e achei que estava apaixonado por ela e terminei com você. Eu sinto muito mesmo, Gina. – ele passou as mãos pelo cabelo bagunçando-o mais ainda. – Depois do que você me falou na sexta, eu fiquei pensando e vi que eu não amo a Hermione e sim você. Eu terminei com ela e... Sabe, se você quiser... Acho que a gente podia tentar de novo, né? – ele falou, corando. Ele ficou tão fofo se embaraçando com as palavras que eu sorri.

Tecnicamente eu não estava namorando o Malfoy e não tinha nada com ele. Claro, se eu tivesse algo com ele seria totalmente escondido e ninguém ia saber. Ora, eu poderia ter as duas coisas que todas as garotas de Hogwarts queriam, por que não?

- Eu acho que pode ser. – eu falei. Então ele se aproximou de mim e sorriu me dando um beijo demorado na testa.

- Vai lá fazer seu dever de casa. – ele falou.

- Eu posso fazer depois. – eu disse, sorrindo. Ele passou o braço pela minha cintura e nós saímos do salão comunal. Eu senti que estavam todos observando e meu sorriso ficou maior.

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Eu cheguei ao meu dormitório e fechei a porta lentamente, para não fazer barulho. Assim que eu fechei a porta, a luz acendeu.

- Fizemos a sua tarefa. - a Lauren falou. Oh, que graça de amigas que eu tenho.

- Você vai fazer a nossa tarefa de amanhã. – a Gabi falou. Ok, não são mais uma graça.

- Toda a nossa tarefa de amanhã. –a Lauren falou.

- Ahn... Ok. – eu falei e fui para a minha cama. Elas se levantaram e se sentaram lá.

- E então? Vocês voltaram? – a Lauren falou.

- Eu ouvi a Lilá Brown dizendo que viu vocês dois se beijando em um corredor deserto ontem. –ela falou. Que mentirosa, eu nem beijei o Harry ontem. Só hoje.

- É, nós voltamos. – falei.

- Sua vaca sortuda! – a Lauren me tacou um travesseiro na cara. Eu dei risada.

- Vamos dormir. – eu falei e fui para o banheiro.

- É, eu vou dormir e vou sonhar com os dois. – a Gabi falou. Eu ri muito alto.

- É, enquanto isso eu tenho os dois. – eu disse e pisquei para ela. Agora que eu falei em voz alta que caiu a ficha. Eu tenho os caras mais lindos da escola para mim. Oh, meu Merlin.

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- Bom dia, Ruivinha! – eu ouvi alguém falar assim que eu desci as escadas do dormitório. Sorri ao ver que era o Harry e enlacei meus braços no pescoço dele. Ele me beijou. O beijo dele era lento e sensual, daquele que vai consumindo aos poucos. Eu havia me esquecido de como era bom...

- Então, vamos tomar café? - ele falou. Eu sorri.

- Claro! – eu disse e nós fomos passando pelo meio do salão comunal. Um cara no sofá me chamou a atenção.

- Bom dia, vaquinha! – ele falou e piscou o olho. Harry o olhou repreendendo-o e eu ri.

- O deixa. – eu murmurei para o Harry. - Bom dia, Pete! – eu disse e pisquei.

- De onde você o conhece? – o Harry falou.

- Ora, você não estava aqui quando eu estava vestida no meu pijama de vaquinhas? – ele fez uma cara de pensativo e negou com a cabeça. – Que pena querido. – eu disse, lhe dando um beijo na bochecha e nós fomos para o salão comunal. Eu sentei de frente para ele, com a Lauren e a Gabi do meu lado. Queria que ele sentasse de costas para a mesa da Sonserina, para que eu tivesse uma desculpa para olhar para lá. Mas o Malfoy não estava no café, de novo. Onde esse garoto se metia?

- E então, Gina. Eu passo na sua última aula do dia para nós irmos juntos para o salão comunal? – Harry falou.

- Ahn, não se incomode. Eu quero conversar um pouco com a Lauren e a Gabi. – eu disse.

- Ok. – ele falou, sorridente. Rony e Hermione se sentaram ao lado de Harry.

- Teve outro ataque ontem à noite. – Hermione sussurrou. Eu a encarei. – Só que dessa vez mataram mestiços em um vilarejo bruxo.

- Mas eles não matavam apenas em cidades trouxas? – Rony sussurrou.

- Parece que estávamos errados. – Harry falou e depois sorriu para mim. Eu sorri de volta e dei uma olhada na mesa da Sonserina. Ele não estava lá. De novo.

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Eu fui à última a sair da aula de DCAT. O corredor estava vazio, eu comecei a andar em direção ao salão comunal da Grifinória. E então ele estava lá, apoiado na parede. Eu sorri e me aproximei dele.

- Voltou com o Potter? – ele falou ríspido.

- Eu também preciso me divertir. – falei.

- Eu não divirto você o suficiente? – ele sussurrou, me colocando contra a parede. Eu não respondi e ele roçou os lábios nos meus, para depois me beijar. Foi aí que eu notei que ele tinha mais cortes no rosto.

- Onde você se machucou? – eu falei. Ele se afastou.

- Eu tenho que ir. – ele sussurrou.

- Para onde? – eu falei.

- Vou... Me encontrar com o Blaise. – ele falou e então saiu. Eu fiquei observando-o andar, até virar o corredor e desaparecer. Um pouco depois eu fui andando até o salão comunal e comecei a ouvir vozes.

- Os ataques estão sendo em três lugares que tem a mesma distância entre eles, e depois os ataques vão para a frente. – ouvi alguém dizer.

- É como se quisessem fazer uma figura geométrica. – ouvi a voz do Harry. – Mas, por quê?

- Eu não sei. – percebi que era a Hermione falando. Eu parei onde eu estava para escutar o que eles falavam.

- Acho melhor nós irmos para a Toca no natal e não voltar para Hogwarts. Nós poderíamos fugir. – Rony falou.

- Estamos mais seguros aqui, Rony. – Harry falou.

- Não estamos seguros em lugar nenhum. Se Voldemort tem comensais dentro da escola nós não sabemos, mas ele com certeza têm. Ele está vigiando cada passo seu, Harry, e de todos que estão ao seu redor. – Hermione falou.

- Então é melhor todos se afastarem de mim? – Harry falou.

- Não, porque separados as pessoas são alvos mais fáceis. – Hermione falou e depois murmurou uma coisa. – Olha, eu não sei ok? Eu só estou com medo!

- Não tem porque você ter medo, Mione. – ouvi a voz do Rony novamente. – Você é uma bruxa extraordinária e consegue se defender. Nem se for só por um tempo suficiente para fugir. – ele falou e ninguém falou nada. Eu comecei a andar rapidamente em direção ao salão comunal e eles estavam parados bem na porta. Harry me viu e sorriu.

- Onde você estava? – ele falou. – Estava começando a ficar preocupado.

- Eu só fui tomar um ar. – eu disse, me aproximando dele. Ele me puxou e me deu um beijo na testa.

- Então ahn... Nós vamos indo. – o Rony falou e puxou a Hermione com ele para dentro do salão comunal. Eu sorri e eu comecei a andar pelos corredores com o Harry. Nenhum de nós falava nada, o silêncio estava quase me matando.

- Então, Harry, supostamente, vamos dizer que 'João' está planejando fugir de uma guerra. Quando é que 'João' iria pretender contar a sua namorada? – eu falei.

- Bom, como eu não estou planejando fugir, eu não devo lhe contar nada, certo? – ele falou.

- Harry, é uma suposição! – eu disse.

- Então eu deveria te chamar de Maria? – ele falou.

- Oh, esquece. – eu disse. Ele sorriu.

- Então, vamos assaltar a cozinha ou passear pela neve? – ele falou.

- Eu adoraria assaltar a cozinha e sair correndo pela neve. – eu disse.

- Seu desejo é uma ordem. – ele disse, fazendo um tipo de reverência e então começando a correr em direção a cozinha, me puxando pela mão.

-x-

Era sexta-feira à noite e eu não conseguia dormir. Era só eu começar a dormir que eu sonhava que estava no meio de um bosque deserto e só ouvia vozes, mas eu não sabia de onde vinham. Então de um lado aparecia uma mão e do outro um sorriso. A mão e o sorriso começavam a falar ao mesmo tempo e me puxavam. E então, eu acordava. Era horrível.

Eu coloquei uma roupa, um casaco e um tênis. Desci da cama e fui lentamente até o salão comunal, sem fazer nenhum barulho. O salão comunal estava deserto, então eu passei por ele e pelo quadro da mulher gorda, indo em direção a torre de astronomia.

O castelo estava deserto e frio, eu só ouvia o som dos meus passos. Logo eu cheguei na torre de astronomia e subi. Chegando lá em cima, estava muito frio. Eu me sentei no chão e me encolhi lá. O chão estava gelado e eu me amaldiçoei por ter saído da minha cama quentinha para vir passar frio.

- O que você faz aqui, Virgínia? – eu ouvi a voz dele bem atrás de mim e um sorriso tomou conta do meu rosto. É claro que ele não estava envolvido nos ataques, porque ele estava na escola.

- Só não consigo dormir. – eu disse, me virando para ele. Ele estava com um casaco de pele e luvas brancas, além de um cachecol verde e prateado. Ele tinha duas garrafas de Fire Whisky na mão.

- Hmm... – ele murmurou, enquanto se aproximava de mim. Ele se sentou do meu lado. – Bem, como estamos os dois aqui, sem fazer nada... Que tal beber? – ele ergueu as garrafas de Fire Whisky.

- Se isso esquentar. – eu falei e ele me entregou uma garrafa. Nós abrimos as garrafas e bebemos um gole. O líquido desceu queimando pela minha garganta.

- Pode beber tudo. Eu tenho mais. – ele falou, pegando a varinha e batendo em um canto da torre de astronomia. As pedras se mexeram e então várias garrafas de Fire Whisky apareceram.

- Wow, nós vamos ter uma festinha particular. – eu falei, bebendo mais da minha garrafa. Já estava começando a ficar quente. Ele bebeu a garrafa inteira dele de uma vez e então pegou outra. Eu dei um meio-sorriso e fiz o mesmo. Nós bebemos várias garrafas de uma vez e então começou a ficar quente. Sinto um coma alcoólico chegando. Eu tirei o meu casaco, ficando apenas com um cachecol vermelho e amarelo, uma blusa de lã e minha calça jeans. Ele já havia tirado o cachecol, as luvas e o casaco e estava apenas com uma blusa de frio e uma calça jeans.

- Onde você estava o resto da semana? – eu falei. Oh, não. Enxurrada de palavras. O-d-e-i-o beber por causa disso.

- Eu tive que fazer algumas coisas. Aquele cabeça de.. – ele resmungou alguma coisa.

- Algumas coisas onde? – eu falei.

- Fora de Hogwarts. – ele falou, bebendo mais Fire Whisky.

- Como você saiu de Hogwarts? – eu falei e tomei mais um pouco da minha garrafa de Fire Whisky . Eu já tinha bebido quantas?

- Isso é um interrogatório por acaso? – ele resmungou. - É só ir para Hogsmead e aparatar. – ele disse. – Você realmente adora o Potter, não? Voltar com ele depois de tudo... – eu tentei pensar em uma resposta, mas a minha cabeça estava vazia.

- O Harry é... Ora, ele é o herói da história. – eu falei. – Tenho que gostar dele.

- Se ele acha que matar pessoas só porque são comensais o torna diferente dos comensais, ele está completamente errado. Os dois lados estão matando pessoas, um por diversão e o outro para fingir que faz algo. Cada lado acha que está fazendo o que é certo, mas as pessoas acham que o Potter e sua trupe são os heróis e o resto são os vilões. – ele falou. Eu nunca tinha pensado por esse lado. Uau, quando o Malfoy está um pouco bêbado ele fala coisas interessantes.

- O Harry nunca matou ninguém. – falei.

- Mas os bruxos daquela tal Ordem vivem matando. – ele falou.

- Mas e daí? Nós não temos nada a perder com isso. – falei.

- Quando você não tem nada para perder, é quando se tem tudo para perder. – ele falou e eu não entendi direito. Ele bebeu o resto da sua garrafa de Fire Whisky e pegou outra. Ele a ergueu no ar. – Mas quem se importa? – ele falou e nós ficamos em silêncio. Eu não sabia o que dizer pela primeira vez na vida e então apenas bebi mais Fire Whisky. O chão parecia estar rodando nos meus pés.

- Por que o chão ta rodando? – eu falei.

- Ele roda. – o Draco falou. Eu olhei para a garrafa de Fire Whisky na minha mão e taquei no chão, o vidro se espatifou e o líquido se espalhou no chão. – Ei! Eu sei que você não gosta que o chão rode, mas por que acabar com o Fire Whisky? – ele disse, erguendo o dedo no ar e o esticando meio torto. Sua voz estava meio enrolada. Eu tentei pegar o líquido esparramado no chão, mas me cortei com vidro.

- DROGA! – eu berrei, pegando o caco de vidro que entrou na minha mão e jogando no chão que rodava. Meus olhos arderam.

- O que foi, Virgínia? – ele disse, me olhando. – Você está chorando? – ele falou. Foi aí que eu notei que meus olhos estavam um pouco embaçados e coloquei a minha mão na bochecha, notando uma lágrima traiçoeira.

- Eu não estou chorando. – falei, enxugando a lágrima.

- Está sim. Por que você está chorando? – ele falou. – Nós temos mais bebida aqui. Não precisa chorar!

- Eu me cortei. – eu disse e mostrei a minha mão sangrando para ele. Ele ficou olhando a minha mão sem entender nada e depois colocou a garrafa no chão e tirou a blusa. Assim que ele tirou a blusa, ele colocou o casaco rapidamente e depois enrolou a blusa na minha mão, para estancar o sangue.

- Isso deve resolver até de manhã, quando você for à enfermaria para arrumar isso aí. – ele falou, balançando a mão em direção da minha. Eu ri alto.

- Certo. Cadê o resto do Fire Whisky? – eu falei e ele me deu outra garrafa. Eu peguei e nós brindamos, depois bebi. Eu iria ter uma dor de cabeça amanhã...

-x-

A minha cabeça doía e eu estava apoiada em algo duro.

- Virgínia... – eu o ouvi me chamando e então abri os olhos. - Olha, devem ser seis horas... Acho que você já pode ir para a enfermaria. Diz que se machucou no banheiro. – Draco falou e eu notei que ele já estava de pé e não havia nada no chão.

- É sábado. – eu murmurei, minha cabeça doía. Ele pegou um frasco do bolso.

- Tome. – ele me deu o frasco e então deu um meio-sorriso. – Bem, eu tenho que ir.

- Aonde você vai? - eu falei.

- Volto segunda ou terça. – foi a única coisa que ele falou, antes de ir para as escadas e descer da torre. Eu me levantei e peguei o frasco que ele havia me dado, bebendo todo o líquido. Era horrível.

Eu coloquei o meu casaco e dei uma arrumada no cabelo. Depois, desci da torre e fui para a enfermaria.