Sora-Hime – Capítulo 6

O corredor da câmara nupcial estava vazio. Os anciões responsáveis em verificar a consumação do casamento saíram de lá assim que Sesshoumaru deixou o quarto e não tinham porque esperar que a humana também saísse. Fukuyama andava vagarosamente, como um predador espreitando sua vítima mais suculenta, quem o visse poderia imaginá-lo como um youkai gato, ao contrário de um cachorro, devido à leveza de seus passos.

O inuyoukai sentiu a boca salivar de desejo ao contemplar a imagem da jovem adormecida. Ela estava ainda mais tentadora vestida com seus trajes núpcias. Mal acreditou que seu primo deixou aquela maravilha vestida. Em seu lugar ele teria reduzido as roupas da jovem a trapos quase que irreconhecíveis. Caminhou lentamente até a cama, sentou-se nela, ao mesmo tempo em que passou uma das mãos pela perna semi-exposta da jovem.

Com uma delicadeza que em nada se parecia com ele, o youkai virou a jovem para que pudesse ter acesso completo ao seu rosto. Fukuyama lambeu o lábio inferior ao perceber que o kimono meio aberto lhe dava uma bela visão do seio perfeito que a ruiva possuía. Passou a mão pelo monte terminando de expôs-lo ao seu deleite. Sem mais pensar ele tomou os lábios de Hana surpreso por ela ainda não ter acordado. Surpresa maior foi perceber que a jovem respondeu a sua carícia com a mesma paixão que ele implicava.

- Sesshoumaru... – Ele ouviu a humana sussurrar durante o beijo. O ódio que sentiu ao perceber que era confundido com seu maldito primo fez com que interrompesse o contato.

- Sua vagabunda, como ousa me confundir?

Hana abriu os olhos assustada sem entender, a princípio, o que acontecia. Achou que um milagre havia acontecido quando foi acordada por aquele beijo apaixonado. Jurou que seu marido havia repensado seu comportamento e retornado para, verdadeiramente, fazer dela sua esposa. Quando se deparou com os olhos raivosos de Fukuyama, ela sentiu que seu estomago sairia do corpo junto à náusea de nojo ao perceber quem a beijava.

- O que faz aqui! Saia imediatamente ou chamarei meus servos! – Ela gritou se afastando o máximo que podia.

Fukuyama deu uma risada sombria ao ouvir o que a humana dizia. Ela realmente acreditava que havia se tornado Senhora das Terras do Oeste.

- Como é tola, sua vadiazinha de quinta! Acredita mesmo que é Senhora deste castelo? Meu primo não lhe marcou, você não é nada neste lugar sem a marca do líder do clã. Talvez uma puta de luxo, já que houve a cerimônia, mas nada mais que isso. Se bem que nem se quer deitar com você ele se deitou, não é mesmo? Mas não fique triste, sei o quanto uma mulher anseia pela sua noite de núpcias e se Sesshoumaru não soube lhe dar o que merece, eu o farei. – Ele disse se investido sobre a jovem com uma fúria incontrolável.

- Sai de cima de mim seu, nojento! – Ela disse pondo uma das pernas entre eles conseguindo chutá-lo para longe. Sem nem pensar em dar tempo para que ele se recuperasse, Hana saiu em disparada da câmara rezando para que ele não a alcançasse.

Enquanto corria ela percebeu que Fukuyama não estava errado quando disse que ela não era nada para aquela gente. Ela tentava falar com as pessoas em seu caminho, mas todos a ignoravam, inclusive a serva que estava com Sesshoumaru na véspera do casamento. A youkai sorrir com desdém ao ver o estado em que a humana, que a humilhou publicamente, estava.

Sem parar para pensar no que faria para se livrar do youkai, ele correu o mais depressa que consegui tentando chegar a sala onde ficava o quadro de InuTaisho. Ela não sabia o porquê, mas a presença daquele ser, mesmo que em uma pintura, lhe trazia uma grande sensação de segurança.

Ela entrou no salão e trancou a porta, sabia que isso não seria empecilho para um taiyoukai, mas pelo menos lhe daria algum tempo para pensar.

Apoiou-se na mesa para tomar ar, e ergueu a cabeça para vislumbrar o quadro.

- Sei que isso é loucura, que estou falando com um quadro que nada pode fazer, mas por favor, por misericórdia, me ajude, me tire daqui! Não deixe que ele faça o quer comigo, não deixe! – Ela chorava enquanto se chamava internamente de burra por estar pedindo ajuda para uma criatura inanimada.

A garota mal havia terminado de falar quando sentiu um forte aperto em seu pescoço. As garras de seu perseguidor lhe feriam a pele ao mesmo tempo em que Fukuyama forçava seu corpo para obrigá-la a fitá-lo.

- Correr atrás de você só faz com que eu a deseje ainda mais! Você é tão linda...Faz meu sangue ferver – O youkai falava de uma forma que ele julgava ser sedutora, mas que para Hana sugeria alucinação; Fukuyama estava fora de si.

Suas garras ainda seguravam o pescoço da jovem, mas a mão que estava livre passou a explorar o corpo delicado, começando pelo seio alvo que ele fez questão de voltar a expor afastando o tecido que cobria o busto. Hana não conteve o olhar de indignação e repulsa ao ser ver tocada por ele. À sua mente vieram as imagens do dia em que o youkai a arrastou até o rio. As lágrimas viram com mais força em razão da lembrança. Aquele dia ela foi salva por Sesshoumaru, ainda que no fundo ele tivesse agido em favor de Rin, mas agora não havia ninguém para defendê-la.

Enquanto se deliciava com sua exploração, o inuyoukai sentia a excitação dominar-lhe a mente e o corpo. Finalmente teria aquela que era a dona de seus pensamentos e ninguém poderia impedi-lo. Aproximando seus corpos, ele tomou o lábio rosado com grande volúpia e mais uma vez acabou por rasgar a boca com seus dentes afiados.

Sentir o gosto do próprio sangue levou Hana ao seu último estado de revolta. Que se danasse Sesshoumaru e o mesmo valia para o maldito quadro que sabia rir, mas não sabia ajudar. Ela sairia daquela situação de qualquer jeito. Se de fato Fukuyama a deseja com tanto ímpeto, ele teria que se deleitar com seu corpo morto, apenas assim ela sucumbiria.

Aproveitando-se da distração do youkai com o beijo, ela lentamente levantou uma de suas pernas até a altura ideal para aplicar um "generoso" golpe em suas partes íntimas. Por mais que tentasse fingir que a joelhada não lhe afetara, Fukuyama sentiu os olhos lacrimejarem e a necessidade de se abaixar para aliviar a dor falou mais alto que a vontade de exterminar a jovem.

- Sua maldita, desgraçada!- Hana não lhe deu ouvidos, apenas correu em direção ao quadro para pegar uma espada que ficava logo abaixo da moldura.

Ela não achava palavras para definir a sensação que teve ao segurar a espada. Primeiramente ela lhe pareceu tão pesada que impossível carregá-la, muito menos manejá-la. Porém, como que por milagre, a arma tornou-se leve como uma pluma e ela se viu diante de uma habilidade que ela jamais imaginou que poderia possuir, já que nunca havia tocado em uma espada antes.

- O que pensa que vai conseguir fazer com isso? Não há saída para você, sua vagabunda! Só sairá dessa sala depois que eu a possuí-la até a minha exaustão – Fukuyama gritava enquanto diminuía a distância entre eles, completamente dominado pela fúria.

Com uma agilidade que Hana tinha absoluta certeza que não lhe pertencia, ela conseguiu se desviar da investida do youkai e, ao mesmo tempo, moveu a espada conseguindo feri-lo no braço. A jovem subiu na mesa para ficar o mais longe possível dele e, dando um pulo inimaginável para um ser humano normal, ela chegou até porta da sala.

Apesar da velocidade com que ela agia, ele a alcançou segurando-a pelo kimono, porém ela mais uma vez se desvencilhou, mas não conseguiu evitar que as garras envenenadas do inuyoukai lhe ferissem as costas gravemente. Hana gritou com toda força, sentindo uma dor que por pouco não a fez desmaiar. Todavia, em um momento de reflexo, ela moveu a espada para trás cravando a lamina de forma impiedosa na perna de Fukuyama.

Sem olhar para o homem que acabará de ferir ela saiu correndo da sala, seguindo rápida pelos corredores da enorme construção apenas desejando chagar aos portões principais e sumir daquele lugar que só lhe trouxe tristezas. Ninguém lhe dava atenção e, dessa vez, ela agradecia aos deuses por isso.

Rapidamente ela alcançou a saída do castelo e, em seguida a saída da vila dos servos, indo na direção da densa floresta que cercava a fortaleza. Corria sem parar nem mesmo para ouvir a voz que lhe dizia que ela estava segura e que deveria parar de correr ou o veneno de Fukuyama rapidamente se espalharia. O fato de a voz ser extremamente parecida com a de Sesshoumaru fazia com que ela a ignorasse com mais empenho, tinha medo de virar de costas de ver que ele estava lhe perseguindo para levá-la de volta para o inferno.

A voz estava cada vez mais perto e mais forte, gritava de forma desesperada para que ela parasse que sua teimosia poderia ser fatal, mas isso só a vazia querer correr ainda mais rápido. De repente ela sentiu as pernas ficarem rígidas como aço e não mais conseguiu se mover. Ela caiu no chão. Respirar era uma tarefa árdua, era tão dolorosa como se o ar houvesse tornado-se facas afiadas que lhe dilacerava o corpo a cada inspiração. As lágrimas corriam pelo rosto e ela tinha certeza que dessa vez ela não tinha nenhuma escapatória. Estava morrendo.

- Garotinha teimosa! Pede-me ajuda e quando eu o faço não quer me escutar. Eu disse para parar de correr!- Hana usou o que restava de suas forças para olhar para cima e ver a bela e imponente figura de InuTaisho. Sem dúvidas as semelhanças entre pai e filho eram enormes, mas se restringiam a aparência física. A forma como o que ela acreditava ser o fantasma de seu sogro falava em nada lembrava Sesshoumaru. Ele era doce, gentil e trazia grande conforto para sua alma. – Confie em mim, menina, não permitirei que morra. Fique quieta e não tente mais se mover.

A jovem balançou a cabeça afirmativamente e deitou no chão tentando se acalmar. Ela sentiu algo como se fosse uma mão afagar-lhe os cabelos e imediatamente fechou os olhos. Estava desmaiada.

"Sesshoumaru, porque permitiu que isso acontecesse, meu filho! Sei que sente algo muito forte por esta mulher então porque ser tão orgulhoso. Amei muito sua mãe, mas o orgulho que ela possuía e que você carrega nas veias não traz nada além de dor". Com estes pensamentos a poderosa criatura se dissipou no ar deixando para trás uma poeira brilhante. InuTaisho sabia que naquele momento ele só tinha uma pessoa a quem recorrer. Talvez, quem sabe, ele não acabasse por pôr fim à rixa entre seus dois filhos...

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- O que foi Inuyasha? Porque parou de repente? – Kagome que estava pendurada nas costas do hanyou perguntou apreensiva, provavelmente ele havia sentido o cheiro da Kikio e estava tentado a ir atrás dela.

- Vamos por este lado. Sinto que tenho algo a resolver.

- Mas, Inuyasha a senhorita Kagome disse que sente a presença dos fragmentos naquela direção. Sabe que não podemos nos dar ao luxo de perder oportunidades agora que a jóia esta quase completa e nas mãos do Naraku - Miroku tenteou argumentar mas Inuyasha não lhe deu a menor atenção e já seguia para o caminho que havia determinado.

- O que há com ele? Perece que está hipnotizado! – Shipoo comentou baixinho no ouvido de Sango.

- Não sei, mas ele está realmente estranho. Tenho certeza que a Kagome acha que ele está indo atrás da Kikio. – Ela respondeu no mesmo tom.

- Ele não tem jeito. É um tremendo de um sem vergonha, insiste em querer ficar com as duas.

O grupo seguiu o hanyou em silêncio. Kagome estava um pouco contrariada e por isso andava de cabeça baixa ao lado de Sango, Shippo e Kirara. O tempo todo Inuyasha agia como se estivesse tentando farejar algo. Até que de repente ele correu e sumiu da vista de todos que mais que depressa subiram em Kirara para tentar alcança-lo.

Quando encontraram o hanyou ele estava segurando uma mulher nos braços, uma jovem de cabelos vermelhos, trajada com um rico e belo kimono branco que estava rasgado na parte de trás mostrando um enorme ferimento que sangrava abundantemente.

- Quem é ela? – Sango perguntou assim que Kirara pousou.

- Não faço idéia, Sango. Apenas sei que ela está gravemente ferida e que foi envenenada... Envenenada por um youkai-cão e sinto o cheiro de Sesshoumaru em todo o seu corpo. Não consigo acreditar que ele tenha ido tão baixo... – Inuyasha falou raivoso, o cheiro que ele sentia não era simplesmente o cheiro que seu irmão deixaria se tivesse apenas machucado a jovem, era o cheiro que os youkais machos de sua espécie deixavam em uma fêmea quando terminavam de copular. A idéia de que seu irmão violentará sexualmente a garota para depois a ferir e deixá-la para morrer a mingua, era algo que ele jamais havia imaginado que Sesshoumaru fosse capaz de fazer, era uma atitude muito repugnante, até mesmo para um cara tão desprezível quanto seu meio-irmão. Havia também um outro cheiro, mas este ele não sabia identificar de quem era, mas também parecia ser de um youkai-cão.

- O que vamos fazer com ela? Temos que tratá-la logo! – Kagome falou.

- Acho que o melhor é voltarmos à vila e pedirmos ajuda para senhora Kaede. Ela melhor que qualquer um de nós saberá o que pode ser feito por ela antes que o pior aconteça. Não é justo que uma mulher tão linda morra desse jeito. – Miroku sugeria enquanto se aproximava de forma pervertida da jovem.

- Nem tente isso seu tarado! Não sabe o que ela passou! Vamos de uma vez, a cada segundo a possibilidade dela as salvar é cada vez menor. – Inuyasha falou enraivecido. Tudo que queria era salvar aquela mulher. Uma voz em seu peito bradava que ela era muito importante e que tinha que sobreviver de qualquer forma. Ele não sabia o porquê, mas sabia que devia grande obediência àquela voz e faria de tudo para salvar a humana.

CONTINUA...

Desculpem a demora, espero que gostem deste capítulo, prometo não me demorar no próximo.

Beijos,

LaunaRacos.