-Conte-me... Ele amou aquele brilhante barato, não é?
-Mas que droga deu em você?! Ferrou com tudo! TUDO!
-Primeiro, Shura. Para de gritar. Segunda coisa: eu NUNCA perco. Achei que soubesse disso. E terceiro: lhe fiz um favor, porque do jeito que ia, não fodia e nem saía de cima.
-Acho que do meu namoro, cuido eu, não?
-Você me quis, então vai jogar o meu jogo. Eu, Afrodite, vou perder para um nerd como o Aiolos? Por favor. Estou começando a achar que ele é mais a sua cara mesmo.
-Afrodite, eu ia falar para ele. Ia contar.
-Não. Não ia, sejamos francos. Do contrário, você já o teria feito. Shura, sou realista, neste caso.
-Porque não me levaram junto? Achei que estávamos juntos nessa.
-Você vai consolar o Aiolos. E não o quero lamentando no meu ouvido. Quer saber mais? Quando voltarmos, conversaremos. Quero que aproveite e pense bem no que está fazendo!
-Só porque estou suado não vai me abraçar? – Milo não perdeu tempo de infernizar Aiolia, notando a demora dele voltar do celular.
-Deixa ele em paz. – Camus riu e como resposta, recebeu um selinho. -Precisa de um banho né? – O loiro riu.
-Eu ia para casa, tomar. E achei que ia comigo.
-Não posso, Milo. Hoje não. – Se levantou do banco da arquibancada e beijo o rosto do escorpiano. -Vou sair com o meu pai e estudar. – Olhou o loiro e percebeu a sua tristeza. -Mas no seu próximo jogo, fazemos isso. – O viu sorrir.
-Tudo bem, vou para o chuveiro e já volto. – Beijou Camus novamente e saiu.
O ruivo passou sutilmente a língua entre os lábios, um pouco corado do beijo quente que o outro lhe deu e então, decidiu ir até Aiolia. O viu que já não falava mais no celular, mas ao mesmo tempo, ele não retornou para junto de si. -Aiolia.
-Camus. Eu vou matar o Shura. – O tom foi suficientemente sério para o francês chegar a acreditar.
-O que aconteceu?
-Aiolos descobriu a palhaçada. – Camus apenas fechou os olhos, em lamento. -Vai vê-lo, agora, o seu irmão, não é?
-Vou voar para casa. Dá tchau para o Milo por mim? – Levou um carinhoso tapinha nas costas, para deixar o aquariano ali, a esperar o namorado.
-Eu não era o favorito. – Outra lágrima caiu, enquanto sentia os dedos da mão do irmão lhe apertarem, carinhosamente, a sua mão.
-Não fale isso. Ele é um idiota. – Foi sincero, mesmo vendo que ora o choro do irmão ia, ora voltava. -Aiolos, não é porque você o amava, que tem que se submeter a ser opção para aquele cretino. Você namorava com ele, não era um relacionamento aberto. – Disse o óbvio, mas precisava ver o irmão parar de chorar por causa de Shura.
-Eu me senti humilhado. Por ambos. Quando cheguei... – Se ajeitou na cama, deixando o seu olhar se perder pelo irmão, sentado de frente para si. -Estava claro que eu não fazia falta. – Olhou Aiolia em seus olhos. -Maninho, o que eu fiz de errado?
Aiolia bufou, ainda mais irritado pela forma que ele estava. Ergueu a mão livre e tocou no rosto dele, secando-o. -Eu preciso te contar uma coisa. – Seu coração saltou ao dizer aquilo para o mais velho.
-Sim. – Aproveitou o momento e beijou a bochecha do mais novo.
-Olos... – Não conseguiu olhá-lo. -Eu sabia que o Shura fazia isso. – Sentiu certa falta de ar ao ver, depois do que mencionou, a reação de Aiolos. Não só a surpresa, como novas lágrimas.
-... E não ia me contar... Também? – Aiolia segurou o irmão com ambas as mãos, sentindo que ele levantaria dali, pelo tom magoado que foi notado.
-Sim. Aiolos. Eu ia sim. Eu tive medo de dizer e você me odiar. Por isso protelei. – Respirou fundo, vendo-o baixar a guarda pela reação e por suas palavras. -Você entende, agora, Aiolos, porque eu odiei Shura a cada dia da minha vida? Entende agora o porquê que eu não queria ficar na presença dele?
-Eu jamais odiaria você. Nem que me desse motivo, Olia. – O leonino deu um breve sorriso com aquelas palavras. -Percebo agora que eu estava muito cego, não?
-Odeio ele, mas você estava apaixonado. Você não ia adivinhar.
-Aiolia... Eu sabia que ele me traía. – O outro ergueu as sobrancelhas.
-Pera... Como...? Eu entendi isso, Olos? – O olhou, confuso.
Um sorriso triste surgiu. -Eu conhecia bem o Shura. Pela menos boa parte dele. – Se corrigiu. -E ele não esconde quando está apaixonado. – Pegou na outra mão do irmão e ficou olhando-a enquanto fazia carinho.
-Você podia ter terminado com ele!
-Foi o que eu disse para ele. Dei uma chance de contar a verdade. Mas pelo visto o Shura teve mais pena de mim, por isso não o fez. No meio da confusão ele disse que ia me pedir em noivado. – Agora, deixou a tristeza de lado e ergueu as sobrancelhas. -No mínimo, acho que ele pensa que sou burro mesmo.
A cada palavra do irmão, sentia mais ódio do capricorniano. Seu irmão se considerava genuinamente feliz ao seu lado, e Shura simplesmente o enganou. Isso, era inadmissível.
Aiolia acabou por se levantar da cama. Aproximou-se do irmão, o abraçando com força. Seus dedos, de uma das mãos, se perderam nos fios castanhos dele, enquanto encostava o seu queixo no topo de sua cabeça. Notou que naquele momento, o choro do outro por fim, cessara.
-Jamais quis parecer duro ou teimoso quando se tratava dele, Aiolos.
-Aiolia, você apenas enxergava o que eu não fazia. – O mais novo sentiu a mão do mais velho tocar a lateral de seu corpo, em apoio. -Obrigado por isso. Obrigado por tudo.
-Ele não vai machucar você de novo.
-Promete que não deixa?
-Juro.
"Eu sei que deixei muita confusão e destruição para retornar novamente".
Notas:
Título: "Am Ende Stehen Wir Zwei": "Ao Fim, Resta Nós Dois".
Ao contrário do que muitos podem interpretar, penso, nessa situação, o Afrodite tramando um jogo só dele. Um sadismo, maldade. Odiando ser trocado por outro que ele com certeza acredita que seja bem menos que ele e juntamente com o ciúme, se torna manipulador. Sem mencionar o narcisismo que é sempre claro. O Dite não é só narcisista, ele é bem mais do que apenas isso.
Gêmea! S2
