- New York, New Yooork! – Marlene repetia para Sirius, que revirava os olhos enquanto tentava acertar as notas no violão. Estava difícil. Marlene lhe tirava toda a concentração. E ele gostava disso.
- Lene, se você não parar com essa música, eu não me responsabilizo pelos danos causados pelo violão.
-... YOOOOORK! – gritou ela, levantando os braços teatralmente, e depois agradecendo ao "público".
Sirius sorriu enquanto ela tirava o avental, tirando a alça do violão de seu ombro e o encostando na cadeira ao lado. Aproximou-se dela por trás, agarrando-se à sua cintura enquanto ela tentava fazer o avental passar-lhe pela cabeça. Ele o arrancou da cabeça dela com um puxão, jogando-o pra trás enquanto Marlene se virava e lhe dava um beijo estalado nos lábios. Para depois logo tentar se desvencilhar.
- Ei, mocinha, pra onde vai?
Ela sorriu-lhe, enfiando os dedos onde começavam os fios negros de Sirius.
- Terminar de lavar a louça, já que você não se preocupa nem um pouco com ela. O maldito avental estava me atrapalhando.
- É que eu tenho coisas bem mais interessantes aqui. – disse ele. Sirius sempre tinha uma resposta pra tudo, suspirou ela.
- Como o quê? – pediu, encostando seu nariz ao dele.
Ela estava muito perto. Era quase cinco da manhã. Eles eram noivos. E a louça na pia podia se acumular, na visão de Sirius, desde que houvesse um canto para que ele e Lene pudessem se abraçar e esquecer-se do mundo lá fora. Esquecer do trabalho que tinham de desempenhar. Deixar pra trás a máscara de frieza que eram obrigados a construir todos os dias, quando viam famílias serem destroçadas. O amor se esfarrapando a cada segundo. Enquanto o ódio e o desejo por vingança pareciam brotar do asfalto e se agarrar aos tornozelos das pessoas.
E o beijo que ele esmagou em sua boca dizia tudo aquilo, e muito mais. Ele a queria. Ela o queria. E tinha que ser naquele instante. Como num borrão difusor de cores, emoções e sentidos confusos, eles sentiram roupas serem puxadas e tiradas, a pele na pele e enfim, o calor. O aconchego que ambos buscavam. O calor completo, enquanto ambos atingiam um nível de prazer mútuo. Elevado e aterrador. Ele ora sentia as unhas dela a arranharem suas costas, ora só conseguia sentir a sensação de preenchimento, o êxtase lhe consumindo o ar e boca dele contra a dela, só parada ali. Só sentindo o macio dos lábios molhados. Eles se afundaram. Um no outro. Com desesperada urgência.