N/A: Tem alguns pensamentos da Lily nesse capítulo que podem ofender algumas pessoas. Eu não concordo completamente com eles, e nem a Lily necessariamente. Eles são produtos da idade, mas eu peço mil desculpas caso eu venha a ofender alguém.

Boa leitura! Sunny.


"Quan-quanto tempo atrasada?" Ele passou a mão pelo cabelo. Ele tentava evitar olhá-la.

"Mais ou menos duas semanas e meia." Ela mordeu o lábio.

"Isso é muito?" Ele levou a mão ao cabelo novamente.

Ela respirou fundo. "É o suficiente para ficarmos preocupados."

Ele levantou a cabeça e a olhou nos olhos. "O que nós vamos fazer?"

Ela sacudiu a cabeça. "Eu não sei."

Ele estava voltando ao normal. Ela estava piorando. "Mas, você não tem certeza ainda né?" Ela afirmou. "Então como nós descobrimos?"

"Eu não sei." Ela abaixou a cabeça. Ele se aproximou e segurou os braços dela. "Me desculpe."

"Ta tudo bem Lily. Vai ficar tudo bem." Ele esfregou os braços dela de forma tranquilizante. Ela apoiou a cabeça no peito dele. "Não pode ser tão difícil certo? Um feitiço ou uma poção ou... alguma coisa?"

"Eu não sei!" Ela leventou da mesa e se afastou dele. "Eu não sei nada sobre isso e não posso perguntar para alguém! E não existem livros ou qualquer coisa sobre o assunto!" Ela começou a andar contando os passos. "Eu não sei o que fazer."

"Hey," Ele se aproximou dela e colocou as mãos no ombro dela. "Se acalma." Ela a puxou para um abraço, e pensou por um momento, "Você conhece algum jeitou trouxa?"

"Sim." Ela respirou novamente. "Mas eu não vejo como isso poderia ajudar."

"Eu-eu consigo te levar até Hogsmeade e Remus pode aparatar-"

"Eu posso aparatar." Ela olhou para ele. "Remus não pode saber."

"É claro. Então você pode aparatar para uma cidade trouxa e nós podemos descobrir." Ela concordou. "E nós lidamos com o resto depois que chegarmos lá."


O plano estava pronto. Eles sairiam no sábado para não perderem nenhuma aula. Isso deixou Lily com três torturantes dias para pensar.

Ela ia ter um bebê. Um bebê. Um bebê carente e chorão. Tinha um pequeno pedaço dela e do James crescendo dentro dela. Era uma noção bizarra. Como ela iria cuidar dele? Ela iria ter que abandonar a escola. Como ela iria conseguir um emprego sem ter terminado a escola? Como ela iria arranjar dinheiro suficiente para tomar conta do bebê no caso dela conseguir um emprego?

Ela não esperava que os seus pais fossem ajudar. Os pais dela nunca iriam apoiar uma gravidez na adolescência. Ou uma fora do casamento.

Meu Merlin, ela teria que se casar com o James.

Os pais dela iriam forçar os dois a fazerem isso. Ela precisava dele de qualquer forma. Ele poderia arranjar um trabalho. Ele poderia tomar conta deles.

Ela não podia casar com James. Ela simplismente não podia. Ela nem gostava dele. Não tanto assim. Ele era imaturo e malvado, e, e, e ela só não poderia casar com ele. Mas obviamente, ela teria. Não tinha outra opção.

Bom, pelo menos o sexo seria bom. E ele sempre conseguia fazer ela rir. Ele era engraçado quando não estava sendo um idiota. Ele podia ser responsável quando queria. Ele-ele seria um bom pai. Ele teria que ser. Porque esse pedacinho dele crescendo dentro dela era perfeito e inocente e merecia ter dois pais que o amassem e que tomassem conta dele. Ela já amava, e nem tinha certeza se estava lá mesmo. Ele iria amar também certo?

Talvez.

Iria, com certeza.

Ele tinha que.

Ele iria.


Eles se encontraram no quarto andar. Lily não fazia a menor ideia de como isso levaria eles a qualquer lugar, mas ela tinha certeza que James sabia, ela confiava nele.

Ela chegou antes. Ela sentou na sala de aula vazia que eles marcaram, esperando por ele ansiosa. Ela estava na sala certa, né? Será que ele tinha esquecido?

Ele chegou logo depois. Ela suspirou alivada enquanto ele se aproximava. "Você está pronta para ir?" ele respirou. Ela acenou. "Okay então, vamos."

Ela o seguiu pela porta, mas ele bloqueou o caminho antes dela passar. "O que você es-" ele tinha pegado um pedaço de pergaminho, e murmurado algo que ela não entendeu.

"Seja paciente Lil" Ele a repreendeu. Ele manteve os olhos no pergaminho, mas não deixou que ela visse. Depois de um momento, ele se mexeu, e fez sinal para ela segui-lo.

Eles andaram pelos corredores até chegarem em frente a um espelho. James parou, e Lily quase esbarrou nele. James, de alguma forma, conseguiu abrir o espelho e revelar a passagem que tinha por trás.

Lily arfou e James fez sinal para ela entrar. Ela deslizou para dentro enquanto ele a seguia. O espelho fechou. "Onde nós estamos indo?" ela sussurrou.

Ela não conseguia vê-lo no escuro, mas ela sabia que ele estava sorrindo. "Hogsmead, é claro."

"Como?" Ele acendeu a varinha, e Lily viu que ele realemente sorria.

Ele começou a andar; Lily o seguiu. "Pela passagem secreta." Ela ficou confusa por um segundo antes de James perceber que ela não estava andando. Ele olhou para ela. "Vamos!"

Ela correu para alcançá-lo, e os dois andaram pelo corredor escuro juntos.


"Para onde nós precisamos ir?"

"Uma cidade trouxa, eu acho." Lily o respondeu. Os dois chegaram a Hogsmead sem incidentes e estavam, agora, parados do lado de fora da passagem, evitando multidões e pessoas que pudessem reconhecê-los.

"Você disse que sabia aparatar, certo?"

"Sim. Meu aniversário é em Janeiro. Eu sou legal."

Ele riu, "Bom eu não sou. Então terei que ir com você."

"Okay." Ela acentiu. "Pronto?" Ele se aproximou dela e segurou firmimente o braço dela.

"Tudo pronto."

"Bom, então aqui vamos nós." Ela deu um giro e com um alto crack os dois desaparataram e chegaram em uma cidade trouxa que a família Evans tinha visitado uma vez no verão. Lily pensou que lá niguém os reconheceria, e não era tão longe de Hogwarts de qualquer jeito.

"Agora aonde nós vamos?" James perguntou depois de se recuperar.

Ela pensou por um momento, "Uma farmácia eu acho." James parecia confuso. "É por aqui."

Ela direcionou o caminho, parando brevemente para admirar um cordão na vitrine de uma loja. Eles chegaram na farmácia e Lily entrou. James ofereceu companhia mas temendo o jeito travesso dele dentro de um lugar cheio de coisas desconhecidas, Lily achou melhor ele esperar do lado de fora. "Eu não vou demorar muito. Fique aqui."

Ela achou o local dos testes depois de uma intensa e irritante procura. Ela estava pensando seriamente em pedir ajuda quando ela os encontrou em um canto escondido. Com raiva, ela pegou um e foi para o caixa pagar. É claro, o único funcionário trabalhando naquela hora era um adolescente relativamente bonito. Ela evitou olhar para ele enquanto pagava.

"Diga," ela olhou para ele corando, "vocês têm um banheiro que eu possa usar?" Ele apontou na direção de uma porta e ela agradeceu. Depois de entrar no banheiro, ela leu as instruções três vezes. Ela fez o teste, o escondeu rapidamente no seu bolso, e saiu para encontrar James.

Ele estava exatamente onde ela o tinha deixado, esperando pacientemente por ela. Quando ele a viu se aproximando ele a olhou com expectativa. Ela o segurou pelo braço e o puxou para um beco que tinha por perto.

"Quais são as notícias?"

"Não sei ainda. Demora um pouco."

"Quanto tempo?" Ele estava se mexendo.

Ela começou a andar de um lado para o outro e olhou no relógio. "Mais uns dez minutos."


Depois de dez minutos agonizantes de uma conversa forçada, Lily anunciou que eles podiam olhar o resultado.

Ela retirou o teste do bolso em que tinha posto e colocou em frente a ela, mas fechou os olhos. Ela tentou abrir, mas não conseguia. Esse era o momento da verdade. Todo o futuro dela dependia daquilo, dependia da presença ou não de uma linha azul. Ela iria saber de tinha alguma coisa, alguém crescendo dentro dela, se alimentando a partir dela para criar a própria vida. Ela queria saber. Ela precisava saber.

Mas ela não conseguia olhar. E se ela estivesse grávida? O que ela iria fazer? Como ela conseguiria cuidar da pequena pessoa que ela tinha criado?

E se ela não estivesse? E se fosse só ela, mais vazia do que nunca? Será que o vazio que ela tinha sentido durante o verão começaria a consumí-la novamente? Ela não aguentaria aquilo. E como ela olharia para James sabendo que eles tinham quase, quase, criado algo juntos?

Ela não poderia. "Eu não consigo, James, eu não consigo olhar." Ela entregou o teste para ele. "Você olha." Ela virou para o outro lado.

"Uhm... O que eu tenho que fazer?" Ele estava completamente confuso.

"Ler o teste!" ela gritou. Imediatamente ela percebeu que James não saberia como ler o teste. "Você vê as linhas azuis no vidro? Se tiver só uma eu não estou, se tiver duas... bom, então nós teremos problemas." Ela falou para a parede.

"Mas Lily," a voz dele ainda sai bastante confusa. "Não tem nenhuma linha aqui."

"O que!" Ela rapidamente virou e retirou o teste da mão de James. Sem pensar ela olhou, pronta para chorar de frustração, quando ela viu uma linha azul sorrindo de volta para ela.

Um grande peso foi removido dos ombros dela. Ela olhou para James, que estava sorrindo abertamente para ela. "Babaca." Ela bateu nele de brincadeira. Ela olhou de volta para o teste; só para se certificar que os olhos dela não estavam a enganando. Eles não estavam; ela começou a rir.

Um, ela pensou, tinha que ser o melhor número já inventado.


Os dois aparatam de volta em Hogsmead, e quinze minutos depois estavam dentro da passagem para voltar para o castelo. Eles tinham ficado felizes, e no caminho de voltar para a cidade e na primeira parte da passagem eles conversaram. Mas a alegria do descobrimento tinha passado e agora o par andava em um silêncio confortável.

Lily não se importava. Isso a deixava livre para contemplar a beleza do número um. Ah um, uma linha azul. Maravilhosa. Um grande alívio. Um riso. Uma Lily.

Ela era uma pessoa. Sozinha. Ela não tinha percebido isso até agora. Talvez ela tivesse se acostumado a pensar em dividir o seu corpo. Mas ela não estava.

Um era solitário.

James pareceu notar a sua mudança de humor. "Você está bem?"

"Estou," ela mentiu. "Só um pouco cansada."

Ele a olhou duvidoso, mas aceitou. "Nós estamos quase de volta." Ele parou rapidamente e tirou do bolso o mesmo pergaminho de mais cedo.

"O que foi?" ela perguntou.

"Nada." Ele passou os olhos através do papel. Lily aceitou a fala dele e esperou pacientemente para ele decifrar o que é que seja que ele estivesse olhando. "Merda." Ele sussurrou de modo grosseiro.

"O que?" ele procurou dentro do casaco e tirou de lá o pedaço de um material prateado.

Ele jogou para ela. "Coloque isso. Ninguém poderá vê-la."

"Do que você-"

Ele a interrompeu. "Só faça isso! E fique quieta."

Ele começou a andar de novo, e Lily o seguiu. Eles não tinham dado nem dez passos quando ouviram vozes vindo pela passagem.

"O que ele estaria fazendo aqui sem a gente?" A primeira voz questionou.

"Não faço a menor ideia." A segunda voz também aderiu a conversa.

"Provavelmente apensa quis dar uma volta por Hogsmead." Uma terceira adicionou.

"Não." A segunda voz estava falando, "Ele está, definitivamente, tramando alguma."

"O que poderia ser?" Isso era a primeira voz.

"Provavelmente tem alguma coisa haver com a menina que ele está transando." A segunda voz disse.

Lily congelou de horror. O rosto de James pareceu brilhar de raiva, mas ele continuou andando. "Olá garotos." Ele disse quando ficou no campo de visão dos amigos. "O que você três estão fazendo por aqui?" Eles não a estavam vendo, então Lily assumiu que James tinha sido honesto quando disse que ela ficaria invisível.

"Nós poderimos perguntar o mesmo para você, Pontas." A segunda voz, agora identificada como Sirius Black, replicou.

"Só pensei em dar uma andada por Hogsmeas."

"Eu te falei Almofadinha. " A terceira voz, Remus Lupin, repreendeu.

"Ele esté mentindo. Posso ver nos olhos dele."

"Besteira!" James gritou, "Só porque eu não passo todo o meu tempo com vocês três..."

"Ou você está conosco ou com aquela menina secreta." Peter finalmente falou.

"Do que você está falando?" Lily percebeu que James era um ótimo ator.

"Não se faça de bobo, até Remus sabe disso. E ele se recusa a pensar mal de qualquer pessoa." Aparentemente Sirius Black estava muito chateado por causa do assunto. Remus soltou um som de objeção.

James parecia muito culpado. "Ok, é verdade." Lily ficou horrorizada.

Os outros três o olharam incrivelmente chocados. "Quem é?" Peter queria saber.

"Eu não posso contar à vocês." Lily ficou ligeiramente mais tranquila.

"Por que não?" Sirius exigiu.

"Porque, Almofadinhas, ela iria me matar se eu contasse."

"Não é como se ela fosse descobrir!" Peter exclamou.

Tanto os olhos de Sirius e Remus abriram de espanto. "Ela está aqui!"

Lily viu isso como a razão para ir embora.


Lily estava deitada na cama, de lado, sem piscar. Ela tinha ficado assim desde que chegara de Hogsmead. Ela tinha deixado o estranho material de James no quarto dele e vindo direto para o quarto. Os olhos dela doiam, mas ela não os fechava. Por sorte o quarto dela estava vazio. Ela estava sozinha. Aliviada, mas solitária.

A porta rangeu ao ser aberta. Ela pensou em virar e mandar a pessoa que tivesse entrado para ir embora, mas ela não teve motivação para abrir a boca. Ela assumiu que fosse Ella, talvez Mary, ou outra colega de quarto.

"Hey," era apenas James. "Tudo bem ai?" Ela acenou. "Eu pensei que nós tinhamos combinado nada de mentiras."

Ela suspirou e finalmente fechou os olhos. "Não é nada."

Ele se aproximou dela, "Obviamente é alguma coisa. Porque você não me conta?" ela suspirou novamente. "Você está triste porque não está grávida? Eu pensei que fosse o que você queria."

"E é." Ela se virou um pouco, e ele deitou ao lado dela. "É só que... é estúpido na realidade."

"Não é estúpido se está te deixando triste." Ele passou o braço pela cintura dela e a puxou para mais perto dele.

"Eu estou me sentindo sozinha, acho. Eu meio que me acostumei em pensar que tinha outra pessoa comigo o tempo todo. E estou feliz que não tenha, mas eu não sei... É um pouco triste também."

"Isso não é idiota Lily." Ele conseguiu passar o outro braço por baixo da cabeça dela.

"Sério?" Ela segurou a mão dele que estava em cima da barriga dela, e se aninhou mais perto dele.

"Nem um pouco."


N/T: Nem sei o que dizer por causa da demora. To fazendo vestibular esse ano e a prova da UERJ foi no domingo, fiquei tão concentrada em estudar que nem liguei o computador. Mas assim que acabou terminei de traduzir esse capítulo para vocês. =)

Como essa semana tem o Rio+20 e eu não terei aula, vou tentar terminar mais um e colocar no final de semana. Beijinhos.

Lady Aredhel Anarion: Hahaha, quem bom que você gostou. Mas esse drama terminou por aqui, quem sabe não tem outros vindo.

Renata: Que bom que você está gostando. Desculpa pela demora.

JackieMooneyLestrange: Pode deixar que eu vou avisar a autora que você está gostando. Btw, eu to lendo a sua fic, e to achando muito divertida, mas eu ainda não terminei de ler, só por isso não comentei. E a outra que você está traduzindo é linda! Bjs.

MaMa: Essa fic é ótima mesmo, uma das poucas que eu li que mostra um lado diferente do relacionamento deles. Adoro o James, e a Lily também, ela só demora um pouco para perceber isso. Vou tentar demorar menos para atualizar, mas é um pouco complicado.