Disclaimer: Os personagens Emmett, Jasper e Alice, presentes neste capítulo, pertencem à Stephenie Meyer. Demais personagens e enredo pertencem à mim.


CAPÍTULO CINCO – ÁGUA COM AÇÚCAR, MUITA ÁGUA COM AÇÚCAR

Para quem assistia àquela cena sem saber o que realmente estava acontecendo, deve ter sido simplesmente hilário ver dois cinquentões se empurrando pelos corredores como dois moleques. Jasper suplicava de todas as formas que podia, mas, no fundo, sabia que não adiantaria nada. Quando Emmett colocava aquele sorriso sacana no rosto, principalmente se era para envergonhar alguém, a ideia não saía com facilidade; e ele estava decidido a colocar Jasper frente a frente com a situação mais desesperadora da sua vida: encarar uma mulher linda, jovem, por quem ele claramente arrastava um bonde e que, no mínimo, o consideraria algum tipo de doente. Em palavras simples, passaria vergonha pura na frente dela e não teria mais chance nem em sonho.

Emmett puxou daqui, empurrou de lá e impressionantemente, conseguiu trazer um amigo que lhe suplicava como se esse o estivesse levando para a cadeira elétrica até a rua, mas ali Jasper estacou.

-Emmett, não dá! Eu não consigo, ok? Não consigo entrar lá! O que é que eu vou dizer, hein? Você está certo, sabia. Eu estou desesperado. Preciso de uma boa noitada e vai se resolver; ela é só a personificação do meu desejo reprimido. Vou num bar mais tarde, pago um drinque para uma mulher bonita, resolvo meus problemas e essa obsessão por ela vai passar, tenho certeza. Agora vamos no Starbuck's se você ainda quiser o café, só pelo amor de Deus, eu te suplico, não me faça entrar lá! - pediu Jasper em um estado de dar dó; parecia um condenado sendo arrastado direto para a forca, cadeira elétrica, guilhotina... O que for pior.

-Jasper. Querido cunhadinho. – começou Emmett com uma voz assustadoramente calma enquanto massageava os ombros tensos de pedra de Jasper. Obviamente, o cenário mudou rápido. Ele agarrou o amigo pelos ombros que massageava e o sacudiu vigorosamente algumas vezes; a voz calma e serena também voltou ao usual trovão ensurdecedor. - VÊ SE VIRA HOMEM, porque a gente vai entrar naquele café, fazer o pedido para ela e você não pode parecer essa bichinha que está aqui na minha frente! Homem que é homem tem pegada, sacou? Homem que é homem não pede, muito menos suplica; manda! Então respira fundo e prove que você realmente nasceu com alguma coisa no meio das pernas, porque até eu estou achando que a Vaca te castrou literalmente.

E assim, Emmett virou Jasper de frente para o café, pousou uma mão em seu ombro e atravessou a rua movimentada com ele. O pobre solteiro suava frio, mas toda vez que tentava resistir, encontrava um armário atrás de si que não o deixava recuar. Enfim, viu-se de frente para a entrada do café. A hesitação mal teve tempo de irradiar por seu corpo e uma mão grande já fazia uma pressão gentil mas firme em suas costas para que prosseguisse. Sem outra escolha, ele tomou um último suspiro e empurrou a porta do café.

O lugar já era lindo visto de fora, mas estar lá dentro era muito reconfortante. Tudo era extremamente aconchegante; da cor das paredes até as mesas, que não tinham um padrão. Mesmo assim, no estado de pré colapso nervoso em que ele se encontrava, nada conseguia fazer com que ele se acalmasse. Mas se estava difícil ficar de pé, ele teve que se apoiar na mão de Emmett quando ele a viu atrás do balcão sorrindo gentilmente para ele; seus joelhos quase não aguentaram.

E meu Deus, como ela era linda. Na verdade, ele já sabia disso; mas ali, tão de perto, tão simples, tão perfeita. Ah, que inveja daquele avental cor de chocolate que podia ficar abraçado ao seu corpo pequeno o dia todo sem ser incomodado. Cena de romance nova iorquino era pouco para descrever aquilo. O jazz suave tocava ao fundo; Don't Know Why da Nora Jones, que ele reconheceu de primeira. Tinha que reconhecer pois aquela seria a sua música favorita para o resto da vida.

Percebendo que o amigo estava completamente fora de órbita, Emmett guiou-o devagar até uma mesa e fez com que se sentasse, antes que caísse. Fitava-o com um sorriso vitorioso e feliz vendo a cara de bobo estampada na face de Jasper. Estava totalmente hipnotizado pela garota, quem quer que fosse. Tinha o olhar dos apaixonados; dos perdidamente apaixonados. Daqueles para quem não há mais chance, não há outra alternativa. Dos que já não sabem mais nem seus próprios nomes; dos que foram reduzidos a pó se a pessoa amada não lhes corresponder.

Alice secou as mãos no pano de prato e foi até a mesa onde estavam sentados os dois novos clientes. Um parecia atônito como se tivesse levado um raio na cabeça enquanto o outro assistia divertindo-se. Ambos vestiam ternos caros e eram homens de meia idade. Provavelmente, como muitos dos clientes que frequentavam o lugar, eram executivos importantes. Foi até eles já puxando bloquinho e caneta do bolso do avental e os cumprimentou:

-Boa tarde. – disse com um sorriso sincero – Os senhores já sabem o que vão pedir ou querem dar uma olhada em nosso cardápio?

Jasper não tinha mais a capacidade de falar. Muito menos de formular uma resposta em seu cérebro inebriado pela voz, pelo perfume, pela presença dela. Percebendo isso, Emmett se adiantou:

-Um chocolate quente na caneca, com bastante creme para o meu amigo aqui e... – interrompeu-se olhando para o relógio com cara de assustado e se levantando depressa – Oh Jasper, me desculpe! Esqueci que tinha uma reunião! É uma pena mesmo... Prometo que tomamos esse café outro dia, sim?

Os olhos dele quase saltaram das órbitas ao perceber o que ele estava fazendo. Aquela ceninha toda era só uma desculpa para ir embora e abandoná-lo à própria sorte para envergonhar-se na frente da única mulher que importava.

-Emmett, não! Eu-

-Por favor, fique e tome um chocolate quente. Você está pálido; acho que não está muito bem. Se pudesse, eu ficaria mesmo, mas a reunião é muito importante. Nos vemos no escritório.

-Por favor, Emmett! Por favor... – ele tentou implorar, mas o cunhado já havia se levantado e saído do local; suspirou e, derrotado, deitou a cabeça na mesa para murmurar para si mesmo – não me deixe aqui sozinho...

Alice observou tudo atentamente e quando o homem de cabelos escuros, Emmett, pelo que havia ouvido, mencionou que o outro parecia doente, parou para observá-lo. Ele suava frio e estava pálido como uma vela. Pensando bem, parecia a ponto de desmaiar ali, deitado com a cabeça sobre os braços na mesa. Resolveu fazer alguma coisa antes que tivesse um senhor desmaiado para atender. Colocou sua mão sobre a dele bem de leve e perguntou:

-O senhor está bem? Quer um copo de água com açúcar antes que eu traga o seu chocolate quente?

Jasper, que de tanto pavor já tinha até esquecido que ela estava bem na sua frente, quase teve um ataque quando sentiu sua pele tocar na dele. Se ele pudesse, tinha cavado um buraco no chão café, se enterrado e nunca mais sairia. Imagine só o mico que não estava pagando na frente dela. Justo na frente dela! "Pense pelo lado bom, Jazz: pelo jeito ela só acha que você está morrendo, não há suspeitas de que você está apaixo- Ei! Nem é para tanto assim... Que você tem... Uma quedinha, inha, inha, inha por ela... Vamos lá... Nem tudo está perdido...". Bravamente, levantou a cabeça e respirou fundo. Ainda não sabia direito como faria para que as palavras saíssem de sua boca, mas resolveu tentar de qualquer jeito:

-E—Eu... Eu... - ele balbuciou igual a uma criança, até que, enfim, desistiu e suspirou – Quero sim.

Ela prontamente se levantou e foi até o balcão lhe preparar um copo com água e açúcar. No estado em que ele estava, faia bem mesmo; precisava se acalmar antes que realmente tivesse um treco no meio do café. Depois de poucos instantes ela já estava de volta; como era um horário calmo e apenas mais alguns estudantes sentavam em uma mesa fazendo um trabalho, ela sentou-se de frente para ele e empurrou o copo para perto de suas mãos. Jasper pegou o copo nas mãos trêmulas e bebeu alguns goles. Tentou respirar um pouco mais devagar e se acalmar e foi se sentindo melhor, mesmo que a proximidade e o olhar preocupado da jovem não ajudasse em nada.

-Está melhor? - ela perguntou.

-Sim, sim, estou... Obrigado. - respondeu ele.

-Tem certeza? Não quer ligar para que alguém venha buscar o senhor? Sua esposa?

-Ah, não... - ele disse enquanto um pequeno sorriso se abria em seus lábios – Estou me divorciando. A última pessoa que eu quero que me encontre é ela.

-Ah! - disse ela, com seu risinho de sinos – Me desculpe... Eu lamento.

-Não lamente. Estou bem melhor assim. - disse ele já sorrindo de leve; era incrivelmente fácil se sentir bem perto dela.

-Quer seu chocolate agora? - perguntou ela sorrindo e se levantando.

-Pode ser. Será que a senhorita poderia trazer o cardápio também? Para eu conhecer o que vocês servem por aqui... - e para me distrair com alguma coisa e não ficar te encarando.

-Vou trazer. Só um minutinho.

E lá foi ela, andando de um jeito que só ela sabia fazer; meio dançando, meio saltitando. Fez o seu chocolate e caprichou no creme, assim como Emmett havia dito. Pegou um cardápio no balcão e trouxe o seu pedido.

-Se precisar de qualquer coisa, é só me chamar, ok? - disse ela com aquele sorriso feliz que raramente abandonava seu rosto.

Para se entreter um pouco com a música relaxante e o ambiente delicioso, além da delícia que atendia os clientes, ficou folheando o cardápio cheio de fotografias das várias guloseimas que eram servidas. Uma em especial lhe chamou a atenção: torta de cerejas. Era muito parecida com a torta que sua mãe fazia quando ele era criança; a torta que ele implorava para comer quente de tanta vontade. Mas Esme nunca deixava: "Vai te deixar com dor de barriga, amorzinho. Espere mais um pouco." As memórias fizeram seu sorriso abrir-se mais.

Já tinha terminado a xícara e comido todo o restante do creme com a colher. Decidiu então deixar uma nota de 50 dólares presa embaixo do pires e foi saindo; não lhe faria falta mesmo e ela poderia ficar com a gorjeta. Ao chegar na porta, porém não conseguiu conter a curiosidade:

-Moça, como é seu nome? - perguntou enquanto suas bochechas passavam de uma cor pálido para um rosado vívido.

Ela sorriu gentilmente e respondeu:

-Alice, e o do senhor?

Ele se surpreendeu. Não esperava que ela fosse lhe dar seu primeiro nome assim de cara. Estava acostumado a tratar todos pelo sobrenome.

-Jasper, Jasper Hale. Vocês servem aquela torta de cereja todos os dias?

-Nem todos. Ronnie as faz fresquinhas todas as quintas. Volte amanhã para experimentar. Garanto que não vai se arrepender. - disse ela sorrindo.

-Eu... Eu volto sim. Tchau Alice. - respondeu ele.

-Até amanhã então, Dr. Jasper. - ela disse com um aceno e um sorriso encantador.

-Até amanhã. - respondeu ele saindo e também sorrindo.

E pela primeira vez desde os tempos de infância quando seu pai lhe dizia "Vou te levar para pescar amanhã.", Jasper olhou para o céu e fez um pedido silencioso: Chegue logo, Amanhã.


Lá vamos nós com as minhas desculpas de sempre...

Gente, foi mal mesmo. Quase uma semana de atraso. Eu sou um idiota mesmo. Mas tem explicação:

Como vocês bem sabem, minha beta é minha namorada e a gente foi numa festa com os amigos dela de faculdade na sexta da semana passada. Agora, não é minha culpa que eu era o ÚNICO homem naquela rodinha, cheia de amigas solteiras dela. Acabei tendo que dançar com todas e umas eram mais... "soltinhas" do que outras. Resultado: a Ana entendeu que a ideia de dançar funk (que eu odeio, por sinal) com elas foi minha, e a coisa ficou feia por aqui... Para completar o caos, eu cheguei em casa às 3 da madrugada e tinha que estar às 7 no escritório (eu sei, era sábado, nem me fale...). Eu estava um caco. Passei o fim de semana levantando da cama pra deitar no sofá. Como eu já postei um capítulo sem beta, e pra não agravar a nossa briga, eu fiquei esperando a gente fazer as pazes pra daí ela betar esse capítulo e eu postar. E foi isso.

De qualquer forma, pra não ficar iludindo vocês, até porque eu estou com um super projeto para entregar no fim de novembro então vou estar afogado em trabalho, vou estipular um capítulo por semana. Na verdade tem sido isso mesmo e caso eu consiga escrever mais que um, eu posto uns extras pelo caminho.

Então, vamos para a parte boa! :D
A Alicinha finalmente apareceu! Sinceramente, adorei esse capítulo. Espero que vocês tenham gostado também.

SUPER SUPER SUPER OBRIGADO POR TODAS AS REVIEWS MARAVILHOSAS!

Começando pelas revies assinadas que eu vou responder logo depois que eu terminar aqui por PM:

-Aninhah8 e
-Nina Rickman e Tati Cullen H

E também as reviews sem login:

-Kathy: Eu gosto muito do personagem do Jasper e quanto a Alice, aí está :) Bella e Edward vão entrar na história, mas apenas como personagens secundários, então não espere muitas aparições deles :/
-Lorena: Hahahahah Eu também adoro o Emmett. É o persagem que eu mais gosto de escrever; me divirto muito com ele. Ah, sim. Desculpe a demora e que bom saber que você está gostando tanto assim da fic :)
-Vitoria (Leitora nova! Eeeeee!): Vitoria, entendo você perfeitamente. Eu também já desisti de ler fanfics que tinham muito potencial porque eram mal escritas. Eu sou da opinião de que não é porque é fanfic que a pessoa pode avacalhar com o jeito que escreve, inclusive em outras línguas. Mas o nosso Português é uma língua tão rica, tão cheia de possibilidades (o que faz com que ela também seja uma das mais difíceis do mundo) que simplesmente não dá para jogar tudo isso no lixo e fazer uma história gramaticalmente nojenta. HAHAHAH Acho que todo mundo fica surpreso quando descobre. Mas que fique claro que eu não sou daqueles fãs desesperados que já está comprando o ingresso para Amanhecer com antecedência e que vai acampar em um shopping durante três dias só pra assistir o filme na pré estreia xD Sou bem susse, só achei esse casal bem interessante. Minha namorada não quis fazer as vozinhas pra mim, então eu resolvi ler mesmo :P Obrigado por todos os elogios e eu tento mesmo manter a história num molde mais realista; também não gosto de história melada. Beijos e obrigado pela review maravilhosa!

Bom, gente do meu coração, o de sempre, né? Deixem uma review bem bonitinha pra eu ler e ficar feliz :D

"Médicos americanos que estão fazendo uma pesquisa na Universidade de Ohio conseguiram provar que o botãozinho "Review This Chapter" é especialmente bom para a cura de várias doenças, inclusive as de coração, pulmão, fígado, baço, estômago, rins, entre muitos outros. Os próximos testes serão no campo da cura do câncer. Contribua para a pesquisa apertando no botãozinho e sendo mais uma cobaia de sucesso."

To ficando criativo pra pedir reviews, né? :D