Cap. 6 – Meio caminho andado

Quando acordei naquele dia – com minha cabeça estourando e boca seca – não tinha onde enfiar minha cara. Estava morrendo de vergonha por ter dormido no quarto de Edward. Esme não tinha problemas com isso, mas eu não queria sair gritando pra todo mundo que eu e meu namorado éramos sexualmente ativos. Rose e Jasper quando estavam lá dormiam no quarto de hóspedes, ou Rose com Alice e Jasper no quarto de Emmett. Eu fui a primeira a dormir no quarto do namorado, não que isso significasse que eles não davam uma escapulida de madrugava, Rose e Alice sempre me contavam isso.

Esme não ligou, mas nos chamou pra conversar. Aquela velha conversa sobre juízo, camisinhas e gravidez na adolescência e eu como sempre não tinha onde enfiar minha cara. Edward estava tão sem graça quanto eu, mas garantiu a sua mãe que nos cuidávamos.

O final de Julho passou rápido, assim como o mês de agosto. Todos do colégio de Forks estavam empolgados. Tínhamos as provas finais em meado de setembro, a formatura de 20 de setembro e o baile de formatura que seria realizado no mesmo dia.

Era uma segunda-feira do mês de agosto e eu não estava com a mínima vontade de ir pra escola. Os professores não estavam dando nada de novo, apenas revisões para as provas finais, então decidir matar aula. Mas meus planos foram por água abaixo quando ouvi batidas na minha porta, Charlie ainda estava em casa e ele não podia saber que eu mataria aula, senão ele me mataria. Mandei que entrasse.

- Vamos Bells! Levante ou vai se atrasar, Jake passara aqui em 20 minutos. – me lembrou. Fiz uma careta.

Jake ainda vinha me pegar em casa às vezes. Continuávamos amigos e minha relação com Leah – depois que comecei a namorar Edward – ficou bem melhor. Seth também estava namorando uma menina com traços indígenas da sala dele.

- Tem correspondência pra você, esta em cima da mesa de jantar, estou indo! Se cuida! – deu um beijo no topo da minha cabeça e saiu do quarto.

Correspondência minha em Forks? Só pode ser duas coisas. Dona Renee ou de alguma das universidades em que me inscrevi. Eu torcia que fosse a última opção.

Me arrastei pra fora da cama. Tomei um banho, escovei meus dentes e meus cabelos. Fui até o armário e como sempre peguei a primeira [link= .com/cgi/set?id=18022210]roupa [/link] na minha frente. Coloquei um jeans escuro, uma camiseta preto e branca, allstar preto. Estava sol em Forks, mas o sol de Forks pra mim era o frio em Phoenix, então resolvi pegar minha jaqueta e desci. Quando entrei na cozinha vi três envelopes grandes, eram das universidades. Respirei fundo, contei mentalmente e os peguei. Um era de Rochester, o outro era da Universidade de Washington e por último, mas não menos importante, um da Juilliard. Não sabia que aquilo significava, estava nervosa, ansiosa e não tinha coragem de abrir os envelopes. Peguei uma xícara de café e peguei meu celular na mochila.

- Jude? – perguntei.

- Oi John! Saudade? Quer que eu vá te buscar? – ele atendeu e deu uma risada.

- Sempre meu amor, mas liguei pra saber uma coisa. Você recebeu...as cartas? – minha voz tremia e ele percebeu.

- Bella tem algo errado? – usou um tom preocupado.

- Não...é que...tô com medo de abrir. Só isso. Acho que não vou agüentar se for um não. – falei tristemente.

- Vamos fazer o seguinte! Eu e Alice também recebemos essa manhã, traga seus envelopes e depois da aula vamos lá pra casa e abrimos juntos. ok?

- Ok! – ouvi uma buzina lá fora. – Tenho que ir. Jake chegou. Te amo Jude!

- Também John! Vai dar tudo certo. Tchau! – se despediu e desligou.

Acabei de tomar meu café, peguei os envelopes e fui em direção ao carro de Jake.

Na escola foi a mesma rotina, assistimos a primeira aula, eles almoçaram – já que meu estômago não me permitia comer nada – e quando estávamos indo pra aula depois do intervalo Edward reparou na minha angustia e cochichou no meu ouvido.

- Vamos até nossa clareira? – ele me perguntou e não pensei duas vezes. Afirmei com a cabeça dando um sorriso cheio de malicia.

Ele avisou aos seus irmãos e nossos amigos que não iríamos à aula e que se o professor perguntasse era pra falar que eu me senti mal e Edward me levou pra casa.

Liguei pro Charlie na delegacia e o avisei que iria pra casa dos Cullens depois da aula estudar pras provas finais, mas que estaria em casa pro jantar.

Chegamos à clareira, Edward abriu a nossa toalha – que não saia mais da mala do volvo – e deitou fitando o céu, estava com a testa enrugada, parecia preocupado. Deitei ao seu lado, de bruços, apoiando meu queixo em seu peito.

- O que foi Jude? – perguntei passando a mão na sua testa.

- Nada! Só estava pensando. – falou sem olhar pra mim.

- Em...? – retruquei.

- E se não formos pra mesma universidade, como vamos fazer Bella? – me olhou sério, com um olhar dolorido.

- Nós vamos! Aonde você for eu vou! – falei deitando minha cabeça em seu peito e ouvindo seu coração.

- E aonde você for eu vou. – beijou meu cabelo. - Combinado?

- Uhum! – estava concentrada nos seus batimentos e em sentir o cheio de lavanda que emanava da clareira.

- Não sei se consigo ficar muito tempo sem você John! – falou alisando meu braço.

O resto da manhã ficamos deitados, nos beijando, trocando carinhos. Fizemos amor duas vezes naquele fim de manhã. De repente ele quebrou o silêncio se levantando.

- Vamos! Tive uma ideia. – falou me puxando pela mão, pegou a toalha e foi em direção ao volvo.

Seguimos pra casa dos Cullens. Quando chegamos, vimos que estavam todos lá. Jasper e Emmett jogavam vídeo game, Rose e Alice retocavam o esmalte das unhas. Carliesle e Esme ainda estavam no trabalho.

- Até que fim você chegaram! Já estava quase abrindo meus envelopes sozinha. – Alice disse fazendo um biquinho e veio em nossa direção, seguro minha mão e me guiou pra sala de jantar.

- Lice, não sei se quero fazer isso! – olhei pra Edward e ele sorriu pra mim. E com apenas aquele gesto eu entendi que ficaria tudo bem.

Nos sentamos todos na mesa. Emmett e Rose já tinham sido aceitos e iriam pra universidade de Washington. Jasper foi aceito na NYU e na de Washington, mas ainda esperava a decisão de Alice pra saber pra onde ir.

Pegamos primeiro o que nós três tínhamos em comum, o da Universidade de Washington. Alice abriu e viu que foi aceita, assim como Edward. Respirei fundo e abri o meu, NEGADO.

Lágrimas caíram pelas minhas bochechas e eu não conseguia controlar.

- Shiii meu amor, vai dar tudo certo lembra. – Edward me deu um abraço carinhoso.

- Edward, se não fui aceita na UW imagina na Juilliard. – empurrei meus envelopes pra longe de mim. – Não quero mais fazer isso. Por favor! – pedi a ele.

Ele colocou em minha mão o envelope da Rochester. Não queria abrir, não vou abrir!

Alice abriu seu segundo envelope – o de Princeton - e foi negado. Ela fez uma careta e resmungou algo do tipo "não queria ir pra lá mesmo!". Abriu seu terceiro envelope – o da NYU – e começou a pular como uma louca e eu entendi que ela tinha sido aceita. Estava feliz por ela, pelo menos ela e Jasper iam se ver todos os dias durante os anos da faculdade.

Edward me olhou e segurou seu envelope da Rochester, deu um sorriso me incentivando a abrir o meu também. Falei silenciosamente "você primeiro" e ele abriu, leu por alguns segundo e disse que tinha sido aceito.

Peguei o meu envelope da Rochester e abri, também tinha sido aceita, mas não conseguia ficar feliz, porque não era aquilo que eu queria. Rochester era só o plano B.

Edward me passou o envelope da Juilliard e eu hesitei.

- Não posso fazer isso! – falei me levantando e saindo da sala de jantar, mas antes vi Alice se levantar e barulho de papel se rasgando.

Ninguém me seguiu, estava sozinha na sala de estar olhando pra fora da casa pela parede de vidro. Tinha um medo terrível de ser rejeitada. Era mais do que isso, era meu sonho, minha vida. Não queria ir pra Rochester, eu queria a melhor e a melhor escola de música era Juilliard. Eu queria ser a melhor musicista e pra isso tinha que ir pra lá. Estava disposta a largar Forks ou o Arizona, pra viver em uma cidade diferente – Juilliard fica em Nova Iorque – pra viver meu sonho. Estava tão perdida em pensamentos que não percebi que já não estava mais sozinha. Ouvi alguém limpar a garganta e me virei. Era Alice e ela tinha uma folha nas mãos.

- "Presada Isabella Swan... – ela começou a ler e meu coração gelou. - venho por meio desta, informar a Senhorita que o seu formulário de inscrição na Escola de Música Juilliard, foi aceito e passou para a segunda fase... - como? Eu só podia estar alucinando. Balancei minha cabeça na tentativa de fazer desaparecer aquela Alice imaginária, mas ela não era uma alucinação e continuou falando. - Esperamos você no dia 20 de novembro no escritório central da Escola de Música para que seja realizada sua entrevista. Informamos também que sua apresentação poderá ser feita por meio de vídeo ou em uma pequena audição que será realizada no auditório central no mesmo dia 20 para os alunos que desejam se apresentar ao vivo para os avaliadores da Escola. Atenciosamente. Sr. Robert Falconi, Diretor da Escola de Música de Juilliard".

Só podia estar sonhando, ou Alice estava brincando comigo? Lágrimas saiam dos meus olhos nervosamente. Passei o dorso da mão nas bochechas e peguei o papel nas mãos de Alice, lendo tudo de novo. Eu precisava ver com meus olhos. Era verdade! Meu coração batia frenético no meu peito, parecia que eu ia explodir de felicidade. Sim! Eu estava entre os 7% de aceitação, já que a pior parte passou.

Abracei Alice com todas as minhas forças.

- Bella, ta me esmagando! – ela quase gritou e eu a soltei.

- Desculpe! Eu tô... to tão feliz! – a puxei para um novo abraço.

- Acho que mereço um obrigada né! Se dependesse de você o envelope ainda estaria fechado! – falou dando de ombros.

- Obrigada Alice! O que seria da minha vida sem você irmã? Ehn? – choramos juntas de alegria. Olhei por cima do seu ombro e vi Edward entrando na sala com um olhar triste fitando seus pés e em suas mãos uma folha de papel. E só então entendi, ele não deveria ter passado. Mas como assim? Ele é melhor do que eu em tudo! Ele toca violino!

Andei em sua direção e segurei seu rosto entre minhas mãos.

- Estou feliz por você John! – ele me disse passando a mão pelos cabelos.

- Vou pra onde você for lembra? Podemos ficar juntos em Rochester! Não vou te deixar. – podia muito bem largar meu sonho por Edward, só por ele eu faria isso. Afinal, Rochester não deve ser tão ruim assim.

Senti seus lábios colando nos meus com força e me assustei com o movimento brusco dele me pegando em seus braços e me rodando no ar.

- Eu também passei sua boba! – falou colando seus lábios nos meus mais uma vez.

Perdi alguma coisa? Ele me enganou direitinho!

- Ah! Seu...seu...! – falei rindo e dando tapas em seu peito. – Seu aproveitador de namoradas apaixonadas.

- Te amo Bella e agora vamos fazer o que amamos juntos! – me abraçou e colocou sua cabeça no vão do meu pescoço.

- Também te amo, meu amor e essa notícia não poderia ser melhor. – falei fazendo carinho nos seus cabelos bagunçados.

Estávamos perdidos na nossa felicidade, mas como sempre Alice nos interrompeu.

- Ta tudo muito lindo, tudo muito bom, mas...temos algumas coisas pra resolver. – ela disse indo em direção ao sofá. Edward a seguiu me puxando pela mão, Jasper fez a mesma coisa. Nos sentamos, um casal de frente pro outro. Vi quando ele afirmou com a cabeça pra Alice e me fitou com olhos animados.

- Não estou entendo! Vocês podem me falar o que esta acontecendo? – falei meio irritada.

- Bella, estive conversando com o Ed e o Jazz. – os três me olharam – O negócio é o seguinte. – ela se ajeitou no sofá. – Já que vamos os quatro pra NY a gente podia morar junto.

- Como assim Alice? – perguntei confusa.

- Bom, nós temos um apartamento em Nova Iorque, quer dizer, é dos nossos pais, mas tenho certeza que eles aceitaram nos emprestar por quatro anos, mesmo porque eles quase não vão lá. Nós mesmos nunca fomos né? – se virou pra Edward e ele afirmou com a cabeça.

Bom, que Esme e Carlisle aceitassem eu não tinha dúvidas, o meu problema seria Charlie e Renee. Edward pareceu ler meus pensamentos.

- Podemos falar com seus pais Bella. Se quiser mando Esme falar com eles. – me ofereceu.

- Não sei se é uma boa ideia. Renee vai pirar. – falei mexendo nervosamente nos cabelos.

- Se não quiser Bella podemos morar só nós duas. – Alice falou.

- Não dá Alice, eu teria que trabalhar de dia e de noite pra conseguir pagar um aluguel em Nova Iorque. – Edward abriu a boca pra falar, mas o interrompi. – Nem pense em me oferecer isso! – falei séria.

Eu sabia que ele ia se oferecer pra pagar meu aluguel, já que ele tinha seu próprio dinheiro, que foi herança de sua avó paterna.

- Vamos fazer o seguinte? Eu vou tentar ok? Vou falar com Renee e Charlie e ver no que dá. – falei, fazendo com que Alice soltasse uns gritinhos e ficasse pulando no sofá.

Estava na hora de começar minha vida de adulta, tinha que tomar uma posição e ser firme com minha mãe e Charlie, afinal já tinha quase 19 anos e era legalmente de maior no meu país.

- E hoje ainda falamos com papai e mamãe, certo? – Edward perguntou a Alice. Ela afirmou com a cabeça.

- Eu não vou ter problemas quanto a isso. Meus pais vão gostar de saber que não vou morar sozinho ou com um drogado como colega de quarto. – Jasper falou e nós quatro rimos juntos.

Pensando pelo ponto de vista de Jasper, acho que meus pais também ficariam aliviados por isso. Mas por outro lado tinha Edward...não seria fácil.

Ouvimos a porta da entrada ser aberta e Esme e Carslile passaram por ela.

- Olá crianças! – Esme falou sorridente. Alice revirou os olhos. – Qual o motivo da pequena reunião?

Alice e Edward se olharam enquanto Carlisle dava um pequeno beijo em suas testas e eu entendi que com aquele olhar eles estavam planejando falar com seus pais sobre o apartamento naquela hora. Olhei pra Edward e meneei a cabeça negativamente. Alice se levantou.

- Mamãe? Você tem um tempinho? Queríamos conversar com você e o papai. Pode ser? – Esme a olhou desconfiada e Alice apenas sorriu.

- O que vocês aprontaram? – Carlisle perguntou passando seu olhar por cada rosto adolescente naquela sala.

- Nada pai...é que...er... – Edward começou.

- É que, todos nós – ela apontou pra mim, Edward e Jasper – vamos cursar faculdade em NY e queríamos pedir um favor.

- Oh! Querido, você passou na Juilliard? – Esme se levantou e abraçou Edward.

- Passei mãe e Bella também. – falou sem graça.

- Parabéns também querida. – ela fez um carinho nos meus cabelos.

- Obrigada Esme. – disse a ela.

- Bom voltando ao assunto de NY. Como vamos todos e já temos um apartamento por lá, pensei se nós quatro não poderíamos morar lá?! – Alice falou meio que perguntando.

Não podia negar que era uma boa ideia. Me pouparia de gastar uma nota de aluguel ou dividir um quarto minúsculo com uma desconhecida.

- Claro querida, mas antes preciso reformá-lo. Há anos ninguém vai lá e estava mesmo querendo me dedicar a esse projeto. – falou como uma decoradora profissional.

Passamos o resto do dia conversando. Esme e Carlisle conversaram com nós quatro. Falaram que estávamos dando um passo muito grande, que precisávamos ser responsáveis – Lê-se: usem camisinha! –, que apesar de querer muito ser avó ela queria que nós quatro estivéssemos formados pra isso, que filho é muita responsabilidade, etc.

Me despedi de todos e Edward me levou pra casa. Quando chegamos lá o convidei pra entrar. Charlie ainda não havia chegado, então decidi adiantar o jantar.

Entre beijos e amassos Edward me ajudava como podia a fazer o jantar.

Como eu tinha um bom tempo até Charlie chegar decidi fazer panquecas de frango com creme de milho, arroz branco e uma torta holandesa de sobremesa. Tínhamos que comemorar meu sonho, afinal já era meio caminho andado. Convidei Edward pra jantar com a gente e ele aceitou.

Arrumamos a mesa do jantar e enquanto eu abria um vinho que tinha na geladeira, ouvi a viatura de Charlie parar na frente de casa.

- Vai falar com ele agora? – Edward me perguntou. Neguei com a cabeça.

- Acho melhor falar quando estiver sozinha. – falei colocando as panquecas na mesa.

- Bells? – Charlie me chamou.

- Na cozinha!

- Boa noite crianças! – ele falou se referindo a mim e a Edward.

- Boa Noite. – respondemos juntos.

Charlie ficou surpreso ao olhar a mesa.

- Estamos comemorando alguma coisa? – me perguntou espantado.

- Estamos sim pai. – dei um grande sorriso – Eu passei pra Juilliard! – Ele se levantou e me abraçou.

- Isso é ótimo garota! – quase gritou – Mas isso também significa ficar sem você Bells! – falou sem graça.

- Que isso pai! Ainda vou estar no país lembra? E vamos sempre nos ver ou nos falar! – alisei seu ombro.

- E você Edward? Vai pra qual universidade? – Charlie perguntou desconfiado. Ele sabia que Edward compartilhava a mesma paixão que eu.

- Também vou pra Juilliard Charlie. – falou firme.

- Uhmm! – foi a única coisa que Charlie falou. Ele estava visivelmente desconfortável com isso.

Nos sentamos e jantamos em silêncio. Depois da sobremesa Charlie se levantou dizendo que ia assistir um jogo na TV, mas Edward lhe chamou.

- Chefe Swan? – ele chamou. Chefe Swan? Pra que isso? Não! Não! Ele não ia fazer isso. Não! Peguei meu prato com raiva e fui até a pia. Coloquei ele na pia e me virei ficando de costas pra ela.

- Já falei pra me chamar de Charlie garoto! – Charlie disse dando uma olha da porta da cozinha pra TV. Via-se que ele estava com pressa pra ver o jogo.

- É que eu e Bella queremos conversar com o senhor...er...você! – se corrigiu. Não Edward! Por favor! Por favor! Meu corpo estava congelado, minhas mão agarravam a beirada da pia, queria falar, mas minha voz não saia. Edward estava me levando pra forca se ele falasse sobre isso com Charlie.

- Tudo bem! Podem falar. – Charlie se sentou me olhando desconfiado. Edward também se sentou puxando uma cadeira pra mim, mas não me mexi e continuei encostada na pia.

- Charlie, como você sabe eu e Bella vamos pra Nova Iorque. Minha irmã e seu namorado, o Jasper Hale, também vão, porque eles passaram pra NYU. – respirou fundo e eu sentia meu buraco sendo cavado cada vez mais fundo. – Meus pais tem um apartamento em Nova Iorque e eles o ofereceram pra que nós moremos os quatro juntos nele. Bella? – q isso? Ele estava me passando a palavra? É isso? Queria apertar seu pescoço naquela hora.

- Pai, sei que pode parecer loucura... – ele não me deixou continuar.

- Você sabe que eu não aprovo isso não é Bella? Que pra morar junto tem que estar casado, não é? – me perguntou meio grosso, abaixei minha cabeça afirmando lentamente.

- Charlie, pense nos benefícios que isso ira trazer. – Edward falou numa calma que dava até raiva.

- Benefícios Cullen? – realmente a situação ia ficar pior. Charlie estava bufando de raiva. – Benefícios pra quem? Pra você não é, que vai ter ela te esperando quando quer e depois de engravidá-la vai largá-la como uma qualquer! – Charlie gritou na direção de Edward.

- Eu nunca faria isso Chefe Swan, eu a amo e só quero o melhor pra ela. – Edward falou ainda muito calmo.

- Bella? – Charlie me chamou olhando pra mim. – Você quer ir? Quer morar com esse garoto?

- Pai, não é questão só de querer, é mais de necessidade. Não quero ter que dividir um quarto ou apartamento com um desconhecido, se tiver que fazer isso que seja com eles, que são meus amigos. – apontei pra Edward - Se você quiser posso morar com eles até arrumar um emprego decente pra conseguir bancar um aluguel em Nova Iorque. Não veja como "ela esta morando com o namorado" e sim como "ela esta dividindo um apartamento com os amigos".

Edward me olhou e sorriu.

- Eu deixo você ir Bella! – meu coração esquentou novamente. – Mas com uma condição! – ele levantou uma sobrancelha e me olhou nos olhos. Aquilo estava me incomodando.

- Eu quero ouvir da sua boca Bella! Eu quero ouvir de você. Se você disser o que eu quero ouvir eu deixo você ir. – falou fechando seus punhos ao lado do corpo.

Já sabia o que Charlie queria que eu dissesse. Senti uma coragem que eu nem sabia que tinha, andei em sua direção e segurei uma de suas mãos.

- Pai, eu não sou mais uma garotinha. Eu sou uma mulher Charlie. – Olhei pra Edward que me olhava assustado, provavelmente com medo de levar um tiro. – Eu não sou mais virgem se é isso que você quer saber Charlie e sim, foi Edward que me fez mulher.

- Vocês estão se cuidando Bella? Só isso que eu quero saber. – ele perguntou de olhos fechados.

- Sempre – Edward e eu respondemos em uníssono.

- Então vá Bells! Você vai fazer uma falta danada por aqui. – disse me abraçando - Ah! Você fica encarregada de contar isso a Renee. – falou se virando pra ir pra sala ver o jogo, mas parou no caminho na frente de Edward.

- Já sabe né? Sem luva sem amor. – falou olhando pro seu cinto pendurado ao lado da porta, onde ficava sua arma. Edward apenas confirmou com a cabeça.

Charlie nos deixou sozinhos na cozinha e a vontade de matar Edward tinha passado, mas ainda estava com raiva dele.

Arrumei a cozinha em silêncio, mas podia sentir seus olhos cravados em minhas costas. Quando estava terminando de lavar a louça senti seus braços em volta da minha cintura.

- Tô encrencado? – ele beijou meu pescoço.

- Você não deveria ter feito isso! – falei.

- Se eu não fizesse você ia demorar séculos pra falar com ele, se eu bem conheço você.

- Isso é verdade. – me virei secando minhas mãos em um pano de prato e o beijando com desejo.

- Uau! Se toda vez que eu fizer algo errado ganhar isso... – ele passou o dedo no meu lábio inferior – Quero estar sempre encrencado! – falou colando mais uma vez seus lábios nos meus.

Ouvimos uma garganta sendo limpada e quando olhamos Charlie estava parado em baixo da porta da cozinha.

- Acho que esta na hora de você ir garoto! – falou apontando pro relógio em cima da porta da cozinha. Eram quase oito da noite.

- Esta mesmo! – ele me deu um beijo na bochecha – Até amanhã John! – Charlie nos olhou confuso. – Boa Noite Charlie.

O levei até a porta e nos despedimos. Avisei a Charlie que ia subir e me despedi dele.

Quando cheguei ao meu quarto meu celular apitava sem parar, era uma mensagem de texto de Edward.

"Não esqueça de contar a Renne. Te amo. EC"

É....agora vem a pior parte.

Tomei um banho quente e coloquei meu pijama. Segurei meu celular e fiquei horas olhando pra ele, pensando se ligava ou não pra Renee. Ela ia pirar, literalmente, mas como Charlie já sabia, resolvi acabar logo com isso discando o número familiar da minha antiga casa em Phoenix.

- Bella? – Renee atendeu animada.

- Oi mãe. Tudo bem?

- Nossa a que devo a honra de uma ligação, você quase não me liga filha. Porque não mandou um e-mail? – me perguntou.

- Porque é importante mãe. – minha ansiedade só aumentava.

- Uhmm? Tem a haver com aquele seu "namoradinho"? – falou e eu podia imaginar a careta que ela estava fazendo nesse momento.

- O nome dele é Edward mãe...e sim tem haver com ele.

- Você não esta grávida, esta? Oh. Meu. Deus! Diga que não Bella! Pelo amor de Deus! Diga que não! – falou rápido, podia sentir o desespero em sua voz.

- Não mãe! Não estou grávida! – revirei os olhos.

- É mais grave que isso? – perguntou séria.

- Dona Renee! Você vai me deixar falar ou vai ficar tentando adivinhar?

- Desculpe...é que você já me assustou. Fala... – ela estava nitidamente um pouco mais calma.

- Bom, primeiro vou dar uma boa notícia. – pausei e ouvi ela sussurrar um "Uhum", continuei. – Passei pra Juilliard!

- Querida isso é ótimo! Tudo que queria! Nossa, estou tão feliz por você. – falou animada, quando eu ia falar ela continuou – Falando em Nova Iorque, também temos uma boa noticia...Phil esta fazendo uns testes pra ser treinador auxiliar dos Yankees...Não é maravilhoso! Se ele conseguir vamos todos pra Nova Iorque! – falou, só que agora estava super animada.

Ok! Era uma boa notícia, afinal seria muito bom pra carreira de Phil – já que Yankees é um time grande da Liga -, mas eu não voltaria a morar de novo com eles. Primeiro porque eu ia continuar atrapalhando a vida deles como casal e segundo e mais importante, estava na hora de eu crescer e caminhar com as minhas pernas.

- Bella? – me chamou – Acho que caiu. – a ouvi falando, devia ser com Phil.

- Tô aqui mãe. – respondi.

- Então o que queria me falar querida.

- Mãe preciso que você escute tudo e só fale depois, ok? – perguntei.

- Ok! Mas você esta me assustando de novo filha.

- Mãe, sabe que eu fiz amigos aqui em Forks e que agora tenho Edward, não sabe? – ela murmurou um "sei" mal humorado. – Então, vamos todos estudar em Nova Iorque, eu e Edward na Juilliard e nossos amigos na NYU. – parei, respirei fundo, puxei minha coragem lá do fundo e falei. – Então, os pais de Edward e Alice tem um apartamento lá e ofereceu pra que morássemos nós quatro juntos.

Fez-se um silêncio mortal.

- Mãe? – chamei já me preparando pra ouvir.

Mais silêncio.

- NÃO! NÃO! NÃO! NÃO CONTE COM A MINHA APROVAÇÃO PRA ISSO MOCINHA! VOCÊ NÃO VAI! – gritou e eu tive que afastar o aparelho do ouvido temendo pelo meu tímpano. – ISSO É UM ABSURDO! VOCÊ DEVIA TER VERGONHA DE ME PERDIR UMA COISA DESSAS! – continuou.

- Mãe! – a interrompi – não estou te pedindo nada! – afirmei.

- Como é Bella? Acho que não ouvi direito! – sua voz transbordava raiva.

- Não estou te pedindo mãe, estou apenas comunicando que eu vou morar com meus amigos em Nova Iorque! – falei calmamente.

- Há há há. Amigos Bella? – me perguntou com ironia.

- Amigos sim mãe! Não estou indo morar com Edward e mês que vem me casar com ele. Vou morar com eles até mesmo por questão de necessidade. Você sabe quanto custa um aluguel em Nova Iorque? Quer que eu more com estranhos? – perguntei – Charlie aceitou! Aceitou porque ele conhece a família de Edward. Sabe que ele é um bom garoto e é responsável, mãe! Não quero brigar com você.

- Só não me peça pra aceitar isso Bella, porque eu não vou!

- Mãe...pode ser até eu conseguir um emprego e conseguir me bancar, não significa que vou ficar lá pra sempre e se vocês forem pra Nova Iorque posso revezar entre sua casa e o apartamento deles. – falei tentando amenizar a situação.

- Não Bella! Não vou pactuar com isso! Por favor! – me pediu.

- Tudo bem mãe, se você quer assim. Vou desligar, só liguei pra te avisar sobre isso. – falei – Só quero que você entenda que eu sou maior de idade e moro com Charlie, então se alguém manda em mim, esse alguém é ele.

- Só vou te dizer uma coisa Bella. – ela parou e respirou fundo. – Escuta o que eu vou te falar. Esse garoto vai estragar sua vida e quando isso acontecer não venha me dizer que não te avisei. – e assim ela desligou na minha cara.

Joguei o celular longe com raiva. Podia ter ligado de volta pra ela, mas resolvi não fazer, estava com muita raiva e ia acabar soltando tudo que estava engasgado na minha garganta.

Tudo bem, ela é minha mãe, mas porque ela tem que agir assim? Porque ela odeia Edward? O que mais eu podia fazer pra ela entender que nós nos amamos e que não somos e nem vamos ser como ela e Charlie foram? Estava com Edward há quatro meses, estava na hora dela aceitar ele, não estava?

Esta exausta, com raiva e sozinha. Resolvi tomar outro banho e demorei uns longos minutos nele. Coloquei meu pijama, peguei meu celular e digitei.

"Falei com ela. Tô péssima! John."

Alguns minutos depois ele respondeu.

"Sinto muito! Queria estar ai do seu lado. Como foi?" – ele perguntou.

"Horrível! Ela gritou comigo, falou meia dúzia de merdas e desligou na minha cara."

"Sinto muito! Já disse isso num foi?"

Só ele pra me fazer rir numa situação dessas.

"Vou dormir Jude, amanhã Jake me pega as 7. Até amanhã. Te amo!" – me despedi.

"Também te amo John! Boa noite!"

Coloquei meu celular no criado mudo e me deitei.

Minha mente girava sozinha, estava a mil por hora.

A frase que minha mãe me disse ficava dançando na minha cabeça me atormentando, me torturando. Tinha vontade de chorar só de lembrar daquelas palavras.

"Esse garoto vai estragar sua vida e quando isso acontecer não venha me dizer que não te avisei." – minha mãe me disse.

Tentei dormir. Virava de um lado pro outro constantemente.

Peguei meu celular.

"Queria você aqui do meu lado. Não consigo dormir! =("

Alguns minutos depois.

"Podemos resolver isso! Em 10 min estou ai, é só vc falar"

"Vc não tem mesmo medo de morrer!? rs"

"Não por você!"

Ficamos até duas da manhã conversando por mensagens de texto. Quando o sono estava me vencendo, me despedi dele e deitei fitando o teto do meu quarto.

"Esse garoto vai estragar sua vida e quando isso acontecer não venha me dizer que não te avisei." – minha mãe me disse.

Eu esperava que ela estivesse errada! Eu sabia que ela estava errada. Edward me amava. Nós nos completávamos, era como se um não existisse mais sem o outro.

Ela estava errada certo?

Tive a certeza disso quando meu celular apitou pela última vez naquela noite.

"Amanhã vou fazer você esquecer isso! Durma bem John! Te amo!"

E aquelas palavras me embalaram para um sono calmo e tranqüilo.