Capitulo dois – A ASCENSÃO AO LORDE DAS TREVAS

- Eu sempre disse que ele era um idiota! – disse Rony

- E eu concordo plenamente com você agora – disse Gina

- Er... – Tonks disse – eu posso ler?

- Oh! Sim! – disse Harry

- A segunda guerra começa!

Mas antes que Tonks pudesse ler, o livro simplesmente sumiu de sua mão e outro apareceu. Harry Potter e as Relíquias da Morte.

- Espere, o que? – ela perguntou sem entender nada

- Nós não íamos ler o ultimo capitulo da Ordem da Fênix? – perguntou Remo

- Sim, mas vocês viram – disse Tonks

- E como se chama esse? – Harry perguntou

- Harry Potter e as Relíquias da Morte – leu Rony – eu quero ler, posso Tonks?

- A vontade!

- Capitulo um A ascensão ao lorde das trevas.

Todos olharam para Snape.

- Que ótimo começo de capitulo – ironizou Harry

Os dois homens se materializaram inesperadamente, a poucos metros de distância, na estreita ruazinha iluminada pelo luar. Por um momento eles ficaram imóveis, as varinhas apontadas para o peito um do outro; então, reconhecendo-se, guardaram a varinha sob a capa e começaram a andar apressados na mesma direção.

- Comensais – cantarolou Sirius

- Novidades? – perguntou o mais alto dos dois

- As melhores – respondeu Severo Snape

O salão se virou para Snape.

- Devo lembrar que isso não aconteceu ainda – disse Snape friamente

- E Snape é nosso aliado. Ele é nosso espião – disse Dumbledore

Sirius bufou. Harry bufou. Rony bufou.

A rua era ladeada por um silvado, à esquerda, e por uma sabe alta e cuidadosamente aparada, à direita. As longas capas dos homens esvoaçavam ao redor dos tornozelos enquanto eles caminhavam.

As meninas do salão se arrepiaram.

- Pensei que fosse me atrasar – disse Yaxley, suas feições grosseiras desaparecendo e reaparecendo à sombra dos galhos das árvores que se interpunham ao luar. – Foi um pouco mais complicado do que imaginei. Mas acho que ele ficará satisfeito. Você tem certeza de que será bem recebido?

Snape assentiu sem, contudo, dar explicações.

- Isso está muito estranho – disse Fred desconfiado

Os homens viraram para um largo caminho de entrada, à direita. A alta sebe margeava e se estendia para além do impressionante portão de ferro trabalhado que barrava a entrada. Em silêncio, ambos ergueram o braço esquerdo numa espécie de saudação e atravessaram o portão, como se o metal escuro fosse apenas fumaça.

- Provavelmente abriram com a marca negra – disse Harry

As sebes de teixo abafaram os passos dos homens. Ouviu-se um farfalhar à direita. Yaxley tornou a sacar a varinha, apontando-a por cima da cabeça do seu companheiro, mas a fonte do ruído fora apenas um pavão alvíssimo, que caminhava, majestoso, ao longo do topo da sebe.

- Ele sempre soube viver, o Lúcio. Pavões... – Com um bufo de desdém, Yaxley tornou a aguardar a varinha sob a capa.

- Pai! – exclamou Draco

- Olha só. Agora a Mansão Malfoy é a sede dos comensais – desdenhou Sirius

- Devemos nos preocupar com isso, Sr. Malfoy? – Minerva perguntou

- Isso ainda não aconteceu!

Um belo casarão se destacou nas trevas, no final do caminho reto, as luzes faiscando nas janelas em formato de losango do andar térreo. Em algum lugar no jardim escuro, atrás dos arbustos, uma fonte jorrava. O saibro começou a estalar sob os pés, quando Snape e Yaxley apressaram o passo em direção à porta da frente, que se abril à sua aproximação, embora ninguém parecesse tê-la aberto.

- Como você consegue viver ai? – Lilá perguntou

Draco deu os ombros.

- É fácil, mas deve ser estranho assim por causa dos comensais!

O hall de entrada era grane, mal iluminado e suntuosamente decorado, e um magnífico tapete cobria quase todo o piso de pedra. Os olhos dos rostos pálidos nos retratos das paredes acompanharam Snape e Yaxley assim que eles passaram. Os dois homens se detiveram à frente de uma pesada porta de madeira que levava a outro cômodo, hesitaram o tempo de uma pulsação, então Snape girou a maçaneta de bronze.

A sala estava cheia de pessoas silenciosas, sentadas a uma comprida mesa ornamentada. Os móveis que habitualmente a guarneciam tinham sido empurrados descuidadamente contra as paredes. A iluminação provinha das chamas vivas de uma bela lareira, cujo console de mármore era encimado por um espelho dourado. Snape e Yaxley pararam um instante à entrada. À medida que seus olhos se acostumavam à penumbra, sua atenção foi atraída para o detalhe mais estranho da cena: o vulto de uma pessoa aparentemente desacordada suspensa de cabeça para baixo sobre a mesa, girando lentamente como se estivesse presa por uma corda invisível, e se refletindo no espelho e sua superfície nua e lustrosa da mesa.

As meninas gritaram. Os meninos arregalaram os olhos.

Nenhuma das pessoas sentadas à roda dessa visão singular a encarava, exceto um jovem pálido que estava praticamente embaixo. Parecia incapaz de se conter e erguia os olhos a todo instante.

Draco arregalou os olhos, ficando pálido.

- Yaxley, Snape – falou uma voz aguda e clara da cabeceira da mesa -, vocês estão praticamente atrasados.

- Você-sabe-quem! – gritou Parvati

Harry revirou os olhos.

- Voldemort! Qual o problema de dizer esse nome?

Ninguém respondeu.

O dono da voz estava sentado defronte à lareira, de um modo que, a principio, os recém-chegados tiveram dificuldade em distinguir mais que sua silueta. À medida que se aproximaram, porém, seu rosto se destacou na obscuridade, imberbe, ofídico, com fendas estreitas no lugar das narinas e olhos vermelhos e brilhantes de pupilas verticais. Era tão pálido que parecia emitir uma aura perolada.

- Então... ele é assim? – Gina perguntou fraquinho

- Sim – suspirou Harry

- Ele parecia melhor na câmara – comentou Gina

- Vai ver era porque ele ainda era jovem e não essa... coisa – disse Hermione

- Ele parece cada vez mais feio!

- Severo, aqui – disse Voldemort, indicando a cadeira imediatamente à sua direita – Yaxley, ao lado de Dolohov.

- Você é o seu braço direito – acusaram os alunos

- Silêncio! – disse Dumbledore – Severo está no nosso lado!

- E como você nos prova isso? – desafiou Sirius

Dumbledore respondeu calmamente:

- Eu tenho certeza Sirius.

Os dois homens ocuparam os lugares designados. Os olhares da maioria dos que estavam à mesa seguiram Snape, e foi ele que Voldemort se dirigiu primeiro.

- E então?

- Milorde, a Ordem da Fênix pretende transferir Harry Potter do lugar seguro em que está, no sábado, ao anoitecer.

- Seu safado filho de égua! – gritou Sirius

- Inferno Sangrento! – gritou Rony

Eles tinham a varinha apontada para Snape.

- Sente-se – disse Dumbledore – acredito que Severo tenha motivos pra isso.

Remo bufou.

O interesse ao redor da mesa se intensificou perceptivelmente. Alguns enrijeceram, outros se mexeram, todos atentos a Snape e Voldemort.

- Um incrível espetáculo! – rosnou Harry

- Sábado... Ao anoitecer – repetiu Voldemort. Seus olhos vermelhos se fixaram nos olhos pretos de Snape com tanta intensidade que alguns dos observadores desviaram o olhar, aparentemente receosos de serem atingidos pela ferocidade daquela fixidez. Snape, no entanto, sustentou esse olhar calmamente e, após um momento, os lábios descarnados de Voldemort se curvaram num aparentemente sorriso.

- E desde quando Voldemort sabe sorrir? – questionou Sirius tentando acalmar o ambiente

Todos apenas sorriram sem graça.

- Bom. Muito bom. E essa informação veio de...?

- Da fonte sobre a qual conversamos – disse Snape

- Olha que lindo... – começou Fred

- Eles completam a frase um do outro – completou Jorge

O salão começou a rir.

- E que fonte é essa? – Hermione perguntou

- Eu ainda não fiz isso, Srtª Granger – disse Snape irritado

- Milorde.

Yaxley tinha se inclinado para a frente procurando ver Voldemort e Snape. Todos os rostos se voltaram para ele.

- Milorde, eu ouvi coisa diferente.

Yaxley aguardou, mas Voldemort não objetou, então ele prosseguiu.

- Dawlish, o auror, deixou escapar que Potter não será transferido até o dia trinta à noite, na véspera do seu aniversário de dezessete anos.

- Pista falsa – murmurou Tonks

Snape sorriu.

- A visão do inferno! – gritaram os gêmeos tapando os olhos

O salão começou a rir, mas se calaram ao olhar de Snape.

- Minha fonte informou que planejam divulgar uma pista falsa; deve ser essa. Sem dúvida, lançaram em Dawlish um Feitiço para Confundir. Não seria a primeira vez, todos conhecem a sua suscetibilidade a feitiços.

- Não sei como ele conseguiu o trabalho dele – comentou Tonks

- Posso lhe assegurar, Milorde, que Dawlish me pareceu muito seguro do que dizia – contrapôs Yaxley

- É sempre assim quando se foi confundido imbecil – rosnou Remo

- Se foi confundido, é óbvio que parecerá seguro – disse Snape. – Garanto a você, Yaxley, que a Seção de Aurores não irá participar da proteção de Harry Potter. A Ordem acredita que estamos infiltrados no Ministério.

Fudge ficou branco. Igualmente aos outros alunos, professores e membros.

- Então, pelo menos nisso a Ordem acertou, hein? – comentou um homem atracado, a pouca distancia de Yaxley, dando uma risada sibilada que ecoou pela mesa.

Voldemort não riu.

- Ele não tem essa capacidade – disse Harry

Seu olhar se desviou para o alto, para o corpo que girava vagarosamente, ele pareceu se alhear.

- Milorde – continuou Yaxley -, Dawlish acredita que não vão usar um destacamento inteiro de aurores na transferência do garoto...

Voldemort ergueu a mão grande e branca,

- Ordem! – imitaram os gêmeos

- Srs. Weasley, essa não é hora para brincadeiras – disse Minerva severamente

E Yaxley calou-se imediatamente, observando, rancoroso, o Lorde se dirigiu outra vez a Snape.

- E em seguida, onde irão esconder o garoto?

- Na casa de um dos membros da Ordem

- Pelo menos ele não disse o local – comentou Gina

respondeu Snape – O lugar, segundo minha fonte, recebeu toda a proteção que a Ordem e o Ministério juntos puderam lhe dar. Acredito que seja mínima a chance de pormos as mãos nele uma vez que chegue ao destino, Milorde, a não ser, é claro, que o Ministério tenha caído antes de sábado, o que, talvez, nos desse a oportunidade de descobrir e desfazer um numero suficiente de feitiços, e passar pelos demais.

- Duas coisas completamente impossíveis – rosnou Moody – VIGILANCIA CONSTANTE!

- Olho-tonto – brigou Tonks

- Mas, podemos ver, que demos proteção o suficientes para Harry – disse Remo

Sorrindo, satisfeito, Rony continuou.

- E então, Yaxley? – interpelou–o Voldemort, a luz das chamas se refletindo estranhamente em seus olhos vermelhos. – O Ministério terá caído até sábado?

- Não!

Mais uma vez, todas as cabeças se viraram. Yaxley empertigou-se.

- Milorde, a esse respeito tenho boas noticias. Consegui, com dificuldade e após muito esforço, lançar uma Maldição Imperius em Pio Thicknesse.

As meninas levaram às mãos a boca. Os meninos arregalaram os olhos.

- Inferno Sangrento! – disse Rony

- Ronald/Sr. Weasley – repreenderam Hermione e Minerva respectivamente

Muitos dos que estavam próximos de Yaxley pareceram impressionados; seu vizinho, Dolohov,

Os Weasley rosnaram.

um homem de cara triste e torta, deu-lhe um tapinha nas costas.

- Sim, meus parabéns por usar uma maldição em alguém – ironizou Dino

- É um começo – disse Voldemort -, mas Thicknesse é apenas um homem, Scrimgeour precisa estar cercado por gente nossa para eu agir. Um atentado malsucedido à vida do ministro me causará um enorme atraso.

- Eu não sou mais ministro! – disse Fudge pálido

- Depois de tudo o que aconteceu, o Sr. acredito nisso, ainda? – Hermione perguntou cética

Fudge corou.

- Ham, continue.

- É verdade, Milorde, mas o senhor sabe que, na função de chefe do Departamento de Execução das Leis de Magia, Thicknesse tem contato freqüente não só com o próprio ministro como também com os chefes dos outros departamentos do Ministério. Acho que será fácil dominar os demais, agora que temos um funcionário graduado sob controle, e então todos podem trabalhar juntos para derrubar Scrimgeour.

- Sim! Adeus ao ministro e adeus ao mundo bruxo bando de idiotas! – gritou Fred

- Devemos ensinar a eles a conduta da boa vida – concordou Jorge

- Isso se o nosso amigo Thicknesse não for descoberto antes de ter convencido o resto – afirmou Voldemort. – De qualquer forma é pouco provável que o Ministério seja meu antes de sábado se não pudermos por a mão no garoto no lugar do destino, então teremos que fazer isso durante a transferência.

- Fique fora disso cara de cobra – rosnou Rony

- Não ouse mover nenhum músculo – disse Hermione furiosa

- Se ele encostar um dedo... – latiu Sirius

- Nesse particular, estamos em posição vantajosa, Milorde – disse Yaxley, que parecia decidido á receber alguma aprovação – Já plantamos várias pessoas no Departamento de Transportes Mágicos. Se Potter aparatar ou usar a Rede de Flu, saberemos imediatamente.

- Mas ainda temos outros meios – concluiu Hermione

- Ele não fará nenhum dos dois – disse Snape – A Ordem está evitando qualquer forma de transporte controlada ou regulada pelo Ministério, desconfiam de tudo que esteja ligado àquele lugar.

- Sorte nossa – concordou Tonks

- Tanto melhor – disse Voldemort – Ele terá que se deslocar em campo aberto. Será muitíssimo mais fácil apanhá-lo.

- Claro, porque nenhum de nós sabe duelar – disse Sirius sarcástico

- O idiota, ele quer dizer que será mais fácil apanhar o Harry – disse Remo

- Fica quieto Aluado!

Mais uma vez Voldemort ergueu o olhar para o corpo que girava vagarosamente, então prosseguiu.

- Cuidarei do garoto pessoalmente. Cometeram-se erros demais com relação a Harry Potter. Alguns foram meus. Que Potter ainda viva deve-se mais aos meus erros do que aos seus êxitos.

- Sim – disse Rony sarcástico

- Ele não tem nenhum talento em magia – disse Hermione sarcástica

- Não sabe duelar perfeitamente – continuou Fred

- Não sabe produzir um patrono – continuou Jorge

- Não sabe se defender – continuou Gina

- E é péssimo em fazer feitiços defensivos – concluiu Neville

Todos, obviamente, disseram isso, sarcásticos.

Harry corou, enquanto o salão ria.

As pessoas em volta da mesa fitaram Voldemort apreensivos, cada qual deixando transparecer o medo de ser responsabilizado por Harry Potter ainda estar vivo.

- Fracotes – comentou Simas

Voldemort, no entanto, parecia estar falando mais consigo mesmo do que com os demais, ainda atento ao corpo inconsciente no alto.

- Por ter sido descuidado, fui frustrado pela sorte e a ocasião, essas destruidoras dos planos, a não ser os mais bem traçados. Mas aprendi. Agora compreendo coisas que antes não compreendia. Eu é que devo matar Harry Potter, e assim farei.

- Ah, mas não vai mesmo – rugiu Gina, logo depois corando

Harry também corou.

Nisso, e em aparente resposta às suas palavras, ouviu-se um lamento repentino, um grito terrível e prolongado de infelicidade e dor. Muitos ao redor da mesa olharam para baixo, assustados, pois o som parecia vir do chão.

- Rabicho?

- Rato dos infernos! – rosnou Sirius

- Traidor miserável – rosnou Remo também

- Quem é?

- Rabicho é o Pedro Pettegrew ministro – disse Dumbledore

- Oh!

chamou Voldemort, sem alterar o seu tom de voz, baixo e reflexivo, e sem tirar os olhos do corpo que girava no alto. – Já não lhe disse para manter essa escória calada?

- Significa que ela é uma pessoa do bem?

- Disse, M-Milorde – falou um homenzinho sentado na segunda metade da mesa, tão encolhido que, à primeira vista, sua cadeira parecia estar desocupada. E, levantando-se de um salto, saiu correndo da sala, deixando em seu rastro um estranho brilho prateado.

- Bem feito. Se juntar a esse...! Argh!

- Como eu ia dizendo – continuou Voldemort, olhando mais uma vez para os rostos tensos dos seus seguidores – , agora compreendo melhor. Precisarei, por exemplo, pedir emprestada à varinha de um de vocês antes de sair para matar Potter.

- Por quê? – perguntou Alicia Spinet

- Harry e Voldemort, possuem o mesmo núcleo – contou Dumbledore – pena de fênix. Por isso.

Todos arregalaram os olhos.

- Claro que isso não muda o que o Harry é – concluiu Rony

Os rostos à sua volta expressaram apenas incredulidade, como se ele tivesse anunciado que queria um braço deles emprestado.

O salão gargalhou.

- Nenhum voluntário? - perguntou Voldemort – Vejamos... Lúcio, não vejo razão para você continuar a ter uma varinha.

- Pai! – gritou Draco apavorado

Lúcio Malfoy ergueu a cabeça. Sua pele parecia amarela e cerosa à luz das chamas, e tinhas os olhos encovados e sombrios. Quando falou, sua voz saiu rouca.

- Milorde?

- Não! Celestina Warbeck – ironizou Gina

- Sua varinha, Lúcio. Preciso de sua varinha.

- Eu...

- Tu!

Malfoy olhou de esguelha para sua mulher. Narcisa tinha o olhar fixo à frente, tão pálida quanto o marido, os longos cabelos louros descendo pelas costas, mas sob a mesa, seus dedos finos apertaram brevemente o pulso dele.

- Nossa, que romantismo – ironizou Hermione

- Pra um casal de comensais sim – observou Harry

- Mas a minha mãe não é uma comensal – disse Draco firmemente

Ao seu toque, Malfoy enfiou a mão nas vestes e tirou uma varinha que passou a Voldemort, que a ergueu diante dos olhos vermelhos e examinou-a decididamente.

- De que é?

- Olmo, Milorde – murmurou Malfoy.

- E o núcleo?

- Dragão...fibra do coração.

- Ótimo – aprovou Voldemort. E sacando a própria varinha, comparou os comprimentos.

Lúcio Malfoy fez um movimento involuntário, por uma fração de segundo, pareceu que esperava receber a varinha de Voldemort em troca da sua. O gesto não passou despercebido pelo Lorde, cujos olhos se arregalaram maliciosamente.

Draco empalideceu.

O salão começou a gargalhar.

- Jura que ele pensou nisso? – gargalhou Harry

- Dar-lhe a minha varinha, Lúcio? Minha varinha?

Alguns dos presentes riram.

- Graça!

- Dei-lhe a liberdade, Lúcio, não é o suficiente? Mas tenho notado que você e sua família ultimamente parecem menos felizes... alguma coisa na minha presença em sua casa incomoda, Lúcio?

- Tudo! – disse Draco

- Nada... nada, Milorde.

- Quanta mentira, Lúcio...

- Oh, sim! Mentiras! – disse Justino

- Seu pai não sabe mentir – disse Luna sonhadoramente

- Eu nem tinha desconfiado – ironizou Draco

- Mesmo que ele soubesse, não ia adiantar – disse Harry

A voz suave parecia silvar, mesmo quando a boca cruel parava de mexer. Um ou dois bruxos mal conseguiram refrear um tremor quando o silvo foi se intensificando; ouviu-se uma coisa pesada deslizar pelo chão em baixo da mesa.

- A cobra! – disse Harry

Todos arregalaram os olhos.

A enorme cobra apareceu e subiu vagarosamente pela cadeira de Voldemort. Foi emergindo, como se fosse interminável, e parou sobre os ombros do mestre: o pescoço do réptil tinha a grossura de uma coza masculina; seus olhos com as pupilas verticais não piscavam. Voldemort acariciou-a, distraído, com seus dedos longos e finos, ainda encarando Lúcio Malfoy.

- Ele estava acariciando a cobra? – Lilá perguntou enjoada

As meninas estavam verdes.

- Por que os Malfoy parecem tão infelizes com a própria sorte?

- Sim! Imensa sorte! Gigante! Estupenda! – gritaram os gêmeos

- Imagine, minha casa, ser o quartel general dos Comensais da Morte? Que honra – Sirius fingia limpar uma lágrima

- Eles merecem Ordem de Merlim! – concordou Lino Jordan

Será que o meu retorno, minha ascensão ao poder, não é exatamente o que disseram desejar durante tantos anos?

- Não! – gritou o salão

- Sem duvida, Milorde – respondeu Lúcio Malfoy. Sua mão tremeu quando secou o suor sobre o lábio superior. – É o que desejávamos... desejamos.

- Vejam! Nem ele mais quer isso! – disse Ana Abbot

À esquerda de Malfoy, sua mulher fez um aceno rígido e estranho com a cabeça, evitando olhar para Voldemort e a cobra. À direita, seu filho Draco, que estivera mirando o corpo inerte no teto, lançou um brevíssimo olhar a Voldemort, aterrorizado de encarar o bruxo.

- Medroso – murmurou Harry

- Milorde – disse uma mulher morena na outra metade da mesa, sua voz embargada pela emoção

- Belatriz – concluiu Sirius enjoado

-, é uma honra tê-lo aqui, na casa de nossa família. Não pode haver prazer maior.

- Sem duvida. Ela ama ele – disse Remo – desde os tempo de Hogwarts.

Todos ficaram enjoados.

- Que nojo!

- Eca!

Estava sentada ao lado da irmã, tão diferente dessa na aparência, com seus cabelos negros e olhos e pálpebras pesadas, quanto o era no porte e na atitude, enquanto Narcisa sentava-se dura e impassível, Belatriz se curvava para Voldemort, porque mera palavras não podia demonstrar o seu desejo de maior proximidade.

- Urgh! Eu preferia a murta que geme – disse Rony pálido

- Não pode haver prazer maior – repetiu Voldemort, a cabeça ligeiramente inclinada para o lado, estudando Belatriz. – Isso significa muito, Belatriz, vindo de você.

O rosto da mulher enrubesceu, seus olhos lacrimejaram de prazer.

- Ela corou? – disse Fred rindo

- Meu deus! – disse Jorge

A essa altura, os gêmeos estavam gargalhando.

- Milorde sabe que apenas digo a verdade!

- Não pode haver prazer maior... mesmo comparado ao feliz evento que, segundo soube, houve em sua família esta semana?

- O que? – todos estavam preocupados

Beatriz fitou-o, os lábios entreabertos, nitidamente confusa.

- Eu não sei do que está se referindo, Milorde.

- Não são eles que sempre estão informados?

- Estou falando de sua sobrinha. E de vocês também, Lúcio e Narcisa. – Tonks ficou branca, literalmente. Rony olhou a próxima linha, riu.

- Que foi? – Hermione perguntou

- Lê!

Hermione se curvou e leu. Abriu um sorriso radiante.

- Então...? – Tonks perguntou curiosa

Rony, engolindo o riso, de felicidade, leu:

Ela acabou de casar com o lobisomem Remo Lupin.

Levou alguns segundos pra todos entenderem a situação.

Remo estava extremamente corado, super vermelho. Tonks se levantou em um pulo, e começou a fazer uma dancinha da vitória.

- Eu sabia! – ela disse triunfante – você com esse papinho de pobre e perigoso! Não engana ninguém!

- Aluado! Agora somos da mesma família! – gritou Sirius – não que não fossemos antes!

Mas Remo ainda estava parado.

Hermione e Gina estavam abraçando Tonks.

- Ei, Remito – chamou Sirius – acorda!

- Eu... eu... me casei? Com a Tonks?

- Não é Tonks! É Lupin! – corrigiu Tonks

Remo ia falar alguma coisa, mas Tonks o puxou pelo casaco e o beijou.

¾ casas, mais os professores, e os membros da ordem, irromperam em palmas.

- Dá-lhe Aluado!

Quando se separaram, ambos corados, sentaram-se, de mãos dadas.

Rony sorriu e leu:

A família deve estar muito orgulhosa.

- Sim! – disse Sirius

Gargalhadas debochadas explodiram à mesa. Muitos se curvaram para trocar olhares divertidos; alguns socaram a mesa com os punhos. A cobra, incomodada com o barulho, escancarou a boca e silvou irritada, mas os Comensais da Morte nem a ouviram, tão exultantes estavam com a humilhação de Belatriz e dos Malfoy. O rosto da mulher, há pouco rosado de felicidade, tingiu-se de feias manchas vermelhas.

- Ei! – exclamou Tonks

- Somos mais dignos que suas unhas dos pés – disse Sirius revoltado

- Ela não é nossa sobrinha, Milorde – disse em meio às gargalhadas. – Nós, Narcisa e eu, nunca mais pusemos os olhos em nossa irmã depois que ela se casou com aquele sangue-ruim. A fedelha não tem a menor ligação conosco, nem qualquer fera com quem se case.

- Remo não é uma fera – disse Harry – ele só tem um problema peludo!

Sirius e Remo gargalharam.

- Seu pai, dizia a mesma coisa – riu Remo

- E você, Draco, que diz? – perguntou Voldemort e, embora falasse baixo, sua voz ressoou claramente em meios aos assovios e caçoadas. – Vai bancar a babá dos filhotes?

Remo ficou pálido.

- Não e preocupe Remo – disse Minerva, meio sorrindo – se os lobisomens tem filhos, eles não nascem assim.

Remo suspirou aliviado.

A hilaridade aumentou; Draco Malfoy olhou aterrorizado para o pai, que contemplava o próprio colo, e seu olhar cruzou com o de sua mãe. Ela balançou a cabeça quase imperceptivelmente, depois retomou seu olhar fixo na parede oposta.

- Já chega – disse Voldemort, acariciando a cobra raivosa. – Basta.

E as risadas pararam imediatamente.

- Ai que meda!

- Srs. Weasley! – repreendeu Minerva

- Muitas das nossas árvores genealógicas mais tradicionais, com o tempo, se tornaram bichadas – disse, enquanto Belatriz o mirava ofegante e súplice. – Vocês precisam podar as suas, para mantê-las saudáveis, não? Cortem fora as partes que ameaçam a saúde do resto.

- Não ousem – rosnou Remo, logo corando

- Com certeza, Milorde – sussurrou Belatriz, mais uma vez com os olhos marejados de gratidão. – Na primeira oportunidade.

- Vaca! – disse Gina

- Srtª Weasley – disse Snape

- Você a terá – respondeu Voldemort. – E, tal como fazem na família, façam no mundo também... vamos extirpar o câncer que nos infecta até restarem apenas os que têm o sangue verdadeiramente puro.

- Ele quer deixar só os puros sangues vivendo? – perguntou Rony, incrédulo

- Então, ele ia ter que morrer – Harry observou – ele é mestiço.

O grande salão o encarou como se ele tivesse quinhentas cabeças.

- Ele me disse isso no meu segundo ano! Seu pai era trouxa.

O salão começou a murmurar.

Voldemort ergue a varinha de Lúcio Malfoy, apontou-a diretamente para a figura que girava lentamente, suspensa sobre a mesa, e fez um gente imperceptível. O vulto recuperou os movimentos com um gemido e começou a lutar contra invisíveis grilhões.

- Você está reconhecendo a nossa convidada, Severo? – indagou Voldemort.

De baixo para cima, Snape ergueu os olhos para o rosto pendurado. Todos os Comensais agora olhavam para a prisioneira, como se tivessem recebido permissão para manifestar sua curiosidade. Quando girou para o lado da lareira, a mulher disse, com a voz entrecortada de terror:

- Severo, me ajude!

- Quem é? – exigiu Sirius

- Como eu vou saber Black?

- Ah, sim – respondeu Snape enquanto o rosto da prisioneira continuava a virar de para o outro lado.

- Viu!

Snape revirou os olhos.

- E você, Draco? – perguntou Voldemort, acariciando o focinho da cobra com a mão livre. Draco sacudiu a cabeça com um movimento brusco. Agora que a mulher acordara, ele parecia incapaz de continuar encarando-a.

- Mas você não teria se matriculado no curso dela – disse Voldemort – Para os que não sabem, estamos reunidos aqui esta noite para nos despedir de Caridade Burbage que, até recentemente, lecionava na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!

A professor Burbage ficou branca.

- Ah! – exclamaram muitos

A maioria tinha a mão na boca.

Ouviram-se breves sons de assentimento ao redor da mesa. Uma mulher corpulenta e curvada, de dentes pontiagudos, soltou uma gargalhada.

- Sim... a profª Burbage ensinava às crianças bruxos tudo a respeito dos trouxas... e como se assemelham a nós...

- Só porque eles não são bruxos não significa que não são dignos – disse Justino

- Existem muitos bruxos e bruxas nascidos trouxas que são mais inteligentes que muitos sangues-puros – disse Ana Abbot

- Hermione é uma prova – disse Rony

- O sangue não define a qualidade mágica – disse Simas

Um dos Comensais da Morte cuspiu no chão. Em seu giro, Caridade Burbage tornou a encarar Snape.

- Severo... por favor... por favor...

Snape empalideceu.

- Silêncio – ordenou Voldemort, com outro breve movimento da varinha de Lúcio, e Caridade silenciou como se tivesse sido amordaçada.

- Droga! – disse Harry – ele vai...

- Me matar! – sussurrou a professora

As meninas estavam com os olhos lacrimejantes.

- Não contente em corromper e poluir as mentes das crianças bruxas, na semana passada, a profª Burbage escreveu uma apaixonada defesa dos sangues-ruins no Profeta Diário. Os bruxos, disse ela, devem aceitar esses ladrões do seu saber e magia. A diluição dos puros-sangues é, segundo Burbage, uma circunstância extremamente desejável... Ela defende que todos casemos com trouxas... ou, sem duvida, com lobisomens...

- Não tem nada de errado com nascidos trouxas, trouxas e lobisomens – rosnou Sirius

- Eles são mais dignos que vocês – concordou Tonks

Desta vez ninguém riu: não havia como deixar de perceber a raiva e o desprezo na voz de Voldemort. Pela terceira vez, Caridade Burbage encarou Snape. Lágrimas escorriam dos seus olhos para os cabelos. Snape retribuiu seu olhar, totalmente impassível, enquanto ela ia girando o rosto para longe dele.

Rony arregalou os olhos ao ler a próxima linha.

- Avada Kedavra.

- Seu miserável!

- Filho de uma mãe!

- Inferno Sangrento!

Todos gritaram com Snape.

- Silêncio – ordenou Dumbledore – os atos desses livros, não serão punidos – olhou para Fudge – somente deveremos refletir ao final.

O lampejo de luz verde iluminou todos os cantos da sala. Caridade caiu estrondosamente sobre a mesa, que tremeu e estalou. Vários Comensais pularam para trás ainda sentados. Draco caiu da cadeira para o chão.

O salão gargalhou.

- Que coragem!

- Jantar, Nagini – disse Voldemort com suavidade e a grande cobra deslizou sinuosamente dos ombros dele para a lustrosa mesa de madeira.

- Ah! – gritou a professora

- Madame Pomfrey, leve a professora Burbage para a enfermaria. – pediu Dumbledore – voltem quando der.

- Sim diretor.

As duas saíram, a enfermeira amparando a professora.

- Quem quer ler agora? – perguntou Rony

- Eu – pediu Hermione

Rony lhe passou.

- In Memoriam.

Eu sei, ficou péssimo, mas bem, ainda estou me acostumando a Hogwarts inteira ler.

Bem, obrigado a quem deixou review!