Capítulo 06
O Assassinato
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ No dia seguinte, Catherina amanheceu cedo. Pretendia viajar após o almoço, pois ainda tinha muito que por em ordem. Arrumou seus documentos, designou um substituto temporário, até encontrar um Cardeal para assumir seu cargo de chefia. Deixou instruções quanto à AX, o futuro da sua organização. Agora já não parecia mais importar tanto. Ainda nem havia começado a arrumar seus pertences pessoais, pois a todo o momento seus olhos recaiam sobre a cama em que cometera tantos pecados. Foi quando Irmã Kate apareceu em seu quarto, convocando-a para uma reunião de emergência com o Conselho de Cardeais. Imaginando o que poderia ser tão urgente para até ela, que logo os deixaria, ter de estar presente, Catherina foi sem reclamar. Diante de seus colegas Cardeais, um mensageiro informou o assassinato de seu futuro marido. As provas inclinavam as suspeitas para um grupo de terroristas Methuselah. Catherina estava chocada, mas, acima de tudo, sentiu uma pontada de alívio. Fez de tudo para não olhar para qualquer dos irmãos e, a pretexto de estar abalada, deixou a sala de reuniões, indo para a própria sala ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Estava em seu quarto, impaciente, irritado com a Inquisição por não saber o que estava acontecendo e se sua ordem tinha sido acatada. Andava de um lado para o outro no aposento, pensando em como ficaria caso realmente deixasse sua irmã ir embora. Ouviu alguém bater na porta e logo abri-la, avisando da reunião de urgência, assim que o subordinado saiu, sorriu largo, já imaginando do que se tratava. Arrumou-se e desceu rápido, chegou depois dela e então ficou ao seu lado. Ao ouvir sobre o Assassinato quase não conteve o sorriso, mas continuou sério. Olhou a irmã sair da sala e foi atrás dela entrando em sua sala sem pedir permissão e falou como se realmente sentisse.
- Sinto muito pelo acontecido, querida irmã.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Ela, que estivera andando impaciente pela sala, parou e voltou-se inteiramente para o irmão. Olhou-o com certa desconfiança, como se estivesse perscrutando cada palavra dita. Para seu azar, tinha dificuldades em perceber a mentira na língua de outras pessoas, especialmente as que confiava. Porém, ainda assim, sentia um estranho aperto em seu coração. Um sentimento que persistia e se mantinha enquanto o olhava, como se algo nele tivesse mudado e repentinamente a fizesse temer. Mediu cuidadosamente o que diria antes de se expressar ─
- Foi um infortúnio. Imagino o que deva ter acontecido
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Fechou a porta e foi adentrando a sala, até sentar-se no lugar que deveria ser o dela. Apoiou o rosto na mão e ficou olhando a irmã, perdido em alguns pensamentos e em respostas de perguntas que provavelmente viriam. A irmã era esperta, e não esperava guardar o segredo por muito tempo, mas só contaria na hora devida.
- E o que imagina?
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Fingiu não se importar com o fato do irmão estar tomando liberdades indevidas. Tratou de respondê-lo com certo cinismo, aparentemente inocente ─
- Que é mais conveniente colocar a culpa no Império do que procurar os reais criminosos
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Demonstrou um certo ciúme proposital nas palavras para tentar mudar o foco da conversar. Não iria contar, não agora e nem ali.
- E queria tanto ficar com ele que está duvidando até disso, Catherina?
CATHERINA SFORZA:
- Creio que, a essa altura, já saiba com quem quero ficar
◦⊰─ Respondeu prontamente, sem se importar de ser sincera demais. Gostava de vê-lo com ciúmes, a fazia se sentir poderosa. Mas não era disso que precisava agora, mesmo que apenas viesse a acender mais suas suspeitas ─
- Ainda não acho que tenha sido o Império. Eles não possuíam motivos
FRANCESCO DI MEDICI:
- Não, eu não sei. Com quem quer ficar? E eu realmente não me importo com o que aconteceu com ele.
→ Mais uma vez tentou escapar do assunto, iria fazê-la esquecer daquilo logo. Não queria falar e nem iria, e sabia que poderia se enrolar se levasse a conversa adiante. Fez de tudo para mostrar que não se importava, e tentaria mudar o foco da conversa para eles dois.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Lançou um olhar de raiva, realmente não achava necessário externar coisas tão óbvias. Entendendo aquela atitude como um mero jogo, optou por ignorar e se focar no que realmente tinha interesse. Apelou para o ego militarista do irmão ─
- Deveria se importar, já que seu departamento perdeu uma grande oportunidade de expansão militar com o fim desse noivado
FRANCESCO DI MEDICI:
- Se é o que quer saber, não matei seu ex-futuro marido. Bem que eu queria e até pensei, mas foram mais rápidos.
De fato não tinha matado, mas tinha mandado matar. Talvez com o jogo simples de palavras ela deixasse de desconfiar dele ou entendesse, era um risco que iria correr.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Achou que tais palavras lhe trariam alívio quando proferidas, porém, geraram ainda mais dúvida. Algo dentro dela apontava para estas estranhas circunstâncias e sua desconfiança só parecia aumentar. Queria acreditar, adoraria acreditar, mas não conseguia. Por fim, em meio a tais pensamentos, desistiu de insistir uma confissão para focar-se no progresso até então obtido. Sorriu com certo deboche ─
- Então você queria matá-lo, é? E até pensou nisso?
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Agora tinha que pensar muito bem no que responder, o problema de mentir é que poderia se enrolar e não era o que queria. Fitou a irmã, que parecia desconfiada, tentando desvendar pelo sorriso debochado até onde iria.
- Sim, qual o problema?
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Parece que ganharia desta vez. Continuou a sorrir, enquanto se aproximava com naturalidade, porém, não para ficar perto dele, mas a pretexto de mexer em alguns papéis sobre a mesa. Era interessante vê-lo de forma tão evasiva, não criavam situações assim desde que eram crianças. Continuou ─
- O problema é que ele seria seu cunhado, meu marido. O problema é que a morte foi conveniente demais. O problema é que você foi quem teve mais a perder. E o problema é que lhe conheço, e sei que, tendo todo o departamento da Inquisição ao seu dispor, você não é o tipo de pessoa que ficaria parado
FRANCESCO DI MEDICI:
- Acho que deveria ficar calada, minha querida irmã. Como disse, eu perdi muito. Me conhece, sabe que não gosto de perder, além de que, você não vale tanto a pena assim.
→ A única forma de parar com aquela conversa seria a diminuindo até que ficasse tão irritada ao ponto de expulsa-lo de lá. Não tinha muitas saídas, a irmã estava quase arrancando a verdade dele e não era isso o que ele queria.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Ficou muito séria, expressando total indignação em ser tratada como uma qualquer. Definitivamente aquela conversa estava encerrada. Disse furiosa ─
- Saia da minha sala agora
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Levantou-se sem demorar muito de sua mesa e foi para a saída, mas ao passar por ela sussurrou, cínico.
- Mesmo você achando que quem o matou foi eu, sinto muito por seu amado.
E então se retirou, indo pra seu quarto com um ar de missão cumprida.
CATHERINA SFORZA:
- Francesco!
◦⊰─ Gritou-o, tentando para-lo. Não queria que encerrassem a conversa assim, com uma impressão errada de que aquele homem fosse seu amado, pois não era. Porém, era tarde demais e seu irmão já havia deixado a sala ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Ouviu a irmã chamar e pensou bem antes de voltar. Tinha conseguido se livrar da conversa, ao menos agora acreditava que o foco era outro. Voltou para a sala dela e fechou a porta, ficou parado esperando ela dizer o que queria.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Quando já não tinha mais esperanças de que ele fosse retornar, eis que, para sua total surpresa, ele o faz. Conteve-se para disfarçar seu contentamento e, relembrando o que realmente queria dizer, falou com uma pontada de raiva ─
- Jamais faça deduções sobre a minha pessoa dessa forma
FRANCESCO DI MEDICI:
- Ou se não...?
Viu que a conversa tinha mudado e isso o deixava bem mais aliviado. Após perguntar em tom desconfiado foi se aproximando lentamente da irmã, mas sem segundas intensões. Ao menos, até aquele instante. Estava feliz por não ter dado tempo nem dela ir viajar, e queria mostrar para ela, mas, por enquanto, não podia fazer muito.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Definitivamente ele a estava irritando. Acompanhou seus movimentos enquanto ele se aproximava, mas não ousou se mover para não denotar fraqueza. Respirou fundo algumas vezes antes de responder cuidadosamente à ameaça, esperando que fizesse efeito ─
- Terei que tomar as devidas providências
FRANCESCO DI MEDICI:
- E quais são as providências? Sabe que gosto das coisas muito bem explicadas.
Continuou andando, indo ao encontro dela. Quando chegou bem perto não parou, apenas diminuiu a velocidade para não derruba-la, mas a ideia ali era deixa-la sem saída. Já que teve uma despedida poderia dar algo semelhante em forma de "boas vindas".
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Observou que se aproximava e teve que pensar rápido. Ele estava tão perto, e suas palavras eram tão ameaçadoras, que temia o que poderia vir como próximo movimento, ao mesmo tempo em que era estranhamento excitante. Estava aparentemente encurralada, mas não se moveu, encarando-o como se nada significasse e respondeu à altura com a única coisa que poderia surtir efeito ─
- Deixar de recebê-lo seria a primeira delas
FRANCESCO DI MEDICI:
- O que usaria de argumento para não me receber? As pessoas iriam achar estranho não querer ver seu irmão, Catherina.
→ Levou uma mão a cada lado de seu corpo para apoiar na mesa, agora sim a deixando encurralada. Encostou o corpo sobre o dela e manteve-se daquela forma. Queria ver o que iria fazer, já que era tão imprevisível.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Ainda que seu primeiro pensamento fosse de empurrá-lo, conteve-se. Em vez disso, se manteve sem fazer o menor dos movimentos, olhando-o diretamente, muito séria, para responder ─
- Não preciso de desculpas para justificar minhas vontades. Se não quiser recebê-lo, simplesmente não o recebo.
FRANCESCO DI MEDICI:
- Então quer que eu saia para pensar na morte de quem faria você se livrar de mim?
→ A irmã estava mais esperta, sabia que para ele fazer algo o primeiro movimento deveria ser o dela. Então continuou a olha-la de bem perto e provocar, sério.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Sabia o que ele pretendia com aqueles gestos, assim como sabia muito bem o que queria realmente fazer, mas não o faria. Não era hora de dar o gosto da vitória, pelo contrário, estava em posição de vantagem, já que ele demonstrava claro interesse em encerrar a conversa. Sendo assim, decidiu colocar um fim no impasse da forma mais direta ─
- Jure que acredita em mim quando digo que não sentia nada por ele
FRANCESCO DI MEDICI:
- Chegou até a duvidar de mim quanto à morte dele, não tenho porque não desconfiar dos seus sentimentos.
→ O primeiro pensamento foi jurar, sabia que ela não sentia nada por ele, mas foi o que encontrou pra provoca-la. Além de querer ouvir da boca dela quem realmente a interessava. Talvez a resposta fosse clara, mas a graça era ouvir com quem queria ficar. Queria ouvir o nome dele, e não pretendia parar até conseguir.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Manteve-se firme, como se nada do que lhe fosse dito a abalasse. Ainda que enfurecida, reuniu toda a força e coragem que possuía para fazer seu movimento final. Dessa vez não ia parar até ter uma resposta explícita ─
- Jure que não teve nada a ver com o assassinato
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Sentiu um frio repentino, quase perdendo as forças com o que ela tinha dito. Estava tentando rebater, mas dessa vez ela estava por cima, e tinha que fazer o que fosse possível. Apelou para não jurar em falso ou até contar.
- Jure que é comigo que vai ficar, como minha mulher.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Fora pega desprevenida. Jamais esperara uma abordagem tão direta. Como se tivesse recebido uma declaração, sentiu o rosto corar de leve, desviando o olhar. No entanto, este gesto durou apenas um segundo. Logo ergueu o rosto olhando-o profundamente, como se esperasse ler a verdade através de seus olhos. Seu irmão sempre fora uma incógnita, desta vez não era diferente ─
- Não terá uma palavra minha até que me jure primeiro
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Gostava de deixa-la daquela forma, sentiu por ter sido tão pouco tempo. Manteve os olhos fixos nos dela sem problema algum, sabia de sua falta de capacidade para decifra-lo então não teria problemas com isso. Afastou-se dela, como se já estivesse cansado daquele debate. Não saiu da sala, mas deu a entender que a qualquer momento o faria. Não tinha muita paciência para coisas desse tipo, além de ter deixado exposto o que não devia.
- Faço minhas suas palavras.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Não havia mais escapatória, insistira até o limite possível. Não queria que ele fosse embora, ao menos não a irritara o suficiente para isso. Teria que ceder, se quisesse que ele o fizesse também. Restou conformar-se e responder resignada ─
- Se minha palavra ainda lhe vale de algo, eu juro
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Era a única coisa que não esperava ouvir dela e ao mesmo tempo queria ouvir. Manteve os olhos fixos nos dela, desacreditando. Agora restava saber se ela estava blefando ou se eram verdadeiras suas palavras. Não teria como escapar, teria que se conformar e responder a verdade. Conhecia a irmã e ela não costumava falhar com suas juras, e o que restou foi contar a verdade.
- Qual a certeza que isso vai te dar, Catherina? Matei. E pretendo fazer isso com qualquer um que tente te tirar daqui.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Algo dentro de seu peito se moveu. A única palavra que ouvira fora a confissão, "matei". Estava aterrorizada, ao mesmo tempo em que estranhamente lisonjeada. Precisava pensar, precisava respirar, pois o horror, o nojo do homem à sua frente estava tomando conta de si. Deu as costas e se apoiou na mesa, cansada. Seu corpo inteiro parecia tremer enquanto sua mente reavaliava os fatos em uma velocidade vertiginosa. Não conseguiu falar, não conseguiu fazer mais nada, apenas sentir-se culpada pela morte de um inocente ─
FRANCESCO DI MEDICI:
- Agora se sinta culpada pelo resto de sua vida. Fui até seu quarto e mostrei que não queria que fosse, eu avisei.
→ Cada palavra saia mais gelada que a outra. Não queria ter dito, mas, ela praticamente o obrigou. Era a hora de sair da sala, mas fez o contrário. Ficou em frente à porta olhando para ela, sabia que sua reação não seria das melhores e por isso preferiu ficar.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Não precisava que ele a lembrasse, definitivamente não precisava dele para sentir-se ainda mais culpada. Deveria ter sabido, ter percebido e alertado seu noivo do perigo. Ou deveria apenas ter se afastado, fosse do noivo, fosse do irmão. Poderia ter tomado tantas atitudes diferentes, todas válidas para evitar esse final trágico. Agora só restava lamentar, enquanto estava suja de sangue. Fechou os punhos sobre a mesa, empurrando-os com força contra a madeira, como se quisesse destruí-la, mas sem ser violenta. As lágrimas lhe escaparam e caíam sobre as luvas, criando círculos escuros no tecido branco. Não era pela sua culpa que chorava, nem pela morte do Duque. Era pelo simples fato de estar apaixonada por um monstro ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ E como sempre, ao mesmo tempo em que batia, cuidava. Aproximou-se dela e a abraçou por trás, segurando suas mãos sobre a mesa. Não tinha reparado que estava chorando até o momento que sentiu uma gota cair sobre a luva. Levou a mão até seu rosto e limpou o que pode. Não gostava de vê-la tão vulnerável daquela forma, e o que poderia fazer era cuidar dela ou provoca-la até deixar irritada ao ponto de esquecer o que tinha acontecido e avançar nele para descontar sua raiva.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Tremeu ao ser tocada, como se estivesse em estado de alerta para o caso dele a machucar. Deixou que ele a envolvesse, virando um pouco o rosto para fugir quando enxugou suas lágrimas. Não gostava de parecer fraca. Então tratou de controlar a respiração e engolir o choro. Não era hora de se lamentar. Desaprovava o assassinato, mas se sentia grata por ter acontecido. Será que ela também estava se corrompendo? Não podia ser conivente, tinha que dar um basta. Mas não tinha coragem de se desfazer de seu irmão. Tinha que refletir com cuidado o que faria a seguir, pois estava tão confusa que nem ao menos conseguia tomar uma decisão, só lhe restando ficar paralisada da mesma forma ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Puxou suas mãos e as segurou, agora sim a envolvendo por completo nos braços. Não era de costume abraça-la e só o fazia quando sabia que tinha passado dos limites. Manteve-se ali e assim ficaria até que ela quisesse se soltar. Era mais fácil pra ele humilha-la do que tentar ajudar a se sentir melhor, então preferiu ficar em silêncio e deixar que tentasse acertar seus pensamentos sozinha.
CATHERINA SFORZA:
- Eu não queria que ele morresse. Queria não ter que me casar, mas não queria que ele morresse
◦⊰─ Disse subitamente com a voz fraca. Seus pensamentos corriam e as palavras saiam quase ao mesmo tempo de sua boca, em sussurros ─
- É minha culpa, você ter feito isso, tudo minha culpa. Mas o pior...
◦⊰─ Lhe doía confessar, mas precisava tirar esse peso de seu peito ─
- O pior é não sentir o menor remorso!
◦⊰─ E tornava a chorar novamente, abaixando o rosto para se esconder em sua vergonha. E finalizou ─
- Eu estou com tanto medo...
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Ouviu cada palavra que ela disse em silêncio, e a única coisa que poderia fazer era abraça-la e tentar mostrar que estava com ela para tudo. Não estava arrependido do que tinha feito, mas não queria vê-la daquela forma. Parou para pensar e percebeu que não era por remorso que chorava, e resolveu perguntar.
- Se não é por remorso, porque chora Catherina? Quanto ao medo, não tem necessidade. Vou estar com você.
CATHERINA SFORZA:
- É disso que tenho medo!
◦⊰─ Desabafou, sentindo o corpo tremer a cada palavra. Seu coração acelerava, o ar parecia faltar, mas já havia começado, não poderia mais se deter ─
- Eu choro porque é de você, desse sentimento, que tenho medo
FRANCESCO DI MEDICI:
- Não tem que ter medo, ninguém sabe de nós e vão continuar sem saber.
→ Empurrou seu chapéu com o rosto para não soltar suas mãos e sussurrou próximo ao seu ouvido.
- Esse é o nosso segredo.
CATHERINA SFORZA:
- Não entende?
◦⊰─ Perguntou já se desesperando, enquanto afastava o rosto do irmão ─
- É de VOCÊ!
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Soltou-a assim que teve o rosto afastado e aproveitou para se afastar um pouco também, olhando-a sem entender.
- Acha que vou te matar?
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Por um instante hesitou. Voltou-se para o irmão, tentando parecer forte em encara-lo, mas seus olhos eram claros em expressar mais do que medo, pavor. Por isso, as palavras que foram ditas lhe cortaram mais fundo e não teve como negar o que se passava em sua mente ─
- Não sei mais do que você é capaz
FRANCESCO DI MEDICI:
- Eu não mataria a mulher que amo.
→ Respondeu prontamente enquanto a olhava nos olhos. Era fato que gostava dela e agora deixava isso bem claro. Era capaz de matar um exercito por ela, mas ela, jamais.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Pareceu que tornaria a chorar novamente, pois seus olhos ficaram muito vermelhos e carregados de água. Porém, manteve o autocontrole, concentrando-se no significado daquelas palavras. Então ele finalmente admitia que a amava, não como irmã, pois dessa forma nunca se amaram, mas como mulher. Esse era um passo muito grande, que nem ela esperava que acontecesse tão cedo. Mas a verdade era que o sentimento era recíproco, só não estava pronta para dizer ainda. Acreditava em suas palavras do fundo de seu coração, mas não das implicações ─
- Você mataria por mim. Não posso deixar que afunde em tamanho pecado por minha causa
FRANCESCO DI MEDICI:
- Eu já matei por você e acho que agora você entendeu que não quero te ver com outro.
Talvez não fosse bem aquilo que queria ouvir naquele momento, mas serviu. Entendeu que a irmã não queria o mal dele e isso já valia. Tinha escancarado seus sentimentos e nem pensou que isso poderia ser jogado contra ele, confiava em sua irmã, sua mulher, e sabia que só em momentos de muita raiva aquilo poderia vir a acontecer.
CATHERINA SFORZA:
- Então não ficarei com mais ninguém. Resguardar-me-ei para sempre
◦⊰─ Em sua mente essa era a única saída, a única forma de salvar a si e ao irmão. Sacrificaria seu futuro e sua felicidade para ser sua mulher à distância e em silêncio, guardada em seu coração ─
- Mas não poderemos mais ficar juntos se isso significar o mal para outros
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Irritado com aquele drama todo, avançou em direção a irmã até conseguir puxa-la pelos braços e a trazer para perto do rosto, para então terminar com aquela conversa que já estava cansando.
- Já disse que te amo, já me humilhei pra você, mergulhei em pecados, já sou corrompido, Catherina! O que mais quer pra parar com esse drama? Vamos, DIGA! Do que mais precisa?
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ O irmão era forte demais para que pudesse se defender, restando apenas agarra-lo pelos pulsos com toda força que possuía em um ato de protesto. Não tinha a coragem necessária para rebater aquelas palavras, pois eram absolutamente verdadeiras. Ele fizera tudo aquilo por ela, pelo sentimento que nutria por ela. Talvez agora fosse a hora de adotar uma abordagem diferente. Sorriu com carinho e encostou o rosto no peito dele, dizendo palavras calorosas ─
- Eu também te amo
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Ao ouvir, a única reação que teve foi leva-la para cima da mesa, onde não teve dificuldade em coloca-la por ser leve. Passou a mão por seus cabelos e os puxou, beijando-a intensamente em seguida. Ainda estava pensando no que tinha escutado, as palavras fixas na memória. Ali, a única coisa que conseguia pensar era na voz dela repetindo incansavelmente frase que ele achou que jamais fosse ouvir dela.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Deixou que ele a colocasse sobre a mesa, abrindo as pernas para que irmão se posicionasse entre elas. Retribuiu o beijo com fervor, expurgando seus medos, receios, toda sua raiva naquele gesto. Convencendo-se de que estava fazendo o que era correto para assegurar sua felicidade e prometendo a si mesma que o faria mudar, ou ao menos tentaria. Tocou-o no peito e soltou a capa, para então percorrer a mão pelos ombros largos, até os músculos dos braços. Ela gostava de força, isso havia descoberto, assim como de atitude ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Puxou a capa dela por trás mesmo e a deixou sobre a mesa, em seguida o que tirou foi o espartilho sem muita calma. Não era do tipo que romantizava muito as coisas, então não se importou em tirar rápido o vestido e deixa-la só de calcinha, esta que pela primeira vez, tirou sem rasgar. Parou e a olhou de cima a baixo, sorrindo com o que tinha em mãos.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Seu instinto natural foi de se cobrir com os braços, além de forçar o fechamento das pernas, tomada pelo pudor. Não gostava de ficar nua, não se sentia a vontade. Então, como todas as vezes, apenas aguardou até que o irmão fizesse com ela o que quer que fosse de sua vontade ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Passou as mãos sobre seu corpo sem ser muito delicado e então desceu as mãos até o cinto da calça, abrindo a fivela, em seguida o botão e o zíper. Não se importou muito com a camisa, era trabalho dela tirar, mas logo a calça e a cueca desceram pelas mãos dele mesmo. Não a penetrou de primeira, apenas se encostou nela, para que o sentisse.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Mordeu o lábio inferior, sentindo-se inflamada pelo desejo. Ao vê-lo praticamente nu a sua frente, abriu os botões da camisa, passando as pontas dos dedos sobre o peito. Aquilo a excitava, e a espera mais ainda. Moveu-se um pouco inquieta, chegando mais para a ponta da mesa. Queria ver o que ele faria em seguida ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Passou as pontas dos dedos por seus seios, barriga e coxas até tocar com dois dedos seu intimo, encaixando-os ali. Logo puxou a mão de volta e, para provar da irmã, chupou os dedos. Sorrindo malicioso, acertou seu membro entre as pernas da irmã e a penetrou com força enquanto a segurava pelas coxas.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Reprimiu um gemido ao ser tocada. Aquilo era muito bom, especialmente vindo dele, que apenas constatara como ela estava molhada e pronta. Ficou tão desnorteada que nem esperava quando foi penetrada de forma violenta. Agarrou-se aos braços do irmão, com o rosto em seu peito, não conseguindo se conter e gemendo mais alto do que seria conveniente. Não conseguia acreditar que quase perdera aquilo tudo ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ As mãos foram para as costas dela para apoia-la e impulsionar os movimentos que fazia com o quadril contra o dela. Arrepiava-se com os gemidos, se sentia poderoso, e por isso acabava por se empolgar e movimentar mais rápido, às vezes deixava a mão descer para ajuda-la com o ritmo ou para não o perder.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Cravava as unhas em seus braços para conseguir se segurar, ou melhor, para se conter e não explodir de desejo e luxúria. Jamais esperara se sentir assim com um homem. Sim, ela o amava de uma forma que nem ao menos tinha coragem para descrever, pois era errado em tantos sentidos, que se forçava a não racionalizar. Queria apenas continuar ali, fazendo sexo até o fim do mundo, sem ter que se importar com outras pessoas. Só eles existiam ali ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Gostava de sentir as unhas dela daquela forma, era sinal de que estava fazendo alguma coisa certo. Investia, ora mais rápido, mais lento, sem tanta força... Mudava para poder prestar atenção na reação dela em cada uma. Por mais que fosse bruto, gostava de saber do que ela gostava e do que sentia. Por mais que sentisse prazer em machuca-la, também o sentia por trata-la bem.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Gostava da forma como ele alterava o ritmo, curtia cada um de seus movimentos. Quando ia mais devagar, com mais suavidade, ela às vezes levantava o rosto e o olhava de relance, sentindo-se constrangida e logo em seguida desviando e abaixando a cabeça novamente. Gostava de saber que ele estava ali e que ele era dela, assim como que ela era dele ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Moveu os pés até tirar os sapatos e deixar as calças no chão, subiu junto dela na mesa e afastou alguns papeis que tinham ali em cima para poder deita-la. Ainda entre suas pernas, continuou o que fazia, porém agora apoiado por um dos braços na mesa, o que lhe dava mais apoio para fazer movimentos mais fortes contra ela. Agora podia olha-la melhor, e para não deixa-la sem graça, a olhava só algumas vezes.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Deixou que ele a deitasse, jogando os braços acima da cabeça, ficando completamente indefesa sobre a mesa. Recebendo investidas mais fortes e intensas, segurou-o com as pernas para que, ao penetrá-la, avançasse mais fundo dentro de seu corpo. Queria ser completamente preenchida por ele ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Soltou o peso sobre ela ao sentir as pernas em volta de sua cintura, gostava daquilo, mostrava o quanto ela o queria. Já que tinha as pernas o segurando, a cada investida ia mais fundo, mas consequentemente mais lento. A parte boa é que conseguia beija-la sem machucar, e para compensar a velocidade, o fazia.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Gemeu com vontade ao senti-lo entrar completamente em si. Agarrou-o pela nuca com uma mão para que não parasse de beija-la, e com a outra mão segurou-o pelas costas, fincando-lhe as unhas e ferindo-o com extensas tiras vermelhas. Seria então essa sua forma de marca-lo ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Sentiu as unhas correrem por suas costas e em seguida a ardência dos arranhões. Gostava daquilo e até sentia falta. Continuaria a mover-se daquela forma intensamente, o quanto mais fundo pudesse ir já que percebeu como ela gostava.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Continuou a feri-lo, como se o puxasse com as unhas para que subisse sobre seu corpo. O desejava loucamente, não queria nunca que parasse. Seus músculos se contraiam, da mesma forma sua coluna arqueava, para proporcionar melhor encaixe. Iria à loucura em breve, já não estava mais aguentando seu corpo inteiro ardendo em prazer ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Não parou, e ali só fez ir com mais força. Não estava diferente dela, desejava que aquilo não terminasse e fez o que pode, mas não aguentaria segurar, e como já estavam ali há bastante tempo desistiu de lutar contra seu corpo e deixou-se tomar pelo orgasmo. Soltou o ar mais forte, ofegante ao ejacular dentro dela.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Mordeu o lábio com força e ainda assim não conseguiu abafar por completo o gemido. Ao sentir-se ser preenchida com os fluidos quentes do irmão, também ela alcançou o ponto máximo do prazer. Fora tão intenso que suas contrações levaram mais do que alguns instantes para parar, ao que ainda se movia, mas não muito, para manter a fricção e o estímulo ao seu corpo. Quando finalmente não aguentava mais, relaxou e deixou cair as pernas sobre a mesa, mantendo-se cansada e ofegante ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Cansado, foi parando aos poucos com o movimento de vai e vem entre as pernas dela, e ao sentir que nada lhe segurava parou. A mesa era larga, então se deitou do lado dela, como costumava fazer na cama e ficou em silêncio, tentando se recuperar. Por mais que não fosse a primeira vez que ela consentia, pra ele era como se fosse. O costume de pega-la a força o fez se acostumar com aquilo, e tê-la do lado depois de terminar ainda era novidade.
ABEL NIGHTROAD:
┼ ▬ Abel caminhava tranquilamente pelos corredores do Palácio do Vaticano. Havia acabado de chegar de uma de suas missões e ouvira sobre um estranho incidente com o Duque que casaria com a Cardeal Sforza. Desejando prestar suas condolências, foi até a sala de sua chefa. Estranhou ao ver a porta fechada, sendo guardada pelo Padre Tress do lado de fora. Perguntou ao colega o que se passava, mas este disse não estar autorizado a fornecer informações. Como não via outra maneira, Abel, com seu jeito displicente, decidiu extrapolar gritando ▬ ┼
- Cardeal Sforza! Voltei de viagem!
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Foi um momento de pânico. Catherina levantou-se da mesa com um salto, correndo pela sala para pegar suas roupas e se vestir o mais rápido possível, enquanto podia ouvir a voz de Abel do lado de fora da sala, conversando com o Padre Tress. Felizmente, sabia que seu servo não o deixaria entrar, porém, não queria dar motivos para suspeitas. Sendo assim, continuou a se apressar, pois precisava aparentar que nada ocorreu e que ainda estava de luto ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Não fez diferente, a sorte é que era bem mais fácil de se vestir. Fechou a camisa rapidamente e já desceu da mesa com os pés nas calças, puxando-as junto com a cueca. Apoiou-se para colocar os sapatos e jogou a capa por cima, rápido e simples. Agora estava encostado na mesa, passando as mãos nos cabelos para arruma-los. Enquanto isso ficou olhando ela se arrumar, como se nada estivesse acontecendo.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Finalmente terminou de se vestir. Olhou para o irmão, que já estava pronto como se nada tivesse acontecido, arrumou os cabelos, o monóculo e foi até a porta, rezando para não haver nenhuma substância suspeita escorrendo por suas meias. Encarou Abel com seu olhar penetrante, nem um pouco satisfeita com seus atos, e tratou de repreendê-lo ─
- Tenha um mínimo de educação para esperar do lado de fora do meu gabinete. Eu estava em reunião
ABEL NIGHTROAD:
┼ ▬ Chateado com a repreensão, não se deixou abalar, e manteve-se sorrindo. Estava feliz em revê-la ▬ ┼
- Culpa do Padre Tress que não quis me informar o que você estava fazendo. Eu soube do que aconteceu e queria saber como estava
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Antes dela terminar de se arrumar e abrir a porta, tentou ajeitar a mesa da forma que deu e dobrou a capa dela, escondendo-a em baixo do braço por baixo da sua capa. Ter Abel por perto não lhe agradava, muito menos falando com ela, mas tentou manter a linha. Garantia-se, ao menos pensava que sim. Então ficou em pé, em frente à mesa, enquanto ouvia os dois conversarem, esperando não ter que sair da sala e deixa-la sozinha com ele.
CATHERINA SFORZA:
- Interrompeu minha reunião só para isso?
◦⊰─ Perguntou sem conseguir disfarçar a irritação. Olhou nervosa para os lados e depois para dentro da sala, se certificando de que tudo aparentava estar normal. Aquele era apenas o jeito de Abel, desleixado e imprevisível. Era o que ela gostava nele. Sendo assim, não poderia brigar, ainda mais que o dava tais liberdades. Tomou fôlego e sorriu com carinho para Abel, continuando de uma forma mais branda ─
- Certo, encerrarei minha reunião e posso te receber
ABEL NIGHTROAD:
┼ ▬ Ao notar que ela olhara para dentro da sala, fez o mesmo, constatando a presença do Cardeal di Medici. Isso muito o espantava, pois sabia que os dois eram rivais altamente competitivos, sem o menor espaço para fraternidade, ainda que irmãos. Franziu o rosto, sabia, pelo seu instinto, que alguma coisa estava errada ▬ ┼
- Estarei aguardando aqui se precisar
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Um pouco constrangida pelo que estava fazendo, especialmente por se encontrar entre dois homens pelos quais nutria sentimentos fortes, Catherina retornou para dentro da sala. Voltou-se para o irmão e lhe disse com naturalidade, não tentando criar motivos para brigas desnecessárias ─
- Irei recebê-lo. Vejo-lhe depois
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Ficou parado na sala, onde estava, e não respondeu. Não gostava do que estava acontecendo, a expressão que ganhou deixou isso bem claro. Sentiu-se completamente trocado por Abel, e isso o irritou ao ponto de sair da sala sem nem olha-la uma última vez. Passou direto por ela, e se estivesse no caminho provavelmente iria empurra-la. Abriu a porta e saiu, quase trombou com Abel, mas nem o olhou. Foi direto para seu quarto, não tinha mais muito que fazer por ali e a raiva foi tanta que se esqueceu de entregar a capa pra ela, e não poderia ficar andando com aquilo escondido.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Percebeu a notável mudança de comportamento por parte de irmão, mas nada pôde dizer. Apenas assistiu inquieta enquanto ele saía de sua sala, temendo que pudesse fazer algo mais tarde contra Abel. Só se sentiu mais tranquila ao lembrar que o subordinado era forte o bastante para tomar conta de si. Nada podendo fazer, sorriu e gesticulou de dentro da sala para que Abel entrasse ─
ABEL NIGHTROAD:
┼ ▬ Viu a forma que Francesco saiu da sala, quase o atropelando, e achou aquilo ainda mais estranho. Ouviu o chamado dela e entrou na sala todo sorridente, mas já que sua curiosidade não permitia esperar muito tempo, perguntou ▬ ┼
- Está tudo bem com você e o Cardeal di Medici?
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Fez um ruído de desdém. Não saberia nem por onde começar a responder essa pergunta. Sentou-se a sua mesa, fingindo que não estava bagunçada, e respondeu com tranquilidade ─
- Como sempre. Estou mais interessada em seu relatório
◦⊰─ O faria mudar de assunto ─
ABEL NIGHTROAD:
┼ ▬ Disse enquanto sentava na cadeira, na frente dela. Olhava desconfiado para a mesa, que sempre estava tão bem arrumada, diferente de hoje ▬ ┼
- Eu estou preocupado com você, Catherina. Vocês dois estão agindo tão estranho...
CATHERINA SFORZA:
- Por que acha isso?
◦⊰─ Queria saber até onde ele tinha conhecimento, o que estavam deixando passar, ainda que temesse o conteúdo da resposta ─
ABEL NIGHTROAD:
- É que Francesco estava aqui, você está suada, a mesa está bagunçada e está sem a sua capa
┼ ▬ Perguntou desesperado quando chegou a tal conclusão, levantando-se para olhar seus braços, se tinha alguma marca ou machucado ▬ ┼
- Ele te bateu?
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Agora era certo que estavam agindo de forma arriscada. Ficou agradecida que ao menos Abel não suspeitasse do que realmente estava se passando. Porém, tinha que pensar numa resposta, e rápido, pois não poderia dizer a verdade, sem confirmar a hipótese que lhe era apresentada. Sendo assim, agiu com cautela. Sorriu, como se o mero pensamento de ser abusada fosse ridículo, e disse ─
- Abel, Francesco pode ser muitas coisas, mas ele é meu irmão e jamais me machucaria
ABEL NIGHTROAD:
- Ah, ufa... Mas, o que aconteceu então?
┼ ▬ Sentou-se novamente, mais calmo. Queria descobrir de qualquer jeito o que estava acontecendo com eles, com ela principalmente ▬ ┼
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Sentiu-se acuada. Estava ficando difícil convencê-lo e, se conhecia bem Abel, ele não pararia até ter todas as respostas que queria. Decidiu inventar alguma coisa que fosse condizente com as provas constatadas pelo padre ─
- Nós tivemos um desentendimento, apenas isso. Ficamos alterados, ele jogou as coisas da minha mesa, e apenas isso
ABEL NIGHTROAD:
- E o que aconteceu com a sua... Capa?
┼ ▬ Perguntou por ser o que mais chamava atenção, já que não era normal ver a Cardeal andando de espartilho e vestido.Não tinha gostado nem um pouco da briga dos dois, e não sabia o porquê, mas não conseguia acreditar nas palavras dela ▬ ┼
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Realmente se esquecera desse detalhe. O irmão devia tê-la escondido, felizmente. Precisava se lembrar de nunca mais deitar sobre a capa. Porém, ainda era melhor perder a capa do que sujar a mesa, pois isso seria muito mais difícil de explicar. Bolou uma mentira ─
- A sujei mais cedo ao me encostar ao parapeito da janela
ABEL NIGHTROAD:
┼ ▬ Ainda desconfiado, tentou entender a série de acontecimentos estranhos do dia dela. Sorriu, desistindo de insistir e resolvendo descobrir por si próprio, mais tarde ▬ ┼
- Se ele fizer qualquer coisa a você, me conte!
CATHERINA SFORZA:
- Abel!
◦⊰─ O repreendeu com frieza. Seu olhar sério o encarava, mas não como uma amiga, e sim como sua chefa, quase como sua mestra. Tinha que dar um basta naquela curiosidade, nem que para isso tivesse que ser dura com ele. O alertou ─
- Fique fora disso
ABEL NIGHTROAD:
┼ ▬ Não entendeu o "Fique fora disso", e agora sim estava muito mais curioso. Olhou para ela, em silêncio e apenas balançou a cabeça mostrando que tinha aceitado a ordem ▬ ┼
- Só quero o seu bem
CATHERINA SFORZA:
- Se que o meu bem, fique fora disso!
◦⊰─ Insistiu, ainda que essas palavras tivessem lhe custado uma confissão. Ele não era idiota, certamente já havia percebido haver alguma coisa, ou agora investigaria até descobrir. Era melhor admitir que algo estava acontecendo e torcer para que ele não fosse atrás ─
ABEL NIGHTROAD:
- Então só me conte o que está acontecendo! Eu sou o seu amigo, não sou?
┼ ▬ Estava tentando descobrir algo de todas as formas, e percebeu que estava quase conseguindo. Tentou jogar a amizade no meio, mas sabia que se ela resolvesse não contar, não contaria. Ou até mesmo manda-lo para fora da sala dela ▬ ┼
CATHERINA SFORZA:
- Se é meu amigo, fará o que mando
◦⊰─ Estava irredutível. Não iria ceder, não contaria uma única palavra, não colocaria tudo a perder, por mais importante que Abel ainda fosse para ela ─
ABEL NIGHTROAD:
- Certo...
┼ ▬ Ficou chateado. Ela acabou por usar o seu argumento contra ele mesmo. Não tinha mais o que tentar tirar dela, e as próximas descobertas seriam por conta dele mesmo ▬ ┼
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Sustentou seu olhar com frieza, mantendo-se tão imóvel que mal respirava. O queria fora dali, e queria agora, pois não sabia até quando aguentaria silenciar seu segredo ─
ABEL NIGHTROAD:
- Acho que você não está bem, e não quer me contar. É melhor eu ir
┼ ▬ Levantou-se com um ar triste e foi andando em direção à porta. Ela estava muito diferente e isso acabou afetando até ele ▬ ┼
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Assistiu em silêncio, acompanhando-o com os olhos, enquanto ele saía. Aquilo a entristecia profundamente, mas tinha que proteger a si e ao irmão. O deixaria ir. Que ele a investigasse e descobrisse tudo, o que não acreditava ser difícil de acontecer. Lidaria com ele depois. Agora não tinha condições para tanto ─
ABEL NIGHTROAD:
┼ ▬ Olhou-a mais uma vez antes de sair da sala e por fim abriu a porta e saiu. Tinha a ideia fixa de descobrir tudo, e, nem que tivesse que segui-la, iria fazer. Não gostava de vê-la triste ou da forma que estava, então lutaria contra tudo e todos para melhorar isso. Mas, se lembrou do que ela tinha pedido, para não se envolver ou caso contrário iria piorar pra ela. Para pensar melhor e bolar algo pra fazer, foi para cozinha comer alguma coisa ▬ ┼
N.A.: Pra compensar o capítulo anterior que foi pequeno! E finalmente Abel (aka: Objeto de discórdia) apareceu! Tenho grandes planos pra ele no futuro. Então, sobre o capítulo, vocês não acharam MESMO que Francesco ia deixar ela casar com um qualquer, né? E convenhamos, foi bonitinho ele matar o cara. Como diria Jaime Lannister "Eu vou para a guerra com seu marido se for necessário, mato ele e todos os outros até sermos as únicas pessoas restantes nesse mundo" ou ainda "As coisas que faço por amor". Irmãos são tão românticos quando comem as irmãs... Foi tão fofinho eles dizendo que se amavam! Eu fiquei em choque quando li que ele disse isso. Uma hora eles teriam que admitir isso. Enfim, MrsKaah-MrsDemonFox, sim, eu respondo a comentários na própria fic, pois há coisas que acho que vale a pena compartilhar com todos os leitores. Será que você nunca verá Cath com Abel? (xDDD) Cath x Fran é um casal estranho (fato!), mas, ainda assim, é meu casal favorito (AMO! *-*) e eu acho que eles combinam perfeitamente. Isso não impede um pouco de Cath x Abel, Cath x Tress... (=XXX)
