Capítulo 6-No calabouço

O calabouço do palácio era frio, escuro e muito nunca tinha estado lá. Todos os prisioneiros eram trazidos por Alejandro e nenhum tinha saído vivo. Duncan estava decidido a ser o primeiro. Tentava inutilmente se livrar dos grilhões que o prendia á parede de pedra.

Alejandro tinha mentido para Gwen. Duncan estava vivo. Mas não por muito tempo, se tudo corresse conforme os planos de Alejandro.

Duncan se deixou cair no chão, suspirando. ''Era a princesa. ''Ele pensava. ''Não posso acreditar!'' Nesse momento, viu uma sombra na parede. A sombra de um pequeno garoto entre as barras de ferro da janela.

-Cody!-Duncan gritou, levantando a cabeça – Desça aqui!

Cody desceu. Fez uma cara feia para Duncan, imitando uma bonita garota caminhando. Duncan sabia que estava levando bronca por ter dado tanta atenção á Gwen.

-Ei, ela estava com problemas. Nunca mais vou vê-la também. -disse, desconsolado. Sou um rato-de-feira, lembra? Além disso, há uma lei que obriga a princesa a se casar com um príncipe. -Suspirou de frustação. -Ela merece um príncipe.

Cody tirou um preguinho do bolso e abriu o cadeado que prendia Duncan. Orgulhoso, empurrou Duncan em direção á janela, mas Duncan continuou parado, em pé, no meio da cela. Ainda pensando em Gwen.

-Sou um bobo.

-Só é bobo se desistir. -Uma voz rouca falou.

Duncan virou-se e viu um velho de dentes tortos emergir das sombras. Era corcunda, sujo e tinha uma barba branca, comprida até o chão. Parecia estar há anos no calabouço.

-Quem é você?-Duncan perguntou.

-Sou um infeliz prisioneiro como você. Mas juntos, podemos fugir. Conheço uma caverna cheia de tesouros, como você nunca imaginou, nem nos seus mais loucos sonhos. -o velho chegou mais perto, sorrindo.- Um tesouro tão grande que impressiona até uma princesa.

Ouvindo falar em tesouro,Cody arregalou os olhos e prestou a maior atenção.

Nenhum dos dois viu Noah, cochichando:

-Alejandro, quer andar logo com isso? Estou quase morrendo aqui!

Duncan olhou desolado para o prisioneiro.

-Mas a lei diz que ela tem que se casar...

Alejandro interrompeu Duncan. Levantou um dedo e falou, com a voz rouca.

-Já ouviu falar na Lei do Ouro? Quem tem o ouro faz as leis!

-Porque você repartiria o ouro comigo?-Perguntou Duncan.

-Preciso de pernas jovens e braços fortes para pegar o tesouro. -e Alejandro foi-se afastando para as sombras do calabouço. Empurrou uma parede e, vagarosamente, a parede inteira se abriu, revelando uma escada secreta.

-Então, está combinado?

Duncan, ainda hesitante, apertou a mão do velho. Alejandro ria, roucamente.

-Estamos feitos!

Estava escuro quando chegaram a Caverna das Maravilhas. Alejandro uniu as duas metades do escaravelho. Perplexo, Duncan viu o escaravelho luminoso voar para a pedra e a impressionante cara de tigre emergir da areia.

-Quem vem perturbar meu sono?-a voz assustadora bradou.

Alejandro fez sinal para Duncan se aproximar do Deus-tigre. Cody, apavorado, foi para mais próximo de Duncan, enquanto ele tentava firmar as pernas trêmulas.

-Ahh... sou eu... Duncan.

Um túnel de luz fortíssima jorrou da boca entreaberta do tigre. Duncan desviou os olhos.

-Prossiga!-a voz disse. -Só toque na lâmpada!

-Depressa, rapaz!-Alejandro apressou-o com a voz rouca. -Traga a lâmpada e terá sua recompensa.

Cautelosamente, Duncan entrou na boca do deus-tigre. Banhada por uma luz ofuscante, uma longa escada descia para as profundezas da caverna. Lá embaixo, montanhas de ouro. Cascatas de ouro. Moedas, jóias, pratas, baixelas, taças, cofres, baús, se empilhavam até onde a vista alcançavam.

Praticamente hipnotizado por tanto ouro, Cody pulou diretamente num baú transbordado de jóias.

-Cody!- Duncan avisou. -Não toque em nada! Temos que achar a lâmpada.

Cody reclamou, mas saiu do baú e seguiu o rapaz através da caverna. Tinha a estranha sensação de algo se mexendo atrás deles. Olhou para trás. Nada, apenas um tapete azul e púrpura com franjas douradas estendido no chão. Cody correu de volta para Duncan.

Alguma coisa cutucou o ombro de Cody. Cody se virou rapidamente. Era o tapete, que vinha andando junto com eles.

-Iiiiiiiiiiiic!- Cody berrou, correndo mais um pouco para onde Duncan estava.

Assustado, o tapete de enrolou e ficou escondido atrás de uma pilha de moedas.

-Pare com isso, Cody!

Cody se esticava todo, apontando para a pilha. Quando Duncan olhou, uma franja dourada apareceu e rapidamente se escondeu atrás do monte de moedas. Duncan chegou mais perto. O tapete se aproximava.

-Um tapete mágico!-Duncan exclamou.- Volte aqui! Não iremos lhe fazer mal!-ele disse ao tapete.

Usando as franjas de baixo como pernas e as de cima como braços, o tapete veio andando devagarinho, entregou o chapéu para Cody. Duncan olhou, boquiaberto. Cody pegou o chapéu, ralhando com o tapete. O tapete deu meia volta e saiu andando devagar, todo curvado, dobrado de vergonha.

-Ei, espere aí!-Duncan chamou. -Talvez você possa nos ajudar a achar a lâmpada.

O tapete se endireitou, muito excitado, e veio correndo, apontando com a franja. Duncan riu.

-Parece que ele sabe onde está!

O tapete se elevou no ar. Duncan e Cody o seguiram entrando em uma caverna. Duncan parou, assombrado. A segunda caverna fazia a primeira parecer uma ante-sala. Era tão alta que não se via o teto. As paredes eram de um azul-frio, uma cor que Duncan nunca vira antes. Uma lagoa de águas azuis cristalinas se estendia de uma parede a outra.

No centro da lagoa, havia uma torre de pedra. Ressaltos de pedra bruta formavam um acesso íngreme á torre. No alto da torre, iluminada por um raio de luz mágica , havia um pequeno objeto. Duncan não conseguia distinguir o objeto de longe, mas supôs que fosse a lâmpada. Seu coração disparou. Não seria fácil chegar lá em cima. Primeiro, teria que pular de pedra em pedra, atravessar a lagoa, e depois escalar a pedra bruta da torre.

-Esperem aqui. -ele disse a Cody e ao tapete. -E lembrem-se, não toque em nada.

Saltando de pedra em pedra, Duncan chegou a base da torre. Ouviu-se um rangido e os ressaltos de pedra se transformou magicamente em uma escada. Duncan sorriu. Alguém-alguma coisa- estava a seu favor. Subiu a escada de dois em dois degraus. Chegando ao topo, viu a lâmpada.

Empoeirada, velha, parecia mais barata que a lâmpada mais ordinária á venda no mercado. Duncan pegou-a

-É isso aqui?-disse ele. -Tanto trabalho para pegar isto?

Pelo canto dos olhos, Duncan viu Cody e o tapete diante de uma estátua que parecia ser um gigante macaco de ouro. A estátua tinha os braços estendidos e, na palma das mãos, brilhava um imenso rubi.

E Cody estava pegando a pedra.

-Cody! Não!- Duncan gritou.

Mas não adiantava mais.

O chão começou a roncar e a tremer. Pedras e terras começavam a cair do teto. A voz do deus-tigre soou como um trovão:

-Infiéis! Tocaram no tesouro proibido! Jamais tornarão a ver a luz do dia!

Em pânico, Cody devolveu o rubi ás mãos do ídolo de ouro. Mas o dano estava feito. A escada se transformou numa rampa lisa e Duncan perdeu o equilíbrio. Agarrando a lâmpada, Duncan escorregava pela rampa direto para a lagoa, que se tornara uma enorme poça de lava borbulhante. Duncan fechou os olhos e preparou-se para o amargo fim.

Uuoff! Parou em pleno ar. Alguma coisa o amparou. Arregalou os olhos e se viu deitado no tapete atravessando a lagoa num voo rasante sobre as ondas de lava. A caverna estremeceu violentamente. Agarrado ao tapete, Duncan equilibrava-se para não cair nas curvas para a esquerda e para a direita, desviando-se das pedras que despencavam. Duncan olhou para baixo, procurando por Cody.

-Iiiiiiiiiiii!-o grito veio de lá de baixo. Lá estava ele, saltitando para se livrar das pedras que caiam e gritando loucamente. Um enorme pedregulho vinha caindo vertiginosamente em cima de Cody.

O tapete mergulhou, Duncan pegou Cody e voaram a toda velocidade para a saída. O chão da caverna entrou em erupção, colunas de fogo se erguiam por toda parte, fundindo as montanhas de ouro. Duncan e Cody olharam, estarrecidos. Naquele caos incandescente, as jóias, as moedas, todo o ouro se derretia entre as labaredas!

O tapete voava loucamente para a escada, fugindo de uma imensa onda de lava que se precipitava atrás deles, ameaçando engolir os três. Ao redor, tudo vinha abaixo, transformando em fogo e lava.

Atrás da caverna, já avistavam o céu estrelado. Só um pouquinho...

Tunc! Uma grande pedra redonda caiu sobre o tapete, prendendo-o no chão. Duncan e Cody caíram na escada. Duncan olhou para baixo, horrorizado, mas não havia meios de salvar o tapete. Já era muito difícil ele conseguir se salvar.

Olhando para cima, viu a abertura lá no alto -a liberdade. Cody subiu saltitando os degraus e pulou para fora. Duncan o seguia tão rápido quanto podia, mas os degraus começaram a tremer e ele perdeu o apoio do pé. Tentou desesperadamente alcançar a saída, mas os degraus se despencaram sob seus pés. Conseguiu se agarrar ao último degrau, enquanto a escada inteira desabava debaixo dele.

Duncan ficou pendurado pelos dedos, balançando sobre a caverna, que desmoronava.

-Socorro!- ele gritou.- Não aguento mais!

Ainda disfarçado de prisioneiro mendigo, Alejandro enfiou a cara na boca do deus-tigre.

-Primeiro me dê a lâmpada!

Não havia tempo para discutir. Duncan estendeu a lâmpada. Alejandro enfiou a lâmpada nas roupas, com os olhos brilhando.

-Enfim!-ele gritou!

Olhando de soslaio para Duncan, Alejandro pegou o punhal.

-Que está fazendo?-berrou Duncan.

-Vou dar sua recompensa!-replicou Alejandro. -Sua recompensa eterna!-e levantou o punhal.

De um salto, Cody pulou sobre Alejandro ,deu um salto e agarrou seu pescoço.

-Ieeeeeeeeeeeeeeeeeeau!-Alejandro deu um berro, tentando se livrar de Cody, mas o garoto continuava apertando seu pescoço com força.

Duncan não aguentou mais. Seus dedos escorregavam do degrau. As paredes da caverna ruíram, enquanto ele e Cody desapareciam no meio do caos.

Nota da autora: Capítulo 6 pronto! Tá vendo, Duncan, é nisso que dá, fazer tratos com o Al...Quem será o anjo(ou o gênio, XD) que vai tirá-los dessa confusão? Ah sim, preparem-se para dar muitas risadas, pois no próximo capítulo veremos as primeiras cenas do Chris como o Gênio, XD !) Até o próximo capítulo!