Ino fora bombardeada de perguntas no instante em que pisou o pé esquerdo dentro do quarto. Todas as outras seis falavam ao mesmo tempo, melhor dizendo, gritavam e esbravejavam simultaneamente, aparentemente, inconformadas com o fato de ela estar omitindo o suposto namoro por tanto tempo. Sem dar atenção as enxurradas de perguntas inconvenientes, a Yamanaka apenas tirou a jaqueta – extremamente perfumada de Itachi – e a arremessou no chão com violência, de forma totalmente teatral.

—Era essa a jaqueta que vocês queriam? — indagou com um sorriso triunfante nos lábios.

A primeira a esboçar uma reação fora Hinata, que primeiro olhou para a jaqueta com o famoso símbolo de preservativo e a frase maliciosa e, então, olhou para a nerd de olhos azuis, piscando os olhos repetitivamente. As demais, aos poucos, também pareceram perceber, finalmente, a existência da jaqueta e como numa espécie de dominó, uma a uma foram oscilando suas expressões.

—Você conseguiu. — disparou a Sabaku de olhos verdes incrédula. — Eu não acredito que você realmente roubou a jaqueta do Uchiha! — e dito isso, gargalhou estrondosamente, jogando a cabeça para os lados enquanto aplaudia.

—Certo, todo mundo aqui viu que você conseguiu — afirmou Karin, num misto de orgulho com incredulidade. — Mas, será que dava para nós focarmos realmente no que importa? — indagou, virando-se as demais garotas, antes de mais uma vez, dirigir sua atenção para Ino. — Desde quando você está namorando e por que nunca nos contou nada, sua ingrata?!

As bochechas dela enrubesceram e ela retirou o óculo, limpando-o com a manga da camiseta. Seria um longo dia pela frente, pensara a garota, lembrando-se da pequena mentirinha que havia contado para seu pai.

Ok, ela sabia que as notícias corriam depressa de um colégio para o outro, mas até então não sabia o quão rápido eram esses informantes. Sentiu-se imediatamente como a Blair Waldorf, em Gossip Girl, após ter traído o Nate com Chuck Bass, onde ela se vê como o centro das atenções, mas não da maneira que ela desejava. Ino piscou os olhos, atordoada e sorriu amarelamente.

Ela poderia contar a verdade para suas amigas. Que ela e Sasuke não tinham absolutamente nada e que sequer se conheciam antes da noite anterior. Podia relatar o ocorrido inteiro, dele a surpreendendo com a jaqueta e então ambos partindo para a luta corporal, na tentativa de pegar aquela maldita jaqueta vermelha. Mas...

Ela simplesmente não conseguiu. Não podia traí-lo daquela forma e,além do mais, que mal faria contar uma pequena mentirinha? Era apenas temporariamente e apenas para resgatar a imagem de ambos, que, convenhamos, não era das melhores.

Ino manteve-se em silêncio, titubeando vez ou outra algumas respostas incompreensíveis até que conseguiu pensar numa mentira razoavelmente aceitável. Só torcia para que o novato idiota não estragasse tudo, do contrário rapidamente descobririam a farsa.

—Nos conhecemos em uma partida de league of legends ao vivo — explicou, com um sorriso tímido. — Não queria contar nada para vocês porque é muito recente... Ele já tinha me dito que ia vir para o Lycée, só não havia me dito a data, então, quando o encontrei de madrugada por um acaso... — O que diabos eu estou falando? — Não consegui resisti e acabei o agarrando, e o resto...Vocês meio que já sabem.

—Isso significa que você finalmente perdeu o seu bv? — Tenten arregalou os olhos, boquiaberta. A maldita tinha sido mais rápida do que todas elas juntas, isso era inadmissível. E como ficaria seu plano de juntá-la ao líder vermelho dos penetradores?!

Ela estava inconformada. O seu shipper, como um navio, havia afundado de vez.

—E como ele é? — perguntou Sakura, com os olhos esmeraldinos estreitos em desconfiança, fazendo Ino arregalar os olhos. A Haruno, melhor do que ninguém conhecia a Yamanaka e, obviamente, não havia acreditado em uma única palavra daquela história. Para ela aquilo não passava de uma fanfic. — Ele é bonito?

—Sakura, que raios de pergunta é essa? — Karui a olhou como se fosse idiota. — É óbvio que ele não é bonito, garotos bonitos não jogam lol, eles transam.

—Ele é lindo, se você quer saber. — Ino rebateu, agora verdadeiramente indignada. — O nome dele é Sasuke e ele é irmão mais novo dos penetradores, além disso, ele também é nerd e nós dois gostamos das mesmas coisas. Eu não poderia estar mais feliz. — ela levantou-se da cama, pulando sobre a jaqueta largada de Itachi, enquanto caminhava em direção as escadas do quarto. — Vocês irão conhecer ele durante a fogueira. — prometeu.

E então ela simplesmente desapareceu, às pressas, subindo os degraus velozmente. Precisava urgentemente de um banho para tirar a sujeira do corpo e especialmente os pequenos arranhões provocados pela briga no chão.

—Nós acreditamos nela? — Temari perguntou, após dois minutos terem se passado sem que qualquer uma das seis dissesse alguma coisa.

Karui meneou a cabeça, olhando fixamente para as escadas.

—Eu nunca ouvi falar de um quarto penetrador... — titubeou, demonstrando incerteza.

—Mas — foi a vez de Tenten se manifestar — Metade dos garotos do colégio diz ter visto ela se pegando com um moleque esquisito. Talvez ela não esteja mentindo...

—Ela não esta mentindo. — Hinata estalou a língua. — Os penetradores realmente têm um irmão mais novo e pelo o que Indra me contou, foi esse garoto responsável pela pegadinha do xampu com esperma — explicou, com um semblante pensativo.

—Sério? Eu não acredito nisso!

—Mas por mais absurdo que pareça, é a verdade.

Sakura, por outro lado, não conseguia engolir aquela história de Ino ter conhecido pela internet. Os olhos esmeraldinos se viraram em direção as escadas, pela qual a Yamanaka acabara de passar.

Alguma coisa decididamente não cheirava bem naquela história.

Quando Sasuke adentrou a sala de aula, naquela manhã. Ele se sentiu um deus. Praticamente todos os seus colegas levantaram-se para ovacioná-lo! Ele estava se sentindo muito bem, obrigado. Com o ego e a auto-estima lá em cima, graças a mentirinha que sua mais nova amiga e cúmplice havia dito, o moreno viu sua imagem de nerd fracassado mudar drasticamente para a de 'transudo. Era o máximo.

Com um sorriso gengival, ele jogou a mochila para o outro ombro, enquanto desfilava em direção a sua carteira. Nem mesmo o fato de seu rosto ter sido parcialmente deformado pelo troglodita do seu irmão mais velho, pareceu ser motivo para os garotos rirem ou caçoarem dele, muito pelo contrário! Aquela surra acabou, de maneira extraordinariamente irônica, dando mais veracidade aos boatos.

Ele não estava brincando quando dissera que ia aproveitar-se ao máximo de sua nova fama.

—Meu herói! — a voz de um risonho Gaara ecoou pela a sala, em meio a aplausos e a assobios. — Primeiro, sabotou os penetradores colocando esperma no xampu deles e agora você pega a mina do Itachi? — e então trovejaram gargalhadas, risos e piadas.

Sasuke sentiu o sorriso instantaneamente morrer em seus lábios. Ele não havia sido responsável pela pegadinha de esperma. E o Sabaku sabia perfeitamente disso. Então por que lhe deu os créditos por aquilo?

E por que sentia que estava prestes a se borrar nas calças?

—Muito bem, Taka. — ele quase pulou da cadeira ao sentir uma mão masculina sobre seu ombro. — Ou seria o Uchiha? Bom, não importa, se eu fosse irmão daqueles dementes eu também mentiria minha identidade — Neji afirmou, sorrindo de maneira cúmplice. — Estamos orgulhos de você, nerd.

—Nerd! Nerd! Nerd! — os demais entoaram, em um grito de guerra, ora batendo nas mesas, ora aplaudindo.

Minutos depois, o vice-diretor, Orochimaru adentrou a sala para passar alguns avisos sobre a noite da fogueira, mesmo assim, o Uchiha não conseguia deixar de pensar que havia algo de errado na maneira com que os pássaros estavam cantarolando do lado de fora da janela da sala. Não parecia canção de comemoração parecia mais... Uma marcha fúnebre. Um calafrio percorreu sua espinha dorsal.

Era quase como se os pássaros estivessem adivinhando exatamente o que seu irmão mais velho, naquele mesmo dia, faria com ele.

Todas suas suspeitas foram confirmadas durante a aula de educação física, que pela intervenção indesejada de Omoi e Kimimaro, Sasuke fora obrigado a fazer. "Você está seguro com a gente" eles haviam afirmado, ingenuamente. Ele nunca estaria seguro estando do lado errado e sabia disso.

A menos que se juntasse oficialmente ao ninho de cobras que eram seus irmãos, ele sabia que as chances de terem paz dentro da instituição eram nulas, basicamente inexistentes. Indra não era exatamente o ser mais misericordioso que conhecia e, Shisui... Bom, Shisui não se importava tanto assim com sua integridade física e mental, muito pelo contrário. O problema mesmo, com certeza era Itachi, que até então, havia sido o menos pior dos três.

Para sua infelicidade, a segunda aula do dia – a maldita educação física – era conjunta, ou seja, todos os anos eram misturados dentro do espaçoso ginásio para realizarem as mais diversas atividades esportistas. E o Uchiha estava apavorado por três razões distintas, a primeira, obviamente, incluía seus irmãos e a possibilidade de apanhar até a morte no maldito Corredor Polonês; a segunda era que ele era simplesmente uma bosta jogando futebol, basquete, hóquei, queimada ou qualquer outro esporte que envolvesse esforço físico e fôlego, e a terceira era do que poderia acontecer entre os seus colegas de quarto e seus irmãos, ele realmente odiava a possibilidade de ser ainda mais arrastado para aquela guerra.

Seus planos de passar despercebido no colégio novo e assim evitar os trogloditas já havia caído por terra. Agora ele precisava arquitetar um plano que mantivesse sua integridade física a salvo daqueles malditos.

O quinteto de garotos encontrava-se dentro dos vestiários masculinos, trocando os uniformes pelas vestes esportistas, que para o desalento de Sasuke incluía uma bermuda azul-royal um tanto quanto chamativa – seu badalo, mesmo com a cueca, provavelmente ficaria em evidência.

Tsc. Nada constrangedor, pensou o moreno, tirando a camiseta social e a substituindo pela regata branca, em seguida retirando a calça e colocando a bermuda. Felizmente, dentro dos vestiários, assim como na quadra e no ginásio, existia uma das maravilhas modernas chamadas aquecedores e por isso ele não ficou necessariamente tremendo de frio como imaginou que ficaria.

Estava tudo bem, as mil maravilhas, até ele ouvir o som familiar de um punho chocando-se contra um armário atrás de si, fazendo com que ele instintivamente pulasse.

—Se você acha que sua vida era um inferno antes, é melhor se preparar, porque eu estou apenas começando, frangote. — Itachi vociferou antes de empurrá-lo para dentro do armário, o moreno se debateu aos gritos, contudo o moreno agiu mais rápido, enfiando uma bola de meia na boca dele e o estapeou algumas vezes, sorrindo. — Ninguém gosta de talarico, Sasuke.

O moreno resmungou, tentando forçar o armário, inutilmente. Sasuke soltou um gemido de frustração, espremendo-se dentro do espaço confinado.

Ele tentou gritar por socorro, mas, como já era de se esperar, ninguém veio ao seu socorro e tampouco iria.

Abriu os olhos, desnorteado, deparando-se com cinco pares de olhos curiosos que o fitavam como se fosse um animal recém resgatado. Ele sentiu seu corpo ser puxado para cima e então pôde soltar um longo e barulhento suspiro. Por quanto tempo estivera preso ali dentro? Mal conseguia se lembrar de como respirar – e isso tinha a ver com aquela maldita bola de meia, ele bem sabia –ou até mesmo andar, já que suas pernas estavam trêmulas, ameaçando tombar no chão a qualquer momento. Precisou ser segurado pelos amigos, que incluía para sua surpresa, Suigetsu.

—Por quanto eu apaguei?

—Dois dias.

—O que?

—É brincadeira — Kimimaro estapeou a cabeça de Gaara, que gargalhava. — Foram três horas e meia, pensávamos que você estivesse morto.

Ele exprimiu um palavrão, segurando o rosto entre as mãos.

—Meu irmão disse algo sobre fazer da minha vida um inferno — ele se arrepiava ao se lembrar da expressão diabólica estampada no rosto do Itachi. — Nós precisamos fazer alguma coisa. Eu não tive nada a ver com a história do xampu!

—Nós sabemos. — Omoi disse tranquilamente. — Só demos os créditos a você, justamente para você sair com alguma moral. Sasuke, você não está cansado de ser sempre o saco de pancadas daqueles otários?

—É claro que sim, mas isso não significa que eu seja louco para me vingar deles. Vocês não conhecem eles tão bem quanto eu, não sabem com quem estão lidando.

—Mas eles são três e nós somos seis — argumentou Neji. — Nós podemos destruir eles. — insistiu.

E novamente o som das portas, só que dessa vez não eram as portas dos armários, e estavam sendo abertas ao invés de fechadas.

—Se eu fosse você — a voz de Shisui ecoou pelo o lugar, levando ambos os seis garotos a se virarem instintivamente na direção de onde vinha a voz. O maníaco segurava a bola vermelha de queimada numa mão, e uma maçã verde mordida na outra. — Eu não contava com isso, Rapunzel — e então ele sorriu, esboçando dentes perfeitamente brilhantes num sorriso perverso.

O Hyuuga estreitou os olhos e antes que tivesse a chance de protestar,fora interceptado por uma bolada na cabeça, caindo no chão.

—Mas que porra...

—Eu tinha certeza que o Sasuke não seria suicida ao ponto fazer aquilo. — Indra cantarolou, voltando sua atenção para o caçula, que estava fortemente corado e encolhido, como uma gazela amedrontada prestes a ser devorada. — Não importa com quem você esteja trepando, você nunca vai deixar de ser um cuzão. — exclamou o irmão mais velho, que parecia suspeitosamente calmo demais.

—O que vocês querem? — perguntou o caçula, acuado e gaguejante. — Eu já aprendi a lição, sério. Vocês não gostam de talarico, eu entendi, sério...

—Por que você está tremendo tanto, Sasukinho? — Shisui provocou, sorrindo ainda mais. — Você nem sabe o que nós queremos aqui.

—É óbvio que eu sei! Vocês querem me espancar, só para variar!

—Já ouviu aquele famoso ditado...Quem não deve não teme? — Indra aproximou-se deles, estreitando os olhos na direção do Sabaku e Parker. Aqueles idiotas ainda achavam que podiam contra eles? — Nós informamos ao diretor que você estava sofrendo bullying nas mãos dos seus colegas de quarto.

—Isso é calúnia! — esbravejou Klein, estupefato. — Vocês são mesmo uns tremendos filhos da puta...

—Cala a boca, Hitler — Shisui arremessou a maçã mordida na cabeça dele. — Isso é assunto de família e nem você e nem seus viadinhos tem que se meter onde não devem.

Como eu estava dizendo... — Indra sorriu largamente na direção do irmão mais novo, antes de desferir um soco na boca do estomago do mesmo. — Você querendo ou não é um Uchiha e seu lugar é ao nosso lado, por mais que repudiemos essa idéia, então, você gostando ou não, agora irá dormir com a gente. Está me ouvindo? E cada vez que você tramar pelas nossas costas, você e seu rebanho de viadinhos irão apanhar até virarem homens. — dito isso o arremessou para o chão, envaidecido. — Quanto ao resto... Apenas aguardem a fogueira. — ele piscou antes de gesticular para que Shisui o seguisse para fora do vestiário.

"Onde está Odin quando precisamos dele?" foi tudo que Sasuke conseguiu pensar, revoltado com aquela história. Não era possível que eles fossem tão cretinos.

SEXTA-FEIRA

NOITE DA FOGUEIRA

As garotas riam energicamente, olhando-se no espelho do quarto. Estava quase tudo pronto para a maior fogueira do ano e elas não podiam estar mais ansiosas, visto que o tema era exatamente o que elas vinham brigando já há algum tempo para o jonsok.

—Graças a Deus o tema desse ano é viking — celebrou Tenten, que estava usando uma armadura feminina, semelhante ao do seriado que assistia e seus cabelos estavam trançados para trás, assim como o de Karin, Sakura e Karui.

Quanto a Temari, preferia usar os cabelos soltos mesmo e Karui havia-os prendido em um rabo de cavalo alto, Hinata havia trançando seu cabelo em dois e por último havia uma Ino bastante contrariada, também de cabelos soltos, com um elmo de chifre na cabeça, tal como Sakura.

Karui, como havia prometido, estava vestida como a deusa nórdica da beleza, Freya e estava realmente divina sob aquelas vestes de tecido nobre, já Sakura usava um vestido curto marrom de couro e longas botas vikings, além de usar o elmo.

A penetradora de olhos perolados, como fora apelidada pelas amigas após elas descobrirem que a mesma estava envolvida com Indra, estava vestida como uma princesa medieval, cujo tecido era da mesma cor que seus olhos. E por último, Temari e Ino usavam espartilhos de couro marrom e saias curtas marrons, além de botas.

—Nunca me senti tão vulgar em toda minha vida. — balbuciou a loira, olhando para os seios que pareciam ainda maiores naqueles trajes.

—O seu namorado não se incomoda de vê-la usando essas roupas, Ino? — perguntou Karin curiosamente. — Porque os penetradores têm fama de serem bastante ciumentos e tal.

A loira engoliu em seco, pigarreando. Embora Sasuke, através das mensagens, afirmasse deliberadamente que Itachi havia tido um ataque de pelanca ao vê-la supostamente se agarrando com ele, ela simplesmente não conseguia acreditar. Para ela aquilo não passava de um ledo engano.

Ela era mesmo tão lerda quanto o penetrador vermelho quando o assunto tratava-se do óbvio.

—Sasuke é homem o suficiente para não ficar inseguro com as minhas vestes. — afirmou, fazendo uma careta diante de suas palavras, era mesmo uma idiota. O que estava dizendo? — Será que podemos mudar de assunto agora, por amor a Odin?

—Claro. — Karin estreitou os olhos, ainda bastante desconfiada, contudo não disse nada. — E sobre o Shisui, para quem diabos ele vai dar aquela jaqueta?

E assim, logo o sexteto voltou a entreter-se com a história da jaqueta, enquanto a loira revirava os olhos. Ela já estava de saco cheio daquele trio de satanás. Era penetradores pra cá, penetradores pra lá. Será que só existiam eles de garotos no Lycée?

LYCÉE

Itachi entornou a terceira garrafa de vodka, desviando da multidão enlouquecida de pessoas que pareciam determinadas a esmagá-los. O colégio estava uma verdadeira louca e todas as barracas já haviam sido previamente montadas, além disso, as bebidas deveriam estar sendo batizadas naquele instante. Ele respirou fundo, jogando a garrafa de bebida alcoólica no chão e retornou sua caminhada, acelerando os passos e ignorando os gritos repreensivos de Kakuzu.

Ele estava emputecido, é claro. Não acreditava que logo o patinho feio havia conseguido fazer o que ele vinha planejando há amargos meses! Parecia um cruel e irônico castigo divino. Fodam-se os deuses, pensou, revoltado.

Cantigas bárbaras entoavam pelas caixas de som em um remix insano, que mesclava musicas atuais americanas com alguns outros ritmos até então desconhecidos pelo penetrador.

—Mas que cara de derrota é essa? — Shisui surgiu ao seu lado, parecendo a versão norueguesa de Hades. — Ainda ta putinho com o lance da nerd?

Pela maneira sádica e frívola que seu irmão lhe encarou, o penetrador verde recuou, pensando cuidadosamente sobre o que diria para não receber um soco surpresa.

—Eu não consigo acreditar que eles estão namorando. — fez uma pequena pausa, esperando pela interrupção do outro, que veio. Itachi o cortou — Chame de ciúme se quiser.

—Mas é ciúme, seu cabeça de vento. Por que você não acredita que nosso irmãozinho cabaço esteja namorando? É por que é a Ino?

O penetrador vermelho estava prestes a retrucar, quando a voz do Akasuna soou próxima a eles.

—Eles não estão namorando.

Sasori sorriu presunçosamente, encarando Itachi da cabeça aos pés e o penetrador vermelho estreitou os olhos.

—O que é que você sabe, seu fofoqueiro infernal?

O jogador de hóquei dera de ombros, ajeitando o elmo de chifres.

—Eu estava na sala ajudando os preparativos para a fogueira — começou ele, diminuindo os passos gradualmente e sendo imitado pelos penetradores. —quando a Karin e as garotas desafiaram Ino a roubar a sua jaqueta e a exibir como troféu na noite de hoje. — ele fez uma pequena pausa. — Se você quer saber, eu vi a hora que ela chegou e ela parecia meio perdida. E depois disso, vocês chegaram e foram para o quarto, não sei o que aconteceu. Mas meu palpite mais óbvio é de que o Sasuke e ela tenham brigado pra ver quem ia ficar com a sua jaqueta e os gritos acordaram todo mundo. — finalizou.

Itachi fungou uma risadinha de deboche, enquanto aos seu lado, Shisui absorvia as palavras proferidas por Sasori. Realmente, aquilo fazia sentido – muito sentido, na verdade.

—O que você ganha com isso? — ele não era idiota, tratando-se do Akasuna, já era de se esperar que ele fosse exigir algo em troca.

—Vamos deixar em aberto. — sugeriu o ruivo, acariciando os fios avermelhados. —Só quero dar uma dica de amigo, Itachi. Por que ao invés de descontar seu ódio dos outros no seu irmão,você não o traz para nosso lado? — questionou o ruivo.

—Ele já está. — Shisui fora mais rápido. — Indra convenceu Inoichi a deixá-lo em nosso quarto porque estava sofrendo "bullying" dos demais garotos — explicou, rindo.

—Já é um começo. — e então ele se afastou, procurando por mais bebidas.

Para trás, Itachi olhou demoradamente para o irmão mais novo.

— Eu tive uma idéia e você vai me ajudar.

—Eu tenho escolha?

—Não.