Promessas da Paixão pertence a Anna DePalo
CAPÍTULO SEIS
Qualquer esperança que tivera de que o abraço da semana anterior fosse uma aberração se evaporou com o calor do beijo.
Queimou as pontas de seus nervos, dançou pela superfície da pele e se concentrou como uma necessidade palpitante entre suas pernas. James segurou-lhe a cabeça, virou a boca e aprofundou o beijo, dando-lhe sua língua.
Superfícies duras como rocha pressionaram seu corpo e a boca tinha o gosto de vinho e homem.
Era como ser consumida, Lily sentiu. Desamarrada, exposta e completamente devorada com prazer.
Um gemido baixo, lhe escapou... e um momento depois ouviu um assobio de encorajamento.
Foi trazida de volta à terra de forma abrupta.
Empurrou James e seu olhar encontrou as expressões divertidas de dois dos garçons.
Evidentemente, ela e James tinham lhes fornecido diversão gratuita.
Comprimiu os lábios. Deveria dar um exemplo para seus funcionários, não se envolvendo em brincadeiras adolescentes.
Tocou o braço de James e disse com voz forçada:
— Venha comigo.
Sabia que havia um estúdio do outro lado da entrada para a cozinha e provavelmente estava vazio, já que a festa se realizava principalmente fora da casa.
Foi à frente e, uma vez dentro, fechou a porta.
Lâmpadas de mesa emitiam um brilho quente e dourado, iluminando um aposento decorado em tons escuros, do marrom das poltronas de couro ao cinza do sofá em frente à lareira.
Enfrentou James.
— Então o desempenho de hoje é seu ponto final de um plano cuidadosamente elaborado para arruinar minha vida?
Ele ergueu as sobrancelhas, a expressão serena. Ela começou a contar com os dedos.
— Vejamos. Semana passada, você me informou que meu noivo estava me traindo. Esta semana, você me agarra para uma exibição adolescente diante dos meus funcionários.
Ele teve a audácia de sorrir.
— Precisava da sua atenção — disse. — Tive sucesso.
Ela ignorou a trepidação no estômago.
— Tenho escolhas, você sabe.
Que importância tinha se parecia na defensiva? Toda a conversa era ridícula.
Não podia acreditar que estava discutindo a possibilidade de ter um filho com James Potter.
Como sua proposta era tão absurda, tinha dificuldade de encontrar uma forma sã de recusá-la. Assim, ao invés de falar das questões mais importantes, como a total incompatibilidade entre eles, foi direto ao ponto.
Olhou para ele com frieza.
— Hoje é possível comprar um vidro de esperma pela Internet. Por que precisaria de você quando sou capaz de ficar grávida sozinha?
Ele olhou firme para ela.
— Você realmente quer ser mãe solteira?
O que realmente queria era ser amada de verdade, pensou, mas ignorou o pensamento.
— Posso mandar congelar meus óvulos até encontrar alguém.
— A tecnologia de congelamento de óvulos ainda é experimental. Além disso, você poderia ter de esperar anos para ser mãe.
Surpreendeu-se de ele saber sobre congelamento de óvulos, mas supôs ter lido uma reportagem em algum lugar.
— Eu seria um pai para seu filho. Para nosso filho — continuou. — Hoje. Amanhã.
Maldito. Estava lhe oferecendo tudo o que queria numa bandeja de prata. Bem, quase tudo.
Seu tolo coração doeu e automaticamente tentou protegê-lo. Recentemente ele não parava de disparar
— O que você ganha com isso? — perguntou, desconfiada.
— Com alguma sorte, um filho, um filho que algum dia vai herdar a Evans REH.
Ela franziu as sobrancelhas.
— Então qual é a diferença entre você e Amos? Ele tinha motivos ulteriores que envolviam a posse do dinheiro de Evans REH e você também.
A expressão dele era de quem se sentira insultado.
— Em primeiro lugar, estou sendo honesto com você. Nosso casamento traria vantagens para nós dois. Segundo, não quero Evans REH para mim mesmo. — Sacudiu os ombros. — Mas ficaria feliz se um filho nosso recebesse essa herança.
Ela se surpreendeu por ele não alegar que tinha direito de tomar posse da Evans REH por haver contribuído consideravelmente para seu sucesso e, com relutância, admitiu que era um ponto a seu favor.
Ao mesmo tempo, sabia que tinha de terminar tudo agora, porque seu coração ferido não aguentaria mais nada.
Passara toda a vida tentando criar uma identidade para si mesma, diferente da de herdeira da Evans, a filha do magnata do ramo imobiliário Marcus Evans.
Tinha sido um esforço fútil, mas odiava a forma como sempre voltava ao mesmo padrão, particularmente agora.
Pegou a maçaneta da porta.
— Preciso voltar agora.
James deu um passo à frente, seu olhar intenso.
— Lily...
Nesse momento, porém, a porta foi aberta e ela deu um passo para trás, a mão largando a maçaneta. Um de seus funcionários, vestido como um médico da década de 1930, completo com espelho na cabeça e suspensórios, surgiu na soleira.
— Aqui está você! — disse. — Todos nós estávamos procurando você. Sue quer saber onde fica o outro freezer de Marlene Black.
Olhou mais uma vez para James.
— Preciso ir.
Então deixou a sala. Não estava fugindo... ou assim tentava se convencer.
— Ele o quê? — perguntou Marlene Black.
— Ele me pediu em casamento — repetiu Lily. Dizer as palavras apenas as tornavam um pouco mais reais. Ela se recostou nas almofadas do sofá e colocou a xícara de café sobre a mesa ao lado. Ainda estava de pijama, tendo se permitido o luxo de dormir até tarde depois de ter trabalhado na festa dos Black. Marlene riu.
— Bem, pelo menos foi um trabalho rápido. Semana passada, livrou-se de seu noivo, e esta semana pede você em casamento!
— De certa forma.
Contara a Marlene sobre a traição de Amos e o papel de James em informá-la do que acontecia. Não mencionara o beijo em seu apartamento porque, disse a si mesma, considerara ter sido uma aberração.
Mas não havia meios de considerar uma proposta uma anomalia ou fantasia de sua imaginação, embora tivesse tentado na noite anterior. Se tivesse tido sucesso, seria capaz de ignorar as estranhas tentações que estava sentindo. E quando Marlene havia telefonado naquela manhã para discutir a festa, não conseguira deixar de contar à amiga sobre a real diversão da noite anterior.
— Devo admitir — disse Marlene — que ele é lento enquanto não passa pelo portão, mas depois sabe muito bem como agir para compensar o tempo perdido. Ele a conhece, o quê? Há dez anos?
— Tanto tempo assim? — respondeu.
— Então, o que vai fazer? — perguntou Marlene.
— Está brincando? Nada! Caso você não tenha notado, passei a última década detestando James Potter.
— Há uma linha muito fina entre amor e ódio.
Como se eu não soubesse. Os últimos dias tinham sido reveladores para ela. Pensara que amava Amos e descobrira que nem mesmo o conhecia direito. E Pensara que detestava James e descobrira, bem... Mas não queria discutir o assunto com Marlene.
— De qualquer maneira, não preciso dele. Estamos no século XXI. Tenho opções. Exceto que, naturalmente ele me chamou a atenção para isso com muita consideração, aceitando sua proposta não terei apenas um doador de esperma, mas um pai dedicado.
— Ele tem razão nisso.
— Muito obrigada.
— Só estou dizendo. Tenho três filhos e, acredite, há dias em que gostaria de me clonar.
— Humm.
Um zumbido soou, indicando que havia outra chamada no celular. Removeu o fone do ouvido para verificar na tela e reconheceu o número de James. Ao longo dos anos, tiveram contatos telefônicos ocasionais sobre assuntos da diretoria da Evans REH, assim não estava surpresa por ele ter seu número.
Falando ao telefone de novo, disse a Marlene:
— Você não vai acreditar, mas é James na outra linha. Posso falar com você mais tarde?
— Claro! Conte-me o que está acontecendo. Vou morrer de vontade de saber se ele lhe causou outros choques. Sirius é tão maçante!
Quando terminou de falar com Marlene e virou para a outra chamada, disse sem necessidade:
— Alô?
— É James.
— Suponho que está ligando para negar seu momento de insanidade na noite passada — disse e afetando um tom entediado, embora experimentasse a emoção de um piloto de asa delta. — Bem, não é preciso se dar ao trabalho...
— Na verdade — interrompeu secamente —, estou ligando para contratar seus serviços para uma festa.
Ela suspirou.
— Sinto-me obrigada a lembrar-lhe que, como sua esposa, você teria meus serviços de graça. Assim, estou confusa. Você resolveu garantir suas apostas?
Ele riu.
— Certo, você me pegou. Meu plano diabólico é forçá-la, de uma forma ou de outra, a me preparar uma festa de graça sempre que eu quiser.
— Tenho uma novidade para você — disparou de volta. — Dificilmente seria uma festa.
Ele riu de novo.
— Acho que consigo lidar com você.
Uma onda de calor a percorreu.
— Estou realmente telefonando para contratar seus serviços — insistiu ele. — Estou pensando em dar um coquetel para alguns associados nos negócios daqui a uma semana.
— Oh.
— Você está disponível?
— Preciso ver minha agenda.
Já sabia que estava livre.
— Tinha pensado em usar a firma que geralmente contrato, nada extravagante, mas depois de vê-la em ação na noite passada preferi contratar você.
— Não cobro barato.
— Quer realmente ouvir minha resposta?
— Você é persistente.
— É meu nome do meio. E como pode resistir à oportunidade de provar para mim como você é boa? — disse ele, a voz baixa e macia como seda.
O danado sabia como atingi-la. Em voz alta, disse com vivacidade:
— Temos que discutir o que você quer e lhe mandarei meu contrato padrão.
— Excelente.
Quando desligou a chamada de James, imediatamente pensou que iria se arrepender de aceitar o compromisso.
Entretanto, antes que pudesse lidar com a ansiedade, o telefone tocou de novo, ao som de That's What Friends Are For.
Abriu o celular.
— Alô, Marlene.
— E então? — perguntou a amiga. — Como foi? Decidi que telefonar era melhor do que morrer para descobrir.
— Ele quer me contratar.
— Contrate-uma-esposa?
— Não, outra coisa. Ele quer que eu promova uma festa para ele. Não sei mais se o desejo dele é por mim ou pela Occasions by Design.
— Bem, dou-lhe nota alta por originalidade. É melhor do que desejar os milhões de Evans REH.
Na verdade, James a mantinha tão desequilibrada, pensou Lily, que não tinha certeza do que ele realmente queria.
Enquanto contava tudo a Marlene sobre seu telefonema com James, também compreendeu que, por uma vez na vida, podia ver um lado positivo em ser perseguida pelo seu dinheiro por homens como Amos: ao menos sabia o que esperar.
Lily chegou à mansão de James em Pacific Heights às quatro horas, numa brilhante tarde de sexta-feira. Dera a si mesma três horas para preparar tudo antes que os hóspedes viessem.
Do meio-fio, olhou para a impressionante fachada Queen Anne da casa, parcialmente protegida da rua por uma alta cerca e um jardim fronteiro muito bem tratado.
Quando James lhe dera seu endereço pelo telefone na semana anterior, para que pudesse mandar entregas para a festa, não pensara sobre sua localização em Pacific Heights.
Agora, porém, ficou surpresa por descobrir que ele vivia numa casa majestosa, completa com frontões, alas e torres.
Ficou encantada, a despeito de si mesma.
Durante os anos em que o conhecera, fizera questão de não ser curiosa sobre James. Quanto menos soubesse sobre ele, mais podia simular que ele não a afetava. E como haviam combinado os detalhes da festa desta noite por telefone e fax, ela nunca tivera a oportunidade de conhecer sua casa até hoje.
Na verdade, sentira-se aliviada pela comunicação indireta. No momento, achava que não conseguiria ter outro encontro face a face com James.
Mas sabia que a trégua estava prestes a terminar.
Enquanto alguns de seus funcionários descarregavam suprimentos de uma das vans da Occasions by Design, James chegou em seu carro esporte prata. Viu-o estacionar junto à calçada. Segundos depois, ele apareceu, erguendo os óculos escuros para o topo da cabeça.
Observou-o em seu terno azul-marinho e notou que tinha cortado o cabelo, já curto, que agora emoldurava seu rosto totalmente másculo.
Ele parecia animado, sexy... espetacular.
Seu corpo vibrou com a energia. Era uma reação à qual estava se acostumando agora que sabia como ele era capaz de fazê-la vibrar com seus lábios e mãos.
Mas estava determinada a resistir. Esta noite seria apenas de mais um sucesso para a Occasions by Design. Nada mais.
Disse a si mesma que estava ali apenas porque tinha uma data livre na agenda para produzir a festa. Naturalmente, depois do desastre que fora Amos, e se perguntava como pudera ter sido tão cega, também era possível que estivesse se tornando mestra em enganar a si mesma.
Por sorte seus pais não estariam presentes esta noite, assim a pressão seria menor por esse lado. Sua mãe lhe dissera que haviam recusado o convite de James por causa de um compromisso anterior.
— Oi — chamou James, seu olhar percorrendo-lhe o corpo.
Sentiu o olhar como um selo quente e passou a mão sobre uma ruga em sua calça comprida. Estava vestida com um conjunto que adorava, uma blusa azul cor de flor de milho, enfeitada de contas, calça negra de seda e sandálias Christian Louboutin, mas de repente se sentiu consciente de seu corpo, tímida e tensa.
Para disfarçar sua agitação, mostrou a mansão diante deles.
— Não é bem o lugar onde imaginei que você morasse.
Um sorriso lento se espalhou por seu rosto enquanto ele se aproximava mais dela.
— Vou adivinhar. Você esperava um apartamento de cobertura para solteiro.
Ela acenou.
— Pensei ter ouvido meu pai mencionar há algum tempo que você morava em algum lugar no centro da cidade.
— Desisti da cobertura há dois anos. — Ele deu de ombros. — Queria mudança. E este lugar me permite receber numa escala maior. Mas ainda é um trabalho em execução.
— Há dois anos? — perguntou. — Não foi por essa época que você foi promovido a presidente de Evans REH?
Mostrava antagonismo ao sugerir que o dinheiro Evans lhe permitira ter um endereço de luxo em Pacific Heights, mas não pôde evitar.
Faria qualquer coisa para afastar de si o calor de seu olhar. Sentiu que se transformaria em chamas bem ali na calçada.
— Vamos apenas dizer que o mercado imobiliário estava muito bem na época — respondeu ele com calma. — Para a Lilkit Investments e para a Evans REH.
— Só presumi que uma cobertura estaria mais de acordo com você — disse em tom mais conciliador. — Você deve ficar perdido em todo esse espaço.
Um sorriso enigmático brincou em seus lábios!
— Tentando encontrar indícios, na minha escolha de propriedade, de que não sou o tipo de criar raízes? Desculpe desapontá-la.
— Na verdade — disse ela —, pensei que você desfrutaria a vista do alto de uma cobertura, olhando para baixo, para nós, mortais inferiores.
Ele riu e então murmurou:
— Acho que você não tem a menor ideia do que eu desfrutaria, Lily.
Lily compreendeu que não estavam mais falando sobre propriedades, ou mesmo da seriedade de seu pedido de casamento.
Uma visão dos dois fazendo sexo em lençóis desarrumados surgiu em sua mente. Como num reflexo, sacudiu a cabeça para clarear os pensamentos.
— Alguma coisa errada? — perguntou, a expressão divertida e conhecedora.
Ela se virou.
— Preciso supervisionar a cozinha, já que não há muito tempo. Estou aqui para promover uma festa, lembra?
— É claro — murmurou enquanto ela se virava. — Por que mais você estaria aqui?
Seu comentário enigmático quase a fez perder o ritmo da caminhada, mas forçou-se a continuar andando.
A pergunta ecoou em sua mente. Por que mais ela estaria aqui?
Está aí mais um capítulo e desculpem pela demora. Obrigada pelos reviews. Obrigada a Deby, Mel Itaki, Ninha Souma, NikiCooper, Paola.
Espero tenha gostado do capítulo e até o próximo capítulo, espero não demorar muito, kkkkkk.
