Capítulo VI - No Mundo da Lua

- O que o entristece? - Sesshoumaru perguntou ao humano, ligeiramente curioso.

Hitomi demorou a responder, ocupado com a difícil tarefa de traduzir informações que um dos computadores lhe passava.

- Não é nada...

- "Nada" é assim tão ruim? - Sesshoumaru voltou a perguntar.

Hitomi suspirou e se afastou do computador. Caminhou até onde Sesshoumaru estava, à frente do meteorito.

Ninguém tinha permissão de Sesshoumaru para entrar em sua espaço-nave, portanto ambos geralmente conversavam no acampamento montado para os cientistas.

- É, talvez seja sim.

- Devo ajudar o amigo Hitomi?

- Obrigado, Sesshoumaru, mas não poderá fazer nada por mim. - Hitomi sentou-se na areia - São apenas assuntos humanos, não deve se preocupar. E você não disse que deve ir embora assim que possível? Vamos nos preocupar apenas com isso.

- O amigo Hitomi muda de assunto para me despistar. - Sesshoumaru andou alguns passos, apreciando o contato das ondas do mar em seus pés descalços - Não gosto daqueles humanos. - referia-se a alguns políticos que haviam se encontrado com Sesshoumaru há dois dias - Acham que sou... como vocês dizem? "Burro". Consigo enxergar a alma humana. E a alma deles é suja...

- Sim, Sesshoumaru. Eles querem que eu descubra como ter o controle sobre você e, conseqüentemente, sobre o mundo todo. - Hitomi acabou dizendo.

- O amigo Hitomi vai obedecer?

- Vou fingir que sim. - o cientista sorriu, piscando o olho de forma inocente.

- O amigo Hitomi tem um bom coração. - Sesshoumaru voltou-se para olhar o humano - É difícil encontrar um coração como o seu neste planeta. - houve uma pequena pausa, enquanto a "porta" da espaço-nave se abria para Sesshoumaru passar - Eu vou ajudar o amigo.

Hitomi, admirado com o interior da espaço-nave de Sesshoumaru, demorou a entender o que o extraterrestre queria dizer.

- Não, Sesshoumaru. Você vai acabar provocando uma guerra. Pode se machucar...

- Este Sesshoumaru não conhece o sentido da palavra guerra. - e a porta da nave se fechou.

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Sesshoumaru não saiu de sua espaço-nave por uma semana.

Certa manhã, a porta da nave se abriu sem rangidos, revelando a Sesshoumaru um sorridente Hitomi, que o esperava:

- Presumo que saiba das novidades, Sesshoumaru...

- Sim. - Sesshoumaru ergueu os olhos para o céu nublado. Não parecia muito animado com as "novidades". Mas Hitomi pareceu não perceber.

- Será um amigo seu? - o cientista perguntou, ansioso.

- Pode-se dizer que sim.

- Ele vai querer ficar?

- Não. Ele vem me buscar.

- Já? - Hitomi questionou, surpreso - Pensei que ia demorar a voltar para casa, Sesshoumaru.

Sesshoumaru encarou os olhos de Hitomi ao responder calmamente:

- Eu não tenho mais "casa".

Chocado, Hitomi tentou se corrigir:

- Oh, me desculpe... Sinto muito, eu não...

- Você não sabia disso. De qualquer forma, aquele meteorito está trazendo uma grande ameaça para este planeta. Devo ir embora, antes que ele chegue. É o melhor a se fazer.

- Por que?

- Quais foram os resultados obtidos em sua pesquisa, Hitomi Kagewaki?

- Ahn... - Hitomi pegou uma prancheta com papéis de cima da mesa, mas antes que pudesse explicar, Sesshoumaru continuou:

- Meu corpo,... se é que pode-se chamar assim,... ele é perigoso. O amigo Hitomi não deve mais se aproximar de mim. Tem... coisas perigosas para a vida humana.

- Eu não me importo. - respondeu Hitomi, sério.

- O que aconteceu com o amigo Hitomi para ele não dar valor à própria vida?

- Sesshoumaru, não importa o que aconteça, quero ir embora com você. Não quero... não posso continuar neste mundo...

Hitomi parecia estar falando muito sério. O cientista estudava Sesshoumaru há mais de meses, mas estava insatisfeito;

Sesshoumaru caminhou para dentro da tenda que protegia os equipamentos científicos do vento e dava espaço para os cientistas trabalharem.

- Qual é sua resposta, Sesshoumaru?

Sesshoumaru demorou a responder:

- Um humano pode não resistir à longa viagem que pretendo empreender.

- Se ele vai, também quero ir. - disse uma voz feminina ansiosa. Era Rin.

- Rin... Você também? - Hitomi estava surpreso.

Vários cientistas viraram-se para eles, curiosos com o conteúdo da conversa.

- Um dia, quando vi os olhos dele... - ela se referia ao extraterrestre - Eu senti que... não sei bem, mas que... precisamos de ajuda. Todos nós... Eu quero ir com ele. Quero sim! - afirmou, convincente.

Sesshoumaru esboçou um tênue sorriso. Sua face suavizou-se ao explicar:

- Vocês são humanos. Seus corpos são frágeis. Não resistirão ao espaço, à velocidade e ao calor. Suas células serão comprometidas para sempre. O sono que chamam de morte pode chegar para vocês. Não se importam com este perigo?

- Não. - os dois responderam sem hesitar.

- Estão se envolvendo em problemas. - foi tudo o que Sesshoumaru disse, antes de caminhar de volta à sua nave.

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