Gina estava adorando o novo emprego. A secretária rabugenta, Juliet, na verdade era uma pessoa maravilhosa e havia lhe ajudado muito no começo. Na verdade ela nem era rabugenta. Dizia que o convívio com o patrão é que a deixara assim. Além dela havia mais algumas dezenas de pessoas trabalhando ali, em sua maioria muito simpáticas. Juliet dizia que eram assim porque quase não conviviam com Malfoy.

Gina não tivera a mesma sorte que elas. Como era estagiária, Malfoy fazia questão de acompanhar seu trabalho de perto e por isso os dois tinham que se encontrar diariamente para que ela repassasse ao patrão tudo o que havia feito em reuniões longas e tediosas.

- Não esqueça da nossa reunião hoje, senhorita Weasley. – lembrou Malfoy passando por ela no corredor.

Gina bufou inconsciente, mas na hora marcada batia na porta do escritório do patrão. Aquela foi uma reunião particularmente longa, pois os dois discordavam em quase todas as questões. Quando se viu finalmente livre a caminho da recepção, Gina não pôde evitar de pensar que aquele realmente não era seu dia de sorte.

- Vai ficar parada aí o dia todo? – perguntou Malfoy parando ao lado dela em frente à porta de vidro.

- Está chovendo. – comentou ela sem pensar.

- Diga algo que eu não saiba agora. O que é que tem se está chovendo?

- Eu vou me molhar toda se for lá fora.

- Por Merlin, você é uma bruxa. É só aparatar. – falou ele como se fosse óbvio.

- Eu não sei aparatar. Nunca fiz o teste. E não foi porque eu não quis. – completou ela rapidamente ao perceber um sorrisinho se formando nos lábio de Malfoy. – Cancelaram por causa da guerra.

- Eu posso te dar uma carona se você quiser. – ofereceu Malfoy.

- Você dando uma carona pra mim? Uma Weasley?

- Ainda não tirei o plástico dos bancos se quer saber. Brincadeira. Vai querer ou não? – perguntou impaciente.

- E você me daria carona no que especificamente? – perguntou Gina curiosa.

Malfoy fez um movimento displicente com a varinha e um carro preto apareceu parado na entrada da empresa, protegido pelo teto comprido do prédio, que ia até quase a beirada da rua.

- Serve? – perguntou Malfoy com um sorriso diante da cara de espanto da ruiva.

- Vai ter que servir.

Gina saiu primeiro do prédio enquanto Malfoy lançava alguns feitiços na porta para impedir que qualquer um entrasse e ficou parada ao lado do carro. Malfoy desceu as escadas sem nenhuma pressa e abriu a porta para que ela entrasse.

- Onde fica a sua casa? – perguntou ele dando a partida.

- Você se importaria de passar em um outro lugar antes?

- Visitas a essa hora?

- Meu filho está brincando na casa de uma amiga e já está na hora de buscá-lo.

- Onde fica a casa?

Os dois rodaram por alguns quarteirões e as únicas coisas ditas eram as instruções de Gina. Draco estacionou em frente à casa que ela mostrou e a ruiva já se preparara para descer quando o próprio Draco se virou para pegar um guarda-chuva no banco de trás e desceu calmamente do carro. Gina ficou observando enquanto ele tocava a campainha e conversava com sua amiga. Viu brian aparecer na porta e Draco se abaixar para conversar com ele apontando para o carro. Pouco depois o loiro entrava no carro com o pequeno no colo.

- Oi mamãe. – cumprimentou ele sentando em seu colo.

- Oi querido. Como foi com a Lauren?

- Ela é bem legal, mas só tem bonecas.

Draco riu e esticou a mão para abrir o porta-luvas que estava recheado de doces. Pegou um sapo de chocolate e abriu com uma das mãos.

- Pega um também rapaz.

Brian mandou o seu melhor sorriso de agradecimento e pegou uma caixa de feijões de todos os sabores.

- Como é seu nome, tio?

- Draco.

- Draco? Que nome estranho.

- Estranho nada. – respondeu ele com um falso ar indignado. - É dragão em latim.

- Que legal. Viu mãe? Ele tem nome de dragão.

Gina riu para o filho e pegou um feijão da caixinha também. Draco estacionou o carro em frente à casa de Gina e levou ela e o filho até a porta no seu guarda-chuva.

- Obrigada. – agradeceu ela.

- Que seja. Até mais garoto.

Brian acenou freneticamente para o loiro até seu carro sumir na esquina. Mais tarde, quando Gina o colocava na cama ele ainda falava do "moço com nome de dragão".

- Agora durma senão amanhã não acorda pra ir à aula.

- Tá bom. Boa noite mãe. Boa noite Draco. – disse ele para o antigo Snugle.

DG

A parceria da DM Company com a empresa francesa ia muito bem, obrigado. Isso significava que Gina tinha muito mais trabalho para fazer do que antes e também que Draco tinha muito mais trabalho para revisar. Dessa forma os dois eram obrigados a passar mais tempo juntos. Em outros tempos isso teria sido um teste para ambos, mas depois do comportamento totalmente inesperado de Draco naquela noite chuvosa Gina cogitara a hipótese de que ele realmente havia mudado.

Os dois passavam muito tempo juntos e as reuniões se tornaram cada vez mais divertidas. Draco ainda conservava o mesmo humor ácido dos tempos de Hogwarts e Gina entendeu que o que havia realmente mudado nele não eram as piadas, mas não ligava para elas e acabava rindo da maioria e até aprendera alguma coisa com a convivência.

- Gina, me passe a página dois do seu relatório.

Draco esticou a mão sem tirar os olhos do livro de contabilidade aberto em cima da mesa esperando que Gina lhe entregasse o que ele havia pedido, mas ela nem se mexeu.

- Ei, tá me ouvindo? – chamou ele novamente.

- O que? Ah, me desculpe Draco eu não te ouvi.

- Percebi. O que é que você tem hoje?

- Amanhã é aniversário do Brian e eu não sei o que dar de presente pra ele.

- Ora, não é tão difícil comprar um presente pra uma criança.

- E o que é que você entende de criança? – perguntou ela desdenhosa.

- Muito. Eu criei meus dois filhos sozinho depois que a minha mulher morreu.

- Desculpa. Eu não queria...

- Esquece. Eu tenho uma idéia de um presente pro Brian, mas você tem que confiar em mim.

- Eu confio. – falou ela baixinho.

- Então eu passo pra buscar vocês dois hoje oito horas.

DG

Gina não sabia por que havia aceitado tão facilmente o convite de Draco, mas era tarde pra desistir. Ele estava lá embaixo tocando a campainha e Brian já corria para atendê-lo. Tinha que admitir que ele estava muito bonito de calça jeans e camisa social preta, as mangas dobradas um pouco acima do cotovelo. Aparentemente ele também estava impressionado com a ruiva e demonstrava isso na maneira como corria os olhos pelo vestido vermelho frente única dela.

- Olá Draco.

- Oi Gina. Tudo bem rapaz? – perguntou ele abaixando para pegar Brian no colo.

- Tudo. Aonde vamos?

- Não posso dizer, é segredo. Mas vai ser bem divertido, prometo.

Os três entraram no carro e Draco guiou até saírem um pouco do povoado. Entrou em uma estrada muito estreita onde não havia mais nenhuma casa, mas o fluxo de carros por ali era como o de um grande centro e havia até uma pequena fila. Ao longe era possível divisar uma enorme tenda com muitas luzes.

- O que é aquilo, Draco? – perguntou Gina.

- Mas que curiosos que vocês são. Não adianta perguntar que eu não vou estragar a surpresa.

Gina bufou exasperada e Draco voltou a atenção ao volante. Pararam em frente à tenda e um manobrista levou o carro até o estacionamento. Draco pegou Brian no colo e deu o braço para Gina antes de entrarem. Subiram alguns lances de escada até acharem as cadeiras marcadas nos convites na mão do loiro.

- Pronto seus curiosos. Chegamos.

- Aonde exatamente nós chegamos?

- No camarote do maior circo do mundo bruxo. – anunciou ele.

- Eu não gosto de circo. – declarou Brian.

- Vai gostar desse.

O espetáculo começou e todos se calaram. Depois de quase uma hora de espetáculo Gina já estava achando que aquilo tinha sido um erro. Brian se limitara a dar alguns sorrisos, mas não se animara com nada em especial. A ruiva já estava ficando com pena de Draco por todo o seu esforço, mas ele estava alheio a tudo. De repente todas as luzes se apagaram e o lugar ficou no mais completo silêncio. Uma luz se acendeu, mas iluminava apenas um homenzinho todo vestido de verde no meio da arena.

- E agora senhores, a atração mais esperada da noite.

Draco pegou Brian no colo e se adiantou com ele até a beirada da arquibancada fazendo sinal para Gina o seguir. A ruiva parou ao lado dele e não acreditou quando cinco filhotes de dragão entraram voando na tenda e passaram a poucos centímetros dos três.

- Olha mamãe, dragões. Dragões de verdade. – gritava Brian com os olhinhos brilhando.

Gina sorriu quase tão excitada quanto o filho. Abraçou Draco sem pensar e ele passou o braço em volta dela sem soltá-la até o final da apresentação. Na volta passaram em um restaurante e depois Draco deixou os dois em casa. Brian dormia a sono solto no colo da mãe e Gina se atrapalhou na tentativa de abrir a porta com o menino no colo e Draco se adiantou para ajudá-la pegando o pequeno no colo.

- Obrigada. – disse ela abrindo a porta para ele entrar.

Draco entrou, seguido por Gina e ela lhe mostrou o caminho até o quarto do filho. Colocaram Brian na cama e depois desceram até a entrada da casa novamente.

- Foi maravilhoso Draco. Não sei como vou te agradecer.

- Já agradeceu. Foi o melhor programa que fiz nos últimos meses.

Gina sorriu agradecida e Draco se adiantou dando um beijo em sua bochecha e depois atravessou o jardim até o carro. Gina acenou com uma das mãos antes de fechar a porta, mas a outra estava no local que Draco beijara.