A fraca luz do sol que adentrou o pequeno chalé já era suficiente para incomodar os sensíveis olhos de Regina. O barulho emitido pelos animais que viviam ao redor da floresta não ajudavam em nada. Os olhos da morena estavam inchados e doloridos devido ao choro compulsivo de Regina. Ela não soube com exatidão quando conseguiu adormecer. Ela sentia apenas que não tinha mais forças para chorar e seu peito estava levemente dolorido devido ao esforço que fazia em seu pranto angustiado. Só se lembra de quando começou a sentir uma enorme exaustão até que seus olhos pesadamente foram se fechando. Com os olhos ainda fechados Regina torcia para que todos os acontecimentos da noite passada não passassem de um pesadelo terrível e ainda no fundo de seu coração tinha esperanças que assim que abrisse os seus olhos ela estaria em sua cama maravilhosa e tudo o que estava vivendo nos últimos dias não passaria de um sentimento ruim que pesava contra o seu coração. Mas, a dor em seus olhos inchados a puxava para a sua triste realidade. Não era um pesadelo que vivia. Era a triste realidade de sua vida. Estava sem ninguém que realmente acreditasse em suas verdadeiras intenções. Nem mesmo o seu filho. Quem ela mais necessitava ao seu lado para que a ajudasse a enfrentar todas as dificuldades que vivia. Henry a acusava como todos os outros. Lágrimas cismavam cair, mesmo com os seus olhos estando cerrados. Não queria abri-los. Queria protelar a realidade de sua vida. Ela queria poder viver em alguma realidade paralela onde não se lembrasse de seu passado e procuraria se agarrar com todas as suas esperanças ansiando em viver uma vida normal. Não queria se lembrar de nada, pois quem sabe desde modo toda a angústia que sentia se dissiparia de seu peito.
Regina tentou protelar o máximo que pode, mas não teve jeito. Uma hora ela teria que acordar e encarar a sua realidade. Não podendo mais evitar, Regina lentamente abriu os seus olhos e as lágrimas insistem cair em seu rosto e olhou para o nada que estava ao seu redor. Aquele nada simbolizava como ela se sentia por dentro. Procurava captar todo o ar ao seu redor. O ar que havia prendido por horas dentro de seu peito e ainda não havia se dado conta. Não tinha respirado direito por horas, aliás, ela nem fazia questão de respirar. Talvez se parasse realmente de respirar todos os seus problemas seriam resolvidos. Deixaria a vida de muitas pessoas mais leve e agradável. Não fazia questão de fazer mais nada em sua vida. A vontade de desistir estava cada vez mais latente em seu coração. Havia se cansado de tanto lutar por algo que ninguém poderia suprir. Não via mais necessidade de lutar.
Não naquele momento. Não depois da rejeição que sofreu de seu próprio filho. O espectro da noite passada ainda passava e assombrava sua cabeça. As lembranças feriam seu coração. Era como se uma navalha cravasse em seu coração e a cada dia a feria mais profundamente. Henry não a amava, afinal, ele nunca a tinha amado de uma forma verdadeira e aquela contestação encheu o seu peito de angústia. Havia passado por tanta coisa nos últimos dias, porém tudo o que mantinha sua mente sã era pensar que seu filho a amava no final das contas. Mas, tudo o que queria escutar de Henry não havia passado de uma ilusão boa. De uma tonta que nunca aprenderia que o amor é a fraqueza de sua vida. Aquelas palavras revelaram sua dura realidade. A que ela tentava negar a si mesma. Será que sempre sua vida seria assim? Sendo o grande problema na vida de todos que a rodeavam. Inclusive na vida de Henry.
Sua apatia era evidente. Embaixo de seus olhos tinham uma bolsa roxa de uma olheira profunda, mas para ela isso não importava mais. Não se recordava nem da última vez que havia se alimentado direito, o apetite não era uma de suas prioridades naquele momento. Comer a fazia se lembrar dos momentos em que havia passado com seu filho. Quando ainda acreditava que sua vida poderia mudar e que poderia deixar o seu passado no lugar que ela mais queria que ele estivesse. No passado. Ainda continuava chamando Henry de filho, mesmo depois das palavras de ódio que foram proferidas por Henry. Será que ele pensava desta forma ou teria sido induzido por alguém a formular tais pensamentos? Não sabia mais no que pensar, queria apenas silenciar a sua mente que insistia trabalhar numa velocidade que ela parecia não ser capaz de suportar. Regina soltou um grito. Não aguentava mais guardar tudo dentro de si. Precisava extrapolar, mesmo que os únicos que escutaram o seu lamento foram os pequenos animais que viviam ao redor do chalé.
Ainda tinha Emma. O que fazer com todo aquele sentimento instalado em seu coração? Não queria amar, mas não tinha muito a fazer quando um sentimento já havia instalado e roubado toda atenção de seu coração. Só de pensar em Emma o seu coração já começava a bater descompassado dentro de seu peito. Não se sentia assim há mais de trinta anos e fundo esse sentimento a fazia ter esperanças no amor novamente. Mesmo sempre sofrendo em decorrência de tudo que sentia. Será que Emma havia sido honesta com ela em sua conversa? Ou ela teria dito aquelas palavras no dia do lago? Os acontecimentos com Henry a fizeram questionar novamente as palavras que Emma supostamente lhe disse.
Não muito longe dali Emma acordou com uma sensação de aperto em seu coração. Não sabia dizer como, mas sentia que Regina não estava bem. Era como se tivesse uma conexão mais profunda com a outra mãe de seu filho. Havia sido a segunda vez que tinha tido um pesadelo que envia a morena. Qual seria o motivo de Emma sonhar com Regina? Será que esses sonhos realmente aconteciam com Regina? Emma chegou a pensar na barbaridade dela em sonho ter conseguido encontrar Regina para lhe insultar, mas logo afastou essa ideia de sua cabeça. Não faria isso. Não cometeria o mesmo erro por duas vezes. E Henry nunca iria querer ferir Regina de alguma forma. Ele era o que mais estava preocupado com ela. Ele a queria perto dele, porque tinha medo que algo acontecesse com ela.
Emma ficou durante algum tempo olhando o sono tranquilo de Henry, e torcendo com todas as suas forças para que Regina estivesse bem. Cada vez mais Emma se convencia que Regina não tinha nada haver com a morte de Archie. Sentia-se mais segura para acreditar em seu coração. E ele dizia que Regina era inocente com todas as forças. Forças, aliás, que ela tentou negar a si mesma quando viu as memórias de Pongo com o apanhador de sonho. E se fosse alguém tentando tramar com Regina? Mas, quem faria isso com ela. Seria alguém que a odiasse muito, e principalmente, teria que ser alguém com magia. Mas, além de Regina apenas Rumpelstiltskin e a Azul possuíam alguma capacidade de querer incriminar Regina. Certamente necessitava iniciar uma investigação. Alguém na cidade estava querendo incriminar Regina e certamente ela descobriria quem havia feito. Afinal, ela era ou não era xerife de Storybrooke.
E para fazer uma investigação era precisaria de suspeitos. Com toda certeza Rumpelstiltskin e a Fada Azul também passariam por um inquérito. Ela não sossegaria enquanto não chegasse a uma resposta conclusiva. Rumpel poderia muito bem tê-la induzido a olhar as memórias de Pongo, para que os olhos de Emma vissem o que ele queria que ela visse. E para o senhor das trevas seria uma forma de se vingar de Regina, afinal, ele provavelmente ainda não teria perdoado tudo o que ela fez com Belle que havia ficado presa por vários anos. A Fada Azul provavelmente não teria feito nada, mas como é uma pessoa que possui algum tipo de magia, ela poderia muito bem ter se passado por Regina e cometido o crime. Qual seria o motivo que ela teria para incriminar Regina? Talvez fosse uma forma de deixar toda a cidade revoltada com Regina. Teria que ter uma conversa com Rumpel. O quanto antes.
Emma foi dispersa de seus pensamentos por Henry que estava acordando. Podia ver em seu rosto sua preocupação que ele tinha com sua mãe. Aliás, a mesma preocupação que ela tinha também. Mas, que tentava esconder de todos. Não se sentia preparada ainda para confessar que havia se apaixonado pela mulher que era para ser sua inimiga. Henry bocejando olhou para Emma, e notou em seus olhos uma grande preocupação. Não sabia sobre o que era, mas sabia de quem era. Era de sua mãe. Será que alguma coisa havia acontecido com ela? Henry pensou e ficou aterrorizado. Tentou afastar esses pensamentos de sua cabeça. Não podia ser pessimista. Ele tinha que encontrar uma forma de ajudar Regina. E ele iria fazer.
– Emma, está acontecendo alguma coisa? – pergunta Henry timidamente.
– Não meu querido. Não aconteceu nada! – responde Emma desanimada.
– Eu sei que está escondendo algo de mim. E sei que é sobre a minha mãe. O que está acontecendo? – torna a perguntar.
– Apenas um pesadelo garoto. – responde Emma forçando um sorriso para seu filho. O que ela menos queria nesse momento era preocupar Henry com seus devaneios. Ainda mais quando ele estava envolvido nisso.
– Outro pesadelo? – questiona Henry. – Isso não é normal sabia! Os mocinhos possuem habilidades para que possam ajudar outras pessoas. E você é a salvadora. Você está destinada a salvar todo mundo. Talvez você esteja recebendo pistas através de seus sonhos. Que isoladamente não podem fazer sentido, mas que se juntar com um todo você chega numa resposta. Pense nisso.
Emma apenas assentiu com a cabeça. Ela ainda se impressionava com a capacidade de percepção de Henry. Ele era um garoto especial e ela sentia muito orgulho dele. Será que seus sonhos eram então o que Regina vivia? E a mesma pessoa que poderia ter se passado por Regina facilmente poderia fazer o mesmo com ela e Henry. Sua teoria fazia cada vez mais sentido. Havia alguém disposto a quebrar Regina de todas as formas. E quanto mais vulnerável ela estiver melhor. Aquelas evidências faziam cada vez mais sentido para Emma.
