Capítulo 06 – Ciúme
O trasgo adormecido ainda descansava sobre minha cabeça quando acordei na manhã seguinte.
Tylenol é uma piada, se você quer saber minha opinião, por isso, saí da cama e peguei um frasco com poção para dor de cabeça.
Em poucos minutos o trasgo adormecido estava sentado e não mais deitado, o que logo me permitiu sair do quarto em busca de algum ser vivo igual a mim.
Procurei muito, mas tudo que encontrei foi o Potter, na cozinha, fazendo o café.
"Bom dia." – falei só por falar, já que sou muito educada.
"Bom dia, Parkinson." – falou, sem se virar – "Como está se sentindo?"
"Minha cabeça ainda dói." – peguei o jornal trouxa em cima da mesa e comecei a lê-lo.
"Tomou o remédio que o médico prescreveu?"
"Potter, remédio de trouxa não serve." – falei, enquanto lia as notícias de sempre, assassinatos, roubos, corrupção e blablabla – "Tomei uma poção."
Ele se calou e achei melhor assim, já que vi uma notícia bastante inusitada. Era a reportagem sobre a placa eletrônica que tinha me atingido, mas lá só dizia que "uma pessoa não identificada" foi atingida "sem maiores danos".
Espera...
E minha pobre cabeça? Não tinha sido atingida? Não tinha sido quase partida ao meio? Por acaso eu não tive um traumatismo craniano? Por acaso não levei dez pontos? E tudo a sangue frio ? E no final só me receitaram uma porcaria chamada tylenol?
"Potter, você viu isso?" – perguntei, colocando-lhe o jornal nas fuças, já que ele é míope e precisa de uma ajudinha.
"Ai, Parkinson! Vi sim! Fui eu quem deu essas informações."
"Você enlouqueceu? Aqui diz que a "pessoa não identificada" não foi atingida. Como assim?" – perguntei confusa e irritada.
"Parkinson, se alguém está querendo atingi-la, é melhor que você não tenha sido identificada e depois, foram ordens do Kingsley."
"E vocês não pensaram que o Augustini pode tentar contra a minha vida outra vez?"
"Ninguém realmente tem provas que foi ele." – Potter disse calmamente enquanto colocava na mesa a garrafa do café, xícaras e talheres.
"E qual a sua explicação? A placa caiu do nada?"
"Segundo os policiais, a placa já era velha e os ferros que fixavam-na à parede estavam enferrujados. Então, podemos concluir que a culpa pelo acidente é da ferrugem."
Olhei bem para ele e disse, com a voz trêmula de raiva:
"Você sabe que não foi a ferrugem, não sabe, Potter?"
Nossos olhares ficaram presos um no outro por segundos, até que ele quebrou o contato ao virar as costas e dizer:
"Eu não sei de nada, Parkinson."
Foi o bastante para que eu saísse dali. Não conseguia acreditar que ele tinha dito isso. Já vi que é impossível uma relação amigável entre Potter e eu.
Saí da casa com o firme propósito de não voltar mais.
#
E a culpa é do Ministério!
#
Ouvi a porta da frente bater com força e, chateado, sentei na cadeira mais próxima.
Novamente conseguira magoá-la.
E era muito estranho saber que me isso me incomodava.
Kingsley tinha preparado aquela reportagem com o objetivo de desestimular o agressor da Parkinson, mas eu sabia que o efeito seria o contrário. Ao ver que não conseguiu machucá-la mortalmente, ele tentaria de novo, até alcançar seu objetivo.
Por isso, agora ficarei com os olhos colados na Parkinson e para isso é melhor que ela pense que eu não me importo. Assim, será mais fácil.
#
E a culpa é do Ministério!
#
"Não, Pansy, você não pode desistir!" – a Weasley falou, revoltada.
"Eu já desisti, Weasley." – falei, cansada – "O Potter não se importa comigo."
"E desde quando a opinião do Harry sobre você é importante?"
"Não é importante."
"Então por que agora você ficou tão chateada? Você sempre agiu como se ele nem existisse!"
A Weasley tinha razão. O Potter não significa nada para mim, logo sua opinião também não deve significar.
"Você está certa."
Ela sorriu e então me abraçou, o que quase me fez gritar, odeio essa mania grifinória de abraçar os outros.
"Não desista, Pansy. Eu acredito em você."
Preferi não falar nada, porque ia matá-la se continuasse a falar essas coisas melosas que me dão vontade de chorar.
"Ta bom, Weasley." – falei, afastando-me delicadamente – "Agora vou embora, ta?"
"Certo, Pansy. Boa sorte, então!" – ela disse, quando tentou me abraçar de novo e eu saí correndo.
Mas que droga!
Por que o Draco tinha que arranjar uma namorada tão legal?
Ela me faz querer ser boa, coisa que não quero mesmo!
Preciso ir para a Base e saber se houve alguma novidade enquanto estive fora.
#
E a culpa é do Ministério!
#
"E então, Potter, alguma novidade?" - ela perguntou quando entrou na cozinha, como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse saído querendo me matar.
"Nenhuma. Mione, Rony ainda não voltaram da ronda. Megan e Edward já voltaram, mas não tinham novidades." - peguei o envelope pardo que estava na mesa e disse - "Isso chegou logo que você saiu."
Tentei disfarçar a curiosidade enquanto ela lia a carta e sorria.
"Muito bem."
"É do Augustini, não é?" - falei tentando controlar a vontade de rasgar a carta inteira.
"Não interessa, Potter." - disse, tentando esconder a carta.
Confesso que não sei o quê passou na minha cabeça naquela hora, mas só posso dizer que levantei da cadeira e, determinado, avancei na direção da Parkinson, tentando, a todo custo, arrancar a carta que ela escondia nas costas.
Depois de cercá-la por todos os lados, como um ótimo apanhador, consegui arrancar a carta das mãos dela e a cada palavra que lia me dava vontade de socar o cretino Augustini.
"Você está proibida de ir." - falei, ao terminar, entregando-lhe a carta.
"Potter, você não é meu pai!" - gritou com raiva.
"Mas sou seu chefe e professor. Assim, tenho dupla autoridade." - sorri e completei - "Você não vai."
"Eu vou sim!" - teimou, parecendo uma garotinha irritante.
"Não vai. Se for, estará suspensa." - falei, enquanto sentava novamente e pegava os pergaminhos que estivera lendo antes da chegada dela.
Ela saiu com raiva, resmungando e eu fingi que não estava ouvindo.
#
E a culpa é do Ministério
#
Esperei que o barulho na sala diminuísse.
Quando a televisão foi desligada, abri os olhos e esperei que as portas dos quartos fossem fechadas, como sempre acontecia à noite.
Cinco minutos depois eu estava de pé, empunhando a varinha, disse:
"Lumus."
Ok, eu sei que o quarto tem luz trouxa, mas, veja bem, eu também já percebi que o Potter estava me filmando. Não duvidaria nadinha se ele estivesse me esperando do lado de fora da porta, por isso evitei esse encontro e saí pela janela, como uma adolescente fugitiva.
Devo acrescentar que saí com dificuldade, uma vez que é bem difícil pular de uma janela com um tubinho preto.
Vou lembrar desse detalhe na próxima missão.
Também precisarei lembrar que usar salto agulha quando é necessário correr não é muito adequado.
Caramba, meus pés ficaram totalmente doloridos depois do primeiro metro de corrida, além disso o salto acabou quebrando e só posso dizer que tudo isso era um prenúncio do que estava por vir.
Depois de séculos, cheguei na tal Boate que o Augustini me disse para ir. A essa altura eu já estava cansada e com sono, pensei em desistir, mas não deu tempo, porque Tom Augustini me achou e veio, todo sorridente, dizendo:
"Edith! Que prazer!"
"Olá, Tom, como vai?" - falei, séria, tentando disfarçar o pavor que sentia.
"Estou ótimo!" - ele começou a falar e depois disso, foi me mostrar a boate e me apresentou a alguns amigos dele e eu não estava entendendo nada, afinal aquele cara tinha tentando me matar e agora estava todo feliz em me ver viva.
Comecei a perceber que ele estava todo galanteador e segurei o riso. Até parece que vou namorar esse cara! Ele não é feio, pelo contrário, é bem charmoso, apesar de ser uns dez anos mais velho que eu, mas não estou interessada em namorar possíveis psicopatas.
Também notei que Augustini estava tentando me deixar bêbada, se levarmos em conta, que a cada cinco minutos ele levantava e ia buscar um novo copo com whisky para mim.
E fui numa dessas saídas dele da mesa que tive o maior susto da noite quando vi Harry Potter sentando na minha frente.
Ele estava com ódio, pude perceber pelos olhos verdes que chispavam e pareciam duas fendas.
Quando o Potter ia começar o sermão, meu acompanhante voltou e quase o beijei em agradecimento.
"Ora, boa noite, Edwin! Então, você resolveu se juntar a nós!" - Augustini falou, alegremente, agora pude perceber que ele estava meio bêbado.
"Na verdade, Tom, estava dançando e vi minha irmã sozinha aqui. Ela não tinha me dito que viria aqui."
"Eu avisei, você não lembra?" - falei, tentando ficar calma, pois tinha certeza que ele ia me matar a qualquer momento."
"Não sabia que Edith precisava da sua autorização para sair." - Augustini disse em tom sarcástico que só piorou o olhar assassino do Potter.
"É óbvio que ela não precisa da minha autorização." - sorriu e levantou - "Mas se me permite, preciso falar com minha irmãzinha em particular." - ele agarrou meu braço e me puxou - "Com licença."
Agora nós estamos passando pelas pessoas que dançam, a procura de um local ermo para que Potter possa me matar em paz.
Ah, pronto, achamos.
#
E a culpa é do Ministério!
#
"Potter, solta o meu braço." - ela tentava dizer, enquanto eu a puxava para perto, mesmo que o lugar fosse escuro e sem ninguém.
Larguei o braço dela com força e então Parkinson afastou-se e cruzou os braços de frente ao peito.
"E então?" - disse, atrevida, que só me deu mais raiva.
"Você me desobedeceu, Parkinson." - falei, tentando ficar calmo.
"Eu estava investigando, Potter."
"Então, você me desobedeceu duas vezes. Já mandei você desistir dessa ideia de investigação por conta própria, depois exigi que não fosse ao encontro do Augustini."
"Você não manda em mim."
"Mando sim." - falei, com raiva.
"Olha, não me importa. Eu continuarei aqui, não importa o que você vai dizer."
"Então, eu ficarei com vocês." - falei, decidido.
"Problema seu." - disse e saiu em direção à multidão, me deixando sozinho e com mais raiva do que antes.
#
E a culpa é do Ministério!
#
"Ainda bem que você voltou, querida!' - Augustini disse, completamente bêbado - "Vamos dançar!" - e saiu me puxando na direção dos outros que estavam na pista de dança.
Durante a dança tentei arrancar alguma coisa do homem, mas fala sério, que cara chato! Só fala de computador e bolsa de valores! Merlin, estava quase estupourando o infeliz quando olhei para a mesa e vi o Potter nos observando e fazendo sinais para que parasse de dançar.
Ele já deveria saber que isso só me dá vontade de fazer o contrário, por isso, colei meu corpo com o do bebum mais próximo e iniciei uma dança sensual mais parecida com um ritual de acasalamento. O Augustini ficou bem animadinho, se levarmos em consideração o beijo que ele me deu logo quando a dança acabou.
Quando o beijo terminou, olhei para a mesa e tudo que vi foi o Potter indo embora soltando fogo pelos ouvidos.
Agora sim estou acabada.
#
E a culpa é do Ministério!
#
Quando cheguei na Base ela ainda não tinha voltado. Possivelmente ainda estaria com o tal Augustini, fazendo sabe-se lá o quê!
Sentia um fogo no peito, uma vontade insana de sair quebrando tudo pela frente, mas me contive.
Não poderia ser verdade que eu estava com ciúme da Parkinson.
Quero dizer, é a Pansy Parkinson! A cara de buldogue! A sonserina que quis me entregar ao Voldemort! Como eu poderia estar apaixonado por ela?
Isso só pode ser uma doença mental. Eu sabia que aqueles anos morando no armário embaixo da escada na casa dos Dursley ainda ia me trazer consequências.
Fui para a cozinha e procurei a bebida mais forte possível. Depois de horas procurando só encontrei leite! Pelo amor de Deus! Nós somos maiores de idade e só temos leite em casa, que coisa ridícula!
Peguei a caixa de leite mesmo assim e bebi vários copos, pensando na minha vida infeliz e ridícula. Quer dizer, eu sempre quis auror! e agora eu sou! Mas olha que engraçado: na primeira missão eu me apaixono pela minha maior inimiga!
É uma coisa tão ridícula que comecei a rir descontroladamente, mais um sinal de que minha mente não está em ordem.
Quando me acalmei vi que não estava sozinho: Pansy tinha chegado, talvez atraída pelas minhas risadas descontroladas, foi para a cozinha e agora me olhava assustada.
"Você está bem, Potter?"
Não respondi. Apenas fiquei observando o rosto dela, como nunca fizera antes, entendendo todos os sentimentos dos últimos meses.
"Você bebeu?" - ela perguntou, olhando para o copo que estava em cima da mesa e isso me deu vontade de rir, mas não o fiz, porque, valendo-me dessa desculpa, levantei. Andei lentamente até o lugar em que ela estava, sem desviar o olhar do seu rosto e então, sem pensar, nem por um instante, nas consequências, colei seu corpo ao meu e, beije-lhe os lábios.
#
E a culpa é do Ministério!
#
Nota da Autora: Oie! Ah meu God! Querem me matar? Mas eu adogo terminar capítulos assim! HiHiHi Espero que gostem e desculpem a demora!
Perdoem também os erros, escrevi isso no wordpad na maior pressa! Agradeço todos os comentários!
Beijos,
Manu Black
