Olá pessoal! Mentira, não tô tão animada assim, e não consigo levantar o "auditório" hoje. E é só pela preguiça. Mesmo. O capítulo está pronto há uns quatro dias, mas pra não quebrar a regra, estou postando hoje. Só pra lembrar: Este é mais um projeto clichê de minha autoria. Não é algo comum, como um simples romance, e não está completo, portanto é provável que ele mesmo decida os caminhos por onde vai passar, e não eu. Está cheio de lacunas, prováveis erros cronológicos e coisas assim. Não tenho nem ideia de onde isso vai parar, e pra início de conversa, isso era apenas um "piloto" pra ver se ia pegar; Leiam por sua conta e risco! Agradeço aos comentários e a presença de todos. Isso, além do enredo prestar no fim das contas, é uma das coisas mais gratificantes para quem escreve.

Enfim, aqui está o capítulo. Espero que gostem!


Crossing Lines


Chapter 06 – For Your Entertainment

— Mas será possível? Que droga!

Praguejou no meio da penumbra que tomava o ambiente. O outro olhou na direção da voz, notando que pelo fato de entardecer, o mais novo deveria estar tendo algum problema para enxergar as coisas. Pelo som, havia derrubado algum objeto.

— Jared... Jared?

Ele não respondera. Ainda chovia, e o som irritante da chuva batendo contra o telhado incomodava de certo modo. Puxou com descaso o pincel com o qual pintava as vigas de madeira do teto, respingando um pouco de tinta na própria roupa, praguejando. Deixou sobre a lata e foi atrás dele, tropeçando em algumas coisas no processo. Quando o viu, ele segurava uma das mãos.

— O que aconteceu?

Perguntou.

— Não foi nada.

— Sério, deixa eu ver. — disse, se aproximando e tomando-lhe a mão — O que diabos foi isso?

— Eu não sei... Parecia um metal, um prego talvez... Quando trouxe o pincel de volta, minha mão se cortou.

Contou, gesticulando, mostrando exatamente o que e como acontecera.

— Acho melhor dar um jeito nisso.

— Qual é... Eu tô bem, não foi nada...

Puxou a mão. Logo ouviram passos.

— Jay? Jen?

Era a voz de Tom. O moreno foi em direção a ele, quem acabara de subir os últimos degraus da escada.

— O que foi isso? Sua mão tá sangrando!

— Eu só... cortei na parede. Acho melhor voltarmos amanhã, quando estiver claro.

Disse, olhando em direção a Jensen e depois voltando-se novamente à Tom.

— Já arrumaram a fiação... Se quiser, pode acender. Mas acho realmente que antes de continuar com isso, tem que dar um jeito na mão... Vou descer e trazer o kit de primeiros socorros.

Antes que pudesse apresentar alguma objeção, ele já tinha sumido. Jensen acabara de acender as luzes, dando realmente a dimensão do lugar, que se tornara ainda mais bonito com a arrumação de algumas horas.

— Ele se importa mesmo com você, não é?

O mais velho disse, voltando ao que fazia antes, já que faltava pouco para concluir seu trabalho.

— É um grande amigo. Pra você também. Vejo que tem muitas afinidades.

— É, ele havia sumido um pouco, mas agora que todos vão morar aqui, bem, acho que não vai ficar tão longe...

— E Cillian? — perguntou, vendo-o parar de pintar e voltar-se à sua pessoa — Ele não faz parte do time. O que vão fazer?

— Eu não sei... — suspirou exasperado — Acho que não posso deixa-lo, senão vai acabar na Broadway, viciado em drogas, com o nome estampado em todos os tabloides e pais decepcionados. Ele canta muito bem. Não sei por que diabos os pais ficam forçando a barra pra faculdade... Ele já é bem mais velho, não deveria estar aqui se realmente quisesse algo.

— Acho que posso entender. Ele não quer sair pra não ter que deixar o que faz, ainda que pouco... Se voltar pra casa ou começar a trabalhar, pode esquecer o sonho...

Interrompendo o assunto, Tom voltou. Logo se aproximou, tomando a mão de Jared, se assentando com ele no primeiro degrau da escada. Enquanto conversavam e o mais novo reclamava, Jensen observava o amigo. Parecia ter algo além de cuidado naqueles toques. Ele parecia ter uma atenção especial com Jared, principalmente pelo modo que sorria disfarçado, pelo modo que seus olhos pareciam mais atentos ao rosto do outro ao que fazia realmente. Isso o intrigou. Talvez fosse besteira, ideias loucas de sua cabeça, mas não sabia. Jared também parecia olhar muito para o outro, mas por estar de costas, não sabia se realmente o estava fazendo. Sentiu-se irritar um pouco. Por que diabos aquilo o estava ferindo bem no orgulho? Não soube, mas logo que terminaram, quando Tom ia saindo, largou tudo e passou por ele com um sorriso de canto, estranho, dizendo que precisava ir, sem nem mesmo olhar em direção à Jared.

— Que porra foi isso?

O de olhos acastanhados indagou. Tom tinha o cenho franzido e ainda olhava na direção que o mais velho havia desaparecido.

— Eu não... sei. Ele... pareceu estranho.

— Acho que ele tá com ciúmes. Andou falando sobre a amizade de vocês, dizendo que você havia sumido...

— Qual é Jay!

Terminaram rindo, mas na cabeça do mais novo as dúvidas ainda pairavam. Como o outro havia saído sem nem se despedir se haviam conversado? E muito, pelo que costumavam? Será que era tão idiota assim? Ou será que tinha uma queda por Tom? Tinham quase a mesma idade, ainda que o de olhos azuis só tivesse encarado uma faculdade agora. Talvez o modo de pensar fosse o mesmo, por isso Jensen havia dito que tinham muitas afinidades, talvez tivessem passado pelas mesmas coisas ou até mais do que podia imaginar... Jared se sentiu, de repente, um intruso na amizade ou relacionamento dos outros dois. Resolveu deixar o resto do serviço pra lá, já que Tom parecia interessado em outras atividades e estava provocando demais para não levar a sério.

— Qual é... Aqui não...

Tentou dizer quando ele o prensou contra uma das paredes. Ele riu de canto, tomando seus lábios num beijo intenso, de tirar o fôlego, que acabou por deixar Jared zonzo. Não sabia se o cheiro da tinta, se o perfume de Tom, mas algo ali o estava inebriando, fazendo que a luxúria gritasse dentro de seu ser. O mais velho quebrou o contato apenas para olhar nos olhos semicerrados do outro, ainda sorrindo de canto, e se abaixar.

— Tom, não...

Tentou, seus dedos enterrados naqueles fios escuros, macios como a própria seda. Ele, de onde estava ajoelhado, olhou para cima enquanto suas mãos ágeis desabotoavam os jeans batidos. Jared sabia o que ele ia fazer, sabia que qualquer um podia chegar a qualquer momento. Era arriscado demais, e sentia seu coração palpitando de forma assustadora. Tentou olhar em volta, vendo que estava próximo a um dos interruptores. Alcançou-o, apagando as luzes, trazendo de volta uma penumbra um pouco mais agradável do que toda aquela luz ameaçadora.

— Tom...

Fechou os olhos com força enquanto sentia a mão dele apertar com força. Seu corpo estava gélido por fora, fervendo por dentro. O receio de ser pego, a excitação do momento, tudo culminava para que se sentisse cada vez mais desprovido de sanidade. Não pôde conter um gemido alto e rouco quando Tom o levou até os lábios. Finalmente. E ele fez com força, logo de início, enquanto sentia as mãos do mais novo apertando seus cabelos com força.

Não sabia ao certo porque, mas Jared sentia a adrenalina aumentar ainda mais quando pensava em alguém chegar pelas escadas, especialmente Jensen. Havia um tipo de loucura que aquele lugar o estava causando, havia um receio delicioso e provocativo. Ao mesmo tempo que queria não ser visto, diante de sua falta de sanidade, torcia para que o outro simplesmente aparecesse. Queria ver os olhos esverdeados sobre a cena, ver como diabos ele reagiria... Queria vê-lo. Ali. E justo naquele momento.

Fechou os olhos e se deixou levar.

XXX

A coisa tinha saído de controle. Haviam trancado a porta que dava acesso ao sótão, e Tom tinha uma das mãos contra a boca do mais novo, impedindo-o de ser muito... sonoro, enquanto a outra o apoiava, os movimentos já eram fortes, erráticos. Jared tremia e mordiscava seus próprios lábios cada vez que o sentia atingir aquele ponto específico, apoiado no degrau superior da escada, praticamente rezando por sua sanidade dentre aquele breu, ainda pensando em coisas incoerentes enquanto sentia seu corpo totalmente preenchido pelo outro. Tom tinha a capacidade de enlouquecê-lo, fazê-lo cometer absurdos em lugares inadequados... Sua pele estava totalmente arrepiada, assim como a do mais velho, quem também se continha, tanto para refrear os instintos mais gritantes de mandar toda aquela pseudo-segurança às favas e fazer a coisa direito quanto para refrear seu ápice, o que parecia cada vez mais impossível. Dobrou-se sobre o mais novo, tocando-o o membro.

— Jay, eu vou...

Sussurrou, mordendo com certa força o pescoço do outro. Enquanto isso, o mais novo deixou-se gemer despejando-se na mão do de olhos azuis, contraindo-se contra ele, causando o fim da coisa toda. Tom lhe abandonou o corpo justo a tempo.

Ofegavam enquanto ajeitavam suas roupas. Haviam feito uma verdadeira bagunça. Jared, assim que em mínimas condições, deu um jeito de eliminar qualquer vestígio que houvesse deixado. Só esperava que ao sair dali o time já houvesse dispersado.

O que, para seu desespero, não aconteceu. Deixou que Tom saísse primeiro, fingindo ajustar alguns detalhes, descendo em poucos minutos. Todos estavam ao redor de uma mesa que antes não estava ali, bebendo e conversando. Por alguns instantes deixou-se beber com eles. Não entendia como Tom podia conversar com tanta naturalidade depois de ter feito algo óbvio. Talvez nem tão óbvio assim, mas quando se tem culpa no cartório é outra história. Sentia os olhos de Jensen em sua direção vez ou outra, assim como o via observar Tom. Parecia estar buscando detalhes, qualquer coisa que os incriminasse. O modo como os olhos espertos pareciam brilhar intrigava. Jensen sabia, sabia ou sentia algo. Podia ver pelo comportamento dele. Aquilo lhe causou um frio na espinha enquanto se lembrava da festa. Havia algo o incitando a pensar que...

— Jay...

Foi abruptamente arrancado de seus pensamentos quando o mais velho de olhos azuis o tocou o ombro.

— O que..

— Vamos embora... tô a fim de um banho quente.

Voltou-lhe as costas, com um sorriso de canto, torto, sádico, escarninho, deixando o mais novo gélido sob os olhos de Jensen, quem observava a situação calado.

Tudo o que fez foi seguir, depois de se despedir dos colegas de time, claro. Welling o esperava do lado de fora. Juntos foram para longe, mal sabendo que, realmente, eram observados, mas não só por um único par de olhos. McCoy e Kreuk estavam paradas há "séculos" por perto da fraternidade. Era estranho vê-los conversando daquele modo, mas nenhuma delas percebeu realmente o motivo. Provavelmente estavam bêbados. Fato.

Como aves de rapina, observaram as silhuetas desaparecerem dentre a escuridão da noite. A chuva, mais uma vez, começava a cair.

XXX

Chegou praticamente molhado à fraternidade. Tudo estava silencioso demais. Provavelmente era o primeiro a estar ali. Sua chave destrancou a porta da frente. Tinha algum serviço a adiantar no sótão antes que Jensen chegasse. Tinha que disfarçar os acontecimentos do dia anterior. Havia tido uma noite longa e uma manhã cheia de sutis irritações dos professores. Não entendia qual o motivo das aulas aos sábados. Tom ao seu lado o tempo todo estava começando a se tornar preocupante, de certo modo. Mas não, não queria que ele se afastasse. Só estava estranhando o fato de ele parecer querer aquelas coisas o tempo todo. Antes não era desse jeito. Se... entendiam uma ou outra vez e depois demorava bastante até fazerem de novo. Agora as coisas pareciam estar mudando. Refletia sobre isso enquanto subia as escadas, pensando no quanto haviam feito durante aquela madrugada gélida.

— Jared, não...

Ele dizia enquanto tinha os cabelos do mais novo entre as mãos. O garoto estava provocando, muito. Deixava a língua ir e vir sobre sua pele, fazendo que desejasse cada vez mais enterrar-se naqueles lábios finos, delicados.

Jared arrepiou-se, respirando fundo, tentando colocar a cabeça em ordem. Tinha muito a fazer, muito a esconder. Se Jensen tivesse entrado naquele sótão enquanto aprontava com Tom... Deus, estaria, no mínimo, perdido. Riu com sua falta de decência, ou ao menos com aquilo que nomeara deste modo. Ficar pensando no rumo que a situação poderia ter tomado não ajudava em nada... Abriu a porta do sótão. Estranhou o cheiro de tinta estar tão forte se haviam pintado há mais de doze horas. Subiu as escadas que davam acesso ao mesmo pouco a pouco, passos lerdos. Quando atingiu o topo, viu que não havia sido o primeiro a chegar.

— Jensen?

Indagou o óbvio. Ele, cenho franzido, voltou-se à sua direção. Sorriu forçado, como se cumprimentar o mais novo fosse mera obrigação. Na verdade, pensava deste modo. Não se sentia à vontade com Jared, muito menos sabendo que ele e Tom estavam aprontando algo. E o fato de não fazer ideia do que se tratava, o deixava ainda mais irritado.

— Você... está aqui há muito tempo?

O mais novo indagou, tentando quebrar o gelo. O outro, quem detalhava a divisão do meio da parede, parou o que fazia.

— Considerando que eu não tive as duas últimas aulas, sim. Ainda temos muito o que fazer, antes que o treinador comece a implicar.

Ele parecia extremamente normal, o que sobressaltou um pouco o mais novo. Não parecia o Jensen de olhar inquisidor da última noite. Não questionou, fingiu não notar absolutamente nada diferente no comportamento do outro, começando seu trabalho, separando mais uma vez as coisas que ia usar e quase se sufocando com o cheiro de tíner.

— Essa porcaria vai me mandar pra cama...

Reclamou mais para si mesmo, ouvindo o outro caminhar em sua direção.

— Só um aviso: se isso cair no chão, teremos mais uma coisa pra reformar.

— Por quê?

— Isso é meio que... corrosivo, pode piorar ainda mais as condições desse verniz que tá na madeira.

— Quer dizer que, se por algum acaso, isso cair no piso, teremos que envernizar tudo?

— É, basicamente. Se bem que olhando como as paredes estão ficando, é até maldade não envernizar só porque tá mais ou menos...

Jared prestou mais atenção ao que fazia, engajando-se num assunto qualquer com o mais velho. Quando deu por si, ele havia saído e voltado com cerveja. Estava terminando de pintar a última janela enquanto ele envernizava a parte restante do piso. Já faltava pouco para anoitecer, e já haviam muitas garrafas de cerveja. Era de se estranhar que o time não tivesse aparecido até o momento. O que diabos havia acontecido?

— Hey, Jared! — o outro chamou, fazendo com que olhasse em sua direção — Falta muito?

— Não, na verdade eu... — olhou para a janela, constatando que estava perfeitamente pintada de branco. Ao menos por dentro. Com a chuva, teriam que pintar por fora em outra ocasião — já terminei por aqui.

— Preciso que venha por onde já está seco e me ajude a envernizar a escada.

— Mas e as paredes daí? E a porta?

Perguntou, tentando se lembrar de ter ajeitado ou visto alguma coisa diferente quando entrou. Cenho franzido, esperou uma resposta.

— Está drogado? Não viu quando entrou? Eu levei uma hora ajeitando isso e você nem mesmo notou?

Riu o mais velho. Jared parecia meio aéreo depois de algumas cervejas. Talvez fosse a mistura do agradável cheiro tóxico ao álcool. O notou andando torto enquanto trazia consigo o pincel, como se o mesmo fosse ter alguma utilidade. Ah, seria aparentemente difícil fazê-lo se concentrar nas coisas. Parecia mais disperso do que qualquer outra vez que já o tivesse visto.


Continua...