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Capítulo 5: Inconvenientes
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Nos primeiros dias, Kagome tomava banho sozinha, comia sozinha, medicava-se sozinha. Parecia um animal ferido, escondendo-se. Não falava com ninguém, e jamais saia do quarto. Inuyasha tentou aproximar-se incontáveis vezes, mas sempre era expulso a gritos. E, claro, sua gentileza era predominante... Notem o sarcasmo, sim?
"Abra a maldita porta, cadela!" ordenou Inuyasha, esmurrando a madeira.
"Vá cagar, cretino!" Kagome berrou de volta, sem nem ao menos mexer-se dentro do aposento.
Oh, agora entendo porque eles são 'almas gêmeas'.
"Inuyasha, ela nunca vai abrir a porta desse jeito," avisou Sango, depositando uma mão no ombro do Rei.
"Vá se foder, vadia suja," replicou à Kagome, ignorando o comentário da criada.
Esperou o xingamento de Kagome, pronto para dar outra resposta mal-educada. Mas ele nunca veio.
Suja, ecoou Kagome. Eu sou suja... Imunda.
Ela disparou em direção ao pequeno banheiro, situado no mesmo quarto em que ela estava. Praguejou ao perceber que os baldes de água, deixados diariamente pelos servos à sua porta, já haviam acabado. Precisava de água, logicamente, e para isso... Ia ter que abrir a porta.
"Mulher, onde diabos você se meteu?!" perguntou Inuyasha, sua orelhas completamente direcionadas ao pequeno aposento.
Com um estampido, a porta foi aberta, topando com o nariz de Inuyasha. "Aqui, seu cachorro cego," respondeu Kagome, e, antes que ele pudesse interpretar todas as novas informações, ela fechou a porta, pegando o balde que, como sempre, estava bem na frente do quarto.
De volta ao banheiro, despejou todo o conteúdo do vaso na banheira, sentindo os pontos mal feitos no seu ombro abrirem sob a ação do peso que carregava. Merda, de novo. Com os dedos de sua outra mão deslocados, não conseguiu costurar o ferimento da maneira certa, de modo que ele sempre rasgava. Despiu-se o mais depressa que pôde, buscando evitar que o sangue manchasse seu yukata. Com a mão esquerda, desenrolou as faixas que envolviam suas coxas, sentindo a carne prender-se no tecido em alguns pontos. Fez o mesmo com os pés, fechando os olhos para bloquear a dor.
Entrou na banheira, todos os machucados ardendo ao tomarem contato com a água fria. Com a esponja em mãos, começou a esfregar as pernas, friccionando tão forte que a pele pálida tornou-se vermelha. Seus movimentos eram rápidos, e, apesar da dor em seu corpo apenas aumentar com o atrito descontrolado, ela não parava.
Sentia-se podre por dentro.
Mergulhou, afundando completamente sob a água. Permaneceu submersa o máximo que seu fôlego permitiu e, ao emergir, seus fios negros grudaram em suas costas. Escondeu seus dedos em seus cabelos úmidos, procurando por nós. Também estão sujos... Esfregou-os com a palma das mãos, molhando-os de segundo em segundo.
Enrijeceu quando a porta foi aberta com um estrondo, e, automaticamente, se virou para encontrar um Inuyasha muito irritado. Observou as emoções transformarem seu semblante, passando de nervosismo para confusão, de confusão para espanto, e de espanto para fascínio. Kagome submergiu, encobrindo seu corpo com a água.
Esqueci de trancar a porta...
"Kagome, é a terceira vez que você toma banho hoje, e ainda nem chegamos na hora do almoço," suspirou Sango. Viu Kagome erguer a cabeça antes de responder.
"Saiam daqui," afundou novamente.
Inuyasha viu, através da água límpida, o vermelho do corpo de Kagome cintilar. Outro tom rubro destacou-se na banheira, e ele não precisou pensar duas vezes para descobrir o que era.
"Pare de ser teimosa e me deixe cuidar dos seus machucados, cadela," exigiu Inuyasha, aproximando-se da jovem.
"Não confio em você," replicou, amargurada. "É por sua causa que eu estou desse jeito, não confio em você," repetiu, dessa vez, com mais ênfase, sem olhar para o hanyou.
"Eu cuido dela, Inuyasha," Sango disse, empurrando o Lorde para fora do quarto. Vendo que ele estava próximo a reclamar, completou. "Não discuta, ela não vai deixar você cuidar dela, pelo menos, não agora," antes de dar as costas ao Rei, piscou incerta. "A propósito, seu nariz está sangrando."
Quando fechou a porta, viu Kagome enrolada em uma toalha, sentada na cama. Abafando um grito com a mão, seguiu o rastro vermelho no chão, que saia do banheiro, e encontrava os pés da morena.
"Por Buda, me deixe ver seus machucados," ajoelhou-se na frente de Kagome, afastando o tecido que cobria o seu corpo. De imediato, a jovem apertou a toalha contra si. "Tudo bem, não vou te machucar."
"Não fale comigo como se eu fosse um animal," grunhiu Kagome, tentando afastar as mãos de Sango. Não confiava nessa mulher, não confiava naquele homem, não confiava em ninguém. Eram todos monstros, piores do que os que ela via em seus sonhos.
"Seus machucados só vão piorar se não cuidar deles," afirmou, sentindo Kagome afrouxar as mãos sobre o tecido. "Só quero ajudar, Kagome."
Como todas aquelas pessoas sabiam seu nome?
"Como sabe meu nome?"
"Inuyasha me contou."
"Como ele sabe?"
"Não sei," suspirou, sem resposta. "Ele disse que sabe porque você é a fêmea dele," apartou a toalha do corpo de Kagome, sentindo os pelos do seu corpo eriçarem quando viu os ferimentos. O ombro rasgado, o peito esfolado, as coxas em carne viva... Os pés estavam atolados de bolhas, escoriados. Sua pele estava arranhada em vários pontos, e seu braço coberto de hematomas. No pescoço, marcas de dentes que ela reconheceu serem de Inuyasha. Os lábios estavam inchados, cortados superficialmente, mas, quando ela olhava de perto, os danos pareciam bem maiores. Seu rosto era a parte menos danificada, alguns arranhões grosseiros nas bochechas e na testa, perdidos no meio da delicadeza de sua pele.
"Perdão? Achei que havia pedido para parar de falar comigo como seu eu fosse um animal," apesar de parecer irritada, permitiu que Sango observasse seu corpo nu, analisando os ferimentos. "Eu não sou a fêmea dele... Eu odeio ele," sua voz mal saiu. Sango percebeu a força que Kagome fazia para obstruir a lágrimas, que desciam pouco a pouco pelo seu rosto.
"Você não entende, aquele não era Inuyasha," levantou-se para procurar uma agulha e uma linha nas gavetas do banheiro. "Inuyasha é uma pessoa boa, você verá."
"Espere um pouco," Kagome tentou se levantar, mas seus pés doíam demais para permitir o ato. Suspirou resignada antes de continuar. "Como assim, 'aquele não era Inuyasha'?"
Sango sentou-se ao lado da morena, puxando a linha presa no seu ombro. Sentiu Kagome se encolher com o gesto, e esperou alguns segundos antes de prosseguir.
"Já disse, você não entenderia," hesitou antes de perfurar a pele de sua companheira, atando a carne rasgada com a nova linha.
"Tente."
"Inuyasha é um hanyou," não encontrando confusão nos olhos azuis de Kagome, Sango continuou. "Quando ele sai do palácio, vira youkai. Não consegue controlar o poder que aparece no seu corpo, já que nunca teve que lidar com ele," parou por alguns segundos, jogando sua concentração no ombro de Kagome. Lambeu os lábios enquanto guiava a linha sob a pele lacerada, ouvindo a garota ao seu lado liberar um muxoxo agudo. "Fora da barreira da Shikon, ele é muito vulnerável," percebendo que o nome da Jóia embaralhou a mente de Kagome, explicou. "Shikon no Tama é o nome da Jóia que protege o palácio. Inuyasha a herdou de seu pai," mais umas manobras com a agulha, Sango olhou orgulhosa para seu trabalho. "Pronto."
"Obrigado, Sango," Kagome manejou um sorriso fraco, sentindo seu ombro doer.
"Não foi nada," Sango retribuiu o sorriso, voltando a ajoelhar-se na frente de Kagome. "Vou pedir para Kaede preparar alguma coisa para passarmos nesse ombro mais tarde. Enquanto isso, deixe-me ver seu pé," ergueu o pé direito de sua amiga com uma mão, colocando-o sobre seu joelho. "Hmm, vou passar umas ervas nele e na sua coxa, e depois, enfaixá-los."
Acho que posso confiar nela.
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"Lorde Naraku, tenho certeza de que posso cuidar dessa tarefa," afirmou confiante Bankotsu, curvando os lábios em um meio sorriso.
"Não, não pode," negou Naraku, repousando os pés sobre a mesa. "Você tem que treinar os soldados e, além do mais, aquele hanyou já o conhece."
Com mais um retorcer de lábios, Bankotsu desmanchou a arrogância proeminente em seu rosto, transfigurando o riso em uma careta irritada. O maldito Lorde era um empecilho para sua diversão, prendendo-o nesse campo fétido cheio de guerreiros imundos e fracos.
"Quem o Senhor pretende mandar, então?" perguntou erguendo uma sobrancelha desconfiada. Com certeza, ele era o homem mais forte do Reino, Naraku não tinha muitas opções.
"Isso é algo que você não precisa saber," girou um pulso, sinalizando para que Bankotsu saísse. Não ousou reclamar diante do olhar gélido do Lorde, estalando a língua para reprimir os resmungos.
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"De jeito nenhum!" disse Kagome, resoluta.
"Mas, Kagome, eu não vou conseguir colocar seus dedos no lugar," afirmou Kaede, guardando a mistura que havia criado para passar nos arranhões da jovem. "Nem Sango."
"Não quero ele perto de mim, nem agora, nem nunca!" deslizou um dedo sobre a faixa envolta de sua coxa. "Prefiro ficar com os dedos atrofiados para sempre do que ser tocada por ele mais uma vez," sua voz saiu abafada, e, novamente, ela sentiu-se suja.
"Kagome, eu já te expliquei, lembra?" Sango afagou os cabelos da amiga. "Não foi ele que –"
"Youkai ou não, eram as mãos dele, a pele dele, o..." interrompeu-se, fechando os olhos para bloquear as lágrimas. Não podia chorar, não podia ser tão fraca. Tão suja. "Quero tomar banho."
"Kagome, você deve ser a pessoa mais limpa desse Reino!" Kaede confirmou, acenando com a cabeça. "Vou chamar Inuyasha, espere um pouco."
"NÃO!" Kagome puxou seu yukata, escondendo as coxas. Tentou se levantar e seguir Sango, mas seus pés ainda estavam fracos. "Maldição!"
"Kagome, você é definitivamente a alma gêmea de Inuyasha," as feições de Kaede se torceram, abrindo espaço para um sorriso zombeteiro.
"Por que todos acham que eu sou a alma gêmea, fêmea, mulher, ou seja lá o que for daquele retardado?!" vociferou Kagome, de uma maneira que lembrou Kaede do próprio Inuyasha falando, na época em que se casara com Kikyou. "Diabo, eu não sou!"
"Quer você queira, quer você não queira, Kagome, você é a fêmea dele," Kaede sentou-se ao lado de Kagome, confortando-a. "Sei como você se sente. Eu também não gostaria de ser mulher dele." Vendo que a jovem ia recomeçar a seção de gritos, adicionou. "Você devia sentir-se privilegiada. Todas as garotas do Reino adorariam trocar de lugar com você. Não sei o que essas meninas vêem de tão esplêndido no Inuyasha."
"Pois bem, estou mais do que disposta a trocar de lugar com uma dessa garotas," esclareceu, ignorando o último comentário de Kaede.
"Sério, Kagome," começou a senhora, tornando-se subitamente sisuda. "Inuyasha tinha uma mulher antes de você aparecer, a Kikyou," Kaede notou Kagome coçar a cabeça. Nos poucos minutos que havia compartilhado com a jovem, percebeu que ela só fazia esse gesto quando estava constrangida ou nervosa. "Você a conhecia?"
"Ouvi falar," respondeu em meio a uma tosse falsa, sem realmente olhar para Kaede. Você mente muito mal, Kagome.
"De qualquer jeito," ajeitou-se na cama. "Kikyou amava Inuyasha –"
"Como ela conseguia?" brincou.
"Não me pergunte," Kaede sorriu de volta, observando Kagome mais de perto. "Inclusive, você é muito parecida com ela, em alguns aspectos."
"Quais?" indagou, descontente ao ser comparada com outra mulher. "Temperamento?"
"Não, não, Kikyou era muito calma," viu Kagome franzir as sobrancelhas. "Kikyou era mais alta e mais," imitou o gesto de Kagome, e tossiu falsamente. "Mais cheia, por assim dizer. O cabelo dela era maior e mais liso, e, particularmente, eu prefiro o seu," o gentil tinido de uma risada alcançou os ouvidos fracos da velha. "Era também mais séria."
"Então, no que ela era parecida comigo?"
"A pele," segundos depois, corrigiu-se. "Não, a sua é mais escura que a dela," disse após analisar a pele de Kagome. "Os rostos são parecidos, na minha opinião."
"Entendo," Kagome sorriu sob a analise minuciosa de Kaede. "Me conte mais sobre ela," pediu.
"Kikyou tinha –"
"Eu devia estar dopado quando pensei que essa loca fosse minha fêmea!" a voz de Kaede foi sustada pela de Inuyasha, que estava berrando, como sempre.
"Eles estão chegando," a mulher mais velha disse o óbvio.
"Pelo que eu entendo a respeito do assunto, Inuyasha," dessa vez, era a voz de Sango que falava. "Essas coisas os youkais não escolhem... Você não precisa necessariamente amar a sua fêmea."
"Obrigado por me lembrar," replicou, sarcástico.
Inuyasha abriu a porta com violência, procurando por Kagome no quarto.
"Sabe, se você continuar abrindo as portas desse jeito, vai acabar arrancando uma algum dia," provocou Kagome.
"Olá para você também, cadela," rosnou, aproximando-se.
Kagome recuou sobre a cama, horrorizada com os barulhos que o hanyou conseguia fazer.
Ela tinha medo dele.
Apesar de tudo, Inuyasha não queria que ela sentisse medo dele. Não queria vê-la encolhida na cama, com todos os pêlos do corpo arrepiados, pensando que ele poderia fazer aquilo novamente.
Aquela pontada aguda no peito surgiu mais uma vez. Toda vez que a via desse jeito, aterrorizada, as imagens daquela noite voltavam, tão vividas que ele podia jurar que eram reais. Ela chorava, gritava, gemia.
Odiava ver mulheres chorando, essa em especial, não sabia porque.
Recomeçou, mais gentil dessa vez.
"Certo, bruxa, eu não vou te machucar," ok, talvez não tão gentil, mas, se fosse, não seria Inuyasha.
"Foi o que você disse naquela noite," disso ele não se lembrava.
Finalmente identificou o que era aquela fisgada no seu peito.
Culpa.
"Se eu digo que não vou te machucar é porque eu não vou te machucar, idiota," deu um empurrão fraco em Kaede, que estava sentada ao lado de Kagome. Com um suspiro, a velha deu lugar para o Lorde.
"Talvez eu e Kaede devêssemos deixá-los a sós," sugeriu Sango.
"Não!" exasperou Kagome.
Aquela fisgada, mais uma vez.
"Me de sua mão," disse Inuyasha, num tom que soava mais como ordem do que pedido.
Tudo em volta de Kagome pareceu parar por alguns instantes. Já fazia uma semana que estava nesse Reino estranho, cheio de pessoas estranhas. Tinham trocado algumas palavras com as criadas que traziam os baldes para que ela pudesse tomar banho, e não foi preciso muito mais para ela considerar essas mulheres suas amigas. Sango havia cativado-a de imediato, assim como Kaede. Mas, por algum motivo, sabia que não deveria confiar nessas pessoas. Todas trabalhavam para ele.
E ela o odiava.
Examinou a mão calejada do Rei, estendida próxima de si. A mesma mão que havia tocado-a, maculado-a, violentado-a. Não confiava nele.
Quem poderia garantir que as mulheres, consideradas suas amigas, não iriam abandoná-la com o Lorde, para que fosse mais uma vez, violentada, estuprada?
Parou, e reveu seus pensamentos.
Sango, Kaede, Koharu, Miyu e até o pequenino Shippou, que havia conversado com ela sobre seus pais há poucos dias atrás... Todos a ajudaram. Se quisessem o seu mal não teriam permitido que ela comesse, se lavasse, ou se medica-se, teriam?
Claro que não, se estapeou mentalmente. Eles eram seus companheiros, seus amigos. Eram, não eram?
Até Inuyasha era seu amigo, certo? Se ele quisesse, já poderia tê-la tomado a força há muito tempo. Mas não. Ela podia confiar nele, não podia? Afinal, o que ele fez não era tão ruim... De fato, nem foi ele que fez aquilo, foi?
Foi, foi ele, gritou internamente. Ele a torturou, violentou e aprisionou nesse palácio. Ele não era seu amigo. Nunca será, repetiu. Jamais. Ele só estava esperando o momento certo para fazer tudo de novo, até que ela não agüentasse mais. Ela não confiava nele.
Mas, e seus amigos? Todos já haviam provado que mereciam sua confiança. Mais do que qualquer outro amigo que ela possa ter tido. Eles não permitiriam que Inuyasha fizesse nada de mal consigo. Eles a protegeriam, ela não tinha dúvida.
Acreditando cegamente nisso, ela entregou sua mão a Inuyasha, sentindo a pele áspera apegar-se a sua.
Foi quando o tempo mais uma vez pareceu parar, mas dessa vez, tanto para Kagome quanto para o Lorde.
Eles deixaram o sentimento lavá-los como um mar veranico na praia arenosa, violento, mas ao mesmo tempo mais suave que as nuvens.
As emoções que se alastravam por cada um deles contrastava com todas as idéias que valsaram por suas mentes minutos atrás. Não podiam decifrar o que passava por si, mas o enigma do outro parecia ser facilmente desvendado.
Segurança.
Afeição
Força.
Confiança.
Desatavam o nó de sentimentos tão rapidamente que parecia irreal.
Coragem.
Paixão.
Estima.
Amor.
Naquele segundo, eles amaram mais do que amavam a própria vida. Confiaram mais do que confiavam em si próprios.
Desejo.
Mas tão rápido quanto a sensação chegou, ela se foi, arrastando todos os pressentimentos consigo.
Piscaram tantas vezes seguidas que mal conseguiam enxergar direito. Os momentos que passaram como segundos pra ambos parecia ter durado uma eternidade para Sango e Kaede, que se cutucavam e sussurravam segredos uma para a outra. Inuyasha pescou algumas pérolas:
"Feitos um para o outro."
"Vamos preparar o casamento logo."
"Repare nos olhares, quanto amor, quanta luxúria!"
"Querem calar a boca, diabo," praguejou Inuyasha, sentindo suas pálpebras pesadas, do mesmo jeito que ficavam sempre que acabara de acordar. "Estou tentando me concentrar."
"Sei," responderam as duas, em uníssono.
Kagome ainda estava entorpecida, trancafiada na própria mente. O que exatamente foi isso? Um estalo despertou a garota, e a primeira emoção que ocupou o vácuo na sua cabeça foi dor. Lancinante. Ela gritou, como uma tentativa de dispersar o pulsar constante nos seus dedos.
"Pronto," Inuyasha disse, abaixando as orelhas. "Tudo no lugar," completou. Não soltou a mão dela, aterrorizado com a simples idéia de se apartar de toda aquela maciez condenada à mão da garota.
Diferente do que imaginara que o toque do Rei traria, ela sentia-se, pela primeira vez na semana, limpa. Completamente, totalmente. Não queria perder a estabilidade que a aspereza da mão dele trazia. A firmeza do aperto lhe dava segurança, e, a partir daquele momento, ela não temia mais Inuyasha.
Claro, ela ainda o odiava.
Mas seu toque era muito bom... Bom demais. Sentiu uma luz, piscando desesperadamente, ascender dentro de sua cabeça, berrando 'SOLTE A MÃO DELE, IDIOTA!'.
Deveria seguir seu conforto ou aquele aviso?
Percebeu que os dedos de sua mão mexiam-se sobre seu comando, e ela apertou mais a mão daquele estranho. O mesmo fez ele, entrelaçando os dedos. Levou as duas mãos, não propensas a se separarem, até seus lábios, beijando os dedos dela. Beijou o outro, recebendo, de sua mente, o mesmo aviso que Kagome recebeu. Jurou para si mesmo que daria apenas mais um beijo. Mas, o sabor doce enfeitiçava sua boca, e ele seguiu para o outro dedo.
Um pigarreio vindo da direção de Kaede acordou a mente dopada de ambos, e eles se perguntaram:
QUE MERDA EU ESTOU FAZENDO?!?!?!
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N/A: (autora sorrindo abobalhada para a tela do PC) XD
Descontraindo o clima Angst da fic com esse romancezinho final XDDD Se esse casal pensa que vou deixá-los desvendar os mistérios do amor tão facilmente estão MUY enganados! MWAHUAHUA XDDD
Espero que tenham gostado, obstante aos comentários insanos da autora xD Acho que o número de reviews vai aumentar com isso o.o XD
Esse cap teve 8 páginas no Word... Juro que ia continuar, mas eu queria terminar com esse gancho... Não me matem XDD
Review's:
Nayome Isuy: Tadaa, Inu/Kag pra você o/ Fico feliz que tenha gostado do capítulo passado... Particularmente, foi meio difícil escreve-lo, porque não gosto muito do casal Sessh/Rin XP Mas, o que eu não faço pelos meus leitores? XD
Obrigado por ler (sorriso largo)
Akane Kittsune: A continuação pra você /o/
Espero que goste tanto desse capítulo quanto gostou do passado o/
K-chan: Não sabes como tua review me anima! Ficou muy happy que você esteja acompanhando e gostando, e espero que esse cap tenha matado um pouquinho da sua curiosidade XD.
Beijos o/
Pessoal, sei que demorei um pouco com esse capítulo, mas, as provas finais estão chegando, e eu vou ter que dar pelo menos uma lida na matéria T.T
Voltem aqui na quinta e vocês terão um cap novo a sua espera! - promessa é divida - (sorriso amarelo).
Prox capítulo: "Tudo uma Questão de Tempo"
Bye bye o/
Brandy
