Capítulo 6 - "soaked desires"

A bagunça na enfermaria já durava mais de uma hora quando finalmente Taka-san foi capaz de explicar toda a história envolvendo o ex-capitão e a tal loira que haviam visto mais cedo. Isso em parte foi uma missão quase impossível de ser cumprida, já que os outros presentes não pareciam dispostos a colaborar. Nem mesmo o próprio Taka estava a fim de falar no assunto... Há muito que seus pensamentos já haviam voado para o lado onde a garota de cabelos curtos e presos com uma fivela conversava de maneira enérgica sobre atualidades com o rapaz de olhos dourados.

Um dos principais obstáculos para o desenvolver da historia foi provavelmente a discussão que ocorreu entre a outra garota, Tomoka, e Momo, que por sua vez ficava mais mal-humorado a cada segundo. Discutiram quem teria mais direto sobre o contato com o prodígio (isso porque nenhum dos dois tivera notícia alguma do mesmo durante todo o tempo que se passara). Os argumentos eram assim: "Eu sou a líder do fã-clube Ryoma-sama! É claro que eu tenho direito de ter o telefone dele!" e o outro revidava em um tom superior, "Hahahah, grande coisa! Ser melhor amigo é muito melhor!".

Do outro lado da sala, Inui fazia questão de anotar e reação de todos os presentes diante da situação. Kaidou por sua vez não conseguia tirar da cabeça a cena que assistira mais cedo entre o ruivo e o ex-fukubuchou. Ele sempre soubera que era aquilo que seu sempai desejava dele, mas seu corpo ainda não estava preparado... Ou talvez fosse sua mente.

O que diriam os amigos se soubessem do seu impasse? Não poderia perguntar algo tão... vergonhoso. Afinal de contas, se aquilo chegasse aos ouvidos de seu rival, Momoshiro, seria um desastre! Sua reputação iria por água abaixo...

Com quem deveria falar para tirar suas dúvidas? A Golden pair parecia muito ocupada ajudando em outro caso, e o Tensai sorridente não estava sorridente como sempre, tirando-lhe assim qualquer coragem de se aproximar do mesmo.

Pensou que poderia falar com Kawamura, mas este assim como Momo e Echizen (Pra vocês verem como ele é inocente), era hétero, e não poderia lhe ajudar muito.

Tinha em mãos um grande problema...

Por fim, os únicos que pareciam realmente interessados na história eram Eiji e Oishi. Isso, é claro, por conta da briga envolver seus melhores amigos.

Kawamura já estava no final da história quando viu de longe a garota que não lhe saia da cabeça de mãos dadas com o prodígio de boné. Mas uma vez o bichinho de ciúmes que tanto lhe incomodava fizera a festa em seu estômago... Queria cobrir a pequena distancia que existia entre ele e os outros dois o mais rápido possível e separá-los antes que fosse tarde de mais.

O que estava acontecendo com o Echizen afinal? Desde quando ele falava com garotas de maneira tão normal? Taka podia jurar que o antigo Ryoma não sabia sequer a diferença entre os sexos feminino e masculino. Como é que com o passar de meros 2 anos ele se tornara tão – ainda que de maneira mais lerda que o normal – sociável?

Momo do outro lado se perguntava a mesma coisa. A discussão com a menina de voz irritante já dera o que tinha que dar, e ele não agüentava mais ouvi-la falar em seu ouvido. Queria prestar atenção na conversa que acontecia entre o objeto de seu desejo e a garota bonita no outro extremo da enfermaria.

Fazia tempo que não sentia o que estava sentindo no momento... Queria tirar o melhor amigo de perto de todos os outros, tê-lo só para si. Também sentia a necessidade de tocar o kouhai, mesmo que só um pouquinho, mesmo que só as suas mãos (ele também vira o modo como o prodígio segurara docemente a delicada mão da amiga).

Passara o dia se esforçando para não perder o controle. Percebera claramente que Ryoma estava brincando com ele – "o que ele está tentando fazer me seduzindo assim?"- e a cada uma das brincadeiras (referia-se à casa-mal-assombrada e ao beijo) ele parecia mais próximo de romper a barreira que criara a muito tempo.

Percebeu que antigamente era bem mais fácil conter-se. Não entendia direito o porque, mas imaginava que era pelo fato de há 2 anos ele ainda ser pouco mais que uma mera criança, e Ryoma ser de fato uma. Sendo assim, mesmo que seus desejos fossem outros, sua mente não lhe permitia avançar o sinal.

Agora era diferente... Se bobeasse faria o que a muito desejava fazer, e dessa vez não teria a barreira chamada consciência em seu caminho, afinal de contas longos anos haviam se passado e ele, assim como o prodígio, já não era mais o mesmo.

Isso ficava cada vez mais claro em sua mente, só de observar o amigo que agora parecia muito mais malicioso... Antes Momo não sabia se o mesmo era inocente ou simplesmente sem noção, mas ele não parecia tomar conhecimento de nada que se passava ao seu redor, nem mesmo das coisas que estavam bem debaixo de seu nariz (como as relações existentes entre seus amigos).

Outra coisa que Momo a muito se esforçava para entender, era o que Ryoma achava que seus beijos e suas palavras significavam... Sempre tivera a impressão que o prodígio nem ao menos sabia que tomar parte de tais ações o tornava gay, e que aquilo tudo significava algo mais que simples prazer físico. No fim das contas ele compreendia Ryoma menos cada vez que se aproximavam.

Seria mesmo possível que na cabeça dele ainda só existisse espaço para o tennis?

Seus pensamentos foram perdidos com o breve susto que tomou por conta de um barulho parecido com um despertador. Todos viraram para a direção de onde o incomodo som vinha, e se viram olhando mais uma vez para a enfermeira, que até o momento se divertia com a presença de tantos jovens bonitos naquele mórbido espaço que se consistia a enfermaria.

Assim como os rapazes, ela logo notou o ruído e como em um gesto automático levou a mão à cintura e pegou o walktok que lá estava pendurado.

Uma breve e pausada conversa se seguiu pelos aparelhos, entre a mulher e o que parecia ser um homem do outro lado. No fim desta a enfermeira começou a correr de um lado para o outro tentando fechar a tenda o mais rápido possível.

Após um momento silencioso em que os rapazes só a observaram sem entender, finalmente Oishi resolveu perguntar o que se passava.

- Han... Com licença, mas será que a senhora pode nos explicar o que está havendo?Aconteceu algo no parque?

- Hum?Ah! É melhor vocês irem andando, a tempestade prevista chegou mais cedo que o esperado e o parque esta fechando por precaução. Sugiro que sigam para o portão de entrada rapidamente antes que os táxis fujam... Pelo que ouvi não há coisa mais perigosa do que ficar em um lugar aberto durante um terremoto- tempestade.

- Nani?! – Exclamaram todos juntos diante da assustadora novidade. Com isso Taka-san foi capaz de se lembrar da importante notícia que ouvira no outdoor. De acordo com o noticiário, durante a tempestade todas as estações de metro e trem cessariam o funcionamento, assim como a circulação pela cidade se tornaria perigosa demais para os carros que deviam ficar em casa assim como seus donos.

Contou aos outros a notícia e percebeu que não era o único preocupado... Aparentemente nenhum dos presentes tivera o bom senso de ligar a TV naquela manha e assistir a rotineiro jornal matinal. Viam-se totalmente despreparados e um leve sentimento de burrice passava por todos.

Agora estavam:

- Presos do lado de fora do parque durante um tempestade (logo que receberam a novidade finalmente perceberam o barulho da chuva que se intensificava a cada minuto);

- Sem poder voltar para casa (descobriram logo que assim como seus celulares, os metrôs foram os primeiros a parar de funcionar);

- E sem poder contatar qualquer pessoa por ajuda (mesmo que conseguissem, a circulação de carros pela cidade fora fortemente advertida).

Estavam encrencados... Como poderiam imaginar que uma feliz comemoração como aquele terminaria de um modo tão desastroso?


Nos momentos que se seguiram à descoberta, todos fizeram o possível para pensar em uma solução e a prioridade passou a ser arrumar um lugar seguro para se protegerem da chuva e do frio (a tenda já havia sido fechada e tentava resistir aos fortes ventos, porém era evidente que logo viria ao chão).

Tentavam acomodar-se embaixo do apertado telhadinho de uma das lojas, agora fechadas, de modo que pudessem evitar o total encharcamento. As reações problema eram muito distintas.

Inui encontrava-se encostado na parede desviando da corrente de ar que de acordo com seus cálculos passava veloz dois centímetros ao seu lado. Precisava mesmo fazer isso, pois havia oferecido seu casaco a Kaidou que mesmo a contra gosto aceitou o empréstimo. Agora estava vestido apenas com uma leve blusa de mangas curtas e uma calça de ginástica.

Kaidou meditou um momento sobre o significado da bondade de seu namorado e resolveu tomar uma atitude inédita e corajosa: chegou bem perto e encostou seu corpo no do outro, deixando que seu rosto apoiasse no peito do rapaz e isso o aquecesse. Para outras pessoas esse gesto não seria mais que um simples abraço, ou talvez até menos que isso, mas Inui foi capaz de perceber o quão difícil essa simples demonstração de afeto em público era para o Kouhai e correspondeu a altura. Envolveu o mesmo em seus braços delicadamente e curtiu feliz a troca de calor entre seus corpos.

Preocupados com outros problemas, os outros presentes deram pouca, ou melhor, nenhuma importância aos amigos abraçados. Talvez Momo tenha dado uma olhada rápida por cima do olho, mas agora já não se preocupava mais. Sentia a cada segundo o ciúme subir-lhe a cabeça. Isso, é claro, tinha uma causa digna.

Sentada na única cadeira que ainda se encontrava do lado de fora da loja, estava a garota bonita de cabelos curtos, e ao lado dela encontrava-se um Ryoma todo encharcado e visivelmente cansado.

Echizen havia carregado a amiga de tornozelo torcido nas costas por todo o trajeto até as lojinhas, enquanto procuravam um lugar para se proteger da chuva.

Momo sentia no momento algo muito pior do que sentira no passado. De algum modo, o desejo de possessão que o acompanhou durante toda a middle school, parecia nada comparado ao de agora.

Passara a desgostar a presença da amiga, pois só de olhá-la junto ao seu kouhai favorito o ciúmes lhe subia a cabeça.

Ryoma não parecia notar nada, e passava seu tempo tentando acalmar a menina que mostrava óbvios sinais de medo. Estava molhado até os ossos e começava a sentir o frio entrando por sua pele. Daria tudo por uma cama quentinha e um banho. Seu cabelo pendia pesado sobre seu rosto e de tempos em tempos ele o afastava de seus olhos dourados ( perdera o boné durante a fuga da enfermaria). Sua blusa vermelha agora estava vinho e grudada em seu corpo, e água lhe escorria em cada parte exposta como que em uma continua carícia. Ele não fazia idéia do quão tentador estava para Momo...

Cansou de tentar acalmar a amiga, que agora tinha a companhia da garota irritante de cabelos presos, e passou a tirar o máximo possível de água de suas vestes e de seus cabelos. Estava tão ocupado com essa tarefa que não notou a rápida aproximação do outro.

Momo se segurara o máximo que conseguira, mas aquilo já era demais. Vira o kouhai tentando se livrar de toda aquela água e a mesma lhe correndo o corpo de maneira delicada. Notara então a belíssima tatuagem na base da nuca coberta por aqueles sexys fios de cabelo, e essa fora "a última gota". Aproximou-se do amigo e o prendeu contra a parede encoberta pela sombra. Assim como no caso de Kaidou e Inui, os outros estavam muito preocupados para notá-los.

Ryoma não entendeu o que acontecera, só sabia que o novo calor que lhe envolvia era muito mais agradável do que o vento cortante de um minuto atrás. Sentiu a respiração do outro contra sua pele e aproveitou cada segundo daquele aquecimento. Arrepiou-se então com os leves toques que agora sentia em seu pescoço, e sua orelha até chagar a sua boca.

- M-Momo...

Foi tragado por um ardente e confortável beijo. Suas bochechas coraram por algum motivo desconhecido quando o outro sussurrou-lhe no ouvido de maneira lenta e carinhosa. " Echizen..."

Seus corpos tremiam ao breve contato um com o outro e ele não pode deixar de querer mais. Antes que as coisas ficassem ainda mais quentes, foram interrompidos pelo barulho de uma discussão muito próximo a eles. Momo despertou do transe em que se encontrara nos passados 5 minutos, e de maneira desajeitada tentou se recompor. Afastou a cabeça do rosto do outro sem movimentar o resto do corpo, tentando se arrumar e entender o que fizera. Teve então uma visão incrivelmente tentadora. Ao baixar o olhar para o rapaz grudado nele, reparou que este tinha a blusa levemente levantada e que suas pernas estavam entrecruzadas nas do mesmo de maneira excitante. Viu ainda mais de perto a água que escorria pelo belo corpo do amigo e por um brevê momento deteve-se mais uma vez ao vislumbrar a cabeça levemente tombada de Ryoma e a longa franja que lhe caia nos olhos.A linda boca entreaberta, a respiração ofegante e o rosto corado e molhado lhe foram a maior tortura, porém quando ouviu novamente a tal discussão, resolveu afastar-se da tentação antes que se perdesse novamente.

Ryoma percebeu o movimento do amigo e assim como este tentou por a cabeça no lugar. Desde quando perdia o controle com um simples beijo? E oque fizera ter aquela reação só por conta de um sussurro do amigo? Seu corpo o traíra e isso não iria acontecer de novo. Pelo menos não até ele conseguir o que queria.

Percebeu então o que prendia agora a atenção de Momo (que o havia liberado da parede e agora olhava para a fonte da discussão que os interrompera ). Deu os poucos passos que o separava do sempai e sentiu mais uma vez o vento frio contra seu corpo.

Momo percebeu logo sua presença e a ação que fez em seguida, assim como aquele sussurro, o fez corar. Pego-o pela mão e puxou-o para mais perto de seu corpo abraçando-o por trás. Ryoma não compreendia o que estava acontecendo com ele... Takeshi fizera isso muitas vezes durante o tempo em que estudavam na antiga Seigaku e pra ele nunca fora grande coisa... Mas dessa vez, por algum motivo, foi.

Foi algo que fez seu coração acelerar e seu olhos fitarem o chão de maneira constrangida. Sentiu mais uma vez aquele gostoso calor e ouviu a vóz do amigo em um tom baixo e envergonhado: "Com esse vento você vai pegar uma gripe"

Momo falou isso sem baixar o olhar para a cabeça do kouhai e sem afrouxar o abraço, e voltou a atenção para uma parte particularmente agitada da briga mais a frente.


Dês de que chegaram ao telhadinho da loja, a chuva não melhorara nem um pouco e os ventos só pioravam a cada segundo.

Apesar de a grande maioria dos presentes ter em mente o problema que enfrentavam, o ruivo enérgico do grupo não podia tirar da cabeça a história que ouvira mais cedo.

A narração feita por Taka-san, somada à expressão de tristeza de Fuji, o deixara irado com o Ex-capitão. Queria quebrar a cara do rapaz de maneira rápida e dolorida.

Cada minuto que passavam presos naquele telhadinho o deixava mais irritado. Tentara falar com o amigo tensai, mas esse não lhe retribuirá o olhar nenhuma vez. Também a falta de interesse pela história da parte dos antigos companheiros de equipe estava lhe dando nos nervos.

Viu de relance dois dos amigos abraçados, assim como o movimento suspeito nas sombras, e sentiu o olhar de preocupação de seu namorado em sua nuca.

Não conseguia compreender como os outros podiam pensar em coisas como aquelas quando Fuji estava sofrendo tanto. Nem como Oishi prestava mais atenção nele do que no amigo magoado. Tomou uma decisão radical quando viu várias pessoas correndo de uma lado para o outro procurando por abrigo contra a chuva.

- Vou atrás do Tezuka.

- O que? – Perguntou Oishi sem ter entendido direito o que o ruivo dissera por conta do barulho da chuva. – Falou alguma coisa Eiji?

- Vou procurar o Tezuka e quebrar a cara dele. – Falou rápido, e dessa vez saiu do telhadinho e começou a andar em uma direção qualquer. Sentiu a chuva forte mais uma vez em seus cabelos e ombros, assim como algo que segurava firme seu pulso. Virou-se e viu Oishi com uma expressão confusa.

- O-oque?! Eiji espere um pouco, olhe essa chuva, sem chance você vai encontrá-lo agora.

- Oishi me solta! Como você pode estar tão calmo?! Você não ouviu o que ele fez com o Fuji?! – Kikumaru falou isso quase gritando. Não conseguia mais agüentar tudo aquilo, estava lívido e precisava fazer algo a respeito.

- Eiji, calma! Não a nada que possamos fazer agora. É muito perigoso sair nessa chuva, sem contar que a chance de Tezuka ainda estar por aqui é mínima. Saia da chuva antes que fique doente e vamos pensar em como voltar para casa. Dep-

- Oishi! O que há com todos vocês?! Como podem ficar parados sem fazer nada?- O ruivo lançou a Fuji um olhar quase que de pena e este lhe retribuiu de maneira agressiva mais uma vez. – Fujiko-chan está ferido! Temos que fazer algo! – Dessa vez sua voz estava ainda mais alta e ele se dirigiu aos presentes que o olharam com espanto. Poucos o haviam visto perder a cabeça, era algo quase inédito.

- Eiji já chega! Não adianta gritar conosco, tenho certeza que Tezuka tem uma boa explicação para tudo isso, mas primeiro vamos nos concentrar em sair desse lug-

- É só nisso que você consegue pensar?! E porque está tentando proteger o Tezuka?! Vou atrás dele você querendo ou não!

- EIJI, PARE DE AGIR FEITO CRIANÇA! – Oishi não conseguiu manter a calma por mais tempo. É claro que o problema dos amigos o incomodava, mas tinha outras coisas para pensar no momento, e aquela atitude egoísta que seu namorado mostrava não estava ajudando em nada. Percebeu logo que não deveria ter falado aquilo. Kikumaru que até o momento estava com uma expressão revoltada agora também estava chorando.

- SE VOCÊ PREFERE FICAR DO LADO DO TEZUKA, QUE FIQUE! EU É QUE NÃO VOU ESPERAR A MAMÃE ME DIZER O QUE FAZER!- Gritou desvencilhando-se do namorado. Em seguida disparou em direção a chuva de cabeça baixa e sentindo as lágrimas salgadas lhe escorrerem pelo rosto.

- Eiji ! – Falou Fuji pela primeira vez desde que saíram da enfermaria. Até então, sua mente estivera ocupada demais com a cena envolvendo Tezuka para dar atençao a qualquer outra coisa. Ver seu melhor amigo correr rumo ao perigo foi como um chamado para a realidade. Deixaria sua tristeza para depois, pois agora tinha que resgatar o ruivo que tanto o protegera.

Seus olhos abriram de maneira assustadora e ele se dirigiu ao rapaz alto que vestia uma expressão preocupada, e olhava para a ruela escura e molhada.

- Oishi, eu vou atrás do Eiji enquanto você vai com os outros atrás de um lugar para ficarmos. Deve haver algum hotel ou loja aberta nas redondezas. Nos encontramos na entrada do parque em meia hora.

O ex-fukubuchou concordou e seguiu com os olhos o amigo partir na mesma direção que o ruivo.

O céu estava escurecendo rápido e a chuva se mantinha firme e forte. Oishi resolveu criar grupos para facilitar a busca. Todos se prepararam para encarar a chuva mais uma vez e seguiram em direção ao portão principal. Ao chegarem ao mesmo os grupos se separaram e iniciaram a procura.

Quinze minutos depois todos pensavam a mesma coisa: " Isso vai ser mais difícil do que pensávamos".

Nenhuma das lojas da vizinhança parecia disposta a deixar suas portas abertas durante uma tempestade, e todos os hotéis já estavam lotados com pessoas na mesma situação que eles.

Vinte minutos e eles já estavam entrando em desespero. Não se via mais nem um palmo na frente do nariz por conta da noite que caia cada vez mais rápido.

Ao longe eram capazes de visualizar luzes provenientes de placas luminosas (a luz ainda não havia caído, de algum modo), e esperançosos corriam em direção as mesmas só para encontrar mais portas fechadas. O horário de encontro já chegara e eles tinham que voltar para a portaria do parque.

Chagaram lá parecendo pintos molhados tremendo por inteiros com qualquer ventinho. As expressões de desapontamento na cara de cada um deles já dava o resultado da busca. Logo Oishi reparou que nem o Tensai nem o Ruivo nem o casal estranho estavam presentes. A preocupação lhe tomou os pensamentos, mas logo foi acalmada com a visão de dois rapazes vindo de dentro do parque em passos lentos. O rapaz de cabelos longos trazia o outro pela mão, e este tinha a cabeça baixa e os cabelos cobrindo os olhos.

Em seguida reparou em mais dois vultos vindos do outro lado da rua em sua direção. Estes também vinham de mãos dadas, mas diferente dos outros não tinham aquela pesada expressão de fracasso. O rapaz mais baixo parecia envergonhado, e o mais alto tinha um obvio ar de satisfação.

Todos resolveram compartilhar as descobertas em baixo de uma árvore grande.

- Inui, você achou um lugar não é? – Perguntou Oishi logo que todos estavam prestando atenção.

- Sim. Foi o único lugar aberto e vazio que achamos. É melhor irmos logo antes que fique lotado.

Os rapazes ficaram curiosos pelo porque de Kaidou estar tão constrangido. Não seria possível que os dois tivessem feito coisas pervertidas em uma situação como aquela, seria?

Logo descobriram, e não puderam evitar de se sentir da mesma forma. O lugar que Inui os havia conseguido era nada mais nada menos que um luxuoso motel.

Momo e Ryoma que até então estavam muito próximos um do outro com o objetivo de se manterem aquecidos, coraram e Momo rapidamente pos o braço em volta do ombro do kouhai o impedindo de se distanciar.

Oishi não conseguiu evitar uma espiada rápida para o ruivo que assim como ele também o fez. Logo que se encaram desviaram o olhar e em seguida coraram.

Fuji, mesmo se sentindo deprimido, não pode deixar de sorrir ao ler o que estava escrito na placa do lugar. Ele podia estar deprimido, mas bancar o cupido ainda era sua atividade favorita.

A garota chamada Tomoka não entendeu muito bem a reação de todos, mas ficou feliz por terem um lugar bom para ficar.

E por fim Taka-san e a outra garota chamada Ryuzaki, que se apoiava na primeira, evitaram mais uma vez a troca de olhares e, assim como os outros, coraram.

Entraram do lugar e logo sentiram o calor dos aquecedores que tomava todo o grande salão de entrada. Este era, sem dúvida, um Motel caro. A recepção localizava-se ao fundo do cômodo e era extremamente elegante. Três moças e um rapaz esperavam profissionalmente o próximo cliente entrar, e assim que visualizaram aquele bando de jovens bonitos, seus olhos brilharam de excitação. Todos se dirigiram para o balcão deixando um rastro de água pelo caminho e ficando mais constrangidos a cada minuto com os olhares que recebiam dos funcionários e dos outros hóspedes.

Na tabela de preços se via a disponibilidade dos quartos e seus custos dependendo do tempo de permanência. Oishi conversou com a funcionária, que não conseguia parar de sorrir diante de um rapaz tão bonito, e então com um suspiro voltou-se para os outros que o esperavam pacientemente.

- Não tem nem chance de nós conseguirmos pagar um quarto aqui. Pelo que a enfermeira disse, essa tempestade vai durar até amanha de manhã, e isso quer dizer uma noite inteira nesse lugar. Imagino que as aulas vão ser canceladas, mas esse não é o problema aqui. O que precisamos agora é arranjar o dinheiro.

Oishi falou e começou a fuçar em sua carteira assim como Eiji, Momo, Fuji, Kaidou, Inui, Sakuno, Tomoka e Taka-san. Contaram os poucos trocados que cada um havia levado para a visita ao parque e, felizmente, conseguiram o suficiente para alugar um quarto. Echizen tentara se pronunciar umas três vezes, mas fora interrompido pelos outros que faziam questão de anunciar em bom tom o quanto tinham para colaborar. Na quarta vez, perdeu a paciência e chutou a canela de Momo, que gritou e fez com que todos olhassem para ele e dele para Ryoma.

- Pra que foi isso Echizen?! – Perguntou o rapaz esfregando a canela dolorida e fitando o kouhai assim como todos os outros.

- Vocês pretendem ficar todos no mesmo quarto? – Perguntou levantando a sobrancelha e passando os olhos dourados pelo salão.

- Algum problema com isso? – Perguntou Momo – Você não está colaborando com nada, por isso não tem o direito de reclamar.

Ryoma virou os olhos e suspirou com a estupidez do amigo.

- Não é isso que quero dizer imbecil, olha para aquela placa ao lado do balcão.

Todos viraram as cabeças na direção que o prodígio apontava, e leram o que lá estava escrito:

- Proibida a permanecia de mais de 2 pessoas por quarto –

Agradecemos a compreensão,

A direção.

Todos entenderam na hora o que Ryoma quis dizer.

Se essa era a cota máxima de pessoas por quarto, precisariam de pelo menos 5 quartos, e não havia jeito de eles pagarem por tudo aquilo. O desespero voltou a tomar conta geral, e mais uma vez Ryoma tentou falar, mas foi interrompido. Oishi tentou convencer a recepcionista e depois o gerente, mas não teve sucesso. Ele imaginava o que aqueles funcionários achavam que eles pretendiam fazer todos em um quarto só, e qual seria o motivo das risadas maliciosas provenientes das moças que assistiam à situação.

Aquilo tudo já estava virando uma grande bagunça e o gerente já os havia pedido para ir embora quando, mais uma vez revoltado com a falta de atenção, o prodígio chutou a outra canela de Momo:

- Ei, Echizen! Isso é hábito agora foi?! – Gritou o rapaz indignado, sofrendo com a dor aguda em sua outra canela. Mais uma vez todos pararam de falar e se viraram para o rapaz de olhos dourados, que apesar de meio bravo manteve a calma e falou sem qualquer flexão na voz.

- Eu pago os quartos.

Ao ouvirem isso, após um breve momento de silêncio, todos caíram na risada.

- Ah, qual é Echizen! Como se você tivesse dinheiro para isso! – Zombou Momo.

- Ochibi tem senso de humor, quem diria! – Riu Eiji, e agarrou o kouhai que agora tinha a sua altura.

- Fushuuuuuuu. Baka – Falou Kaidou dando um sorriso debochado.

- A possibilidade do Echizen ter esse dinheiro todo é de 0.1

-Ryoma-sama...

- Ryoma-kun... – As garotas olhavam para o prodígio com pena e descrença.

- Hum...Echizen, eu não creio que você seja capaz de pagar por tudo isso, mas valeu a intenção. – Falou Oishi de maneira desconfortavelmente maternal.

Ryoma os lançava um olhar mortal. O que seus sempais pensavam dele? Que era uma criança mentirosa procurando atenção? Ah como iam pagar por isso. Estava perto de tentar um estrangulamento quando Fuji interveio falando calmamente.

- Hum... Rapazes, eu não acho que o Echizen esteja brincando. Isso é um assunto um tanto sério e ele não é mais uma criança. – Falou fitando o kouhai que o agradeceu com o olhar. – E então Echizen? Como pretende bancar isso?

O rapaz respondeu com um gesto que valeu mais que qualquer palavra: sacou do bolso algo que só podia ser um cartão de banco, e mostrou a todos dando um pequeno sorriso. Os presentes leram o que estava escrito:

\ Banco American Plus /

Xxx3xxx66 –xx

Echizen Ryoma

xxx-6 x2xx

\ validade: xxx /

- E o que tem esse cartão? Não adianta nada se não tiver dinheiro na conta. – Comentou Momo.

Ryoma seguiu até o balcão e falou algo com a atendente, que ao bater os olhos no cartão do mesmo, começou a mexer no computador a sua frente sem se distrair. Alguns minutos depois ela lhe entregou uma nota e sorriu. Agradeceu e antes que tivesse a chance de deixar o balcão, esta lhe pediu algo de modo constrangido e ele virou-se mais uma vez para atender o pedido. Anotou algo em um papel que ela lhe dera, e em seguida, foi na direção que os amigos se encontravam.

A ler a anotação, a moça mostrou-se muito excitada e começou a cochichar com as colegas.

Os rapazes esperaram pacientemente até o prodígio chegar com a misteriosa nota entregue pela balconista, e entrega-la a Fuji, que leu o que estava escrito e sorriu maleficamente.

- Vocês devem umas belas desculpas ao nosso ochibi, sabem? Ele esta prestes a pagar a mais cara estadia que já vi para amigos que zombaram dele. – Falou isso mostrando a todos a notinha e caindo na gargalhada.

Os outros lutaram para ler os muitos numerinhos escritos a mão pela atendente, sem qualquer outra anotação ao lado. Olharam para o Tensai sem entender.

- E qual é o significado do que está escrito?- Perguntou Oishi em nome de todos.

- Hum...Vocês nem desconfiam?

Os outros balançaram a cabeça e Ryoma se segurou mais uma vez para não estrangular seus amigos. Eles só podiam estar fazendo aquilo de propósito...

- Hum...Deixa eu ver se estou certo. É o dinheiro da sua conta certo Echizen?

O prodígio fez que sim com a cabeça e os outros ficaram em choque.

- Oi oi oi... Nem brinca...Como é que você...- Murmurou Momo querendo engolir as palavras que proferira a poucos minutos atrás para o amigo.

- He, quem diria, Fushuuuuuu...

- Possibilidade do Echizen estar puto conosco é de 100

- Hahaha... S-sinto muito Echizen.

- Ryoma-sama, kakoiii!

- OCHIBI ESTÁ RICO!! – E com isso todos entenderam o que Fuji quis dizer.

- Mas espera um pouco... Como você conseguiu tanto dinheiro seu malandro?! – Perguntou Momo gargalhando e bagunçando o cabelo do kouhai. – Andou roubando foi?

Todos ficaram em silêncio esperando a explicação, até que Fuji o fez.

- Se não me engano, tem a ver com os 6 torneios e 2 títulos que você ganhou nestes 2 anos que esteve nos USA, estou certo? – Dirigiu a pergunta ao rapaz de olhos dourados, e este mais uma vez confirmou. – Imagino que vocês não têm acompanhado as partidas internacionais de tennis, ou tem? Pode-se dizer que o nosso Ochibi é o que chamamos de Top Pro, ou seja, ele tem se saído muito bem dês de que deixou o Japão.

- Então é por isso que você acreditou no Echizen? Porque você tem assistido essas partidas?- Perguntou o ex-fukubuchou.

- Infelizmente não cheguei a assistir nenhuma que ele tenha tomado parte, mas de fato tenho mantido os olhos em alguns jogadores promissores, e o nosso Ochibi é frequentemente citado. Acreditem ou não ele é bem popular.

Olhou de esguelha para o kouhai e sorriu ao ver a mesma expressão vazia de sempre.

Ryoma certamente sabia como agir de maneira "cool".

- Isso também explica o autógrafo que ele deu agora a pouco, e os que ele terá de dar quando todos os fãs de tennis daqui descobrirem sua presença. Por isso acho melhor se apressarem com essas desculpas, para que possamos usufruir dos benefícios deste lugar o mais rápido possível. O que acham?

Os que estavam presentes neste momento naquele salão presenciaram o alto coro de desculpas dirigidas a um rapaz bonito e molhado, que após ouvi-las foi ao balcão fazer o registro.

Os quartos foram distribuídos do mesmo modo que os carrinhos da montanha russa, tendo como única diferença a presença das duas meninas que dividiriam um quarto. Enquanto alugava os quartos, Ryoma nem parou para pensar nas conseqüências daquela divisão. Só se daria conta do problema que criara, quando a coisa já não tinha mais volta.

Fuji que com a historia toda do dinheiro e o início de seu trabalho como cupido, havia se tornado um pouco mais animado, voltou a sentir a mesma tristeza e raiva de algumas horas atrás quando ouviu "sem querer" a conversa entre os funcionários que haviam acabado de pegar autógrafos com o kouhai de olhos dourados.

- Mas que sorte a nossa não? Segunda pessoa famosa que se hospeda aqui hoje!

- Nem me fale, amanha minhas amigas vão se morder de inveja! Mas isso é algo realmente raro de acontecer.

- Pois é. Dois tenistas famosos ( e lindos ) entrarem em um Motel no mesmo dia e sem se importar com disfarces... Parece até coisa de TV.

- Echizen e Tezuka, hum... Ambos prodígios e Top Pros!

Continua...


Dicionário:

"...kakoiii!" – Tão perfeito; maneiro.

"Top pros" – Profissionais de primeira classe.

"cool" – Maneiro; cheio de estilo

"baka" - Idiota


Hello folks!

Bem, bem... O que fazer se não pedir desculpas pela demora? Dessa vez não tenho uma boa explicação, foi preguiça mesmo u.u'

Sabem como é, não é sempre que a gente tem saco para sentar e escrever... De qualquer modo, aí esta!

Esse capítulo é a introdução dos lemons se não me engano.

Não sei se vocês ja repararam, mas meu casal favorito é MomoxRyo, por isso a partir de agora eles serão mais enfocados que os demais. However, isso não significa que esquecerei dos outros, relaxem XD

Ainda não sei o nome do próximo cap, mas vou fazer o possivel para postá-lo em breve :

Tambem tenho a impressão que essa fic vai ficar maior que o previsto, mas isso ainda não é certeza.

Espero que gostem, e deixem reviews!! Vocês podem achar sem importancia, mas é isso que nos motiva a escrever... Sem reviews é como se ninguem lesse, e sem leitores não tem por que continuar né?

bjus ;