Darkness
Disclaimer: *faixa:* FAVOR SÓ PROCESSAR QUANDO EU COMEÇAR A VENDER MINHAS FICS DIZENDO QUE EU CRIEI HARRY POTTER.
Summary: Escuro não era só a cor do seu cabelo, mas também seu estado atual e de tudo a sua volta. Escuro era onde ele estava.
Aviso: Esse é um capítulo não... hétero... desculpe... eu tentei... mas essa fic tem vida própria e se recusa deixar de ser Yaoi! Mas se você chegou até aqui e passou por muitas coisas yaois feias é porque não se importa ou é muito curioso ou está esperando mais material para poder me xingar melhor... mas de qualquer forma... sinta-se bem vindo...
Shipper: Harry e Draco
N/A: Depois de 4 anos de espera... alguém ainda espera? Whatever... se alguém quer ver como termina, estou continuando. HAPPINESS!
N/A²: Antes dava para ver os POV melhor separados... não vou trocar todos os capítulos para consertar, mas vou tentar voltar a colocar os separadores de agora em diante.
05 – Realidade
-Severus eu juro que tentei, mas ele parece conhecer cada um dos seus horários – ouviu Draco explicando.
-Draco, Draco, Draco – a voz fria que antes rosnara soara estranhamente doce e ameaçadora. Uma voz que agora ele reconhecia, geralmente ela vinha do outro lado da varinha apontada para seu peito. – Tentando encobrir o Severus? Não faria isso se fosse você. Por que está me olhando tão abobado, moleque? – o silêncio que caiu sobre todos os presentes era quase sepulcral.
Harry estava dividido entre responder ou simplesmente ignorar. Afinal, era do braço direito do grande Lord das Trevas que estavam falando. Resolveu ignorar. Ergueu-se o mais rápido que pôde, rezando para continuar firme. Deu uns passos trôpegos então sentiu os dedos finos de Draco se cerrando contra seu pulso e o guiando para fora o mais rápido que conseguiu.
Fechou a porta do quarto e colocou o ouvido de Harry o mais delicadamente que pôde contra a porta. Ele ouviu um movimento ao seu lado e sentiu Draco se apoiando contra a porta também, provavelmente colando o ouvido na madeira.
-Severus e meu pai, eles já foram amantes – explicou –, mas meu pai é possessivo e não vai dividir seu Severus com mais ninguém.
Aquilo não fazia sentido na cabeça de Harry. Lucius Malfoy e Severus Snape? Ele fez uma cara confusa.
-Como assim? – murmurou curioso.
-Meu pai e Severus. Juntos. Numa cama – Harry rolou os olhos e imaginou a expressão entediada de Draco. Sorriu suavemente.
-Não isso, Draco. Não sou tão inocente assim. Como raios seu pai, Lucius "Magnânimo" Malfoy, foi amante de Snape? Quero dizer, ele é tentador, mas quando se fala de Lucius Malfoy eu sempre o imaginei com uma daquelas pessoas esplendorosas, de algum país exótico... – foi interrompido por um riso baixo.
Notou então que estavam ocupados a ponto de perder a conversa importante do outro lado. Tentou focalizar sua concentração em ouvir.
-Você sempre imagina essas coisas, Potty? – Draco o interrompeu, fazendo que sua face ardesse.
-Ah... é... er... – ele quase ouviu um "eloqüente" vindo de Malfoy.
-Você não dormiu mesmo com ele. Se tivesse dormido teria visto, oops – um riso suave, nada arrependido veio dele, Harry sorriu de volta, engolfado pela sensação do riso de Malfoy contra seu rosto. Tão próximo. – Teria sabido o quão esplendoroso – imitou o garoto – ele é! – então ele se calou, sério, pelo silêncio, provavelmente constrangido.
-... cius, não seja teimoso e me escute... – Snape falou do outro lado da porta.
-Meu pai já me ameaçou – Draco confessou. Sem diversão na voz. – Se eu dormisse com o Severus. Ele é muito possessivo – frisou. Ele parecia resignado, quase derrotado à medida que o tempo passava. – Isso vai terminar mal – e como que para provar algum ponto um "O QUÊ?" Foi ouvido. Draco suspirou parecendo mais derrotado ainda.
-Mas e sua mã... esquece. Imaginei por mim mesmo.
Draco suspirou divertido. Perdendo o ar triste.
-Como imaginou, corretamente devo acrescentar, algo muito raro vindo de você. Ponto para a grifinória! –sorriu achando graça. – Arranjado. Ele é um bom homem, e desfaça essa expressão de incredulidade. Ele a respeita e nunca mentiu com relação aos próprios sentimentos. Mamãe não tem falsas esperanças – não pode deixar de pensar "fofo" ao ouvir "mamãe".
Houve silêncio. Deste e do outro lado. Harry estava ocupado pensando em quão meigo Draco Malfoy podia ser. Então ouviram o som sibilado de murmúrios. Snape afastou um móvel e deu passadas pesadas enquanto sussurrava uma resposta. Instintivamente os meninos se afastaram.
-NÃO ME IMPEÇA DE MATAR ESSE INFELIZ! – ouviram gritos mesmo longe da porta. – NÃO VOU ME ACALMAR PORRA NENHUMA SEVERUS, ME LARGA.
-...flita, agir no momento da raiva nunca fez bem a nin... – a voz do professor fora ouvida.
A porta escancarou ruidosamente, deixando os garotos surpresos.
-AÍ ESTÁ O INFELIZ – ele pausou um momento, provavelmente se recompondo. Harry sentiu alguém ficar a sua frente, era Draco, ainda podia ouvir Snape respirando ao lado do pai do loiro. – Olhe nos meus olhos, Potter, seu infeliz. Acha que pode me roubar o Severus? Acha? – Severus murmurou algo como "não foi isso que eu disse", entretanto foi ignorado. – Já me roubou um elfo e agora parece que até meu filho está do seu lado. Mas esqueça o Severus ele é meu, só meu.
/ / /
-Não é o que eu quero, senhor – Harry visivelmente parecia acuado. Possivelmente por não possuir a capacidade de ver seu inimigo, ainda mais esse inimigo em específico.
Potter 'olhava' para diversos lados, exasperado. Tremia suavemente e estava puxando muito o 's'. Por experiências passadas, Draco sabia que o moreno tendia a falar em parsel quando estava nervoso. Ele se perguntou se aquele belo espécime de anjo também desataria a chiar na língua das cobras quando estivesse deleitado de prazer. "Draco Malfoy, esse é um momento crítico demais para devanear. FOCO!" se repreendeu. Sabia que seu pai mataria qualquer um pelo Lord, mas poria bem mais empenho na tarefa se fosse para vingar o fato de alguém ter encostado-se a algo que lhe pertencia, não queria nem imaginar o que seu pai faria por Severus.
E ele já estava visivelmente irritado com as reações nervosas de Harry.
-Bem, er, a gente, eu e Se – parsel – ...rdo. Só isso – a última parte foi dificilmente entendida de tão chiada.
Todos ficaram confusos ante o parseltongue. Lucius estava quase bufando e tão vermelho que Draco não pôde deixar de associá-lo com um caldeirão fumegante. Severus olhava o moreno incrédulo por estar usando parseltongue, ou qualquer outro motivo.
-ssssss – imitou para Harry. – Não há cobras aqui para conversar, Potter – falou o mais suave que o ódio estampado no rosto furioso do pai lhe permitiu.
-Ah... er... Eu e Seve... Snape – a correção pareceu surtir efeito contrário, era possível o homem ficar mais vermelho? – Eu e Snape. A gente tinha um acordo. Só isso. Nada de sentimentos envolvidos – ele mantinha o rosto franzido na concentração de não falar em parsel –, senhor – acrescentou, levemente chiado.
Se Harry estava uma pilha de nervos, a desculpa, sonoramente, nervosa fez Lucius explodir. Ou quase.
-Não me engane, pirralho – ele sussurrou parecendo MESMO com um caldeirão fumegante. –, ele disse que você era adorável. MEU – Draco, que até então estivera meio de lado para ver as reações de Harry, virou de vez para o seu pai com o grito, um pouco assustado – Sev não fala isso levianamente – sentiu o garoto estremecer atrás de si.
-Nã... Não...
-E POR QUE NÃO ESTÁ ME OLHANDO NOS OLHOS? – Lucius parou um instante, analisando Potter. Ele tinha que fazer algo, rápido. Seu pai não era nenhum santo, e se algo acontecesse ao seu anjo. – Onde estão seus óculos, Harry? – perguntou com falsa suavidade.
-Eu... bem... eu... – Lucius empurrou o filho e tocou o rosto de Harry.
"Ferrou" pensou Draco. Tentou puxar o pai num ato de extrema rebeldia e proteção. Snape fechou os olhos, derrotado. Ambos sabiam do treinamento de Lucius Malfoy como healer¹. Preparou-se para fazer alguma coisa, qualquer coisa para proteger seu anjo negro. Em sua cabeça pensou em gritar sobre o fato que ele havia tomado algo do pai, só para afastá-lo do outro garoto, quando esse algo tocou seu ombro e lhe deu uma negativa com a cabeça.
-Não piore a situação.
Os outros dois ocupantes da sala não pareceram notar a rápida conversa. Harry tremia furiosamente, sem respirar e Lucius estava o examinando profundamente, murmurando para si mesmo.
-Seus olhos estão desfocados, anormalmente devo dizer, e... – passou os dedos diante dos olhos do rapaz, sorrindo triunfante quando, obviamente, ele não o seguiu com o olhar. – Está cego! – Elevou a voz e estufou o peito. – Ora vejam só. Era isso que negociava com meu Severus, fedelho? Oferecendo seu corpo em troca do silêncio? Será que esse corpo vale algo? – Draco engoliu em seco. Agora a situação com certeza estava fora do controle. Lucius ainda segurava o rosto dele e estava perigosamente perto. O suficiente para um beijo.
-Lucius, basta – Severus interveio. Draco suspirou aliviado.
O loiro se afastou irritado. E olhando enojado para o outro garoto começou o ataque.
-Por algum acaso está tentando comprar a pena do meu filho e do meu amante com essa sua inutilidade?
-Quê? NÃO – Harry caiu no chão amuado. Segurando as lágrimas, deixando algumas escorrerem sem querer no processo.
"Oh não" Draco gemeu. Correu até ele. A única coisa que passava pela sua cabeça era fazê-lo parar de chorar. Afastar o mal dele. Estavam em silêncio. Silêncio este entrecortado apenas pelos soluços contidos de Harry. Passou os braços em torno do rapaz que se opôs, resistindo com força, de tal maneira que terminou por se bater contra um armário derrubando um frasco de poção.
Quando este atingiu o chão e se estilhaçou. O barulho do vidro se partindo desencadeou os fatos. Harry começou a chorar, balbuciando coisas em parsel e Lucius continuou tecendo o seu repertório de ofensas. Draco tentou se aproximar novamente sendo fortemente afastado.
-CHEGA, PAI! CHEGA! – o homem estancou, olhando surpreso para o filho. –Cale a boca. Não importa o que raios o seu maldito Lord – Lucius estreitou os olhos a menção do Lord das Trevas – vai pensar. Você vai calar a boca – sibilou quando finalmente conseguiu apertar Harry contra o peito.
-DRACO LUCIUS MALFOY – se descontrolou quando finalmente absorveu e compreendeu que seu filho, sempre obediente, lhe desafiara.
-Não, Lucius – Severus ficou entre o homem e os garotos. – Venha comigo – o arrastou consigo deixando os garotos sozinhos. – O frasco azul, na estante sobre sua cabeça, Draco. Dê isso ao Potter – e fechou a porta do quarto.
/ / /
Harry sentiu o loiro o soltando momentaneamente, provavelmente para pegar o tal frasco azul. Quando ele retornou apertou novamente o garoto contra o peito, enfiando um frasco minúsculo em sua mão.
-É uma poção calmante – explicou num tom cansado. Talvez pela luta para chegar a Harry, ou pela discussão com o pai. – Você vai dormir logo depois de beber. A escolha é sua – e começou a acariciar o rosto do moreno que ainda chorava, molhando suas vestes.
-Eu... ah... – um soluço. – Seu pai... ele...
-Acalme-se – seu tom era firme, ainda que suave. Harry não podia deixar de achar reconfortante.
Mas a crueldade de perceber que estava cego finalmente o abatera. Como podia pensar em duelar com o Lord das Trevas se não podia nem ver onde ele estaria? Ou como poderia sobreviver até o duelo com ele se Lucius Malfoy já sabia? Não apenas isso, Lucius tinha razão. Ele era um inútil que despertava pena nos outros. Draco estava ali por pena. E quando a pena cessasse?
-Shhh – Draco o embalou confortavelmente, o ninando suavemente e expulsando os seus pensamentos. – Acalme-se, sim? Severus dará um jeito. Ele sempre dá – e enxugou lágrimas. Harry nem percebera que voltara a chorar copiosamente. Suspirou longamente e fechou os olhos um pouco. – Não chore, meu anjo, você fica melhor radiante – Draco sussurrara tão baixo que Harry mal escutara. – Durma, Potty, quando você acordar eu irei te ouvir e falar tudo que você quiser saber. Mas por hora, durma.
Ainda embalado pelas suaves carícias e doces palavras, ainda que se sentisse horrivelmente desesperado, bebeu a poção num gole. Aninhou-se mais no peito do outro. "Meu anjo". A frase reverberava com força em sua cabeça, o deixando tonto e estranhamente feliz. "Meu anjo". Draco Malfoy teria muito que explicar quando acordasse. Fechou longamente os olhos os abrindo em seguida, resistindo um pouco.
-Durma – sussurraram em seu ouvido.
Corando um pouco ele fechou os olhos novamente.
-Você vai estar aqui quando eu acordar? – a voz sumindo, quase se rendendo.
-Sim – e Harry caiu em um sono tranqüilo.
/ / /
Quando Potter deslizou em seu peito, propriamente adormecido, Draco se ergueu o levando consigo. Com um meneio de sua varinha o tornou mais leve, a ponto de sustentá-lo em um braço, e o levou para a enfermaria.
-Céus, Potter está bem? – Poppy Pomfrey e sua incrível habilidade de atestar o óbvio. Mas a enxaqueca que pontuava em sua cabeça não deixaria Draco retrucar.
-Ele teve uma crise de nervos. Severus lhe deu uma poção. Só vim trazê-lo para descansar aqui.
-Oh, sim – ela respondeu mais calma.
Saiu procurando uma cama vazia. Não tinha muitos alunos ali. Um garoto pequeno e fofinho, super lufo, que fez Draco revirar os olhos. Uma menina igualmente lufa que observava Harry com curiosidade estampada nos olhos grandes e redondos. Neville Longbottom, nenhuma novidade, além do fato de Snape ter aceitado ele em sua turma, hoje tivera aula de poções. Após achar uma cama razoavelmente confortável, ela voltou e pediu para Malfoy depositar o garoto ali. E para tristeza da pequena lufa, ele fechou as cortinas.
Sentou numa poltrona ao lado de Harry para velar seu sono, fechando as mãos e apoiando a cabeça nelas. Seu pai tinha que aparecer hoje?
Após um tempo Snape entrou na enfermaria puxando as cortinas. Draco ergueu os olhos, massageando as têmporas. E ao notar a expressão culpada, algo extremamente raro, vindo de quem vinha, em seu rosto soube que sua enxaqueca não seria mais apenas uma ameaça.
-Eu preciso de você lá.
-Prometi estar aqui quando ele acordar – resmungou.
-Vai estar. Ele tem algumas horas de sono. Seu pai por outro lado deve estar despertando a qualquer instante – Draco entendeu. Mas não queria ver o pai tão cedo.
-Severus...
-Zabini vai ser decisão sua. Mas toda parte que concerne a mim será esclarecida a Lucius. E você deveria decidir logo o que sente por Potter. Afinal esse vai ser o momento de você decidir o seu futuro – sussurrou. – Venha comigo. Há coisas para conversar antes que seu pai desperte – e guiou o garoto para seu quarto.
O caminho foi feito em silêncio sepulcral. Nem mesmo Peeves teve coragem de perturbá-los, embora tenha feito uma gracinha. Chegaram ao escritório ainda bagunçado. A poção derrubada por Harry borbulhava fantasmagoricamente e soltava um vapor macilento que trazia maus presságios. Teve sua atenção cortada pelo pigarro de Severus o convidando a sentar a sua frente. Ele estava na escrivaninha.
-Serei breve². A última coisa que preciso é Lucius acordando a ponto de ouvir o que eu quero falar com você. Logo, não me interrompa – ele parou um instante, abriu a boca para falar, mas retesou. Suspirando ele levantou, caminhou até um armário, pegou uma garrafa de firewhisky e sentou novamente. Tomou um longo gole direto do gargalo e esperou um pouco enquanto a tontura passava. – Grifinórios estúpidos – sua voz estava normal, mas o comentário indicava que a bebida fizera o efeito esperado. – Falam tanto dessa famigerada coragem, quando ela está, há milênios, sendo vendidas em garrafas com cores bonitas – e se permitiu um sorriso sarcástico, para então retornar ao tom sério. – Pois bem – falou resignado. – Eu amo você – Draco ficou boquiaberto. – Amo. Mas amo Lucius também. É completamente diferente – outro gole. – Eu sei que você não me ama. Não me interrompa, garoto! – outro gole. Malfoy sabia que ele poderia beber garrafas a fio sem se alterar... muito. – Não me ama da forma que eu gostaria. Você bem sabe que ama o Potter – arregalou os olhos. – Sim, Dray – zombou. – A escola inteira já deve ter notado.
-Eu... ah... bem... eu não... – "Merda" pensou.
-Vejo que a eloqüência Potteriana é contagiosa. Ainda bem que eu parei antes que o pior acontecesse – e sorriu tampando a garrafa meio vazia (ou meio cheia dependendo da sua posição filosófica³).
-Eu não dormi com ele! – parou e refletiu. – Merda.
-Realmente apaixonado – riu baixo, zombeteiro.
Draco sentiu sua cabeça doer com toda a força, principalmente pelo atual rumo da conversa.
-Ok, eu não diria amor. Eu desejo ele. Muito. Mas não consigo me aproximar da mesma forma que faço com outros garotos. QUALQUER OUTRO! – suspirando exasperado passou a mão pelo cabelo.
Sabia que não estava fazendo muito sentido e estava a ponto de aceitar a história de Eloqüência Potteriana Aguda, ou Crônica, já que Severus Snape não fora afetada por ela. Recompôs-se e voltou a encarar o professor que o observava sério, desfeito do sorriso zombeteiro que dera vontade de Draco socá-lo. Agora ele parecia definitivamente preocupado e se Lucius não estivesse a uma porta de distância Draco o teria arrastado para a cama para utilizar do incrível talento de Severus de fazê-lo não pensar em mais nada. Uma pontada de dor o fez desejar terminar de confessar logo para que ela pudesse explodir.
-Ele é diferente – disse por fim.
Percebeu que se recompor não faria diferença. Tomou logo a garrafa da mão do professor que só o observava com curiosidade. E algo, que depois do primeiro gole, Draco podia jurar ser devoção. Deu então um segundo trago, bem mais longo que o anterior. Respirou fundo.
-Harry James Potter tem estado em minha vida desde... – começou a contar nos dedos. – SEMPRE! E desde então ele chama a minha atenção. Eu já quis ser seu amigo, rival, inimigo e, por fim, amante. Não importa a época, eu sempre quis que ele me notasse, que voltasse seus olhos pra mim! Não que os olhos voltados agora sirvam de alguma coisa – tomou outro gole. – Você entende esse sentimento? Eu não! É absurdo. Eu gostar de homens é uma coisa, mas Potter? O Potter? Harry Potter, o salvador do mundo bruxo? – ergueu-se irado. – Estamos de lados opostos numa guerra. Eu não quero parar de defender meus ideais, mas não quero vê-lo morto tampouco. Dormir com o inimigo não é uma opção feliz!
Severus apenas escutava calado o desabafo do seu aluno, a maior parte ele já sabia antes mesmo dele, e nem sequer precisara de legilemência. Era óbvio para alguém, que como ele os observava de perto, o que ambos sentiam. Mas o fato de saber não impediu o professor de parecer machucado com as confissões.
-Imagina se a história se espalha. Eu já sou amado, não é? – estava ficando histérico e cada golada piorava a situação. – Hm – resmungou limpando a boca –, posso imaginar os jornais comentando o quão malvado eu sou por seduzir e trazer o menino-que-sobreviveu para o caminho da perversão. MAS AINDA ASSIM EU QUERO ESTAR COM ELE – jogou-se contra a cadeira. – Senti-lo em meus braços. Ouvi-lo suspirar. Chamar meu nome. Céus, talvez eu realmente o ame – murmurou devastado.
-Simplesmente lindo! – ouviu-se a voz atrás de si. – Não quer casar, não? Quem sabe o grande Harry Potter consegue quebrar a barreira do impossível4 e ter filhinhos e vocês moram numa casinha de cercas brancas? – o tom sarcástico denunciava seu dono.
Draco virou-se calmamente e ergueu uma sobrancelha. Lucius aproximou-se e apoiou seu peso no braço da cadeira passando a mão pelo rosto do filho e o erguendo.
-Nada do que Severus me peça irá salvar esse garoto – Draco olhava hipnotizado os olhos do pai. – Acho bom não se apegar.
-Pai...
-Não, Draco, estou desapontado, e não me importa o que diga, faça ou pense, não irei te perdoar tão cedo.
-Mas, pai... que eu fiz?
-O QUÊ? O quê? – após o grito sua voz tornou-se um sussurro perigoso. – Ele é o inimigo, Draco. Não devemos nos deitar com inimigos. Devemos acabar com a maldita Ordem e seus participantes, principalmente os seus líderes, e isso inclui Potter.
-E a mim – Severus interrompeu a conversa.
O silêncio predominou no local. Lucius Malfoy ainda segurava o rosto do filho enquanto olhava incrédulo para o outro homem, quase como se o visse pela primeira vez. Snape se ergueu e guardou a bebida, agora realmente quase vazia, não que ela estivesse cheia no início daquela tarde. Começou a arrumar o escritório que Potter bagunçara enquanto fugia, no sentido literal, cegamente do consolo de Draco. Draco podia estar eufórico, porém não se sentia enjoado, provavelmente um feitiço anti enjôo feito por Severus, ao menos não daria ao homem algo mais para limpar. Um evanesco foi o suficiente para se livrar da poção derrubada que já o fazia sentir a dor de cabeça voltar.
Draco ainda estava estático pelo que ouvira. Como assim "E a mim"?
-Como assim? – Lucius quem verbalizou a questão, num sussurro visivelmente perigoso. – A você?
-Você sempre desconfiou de mim, não? – Severus voltou-se lentamente para onde os dois loiros estavam. Seu pai lhe soltou a face e encarou o outro homem. – Pois bem, é verdade. Eu, Severus Tobias Snape, sou o espião duplo infiltrado no círculo íntimo de Voldemort – todos, incluindo o próprio mestre de poções que proferira a frase, ofegaram ante ao nome do Lord das Trevas. – Malditos grifinórios – resmungou baixo.
-Mas, Sev...
-Se for destruir a Ordem, Luc, eu vou junto – terminou numa voz baixa, rouca, com um tom suave. Fechou a distância até o homem e o abraçou.
Draco assumiu que não havia como descobrir mesmo que Severus era um espião. Ele estava visivelmente criando um pequeno drama para sensibilizar seu pai, e estava conseguindo, mesmo ambos estando cientes que aquilo não passava de drama estavam caindo feito dois patinhos, bem loiros, mas ainda assim patinhos. Com uma atuação tão perfeita, como desconfiar?
Lucius ainda sem esboçar nenhuma reação, rodeou a cintura de Severus com os braços Draco se viu esquecido pelos dois homens.
-O que eu faço agora, Sev? Não quero perder você – deu-se por derrotado apertando mais o outro. – Mas e a minha família? Tenho que protegê-los – afundou o rosto no pescoço do homem e tendo seus longos cabelos sendo acariciados suavemente.
Algo que poucos sabiam, pouquíssimos deva-se acrescentar, era que Lucius realmente tinha um coração, e no lugar ainda por cima. Apesar de um casamento arranjado ele amava a esposa, talvez não como uma mulher, mas a via como sua parceira, eles eram cúmplices. Por vezes, quando Draco era menor, ele ia à noite ao quarto dos pais e os via juntos na cama conversando, muitas vezes apenas casualidades. Também eram comuns palavras carinhosas trocadas pela família, talvez não com a mesma constância que, por exemplo, os Weasley deveriam fazer. Eles riam e partilhavam bons momentos. Lucius Malfoy não ficava torturando Draco por diversão para que aprendesse Arte das Trevas à força.
-Você acredita, mesmo, que um lunático como o Lord vai proteger o Draco e a Cissy? Ele pretende usá-los contra você.
-e um velho gagá vai conseguir? – quase gritou. Sua voz saiu fina e histérica. Ele estava se desesperando. Apertando Snape como se essa fosse a última vez que o veria.
-Esse velho gagá tem conseguido até agora – terminou num tom de que dava a discussão encerrada, por hora. – Draco – o loiro menor viu-se fazer parte da cena outra vez –, vamos falar sobre aquilo agora. Nos acompanhe até o quarto – seu tom indicava que não queria, e não seria, contestado.
Então se dirigiu até a porta que levava ao quarto carregando Lucius consigo, confiando que o loiro menor o seguiria. E assim, Draco o fez. Levantou e se apressou em acompanhar os adultos, ainda tentando digerir a cena inteira. Sentou na poltrona em que Severus usualmente dormia após transarem. O professor esperou que todos se acomodassem antes de começar a falar em seu tom de veludo.
-Lucius, o que você vai fazer nós decidiremos a sós, mas para que eu possa dispensar Draco, para ele fazer companhia ao Potter, há algo que eu gostaria de lhe confessar – seu olhar pousou profundamente em Draco lhe indicando que ele deveria falar agora.
-Pai, ahn, Severus e eu... bem, nós –Lucius estava anormalmente paciente enquanto o filho gaguejava. – Hm, tivemos um certo grau de env... – ele fixou o olhar no filho, o deixando mais nervoso, o fazendo engolir as palavras. E a medida que Lucius processou o que Draco pretendia dizer ele tornou-se vermelho de fúria.
-Certo grau de quê, Draco?
-A GENTE TRANSOU! – o garoto gritou se levantando. – Sim, pai, ele é irresistível – falou irônico lembrando as palavras do pai. – Você sabe disso, você me avisou. Só que não falou o QUANTO! Droga, eu não estava preparado. Porra! – estava andando de um lado ao outro agora. A maldita bebida ainda sendo metabolizada.
-A culpa foi minha. Eu seduzi o seu filho, Lucius – Severus confessou, um pouco ofendido pela forma como Draco colocou a questão.
-Severus – chamou perigosamente.
-Vocês são muito parecidos. Embora eu note agora que ele é verdadeiramente a Cissy de calças. Mas quanto mais ele crescia mais eu te via nele. E quando dei por mim estávamos em um relacionamento.
-Por que, raios, você está me contando isso? – ele rugiu entre os dentes. E se não fosse a gravidade da situação Draco teria achado isso minimamente interessando.
-Eu quero assumir, ao menos para mim, que eu amo vocês. Lucius e Draco Malfoy, cada um a sua maneira – aquele discurso era pelo menos a única prova que Severus Snape também se afetava com bebidas alcoólicas. Se sobrevivesse ao dia de hoje se lembraria de comprar uma penseira para gravar essa cena. – Eu quero ser só seu, Lucius. Quero poder exigir mais de você. E para isso é necessário que não haja mais segredos.
-Você diz que ama os dois e quer ficar comigo. E o meu filho? Você só quer iludi-lo, Snape? – era a primeira vez que Draco via seu pai defendê-lo, melhor, era a primeira vez que viu seu pai o colocar a frente de Severus e isso lhe fez sentir um calor reconfortante por dentro. Quis se levantar para abraçar o pai, dizer que o amava que era o melhor pai do mundo.
"Céus, eu nunca mais bebo" engoliu o sentimentalismo besta.
-Ele não me iludiu, papai – entretanto se permiti chamá-lo de papai. – Sempre soube que ele era seu. E afinal, eu amo o Potter mesmo – deu de ombros. Depois da primeira vez assumir aquilo de novo em voz alta não era mais tão difícil assim. – Bom, matem a saudade aí. Eu tenho um sono a velar – tentou soar o mais casual possível. Mas sua cabeça martelava, seu peito estava cheio de uma felicidade indescritível, estava bêbado e confuso. – E da próxima vez, pai, aparece num fim de semana – e saiu em direção a enfermaria.
/ / /
¹ Por algum motivo estranho eu estou imaginando o Lucius healer nessa fic... como eu não vou pôr muito dele aqui então talvez eu não fale, mas eu imagino que ele tenha seguido essa carreira porque precisava se formar e também porque assim nenhum healer ia tirar a roupa do seu Severus para fazer qualquer exame, já que ele mesmo faria. Possessive Blond Inside!
²Essa é possivelmente uma das mentiras mais contadas no mundo. Mais que "o sapato vai ceder".
³Sim, tirei do Guia. Não sabe o que é o Guia? Google it! O Guia do Mochileiro das Galáxias.
4Nada contra MPREG, na verdade tudo a favor, mas essa fic com certeza não é MPREG... Mas ainda vou criar uma... *olhar sonhador ao horizonte*
N/A: Espero que depois de quatro anos de espera eu possa recompensá-los, ao menos com uma fic que segue o rumo que eu tinha esperado para ela.
Eu peço o perdão de todos aqueles que tiveram que esperar por isso. Mas eu precisei de um tempo. De certa forma eu passei os últimos anos vivendo um sonho, mas sonhos não são realidade e um dia eu acordei. Eu não vou abandonar aquilo que eu amo por sonhos tolos, como a Yuuko de xxxHOLic diz "O sonho deve terminar". Watashinomori voltou. Boba alegre como sempre e depressiva nas horas vagas. Desculpa a demora a todos vocês.
PS: Sem betagem eu dei uma olhadinha por cima... Qualquer erro grave me avise.
