Seis

A primeira vez que Shinji e Hiyori dormem juntos é por causa de Hikifune, de uma festa e do saquê.

Talvez a culpa tenha sido um pouco de Shinji e Hiyori também – dela por ter trabalhado o suficiente para se tornar vice-capitã, dele por estar lá. A verdade é que ninguém se surpreendeu quando a promoção de Sarugaki Hiyori foi anunciada. Apesar do seu temperamento difícil – ou demoníaco, como diriam os menos cuidadosos – o poder, a dedicação e a eficiência da pequena shinigami eram incontestáveis. Ela não se destacava apenas por ser perfeitamente pontual, imune ao tédio e à preguiça ou por cumprir suas missões com perfeição, ainda que com muitas reclamações e através de métodos ocasionalmente duvidosos. Rapidamente, de algum modo, a garota se tornara a mais indispensável ajudante da capitã Hikifune, lidando com a papelada que ela não tinha paciência para ler, treinando e tornando fortes e obedientes os recrutas mais novos à custa de muitas ameaças e surras homéricas. Em pouco tempo, todos os capitães do Gotei 13 conheciam a irritável menina que corria o Seireitei inteiro todos os dias, de um lado para o outro, cuidando de todos os assuntos relativos à Décima Segunda Divisão. E, em menos tempo ainda, estavam todos questionando Hikifune sobre a garota – que eles recordavam vagamente como a antiga protegida de Hirako Shinji, e havia quem jurasse que os dois tinham sido amantes no passado – e recomendando que ela a promovesse e rebaixasse de uma vez por todas seu preguiçoso vice-capitão.

De qualquer modo, quando a promoção de Hiyori foi finalmente anunciada, foi surpreendente – pelo menos para a garota – o número e a variedade de pessoas que apareceu para cumprimentá-la e felicitá-la pelo acontecimento. A natural conseqüência foi que todos - os recrutas da Décima Segunda Divisão, alguns da Quinta, Hikifune, Shinji e boa parte dos outros capitães e vice-capitães – acabaram arrastando-a para um bar qualquer no primeiro distrito do Rukongai, onde música, gritos e saquê correram soltos desde o pôr do sol até a manhã do dia seguinte.

Em seus vinte ou trinta anos de vida – ela não tinha muita certeza de sua idade, mas imaginava que fosse algo assim – Hiyori tivera poucos motivos para festejar e comemorar daquele jeito, e menos ainda oportunidades para fazê-lo. Seus anos no Rukongai tinham sido completamente solitários em sua essência, constituídos apenas por alianças efêmeras e desconfiadas em busca de comida ou abrigo. Ela não tinha a menor idéia de quando era o seu aniversário, e ninguém se importava, de qualquer forma. Feriados não existiam, também, não para quem tinha que se preocupar todos os dias com a necessidade de arranjar algo para comer e um lugar seco onde dormir. Mesmo o dia em que ela fizera o teste para a Academia e, milagrosamente, passara, fora um dia triste e solitário, suavizado apenas pelo alívio de saber que aquela seria uma das últimas vezes em que ela passaria fome e frio – todos sabiam que, apesar da rotina rígida, a Academia servia refeições regulares e oferecia dormitórios quentes e secos, o que era melhor do que qualquer coisa que ela jamais tivera.

Vieram então os dias da Academia, onde o trabalho era árduo e constante, e o seu caráter difícil e a inveja e medo dos colegas a mantiveram tão solitária quanto nos anos de Rukongai. Conhecer Shinji a aliviara um pouco daquela solidão, mas sua relação baseava-se apenas no treinamento e nos conselhos que ele lhe oferecia, e que ela aceitava relutantemente, mas também sofregamente, ansiosa por progredir, melhorar, se aperfeiçoar – e, naquele tipo de relação, não havia tempo para festas. Então viera a formatura e, na época, ela estava magoada demais para comemorar com os colegas de quem, de qualquer forma, ainda se sentia muito distante. Agora, no entanto, era diferente.

Talvez ela tivesse mudado, naqueles anos. Todos diziam, afinal de contas, que a idade trazia sabedoria, e a verdade era que ela tinha aprendido ao menos a distinguir quando podia ser o que bem quisesse – violenta, rude, impulsiva – e quando devia ser, ou pelo menos parecer, calma e respeitosa. O fato de que ela finalmente saíra da base da cadeia alimentar na Soul Society, também, devia ajudar em alguma coisa – ela encontrava-se agora numa posição que lhe permitia ser admirada pelas suas qualidades e perdoada por seus defeitos. Por fim, o estranho era que, onde quer que olhasse, Hiyori via ao seu redor apenas um monte de gente excêntrica e curiosa, que não se perturbava com seu temperamento e até mesmo se divertia com ele.

- Pare de olhar para o nada, Hiyo-chan! Vamos nos divertir!

Hiyori soltou uma exclamação de surpresa e sentiu sua cabeça girar enquanto a barulhenta vice-capitã da Nona Divisão – Mashiro-qualquer-coisa, que já tinha tomado saquê suficiente para encher um oceano – a agarrava pelos pulsos e arrastava em direção ao bar. O olhar decidido da garota ao enfiar em suas mãos uma garrafa de saquê fez Hiyori hesitar pela primeira vez na vida diante de uma possibilidade de confronto, e nem mesmo a voz pesada do capitão da Nona Divisão ordenando rispidamente que Mashiro deixasse "Sarugaki-fukutaichou" em paz dissolveu a resolução da garota de cabelos verdes, que só parou de gritar e girar ao redor da recém promovida vice-capitã quando Hiyori finalmente fechou os olhos e tomou o primeiro gole de saquê de sua vida.

Ela esperava que sua garganta queimasse, mas a bebida desceu suave como água, e o ambiente quente e enfumaçado do bar a tinha deixado com sede. Hiyori tomou mais um longo gole, e depois outro, e mais outro, e depois a garrafa leve, vazia, escorregou de seus dedos enquanto Mashiro soltava gritinhos de excitação. Hiyori balançou a cabeça, mas o barulho da outra garota não estava irritando-a tanto quanto antes, e uma súbita e incompreensível vontade de rir atingiu-a.

Ela deu um passo para trás para evitar os esbarrões de Mashiro, que continuava girando ao seu redor, mas agora o mundo parecia girar também, balançando suavemente, como num barco – não que ela já tivesse passeado de barco, mas devia ser assim – e seus passos pareciam leves e macios como se ela estivesse andando na Lua – não, novamente, que ela já tivesse passeado na Lua.

- Você está bêbada.

Ela ergueu o rosto para encarar Shinji, sem perceber seu corpo inclinando-se para trás ao fazê-lo e a expressão exasperada no rosto do capitão ao passar um braço pelas suas costas para impedi-la de cair. Ele tinha se abaixado para segurá-la – ela podia sentir vagamente o calor dos dedos dele pelo tecido do uniforme, mas por algum motivo aquilo não a incomodava como deveria – mas ainda parecia tão ridícula e impossivelmente alto que ela não conseguiu suprimir as risadinhas escapando pela sua boca, e não parou de rir nem quando o viu revirando os olhos, exasperado, e voltando-se para alguém atrás dele.

- Ela está bêbada, está vendo?

- Bem, e daí? Ela está se divertindo, Shinji. Você devia se divertir também.

- Divertindo? Hikifune, se eu a soltar, ela vai cair no chão como uma tábua de madeira.

- Não vou não. Pare de falar de mim como se eu não estivesse aqui, idiota.

As palavras saíram um pouco emboladas, mas pela cara de Shinji ela tinha conseguido passar a sua mensagem perfeitamente, e ela riu mais uma vez, achando a seriedade dele absolutamente hilária. Depois ela tentou atingi-lo com sua sandália, como sempre fazia, mas de algum modo sua mira saiu violentamente errada e o calçado atingiu o vice-capitão da Décima Primeira Divisão, no outro lado do bar, que levantou uma cadeira e a quebrou em cima do homem ao seu lado, que reagiu violentamente, e uma briga absurda – e completamente hilária – começou. Em algum ponto do bar, a gargalhada aguda de Mashiro tilintava histericamente, enquanto o capitão Kyoraku tirava sua grave – e agora ligeiramente corada – vice-capitã para dançar, segurando-a um pouco mais próxima do que a música exigia. Numa mesa não muito distante, o capitão Ukitake e a capitã Unohana – o que ela estava fazendo ali? – conversavam tranqüilamente, como se estivessem tomando chá num jardim florido, e não no meio do caos e do barulho de um bar sórdido no meio do Rukongai. Um dos seus subordinados agora a tinha arrastado para longe de Shinji, exigindo amigavelmente que ela contasse aos outros a história daquela missão no mundo humano em que um policial exigira que ela lutasse com ele para provar que a espada que carregava era realmente sua, sem perceber que estava falando com um espírito morto há sabe-se lá quantos anos.

Ela contou a história, e outra depois dessa, e depois mais outra, e a cada pausa que ela fazia uma nova dose de saquê lhe era servida, e sua risada saía cada vez com mais facilidade, sua voz cada vez mais embolada, seus passos cada vez mais leves. E então ela se levantou para fazer sabe-se lá o que, e o mundo virou de cabeça para baixo violentamente, e ela sabia que ia cair, mas a única coisa que lhe ocorreu foi pensar "Blá" e deixar seu corpo cair, como Shinji dissera, como uma tábua de madeira.

E o engraçado era que de repente Shinji estava ali de novo, mas não parecia mais tão alto quanto antes, e os pés dela estavam pendurados no ar, e os braços dele aninhando-a junto ao peito como se ela fosse um bebê. Ocorreu a Hiyori que ele era um idiota que merecia uma sandália na cara, mas ela tinha perdido suas duas sandálias de algum modo, e Hiyori sentiu vontade de rir de novo, mas o que saiu foi um soluço e um choramingar infantil.

- Estou enjoada, Shinji.

- É claro que está, sua idiota.

Sem dizer mais nada, ele carregou-a para fora do bar e sentou-a cuidadosamente na calçada, encostando-se a uma parede e observando-a criticamente com os braços cruzados.

- Agora fique quieta e tente não vomitar nas suas roupas.

- Do que você está falando, idiota? Eu não vou...

E então suas palavras foram interrompidas, por que ela estava vomitando, e o aviso de Shinji não valera nada, porque suas roupas agora estavam úmidas e pegajosas, e com um cheiro que a deixou ainda mais enjoada, e então ela estava de joelhos na calçada, despejando copiosamente tudo o que tinha comido naquele dia – e o que não tinha comido também – na sarjeta.

- Divertindo-se. Gostaria que Hikifune visse como você está se divertindo agora.

- Cale a boca, Shinji idiota – ela tinha finalmente parado, agora, e deitara-se na calçada, sentindo com alívio o chão frio refrescar a sua pele – Eu quero dormir.

- É, aposto que quer. E aposto que, se eu deixar, você vai dormir aqui mesmo e acordar amanhã sem saber quem é ou como veio parar aqui. Uma maneira brilhantemente respeitável de começar seu reinado como a nova vice-capitã da Décima Segunda Divisão.

- Você... – ela encarou-o malignamente, sentindo vontade de chutar seu rosto, mas também uma absoluta incapacidade de fazê-lo - É chato.

- E você deve se achar fenomenal, jogada na calçada como um saco de batatas sujo de vômito.

Shinji preparou-se para ouvir novamente algum comentário embolado sobre como ele era chato ou idiota, mas sua única resposta com um ressonar suave e pausado, e foi com exasperada incredulidade que ele encarou a menina adormecida na calçada, o braço direito estendido para o lado – exatamente onde ela vomitara alguns segundos antes – e o outro pousado sobre seu peito magro, que subia e descia calmamente. Ele balançou a cabeça, irritado – suas roupas iam ficar imundas – e se abaixou para pegar a menina mais uma vez nos braços. Ela se aninhou junto ao seu peito, enfiando a cabeça nas dobras de suas roupas e agarrando um punhado do tecido com a mão direita, completamente imunda.

Havia agora o problema de onde levá-la. Ele próprio tinha bebido algumas doses de saquê e, apesar de não estar nem de longe tão bêbado quanto os outros no bar, não se sentia disposto a carregar a garota até a distante Décima Segunda Divisão e depois fazer a longa caminhada até seus próprios aposentos. Ele podia deixá-la sob os cuidados de Hikifune também, mas considerando o quanto a capitã tinha bebido, era bem provável que ela esquecesse a garota no bar.

Das profundezas de seu sono, Hiyori sussurrou algo que soou suspeitamente como "Shinji idiota", e ele pensou que devia ser idiota mesmo, cuidado de uma pirralha bêbada e imunda quando podia estar se divertindo no bar e dando atenção a alguma das adoráveis jovens que tentaram iniciar uma conversa timidamente com o imponente capitão da Quinta Divisão do Gotei 13.

Com um suspiro de resignação, Shinji ajeitou Hiyori em seus braços e seguiu num passo não muito seguro em direção à Quinta Divisão. Felizmente, a maioria dos seus subordinados ainda estava festejando no bar, ou tinha se retirado cedo da festa e rumado diretamente para a cama, e ninguém presenciou a patética caminhada do capitão Hirako Shinji em direção aos seus aposentos.

Ele precisou colocar Hiyori no chão para abrir a porta – e riu suavemente ao vê-la se enrolar como uma bola, segurando seu pé como se fosse um ursinho de pelúcia. O riso morreu quando Shinji se lembrou de como a mão dela estava suja, e ele levantou-a mais uma vez nos braços e entrou no quarto, deitando-a finalmente no futon e fechando a porta do quarto.

Agora, ele precisava resolver o que fazer com ela – e consigo mesmo. Uma breve olhada na garota deixou-o decidido a dar um jeito no seu estado lastimável – ela não ficaria muito feliz ao acordar imunda como estava. Provavelmente também não ficaria muito feliz ao saber que fora ele quem a ajudara, mas aquilo não lhe pareceu muito importante na hora.

Decidindo-se, Shinji rumou para fora do quarto e voltou alguns minutos depois, carregando um pano limpo e dois baldes de água fria. Um pouco mais desajeitado do que seria normalmente, o capitão ajoelhou-se junto a Hiyori e, depois de espiar para ver se ela estava realmente adormecida – ele estava bêbado, não suicida – começou a retirar cuidadosamente suas roupas imundas.

Por todo o tempo em que suas mãos trabalharam, movendo os braços para livrá-los das mangas, levantando as costas do colchão para libertá-las do tecido preto que as cobria, Shinji pensou veemente em não olhar, nunca olhar, de jeito nenhum, Hiyori o mataria se descobrisse, sem perceber que, o tempo todo, seus olhos permaneceram teimosamente fixos na pele que ia se descobrindo pouco a pouco, as clavículas salientes, os braços finos cobertos por uma suave penugem dourada, os seios pequenos e absolutamente perfeitos – droga, ele estava olhando sem a menor sombra de dúvida, ele não podia fazer aquilo, era Hiyori, e ele definitivamente não ia tocar – e a pele dela era surpreendentemente morna e macia, e ele a amava, droga, ela inteira, desde as pontas de seus pés absurdamente minúsculos até o último fio de seus cabelos sujos de vômito.

Shinji obrigou-se a se afastar, ligeiramente ofegante, e mergulhou o pano que trouxera no balde de água fria, pressionando-o contra o rosto e forçando-se a se acalmar. Era Hiyori, droga. Hiyori, que ele tratava como um moleque e amava como uma irmã. Não havia por que ficar agitado daquele jeito.

De qualquer forma, agora que começara, ele tinha que terminar.

Tomando cuidado para não tocar de novo a pele da garota, Shinji mergulhou o pano novamente num dos baldes de água fria e retirou-o, passando-o delicadamente pelo corpo de Hiyori, que estremeceu suavemente e soltou um grunhido de protesto ao sentir o pano frio contra sua pele quente. Respirando pausadamente, ele repetiu a operação, uma, duas, três vezes, até que a garota lhe parecesse suficientemente limpa. Evitando olhar para ela, Shinji percorreu os olhos pelo quarto, pausando momentaneamente nas roupas imundas descartadas no chão. Não dava nem para cogitar a idéia de vesti-la novamente naquilo, não depois de todo o trabalho que ele tivera para limpá-la. Ele levantou-se, sabendo exatamente o que ia fazer antes mesmo de pensar naquilo, e abriu seu armário, desdobrando cuidadosamente um de seus haoris limpos e enfiando-o com cuidado em Hiyori. Ela era tão pequena que a roupa engolia completamente seu corpo e, presa com uma faixa, assemelhava-se à perfeitamente decente yukata que ela costumava usar à noite na época em que dormia em seu quarto, quando ele a treinava durante as férias da Academia.

Ele ainda dedicou alguns minutos à tarefa de lavar e pentear os fios dourados de Hiyori – ela tinha um cabelo tão bonito, se ao menos cuidasse dele como deveria... – e, por fim, cobriu-a, satisfeito com a tarefa cumprida.

Restava o problema do que fazer consigo. Suspirando, cansado, Shinji levantou-se, pegou as roupas de Hiyori e uma yukata limpa para si e rumou para a casa de banho privada a que tinha direito como capitão. Finalmente satisfeito, depois de limpar-se, vestir-se e lavar as suas roupas e as da garota, Shinji voltou para o quarto, preenchido pelo som suave do ressonar profundo de Hiyori. Mesmo através de todo o seu cansaço, o capitão sorriu ternamente diante da visão da garota adormecida. Como uma coisa tão pequena e inocente podia tê-lo perturbado tanto era algo que ele não conseguia – nem queria – entender, nem em um milhão de anos.

Ela parecia tão tranqüila, tão inofensiva, e ele estava tão cansado, que não pensou nem por um segundo antes de deitar-se ao seu lado e envolvê-la em seus braços, mergulhando de cabeça no sono mais profundo e reparador de toda a sua vida.


N.A:

Então... Só assim para fazer a Hiyori baixar a guardar e deixar o Shinji cuidar dela, não é mesmo? Não que ela tenha dado permissão, mas enfim... Eu não gostaria de estar no lugar do Shinji quando ela acordar, isso é fato.

De resto, devo dizer que esse capítulo é um tantinho mais autobiográfico do que seria desejável. Fica o aviso, crianças: não bebam. Sério. Nunca. Graças aos deuses, eu sou caridosa e não vou escrever sobre a maldita ressaca que a Hiyori vai ter no dia seguinte. Mas, na vida real, ressacas existem. Oh, elas existem. Sem falar naquele carinha que você jurou que nunca... Argh.

Enfim, não bebam.

Quem sabe um dia, no entanto, eu consigo embebedar o Kubo e fazer com que ele me venda Bleach por um chiclete de hortelã. Aí Bleach vai pertencer a mim. Até lá, tudo que eu tenho é a resolução de nunca mais beber e um chiclete de hortelã.

Saudações,

Lady Macbeth