-Segura o elevador. – Kohako gritou, correndo pelo saguão do prédio em direção aos elevadores. Rapidamente a pessoa que estava lá dentro travou a porta, a forçando a abrir novamente, para a garota poder entrar. –Obrigada. - disse com um sorriso para o homem que estava ao seu lado. Ele era um pouco mais alto do que ela, tinha uns olhos azul-esverdeados, cabelos loiros, um pouco ondulados, e pele clara. Na sua concepção, parecia um anjo, pois era isso que ele transmitia, uma aura de paz e tranqüilidade.
-Olá. – o rapaz dissera em uma voz suave porém grossa.
-Oi. – Kohako respondeu, ainda tentando recuperar o ar diante da correria. Fazia mais de duas semanas que trabalhava no Winner Press, e sexta feira sempre era o seu dia favorito. Como não tinha aula na universidade, ela trabalhava em tempo integral no jornal, diferente dos outros dias onde ela ficava meio período. E nas sextas feiras pela manhã o trânsito de Boston sempre era uma loucura. Talvez se ela insistisse um pouco mais, conseguiria convencer Heero de que não era mais uma criança e que não precisava de carona, que já conhecia a cidade – de tanto que rodou pelo lugar com Duo – muito bem para poder ir de metrô.
-Nova aqui no prédio? Nunca te vi por aqui. – perguntou o loiro, com um sorriso doce no rosto.
-Sim. Trabalho umas duas semanas aqui. Sou a nova fotógrafa do Winner Press. – comentou, voltando os olhos para as fotos em suas mãos. Tinha as pego na noite anterior no laboratório do jornal. Esperava que Duo gostasse das fotos, pois fora à primeira vez, durante esse tempo em que eles trabalhavam juntos, em que ela foi fazer uma reportagem sem o americano do lado.
-Você é a nova parceira do Duo, então. – afirmou mais do que perguntou.
-As notícias parecem correr rápidas aqui dentro, ainda mais se são em relação ao Duo. – a jovem comentou, voltando-se para poder olhar o homem ao seu lado.
-Você não faz idéia. – o loiro deu um sorriso suave, até que o elevador parou e as suas portas se abriram.
-Kohako! – um grito veio de fora do elevador e a morena voltou-se para Duo e Oliver, que estavam esperando do lado de fora. –Ah, olá Q! – Duo abriu um grande sorriso para o amigo, que sorriu de volta, saindo do elevador. –Vejo que conheceu a minha nova parceira.
-Sim, conheci. Ah… mas que indelicadeza a minha… - o homem estendeu uma mão para ela. –Quatre Winner. – disse e Kohako arregalou um pouco os olhos, recebendo a mão pálida entre a sua. Esse era o presidente do jornal? Ele parecia tão calmo, tão centrado, diferente da loucura que era esse impresso durante os dias.
-Kohako Yuy. – respondeu meio abobalhada por estar conhecendo o chefe dos chefes.
-"timo, se apresentaram, se conheceram, se gostaram… - Duo interrompeu, tirando as fotos das mãos de Kohako e as entregando a Quatre, colocando depois nas mãos dela uma câmera do jornal. –Q, coloca isso em minha mesa, na gaveta da direita. – pediu, entrando no elevador com Oliver em seu encalço. –Você… - apontou para Kohako. -… arme essa máquina. Senador Kelly resolveu dar uma coletiva de imprensa depois de duas semanas na surdina. E não vamos perder essa por nada desse mundo. – terminou excitado, entregando para a garota o seu crachá de passe livre para a imprensa.
-Foi um prazer te conhecer Kohako. – Quatre disse, quase rindo diante da euforia de Duo. –Duo, a gente almoça juntos?
-Com certeza… você vai estar pagando?
-Claro!
-Então é um encontro. – respondeu poucos segundos antes da porta do elevador se fechar.
-Como assim sem fotógrafos? – Duo gritou, quase pulando no pobre segurança para poder lhe sacudir pelo colarinho do terno negro.
-São as ordens. Toda a imprensa pode entrar, mas apenas os repórteres, sem fotos. Sem imagem. – repetiu o homem calmamente. O americano virou-se para Kohako, com uma cara de pouquíssimos amigos.
-Ordens, ordens. Ordem uma ova. O sujeito não quer denegrir mais a sua imagem do que ela já está. Sabe qual é o nome disso? Estratégia de marketing. O cara está tanto na mídia ultimamente que com certeza o assessor dele mandou poupar as fotos dessa vez. Devem estar tentando retirar um pouco da lama que está sobre ele.
-E o que eu faço agora, Duo? – perguntou a menina, segurando a câmera entre as mãos e olhando confusa para ele.
-Espere aqui… com certeza ele vai sair pela porta da frente. Quando ele estiver saindo eu te dou um toque. – falou, entregando a ela o seu bip.
-Mas e se ele não sair por aqui?
-Acredite em mim, ele vai sair por aqui. – respondeu o homem, dando uma piscada de olho para ela e entrando no hotel onde haveria a coletiva. Kohako soltou um suspiro, caminhando para o carro mais próximo e sentando-se no capô. Oliver, ao que parecia, havia sido chamado pelo jornal para cobrir outro motorista que estava doente. No fim, só restara ela ali fora junto com os outros fotógrafos, que ela nem conhecia, e tendo que arrumar alguma coisa para passar o tempo.
-Tédio. – murmurou, abaixando a câmera do jornal até o colo e pegando a sua bolsa, remexendo lá dentro e trazendo a sua câmera que havia ganhado de Heero. Poderia bater umas fotos para a sua coleção enquanto esperava.
Duas horas de espera depois e Kohako já estava dando o seu vigésimo bocejo. Havia aprendido no seu curso de fotografia que ser fotógrafo às vezes exigia paciência e espera, mas isso realmente já era demais. Estava começando a considerar o capô do carro onde estava uma possível cama, quando o seu bip apitou. Olhou para ele e viu a mensagem de Duo, avisando que o homem estava saindo.
-Finalmente! – falou, pulando de cima do carro e preparando a câmera, arrumando um modo de se enfiar por entre os fotógrafos que se amontoavam em frente à porta do hotel. Quando eles perceberam a movimentação no hall do hotel, Kohako quase foi esmagada por um bando de pessoas ensandecidas querendo capturar uma imagem do senador.
-Senador, por favor uma foto para o Daily Notice! – alguém gritou perto da garota, que tentava abrir caminho entre os corpos.
-Senador, olhe para cá por favor! – outro grito enquanto o Senador Kelly abria caminho entre a multidão de pessoas, usando seus seguranças como escolta.
-Senador o que o senhor diz sobre essa acusação de tráfico de drogas e uso de entorpecentes? – uma mão foi esticada em frente ao rosto do homem, com um rádio gravador. Com certeza um repórter que não conseguiu ir à coletiva. Frustrada, a japonesa resolveu apelar. A primeira pessoa que se botou na frente dela e a sua possível foto do senador, foi empurrada com força para o lado.
-O Senador Kelly não vai responder a mais nenhuma pergunta. – alguém da assessoria do político havia respondido.
-Sr. Yuy! Como advogado de renome, o senhor vê possibilidades de inocentar o senador? – outro repórter. Kohako soltou um grito de vitória quando conseguiu arrumar espaço bem perto do homem para poder fotografar.
-Nada a declarar. – foi a resposta fria do advogado.
-Senador, Winner Press, uma foto por favor! – disse a menina, já erguendo a câmera aos olhos, quando sentiu um solavanco contra o seu corpo e foi jogada bruscamente no chão.
-Hei! – Duo desceu as escadarias do hotel, empurrando o fotógrafo que tinha derrubado Kohako. –Onde está a sua educação Otto?! – bradou.
-Não tenho culpa se a nanica estava na minha frente. – Otto sorriu maliciosamente e Duo soltou um bufo. Parecia que todos do Daily Notice eram arrogantes.
-Peça desculpas. – uma voz friamente cortante falou ao lado dos dois homens.
-E se eu não pedir? – Otto riu descaradamente. –Vai fazer o quê? Me processar? – uma mão segurou na nuca do homem, a apertando firmemente e o impulsionando para frente.
-Peça desculpas. – Heero inclinou o corpo de Otto, apenas o segurando pela nuca, enquanto o homem sentia a pressão em sua espinha aumentar a cada segundo, provocando uma dor insuportável em sua cabeça.
-Des-desculpa. – gaguejou e rapidamente a mão sumiu, dessa vez sendo estendida para a garota ainda no chão. Kohako segurou na mão que lhe era oferecida e com um puxão dessa já se encontrava de pé.
-Conversaremos quando você chegar em casa. – foi tudo o que Heero disse para a garota, dando meia volta e entrando no carro do senador, que rapidamente sumiu dali.
-Você 'tá legal? – Duo guiou Kohako para fora da multidão, que começava a se dissipar.
-Estou. Mas não consegui a foto.
-Sem problemas. A gente dá um jeito nisso. Mas… caramba… eu conhecia a reputação de Heero Yuy, mas não sabia que ele era uma pedra de gelo. – os olhos da japonesa, que estavam voltados para a câmera para ver se tinha ocorrido algum dano durante a queda, rapidamente ergueram-se para olhar para Duo. Ele tinha conhecido Heero? Já era meio caminho andado no seu plano.
-E o que você achou dele? – perguntou curiosa.
-Sei lá. Ele não falou nada na coletiva. Só estava lá porque o senador agora não fala nada, nem com a imprensa, sem a presença do seu advogado. Até tentei falar com ele, mas o sujeito é escorregadio como um sabonete. Seria uma maravilha poder entrevistar o advogado do senador. – Duo ponderou, já maquinando o que deveria fazer para ver se conseguia uma entrevista com o homem, até que algo voltou a sua mente. –Em casa? – perguntou, virando-se para Kohako que guardava a máquina dentro de sua bolsa.
-Hã? – e menina voltou a sua atenção para ele.
-Ele disse: "conversaremos quando você chegar em casa". O que isso quis dizer? – aproximou-se dela, como se estivesse tentando desvendar alguma coisa através de seus olhos. –Você é por acaso parente de Heero Yuy? Vocês têm o mesmo sobrenome, mesma etnia, até a mesma cor de olhos.
-Er… Heero é meu irmão. – respondeu em um sussurro. Duo quase soltou um grito, não acreditando na sua sorte.
-O irmão com quem você está morando? É ele?
-Sim. – o americano segurou nos ombros dela, quase a sacudindo, e mirou firmemente nos olhos da garota.
-Você precisa me arrumar uma entrevista com ele.
-Como? Duo… eu não acho isso uma boa idéia. – disse incerta. Uma vez, quando Heero havia ido visitá-los no Japão, Kohako havia arrumado uma entrevista com ele no jornal onde ela trabalhava. Parecia que a matéria era sobre jovens estudando no exterior. Contudo, a entrevista foi quase um fracasso. Primeiro porque Heero detestava atenção, segundo porque ele respondia com monossílabos, e terceiro porque ele detestava perguntas.
-Por que não?
-Eu lhe falei que o meu irmão é anti-social. Querer entrevistá-lo… sei não.
-Eu sei lidar com todo o tipo de gente, Kk. Com certeza conseguirei dar um jeito no seu irmão. – a garota o olhou longamente, com uma expressão estranha. "Não duvido disso" pensou divertida. Talvez fosse até uma boa idéia essa coisa de entrevista. Eles finalmente poderiam se conhecer melhor, pois tinha certeza que Heero nem tinha olhado duas vezes para Duo durante a coletiva.
-Certo. Eu vou falar com ele… mas não prometo nada.
-Já está fazendo muito. – o homem sorriu, a abraçando pelos ombros. –Com fome?
-Um pouco.
-Quer almoçar comigo?
-Você não ia almoçar com o senhor Winner?
-Acho que o Q não vai se importar se eu trouxer uma amiga. – começou a caminhar pelas ruas e com um aceno de mão parou um táxi. –Vamos? – convidou, abrindo a porta de trás do veículo para ela.
-Okay. – Kohako sorriu e entrou no carro.
Quatre olhou por cima do menu para as duas figuras que tinham acabado de entrar no restaurante. Com um sorriso, ergueu a mão e acenou para uma delas, que acenou de volta. Ao seu lado, Wufei virou-se para ver quem era o recém chegado, já quase pronto para pular no pescoço de Duo. Estavam esperando o idiota do americano há quase uma hora, e estava azul de fome. Sem contar que tinha que voltar logo para a redação.
-Finalmente Maxwell! – o chinês disparou assim que o amigo se aproximou da mesa.
-A coletiva demorou mais do que eu pensei, desculpe Fei-fei. – o moreno estava tão entretido chamando o garçom para fazer o pedido que nem deu atenção para o apelido irritante. –Q, você não se importa se eu trouxer uma convidada, não é?
-Você já trouxe Maxwell. – rebateu Wufei depois de ter conseguido a atenção do garçom.
-Bem eu não preciso apresentá-los, vocês já conhecem a Kohako. – e num gesto cavalheiresco, puxou a cadeira para ela se sentar. Kohako agradeceu o ato com um sorriso e sentou-se, sendo seguida por Duo. –E o que iremos comer hoje? – disse o homem alegremente, puxando o cardápio das mãos do seu editor. Wufei soltou um resmungo mas não protestou muito, já estava acostumado tempo o suficiente com Duo para saber que discutir com o homem era uma batalha perdida.
-E então? O que o senador disse na coletiva? – Quatre perguntou, fechando o seu menu e voltando-se para o amigo.
-O que eles sempre dizem. Que as acusações são injustas, que no final o juiz irá declará-lo inocente, e essas coisas.
-Pelo que eu soube o juiz é um tal de Khushrenada. Acho que não vai ser tão fácil assim. – Kohako murmurou, olhando distraidamente para as pessoas que passavam na calçada do restaurante, janela afora.
-Treize Khushrenada? – Quatre perguntou, voltando toda a sua atenção para ela. Ao perceber que tinha pensado alto, a jovem virou-se para os outros três homens na mesa, piscando intensamente.
-Ah, desculpe, eu não quis interromper. – disse meio sem jeito. Mal tinha começado no emprego e já estava almoçando com o seu editor e com o presidente do jornal. Muitos levavam anos para conseguirem essa façanha. Deveria dizer que tinha uma sorte e tanto.
-Não está nos interrompendo. – Quatre sorriu, notando que a menina sentia-se um pouco deslocada dentro da roda. –Mas como você sabe sobre isso?
-Quando eu estive no escritório do meu irmão, ouvi ele e o sócio dele falando sobre o caso. Disseram que o juiz era esse tal de Khushrenada e que por isso o caso seria difícil. E que o promotor era um tal de Marquise.
-Zechs Marquise? – Wufei debruçou-se na mesa para poder aproximar-se melhor da garota. –Maxwell, uma entrevista com o advogado de defesa e o promotor seria uma boa nesse caso, já que você é o responsável por ele dentro do jornal.
-Eu já tenho uma entrevista com o advogado de defesa.
-Com Heero Yuy? – o loiro perguntou incrédulo. Heero Yuy era a pessoa mais inacessível que existia, quase impossível de se entrevistar.
-Eu disse que não prometia nada. – respondeu Kohako.
-Mas é só você fazer um biquinho nesse rostinho lindo que ele vai ceder, não vai? Quem não cederia? – Duo perguntou, erguendo uma sobrancelha curiosa e a japonesa soltou uma gargalhada. O jovem de trança não poderia estar mais certo. Era só ela fazer um biquinho que Heero cederia, ao menos ela esperava isso.
-Eu vou tentar… - começou, calando-se logo em seguida quando viu uma figura familiar entrar no restaurante.
-O que foi? – perguntou Duo quando a viu ficar quieta de repente.
-O sócio do meu irmão. – murmurou Kohako.
-Trowa Barton? – Duo virou-se em direção a entrada do restaurante, abrindo um sorriso quando viu o moreno alto que estava lá. –Por que não o chama para almoçar conosco?
-Para quê? – perguntou Kohako, curiosa.
-Eu soube que ele vai ser o segundo na defesa de Yuy, seria interessante conversar com ele também. – respondeu o americano. –O que você acha Wufei?
-Eu acho uma boa. Mas o cara deve estar aqui para almoçar, e não para uma entrevista.
-E ele vai almoçar, conosco, isso se você não se importar Q. – Quatre apenas deu de ombros. Conhecia Duo muito bem para saber que ele era repórter vinte e quatro horas por dia e que qualquer oportunidade de matéria ele estava pegando, não importava quando nem onde. –Então vai lá. – o americano cutucou Kohako quê, resignada, ergueu-se da cadeira e caminhou até o advogado.
-Trowa? – o homem virou-se diante do chamado, dando um pequeno sorriso ao reconhecer a jovem ao seu lado.
-Srta. Yuy. – falou com um aceno de cabeça como cumprimento.
-Vai almoçar?
-Sim.
-E o meu irmão?
-Um viciado em trabalho, disse que comeria algo pelo escritório mesmo.
-Sei… vai almoçar sozinho?
-Sim, por quê?
-Não quer se juntar à gente? – falou, indicando a mesa ao fundo do restaurante. Trowa olhou para onde ela apontava, voltando logo depois seus olhos para a jovem.
-Tem certeza?
-Absoluta. – ela lhe sorriu e ele assentiu com a cabeça, a seguindo até a mesa. Chegaram perto da roda de amigos e Kohako resolveu fazer uma apresentação mais formal a eles. – Trowa, esses são Duo Maxwell… - indicou o homem com a longa trança, que deu um aceno de mão e um sorriso para ele. -… Wufei Chang… - o chinês deu um leve aceno de cabeça que o advogado retribuiu. -… e Quatre Winner. – Trowa virou-se para o loiro, sentindo a sua respiração subitamente entalar na garganta. Por um longo tempo, olhos azuis prenderam-se em verde e Quatre ergueu-se para dar um cumprimento ao homem.
-Prazer em conhecê-lo sr. Barton. – disse loirinho com uma voz quase profissional e automaticamente Trowa ofereceu a mão dele, envolvendo a menor e pálida mão que lhe era estendida.
-O prazer é todo meu sr. Winner. Conhecer o presidente do mais famoso jornal de Boston, uma honra. Digo que gosto muito do seu trabalho. – elogiou e Quatre corou um pouco.
-Não é apenas o meu trabalho, mas sim de meus funcionários. Então os créditos são todos deles.
-Q, não seja modesto. Todo mundo sabe que foi você que ergueu o Winner Press, que seu pai estava até pensando em vendê-lo de tão baixa qualidade que ele tinha.
-Meu pai não tinha tempo de ficar supervisionando todas as extensões de negócios que ele tem. Sem contar que ele dava muito pouca importância ao jornal. Apenas isso. Eu não fiz nada, apenas concentrei mais a minha atenção na empresa, só isso.
-Modéstia, modéstia. – comentou Duo, abrindo um pequeno sorriso malicioso. –Acho que o sr. Barton quer se sentar para poder almoçar, Q. – quando percebeu que estivera esse tempo todo segurando a mão de Trowa, Quatre a soltou rapidamente, corando ainda mais intensamente e se sentado em sua cadeira, murmurando um "me desculpe". Trowa apenas deu um meio sorriso e sentou-se na cadeira ao lado do loiro, achando muito interessante o modo como o homem agia. Sempre pensara que Quatre Winner era mais velho e com um ar mais altivo. Nunca esperava que fosse esse rapaz tão educado e com um jeito tão suave e cativante. Sem contar que ele era lindo com as sua madeixas loiras e olhos encantadoramente azuis. Esse almoço seria interessante.
-Bem, sr. Barton… - Duo começou polidamente enquanto eles estavam na frente do restaurante, depois do almoço. –… Obrigado mesmo pela entrevista informal. Temos um encontro marcado então? – perguntou, referente à entrevista que conseguira marcar com Trowa no almoço. Ainda estava surpreso de que o homem tenha tido tanta paciência para agüentar as interrupções dele. Se bem que o americano desconfiava que Trowa só não tinha fugido da mesa deles porque estava muito interessado em um certo loiro de descendência árabe.
-Sim, temos, sr. Maxwell. Será um prazer recebê-lo. – o moreno respondeu suavemente. –Sr. Chang, foi um prazer conhecê-lo – disse, estendendo-lhe a mão. Wufei a recebeu e o cumprimentou.
-Igualmente.
-Sr. Winner. – Trowa virou-se para o loiro, que estava um pouco mais afastado do grupo. –Não sabe o imenso prazer que eu tive em conhecê-lo. – disse, dando um pequeno sorriso perfeito. –Se precisar de alguma assistência jurídica… - retirou um cartão de dentro do bolso do paletó e entregou ao árabe. -… pode me ligar. – inclinou-se um pouco para poder sussurrar algo no ouvido dele. –Se precisar de alguém para poder sair, conversar e se divertir, o meu número está atrás do cartão. – Quatre corou de cima a baixo com a direta do homem e sentiu arrepios diante do hálito quente que tocou a sua nuca.
-Po-pode deixar sr. Barton.
-Me chame de Trowa. – deu mais um de seus raros sorrisos ao loiro e virou-se para o restante do grupo. –Kohako, a gente se vê. – falou e caminhou até seu carro, entrando nele e sumindo rua abaixo.
-Q! – Duo aproximou-se do amigo, com uma expressão extremamente marota. –Aquele sujeito te secou o almoço inteiro. O que ele sussurrou para você? – perguntou curioso, seus grandes olhos brilhando na direção do amigo.
-Nada Duo. – Quatre respondeu com um sorriso doce.
-Como assim nada? Você ficou vermelho como um pimentão, alguma coisa ele disse.
-Ele apenas me ofereceu assistência jurídica quando eu precisasse.
-Apenas isso? Mas ele me pareceu…
-Vamos voltar para o jornal? Precisamos trabalhar e acho que já excedemos o nosso horário. – o loiro cortou o amigo, caminhando na direção de seu carro. Duo ficou parado no meio da calçada, com a curiosidade ainda lhe corroendo. Alguma coisa aquele Trowa tinha dito para o árabe, e ele iria descobrir o quê.
