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Agressão
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- E aí? Conseguiu?
Era uma pergunta esperada, por mais que o ruivo parecesse não ter o que responder como se tivesse sido pego de surpresa. Mas era inevitável não se sentir intimado quando há um Mello de braços cruzados e pés movimentando-se em um ritmo ansioso encarando-o nos olhos.
- Então, conseguiu?!
Matt afagou seus cabelos castanhos avermelhados e o loiro já tinha sua resposta.
- Então, Mello…
- Ah, que ótimo! Agora a gente tá sem conexão com os movimentos da polícia por sua causa! Parabéns, Matt, meus parabéns!
- A cara, nem vem, eu não tenho nada com isso! Toda essa merda é problema seu!
Não tão raro era ver Mello tirar o ruivo do sério, basta que ele faça algo que não queira.
- Ah, agora tá querendo sair fora? Pois é, vai lá, Matt, a porta tá ali, você é um fraco mesmo! Sempre foi, sempre desistindo! Sem coragem para fazer qualquer merda!
- Para de gritar! Não deu, eu não consegui, as pessoas falham, você não pode querer que elas sejam perfeitas!
- Eu não tô te pedindo nada! Só quero que você preste atenção no que tá fazendo! Quando você falha, quem se fode sou eu!
- Claro, você não quer que eu seja perfeito, você quer ser perfeito! É, Mello, você não mudou nada, continua sendo o mesmo idiota egocentrico em busca da perfeição!
- Cala a boca, você não sabe de nada!
- Eu não sei?! Nem começa, você sabe que é verdade, você sempre quis ser símbolo de perfeição, como o Near, um símbolo de perfeição!
Aquela ofensa foi dolorida, mais dolorida que qualquer outra, pela simples comparação que havia nela. De tão extrema reação que provocou Mello a ponto de jogar um notebook no ruivo. Por sorte ele conseguiu desviar, mas não sem deixar a raiva estampada em seus olhos.
- Você é louco, cara?!
Foi tudo muito rápido, Matt reagiu antes do que o loiro esperava, muito mais forte do que ele esperava. O ruivo apenas segurou os braços do amigo pressionando-o com toda intensidade, deixando-o imobilizado. Então tocou seus lábios nos dele, sem nenhuma sutileza, pois não era uma carícia e sim uma agressão. O mais velho ainda tentou repeli-lo com os dentes, tentou morder a língua alheia, mas não obteve resultado.
Foi um beijo violento, um beijo para calá-lo, para contê-lo. Ao primeiro sinal de que o outro já não o imobilizava mais, Mello empurrou rudemente o corpo do amigo e correu porta a fora, xingando as vinte e cinco futuras gerações do ruivo.
Mas Matt não se irritou, não com essa atitude, talvez com as outras, com essa não. Apenas formou-se em sua face um risinho sincero e de sincero escárnio. Ligou o Nintendo DS e focou-se no jogo. Por mais corrosivo que fosse - e que as tentativas de mordidas do loiro houvessem provocado alguma dor - ele ainda gostava de saborear a agressividade nos beijos do amigo, a santa agressividade.
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