O sol matinal radiava na janela, desceu o ultimo degrau coçando seu olho direito em mostra de cansaço. Deparou-se com a incógnita mirada à sua frente, intercambiaram olhares.
- Ohayo. – disse a voz masculina.
- Ohayo... – contestou um pouco incomodada a voz feminina, já faziam dois dias que os dois praticamente não se falavam, muito menos retribuíam um comprimento matinal. Silêncio.
- E... Dormiu bem? – perguntou nervosa, tentando simplesmente cortar o clima tenso que se formara.
- Hum... – "respondeu" um tanto frio, indo à cozinha.
A Itako suspirou deixando seu noivo passar por entre o vão da porta sem olhá-lo novamente. Estava cansado daquele clima com ela, era tão difícil pedir desculpas? Ele iria pedir desculpas. Se deixasse nas mãos dela podia ter plena certeza de que ficariam assim pra sempre...
- Ah... – começou nervosa. – Anna eu-
- OHAYO! O que tem pra comer!? – interrompeu brutamente uma voz hostil de um Ainu faminto.
- Ohayo Horo... – disse Yoh, um pouco chateado, que já se acostumara com as obrigações de cumprimentar os hóspedes.
- Bom dia pra você também Anna... – disse com desfeita, para a itako que simplesmente o ignorou, parecia perdida em pensamentos. Caminhou até Yoh dando-lhe uma chave de braço, gentilmente. – E ai Yoh!! O que tem pra comer!?
- Vá ver na geladeira, por que ainda pergunta você sempre faz isso mesmo! – disse despegando-se do shaman azul.
- Mas não precisa ser tão rude! – disse com cara de cachorrinho sem dono encaminhando-se para a geladeira. Enquanto o shaman de fones de ouvido não sabia se ria ou chorava.
- Ohayo. – apresentou-se, também, o herdeiro Tao acompanhado de Tamao que se apressou em preparar alguma coisa para os presentes.
- Ohayo. – responderam todos.
- Hey Tamao o que pretende fazer pra mim!? – seus olhos brilharam.
- E por que só para você? Ah, esqueci que tem o instinto de uma vaca. Nunca para de mastigar. Mas diferente da vaca você não mastiga a mesma comida varias vezes, você mastiga varias comidas em milésimos de segundo! – disse tragando um gole de seu leite.
- O que disse bicudinho!? – impulsionou suas mãos na mesa com força, ficando de pé.
- Disse que tem os modos de um bovino!
- Bom, não sou eu quem não fica um segundo sem tomar leite! Ah já me esqueci eu deixei de fazer isso quando tinha três anos!
- ISSO AJUDA A FORTALECER! – seu 'topete' aumentou e uma veia saltou de sua testa.
- Só se for o cabelo né!?
- Ora seu! – evocou sua lança de algum lugar. – Quer briga porco espinho?!
- Cai dentro bicudinho! – e o snowboard aparece reluzente entre suas mãos.
- Chefinho! Não se irrite! – grita um espírito chinês desesperado.
E a luta se inicia...
- Por que tem que ser assim todas as manhãs? – pergunta Yoh à Anna, que estava sentada a seu lado.
- Isso mostra que eles se dão bem... – disse Anna com um sorriso.
- Não sorria. – disse levando a caneca à sua boca para saborear a um gole mais de chá.
- Não tome chá. – abaixou levemente a caneca antes que pudesse tocar-la os lábios.
Os dois se encararam provocantes e logo cada um virou para um lado, emburrados.
- Hey Anna? – disse a recém chegada, acompanhada da herdeira Tao que se posicionou na mesa.
- O que é Pirika? – simulou a Itako.
- Er... Bem... É que bem, você não vai fazer nada, digo à respeito do Horo-Horo e do Ren...? – perguntou incomodada com a situação de seu irmão.
- Não.
-Er... Por quê?
- Porque não estou afim Pirika. – conseguiu enviar um olhar frio para Pirika, o que definitivamente não era sua especialidade, mas que conseguiu um leve calafrio da menina.
- Bom dia cambada! – disse Ryu realizando a proeza da atenção dos que lutavam por orgulho. Não era pra menos vestido com aquele pijama rosa de porquinho quem não iria reparar.
- AI! CACILDA! – berrou manta, entrando no recinto. – Ryu! O que deu em você?!
- A Manta relaxa! É só meu pijama, com ele eu me sinto mais livre e sorridente – sorriu estilho chibi balançando o rabinho. Enquanto todos tombavam para traz.
- Oh! É o Ryoic oinc! – gritou de traz do 'big pig'um afro descendente, na expectativa por risadas que nunca chegaram.
- Calado Chocolove. – encravou sua lança no botão redondo no meio da face do shaman comediante.
- AUCH! Eu não tenho culpa se vocês não sabem o que é piada de classe! – disse ofendido com duas cascatinhas em seus olhos.
- A-a comida está pronta... – interrompeu gentilmente a garota rosada, posicionando a refeição no osen e sentando-se com eles.
A mesa estava composta por: Chocolove, Horo, Ren, Jun, de um lado do Osen. Pirika Tamao, Manta, Ryu, Yoh e Anna do outro.
Comiam em aparente armonia, Horo triturando a comida sem nem antes olhar o que era, até que se engasgou com o guardanapo e foi ajudado por Pirika que batia em suas costas com o snowboard. Ren olhava desgostoso para a cena e quando chocolove tentava satirizar alguma coisa lhe pregava um furo no nariz, Manta encarava as orelhas da touca de Ryu com uma grande gota enquanto este saboreava o café seguindo à risca a 'fantasia' que usava. Jun, porém estava misteriosa... Ela observava como o casal à sua frente ingeria os alimentos sem nenhum ruído aparente, envoltos por uma áurea tensa e incomodada. Algo estava errado.
Anna estava se sentindo mal, depois de descobrir os medos, inseguranças e emoções mais íntimos de seu noivo se sentia cada vez mais distante. Ele não a contava nada, nunca confiou nela... Também como confiar em alguém como ela? Tão distante tão rude, fora abandonada, possuías poderes demoníacos, como confiar em alguém que lia mentes?
Yoh queria se aproximar dela, queria ficar perto dela dizer que não estava sozinha... Ainda mais depois do que ele achou no dia anterior.
Início do Flash back
Eram três da manhã, a insônia estava invencível, os pensamentos nublavam sua mente impedindo-a de repousar. Ajoelhou-se no futon observando a seu redor como que procurando alguma distração, pode observar um pano vermelho de seda, um tanto surrado, sobreposto em alguma superfície lisa e quadrada. Aproximou-se com curiosidade e retirou o pano com cautela caso 'algo' saísse de lá. Era uma caixa de madeira velha, com alguns arranhões e garranchos, havia duas fitas de couro verdes, bem postas e firmes bloqueando a abertura, elas foram retiradas com divina perspicácia, abriu lentamente e se deparou com coisas sem sentido para ele.
Com as pontas dos dedos retirou uma bonequinha japonesa de dentro do caixote, era sem dúvida antiga e feita manualmente, estava com vários defeitos de fabricação e era bem simples com dois pequenos pontos pretos nos olhos e um traço vermelho representando a boca, ao lado dela havia um pequeno cartãzinho branco um pouco gasto escrito "Meu primeiro brinquedo". Isso impressionou tremendamente o shaman, que logo abriu a aba do cartão e pousou seus olhos na escrita infantil que lá jazia.
" 8 de setembro de 1992, hoje kino me deu um ki...ki... um monte de coisa de fazer coisas... Não sei pra que serve direito, mas eu li os folhetos que vieram junto e eu fiz uma boneca... As outras meninas tem várias, eu vi. Eu nunca tive. Mas agora eu vou provar pras outras meninas que eu também sou igual a elas e eu também tenho uma!"
Arregalou os olhos, comovido, não sabia que sua noiva possuía segredos tão puros e simples, lembranças infantis de possessão, vontades infantis.
A curiosidade o venceu e passou a observar as poucas coisas existentes na caixa, retirava coisas como: "Meu primeiro CD da Ringo", "Roupa de 4 anos", Um sapato, um pedacinho de pano, mais bonequinhas, "Meu primeiro livro de sonhos" o conteúdo desse cartãozinho o interessou e logo se pôs a lê-lo. "12/05/1995 Hoje eu li um livro de conto de fadas. Essa foi a historia mais linda que já li, uma princesa em apuros, um príncipe que a tirava da solidão, um amor de verdade, uma família onde todos ficam felizes para sempre. É tão lindo, mas ao mesmo tempo tão impossível, tão distante da verdade, amor, felicidade...Família. Contos de fadas são muito bobos! ..."
Sentiu um aperto em seu coração ao ler aquele pequeno parágrafo... Talvez a questão de a Anna não conseguir coisas assim ela gosta de assistir novelas... Onde tudo sempre dá certo.''
- Anna... – suspirou, magoado.
Fim do Flash back
Ao mesmo tempo em que queria abraçá-la, queria lhe pedir explicações, por que? Por que nunca confiara o suficiente nele para poder se abrir, ele não sabia definitivamente nada sobre ela, não sabia o que ela guardava dentro de si, se a olhasse não estranharia pensar que ela realmente não possuía sentimentos. Mas ele sabia que não era assim.
Foi quando o prato de sushi voou na cabeça do herdeiro Asakura...
- Mas o que!? – disse surpreso pelo shock repentino.
- F-foi mau ai Yoh! É culpa do imprestável desse leitinho! – disse olhando o chinês com ódio.
- O que disse cérebro de repolho!?
- Grr!!- começou a ficar irritado, mas foi bruscamente interrompido por uma gargalhada estridente. Olhou revoltado à garota, que apontava gozando do rosto do shaman.
- Do que você está rindo!? – perguntou, agora esquecendo completamente em que corpo estava ou deixava de estar.
- A-a s-sinto muito... haha... HAHAHAHA! – voltou a rir.
- Grr!!! Isso não tem graça idiota! – gritou revoltado.
- Hahaha! Mas é claro que tem! Sua cara está lotada de peixe!
- A é? – segurou o potinho de yaksoba em suas mãos e logo o encaixou perfeitamente na cabeça da itako. – E agora? – disse provocante com um leve sorriso de satisfação em seus lábios.
- Ei! Isso não vale! – disse chateado.
- E quem disse que eu... Você liga pra regras? – começou a perceber em que situação estava, e no mínimo poderia se referir ao oposto.
- Bom talvez se eu não ligasse tanto para regras eu não fosse tão estressada e certinha!
- Talvez se você não fosse tão certinha eu não passaria de um animal inútil que ficaria ou vendo bob e comendo laranjas o dia inteiro!
- E qual o problema!?
- Eu sou vagabundo demais!
- E eu tão fria que chega a queimar!
-Pelo menos você tem cérebro e responsabilidade, enquanto eu não penso em nada além de paz e tranqüilidade!
- Como se soubesse o que você realmente pensa não é!?
- Bem, como poderia saber se eu nunca te conto nada!?
Agora todos os presentes os observavam assustados, estranhados e completamente confusos.
- E por acaso eu te conto alguma coisa? A não, me desculpe, sou fria e reservada demais para compartilhar algum sentimento precioso meu com uma pessoa como você!
- Talvez você só não saiba como dizer as coisas!
- É ou talvez eu não queira porque os sentimentos são para os fracos!
- Como se eu ligasse! Eu passo o dia todo com meus amigos otários e idiotas - pausa para um longo "Hey!" De descontentamento por parte dos amigos otários e idiotas. – e você que se vire ficando sozinha sempre!
- Talvez se eu não fosse tão fria e fechada eu não ficasse sozinha sempre! Se ao menos eu conversasse com você eu saberia o quanto eu importo pra você!
- Ah como se eu realmente me importasse com a questão de você existir aqui ou não, não faz diferença nenhuma!
- Ah, por favor! Já tava na hora de eu saber que você me ama, droga!
-...Não eu não te amo idiota! Você quem me ama!
- Eu!? Há conta outra, eu não sinto nada por você! Enquanto você rastejaria em fogo por mim!
- Para de dizer idiotices! Você me ama, você deixaria tudo por mim!
- Fica quieta! – disse a itako segurando o pulso do shaman e puxando-o para-se até que seus lábios se tocassem em um brusco, repentino, mas doce beijo, essa ação impressionou os dois por um momento (principalmente aos convidados os quais deixaram que suas mandíbulas tocassem o chão). Um vento quente começou a envolver a ambos, ao primeiro tocar de lábios foi um tanto desconfortável e estranho, alias estavam beijando a si mesmos... Mas depois de uns segundos uma força eletrizante começou a percorrer suas vias sanguíneas e sentiram um empurrão interno, perdendo os sentindo por míseros milésimos de segundo, depois disso só conseguiram sentir um impacto profundo, podiam sentir o terno roce, agora suave e atraente, tinham voltado.
Era seu primeiro beijo, inesperado, mas não menos desejado, precisavam daquilo há uns dois dias... Ou anos.
Os convidados não conseguiam expelir nem se quer uma sílaba ao ver o casal se separar, os dois sorriram levemente um para o outro e logo a itako disse:
- É melhor que tomemos um banho.
xD Fim
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Nya gente são 8h! Tenho lição para fazer x.x'
Tenho que tomar banho e tudo mais!
Espero que gostem da fic!
Eu vou responder as reviews antigas e as de agora by "reply" ok?
Eu disse que ia por aqui mas não da tempo xD
Beijos gente, eu sei que não ficou como eu queria nem vocês mas eu fiquei meio desinspirada com essa fic aqui e sabe com é né?
Bem logo vai lançar FNU e a shower fo blood. ;) Espero não desanimar!
Kissus! E domo arigato a todos!
