O PRÍNCIPE E O MENDIGO

CAPÍTULO VI

-É por aqui! Não, espera aí, deixa eu ver... Talvez, por ali...

-É pra hoje ou não?! –Inicialmente, Sasuke até ficara esperançoso com as palavras sérias do loiro, mas depois...

-Credo, Sai, como você está ranzinza hoje.

-Pudera! –Sasuke levou a mão à testa, implorando por paciência. –Roubaram de mim uma coisa importante, e quanto mais o tempo passa, minhas chances de recuperá-la diminuem!

Temia o que poderia acontecer se não pegasse o anel de volta. Nunca mais poderia regressar ao castelo? Dormiria e viveria pelas ruas de Konoha igual àqueles mendigos que vira de manhã?

Teria que comer do lixo?

Julgou melhor não ser tão pessimista e pensar numa solução, ao invés de ficar parado, lamentando-se.

-Tive uma idéia! –Naruto falou em voz alta. –Vamos pedir ajuda ao Iruka-sensei, com certeza ele saberá o que fazer!

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-Ei, padre de araque!

Sakura chamou uma vez, Sai estava sentado em um dos bancos do jardim. Fingiu não ter ouvido, não queria mais dor de cabeça, a mão direita segurava um lápis enquanto a outra, um caderno. A garota chegou perto e surpreendeu-se com a descoberta que fizera.

-Você desenha?

-Sim.

-Está uma verdadeira porcaria! Não entendo nada!

-É arte abstrata, mas ainda vou pintar.

-Não tem vocação para sacerdote e muito menos para pintor.

Apesar dos insultos, a garota estava visivelmente interessada nos esboços dos quais não retirava os olhos. O moreno fechou o caderno na cara dela, respondendo de maneira sutil à afronta.

Sakura demonstrou irritação, Sai apenas sorria. Contudo, sua aparente felicidade foi derrubada por terra quando a Haruno correspondeu com outro sorriso.

-Se descobrirem que você não é o Sasuke-kun aposto que estará bem encrencado. –Sakura levou o dedo indicador aos lábios. –Será que eu devo te entregar?

-Por favor, não! –Sai parou diante a expressão de satisfação da garota. Ela jogara verde e conseguira colher maduro.

-Então, terá que fazer algo para mim. –Disse chantagista. –Uma vez por mês chegam mercadores vindos do Oriente trazendo tecidos belíssimos para a confecção de roupas. Eu sempre quis comprar alguns, mas preciso da autorização do Sasuke-kun e ele nunca deixou.

-O que você espera que eu faça?

-Adivinha! Os mercadores retornaram ontem, e como você está no lugar do Sasuke-kun poderia me dar essa permissão.

-Não tenho escolha, não é mesmo? –Pela resposta, Sai deu a entender que consentia embora fosse obrigado a isso. Ironicamente, Sakura elogiou a sua compreensão e foi direto às compras, muito agradecida.

-Você se tornou refém da noiva do Uchiha? Que piada!

Sai levou um susto, Neji apareceu de repente a seu lado. Estava tão pensativo com tantos problemas que nem notara a presença do Hyuuga, e algo mais também havia chamado sua atenção.

-Você disse 'noiva'?

-Sim, os dois estão prometidos um ao outro desde o nascimento.

-Não é para menos que o Sasuke não quer voltar. –Murmurou para si mesmo.

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-Iruka-sensei!

-Boa tarde, Naruto. –Sorriu ao rever o aluno. Sasuke o observou calado, então esse era o nome do loiro que o acompanhava... Pelo visto, ele admirava muito aquele tal Iruka. –Veio para receber as aulas de reforço que está precisando?

-Ah, não! –O garoto fez uma careta. –Na verdade, eu queria perguntar uma coisa...

-O que é? –O jeito divertido do aluno sempre o animava.

-Quando pegam alguma coisa da gente, como se faz para pegar de volta?

Encarou o professor, que adotou uma postura reflexiva. Sasuke estava bem apreensivo, embora fosse difícil perceber a aflição em seu rosto.

-Às vezes, não é possível... O procedimento correto seria prestar uma queixa e, a partir daí, os policiais tentariam recuperar o objeto roubado. –O Uchiha considerou uma péssima opção, pois não tinha como pedir ajuda à polícia sem correr sérios riscos de ser descoberto.

-Por que vocês querem saber? –Iruka questionou.

-Curiosidade. –Sasuke respondeu antes que Naruto pudesse fazê-lo. –Vamos supor que tenha sido um anel, aí é mais difícil de recuperar?

-Sim, isso porque derretem o ouro e vendem. –Iruka estranhou o interesse dos garotos.

-Vendem pra quem?

-UMA JOALHERIA! –Naruto gritou.

-Claro que não, dobe!

-Bem, para uma grande joalheria, que possui fiscalização e tudo mais, as chances são praticamente nulas. –Iruka refletiu um pouco. –Mas em lojas menores, por não chamarem tanta atenção, pode ocorrer comércio ilegal.

-É isso aí, Sai! A gente pode começar a procurar o Mizuki nesses lugares!

-Quem?

O Uchiha tapou a boca do loiro, Iruka começou a olhá-los desconfiado, tentou disfarçar a situação, fingindo que nada havia acontecido.

-Até logo, professor! Obrigado por tirar minhas dúvidas! –Acenou e saiu, ainda segurando Naruto com falta de ar.

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-O sol vai se pôr. –Neji olhou para o céu. –Espero que saiba qual desculpa irá dar. –Avisou a Sai, que voltara a desenhar, este o encarou confuso.

-Como assim?

-O Uchiha não te contou? Está quase na hora da aula dele com os professores Yamato e Kakashi, e duvido que sejam estúpidos o suficiente para não perceber a diferença entre vocês.

A informação veio como um baque. Com tantos imprevistos havia esquecido completamente a advertência de Sasuke, que ainda não retornara. Sai entrou em pânico.

-Meu Deus, é verdade!

-Boa sorte. –Neji simplesmente virou as costas e foi embora.

Ficara observando a atitude do outro, o Hyuuga alertava-o sobre os perigos porém nunca movia um dedo para auxiliá-lo. Em pouco tempo, ouvia apenas os distantes passos de Neji.

Não, estavam ficando mais próximos. Alguém vinha a seu encontro! Procurou um esconderijo dentre as folhagens e permaneceu quieto e imóvel. Uma mulher atravessava o jardim, aparentemente estava apenas de passagem.

-Com licença, senhorita Konan!

-Ah, Yamato-san.

-Yamato?! –Sai encolheu-se ainda mais, mantinha a respiração controlada, temendo que ouvissem até mesmo as batidas de seu coração.

-Você viu o Sasuke-kun?

-Eu não o vejo desde manhã. –Konan perguntou em seguida. –Aconteceu alguma coisa?

-Não, é que... Já está na hora da aula e ele não aparece. –Virou-se para o outro lado e disse: - Se o encontrar, diga que eu e o Kakashi estamos procurando-o.

A mulher prometeu que o faria e afastou-se também. Assim, Sai pôde deixar o esconderijo. Começou a correr à procura de uma saída, sabia que não era uma atitude sensata, mas não poderia esperar a morte encontrá-lo.

Eu tenho que sair daqui!!

Os corredores antes grandes e vazios, agora eram ruidosos e comprimidos. O teto parecia desabar sobre sua cabeça. Cada voz era um inimigo, sempre que ouvia alguém chegar perto, mudava de rumo. Não tinha ninguém em quem pudesse confiar.

-Deixa eu dar uma olhada naquele tecido lilás.

Finalmente uma voz familiar, a da garota de cabelo rosa. Embora atordoado, conseguiu manter o ínfimo de razão para distingui-la, vinha detrás de uma porta.

Sakura estava escolhendo as peças com a ajuda dos alfaiates reais. A porta do aposento abre-se, e aparece Sai. Os acompanhantes abaixam a cabeça acreditando que fosse o herdeiro do trono. Sakura faz uma cara de desdém enquanto o moreno vai em direção a ela.

-O que você quer? –Sussurrou para que apenas ele ouvisse.

-Eu preciso de você. –Sai fez uma pausa, Sakura que não estava dando a mínima começou a ficar atenta à conversa.

-Kakashi e Yamato estão atrás de mim. Na verdade, eles procuram o Sasuke mas eu que... –Falava a contragosto, achava humilhante ter de pedir ajuda a ela. Contudo, não tinha mais a quem recorrer.

-E VOCÊ FICA AÍ PARADO SEM FAZER NADA, SEU IMBECIL?! –A reação dela o assustou, o grito quebrou o clima tenso do local, garantindo alguns risos abafados por parte dos demais presentes.

-Vem comigo! –Sakura agarrou o pulso dele e o arrastou para fora do aposento.

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Após procurarem por várias horas, Sasuke e Naruto encontraram Mizuki em uma casa de compra e venda de ouro. Do lado de fora, elaboravam uma estratégia de ataque.

-A gente espera ele se afastar do balcão e aí entramos... –Dizia para o loiro enquanto observava Mizuki. –Entendeu?

Parou de falar, esperando uma confirmação que não viera, olhou para os lados e não havia ninguém.

Naruto tomara a dianteira, já tinha entrado na loja e no momento, gritava com Mizuki, apontando-lhe o dedo.

-EI, SEU LADRÃO! DEVOLVA O ANEL QUE ELE NÃO É SEU!!

Sasuke escondeu o rosto com a mão, duvidou do que vira.

Lá se foi o efeito surpresa...

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Unknow: Nem acredito que deu certo postar antes do Natal! Eu sempre planejo minhas coisas com antecedência, por isso fico perdida quando acontece algum imprevisto, mas acho que dessa vez até foi bom. Agora que estou com tempo posso responder às reviews. Sem, hora de trabalhar!

Sem: Para Kinha Oliver

Unknow: Neji está sendo um verdadeiro mala e a Sakura... Bem, não vou dizer. E embora as intenções do Naruto sejam as melhores, ele mais atrapalha do que ajuda também. Quem precisa de inimigos?

Sem: Para Reneev

Unknow: Realmente, o Sai morrer só porque decidiu ajudar o Sasuke seria um fim muito triste e concordo que a Sakura merece uns puxões de orelha XD, eu farei questão de dá-los no decorrer da fic. Sobre as duas fics irmãs, a primeira está revisada e concluída, enquanto a segunda estou tendo dificuldades em escrever, mas terei que postá-las juntas porque as histórias completam-se.

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