Capítulo 6: O Começo do Fim

Cerca de três semanas se passaram desde tal acontecimento envolvendo Hermione. O clima no Ministério era de tensão, todos andavam de um lado para o outro como se estivessem carregando algum segredo ou algo do gênero. O Ministro estava sendo pressionado por autoridades de outros países, na verdade ele estava sob ameaças de tais autoridades.

Harry não aparecia para trabalhar a semanas. Ele estava enclausurado em seu apartamento com as cortinas fechadas apenas na companhia de uma garrafa de uísque. Ele encheu novamente o copo e em seguida acendeu um cigarro. Rony apenas observava a cena da porta da cozinha do amigo onde estava escorado. O ruivo olhou ao redor, Harry estava entregue ao desleixo. Por todos os lados havia papéis, pontas e cinzas de cigarro, restos de comida e alguns cacos de vidro.

- Você não pode ficar ai se lamentando a vida inteira. – comentou Rony de forma serena.

- Porque você não à merda? – falou Harry antes de tragar o cigarro novamente.

Rony riu.

- Parece que você não se importa com ela... – disse Harry depositando o cigarro na mesa e virando o copo de uísque todo de uma vez.

- Me importava. Hoje ela é uma assassina e uma Comensal da Morte. – respondeu o ruivo se aproximando do amigo. – Porque me importaria com uma Comensal?

- Eu não consigo entender. Desde que ela chegou que eu venho tentando saber o motivo. Mas ela sempre vinha com trezentas pedras de Bezoá para cima de mim e tudo acabava com uma discussão. – falou Harry enchendo o copo de novo.

O ruivo pegou a garrafa de uísque da mão dele.

-Chega. Levante-se daí. – ordenou o ruivo.

Seu soluço ecoava naquelas paredes de pedra. Suas roupas estavam incrivelmente surradas. Seus braços estavam a agarrar os próprios joelhos, seu corpo tremia de frio por conta da constante presença dos dementadores. Hermione estava desolada em sua cela, nunca em sua vida pensou que acabaria daquele jeito. E seus pais, foram assassinados de uma maneira tão cruel. As palavras de seus amigos não saíam de sua mente, as caras de revolta, repulsa, nojo e desprezo, como eles poderiam acreditar que ela mesma tinha matado os próprios pais? Estava decepcionada, mas naquela altura da situação, nada mais fazia sentido para ela. Seu não morresse pelo beijo mortal de um dos dementadores, morreria de desgosto. Fato.

Com muito esforço, Rony conseguiu arrastar o seu melhor amigo de volta para o trabalho. Os dois caminhavam por um dos corredores do Ministério quando de repente a força é cortada, deixando todos no breu. Instintivamente, os dois empunharam suas varinhas e iluminaram o local. Os funcionários que estavam ali presentes fizeram a mesma coisa. Cautelosos continuaram a caminharem.

Rony abriu a porta das escadas e deu passagem para que Harry saísse, iluminando o corredor escuro com suas varinhas os dois estavam no andar de Pesquisas, ainda faltavam mais quatro andares até chegarem ao térreo.

- Tem alguém aqui? – perguntou o ruivo por precaução caso algum funcionário estivesse em pânico. Não obteve resposta.

Harry mantinha os olhos atentos a todos lado à procura de algum movimento suspeito. De repente, sem nenhum dos dois esperar, o moreno de olhos verdes foi de encontro ao chão assim que tropeçou em alguma coisa. Por reflexo, Rony se virou e apontou a varinha para o chão. A visão a seguir foi aterradora para os dois. Laura Harrison, a chefa do Departamento de Pesquisas estava estatelada no chão. Morta.

- Por Merlin! O que está acontecendo? – questionou Harry um tanto apavorado.

Nesse exato momento um estrondoso barulho invade o local seguidamente de um urro de dor. Como estava escuro, o herdeiro dos Potter não percebeu que o seu amigo fora arremessado com muita brutalidade contra uma das paredes, fazendo com o que o ruivo fosse atravessado para a sala ao lado, tamanha foi a violência. No mesmo instante Rony caiu desacordado.

Harry ficou alerta. Seus olhos corriam de um lado para o outro. Ele sabia que tinha alguém ali, podia ouvi-la respirar e a correr em volta dele. Mas os seus movimentos eram tão lerdos em comparação à sua companhia naquela sala. De repente sentiu que estava vendo estrelas, sua mão se virou para o seu outro braço e iluminou o que lhe tinha cravado os dentes no seu bíceps. Harry gelou. Um lobisomem estava a fazer picadinhos de seu braço.

- Estupefaça! – ele soltou o feitiço e o animal caiu para longe dele.

Com o braço sangrando, ele caminhou com dificuldade sobre os escombros do rombo feito pelo arremesso do ruivo. Para a sorte do moreno, ele parecia estar recobrando a consciência. Num momento de puro reflexo, Harry se jogou para trás e por pouco um feitiço não lhe acerta. Ela sabia perfeitamente que tinha um lobisomem ali e um Comensal da Morte. Com bastante esforço, ele levantou Rony e os dois saíram correndo em direção a janela. A visão do lado de fora também não foi nada agradável. Havia milhares de dementadores rodeando o Ministério.

- Nós precisamos sair daqui! – falou Rony ainda meio atordoado.

- Vamos ter que pular! – informou o de olhos verdes.

O ruivo olhou para ele visivelmente apavorado. Era uma longa distância até o chão. E apesar de ter sido goleiro por alguns anos no time de Quadribol da Grifinória e ter que passar a maior parte do tempo sobre uma vassoura, ele, definitivamente, não gostava de altura.

- Você está maluco! Olha a altura disso aqui! – protestou Rony pálido.

Um rosnado ecoou no local alertado os dois que o tal lobisomem estava a acordar. Os dois não tinham muito tempo para pensar, pois em seguida ouviam-se passos se aproximando deles. Harry não quis saber a opinião de seu amigo, a única certeza que tinha era que se ficassem ali por mais alguma segundos a final certamente seria trágico. Fechou os olhos e se jogou com Rony.

O frio era incrivelmente aterrador durante a queda. Nos poucos momentos em que abriu os olhos ele pôde ver os dementadores se aproximando deles. Num movimento rápido, Harry puxou a sua varinha do bolso e aparatou. No momento seguinte os dois caíram estatelados no quintal da Mansão dos Weasley, mais conhecida como A Toca. A queda não fora tão suave como o moreno pensava que seria e suas costas doíam. Olhou para o lado e conferiu que Rony estava na mesma situação que ele, com sérias dores nas costas. Aos poucos o restante do pessoal foi aparecendo em sua aparatações e depararam-se com os dois ali no chão.

- O que aconteceu?! – perguntou Gina ajudando o irmão a se levantar.

- Eu acabei de pular do quarto andar do Ministério e aparatei em movimento. ELE É LOUCO! – exasperou Rony apontando para o moreno que já estava de pé graças à Lupin.

Harry olhou para o seu braço ferido e conferiu o céu. Por sorte a Lua estava coberta por grossas nuvens. O ex-professor de Hogwarts trocou olhares significativos com o menino-que-sobreviveu, ele sabia perfeitamente que tipo de ferimento era aquele. Com cuidado, eles foram carregados para dentro de casa.

Aos poucos as notícias foram chegando aos ouvidos de todos que estavam na Toca. O pior tinha acontecido, o Ministério tinha sido tomado por lobisomens, Comensais da Morte e mais uma centena de dementadores. Havia muitos inocentes mortos, eles chegaram colocando terror em todos e sem a menor piedade. Aos que cruzavam os seus caminhos o destino era certo: morte. Poucos conseguiram sair, dentre eles estavam Harry, Rony, Gina, Lupin, entre outros. O caos estava instalado na Sociedade Bruxa.

A Senhora Weasley andava de um lado para o outro completamente nervosa. Arthur Weasley estava sentado em um canto perto da lareira pensativo. Susan chorava compulsivamente no colo do pai, que balançava a filha tentando acalmá-la, mas era em vão. Gina encarava os raios cortarem o céu pesadamente nublado e em seguida soltava o seu ruído feroz, Rony estava deitado no sofá com uma compressa de gelo debaixo de suas costas enquanto Luna cuidava de seus ferimentos no resto do corpo. Lupin estava inerte encostado em uma das paredes da sala, parecia bastante pensativo. Tonks estava na cozinha juntamente com o resto do Weasley preparam algo para os que estavam na sala. E Harry segurava o seu braço ferido em uma tipóia improvisada por uma de suas camisas enquanto a sua cabeça estava presa em sua preocupação com Hermione. Será que ela estaria viva ainda?

A chuva caía pesada na cidade Londres. Os flashs dos raios cortando os céus eram as únicas fontes de iluminação na cela de Hermione Granger. Nunca fora fã de chuvas, o que fez o seu pavor triplicar naquele momento em que um altissonante barulho do trovão invadiu os seus ouvidos e a fizeram-na saltar de susto. Arriscou-se a se aproximar um pouco das grades de sua cela e percebeu que a quantidade de dementadores em Azkaban tinha diminuído bastante.

- Assim que essa tempestade passar eu e você temos que estar longe dessas pessoas, você sabe disso, não é? – falou Lupin assim que se aproximou dele.

Harry se sentiu surpreendido com a repentina presença dele do nada ao seu lado. Mas o moreno preferiu a não proferir palavras, apenas limitou-se a gesticular positivamente com a cabeça.

- Bem vindo ao meu mundo. – comentou Lupin tentando quebrar a tensão no ar.

Harry soltou um pequeno sorriso. Ele deveria sentir medo, mas não sentia. Nada mais importava, a única preocupação iminente em sua cabeça naquele momento era Hermione. Por mais que estivesse decepcionado, magoado, com raiva, com ódio, ele ainda a amava. Não podia continuar se enganando disso, tentou acreditar que tinha a esquecido nesses últimos sete anos. Mas enganou-se. Era completamente inevitável não amá-la.

As horas passaram e a tempestade foi diminuindo. Agora apenas uma fina chuva caía. Naquela altura, tanto Lupin quanto Harry tinham desaparecido e se distanciado bastante da Toca. Cada um partira para um lado. Enquanto o chefe dos Aurors corria em direção às colinas, Harry partiu em direção à densa floresta que tinha ao norte. O moreno de olhos verdes e dono dos cabelos rebeldes se agachou debaixo de uma imensa árvore, estava ofegante, correra bastante. Harry guardou os seus óculos no bolso da frente de sua calça e encarou o céu. As nuvens começavam a se afastarem e apesar da floresta ser bastante densa, a sacana luz do luar penetrou todas aquelas copas atingindo parte do rosto dele. A reação foi imediata. Harry começou a se contorcer e gritando. Suas unhas cresceram e se tornaram grossas. Seus dedos se alongaram e suas mãos começaram a tomar forma de patas. Sua coluna se enrijeceu e ele ficou curvado. Um focinho começou a crescer em seu rosto. Em segundos ele já mostrava os seus afiados caninos. Seus olhos não perderam a esmeralda de sempre, deixaram de serem intensos e adotaram um ar sombrio e frio. Sua roupa ficara praticamente rasgada, lhe restando apenas um pedaço de calça em seu corpo. De um ser humano normal ele havia se transformado em um animal irracional coberto de pelos grossos e cinzas. Uivou empolgado antes de sair correndo pela floresta.

O rosto de Hermione fora iluminado com o intenso brilho da Lua que estava se revelando entre as nuvens após a longa tempestade de minutos atrás. Tremeu ao ouvir claramente vários uivos que pareciam estar bem distantes. Caminhou novamente até as grades de sua cela e ao que parecia não havia nenhum dementador por perto. Enrugou o cenho. Alguma coisa estava acontecendo naquele momento. De repente, em segundos a porta de sua cela fora arremessada com uma facilidade para trás. Apavorada com o barulho ela se encolheu no fundo de seu aposento. Ouviu um rosnado. Na sua frente estava um lobisomem que babava e fazia questão de lhe mostrar toda a sua arcada dentária. Hermione perdeu todo o ar de seu pulmão naquela hora, sua garganta secou e sua pele atingiu o tom mais pálido que poderia atingir naquele momento. O animal avançou bloqueando a luz da Lua e só que se podia ver naquele breu era os seus brancos dentes e a cor de seus olhos. Hermione estava completamente encurralada, não tinha para onde correr. Ele a pegou com facilidade e ela gritou, péssima idéia, ele soltou um rugido alto e ameaçador. Sem nenhuma pena, ele a jogou em suas costas e saíram correndo em disparada.

A morena dos cabelos ondulados foi jogada ao chão sem nenhuma piedade. O animal deu uma rápida volta no local farejando tudo àquilo que podia em seu caminho. Em seguida voltou a encarar Hermione, que novamente estava paralisada diante daquele feroz animal, nem respirar ela ousava. Ele deu alguns passos para frente e ela estava a ponto de entrar em colapso quando ele começou a cheirá-la. Mas o que surpreendeu a jovem Granger foi que aquele animal começou a lambê-la carinhosamente.

- Okay, você não é tão mal assim... Vem cá. – ela falou ainda temerosa de uma reação inesperada dele.

Como um cachorro, ele foi para cima dela e se sentou ao seu lado. Hermione começou a fazer carinho em sua cabeça e ficou feliz ao perceber que ele gostava daquilo. Era realmente estranho um lobisomem agir daquela maneira, mas ele parecia estar protegendo ela ou algo do gênero. Ela deu uma rápida olhada ao seu redor e percebeu que estava bastante longe de casa. À sua frente, com pouca iluminação estava o povoado de Hogsmeade e um pouco mais distante estava a famosa Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, por onde estudara por longos sete anos ao lado de seus melhores amigos e onde vivera os melhores momentos de sua vida. Ela estava na Casa dos Gritos. Olhou para a criatura ao seu lado e surpreendeu-se que ele havia adormecido com a cabeça repousada em seu colo ao embalo de seus carinhos. Recostou a sua cabeça na parede e adormeceu também.

Ela foi abrindo os olhos vagarosamente assim que ouviu passos ao redor dela. Sua vista foi de encontro com a intensa claridade que vinha da janela de frente para ela. Por um breve momento Hermione ficou parcialmente cega. Ela piscou os seus olhos diversas vezes até ter uma noção do local que se encontrava. Fez menção de se levantar, mas logo se arrependeu ao sentir a terrível dor nas costas, resultado de ter dormido sentada e recostada numa parede. Mesmo com dor, ela se levantou e esticou-se tentando estalar todos os ossos de sua coluna. Com sucesso.

- Trouxe alguma coisa para você comer.

Ela reconheceu a voz imediatamente e o fitou incrédula.

- Ontem à noite, foi você?! – ela indagou desacreditada.

Sem camisa e com algumas escoriações no corpo, Harry se aproximou dela com um pequeno sorriso. Nem mesmo ele entendia como ele tinha feito aquilo, mas estava feliz de poder vê-la bem na sua frente.

- Acho que sim. – ele respondeu. – Agora coma, você deve estar faminta. – completou.

E ele estava absolutamente certo. Ela atacou com ferocidade todas as frutas que ele tinha trago para ela. Harry sentou-se de frente para ela e sorriu ainda mais com a visão dela. Hermione às vezes lhe lançava um olhar e uma vez ou outra um tímido sorriso. Ela terminou em minutos com todas as frutas e o fitou séria.

- Desde quando é um lobisomem? – ela perguntou.

Ele ponderou alguns segundos antes de responder.

- Desde ontem. Na verdade, eu estava no Ministério com Rony quando fomos atacados e eu fui mordido. – ele explicou mostrando à ela o seu ferimento no braço.

- O Ministério foi atacado?! – ela indagou surpresa com tal revelação. – Meu Merlin! – exclamou.

Harry riu novamente.

- Porque está rindo? Isso é sério. – ela falou ainda mais séria. – E os outros como estão? – ela perguntou preocupada.

- Não se preocupe, estão todos bem. Havia Comensais, lobisomens e dementadores por todo o Ministério ontem. Sinto cheiro de guerra. – ele se divertiu com o próprio trocadilho.

Hermione pareceu estar pensativa. Respirou fundo e voltou a fitá-lo. Sua feição agora demonstrava pavor e Harry a olhou preocupado.

- Tenho que te contar muitas coisas. – ela lhe disse cabisbaixa.

O moreno se aproximou dela e delicadamente ergueu o seu queixo, fazendo-a encará-lo de novo.

- Eu sei, mas não aqui. Você agora está foragida. Precisamos sair daqui o mais rápido possível. E eu sei o lugar perfeito, vamos! – ele a chamou e a puxando para ficar de pé.

Sob os fortes raios solares os dois saíram correndo em direção oposta ao castelo de Hogwarts. Segundos depois desapareceram, pois tinha aparatado.